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Atualizado: 1 hora 16 minutos atrás

CNH Brasil não é uma nova CNH: a autoescola continua sendo fundamental no processo de habilitação

qua, 29/07/2026 - 17:30
Foto: Divulgação

* Por Alisson Maia

Nos últimos dias, milhares de brasileiros passaram a acreditar que agora é possível escolher entre tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pela autoescola ou pela chamada “CNH Brasil”. A impressão que ficou para grande parte da população é a de que se trata de um novo modelo de habilitação, mais simples e totalmente digital. Mas a realidade é outra: não existe uma nova CNH, nem um novo processo para se tornar motorista no Brasil.

A CNH continua sendo a mesma e o processo para obtê-la também continua sendo único em todo o território nacional.

A chamada “CNH Brasil” é apenas um aplicativo do Governo Federal, que substituiu a antiga nomenclatura “CNH Digital”. O aplicativo não criou uma nova modalidade de habilitação, tampouco eliminou as etapas obrigatórias para a formação do condutor. Sua principal funcionalidade é permitir que o candidato obtenha um certificado relacionado ao conteúdo teórico, dispensando a realização do curso teórico oferecido pelas autoescolas ou por empresas credenciadas de ensino a distância, quando permitido pela regulamentação.

Fora essa possibilidade, absolutamente nada mudou no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação.

Quem deseja tirar a primeira habilitação continuará precisando realizar todos os procedimentos previstos na legislação. Será necessário fazer o cadastro do processo, realizar os exames médicos e psicológicos nas clínicas credenciadas pelos DETRANs, realizar o exame toxicológico quando exigido pela categoria pretendida, ser aprovado na prova teórica aplicada pelo DETRAN e cumprir as etapas práticas obrigatórias para a formação do condutor.

As aulas práticas continuam sendo realizadas nas autoescolas credenciadas, sob fiscalização dos órgãos de trânsito. Após a aprovação no exame teórico, o candidato deverá iniciar sua formação prática, recebendo treinamento adequado em veículo apropriado e acompanhado por instrutores habilitados e capacitados.

Existe ainda outra desinformação que precisa ser esclarecida. Muitas pessoas passaram a acreditar que o número mínimo de aulas práticas exigido pela legislação significa que qualquer cidadão poderá tirar sua CNH com apenas duas aulas de direção. Isso não é verdade.

O número mínimo estabelecido pela regulamentação não representa a quantidade ideal de aulas para todos os candidatos. Cada pessoa possui um ritmo próprio de aprendizagem. Há candidatos que precisam de mais tempo para desenvolver habilidades básicas de direção, enquanto outros conseguem evoluir com maior facilidade. A formação do condutor não pode ser tratada como uma simples formalidade burocrática.

No Ceará, por exemplo, a média de aulas práticas realizadas pelos candidatos gira em torno de dez aulas, justamente porque dirigir exige prática, segurança e desenvolvimento de habilidades que não são adquiridas da mesma forma por todos os alunos.

Além disso, todas as aulas práticas realizadas no Estado do Ceará passam por um rigoroso processo de certificação e validação pelo DETRAN/CE. O órgão analisa diversos elementos relacionados à aula ministrada, incluindo a identificação do candidato, os dados do veículo utilizado e o cumprimento das exigências legais para a formação prática. Somente após a conclusão dessa etapa é que o candidato poderá realizar o exame prático de direção veicular.

O exame prático também não se realiza pelo aplicativo e nem pela autoescola. Ele continua sendo aplicado pelo DETRAN, que avaliará se o candidato possui condições técnicas e comportamentais para conduzir um veículo com segurança. Somente após a aprovação no exame prático é que acontecerá e emissão da Permissão para Dirigir (PPD).

Portanto, não existe “CNH da autoescola” e “CNH do aplicativo”. Existe apenas uma CNH e um único processo legal para obtê-la.

A tecnologia é bem-vinda e pode contribuir para modernizar os serviços públicos. Contudo, nenhum aplicativo substitui a formação prática do futuro motorista, o acompanhamento profissional durante o processo de habilitação e a segurança jurídica proporcionada pelas autoescolas credenciadas.

A autoescola continua sendo a porta de entrada mais segura para quem deseja tirar sua primeira habilitação. É nela que o cidadão encontra orientação especializada, suporte administrativo, instrutores qualificados e toda a estrutura necessária para cumprir as exigências legais e aprender a dirigir com responsabilidade.

Antes de acreditar que existe um caminho mais fácil ou diferente para tirar a CNH, é importante compreender que o processo permanece o mesmo. O que mudou foi apenas a existência de uma ferramenta tecnológica disponibilizada pelo Governo Federal. A formação do condutor, os exames obrigatórios e as etapas de aprendizagem continuam sendo indispensáveis.

Em outras palavras, a CNH Brasil não é uma nova CNH. A habilitação continua sendo a mesma, e a autoescola continua sendo fundamental para formar motoristas mais preparados e contribuir para um trânsito mais seguro para todos.

* Alisson Maia é advogado, vice presidente do IDT Brasil – Instituto de direito do Trânsito do Brasil

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Tecnologia da USP faz o semáforo “esperar” o pedestre e pode tornar travessias mais seguras

qua, 29/07/2026 - 13:30
A escolha do cruzamento entre a Avenida Rebouças e a Rua Oscar Freire ocorreu como parte do estudo devido aos maiores fluxos, tanto de veículos quanto de pedestres. Foto: Andrey Gomes/reprodução do artigo

Imagine atravessar uma avenida sem a preocupação de o sinal fechar antes de chegar ao outro lado. Essa é a proposta de um sistema de semaforização inteligente desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). A tecnologia utiliza sensores para identificar quando o pedestre ainda está na faixa e mantém o sinal verde até que a travessia seja concluída, tornando o deslocamento mais seguro, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Além de aumentar a segurança, a solução apresentou resultados positivos na fluidez do trânsito. Ou seja, em simulações realizadas em cruzamentos da cidade de São Paulo, o tempo médio de viagem dos pedestres foi reduzido em 71,42%, o equivalente a cerca de um minuto a menos de espera. O sistema também beneficiou os motoristas, com redução média de 22% no tempo de espera dos veículos em alguns dos cenários analisados.

Tecnologia prioriza quem atravessa a rua

Diferentemente dos sistemas tradicionais de controle semafórico, que normalmente ajustam os tempos dos sinais com base no fluxo de veículos, a pesquisa concentrou a atenção no comportamento dos pedestres.

O funcionamento é simples: quando o sinal abre para a travessia, sensores monitoram continuamente a faixa. Se a pessoa terminar de atravessar antes do tempo previsto, o sistema encerra o verde para pedestres e libera imediatamente o trânsito de veículos. Porém, se ainda houver alguém na faixa — como um idoso, uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida — o sinal permanece aberto até o fim da travessia.

Conforme Andrey Luís Barbosa Gomes, autor da pesquisa, a proposta busca adaptar o funcionamento do semáforo às necessidades reais de quem utiliza a via.

“O programa funciona assim: ele abre o verde para o pedestre e, se ele já tiver atravessado, o sinal fecha e libera os veículos. Mas, se o sensor detectar que o pedestre ainda está na faixa — como um idoso ou alguém com mobilidade reduzida —, o veículo continua parado e o verde se mantém”, explica.

Estudo nasceu da preocupação com a segurança dos pedestres

De acordo com os pesquisadores, os acidentes entre veículos e pedestres continuam sendo um desafio para a mobilidade urbana. Embora se projete as cidades para as pessoas, grande parte dos sistemas de controle de tráfego ainda prioriza o fluxo de veículos motorizados ou do transporte coletivo.

Para o professor Claudio Luiz Marte, orientador da dissertação, iniciativas voltadas à segurança dos pedestres são essenciais, principalmente porque quem caminha está mais exposto aos riscos do trânsito.

Ele lembra que, na cidade de São Paulo, existe uma regra que limita a espera dos pedestres nos semáforos a um minuto e meio, medida importante para reduzir o comportamento de risco de quem decide atravessar fora do momento correto. “O motorista não vai abandonar o carro no meio do trânsito, mas o pedestre perde a paciência, se arrisca entre os veículos e, nessa história, ele é o mais vulnerável.”

Simulações reproduziram cruzamentos reais

Para avaliar o desempenho da tecnologia, os pesquisadores utilizaram dados reais de diferentes cruzamentos da capital paulista.

O trabalho reuniu informações sobre a geometria das vias, volume de veículos e pedestres, além dos movimentos durante a travessia, como situações em que as pessoas atravessavam fora da faixa ou com o semáforo aberto para os veículos.

Esses dados permitiram construir simulações de quatro locais com características bastante diferentes:

  • um cruzamento em frente ao Hospital Universitário da USP, onde circulam idosos, pessoas com deficiência, pacientes e crianças;
  • a Praça dos Bancos, na Cidade Universitária;
  • o cruzamento entre a Avenida Rebouças e a Rua Oscar Freire, região de intenso fluxo de veículos e pedestres e com acesso à estação Oscar Freire do Metrô;
  • um cruzamento em frente ao Terminal Cidade Tiradentes, escolhido por representar uma área de urbanização não planejada.

Segundo Andrey Gomes, a escolha da Cidade Tiradentes teve o objetivo de verificar se a tecnologia também funcionaria em regiões periféricas. “Infelizmente, o desenho das linhas de ônibus em áreas periféricas ocorre para levar ao centro, mas não para o morador fazer compras no próprio bairro. Nosso estudo foi até onde a cidade cresceu sem planejamento, garantindo o funcionamento da tecnologia para que o pedestre de menor renda também tenha segurança”, conta.

O pesquisador destaca ainda que o cruzamento em frente ao Hospital Universitário representou um dos maiores desafios do estudo justamente por concentrar usuários mais vulneráveis.

Resultados beneficiaram pedestres e motoristas

Nos testes realizados, o sistema apresentou melhora em todos os cenários simulados. O tempo médio de viagem dos pedestres caiu cerca de 71%, enquanto houve redução do tempo máximo de espera, em média, em 69%. Em alguns locais, como o Hospital Universitário e o Terminal Cidade Tiradentes, a redução chegou a aproximadamente um minuto. Na Praça dos Bancos, a economia foi de 58 segundos.

Embora a prioridade fosse aumentar a segurança dos pedestres, os pesquisadores observaram ganhos também para os motoristas.

Nos modelos da Praça dos Bancos e do Terminal Cidade Tiradentes, o tempo médio de espera dos veículos diminuiu 22%. Já o tempo máximo de espera aumentou cerca de 30,9 segundos, diferença considerada aceitável pelos pesquisadores diante dos benefícios obtidos para os usuários mais vulneráveis das vias.

Tecnologia busca equilibrar segurança e fluidez

Conforme Andrey Gomes, a pesquisa demonstra que é possível tornar as travessias mais seguras sem comprometer significativamente a circulação dos veículos.

