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Atualizado: 12 minutos 2 segundos atrás

Frio pode aumentar o consumo e acelerar o desgaste dos carros; veja 7 cuidados importantes 

dom, 21/06/2026 - 13:30
As baixas temperaturas influenciam diretamente o funcionamento do carro e podem exigir maior atenção dos condutores. Foto: Freepik

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitos motoristas percebem mudanças no desempenho dos veículos, como aumento no consumo de combustível, dificuldade na partida e até desgaste mais acelerado de alguns componentes. Embora os efeitos do inverno brasileiro sejam menos intensos do que em países mais frios, os cuidados com a manutenção continuam sendo fundamentais para evitar problemas e garantir a segurança.

Segundo Marcos Dias, professor do curso de Engenharia Mecânica da Faculdade Anhanguera, as baixas temperaturas influenciam diretamente o funcionamento do carro e podem exigir maior atenção dos condutores.

“O frio altera o comportamento de alguns fluidos, exige mais da bateria e pode até aumentar ligeiramente o consumo de combustível, principalmente em trajetos curtos, quando o motor ainda não atingiu a temperatura ideal de funcionamento”, explica.

Confira sete cuidados para preservar o veículo durante os dias mais frios: 
  1. Verifique as condições da bateria: as temperaturas baixas reduzem a eficiência da bateria, o que pode dificultar a partida do carro. Caso o componente já apresente desgaste, as chances de falha são maiores.
  2. Mantenha a calibragem dos pneus em dia: com o frio, a pressão dos pneus tende a diminuir, comprometendo a estabilidade do veículo e aumentando o consumo de combustível. A recomendação é conferir a calibragem pelo menos uma vez por semana. Estudos apontam que a cada de 10ºC, a pressão do pneu diminui em média entre 1 e 2 libras (PSI).
  3. Fique atento ao nível do óleo: o óleo lubrificante pode ficar mais viscoso em temperaturas mais baixas, exigindo mais esforço do motor. Respeitar os prazos de troca indicados pelo fabricante é essencial para evitar desgastes prematuros.
  4. Evite acelerar logo após ligar o carro: nos primeiros minutos, o motor ainda está atingindo a temperatura ideal de funcionamento. Por isso, o ideal é dirigir normalmente e evitar acelerações bruscas logo após a partida. Carros mais novos utilizam aquecimento de combustível nos bicos injetores, é preciso esperar a luz indicadora no painel apagar antes de dar partida.
  5. Não ignore o sistema de arrefecimento: radiador, mangueiras e líquido de arrefecimento precisam estar em boas condições para manter a temperatura adequada do motor e evitar superaquecimentos. Já o fluido do radiador precisa estar com a concentração correta de aditivo, o que evita o congelamento e protege contra a corrosão interna.
  6. Faça trajetos mais longos sempre que possível: percursos muito curtos fazem com que o motor opere durante mais tempo em temperatura abaixo da ideal, o que pode elevar o consumo de combustível.
  7. Mantenha a manutenção preventiva em dia: itens como velas, filtros e sistema de injeção eletrônica devem ser revisados periodicamente para garantir o bom desempenho do veículo em qualquer época do ano.
Frio pode aumentar o consumo? 

De acordo com o professor, é normal que alguns veículos apresentem um pequeno aumento no consumo durante os dias frios.

“Quando o motor ainda está frio, ele precisa trabalhar mais para atingir a temperatura ideal, consumindo mais combustível. A maior densidade do ar frio pode aumentar a potência. Por outro lado, porém, a mistura ar/combustível mais rica pode diminuir o desempenho. Além disso, fatores como pneus descalibrados e excesso de uso de equipamentos elétricos também podem influenciar no rendimento”, afirma.

Com alguns cuidados simples, é possível minimizar esses impactos e prolongar a vida útil dos componentes do veículo, garantindo mais economia e segurança para o motorista.

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Neblina nas rodovias: veja como dirigir com segurança durante o inverno

dom, 21/06/2026 - 08:15
Comum durante o inverno, a neblina reduz a visibilidade nas rodovias e exige velocidade moderada, farol baixo e distância segura entre os veículos. Foto: Madrabothair para Depositphotos

Com a chegada do inverno, um velho conhecido dos motoristas volta a desafiar quem precisa pegar a estrada: a neblina. Mais frequente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, o fenômeno reduz significativamente a visibilidade e pode transformar deslocamentos rotineiros em situações de risco.

A combinação entre temperaturas mais baixas e altos índices de umidade favorece a formação dos bancos de neblina, especialmente em regiões serranas, vales e áreas próximas a rios e matas. Nessas condições, especialistas alertam que a segurança depende, principalmente, da capacidade do condutor de adaptar sua condução às limitações impostas pelo clima.

Reduzir a velocidade é a primeira medida

Quando a visibilidade diminui, a reação natural de muitos motoristas é tentar manter o ritmo da viagem. No entanto, essa atitude pode aumentar consideravelmente o risco de acidentes.

Entre as principais recomendações está reduzir a velocidade de forma gradual, evitando freadas bruscas que possam surpreender os veículos que vêm atrás.

Também é importante aumentar a distância de segurança em relação aos demais usuários da via, criando um espaço maior para reação diante de imprevistos.

Farol alto pode piorar a visibilidade

Outro erro comum é recorrer ao farol alto para tentar enxergar melhor a pista.

Conforme especialistas, a prática produz o efeito contrário ao desejado. Isso porque a luz intensa reflete nas gotículas de água suspensas no ar, formando uma espécie de barreira luminosa que dificulta ainda mais a visualização do caminho.

A orientação é manter os faróis baixos acesos durante todo o percurso em condições de neblina.

Preparação começa antes da viagem

Além da condução defensiva, as condições do veículo desempenham papel fundamental para enfrentar situações de baixa visibilidade.

Pneus em bom estado garantem melhor aderência ao pavimento, enquanto o sistema de iluminação revisado contribui para que o veículo seja visto pelos demais usuários da via.

Também é indispensável verificar o funcionamento dos limpadores de para-brisa, que ajudam a manter o campo de visão adequado quando há acúmulo de umidade.

Experiência ensina a respeitar os limites

De acordo com o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, lidar com mudanças repentinas nas condições climáticas faz parte da rotina de quem percorre milhares de quilômetros pelas rodovias brasileiras.

O presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho, afirma que a prudência é a principal aliada dos motoristas nesses momentos.

“Quem vive a estrada sabe que a neblina é um dos momentos que mais exigem atenção do motorista. Muitas vezes, a visibilidade cai de forma repentina e qualquer descuido pode ter consequências graves. Nessas situações, reduzir a velocidade, aumentar a distância dos demais veículos e manter a calma são atitudes que fazem toda a diferença.”

Segundo ele, interromper a viagem quando as condições ficam muito severas é uma demonstração de responsabilidade. “O profissional do transporte aprende a respeitar as condições da estrada. Quando a neblina está muito intensa, o mais importante é preservar a vida. Nenhuma carga vale mais do que voltar para casa em segurança. A prevenção continua sendo o melhor caminho para evitar acidentes.”

Saber a hora de parar também é segurança

Para Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, a preparação adequada antes mesmo de sair para a estrada pode evitar muitos problemas. “A redução do campo de visão diminui o tempo de reação e aumenta a possibilidade de colisões. Por isso, é essencial dirigir com cautela, respeitar os limites da via e, sempre que necessário, interromper o deslocamento até que a situação apresente melhora.”