“Na engenharia de tráfego, o fluxo de veículos e a geometria das vias costumam ser priorizados em detrimento do pedestre. Mas vale lembrar que a posição de pedestre é uma em que, uma hora ou outra, todos nós estaremos”, lembra o professor.

Para desenvolver o sistema, os pesquisadores utilizaram o software de simulação de tráfego PTV VISSIM e um algoritmo em linguagem C#, responsável por identificar a presença dos pedestres e controlar o tempo dos semáforos. Os resultados indicaram que a lógica de programação é capaz de aumentar a fluidez das viagens dos pedestres, além disso, reduzir conflitos entre veículos e pessoas e manter a circulação dos automóveis sem impactos negativos significativos.

O estudo contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da colaboração do Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (Citi) da USP. A dissertação deverá ser disponibilizada em breve na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da universidade.

As informações são do Jornal da USP

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CPF irregular pode bloquear serviços da CNH? Entenda

qua, 29/07/2026 - 08:15
A relação entre CPF e CNH tem sido alvo de interpretações equivocadas na internet. Foto: criação de IA

Quem pretende renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), solicitar uma segunda via ou alterar a categoria do documento precisa prestar atenção a um detalhe que muitas vezes passa despercebido: a situação cadastral do CPF.

Nas últimas semanas, diversas publicações nas redes sociais passaram a afirmar que qualquer pendência no Cadastro de Pessoas Físicas seria suficiente para “bloquear a CNH”. A afirmação, no entanto, simplifica uma situação mais complexa e pode levar muitos motoristas ao erro.

Na prática, o que pode impedir a realização de serviços relacionados à CNH não são dívidas comuns ou o nome negativado, mas sim irregularidades no cadastro do CPF perante a Receita Federal ou, em situações específicas, restrições determinadas pela Justiça. Durante diversos procedimentos realizados pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), os sistemas consultam automaticamente as bases de dados da Receita Federal para confirmar a identidade do cidadão. Se houver inconsistências, o atendimento poderá ser interrompido até que o problema seja solucionado.

Dívida não é a mesma coisa que CPF irregular

Um dos principais equívocos sobre o assunto é confundir pendências financeiras com irregularidade cadastral. Ter parcelas atrasadas, empréstimos em aberto, contas vencidas ou estar com o nome inscrito em cadastros de inadimplentes não gera automaticamente o bloqueio da CNH. A Receita Federal, inclusive, diferencia claramente a situação cadastral da situação fiscal do contribuinte. É possível possuir débitos tributários e, ainda assim, manter o CPF com status “Regular”.

Por isso, o motorista não deve acreditar em mensagens que afirmam que qualquer dívida resultará na suspensão da habilitação.

Quais situações podem impedir serviços da CNH?

Os problemas costumam surgir quando o CPF apresenta alguma inconsistência cadastral.

Entre as situações mais comuns estão:

  • CPF com situação “Pendente de Regularização”, normalmente em razão da ausência de entrega da Declaração do Imposto de Renda quando obrigatória;
  • CPF “Suspenso”, geralmente por informações cadastrais incorretas ou incompletas;
  • CPF “Cancelado” ou “Nulo”, em hipóteses previstas pela Receita Federal, como duplicidade ou fraude;
  • Restrições decorrentes de determinações judiciais, quando houver ordem específica que produza efeitos sobre o exercício de determinados direitos.

Nessas situações, o Detran pode não conseguir concluir procedimentos que dependem da validação da identidade do condutor.

Quais serviços podem ser afetados?

O cruzamento de informações ocorre em diversos atendimentos realizados pelos órgãos de trânsito.

Entre eles estão:

  • renovação da CNH;
  • emissão de segunda via;
  • inclusão ou mudança de categoria;
  • atualização de dados cadastrais;
  • outros procedimentos que exigem validação do CPF.

Ou seja, o motorista não perde automaticamente a habilitação, mas pode ficar impedido de concluir esses serviços enquanto o CPF permanecer irregular.

O risco de deixar para a última hora

O problema ganha maior importância para quem está próximo do vencimento da CNH. Se a renovação não puder ser concluída porque o CPF apresenta irregularidades cadastrais, o condutor poderá enfrentar dificuldades para manter o documento válido.

Vale lembrar que o Código de Trânsito Brasileiro permite dirigir com a CNH vencida por até 30 dias. Após esse prazo, conduzir veículo com a habilitação vencida caracteriza infração gravíssima, sujeita à multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo até a apresentação de um motorista habilitado.

Por isso, especialistas recomendam que o condutor verifique tanto a validade da habilitação quanto a situação cadastral do CPF antes de iniciar qualquer processo junto ao Detran.

Como consultar a situação do CPF

A consulta é gratuita e pode ser feita diretamente pelos serviços da Receita Federal.

O resultado indicará uma das situações cadastrais previstas pelo órgão.

Quando o status aparecer como “Regular”, não existe impedimento cadastral relacionado ao CPF.

Caso apareçam situações como “Suspenso”, “Pendente de Regularização”, “Cancelado” ou “Nulo”, será necessário regularizar o cadastro antes de prosseguir com o atendimento no Detran.

O que fazer se houver irregularidade

A providência depende do motivo da pendência. Em alguns casos será necessário atualizar informações cadastrais, como nome ou filiação. Em outros, entregar declarações do Imposto de Renda que deixaram de ser apresentadas ou atender às exigências informadas pela Receita Federal.

Somente após a regularização é que os sistemas dos órgãos públicos voltarão a reconhecer o CPF como apto para validação dos serviços.

Atenção às informações que circulam nas redes sociais

A relação entre CPF e CNH tem sido alvo de interpretações equivocadas na internet. Embora realmente existam situações em que problemas cadastrais impeçam a conclusão de serviços nos Detrans, isso não significa que qualquer pendência financeira resulte na perda da habilitação.

Para evitar transtornos, a recomendação é simples: antes de solicitar a renovação da CNH ou qualquer outro procedimento relacionado ao documento, confira a situação cadastral do CPF. Uma verificação preventiva pode evitar atrasos, deslocamentos desnecessários e até problemas caso a habilitação vença antes da conclusão do processo.

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Programa que oferece mudança gratuita de categoria da CNH registra recorde de inscrições

ter, 28/07/2026 - 17:30
O Programa Mais Motoristas tem como objetivo aumentar a oferta de profissionais qualificados para atender às demandas do transporte rodoviário de cargas e de passageiros. Foto: criação de IA

O Programa Mais Motoristas, criado para ampliar a formação de condutores profissionais no transporte de cargas e de passageiros, alcançou um novo recorde de participação. A edição mais recente recebeu 138.586 inscrições em todo o país, número cerca de 150% superior ao registrado no primeiro edital, lançado em 2023, quando 55.550 pessoas se candidataram.

O aumento na procura demonstra o interesse pela oportunidade de obter gratuitamente a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a qualificação profissional, em um momento em que o setor de transporte enfrenta dificuldades para suprir a demanda por motoristas qualificados.

A primeira convocação dos candidatos classificados está prevista para 3 de agosto, mesma data em que será divulgado o cronograma das demais chamadas.

Programa busca ampliar o número de motoristas profissionais

Criado em 2023, o Programa Mais Motoristas oferece gratuitamente a mudança da categoria da CNH para C, D ou E, além da qualificação necessária para atuação no transporte de cargas e de passageiros.

Conforme os organizadores, a iniciativa foi criada para contribuir com a formação de novos profissionais e ajudar a enfrentar o déficit de mão de obra no setor, considerado um dos principais desafios do transporte brasileiro.

O SEST SENAT é responsável por custear integralmente tanto a mudança de categoria da habilitação quanto a formação especializada, realizada na Escola de Motoristas Profissionais ou em cursos homologados pela instituição.

Como será a seleção dos candidatos

Com o encerramento do período de inscrições, os candidatos passarão pela etapa de classificação, que seguirá os critérios definidos no edital.

A prioridade será para mulheres que estão no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Em seguida, serão classificados os demais inscritos no CadÚnico, depois as mulheres não cadastradas no programa e, por fim, o público em geral.

Dentro de cada um desses grupos, terão preferência os candidatos sem vínculo formal de trabalho e aqueles que possuírem maior número de dependentes diretos.

Os participantes deverão acompanhar as próximas etapas do processo seletivo. Os convocados receberão, por e-mail, a solicitação para envio da documentação exigida.

De acordo com o programa, é responsabilidade do candidato preencher corretamente as informações e encaminhar todos os documentos dentro do prazo estabelecido. O não cumprimento dessas exigências resultará na perda da vaga.

Participantes relatam novas oportunidades profissionais

Beneficiários das edições anteriores afirmam que o programa possibilitou o ingresso em uma nova área de atuação por meio da mudança de categoria da CNH.

Tiago Marinho, de 40 anos, conta que já possuía habilitação na categoria D, mas não tinha condições financeiras de obter a categoria E.

“Eu já tinha CNH categoria D e não tinha condições financeiras de mudar para a categoria E. Quando surgiu essa oportunidade, consegui fazer a troca. Hoje já estou com o documento em mãos e atuando na área”, conta.

Situação semelhante viveu Rosenildo Rocha, de 43 anos, que conseguiu ampliar suas possibilidades de atuação profissional. “Eu tinha habilitação nas categorias A e B e consegui mudar para a categoria E. Estou concluindo o treinamento e, depois, vou partir para a prática. Só tenho a agradecer ao programa e a toda a equipe do SEST SENAT pela oportunidade”, conclui.

Formação pode ampliar oportunidades no transporte

O Programa Mais Motoristas tem como objetivo aumentar a oferta de profissionais qualificados para atender às demandas do transporte rodoviário de cargas e de passageiros.

Além de ampliar as oportunidades de emprego e geração de renda para os participantes, a iniciativa também busca fortalecer a qualificação dos condutores, aspecto considerado importante para a atuação profissional e para a segurança no trânsito.

Com o número recorde de inscrições nesta edição, o programa reforça a crescente procura por oportunidades de formação voltadas ao setor de transporte e evidencia o interesse de milhares de brasileiros em ingressar na profissão de motorista.

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Nova prova da CNH de moto começa a valer em SP; entenda as mudanças

ter, 28/07/2026 - 13:30
Para os candidatos, a principal orientação é investir em uma preparação voltada para a condução segura. Foto: joasouza para Depositphotos

Os candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A já começam a encontrar um novo formato de exame prático em São Paulo. O Detran-SP adaptou a avaliação às regras previstas na Resolução Contran nº 1.020/2025, que reformulou o processo de habilitação em todo o país. Entre as mudanças está a adoção de um modelo de avaliação mais próximo das situações enfrentadas pelos motociclistas no dia a dia, reduzindo a ênfase em manobras realizadas exclusivamente em circuito fechado.

A mudança tem despertado dúvidas entre candidatos e instrutores, principalmente sobre o grau de dificuldade do novo exame. No entanto, a proposta não é tornar a prova mais fácil, mas avaliar competências que realmente serão exigidas quando o motociclista estiver circulando pelas vias.

O que muda na prova prática

O novo modelo adotado pelo Detran-SP segue as diretrizes do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, elaborado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

A principal mudança é que o exame passa a utilizar um sistema de pontuação baseado em infrações de trânsito. Durante a avaliação, as ocorrências registradas pelo examinador recebem pontuação de acordo com sua gravidade — leve, média, grave ou gravíssima. O candidato será aprovado desde que não ultrapasse o limite previsto nas novas regras.

Além disso, o exame deixa de concentrar sua avaliação em exercícios específicos de um circuito e busca verificar se o candidato demonstra condições de conduzir a motocicleta de forma segura em situações semelhantes às encontradas no trânsito.

Conforme o Detran-SP, o objetivo é tornar a avaliação mais compatível com a realidade enfrentada pelos futuros condutores após a obtenção da habilitação.

A prova ficou mais fácil?

Apesar de alguns elementos tradicionais do percurso deixarem de ter o mesmo protagonismo, a mudança não representa uma redução da exigência técnica.

Na prática, o candidato continua precisando demonstrar domínio da motocicleta, equilíbrio, coordenação dos comandos, respeito às regras de circulação e capacidade de tomar decisões seguras durante a condução.

A diferença é que a avaliação passa a privilegiar habilidades que fazem parte da rotina de quem conduz uma motocicleta, em vez de focar apenas na execução de manobras previamente treinadas.

Isso significa que memorizar um circuito específico tende a ser menos importante do que demonstrar preparo para enfrentar situações reais de trânsito.

Quais habilidades continuam sendo avaliadas?

Mesmo com as mudanças, diversos aspectos permanecem fundamentais para a aprovação no exame.

Entre eles estão:

  • controle da motocicleta;
  • uso correto dos comandos;
  • respeito à sinalização;
  • posicionamento adequado na via;
  • realização segura de curvas e frenagens;
  • atenção ao ambiente ao redor;
  • tomada de decisões durante a condução.

Essas competências fazem parte da condução segura e continuam sendo essenciais para que o candidato demonstre condições de obter a habilitação.

Mudança segue regras nacionais

Embora São Paulo tenha sido um dos estados a implementar o novo modelo de avaliação, as alterações decorrem da Resolução Contran nº 1.020/2025, que estabeleceu novas diretrizes para o processo de formação de condutores em todo o país.

Além da reformulação do exame prático, a norma também trouxe mudanças para o exame teórico, com a utilização do Banco Nacional de Questões (BNQ), e criou novas possibilidades para a organização do processo de aprendizagem, cuja implementação depende da adaptação dos Detrans.

Por isso, a adoção das novas regras pode ocorrer em momentos diferentes entre os estados.

Formação continua sendo decisiva

As mudanças no exame acontecem em um momento em que os motociclistas representam a maior parcela das vítimas fatais no trânsito brasileiro. Esse cenário reforça a importância de um processo de formação capaz de preparar os futuros condutores para reconhecer riscos, agir preventivamente e adotar comportamentos seguros desde o início da vida como motociclistas.

Mais do que avaliar a execução de manobras, o novo modelo busca verificar se o candidato demonstra conhecimentos e habilidades compatíveis com os desafios que encontrará ao conduzir uma motocicleta nas vias.

O que muda para quem vai fazer a prova?

Para os candidatos, a principal orientação é investir em uma preparação voltada para a condução segura, e não apenas para a memorização do percurso do exame.

Compreender as normas de circulação, desenvolver boa percepção de risco, praticar técnicas de condução defensiva e manter atenção constante durante toda a avaliação tendem a ser fatores cada vez mais importantes no novo modelo.

A atualização do exame reflete uma tendência de aproximar o processo de habilitação da realidade do trânsito. O objetivo é que a prova avalie não apenas a capacidade de controlar a motocicleta, mas também o preparo do futuro condutor para enfrentar, com segurança e responsabilidade, as situações que encontrará após receber a CNH.

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Brasil registra um veículo roubado ou furtado a cada dois minutos, aponta Anuário da Segurança Pública

ter, 28/07/2026 - 08:15
Um veículo foi roubado ou furtado a cada dois minutos no Brasil em 2025. Apesar da queda nos índices, o país ainda registrou mais de 308 mil ocorrências no ano. Foto: criação de IA

Embora os indicadores de criminalidade relacionados aos veículos tenham apresentado melhora em 2025, o problema continua longe de ser pequeno. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Brasil registrou 308.440 ocorrências de roubo e furto de veículos ao longo do ano passado. Na prática, isso significa que, em média, um veículo foi roubado ou furtado a cada 1 minuto e 42 segundos no país.

Em números diários, foram aproximadamente 845 ocorrências por dia, ou cerca de 35 por hora. Apesar do volume ainda expressivo, o levantamento aponta uma redução de 14,3% na taxa nacional em comparação com 2024, indicando uma tendência positiva que, no entanto, ainda exige atenção das autoridades e dos proprietários de veículos.

Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir de informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança e outros órgãos oficiais.

Queda foi maior nos roubos do que nos furtos

O levantamento mostra que a redução foi mais significativa nos casos de roubo de veículos, modalidade em que há violência ou grave ameaça contra a vítima.

Em 2025, foram registrados 104.491 roubos, contra 126.358 no ano anterior. A taxa passou de 101,9 para 80,9 ocorrências por 100 mil veículos, representando uma queda de 20,6%.

Já os furtos de veículos, quando não há contato direto entre o criminoso e o proprietário, também diminuíram, mas em ritmo menor. Foram 203.949 ocorrências em 2025, frente a 219.145 em 2024. A taxa caiu de 176,8 para 158 casos por 100 mil veículos, redução de 10,6%.

Na prática, cerca de dois terços de todos os registros de subtração de veículos no país em 2025 foram classificados como furto.

Rio de Janeiro lidera ranking proporcional

Ao analisar a incidência proporcional à frota de veículos — indicador considerado mais adequado para comparar estados com tamanhos diferentes — o Rio de Janeiro permanece com a maior taxa do país.

Confira os estados com maiores índices de roubo e furto de veículos em 2025: EstadoOcorrências por 100 mil veículosRio de Janeiro516,8Pernambuco476,5Paraíba349,1São Paulo318,0Acre310,7Bahia292,6Maranhão290,4

Mesmo liderando o ranking, o Rio de Janeiro apresentou redução de 14,6% na taxa em relação ao ano anterior. Pernambuco também registrou queda, de 6,5%.

Vale destacar que esse indicador mede a quantidade de ocorrências em relação ao tamanho da frota de veículos de cada estado, permitindo comparações mais precisas do que os números absolutos.

São Paulo concentra maior número de ocorrências

Quando o critério passa a ser o volume total de registros, o cenário muda completamente. Os estados com maior número de roubos e furtos de veículos em 2025 foram:

  1. São Paulo – 112.358 ocorrências;
  2. Rio de Janeiro – 42.725;
  3. Minas Gerais – 27.611;
  4. Pernambuco – 18.704;
  5. Bahia – 16.715.

Sozinho, São Paulo concentrou aproximadamente 36% de todas as ocorrências registradas no país. No entanto, devido à grande quantidade de veículos registrados no estado, ele ocupa apenas a quarta posição quando analisada a taxa por 100 mil veículos.

Essa diferença mostra por que especialistas recomendam utilizar indicadores proporcionais para avaliar o risco de cada região.

Dois estados seguiram na contramão

Embora a tendência nacional tenha sido de queda, nem todos os estados acompanharam esse movimento. A Paraíba e o Acre registraram aumento nas taxas de roubo e furto de veículos em 2025.

Na Paraíba, a taxa passou de 302,2 para 349,1 ocorrências por 100 mil veículos, crescimento de 15,5%. O avanço foi impulsionado principalmente pelos roubos, que aumentaram 24,2% em relação ao ano anterior.

Já no Acre, a taxa subiu de 271,6 para 310,7, alta de 14,4%. No estado, cresceram tanto os roubos quanto os furtos de veículos.

Redução é positiva, mas não elimina os riscos

Os números mostram que o cenário brasileiro evoluiu em relação ao ano anterior, mas também deixam claro que o roubo e o furto de veículos continuam afetando milhares de motoristas todos os meses.

Por isso, além do trabalho das forças de segurança, especialistas recomendam que os proprietários adotem medidas preventivas no dia a dia, como:

  • estacionar em locais iluminados e movimentados;
  • evitar deixar objetos de valor expostos dentro do veículo;
  • conferir se portas e vidros ficaram totalmente fechados;
  • utilizar dispositivos de rastreamento, quando possível;
  • manter atenção redobrada ao estacionar ou desembarcar em locais pouco movimentados.

Em caso de roubo, a principal orientação continua sendo não reagir, preservando a integridade física.

Depois da ocorrência, o motorista deve comunicar imediatamente as autoridades policiais, registrar o boletim de ocorrência e informar a seguradora e a empresa de rastreamento, caso o veículo possua esses serviços.

Os dados do Anuário mostram que, apesar da redução observada em 2025, o Brasil ainda convive com uma média de centenas de veículos roubados ou furtados diariamente, reforçando a importância tanto das políticas públicas de segurança quanto da adoção de medidas preventivas pelos próprios condutores.

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Como funcionam os semáforos inteligentes que estão reduzindo o trânsito em São Paulo

seg, 27/07/2026 - 17:30
Tecnologia já modernizou 1.677 cruzamentos e integra ações para melhorar a circulação viária na cidade. Foto: Divulgação Prefeitura de São Paulo

Os semáforos inteligentes vêm ganhando espaço como uma das principais ferramentas para melhorar a fluidez do trânsito nas grandes cidades. Em São Paulo, a tecnologia já foi implantada em 1.677 cruzamentos e, segundo a Prefeitura, contribuiu para reduzir em 12,16% os índices de lentidão nas regiões atendidas, além de aumentar em 5,72% a capacidade de circulação de veículos.

Diferentemente dos semáforos convencionais, que operam com tempos programados previamente, o novo sistema acompanha o fluxo de veículos em tempo real e ajusta automaticamente o tempo de abertura e fechamento dos sinais conforme a demanda de cada cruzamento. O objetivo é reduzir filas, evitar paradas desnecessárias e tornar os deslocamentos mais eficientes.

Embora a iniciativa seja aplicada na capital paulista, ela mostra como a tecnologia pode contribuir para melhorar a mobilidade urbana em outras cidades brasileiras que enfrentam congestionamentos frequentes.

Como funciona um semáforo inteligente?

O sistema utilizado em São Paulo é o SCATS (Sydney Coordinated Adaptive Traffic System), tecnologia desenvolvida para monitorar continuamente o comportamento do trânsito.