Ele destaca que a segurança viária começa antes do giro da chave.

“Revisar o veículo, conferir pneus, verificar a iluminação e antecipar situações de risco são cuidados básicos que ajudam a evitar ocorrências e contribuem para um ambiente mais previsível para todos os usuários da via.”

Atenção também para usuários mais vulneráveis

Os cuidados não se restringem aos motoristas de veículos de carga ou automóveis. Motociclistas, ciclistas e pedestres tornam-se ainda menos perceptíveis em trechos encobertos pela neblina.

O uso de equipamentos refletivos e a atenção constante ao ambiente ao redor ajudam a reduzir os riscos e aumentar a visibilidade desses usuários.

Com a tendência de aumento da incidência de neblina nos próximos meses em diversas regiões do país, especialistas reforçam que prudência, planejamento e adaptação às condições da via continuam sendo as ferramentas mais eficazes para preservar vidas.

Afinal, em situações de visibilidade comprometida, chegar alguns minutos mais tarde é sempre melhor do que não chegar ao destino.

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Férias escolares aumentam movimento nas estradas e reforçam importância da manutenção preventiva dos veículos

sab, 20/06/2026 - 17:06
Antes de viajar nas férias de julho, a revisão preventiva do veículo pode evitar imprevistos, aumentar a segurança e garantir mais tranquilidade durante o trajeto. Foto: Divulgação

As férias escolares de julho costumam levar milhares de famílias às estradas em busca de destinos turísticos, praias e cidades do interior. Com o aumento do fluxo de veículos nas rodovias, cresce também a preocupação com a segurança viária e a necessidade de preparar o veículo para enfrentar trajetos mais longos.

Nesse período, especialistas alertam que a manutenção preventiva é uma das principais medidas para reduzir o risco de falhas mecânicas, evitar imprevistos durante a viagem e contribuir para um deslocamento mais seguro.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos do Paraná (Sindirepa-PR), a revisão do veículo deve fazer parte do planejamento da viagem da mesma forma que a escolha do destino, da hospedagem e do roteiro.

Revisão ajuda a identificar problemas antes da viagem

A recomendação é que os motoristas realizem uma inspeção completa com antecedência para verificar o estado dos principais sistemas do veículo e corrigir possíveis falhas antes de pegar a estrada.

Entre os itens que merecem atenção especial estão os freios, pneus, suspensão, sistema de direção, bateria, iluminação, palhetas do limpador de para-brisa, além dos níveis de óleo do motor, líquido de arrefecimento e fluido de freio.

Segundo o presidente do Sindirepa-PR, Sandro Cruppeizaki, seria possível evitar muitas ocorrências que causam transtornos nas viagens por meio de uma revisão preventiva.

“O veículo precisa estar preparado para enfrentar trajetos mais longos e diferentes condições de uso. Uma falha mecânica que é possível identificar durante uma revisão pode causar transtornos, aumentar os custos da viagem e, principalmente, colocar em risco a segurança dos ocupantes”, afirma.

Manutenção preventiva traz mais segurança e economia

Além de contribuir para a segurança dos ocupantes, a manutenção periódica também pode evitar gastos maiores no futuro.

De acordo com Cruppeizaki, ainda é comum que muitos motoristas procurem uma oficina apenas quando o veículo apresenta algum defeito, deixando a manutenção preventiva em segundo plano.

“A revisão periódica aumenta a confiabilidade do veículo, reduz o desgaste de componentes e evita que pequenos defeitos se transformem em reparos mais caros. É um investimento que traz economia e mais tranquilidade para quem vai viajar”, destaca.

A avaliação preventiva permite identificar desgastes em peças e sistemas que, se não forem corrigidos, podem comprometer o desempenho do veículo durante a viagem.

Atenção aos pneus, iluminação e documentação

Além da revisão mecânica, alguns cuidados simples podem fazer diferença na segurança da viagem.

O Sindirepa-PR recomenda verificar a calibragem dos pneus, incluindo o estepe, conferir o funcionamento de faróis, lanternas e setas, além de observar a validade e as condições dos equipamentos obrigatórios.

Também é importante checar a documentação do veículo antes da viagem e planejar o trajeto com antecedência.

Outro alerta envolve o comportamento do condutor. Respeitar os limites de velocidade, utilizar o cinto de segurança em todos os assentos e evitar dirigir com sono ou após o consumo de bebidas alcoólicas continuam entre as medidas mais importantes para reduzir os riscos nas rodovias.

Não deixe a revisão para a última hora

Outro ponto destacado pelos especialistas é a importância de programar a manutenção com antecedência.

Nas semanas que antecedem o período de férias, o movimento nas oficinas costuma aumentar significativamente, o que pode dificultar o agendamento de serviços e atrasar eventuais reparos necessários.

Realizar a revisão antes da alta demanda permite que o veículo seja avaliado com mais tranquilidade e que eventuais problemas sejam solucionados sem comprometer a data da viagem.

Cruppeizaki reforça que a manutenção deve ser realizada em oficinas de confiança, com profissionais qualificados e utilização de peças de procedência.

Segundo ele, essa é uma medida que contribui não apenas para o bom funcionamento do veículo, mas também para a segurança nas rodovias e para uma viagem mais tranquila durante as férias escolares.

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Coreia do Sul usa IA em hospitais, trânsito e bombeiros para ampliar eficiência dos serviços

sab, 20/06/2026 - 13:30
Experiências na Coreia do Sul mostram a inteligência artificial atuando como ferramenta de apoio em hospitais, serviços de emergência e gestão urbana. Foto: vincentstthomas para Depositphotos

A inteligência artificial já faz parte da rotina dos sul-coreanos em diferentes situações do dia a dia. Mas, além de aplicações voltadas ao entretenimento e à experiência do usuário, a tecnologia começa a ocupar um papel estratégico em áreas diretamente relacionadas à qualidade de vida e à segurança da população.

Na Coreia do Sul, hospitais, sistemas de gestão do trânsito e serviços de emergência vêm incorporando soluções baseadas em IA para automatizar processos, organizar informações e apoiar profissionais na tomada de decisões. A aposta do país é que os ganhos econômicos e sociais proporcionados pela tecnologia dependerão não apenas do desenvolvimento de modelos cada vez mais sofisticados, mas da capacidade de integrá-los às estruturas já existentes. Embora os resultados ainda estejam sendo avaliados, experiências concretas já estão em funcionamento.

IA acompanha a jornada do paciente nos hospitais

Um dos exemplos mais avançados está no SNUH (Seoul National University Hospital), considerado um dos principais hospitais sul-coreanos.

Durante uma apresentação realizada pela empresa Infmedix, ligada à Universidade Nacional de Seul, foi demonstrada uma plataforma de inteligência artificial generativa capaz de acompanhar todo o percurso do paciente dentro do sistema de saúde.

Em uma das simulações apresentadas, um homem de 62 anos com suspeita de acidente vascular cerebral procura atendimento em um hospital secundário. Enquanto médico e paciente conversam, o sistema registra automaticamente a consulta, organiza informações como sinais vitais, histórico médico e medicamentos utilizados e ainda sugere possíveis encaminhamentos clínicos.