Por meio de sensores e equipamentos instalados nos cruzamentos, o sistema identifica o volume de veículos em circulação e altera automaticamente os ciclos semafóricos sempre que necessário. Assim, uma via com maior fluxo pode receber mais tempo de sinal verde, enquanto outra com menor movimento não permanece aberta além do necessário.

Além da operação automática, equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) acompanham o funcionamento dos equipamentos em tempo real a partir do Centro de Controle.

Quando ocorrem acidentes, manifestações, interdições ou falhas nos equipamentos, os operadores podem intervir imediatamente na programação dos semáforos para adaptar a operação às condições do momento, buscando preservar a fluidez e a segurança viária. O monitoramento também permite identificar falhas rapidamente e, em alguns casos, corrigi-las de forma remota.

Resultados já aparecem em diferentes regiões

Conforme a Prefeitura de São Paulo, os benefícios da tecnologia foram observados em todas as macrorregiões avaliadas pela CET.

Os melhores resultados ocorreram nas zonas Sudeste e Leste, onde a capacidade de circulação aumentou 12,05% e a lentidão caiu 26,04%.

Em alguns corredores viários, os números foram ainda mais expressivos. Na Avenida Indianópolis, por exemplo, a lentidão diminuiu 66,2%, enquanto o fluxo de veículos cresceu 5%. Já na Avenida Paes de Barros, a redução dos congestionamentos chegou a 57,1%, acompanhada de aumento de 16,7% na circulação de veículos. Também foram registradas reduções nas filas da Rua dos Trilhos (50%), da Avenida dos Bandeirantes (29%) e da Avenida Salim Farah Maluf (22,6%).

Expansão continua

O programa de modernização segue em andamento. De acordo com a Prefeitura, 1.677 cruzamentos já receberam os novos equipamentos. Outros 217 estão em fase final de implantação e 689 tiveram seus projetos executivos aprovados. A meta é chegar a 2.583 cruzamentos inteligentes em toda a cidade. O investimento previsto é de R$ 725,5 milhões.

A maior concentração da tecnologia está atualmente nas áreas das subprefeituras da Sé, Vila Mariana, Pinheiros, Lapa, Ipiranga, Mooca e Santo Amaro.

Tecnologia pode contribuir para um trânsito mais eficiente

O uso de sistemas inteligentes de controle semafórico é uma tendência em diversas cidades do mundo por permitir que a operação acompanhe as mudanças do trânsito ao longo do dia.

Ao adaptar automaticamente os tempos dos sinais conforme a demanda, a tecnologia busca reduzir congestionamentos, melhorar a circulação dos veículos e diminuir períodos de espera desnecessários nos cruzamentos.

Para os motoristas, isso pode representar viagens mais rápidas e previsíveis. Já para os órgãos responsáveis pela gestão do trânsito, o monitoramento em tempo real amplia a capacidade de resposta diante de ocorrências que afetam a mobilidade urbana, contribuindo para uma operação mais eficiente do sistema viário.

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Ruído do trânsito pode estar associado a maior risco de Parkinson, aponta estudo

seg, 27/07/2026 - 13:30
Morar próximo a vias com intenso fluxo de veículos pode estar associado a um maior risco de diagnóstico da doença de Parkinson, segundo estudo publicado no JAMA Neurology. Foto: Criação de IA

O barulho constante do trânsito pode representar mais do que um incômodo para quem vive próximo a vias movimentadas. Um estudo publicado na revista científica JAMA Neurology encontrou uma associação entre a exposição prolongada ao ruído do tráfego rodoviário e um maior risco de diagnóstico da doença de Parkinson.

A pesquisa acompanhou mais de 3 milhões de adultos na Dinamarca durante quase duas décadas e avaliou a exposição ao ruído nas residências dos participantes. Os resultados mostraram que pessoas expostas a níveis mais elevados de barulho apresentaram um aumento modesto, mas estatisticamente significativo, no risco de desenvolver a doença.

Os autores, porém, fazem um alerta importante: o estudo é observacional e identifica apenas uma associação estatística entre os fatores analisados. Isso significa que os resultados não permitem afirmar que o ruído do trânsito seja a causa da doença de Parkinson.

O que os pesquisadores descobriram

O estudo analisou adultos com 40 anos ou mais que não tinham diagnóstico prévio de Parkinson e estimou os níveis de ruído provocados pelo tráfego nas residências dos participantes ao longo dos anos.

Após considerar outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como poluição do ar, características socioeconômicas e presença de áreas verdes, os pesquisadores observaram que maiores níveis de exposição ao ruído estiveram associados a um risco mais elevado de diagnóstico da doença.

Conforme a pesquisa, para cada aumento de aproximadamente 11 decibéis no lado da residência mais exposto ao trânsito, houve um aumento de cerca de 3% no risco de diagnóstico de Parkinson.

Quando foi analisado o lado mais silencioso da residência, um aumento de aproximadamente 9 decibéis esteve associado a um crescimento de cerca de 4% nesse risco.

Embora os percentuais individuais sejam considerados pequenos, os pesquisadores destacam que a exposição ao ruído do trânsito atinge milhões de pessoas, o que pode representar um impacto relevante do ponto de vista da saúde pública.

Um lado silencioso da casa pode fazer diferença

Um dos achados que chamou a atenção dos pesquisadores foi a influência da chamada “fachada silenciosa” das residências.

As casas que apresentavam pelo menos um lado significativamente menos exposto ao ruído — com diferença de 10 decibéis ou mais em relação à fachada voltada para o trânsito — apresentaram um efeito protetor entre moradores submetidos aos níveis mais elevados de barulho.

Os autores sugerem que ambientes mais silenciosos podem favorecer um sono de melhor qualidade e reduzir parte dos efeitos provocados pela exposição contínua ao ruído, embora esse mecanismo ainda precise ser melhor compreendido.

Como o barulho pode afetar a saúde?

O estudo não investigou diretamente os mecanismos biológicos envolvidos, mas apresenta algumas hipóteses discutidas pela literatura científica.

Entre elas estão a interrupção do sono causada pelo ruído constante e a ativação prolongada das respostas de estresse do organismo. Esses fatores podem favorecer processos inflamatórios e de estresse oxidativo, frequentemente estudados por sua relação com doenças neurodegenerativas.

No entanto, os pesquisadores ressaltam que essas hipóteses ainda precisam ser confirmadas por novos estudos.

Pesquisa não comprova causa e efeito

Apesar da repercussão dos resultados, especialistas destacam que é preciso interpretá-los com cautela.

Por se tratar de um estudo observacional, não é possível afirmar que o ruído do trânsito provoque a doença de Parkinson. Pesquisas desse tipo identificam relações estatísticas entre fatores ambientais e determinadas doenças, mas não conseguem estabelecer uma relação causal definitiva.

Ainda assim, o grande número de participantes, o longo período de acompanhamento e o controle de diversos fatores ambientais tornam os resultados relevantes para ampliar o conhecimento sobre possíveis fatores de risco relacionados à doença.

Poluição sonora ganha atenção

O estudo reforça um tema que vem recebendo cada vez mais atenção da comunidade científica: os impactos da poluição sonora na saúde.

Embora se aponte frequentemente a poluição do ar como um dos principais problemas ambientais relacionados ao trânsito, os pesquisadores defendem que o ruído também merece atenção nas políticas públicas voltadas ao planejamento urbano e à qualidade de vida.

Em editorial publicado juntamente com o estudo, especialistas destacam que compreender melhor o papel dos fatores ambientais poderá contribuir para estratégias futuras de prevenção da doença de Parkinson.

Enquanto novas pesquisas buscam esclarecer essa relação, o trabalho amplia o debate sobre um problema presente na rotina de milhões de pessoas que vivem em áreas com intenso fluxo de veículos.

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CNH em 2026: as mudanças que realmente fazem diferença para motoristas; veja o que está valendo

seg, 27/07/2026 - 08:15
As mudanças na legislação de trânsito costumam despertar grande interesse dos motoristas, mas também favorecem a circulação de informações incompletas ou desatualizadas. Foto: criação de IA

A legislação de trânsito passou por diversas alterações ao longo de 2026, modificando procedimentos relacionados à Carteira Nacional de Habilitação (CNH), à fiscalização e aos serviços oferecidos aos condutores. Algumas mudanças ampliaram o uso de ferramentas digitais, outras criaram novas exigências para quem pretende dirigir e também houve alterações que ainda geram dúvidas entre os motoristas.

Mais do que conhecer as novidades, é importante entender como elas afetam a rotina de quem dirige e quais cuidados continuam sendo necessários para evitar multas, suspensão do direito de dirigir ou problemas na renovação do documento.

Renovação automática existe, mas não elimina os exames obrigatórios

Uma das mudanças que mais chamou atenção foi a criação da chamada renovação automática da CNH. O nome, porém, levou muitos motoristas a acreditar que o documento passaria a ser renovado sem qualquer avaliação médica e isso chegou a valer por um tempo. Mas depois da tramitação da Medida Provisória, o processo não se sustentou. E, agora, os exames voltaram a valer.

A legislação passou a permitir que o processo seja iniciado e concluído de forma digital para os condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), desde que atendam aos requisitos previstos em lei. Entretanto, permanecem obrigatórios os exames de aptidão física e mental e, quando exigida pela legislação, também a avaliação psicológica.

Ou seja, a principal novidade está na simplificação do procedimento administrativo, e não na dispensa das avaliações que verificam se o motorista continua apto para dirigir.

Exame toxicológico passou a alcançar novos condutores

Outra alteração importante diz respeito ao exame toxicológico. Até pouco tempo, a exigência era voltada principalmente aos motoristas das categorias C, D e E. Em 2026, entretanto, a obrigatoriedade também passou a alcançar os candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, conforme a legislação federal aprovada neste ano.

A medida ampliou o alcance do exame e tornou esse procedimento parte da realidade de milhares de brasileiros que pretendem obter a primeira CNH.

Para os condutores profissionais das categorias C, D e E, permanecem válidas as exigências de realização periódica do exame dentro dos prazos legais, cuja ausência pode resultar em infração gravíssima.

Documento digital ganha ainda mais espaço

A Carteira Digital de Trânsito (CDT), agora chamada CNH do Brasil, consolidou-se como o principal meio de acesso à CNH.

Pelo aplicativo oficial, o motorista pode consultar o documento, acompanhar infrações, acessar notificações, verificar informações do veículo e utilizar diversos serviços sem necessidade de comparecimento presencial ao órgão de trânsito.

Apesar disso, quem preferir ainda pode solicitar a emissão da versão física da habilitação, conforme as regras estabelecidas pelo Detran de cada estado.

Regras sobre validade da CNH continuam as mesmas

Embora muitas pessoas tenham acreditado que os prazos de validade mudariam novamente em 2026, as regras permanecem inalteradas.

Atualmente, a renovação ocorre em intervalos diferentes conforme a idade do motorista:

  • até 49 anos: validade de até 10 anos;
  • entre 50 e 69 anos: validade de até 5 anos;
  • a partir de 70 anos: validade de até 3 anos.