Se houver necessidade de transferência para uma unidade de maior complexidade, a própria plataforma reúne exames, documentos e demais registros médicos para compartilhamento com a nova equipe responsável pelo atendimento.

De acordo com Hyung-Chul Lee, diretor do instituto do SNUH voltado às pesquisas sobre inteligência artificial aplicada à saúde, estudos preliminares indicam redução do tempo de atendimento sem prejuízo à precisão clínica.

A expectativa é que a solução esteja implantada em todos os hospitais ligados à universidade ainda neste ano, enquanto outras instituições já iniciaram processos de adoção.

Lee ressalta, porém, que a ferramenta não substitui os profissionais da saúde. Conforme ele, as decisões médicas continuam sendo responsabilidade dos especialistas, cabendo à IA tarefas relacionadas à organização de informações, elaboração de relatórios e automatização de atividades administrativas.

Inteligência artificial também chega ao trânsito

A integração da inteligência artificial também avança na gestão urbana e na mobilidade.

Embora o material não detalhe quais soluções estão sendo empregadas especificamente no trânsito, a reportagem destaca que sistemas baseados em IA vêm sendo incorporados às atividades relacionadas à administração das cidades e à segurança pública. A proposta é utilizar a tecnologia para tornar processos mais eficientes e melhorar a resposta dos serviços prestados à população.

No contexto da segurança viária, iniciativas desse tipo despertam atenção por seu potencial de apoiar a gestão do fluxo urbano, otimizar o uso de recursos e oferecer respostas mais rápidas diante de situações críticas.

Bombeiros utilizam tecnologia para reforçar atendimento

Os serviços de emergência também estão entre os setores que passam por transformações impulsionadas pela inteligência artificial.

De acordo com agências internacionais de notícias, experiências em andamento envolvem atividades ligadas à segurança e ao atendimento de ocorrências, evidenciando uma estratégia nacional de incorporação gradual da tecnologia em diferentes áreas consideradas essenciais.

A adoção dessas ferramentas ocorre com o entendimento de que a IA deve atuar como instrumento de apoio às equipes humanas, ampliando a capacidade operacional sem substituir a atuação dos profissionais.

Integração é a chave para os resultados

Mais do que desenvolver ferramentas inovadoras, a estratégia sul-coreana está baseada na integração entre tecnologia e estruturas já consolidadas.

A avaliação é de que o verdadeiro impacto econômico e social da inteligência artificial dependerá da capacidade de conectar essas soluções aos sistemas existentes, tornando-os mais ágeis e eficientes.

Ainda que muitas dessas experiências estejam em fase inicial e seus resultados definitivos permaneçam incertos, a Coreia do Sul surge como um laboratório em escala real para testar o potencial da IA em setores diretamente relacionados à saúde, à mobilidade e à segurança pública.

Para países que acompanham o avanço acelerado da inteligência artificial, os exemplos sul-coreanos reforçam que o debate vai além da substituição de mão de obra. A tecnologia tende a ganhar relevância justamente quando utilizada para reduzir burocracias, organizar informações complexas e permitir que profissionais concentrem seus esforços naquilo que nenhuma máquina é capaz de reproduzir integralmente: o julgamento humano e o cuidado com as pessoas.

Com informações de Agências Internacionais de Notícias

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O que pode mudar na sua CNH? Entenda a proposta que altera o CTB

sab, 20/06/2026 - 08:15
Com 63 artigos alterados, a proposta de reforma do CTB já mobiliza especialistas, entidades e órgãos de trânsito antes mesmo da votação pelo Congresso Nacional. Foto: Divulgação Detran/MS

A reforma do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ainda não foi aprovada, mas já se tornou um dos assuntos mais debatidos entre especialistas, órgãos de trânsito, Centros de Formação de Condutores (CFCs), entidades representativas e profissionais do setor. O motivo é simples: o Projeto de Lei 8.085/2014 e seus apensados podem promover a maior alteração na legislação de trânsito desde a criação do CTB, em 1997.

O 4º Substitutivo apresentado pelo relator da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), altera 63 artigos da lei e consolida propostas discutidas ao longo de meses de audiências públicas e seminários realizados em diferentes regiões do país.

Mesmo sem ter sido aprovado, o texto já mobiliza diversos segmentos porque suas consequências podem atingir diretamente milhões de brasileiros, inclusive aqueles que não pretendem tirar a CNH nos próximos anos.

Não é apenas uma mudança para quem vai se habilitar

Quando surgem notícias sobre alterações no processo de formação de condutores, muita gente acredita que o assunto interessa apenas aos futuros motoristas. No caso da reforma do CTB, essa percepção está longe da realidade.

Embora o projeto trate de mudanças na obtenção da CNH, ele também propõe alterações que podem afetar quem já possui habilitação há décadas.

Entre os temas presentes no relatório estão novas regras para renovação da CNH, avaliação psicológica periódica, criação de prontuário nacional de perícias médicas e psicológicas, fiscalização eletrônica, mobilidade elétrica e circulação de novos modais de transporte.

Por isso, o debate extrapola o universo das autoescolas e alcança praticamente todos os usuários das vias.

Uma proposta que pode redesenhar a formação de condutores

Um dos pontos que mais tem movimentado o setor é a reformulação do processo de habilitação.

O texto propõe mudanças significativas nas regras de formação, incluindo a definição da carga horária mínima de aulas práticas diretamente no CTB, a possibilidade de atuação de instrutores autônomos e a realização de exames práticos em Escolas de Trânsito credenciadas.

Também permanece na proposta a possibilidade de habilitação para jovens entre 16 e 18 anos, um dos temas que mais geraram debates durante os trabalhos da Comissão Especial.

Essas mudanças têm potencial para impactar diretamente a forma como os futuros condutores serão preparados nos próximos anos.

O debate vai além da CNH

Outro aspecto que ajuda a explicar a repercussão do projeto é o fato de ele abordar temas que ultrapassam a formação de motoristas.

O próprio relatório destaca a necessidade de criar regras para questões que hoje ainda geram dúvidas ou lacunas na legislação, como bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual autopropelidos e veículos autônomos ou semiautônomos.

Trata-se de uma discussão importante porque o trânsito brasileiro está passando por uma transformação acelerada. Novas tecnologias, formas de deslocamento e modelos de transporte surgem em ritmo muito mais rápido do que a atualização das normas.

Nesse contexto, a reforma busca antecipar debates que tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

Segurança viária voltou ao centro das discussões

Talvez o principal recado transmitido pelo relatório seja a tentativa de recolocar a segurança viária no centro das decisões relacionadas ao trânsito.

Ao justificar diversas propostas, o relator cita o número de mortes registradas nas vias brasileiras e afirma que determinadas flexibilizações não podem ocorrer sem considerar seus impactos na preservação da vida.

Essa preocupação aparece em temas como a formação de condutores, a avaliação psicológica periódica, os critérios para exames de habilitação e a criação de mecanismos nacionais de controle e compartilhamento de informações.

Conforme o especialista em trânsito e diretor do Portal, Celso Mariano, a relevância da proposta vai muito além das mudanças pontuais.