Esses prazos podem ser reduzidos por decisão médica quando houver necessidade de acompanhamento mais frequente das condições de saúde do condutor.

Limite de pontos exige atenção às infrações gravíssimas

Outro aspecto que continua gerando dúvidas é o sistema de pontuação da CNH. O limite para suspensão do direito de dirigir permanece variável conforme a quantidade de infrações gravíssimas cometidas em um período de 12 meses:

  • até 40 pontos quando não houver infração gravíssima;
  • até 30 pontos quando houver uma infração gravíssima;
  • até 20 pontos quando forem registradas duas ou mais infrações gravíssimas.

Na prática, isso significa que não basta acompanhar apenas o número total de pontos. A natureza das infrações também influencia diretamente o risco de suspensão da habilitação.

Conhecer as regras também faz parte da segurança viária

Conforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, as mudanças na legislação de trânsito costumam despertar grande interesse dos motoristas, mas também favorecem a circulação de informações incompletas ou desatualizadas.

“Por isso, acompanhar as alterações oficiais e compreender exatamente o que mudou ajuda a evitar interpretações equivocadas e reduz o risco de irregularidades durante fiscalizações”, explica.

De acordo com o especialista, além de cumprir uma obrigação legal, manter a documentação em dia, realizar os exames exigidos e conhecer as regras vigentes contribui para que o sistema de trânsito funcione de forma mais segura para todos os usuários das vias.

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O que faz uma bicicleta durar anos? Especialista explica os cuidados que aumentam a vida útil da bike

dom, 26/07/2026 - 17:30
A manutenção adequada melhora o desempenho, aumenta a segurança e evita a substituição precoce de peças. Foto: Divulgação

Uma bicicleta bem cuidada pode acompanhar o ciclista por muitos anos. No entanto, pequenos erros do dia a dia, como deixar a corrente sem lubrificação, guardar a bike exposta ao tempo ou ignorar revisões preventivas, podem reduzir significativamente a vida útil dos componentes e aumentar os custos com manutenção.  

Com o crescimento do mercado de bicicletas no Brasil e o aumento do número de pessoas que utilizam a bike para lazer, esporte e mobilidade, especialistas reforçam que preservar o equipamento vai muito além da estética. A manutenção adequada melhora o desempenho, aumenta a segurança e evita a substituição precoce de peças. 

Segundo David Peterle, CEO da Oggi Bikes, a durabilidade da bicicleta começa antes mesmo do primeiro pedal.

“Muitas pessoas pensam apenas no preço na hora da compra, mas a escolha do modelo correto faz toda a diferença. Uma bicicleta compatível com o tipo de uso do ciclista tende a sofrer menos desgaste, exigir menos manutenção e proporcionar uma experiência muito melhor ao longo dos anos”, afirma. 

Limpeza vai muito além da aparência 

Após pedalar em trilhas, estradas de terra ou até mesmo em dias de chuva, a limpeza da bicicleta deve fazer parte da rotina. Poeira, barro e resíduos aceleram o desgaste da transmissão, dos rolamentos e de outros componentes mecânicos. “O ideal é fazer uma limpeza sempre que houver acúmulo de sujeira, utilizando produtos específicos para bicicletas. Jatos de alta pressão devem ser evitados porque podem remover a lubrificação interna dos rolamentos e comprometer componentes importantes”, orienta Peterle.

Corrente bem lubrificada faz diferença 

Entre todos os itens da bicicleta, poucos sofrem tanto desgaste quanto a corrente. Uma lubrificação inadequada aumenta o atrito, reduz a eficiência da pedalada e acelera o desgaste da transmissão.

A recomendação é utilizar lubrificantes específicos para bicicletas, escolhendo produtos adequados para condições secas ou úmidas. Antes de reaplicar o lubrificante, é importante remover resíduos antigos para evitar o acúmulo de sujeira. “Uma corrente bem cuidada preserva não apenas ela própria, mas também cassete, coroas e câmbio. É um cuidado simples que pode evitar gastos muito maiores no futuro”, explica o executivo. 

Calibragem correta evita desgaste prematuro 

Rodar com pneus abaixo ou acima da pressão recomendada compromete tanto o desempenho quanto a durabilidade da bicicleta. Além de aumentar o risco de furos, pneus mal calibrados exigem mais esforço do ciclista, desgastam a banda de rodagem de maneira irregular e podem afetar rodas e suspensão. “O ideal é verificar a calibragem antes dos pedais, respeitando sempre a pressão indicada para o modelo do pneu e o peso do ciclista. É um hábito rápido que melhora conforto, rendimento e segurança”, afirma Peterle.

Revisão preventiva custa menos do que trocar peças

Assim como acontece com um automóvel, a bicicleta também precisa de revisões periódicas. Freios, transmissão, suspensão, rolamentos e cabos devem ser inspecionados regularmente para identificar desgastes antes que eles comprometam outros componentes.

Segundo Peterle, muitas das manutenções mais caras poderiam ser evitadas com inspeções preventivas. “Esperar aparecer um problema costuma sair mais caro. Pequenos ajustes feitos no momento certo preservam a bicicleta, aumentam a segurança e evitam que o desgaste de uma peça acabe comprometendo outras”, destaca. 

Armazenamento também influencia

Outro cuidado frequentemente negligenciado é a forma como a bicicleta é guardada. Exposição prolongada ao sol, chuva e umidade acelera a oxidação de componentes metálicos e reduz a vida útil de pneus, selins e manoplas. Sempre que possível, a recomendação é armazenar a bicicleta em ambientes cobertos, secos e protegidos da exposição direta ao clima.  

A qualidade da bicicleta também faz diferença 

Além da manutenção, a escolha de uma bicicleta construída com componentes compatíveis com o uso pretendido influencia diretamente sua durabilidade.

“Uma boa bicicleta não é necessariamente a mais cara, mas aquela desenvolvida para atender ao perfil de quem vai utilizá-la. Quando o ciclista escolhe um modelo adequado para seu tipo de pedal e mantém uma rotina básica de manutenção, a bicicleta pode oferecer muitos anos de uso com excelente desempenho. Cuidar da bike é também preservar o investimento feito nela”, conclui Peterle.

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Veículos premium exigem cuidados especiais com a suspensão; veja os motivos

dom, 26/07/2026 - 13:30
Entre os componentes mais importantes da suspensão estão os amortecedores, ajudando a controlar os movimentos das molas e manter o contato constante dos pneus com o solo, além de contribuir para o conforto e a estabilidade da condução. Foto: Divulgação

Os veículos premium costumam oferecer mais conforto, estabilidade e precisão na condução graças a sistemas de suspensão mais sofisticados. No entanto, essas tecnologias também exigem atenção redobrada com a manutenção para preservar as características originais do veículo e evitar perda de desempenho ao longo do tempo.

Responsável por absorver as irregularidades do piso e manter os pneus em contato constante com o solo, a suspensão exerce influência direta na dirigibilidade, na estabilidade e até mesmo na segurança. Por isso, especialistas alertam que a manutenção preventiva é ainda mais importante em modelos de luxo e de alta performance, cujos componentes trabalham com tolerâncias mais precisas.

Suspensão influencia conforto, estabilidade e dirigibilidade

Conforme especialistas da thyssenkrupp Springs & Stabilizers, fabricante global de molas e barras estabilizadoras para a indústria automotiva, os sistemas de suspensão utilizados em veículos premium são desenvolvidos para proporcionar respostas mais precisas ao volante, maior estabilidade e melhor capacidade de absorção das irregularidades do piso.

Esse conjunto contribui para uma condução mais refinada, mas também requer inspeções periódicas e o cumprimento das recomendações estabelecidas pela montadora.

“À medida que as tecnologias automotivas evoluem, os sistemas de suspensão assumem um papel cada vez mais relevante na entrega das características de condução esperadas pelos clientes. A manutenção desses sistemas de acordo com as recomendações do fabricante ajuda a preservar o conforto, a dirigibilidade e o desempenho geral do veículo”, explicam os especialistas.

Buracos e pavimento irregular aceleram o desgaste

Mesmo os sistemas mais modernos não estão imunes às condições das vias brasileiras. De acordo com a thyssenkrupp Springs & Stabilizers, a circulação frequente por ruas e rodovias com buracos, valetas, lombadas e pavimentação irregular pode acelerar o desgaste dos componentes da suspensão, especialmente dos amortecedores.

Por esse motivo, a recomendação é realizar inspeções periódicas em oficinas qualificadas, sempre seguindo os intervalos e procedimentos previstos pelo fabricante do veículo.

A manutenção preventiva pode identificar desgastes antes que eles comprometam o funcionamento do conjunto ou provoquem alterações perceptíveis na condução.

Amortecedores têm papel fundamental

Entre os principais componentes da suspensão estão os amortecedores, responsáveis por controlar os movimentos das molas, manter o contato dos pneus com o solo e contribuir para o conforto e a estabilidade durante a condução.

Quando chega o momento da substituição, especialistas recomendam utilizar componentes que atendam às especificações técnicas previstas para o veículo, preservando as características originais de dirigibilidade.

A thyssenkrupp Springs & Stabilizers informa que distribui no mercado brasileiro os amortecedores Bilstein, utilizados em diversas aplicações premium e de alta performance. De acordo com a empresa, as linhas B4 e B6 são comercializadas por sua operação de aftermarket.

Cuidados ajudam a preservar o desempenho do veículo

Para prolongar a vida útil da suspensão e manter a experiência de condução esperada em veículos premium, os especialistas recomendam alguns cuidados básicos:

  • realizar inspeções periódicas conforme as orientações da montadora;
  • verificar regularmente o alinhamento e o balanceamento;
  • manter os pneus sempre calibrados corretamente;
  • evitar impactos severos contra buracos, valetas e guias;
  • investigar rapidamente qualquer ruído ou mudança no comportamento do veículo;
  • utilizar componentes que atendam às especificações técnicas e aos padrões de qualidade adequados.
Manutenção também contribui para a segurança

Embora seja frequentemente associada ao conforto, a suspensão desempenha um papel importante também na estabilidade do veículo e na capacidade de manter os pneus em contato com o pavimento, especialmente em curvas, frenagens e desvios de obstáculos.

Por isso, acompanhar o estado dos componentes e realizar a manutenção preventiva conforme as recomendações do fabricante ajuda a preservar não apenas a experiência de condução, mas também o desempenho do veículo e seu valor ao longo dos anos.

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Cordialidade e direção defensiva são vitais para a segurança viária

dom, 26/07/2026 - 08:15
Especialistas reforçam como a cordialidade e a direção defensiva podem tornar o trânsito mais seguro para todos. Foto: belchonok para Depositphotos

O Dia do Motorista, que foi celebrado ontem, 25 de julho, é um convite para refletir sobre um aspecto que vai além da habilidade ao volante: o comportamento dos condutores no trânsito. Em um cenário marcado por congestionamentos cada vez mais frequentes e níveis elevados de estresse, especialistas alertam que a cordialidade e a direção defensiva são fundamentais para prevenir conflitos e acidentes.