“Muitas pessoas acreditam que alterações no Código de Trânsito dizem respeito apenas a quem está tirando a habilitação, mas isso não é verdade. O CTB influencia diretamente a vida de todos os usuários das vias, desde motoristas e motociclistas até ciclistas e pedestres. Por isso, acompanhar esse debate é uma questão de cidadania.”

De acordo com Mariano, mesmo antes da aprovação, o projeto já merece atenção da sociedade. “O texto ainda pode sofrer alterações durante a tramitação. No entanto, ele já mostra quais são as prioridades que estão sendo discutidas para o futuro do trânsito brasileiro. Quanto mais as pessoas compreenderem essas propostas, maior será a participação social em um tema que afeta a vida de todos”, explica o especialista.

O projeto ainda não virou lei. Então por que acompanhar?

Uma dúvida comum é por que acompanhar uma proposta que ainda não entrou em vigor.

A resposta está justamente no estágio atual da tramitação.

É durante as discussões nas comissões e no plenário que as mudanças podem ser ajustadas, ampliadas ou até retiradas do texto. Depois da aprovação, as possibilidades de alteração tornam-se muito mais limitadas.

Além disso, o histórico recente mostra que muitas mudanças no trânsito acabam produzindo impactos significativos no cotidiano dos brasileiros, seja no processo de habilitação, na fiscalização ou nas exigências para conduzir veículos.

O que acontece agora?

Após a apresentação do 4º Substitutivo, parlamentares apresentaram pedido conjunto de vista, adiando a votação na Comissão Especial para o dia 7 de julho. A expectativa é que o Plenário da Câmara dos Deputados analise a matéria já em 8 de julho. Caso aprovada, seguirá para apreciação do Senado Federal.

Até lá, o projeto continuará sendo debatido por especialistas, entidades e representantes do setor. E, independentemente do resultado final, uma coisa já está clara: a reforma do CTB deixou de ser uma discussão restrita aos bastidores de Brasília e passou a envolver temas que podem influenciar diretamente o trânsito brasileiro nos próximos anos.

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Em 14 anos, mortes no trânsito por causa de álcool diminuem 19,5%

sex, 19/06/2026 - 16:21
Para se ter uma ideia, em 2010, o número era de 15 mil mortes. Em 2024, foram 13.075. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A taxa de mortes no trânsito relacionadas com o consumo de bebida alcoólica caiu 19,5% no Brasil entre os anos de 2010 e 2024. A análise, divulgada na última sexta-feira (19), Dia Nacional da Lei Seca, foi feita pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), referência nacional no tema.

Para se ter uma ideia, em 2010, o número era de 15 mil mortes. Em 2024, foram 13.075. No entanto, o estudo pondera que a quantidade voltou a subir a partir de 2020 (quando 11.600 pessoas perderam a vida).  

Referência no mundo 

Segundo a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, a Lei Seca não deixou de funcionar e é uma legislação que serve de referência para o mundo ao reduzir os acidentes de trânsito e salvar vidas no Brasil. 

“Essa redução foi da ordem de mais de 30%, desde que a lei surgiu (em 2008) até os últimos anos”, afirmou Mariana em entrevista à Agência Brasil. Ela concorda, no entanto, que há uma perda de fôlego em vista de “novos  desafios”. A Lei Seca começou a apresentar menos eficiência, conforme revelam os números. 

“A gente vinha observando uma curva constante de queda até 2019, e a partir daí a taxa de mortes começou a crescer depois da pandemia”, acrescentou. 

Mariana explica que isso ocorreu porque, embora a fiscalização tenha aumentado nos últimos anos, as formas de burlar também ficaram cada vez mais sofisticadas. “As pessoas conseguem se comunicar, usar aplicativos e saber onde estão acontecendo as fiscalizações”. 

Impunidades

Além disso, ela lamenta que prevalece na população um senso de que é possível passar impune pela lei seca. Para conter isso, defende a intensificação das ações de fiscalização, o acesso a atendimento de emergência e as ações de prevenção que alcancem especialmente o público masculino (o que mais morre no trânsito). 

De acordo com a Cisa, a partir de 2019, o uso de álcool é responsável por 36,6% das ocorrências no trânsito entre os homens e 26,3% entre as mulheres.  “O maior perfil de risco afetado pelas mortes são os homens jovens”. 

Um problema é que a fiscalização convive com limitações, como o número de operações com uso de bafômetros e o aumento da frota e de acidentes com motocicletas. 

Sensibilização

A coordenadora do Cisa recomenda que, para sensibilizar a sociedade a não beber e dirigir, as campanhas precisam ficar mais estratégicas. “É preciso ir além dos anúncios “de choque”.  

“A evidência internacional mostra que as mensagens que se baseiam somente no medo têm efeito de curto prazo, mas não conseguem mudar o comportamento de forma sustentada”, disse ela.

O que funcionaria, na sua opinião, seria combinar educação, esclarecimento e percepção de risco real das pessoas.

“A pessoa precisa acreditar que vai ser fiscalizada e que vai ser punida”.

Os dados mostram que a maior parte das infrações acontecem nos finais de semana e durante a madrugada.

Por isso, um caminho seria promover a cultura de alternativas viáveis, como o transporte noturno e acessível, e os aplicativos de carona. “Quando a gente só sensibiliza, mas também não traz alternativa, ficamos com o limite claro”. 

Tocantins lidera

De acordo com os dados, 18 estados apresentaram taxa de mortes por 100 mil habitantes superior à média nacional (6,2), como o Tocantins (13,4), Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1). Em relação às internações, 16 estados têm taxa superior. As maiores são no Espírito Santo, Pará e Acre.

“No caso dos estados com maior taxa de morte, a gente pode pensar em questões estruturais, rodovias mais perigosas, por exemplo, menor densidade de fiscalização e de acesso a serviços de emergência nas estradas”, afirmou Mariana Thibes. 

Ela ressaltou que o hábito de beber e dirigir pode ser diferente conforme os estados. “São realidades específicas que precisam ser investigadas mais a fundo para que o poder público também possa dar respostas adaptadas”.

As informações são da Agência Brasil

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Jogo do Brasil: hospitais alertam para aumento dos riscos no trânsito

sex, 19/06/2026 - 13:30
Durante a Copa do Mundo, autoridades reforçam o alerta para que motoristas planejem o retorno para casa e evitem dirigir após consumir álcool. Foto: vova130555@gmail.com para Depositphotos

O clima de Copa do Mundo costuma unir famílias e amigos em frente à televisão, em bares e em espaços públicos para acompanhar os jogos da seleção brasileira. Mas, em meio à celebração, um velho problema volta a preocupar autoridades de saúde e segurança viária: o aumento dos comportamentos de risco no trânsito, especialmente a combinação entre álcool e direção.

O alerta ganhou força após dados de um hospital de referência em trauma do Amazonas revelarem a dimensão dos atendimentos relacionados a acidentes viários. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, a unidade registrou mais de 4 mil atendimentos a vítimas de sinistros de trânsito. A maior parte dos casos envolveu motociclistas, grupo que permanece entre os mais vulneráveis nas vias brasileiras.

A situação serve de alerta para todo o país. Embora os números sejam locais, o cenário reflete uma realidade nacional marcada pelo elevado número de lesões e mortes no trânsito, especialmente em períodos de grandes eventos e celebrações coletivas.