O trânsito das grandes cidades brasileiras tem se tornado um dos principais fatores de estresse da população. Longos congestionamentos, atrasos, buzinas e a rotina corrida acabam criando um ambiente propício para a impaciência e os conflitos entre motoristas. Em casos extremos, desentendimentos iniciados por situações aparentemente simples podem evoluir para agressões físicas e até tragédias.

É possível observar a dimensão desse desafio nos números. Conforme o TomTom Traffic Index 2025, levantamento global que monitora as condições de tráfego em centenas de cidades ao redor do mundo, os motoristas brasileiros passam, em média, dezenas de horas por ano presos em congestionamentos.

Curitiba lidera o ranking nacional, com 135 horas perdidas anualmente no trânsito.

Na sequência aparecem São Paulo, com 132 horas, Recife e Belo Horizonte, ambas com 130 horas. Os dados evidenciam que o problema não está restrito aos maiores centros urbanos do país, mas afeta cidades de diferentes regiões, impactando a rotina, a produtividade e até mesmo o bem-estar emocional dos motoristas.

Em um cenário marcado por deslocamentos cada vez mais longos e desgastantes, especialistas alertam que o estresse acumulado durante a condução pode contribuir para comportamentos impulsivos, discussões e atitudes de risco no trânsito.

Por isso, a cordialidade, a empatia e a prática da direção defensiva tornam-se elementos fundamentais para promover um ambiente mais seguro e harmonioso para todos os usuários das vias. Afinal, o trânsito é um ambiente coletivo, onde as decisões individuais impactam diretamente a segurança e o bem-estar de todos.

Pequenos gestos de cordialidade podem contribuir para reduzir situações de conflito e tornar a convivência mais harmoniosa nas ruas e estradas. Respeitar a vez de outro motorista em uma conversão, permitir uma mudança de faixa quando possível ou sinalizar corretamente as manobras são atitudes simples que ajudam a tornar o fluxo mais previsível e seguro.

Da mesma forma, evitar reações impulsivas diante de fechadas, erros de outros condutores ou momentos de congestionamento pode impedir que situações corriqueiras evoluam para discussões e comportamentos de risco.

A direção defensiva também está diretamente relacionada ao controle emocional.

Embora seja frequentemente associada a técnicas de condução, ela envolve a capacidade de manter a calma diante de situações adversas e tomar decisões conscientes mesmo sob pressão. Ignorar provocações, não disputar espaço nas vias e evitar responder a atitudes agressivas são comportamentos que contribuem para a redução de acidentes e para a preservação da segurança de todos os envolvidos.

Além disso, a condução preventiva exige atenção constante ao ambiente ao redor do veículo. Manter uma distância segura do carro à frente oferece mais tempo para reação em situações inesperadas, enquanto a observação contínua do comportamento dos demais usuários da via permite antecipar possíveis riscos. Ações como identificar uma mudança brusca de faixa, prever uma frenagem repentina ou perceber a distração de outro motorista ajudam a reduzir a probabilidade de colisões e tornam os deslocamentos mais tranquilos.

Em um contexto em que milhões de brasileiros passam horas diariamente enfrentando congestionamentos, cultivar a paciência e adotar práticas de direção defensiva tornam-se atitudes essenciais para transformar o trânsito em um ambiente mais seguro, respeitoso e eficiente para todos.

“Quando falamos em segurança viária, é comum que a atenção esteja voltada para a manutenção do veículo, mas o comportamento do motorista também exerce um papel decisivo. A direção defensiva começa pela capacidade de manter a calma, respeitar os demais usuários da via e antecipar situações de risco”, afirma Fábio Torres, gerente de Marketing e Vendas da Dunlop Pneus.

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O maior risco nas estradas não é a imprudência, mas o cansaço que ninguém vê

sab, 25/07/2026 - 17:30
Foto: adriaticphoto para Depositphotos

Quando se fala em acidentes nas estradas brasileiras, a explicação costuma ser quase automática: imprudência. Excesso de velocidade, uso do celular ao volante, ultrapassagens perigosas ou desrespeito à sinalização aparecem, frequentemente, como os principais responsáveis pelas tragédias que ocorrem diariamente no país.

Embora esses fatores sejam, de fato, relevantes, concentrar todo o debate apenas no comportamento do motorista nos impede de enxergar um dos maiores riscos presentes nas operações de transporte: a fadiga.

O cansaço ao volante ainda é um problema silencioso, subestimado e, muitas vezes, invisível. Diferentemente de uma infração de trânsito, ele nem sempre deixa evidências claras. Mas, seus efeitos são conhecidos como por exemplo redução da atenção, aumento do tempo de reação, lapsos de memória, dificuldades na tomada de decisão e, nos casos mais graves, episódios de sono involuntário. 

Em uma operação logística cada vez mais pressionada por prazos curtos, crescimento do comércio eletrônico, congestionamentos e longas jornadas, ignorar a fadiga deixou de ser apenas uma falha operacional.

Tornou-se um risco estratégico.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a privação de sono compromete capacidades cognitivas de forma semelhante ao consumo de álcool. Em outras palavras, um motorista extremamente cansado pode apresentar níveis de atenção comparáveis aos de alguém que não deveria estar dirigindo.

Ainda assim, a gestão da fadiga permanece fora da prioridade de muitas empresas. Isso acontece porque, historicamente, a segurança viária foi construída sob uma lógica reativa de agir após o acidente, investigar as causas e corrigir processos posteriormente. Hoje, a tecnologia permite uma mudança de paradigma.

Com ferramentas de vídeo-telemetria, análise comportamental e monitoramento em tempo real, já é possível identificar padrões que indicam risco elevado de fadiga antes que um incidente aconteça. Cruzamentos com contextos adicionais como tempo contínuo de direção, horários recorrentes de sonolência, oscilações no padrão de condução, frenagens bruscas e redução na atenção podem revelar situações críticas que exigem intervenção imediata.

Mas tecnologia, sozinha, não resolve o problema.

É necessário que empresas, gestores de frota e embarcadores incorporem a fadiga como uma variável central da gestão operacional. Isso significa revisar escalas, planejar jornadas de forma mais inteligente, criar políticas efetivas de descanso e utilizar dados para apoiar decisões, e não apenas para fiscalizar motoristas.

A discussão sobre segurança no trânsito precisa evoluir. Acidentes não são resultado exclusivo de escolhas individuais equivocadas. Muitas vezes, eles refletem falhas de planejamento, pressão excessiva por produtividade e ausência de mecanismos capazes de antecipar riscos.

O maior perigo nas estradas brasileiras pode não ser a imprudência que todos enxergam, mas o cansaço que ninguém vê. E se já somos capazes de identificar esse risco antes que ele provoque uma tragédia, deixar de agir passa a ser uma escolha, e não uma limitação técnica.

*Rony Neri é diretor-executivo da Platform Science na América Latina. Formado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Londrina, possui especialização em Gestão de Negócios e Liderança pelo IESB/FIEP, além de MBAs em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas e em Executive Business Management pela Swiss School of Business and Management. O executivo coleciona passagens por empresas de tecnologia como Unilab, Senior Sistemas e Guenka Software.

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Etanol ou gasolina? Saiba o que considerar antes de abastecer o veículo

sab, 25/07/2026 - 13:30
Além do preço na bomba, rendimento e tipo de uso do veículo devem ser considerados na hora de escolher entre etanol e gasolina. Foto: Divulgação

Escolher entre etanol e gasolina ainda gera dúvidas para muitos motoristas. Embora o preço seja um dos principais fatores levados em conta na hora de abastecer, a decisão também envolve rendimento, autonomia e até o perfil de uso do veículo.

Em um cenário de constantes variações nos preços dos combustíveis, conhecer as características de cada opção pode ajudar o consumidor a fazer uma escolha mais adequada às suas necessidades.

Os preços dos combustíveis variam de acordo com a região do país. Como exemplo, levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 28 de junho a 4 de julho, aponta que, no Ceará, o preço médio do etanol hidratado foi de R$ 4,99. No mesmo período, a gasolina comum foi comercializada, em média, por R$ 6,84, enquanto a gasolina aditivada chegou a R$ 7,00.

Quais são as diferenças entre etanol e gasolina?

O etanol é um biocombustível produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar. Entre suas características está a alta octanagem, que contribui para uma queima eficiente no motor. Além disso, é considerado uma alternativa mais sustentável por emitir menos poluentes em comparação com a gasolina.

Por outro lado, sua menor densidade energética faz com que o veículo percorra uma distância menor utilizando a mesma quantidade de combustível.

Já a gasolina é derivada do petróleo e possui maior densidade energética, proporcionando maior autonomia ao veículo. Em contrapartida, apresenta maior emissão de gases de efeito estufa quando comparada ao etanol.

A regra dos 70% ajuda na escolha

Para facilitar a decisão, muitos motoristas utilizam uma conta simples. Como regra geral, o etanol tende a ser mais vantajoso quando custa até 70% do valor da gasolina. Para fazer o cálculo, basta multiplicar o preço da gasolina por 0,70.

Se o valor do etanol for igual ou inferior ao resultado obtido, ele costuma oferecer melhor custo-benefício. Caso ultrapasse esse limite, a gasolina tende a ser a opção mais econômica.

O perfil de uso também faz diferença

Apesar de o cálculo servir como referência, ele não deve ser o único critério para decidir qual combustível utilizar.

Conforme Antônio José Costa, assessor de assuntos econômicos do Sindipostos-CE, é importante considerar também a forma como o veículo é utilizado no dia a dia.

“O consumidor pode calcular como ponto de partida, mas ainda é importante observar o rendimento do carro, o tipo de trajeto a ser percorrido e a frequência de abastecimento. Para quem roda mais ou faz viagens demoradas, a gasolina tende a compensar. Avaliar esses fatores é o que garante uma decisão mais eficiente”, explica.

Assim, além de comparar os preços no posto de combustível, o motorista deve levar em conta aspectos como a autonomia do veículo, a rotina de deslocamentos e a frequência com que costuma abastecer.

A escolha depende de cada motorista

Embora exista uma referência de preço que ajude na comparação entre etanol e gasolina, a decisão mais econômica varia de acordo com as características do veículo e o perfil de utilização.

Analisar o custo do combustível, o rendimento e o tipo de percurso realizado pode ajudar o motorista a encontrar a alternativa mais adequada para cada abastecimento.