Copa do Mundo exige planejamento fora do campo

Assistir aos jogos faz parte da tradição dos brasileiros. No entanto, a empolgação típica da competição pode levar a decisões perigosas quando o assunto é mobilidade.

Reuniões em bares, confraternizações e comemorações costumam estar associadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Quando não há planejamento prévio sobre como voltar para casa, aumenta o risco de pessoas assumirem o volante sem condições adequadas para dirigir.

A orientação é simples: quem pretende consumir bebida alcoólica não deve dirigir. Nesses casos, alternativas como transporte por aplicativo, táxi, caronas com motoristas que não beberam ou transporte coletivo podem evitar tragédias.

Além disso, é importante considerar que a euforia provocada pelas partidas também pode contribuir para distrações, excesso de velocidade e redução da percepção de risco.

Motociclistas seguem entre as principais vítimas

Os dados do hospital amazonense mostram que quase sete em cada dez atendimentos decorrentes de acidentes de trânsito envolveram motocicletas.

O número reforça uma tendência observada em diferentes regiões do país. Motociclistas estão mais expostos aos impactos das colisões e quedas, uma vez que contam com menor proteção física em comparação aos ocupantes de automóveis.

As consequências costumam ser severas. Fraturas nos braços e pernas estão entre as lesões mais frequentes, mas não são as únicas. Dependendo da gravidade do sinistro, também podem ocorrer traumatismos, lesões permanentes e necessidade de múltiplos procedimentos cirúrgicos.

Outro fator preocupante é que muitos desses condutores utilizam a motocicleta como instrumento de trabalho, o que amplia os impactos sociais e econômicos dos acidentes.

Os efeitos dos acidentes vão além da emergência

Quando um paciente recebe alta hospitalar, o processo de recuperação muitas vezes está apenas começando.

Dependendo das lesões sofridas, podem ser necessários meses de fisioterapia, acompanhamento médico contínuo e afastamento das atividades profissionais. Em alguns casos, as sequelas comprometem a capacidade laboral e alteram significativamente a rotina familiar.

Esse aspecto evidencia que os sinistros de trânsito não representam apenas um problema de saúde imediata. Eles também geram custos para o sistema público de saúde, perda de produtividade e impactos emocionais para vítimas e familiares.

Por isso, especialistas em segurança viária defendem que a prevenção seja encarada como uma responsabilidade coletiva.

Atitudes simples ajudam a salvar vidas

Independentemente do resultado em campo, algumas medidas podem fazer diferença para garantir que a comemoração termine em segurança:

  • Não dirigir após consumir bebida alcoólica;
  • Definir antecipadamente quem será o motorista da vez;
  • Utilizar transporte por aplicativo, táxi ou transporte público;
  • Respeitar os limites de velocidade;
  • Evitar o uso do celular ao volante;
  • Utilizar corretamente capacete, cinto de segurança e dispositivos de retenção para crianças;
  • Redobrar a atenção em áreas com grande circulação de pedestres.
A vitória mais importante acontece no retorno para casa

A Copa do Mundo desperta paixão e mobiliza milhões de brasileiros. No entanto, nenhuma comemoração justifica colocar vidas em risco.

A escolha de agir com responsabilidade no trânsito pode evitar internações, sequelas permanentes e perdas irreparáveis. Afinal, mais importante do que celebrar cada gol é garantir que todos consigam voltar para casa em segurança após o apito final.

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Lei Seca completa 18 anos: o que mudou — e o que ainda precisa mudar

sex, 19/06/2026 - 08:15
Há 18 anos, a Lei Seca mudou a forma como os brasileiros encaram a combinação entre álcool e direção, mas a conscientização ainda é essencial para salvar vidas. Foto: Syda_Productions para Depositphotos

Em 19 de junho de 2008, o Brasil deu um passo decisivo no enfrentamento a uma das principais causas evitáveis de mortes no trânsito: a combinação entre álcool e direção. Dezoito anos depois, a chamada Lei Seca chega à maioridade reconhecida como um marco na segurança viária brasileira. Mais do que endurecer punições, ela ajudou a transformar hábitos, mudou a percepção social sobre o ato de beber e dirigir e reforçou a ideia de que a condução de um veículo exige responsabilidade.

Mas a maioridade da Lei Seca também convida à reflexão. Afinal, apesar dos avanços, o país ainda convive com motoristas que insistem em assumir o volante após consumir bebida alcoólica, apostando na sorte, na falsa sensação de controle ou na certeza de que não serão fiscalizados.

Se, em 2008, usava-se frequentemente as frases como “foi só uma cervejinha” ou “é pertinho de casa” para justificar comportamentos de risco, hoje elas já não encontram a mesma aceitação social. Ainda assim, a mudança cultural promovida pela legislação não foi suficiente para eliminar uma prática que continua colocando vidas em perigo.

O que mudou desde 2008?

A Lei nº 11.705, sancionada em 19 de junho de 2008, alterou dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para restringir de forma mais rigorosa o consumo de álcool por condutores. O objetivo era claro: reduzir o número de mortes e lesões decorrentes da direção sob efeito de bebida alcoólica.

Na prática, a legislação instituiu a chamada tolerância praticamente zero ao álcool na direção. Desde então, o motorista flagrado dirigindo após consumir bebida alcoólica passou a responder a severas penalidades administrativas.

Atualmente, dirigir sob a influência de álcool é infração gravíssima, sujeita à multa multiplicada por dez, no valor de R$ 2.934,70, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Em caso de reincidência no período de um ano, o valor da multa dobra.

Dependendo da concentração de álcool constatada ou das evidências apresentadas, a conduta também pode configurar crime de trânsito, com previsão de detenção.

Ao longo dos anos, a legislação recebeu melhorias. A principal mudança ocorreu em 2012, quando a Lei nº 12.760 ampliou os meios de comprovação da embriaguez, permitindo que sinais de alteração da capacidade psicomotora, vídeos, testemunhos e outras provas passassem a complementar ou até substituir o teste do etilômetro em determinadas situações.

A Lei Seca funcionou?

A resposta mais honesta talvez seja: sim, mas não completamente. É inegável que a Lei Seca promoveu uma transformação importante na forma como a sociedade brasileira enxerga a mistura entre álcool e direção. O comportamento deixou de ser socialmente tolerado e passou a ser amplamente reprovado.

A figura do “motorista da rodada”, o aumento do uso de aplicativos de transporte, a combinação prévia de quem não irá beber e o planejamento do retorno para casa são exemplos de mudanças de comportamento que ganharam força ao longo desses 18 anos.

Para o diretor do Portal do Trânsito e especialista em trânsito Celso Mariano, o principal legado da Lei Seca vai além das punições.

“A Lei Seca ajudou a estabelecer um novo pacto social. Ela deixou claro que dirigir não é um direito absoluto, mas uma atividade que exige responsabilidade e respeito à vida. A legislação foi fundamental para mudar mentalidades, mas nenhuma norma substitui a consciência individual.”

Ao mesmo tempo, os episódios envolvendo motoristas alcoolizados continuam presentes nas estatísticas e nas manchetes policiais, evidenciando que a legislação, sozinha, não é capaz de eliminar comportamentos de risco.

Por que o desafio persiste?

Especialistas apontam que diversos fatores contribuem para a permanência do problema. Entre eles estão a sensação de impunidade, a baixa percepção do risco, a crença equivocada de que pequenas quantidades de álcool não comprometem a condução e a fiscalização desigual em diferentes regiões do país.

Também há quem recorra à recusa do teste do bafômetro como estratégia para tentar minimizar consequências, embora a própria recusa seja infração de trânsito e gere as mesmas penalidades administrativas aplicadas ao motorista flagrado dirigindo sob influência de álcool.

Além disso, campanhas educativas costumam ganhar força em períodos específicos, mas nem sempre se mantêm de forma contínua ao longo do ano.

O primeiro Dia Nacional da Lei Seca

A comemoração dos 18 anos da legislação ganha um significado especial em 2026. Este é o primeiro ano em que o país celebra oficialmente o Dia Nacional da Lei Seca, instituído para ser lembrado em 19 de junho.

A data reforça o papel da educação e da conscientização como instrumentos complementares à fiscalização.

Mais do que recordar a criação da lei, o objetivo é estimular o debate sobre escolhas seguras e a responsabilidade compartilhada pela preservação da vida no trânsito.

A maioridade da lei exige maturidade coletiva

Ao completar 18 anos, a Lei Seca deixa um legado inquestionável: ela contribuiu para mudar comportamentos, fortaleceu a fiscalização e consolidou a mensagem de que beber e dirigir não é uma combinação aceitável.

Conforme Mariano, no entanto, sua maior lição talvez seja outra: a segurança no trânsito não depende apenas do rigor das punições. Ela exige decisões conscientes tomadas todos os dias por milhões de brasileiros.

“A tecnologia evoluiu, surgiram novas opções de mobilidade e a sociedade amadureceu sua percepção sobre os riscos do álcool ao volante. Ainda assim, a escolha mais segura continua sendo também a mais simples. Se beber, não dirija”, conclui.

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Como a perícia pode salvar vidas no trânsito? PCDF aposta em tecnologia para prevenir acidentes

qui, 18/06/2026 - 17:00
Tecnologia e inteligência pericial ajudam a mapear locais com maior incidência de acidentes e orientam ações de segurança viária no Distrito Federal. Foto: Orathai164 para Depositphotos

A tecnologia e a inteligência pericial estão ganhando um papel cada vez mais importante na prevenção de acidentes de trânsito no Distrito Federal. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio do Instituto de Criminalística (IC), vem utilizando ferramentas de análise geográfica e cruzamento de dados periciais para identificar pontos críticos de sinistros. O objetivo é auxiliar os órgãos responsáveis pela gestão do trânsito na adoção de medidas preventivas.

O trabalho transforma informações coletadas durante as perícias de acidentes em dados estratégicos capazes de indicar padrões de ocorrência, fatores de risco e locais que demandam intervenções voltadas à segurança viária.

Conforme a PCDF, a iniciativa permite que as informações produzidas pela perícia criminal ultrapassem a função tradicional de subsidiar investigações. Dessa forma, elas passam a contribuir também para o planejamento de ações voltadas à redução de acidentes.

Dados periciais ajudam a identificar padrões

O trabalho acontece a partir da análise de laudos de acidentes de trânsito associados a informações geográficas. Com isso, os peritos conseguem mapear locais com maior concentração de ocorrências e identificar características comuns entre os sinistros registrados.

Os levantamentos permitem apontar, por exemplo, trechos viários que apresentam recorrência de acidentes. Além disso, cruzamentos e pontos específicos que merecem atenção especial dos órgãos de trânsito.

A análise também auxilia na compreensão das circunstâncias em que os acidentes ocorrem, contribuindo para a definição de medidas mais adequadas para cada situação identificada.

Informações subsidiam ações de trânsito

De acordo com a PCDF, os dados gerados pelo Instituto de Criminalística são compartilhados com órgãos como o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). O objetivo é fornecer subsídios técnicos para ações de engenharia de tráfego, fiscalização, mobilidade urbana, educação para o trânsito e prevenção de sinistros.

Em alguns casos, os mapas produzidos pela perícia indicam concentração de acidentes em cruzamentos semaforizados. Nesses locais, as informações podem servir de base para avaliações relacionadas ao funcionamento dos semáforos, à sinalização viária, à visibilidade dos condutores e à dinâmica de circulação da via.

A utilização dessas informações permite que as intervenções sejam direcionadas para locais onde há maior necessidade, aumentando a eficiência das medidas adotadas pelos gestores públicos.

Tecnologia amplia papel da perícia

A iniciativa faz parte de um processo de modernização das atividades periciais desenvolvido pela Polícia Civil do Distrito Federal. Nos últimos anos, o Instituto de Criminalística tem investido em soluções tecnológicas voltadas à digitalização, ao aprimoramento da coleta de dados e à precisão metodológica dos trabalhos periciais.

Nesse contexto, a inteligência pericial passa a desempenhar um papel que vai além da produção de provas para investigações criminais, contribuindo também para a formulação de políticas públicas voltadas à segurança viária.

Segurança viária baseada em evidências

A identificação de pontos críticos por meio da análise técnica de acidentes segue uma tendência cada vez mais presente na gestão do trânsito: a adoção de decisões baseadas em evidências.

Ao transformar informações periciais em conhecimento aplicado à mobilidade urbana, a PCDF contribui para que os órgãos responsáveis pelo trânsito tenham acesso a diagnósticos mais precisos sobre os locais onde os acidentes se concentram e quais fatores podem estar relacionados às ocorrências.

A expectativa é que o uso dessas ferramentas fortaleça as estratégias de prevenção, permitindo intervenções mais eficazes e contribuindo para a redução de sinistros e seus impactos sobre a população do Distrito Federal.

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Mais um Detran adota o exame toxicológico para primeira habilitação; veja o que muda

qui, 18/06/2026 - 14:51
O Rio de Janeiro é mais um estado a confirmar a exigência do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B. A medida começa a valer em 29 de junho. Foto: Divulgação Detran/RJ

O movimento de implantação do exame toxicológico para candidatos à primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) continua avançando pelo país. Desta vez, foi o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) que anunciou a adoção da exigência para processos de habilitação iniciados a partir de 29 de junho.

Com a medida, o Rio de Janeiro se junta a outros estados que já começaram a aplicar a nova regra prevista na Lei Federal nº 15.153/2025, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e passou a exigir resultado negativo em exame toxicológico para obtenção da primeira habilitação nas categorias A (motocicletas) e B (automóveis).

A decisão reforça uma tendência nacional de adequação dos Detrans às orientações da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que determinou a implementação da exigência para emissão da Permissão para Dirigir (PPD), documento concedido aos novos condutores após a conclusão do processo de habilitação.

Quem será afetado pela nova regra

Segundo o Detran-RJ, a obrigatoriedade valerá apenas para candidatos que iniciarem o processo de primeira habilitação a partir de 29 de junho de 2026. Quem já tiver aberto o processo antes dessa data continuará seguindo as regras anteriores e não precisará apresentar o exame toxicológico.

A exigência também não se aplica aos procedimentos de renovação da CNH, emissão de segunda via ou obtenção da Permissão Internacional para Dirigir (PID).

Estados começam a adotar cronogramas próprios

Embora a exigência tenha origem em uma lei federal, a implementação vem ocorrendo em ritmos diferentes nos estados.