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Dia do Motorista: pressão, trânsito e jornadas longas aumentam a exposição dos motoristas aos riscos psicossociais no trabalho

sab, 25/07/2026 - 08:15
O setor de transporte apresentou os piores resultados nos domínios analisados, tornando-se o segmento com maior nível de exposição aos fatores de estresse ocupacional. Foto: Virrage Images para Depositphotos

Longas jornadas, pressão por horários, trânsito intenso e pouca previsibilidade fazem parte da rotina de milhares de motoristas. No Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, especialistas chamam atenção para um aspecto que tem ganhado cada vez mais relevância dentro das empresas: os riscos psicossociais enfrentados por esses profissionais assim como seus impactos na saúde mental, na segurança e na produtividade.

Um levantamento realizado com 245 empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) revelou um retrato preocupante desses fatores. A pesquisa, considerada a primeira do país a reunir e publicar dados globais sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho, aponta o setor de transportes como o mais vulnerável entre todos os segmentos avaliados.

Conduzido pela Aventus Ocupacional com base na metodologia internacional HSE-IT, o estudo avaliou empresas dos setores de serviços (50%), comércio (19%), transportes (17%) e indústria (14%). O setor de transporte apresentou os piores resultados nos domínios analisados, tornando-se o segmento com maior nível de exposição aos fatores de estresse ocupacional.

Mais de 70% dos trabalhadores avaliados nesse setor são motoristas de fretados e transporte escolar, profissionais que convivem diariamente com jornadas fragmentadas, longos períodos ao volante, pressão pelo cumprimento de horários e o isolamento característico da função.

Conforme o médico do trabalho Dr. Marco Aurélio Bussacarini, especialista em Medicina Ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, esses fatores vão além do desconforto e representam riscos concretos à saúde dos trabalhadores e ao próprio funcionamento das empresas.

“Quando falamos em motoristas, não estamos tratando apenas de um profissional que permanece muitas horas sentado. Estamos falando de pessoas submetidas diariamente a alta carga de atenção, responsabilidade constante, pressão por horários, trânsito imprevisível e, muitas vezes, pouca autonomia sobre sua rotina. Esse conjunto de fatores favorece o desgaste emocional e aumenta significativamente os riscos psicossociais”, afirma.

Impactos vão além da saúde mental

Além do adoecimento psicológico, especialistas alertam que o estresse crônico e a fadiga podem comprometer diretamente a segurança no trânsito. Dificuldade de concentração, irritabilidade, redução da capacidade de tomada de decisão e aumento da probabilidade de erros estão entre as consequências mais frequentes.

De acordo com o especialista Dr. Marco, a natureza da profissão também dificulta a adoção de hábitos saudáveis. Horários irregulares, alimentação inadequada e poucas oportunidades para pausas e descanso. Além disso, a permanência prolongada em ambientes de alta tensão contribuem para o agravamento do quadro ao longo do tempo.

NR-1 amplia responsabilidade das empresas

A discussão ganha ainda mais relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

Na prática, organizações dos mais diversos setores precisam demonstrar tecnicamente como monitoram fatores relacionados ao estresse ocupacional bem como quais medidas adotam para reduzir o adoecimento dos trabalhadores.

Para Bussacarini, isso representa uma mudança importante na forma como se trata a saúde ocupacional. “Durante muito tempo, questões como estresse, pressão e sobrecarga eram encaradas como parte natural da profissão. Hoje sabemos que esses fatores podem ser identificados, avaliados e prevenidos. A gestão dos riscos psicossociais deixou de ser apenas uma ação de bem-estar e passou a fazer parte da estratégia de prevenção, segurança e conformidade das empresas”, afirma.

O especialista destaca que, no caso dos motoristas, investir na prevenção significa não apenas proteger a saúde dos profissionais, mas também contribuir para operações mais seguras, redução de afastamentos, menor rotatividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados.

“Quando a empresa compreende os fatores que geram desgaste e atua para reduzi-los, ela protege o trabalhador, melhora o desempenho operacional e fortalece a segurança de toda a cadeia de transporte”, conclui.

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Estudo projeta expansão da rede de transporte coletivo de Curitiba para 206 km

sex, 24/07/2026 - 17:30
O estudo busca fortalecer a política nacional de mobilidade urbana. Foto: Luiz Costa/Prefeitura de Curitiba

A Região Metropolitana de Curitiba poderá ampliar significativamente sua rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade nas próximas décadas. É o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades, que projeta a expansão da malha de 114 quilômetros para 206 quilômetros.

Conforme o levantamento, a ampliação poderá ser viabilizada por sete projetos que incluem a implantação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), metrô e a implantação e extensão de corredores de ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit). O estudo estima investimentos entre R$ 11,73 bilhões e R$ 22,74 bilhões, com potencial para atender cerca de 915,2 mil passageiros por dia.

Além do aumento da capacidade do sistema, o estudo projeta impactos positivos para a mobilidade urbana da capital paranaense, como, por exemplo, redução de 24% no tempo médio de deslocamento da população e a possibilidade de evitar cerca de 1.065 vítimas de sinistros de trânsito por ano.

Estudo reúne projetos para transformar o transporte coletivo

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana é resultado de um trabalho desenvolvido entre 2024 e 2026 pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades. A iniciativa reúne diagnósticos, propostas e projetos voltados à expansão e qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade em 21 regiões metropolitanas brasileiras.

A consolidação de todas as informações estão no portal Mobilidade Brasil, que reúne os projetos previstos para cada região estudada.

“O ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas principais regiões metropolitanas do país”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

Banco de dados reúne 187 projetos em todo o país

O relatório final do estudo apresenta um banco de dados composto por 187 projetos de mobilidade urbana, que somam mais de 3 mil quilômetros de infraestrutura voltada ao transporte coletivo, incluindo metrôs, BRTs, trens urbanos e sistemas de VLT.

Cada proposta foi analisada com base em mais de 100 indicadores técnicos, operacionais, econômico-financeiros, socioambientais e urbanísticos. Entre os critérios avaliados estão a demanda prevista, o investimento necessário, os impactos ambientais, a redução de emissões de gases de efeito estufa, os benefícios para a segurança viária e o potencial de embarques diários.

Benefícios previstos vão além da mobilidade

De acordo com o levantamento, caso se implemente todos os projetos previstos para as 21 regiões metropolitanas, os impactos poderão ir além da melhoria do transporte público.

A expectativa é evitar cerca de 27 mil vítimas de sinistros de trânsito por ano, reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas anuais as emissões de dióxido de carbono (CO₂), diminuir em 11% o custo das viagens e reduzir em 16% o tempo médio de deslocamento da população.

O estudo também estima benefícios sociais superiores a R$ 400 bilhões, além do potencial de mobilizar mais de 1 milhão de empregos e estimular a demanda por até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 veículos metroferroviários.

Planejamento para os próximos 30 anos

A elaboração do ENMU ocorreu considerando projeções populacionais assim como de demanda para um horizonte de 30 anos. O objetivo é oferecer subsídios técnicos para que estados e municípios possam planejar sistemas de transporte mais integrados, eficientes e sustentáveis.

De acordo com o Ministério das Cidades, o estudo busca fortalecer a política nacional de mobilidade urbana e servir como ferramenta para apoiar a estruturação de projetos capazes de melhorar os deslocamentos diários da população, ampliar o acesso ao emprego, à educação, à saúde e a outros serviços essenciais, além de contribuir para a redução das desigualdades urbanas.

Embora apresente um cenário de potencial expansão, o levantamento não representa a execução imediata das obras. Os projetos ainda dependem de planejamento, definição de prioridades, disponibilidade de recursos e das etapas técnicas e administrativas necessárias para que possam sair do papel.

Com informações da Agência BNDES de Notícias

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Autopropelido, bicicleta elétrica ou ciclomotor? Saiba as diferenças e as regras de circulação

sex, 24/07/2026 - 13:30
O crescimento da mobilidade elétrica acompanha a busca por alternativas que reduzam o tempo gasto nos deslocamentos. Foto: Dmyrto_Z para Depositphotos

Com o crescimento da mobilidade elétrica nas cidades brasileiras, veículos como bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores passaram a fazer parte da rotina de milhares de pessoas. Apesar da popularidade, ainda é comum haver dúvidas sobre as diferenças entre essas categorias e as regras que cada uma deve seguir.

A regulamentação mais recente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) trouxe critérios técnicos para identificar cada tipo de veículo, estabelecendo limites de potência, velocidade e características construtivas que influenciam diretamente onde eles podem circular e quais exigências legais precisam cumprir.

Conforme a fabricante Watts, entender essas diferenças é fundamental para que o consumidor escolha o veículo mais adequado às suas necessidades e utilize o equipamento de forma correta.

O que é um veículo autopropelido?

Os veículos autopropelidos são destinados principalmente aos deslocamentos urbanos de curta distância e possuem características técnicas específicas.

Entre elas estão:

  • acelerador;
  • potência máxima de até 1.000 watts;
  • velocidade limitada a 32 km/h;
  • distância entre eixos de até 1,30 metro.

Na prática, esses veículos oferecem maior autonomia para deslocamentos urbanos, dispensando esforço físico constante e priorizando praticidade no dia a dia.

Como funciona a bicicleta elétrica?

As bicicletas elétricas também utilizam motor elétrico, mas sua principal característica é o pedal assistido, em que o motor auxilia o ciclista durante a pedalada.

Alguns modelos também possuem acelerador, mas continuam sendo destinados ao uso em deslocamentos urbanos de curta e média distância.

De acordo com a Watts, esse tipo de veículo combina conforto e praticidade para quem busca uma alternativa ao automóvel nos deslocamentos diários.

Ciclomotor segue regras diferentes

Já os ciclomotores pertencem a uma categoria distinta e possuem regras mais próximas das motocicletas.

Dependendo das características do veículo, podem ser exigidos:

  • habilitação;
  • emplacamento;
  • registro;
  • cumprimento das normas específicas de circulação.

Por isso, antes da compra, é importante verificar em qual categoria o modelo se enquadra.

O que diz a regulamentação

A Resolução Contran nº 996/2023 estabeleceu critérios técnicos para diferenciar os veículos de micromobilidade e trouxe mais segurança jurídica para fabricantes, consumidores e órgãos de fiscalização.

Entre os parâmetros definidos para autopropelidos e bicicletas elétricas estão:

  • potência máxima de até 1.000 W;
  • velocidade limitada a 32 km/h;
  • distância entre eixos de até 1,30 metro;
  • regras específicas de circulação conforme a categoria do veículo.

Conforme a Watts, a regulamentação facilita a compreensão sobre os diferentes modelos disponíveis no mercado e reduz as dúvidas de quem pretende adotar a mobilidade elétrica.

“A regulamentação ajuda o consumidor a entender melhor o produto que está comprando e como ele se encaixa na sua rotina. Isso acelera a adoção de soluções mais inteligentes para o deslocamento urbano”, comenta Rodrigo Gomes, porta-voz da Watts.

Micromobilidade ganha espaço nas cidades

O crescimento da mobilidade elétrica acompanha a busca por alternativas que reduzam o tempo gasto nos deslocamentos, o custo de transporte e a dependência do automóvel em trajetos urbanos.