Nas últimas semanas, diversos Detrans anunciaram datas específicas para adequação dos sistemas e procedimentos internos. Minas Gerais, por exemplo, informou que a cobrança passará a valer para processos iniciados a partir de 20 de junho. Já o Tocantins também confirmou a adoção da nova exigência para candidatos à primeira habilitação.

O cenário indica que outros estados deverão divulgar seus cronogramas de implantação nas próximas semanas.

Como será o exame no Rio de Janeiro

De acordo com o Detran-RJ, os candidatos deverão realizar o exame em laboratórios credenciados pela Senatran. O teste deverá ser feito após a abertura do Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach) e antes da continuidade das demais etapas do processo de habilitação.

O exame possui janela mínima de detecção de 90 dias e tem como objetivo identificar o uso de substâncias psicoativas previstas na regulamentação federal. Para prosseguir no processo, o candidato deverá apresentar resultado negativo registrado no sistema.

Caso o resultado não esteja disponível ou seja diferente do exigido pela legislação, o processo ficará impedido de avançar até a regularização da situação.

Mudança segue gerando debates

A ampliação da exigência do exame toxicológico para as categorias A e B continua gerando discussões entre especialistas, entidades do setor e profissionais ligados à formação de condutores.

Defensores da medida argumentam que ela pode contribuir para identificar o uso de substâncias psicoativas entre candidatos à habilitação e reforçar a segurança viária. Por outro lado, críticos apontam o aumento dos custos para quem pretende obter a primeira CNH e questionam a efetividade da exigência para motoristas não profissionais.

Enquanto o debate continua, uma coisa já está clara: a nova regra está deixando de ser apenas uma previsão legal e passando a fazer parte da realidade dos candidatos à habilitação em diferentes regiões do país.

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CNH digital gratuita já gerou economia de mais de R$ 51 milhões para condutores de SP

qui, 18/06/2026 - 13:30
Mais de 372 mil motoristas paulistas já optaram pela CNH exclusivamente digital, economizando custos com impressão e entrega do documento. Foto: Divulgação/Detran-SP.

A possibilidade de emitir gratuitamente a versão digital da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) já gerou uma economia superior a R$ 51 milhões para os motoristas paulistas. Segundo dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), mais de 372 mil pessoas escolheram receber apenas o documento digital, dispensando a impressão em papel e os custos de envio.

A medida faz parte do processo de digitalização dos serviços relacionados à habilitação no estado e está disponível para diferentes procedimentos, como primeira habilitação, renovação, mudança ou adição de categoria, reabilitação e inclusão da observação de Exercício de Atividade Remunerada (EAR).

De acordo com o Detran-SP, desde a implantação da modalidade exclusivamente digital, 372.324 condutores deixaram de solicitar a versão impressa da CNH. A economia total estimada é de R$ 51,3 milhões. Desse montante, R$ 47,2 milhões correspondem aos custos evitados com a emissão do documento físico e R$ 4,1 milhões estão relacionados à eliminação das despesas de envio.

Documento digital tem a mesma validade da versão impressa

A CNH digital possui a mesma validade jurídica da versão física e pode ser apresentada em todo o território nacional por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT). A diferença é que o cidadão pode optar por não receber o documento impresso, reduzindo custos relacionados à produção e entrega.

A iniciativa integra um conjunto de medidas adotadas pelo governo paulista para simplificar os processos de habilitação e ampliar o acesso aos serviços digitais.

Conforme Talita Rodrigues, diretora de Habilitação e Condutores do Detran-SP, a proposta busca adequar os serviços à realidade dos usuários.

“Nosso objetivo é tornar a habilitação mais compatível com a realidade do cidadão. A transformação digital permite eliminar custos, ao mesmo tempo em que amplia a liberdade de escolha de cada motorista. Estamos simplificando processos sem abrir mão da segurança dos serviços.”

Menor custo do país para obtenção da CNH

O Detran-SP afirma que São Paulo possui atualmente o menor custo do Brasil para obtenção da primeira habilitação. Conforme os dados divulgados pelo órgão, o candidato paga R$ 105,66 referentes ao agendamento dos exames teórico e prático. O curso teórico é gratuito e há possibilidade de escolha entre autoescola e instrutor autônomo credenciado.

As medidas fazem parte da política estadual voltada à redução de custos e à digitalização dos serviços públicos relacionados ao trânsito.

Digitalização avança nos serviços de trânsito

A economia gerada pela CNH digital demonstra como a digitalização de documentos públicos vem alterando a relação dos cidadãos com os serviços de trânsito. Além da redução de despesas para os usuários, a medida elimina etapas burocráticas ligadas à impressão e à entrega de documentos.

Para os motoristas, a principal vantagem é poder acessar a habilitação diretamente pelo celular. Assim, mantendo a mesma validade legal do documento físico e dispensando a necessidade de portar a versão impressa em diversas situações.

Com mais de R$ 51 milhões economizados pelos condutores paulistas em pouco mais de um mês de implantação da medida, a versão digital da CNH se consolida como uma das principais iniciativas de digitalização dos serviços de habilitação no estado.

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Reforma do CTB avança e amplia mudanças na CNH

qui, 18/06/2026 - 09:50
Relatório apresentado na Comissão Especial da Câmara propõe alterações em 63 artigos do Código de Trânsito Brasileiro e promete reacender o debate sobre formação de condutores, CNH e segurança viária no país. Foto: Kamila Nascimento/Detran-MT

A reforma do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) deu mais um passo na Câmara dos Deputados. O relator da Comissão Especial que analisa o Projeto de Lei 8.085/2014 e seus apensados, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), apresentou o 4º Substitutivo da proposta, um texto que altera 63 artigos da legislação de trânsito e pode representar a maior atualização do CTB desde sua criação. Após a leitura do relatório, parlamentares apresentaram pedido conjunto de vista, adiando a votação na Comissão Especial para o dia 7 de julho. A expectativa é que, se aprovado, o projeto seja apreciado pelo Plenário da Câmara já no dia seguinte, em 8 de julho.

O novo texto consolida propostas de 270 projetos de lei apensados ao PL 8.085/2014 e trata de temas que vêm sendo amplamente debatidos nos últimos meses, especialmente após a publicação da Resolução Contran nº 1.020/2025, que alterou significativamente as regras da formação de condutores no Brasil.

Entre os principais pontos estão mudanças no processo de habilitação, novas exigências para renovação da CNH, além disso, a criação de uma modalidade de condução para jovens entre 16 e 18 anos, a regulamentação da atuação de instrutores autônomos e medidas voltadas à redução dos custos da habilitação.

Formação de condutores continua no centro do debate

O próprio relatório deixa claro que a discussão sobre a formação de condutores foi um dos principais motivadores da reforma.

Ao justificar as mudanças, o relator critica diretamente a Resolução Contran nº 1.020/2025, especialmente a redução da carga horária mínima obrigatória de aulas práticas para duas horas-aula. Segundo o parecer, a medida teria representado um risco para a segurança viária ao flexibilizar excessivamente o processo de formação.

Por isso, o substitutivo estabelece no próprio CTB uma carga horária mínima de cinco horas-aula para a formação prática de condutores, retirando do Contran a possibilidade de definir esse requisito exclusivamente por regulamentação infralegal.

Para o especialista em trânsito Julyver Modesto, o alcance da proposta vai muito além da discussão sobre carga horária ou autoescolas.