Nesse cenário, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos vêm conquistando espaço como opções para percursos curtos, especialmente em cidades que investem em ciclovias e infraestrutura voltada à mobilidade ativa.

A tendência, segundo a empresa, é que a regulamentação contribua para ampliar a adoção desses modais, oferecendo mais segurança aos usuários e maior clareza sobre os direitos e deveres de cada categoria.

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Vai tirar a primeira CNH? Economizar na formação pode sair caro, diz especialista

sex, 24/07/2026 - 08:15
Com as mudanças nas regras da CNH, Celso Mariano faz um alerta aos futuros motoristas: aprender a dirigir vai muito além de passar nas provas. Foto: criação de IA

As mudanças recentes nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tornaram o processo mais flexível e, em alguns casos, mais acessível financeiramente. No entanto, para quem pretende conquistar a primeira habilitação, o menor custo não deve ser o principal critério na hora de escolher como aprender a dirigir.

Esse é o alerta feito pelo especialista em trânsito Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional. Em um vídeo direcionado aos jovens que estão iniciando o processo de habilitação, ele reforça que aprender a dirigir vai muito além de obter a aprovação nos exames exigidos pelos órgãos de trânsito.

“Eu quero falar com você que pretende tirar a CNH, que precisa da CNH. Você deve ter ouvido falar que muitas coisas mudaram nos últimos meses, que ficou mais acessível, mais barato, mais fácil tirar a CNH.”

Conforme Mariano, embora realmente tenham ocorrido mudanças importantes no processo de habilitação — e outras ainda estejam previstas —, o aspecto mais importante continua sendo a qualidade da formação recebida antes de assumir o volante. “O mais importante de tudo é você saber que esse preparo antes de chegar na CNH é fundamental para que a tua nova competência, de saber dirigir, não seja uma dor de cabeça maior do que já será, naturalmente.”

Aprender a dirigir exige muito mais do que passar na prova

Para o especialista, conduzir um veículo é apenas uma parte do aprendizado. O verdadeiro desafio é compreender como funciona o sistema de trânsito e desenvolver a capacidade de tomar decisões seguras em situações reais. “Dirigir não é fácil. Você tem que aprender, além de conduzir o veículo, a se movimentar e se integrar no sistema de trânsito. Isso vai exigir de você muitos conhecimentos.”

Mariano lembra que nem tudo o que um motorista precisará saber será cobrado nas avaliações oficiais.

“Alguns não serão exigidos na avaliação teórica nem na avaliação prática, mas com certeza o trânsito vai exigir isso de ti.”

Na prática, isso significa que obter a aprovação nos exames não garante, por si só, que o novo condutor esteja preparado para enfrentar situações comuns nas ruas e rodovias.

Preço baixo pode sair caro

Diante das mudanças recentes na formação de condutores, Celso Mariano faz um alerta para quem pretende escolher o processo de habilitação considerando apenas o custo. “Não subestime a importância de se preparar bem. E para se preparar bem, não olhe apenas para preço e facilidades. Pode ser uma armadilha.”

Segundo ele, a decisão deve levar em conta principalmente a qualidade do ensino oferecido. “Olhe para aquilo que realmente é importante: um condutor bem preparado faz uma boa primeira habilitação, e basta. Procure um bom CFC, uma boa autoescola.”

Embora a regulamentação atual permita novos formatos de aprendizagem, Mariano destaca que o candidato deve avaliar se o ambiente de ensino oferece metodologia adequada, orientação segura e acompanhamento qualificado durante o processo.

Formação influencia toda a vida do motorista

O especialista também chama a atenção para as consequências de uma formação deficiente. Maus hábitos adquiridos no início da vida como motorista tendem a permanecer por muitos anos e podem aumentar o risco de acidentes.

“Quem não aprende direito pela primeira vez passa a vida inteira se batendo.”

Além disso, ele ressalta que a economia obtida durante o processo de habilitação pode ser insignificante diante dos prejuízos causados por erros na condução. “No caso do trânsito, a falta de conhecimentos e habilidades adequadas pode custar muito mais caro do que os trocos economizados na formação.”

Uma decisão que acompanha o motorista por toda a vida

Ao concluir a mensagem, Mariano reforça que a primeira habilitação representa uma etapa única na vida de qualquer motorista e merece ser encarada como um investimento em segurança.

“Primeira Habilitação só acontece uma vez na vida: é preciso fazer bem feito.”

Em um cenário de mudanças na legislação, a orientação do especialista é que os futuros condutores não confundam simplificação do processo com redução da necessidade de aprendizado. Independentemente das novas regras, dirigir continua exigindo conhecimento, responsabilidade e preparo para conviver de forma segura com todos os usuários das vias.

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Comissão aprova projeto que obriga envio de foto da infração na notificação de multa de trânsito

qui, 23/07/2026 - 17:30
Projeto aprovado em comissão da Câmara quer tornar obrigatória a inclusão da imagem da infração nas notificações de multa registradas por equipamentos eletrônicos. Foto: PhanuwatNandee para Depositphotos

Motoristas poderão receber mais informações ao serem notificados por uma infração de trânsito registrada por equipamentos eletrônicos. A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que torna obrigatória a inclusão da foto da infração nas notificações enviadas aos condutores, sempre que a autuação for comprovada por equipamento audiovisual.

A proposta altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e busca ampliar a transparência no processo de fiscalização, facilitando a identificação da infração e o exercício do direito de defesa pelos proprietários dos veículos.

O que muda

O texto aprovado determina que a imagem capturada pelo equipamento eletrônico acompanhe tanto a notificação de autuação quanto a notificação de penalidade, quando a infração tiver sido registrada por meio de sistemas audiovisuais.

Hoje, o CTB já autoriza que equipamentos eletrônicos e audiovisuais sejam utilizados para comprovar infrações de trânsito. No entanto, a legislação não obriga que a fotografia ou imagem da infração seja enviada ao motorista junto com a notificação.

Conforme o relator da proposta, deputado AJ Albuquerque (PP-CE), a medida aperfeiçoa a legislação de trânsito. Durante a análise do projeto, ele apresentou uma emenda para ampliar a exigência também à notificação de penalidade, e não apenas à autuação.

Objetivo é dar mais transparência

Autor do projeto, o deputado Danilo Forte (PP-CE) argumenta que a ausência de comprovação visual imediata pode gerar insegurança jurídica e dificultar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pelo cidadão.

Com a mudança, o motorista passaria a receber, junto com a notificação, a imagem que fundamentou a autuação, tornando mais simples verificar as circunstâncias da infração e, se for o caso, apresentar recurso administrativo.

Projeto ainda não virou lei

Apesar da aprovação na Comissão de Viação e Transportes, a proposta ainda não altera as notificações de multa.

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para votação no Senado Federal. Somente depois de aprovado pelas duas Casas e sancionado pela Presidência da República poderá entrar em vigor.

Até lá, continuam valendo as regras atuais previstas no Código de Trânsito Brasileiro para as notificações de infrações registradas por equipamentos eletrônicos.

Com informações são da Agência Câmara

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Professor da USP explica como tecnologia brasileira de frenagem automática pode aumentar a segurança no trânsito

qui, 23/07/2026 - 13:30
Sistema desenvolvido no Brasil utiliza radar e câmera para detectar obstáculos e acionar automaticamente os freios, aumentando a segurança durante a condução. Foto: LanaStock para Depositphotos

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil promete reforçar a segurança dos veículos e reduzir acidentes provocados por distração ao volante. Trata-se de um sistema de frenagem automática de emergência que utiliza radar e câmera para identificar obstáculos à frente do veículo e acionar os freios quando detecta risco de colisão e o motorista não reage a tempo. A expectativa é que esse tipo de equipamento passe a integrar todos os veículos fabricados no país a partir de 1º de janeiro de 2029.

Conhecido internacionalmente como Automatic Emergency Braking (AEB), o recurso faz parte dos chamados Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS), conjunto de tecnologias que auxiliam a condução e têm como principal objetivo reduzir acidentes causados por falhas humanas.

Conforme o professor Marcelo Augusto Leal Alves, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a frenagem automática representa mais um passo na evolução da automação veicular e já é adotada em diversos países, especialmente na Europa.

Como funciona a frenagem automática

O sistema combina informações obtidas por um radar e por uma câmera instalada no veículo. Enquanto o radar mede a distância e a velocidade dos objetos à frente, a câmera identifica o tipo de obstáculo, como outro veículo, um pedestre ou qualquer elemento presente na via. Essas informações são processadas em tempo real por um software, que calcula o risco de colisão e, quando necessário, aciona automaticamente os freios.

De acordo com Marcelo Alves, a tecnologia foi desenvolvida justamente para atuar em situações nas quais o motorista demora a reagir.

“Em uma situação típica de trânsito, em que os veículos andam e param constantemente, o motorista pode se distrair e não perceber que o carro à frente freou. O sistema evita esse tipo de colisão traseira, que, embora muitas vezes não seja grave, provoca prejuízos materiais e contribui para aumentar os congestionamentos. Ele também pode impedir que o veículo atinja um pedestre ou um obstáculo que tenha surgido na pista”, explica.

Tecnologia poderá se tornar obrigatória

A adoção da frenagem automática acompanha um movimento internacional de incorporação de sistemas eletrônicos voltados à segurança veicular.

No Brasil, a previsão é que o equipamento passe a integrar os veículos produzidos no país a partir de 1º de janeiro de 2029, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Além da frenagem automática, os sistemas ADAS podem incluir recursos como assistência de permanência em faixa, monitoramento de obstáculos e outros dispositivos capazes de auxiliar o motorista durante a condução.

Desenvolvimento nacional busca ampliar o acesso à tecnologia

O projeto é desenvolvido pelo Senai Park de Suape, em Pernambuco, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e as montadoras Volkswagen e Stellantis. A iniciativa busca criar uma tecnologia nacional capaz de reduzir a dependência de equipamentos importados assim como ampliar a competitividade da indústria automotiva brasileira.

Segundo Marcelo Alves, embora a tecnologia ainda apresente custo elevado, a tendência é que esse valor diminua à medida que a produção em escala avance, repetindo o que ocorreu com outros equipamentos de segurança, como o airbag.

Tecnologia complementa, mas não substitui o motorista

Apesar dos avanços proporcionados pelos sistemas de assistência à condução, especialistas destacam que eles não eliminam a responsabilidade do condutor.

A frenagem automática funciona como uma camada adicional de segurança, capaz de reduzir as consequências de distrações ou falhas de percepção, mas continua dependendo da atenção do motorista para que a condução seja realizada de forma segura.

Com a evolução da eletrônica embarcada, recursos antes restritos a veículos de categorias superiores começam a ganhar espaço no mercado e podem representar um importante avanço para a redução de acidentes nos próximos anos.

Com informações do Jornal da USP

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