“O texto apresentado agora é muito mais amplo do que uma simples discussão sobre formação de condutores. Estamos diante de uma proposta que altera dezenas de dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro e que pode impactar diretamente a habilitação, a fiscalização e a própria estrutura do Sistema Nacional de Trânsito.”

Segundo ele, o momento exige análise cuidadosa de cada alteração. “Existem temas que merecem um debate aprofundado, principalmente aqueles relacionados à habilitação de menores de idade, aos exames e aos novos modelos de formação de condutores. São mudanças que podem produzir reflexos importantes na segurança viária e, por isso, precisam ser avaliadas com cautela.”

Habilitação aos 16 anos permanece na proposta

Um dos temas mais polêmicos continua presente no texto. O substitutivo prevê a possibilidade de que jovens maiores de 16 anos obtenham autorização para conduzir veículos das categorias A e B em áreas urbanas, observadas determinadas restrições. Para automóveis, a condução deverá ocorrer sob supervisão de um motorista habilitado há pelo menos dois anos. Já para motocicletas e motonetas de até 150 cilindradas, a proposta dispensa acompanhante.

O assunto já gerou divergências durante as audiências públicas e seminários realizados pela Comissão Especial e deve continuar entre os pontos mais debatidos durante a tramitação da matéria.

Avaliação psicológica para todos os motoristas

Outra mudança relevante diz respeito à renovação da Carteira Nacional de Habilitação.

Atualmente, a avaliação psicológica é exigida principalmente na primeira habilitação e em situações específicas previstas na legislação. O relatório propõe que o exame psicológico passe a ser obrigatório em todas as renovações da CNH.

Conforme o parecer, a medida busca identificar condições psicológicas que possam comprometer a capacidade de condução e representar riscos à segurança viária.

Além disso, o texto cria um prontuário nacional unificado para o registro de perícias médicas e psicológicas, permitindo o compartilhamento de informações entre os órgãos de trânsito de todo o país.

Instrutores autônomos e exames fora dos Detrans

O relatório também mantém a possibilidade de atuação de instrutores autônomos no processo de formação de condutores.

Pela proposta, as aulas práticas poderão ser ministradas tanto por Escolas de Trânsito quanto por instrutores autônomos credenciados, desde que sejam observados requisitos equivalentes de segurança, como veículos equipados com duplo comando de freio e embreagem, monitoramento das atividades e fiscalização pelos órgãos executivos de trânsito.

Outra inovação é a possibilidade de realização de todo o processo de habilitação, incluindo exames práticos, nas próprias Escolas de Trânsito credenciadas, desde que existam mecanismos de auditoria e controle pelos Detrans.

CNH Social e redução de custos

Embora o relatório endureça alguns requisitos ligados à segurança viária, também traz medidas voltadas à redução dos custos do processo de habilitação.

Entre elas está o fortalecimento da CNH Social, com a destinação de recursos provenientes das multas de trânsito para custear a formação de condutores de baixa renda. O texto também prevê a criação de um teto nacional para taxas administrativas relacionadas à habilitação.

Outra proposta é a emissão automática e gratuita da CNH definitiva para motoristas que concluírem o período probatório sem cometer infrações impeditivas.

Segurança viária como justificativa

Ao longo do relatório, o relator afirma que a principal diretriz adotada pela Comissão Especial foi a segurança viária. O parecer cita que mais de 37 mil pessoas morreram no trânsito brasileiro em 2024 assim como defende que determinadas decisões relacionadas à formação de condutores não podem ser flexibilizadas sem considerar seus impactos na preservação da vida.

Essa preocupação ganha relevância em um contexto de aumento da violência no trânsito. Dados recentes do Atlas da Violência 2026 mostram que os motociclistas já representam 41,6% das mortes no trânsito brasileiro e que os óbitos envolvendo motos cresceram 38% entre 2019 e 2024.

Com a votação adiada para julho, entidades do setor, especialistas, órgãos de trânsito e representantes dos Centros de Formação de Condutores terão mais algumas semanas para analisar os impactos da proposta. Ou seja, caso avance na Comissão Especial e no Plenário da Câmara, a reforma poderá promover uma das mais amplas alterações já realizadas no Código de Trânsito Brasileiro.

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PRF autua 1 motorista alcoolizado a cada 10 minutos no Brasil

qui, 18/06/2026 - 08:15
A recusa ao bafômetro foi normalizada como uma “estratégia inteligente”. Foto: Divulgação PRF

A Lei Seca, responsável por salvar dezenas de milhares de vidas no Brasil desde 2008, atinge sua maioridade neste 19 de Junho com um novo desafio: mudar a cultura do risco enraizado no comportamento do motorista brasileiro. Levantamento realizado pela Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans) com base nos dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta que, embora os esforços de fiscalização e a maturação da lei apresentem resultados concretos na redução do número de óbitos e feridos, o país enfrenta a resistência do motorista que aposta todas as suas fichas na recusa sistemática ao teste do bafômetro.

Os indicadores de acidentes nas rodovias federais brasileiras, entre janeiro e maio de 2026, revelam uma tendência de queda de quase 10% no número de mortes, um indicador de que a gravidade dos sinistros está sendo mitigada, ainda que o volume de ocorrências caia em ritmo mais lento. Entre janeiro e maio de 2025, a PRF registrou 1.495 sinistros, 93 mortes e 1.311 feridos em ocorrências cuja causa foi a ingestão de álcool pelo condutor. No mesmo período de 2026, esses números caíram para 1.445 sinistros, 84 mortes e 1.223 feridos. Isso representa uma queda de 3,34% nos sinistros, 9,68% nas mortes e 6,71% nos feridos.

As infrações por alcoolemia (Art. 165) caíram de 3.095 em 2025 para 2.964 em 2026, uma redução de 4,23%. Já as infrações por recusa (Art. 165-A) caíram apenas 0,83%, passando de 18.562 para 18.408. Isso significa que a cada 10 minutos um motorista alcoolizado foi flagrado pela PRF nas rodovias federais brasileiras. A proporção de recusas sobre o total de autuações subiu para 86,13% em 2026.

“A fiscalização pode estabilizar os números de acidentes, mas não inibe o comportamento imprudente do motorista. Em 2026, para cada motorista que sopra o bafômetro e testa positivo, existem mais de seis que recusaram o teste porque beberam e querem evitar um crime de trânsito”, analisa Adalgisa Lopes, presidente da Actrans e psicóloga especialista em trânsito e segurança viária.

Crimes de trânsito

O impacto dessa resistência comportamental é visível no sistema judiciário. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, nos quatro primeiros meses de 2026 houve o registro de 49.228 novos processos por crimes de trânsito (tipificados na Lei 9.503/97, do art. 302 ao 312) em 1º grau ou em Juizados Especiais Criminais em todo o país. Em todo ano de 2025, foram 161.174 novos processos. Esse volume reflete não apenas a fiscalização intensiva, mas também a persistência de comportamentos de risco que alimentam a imprudência no trânsito.

Ao se deparar com a blitz, o motorista faz um cálculo rápido de custo-benefício: o teste positivo acima de 0,34 mg/L resulta em crime de trânsito (Art. 306 do CTB), enquanto a recusa (Art. 165-A) gera a multa e a suspensão da CNH por 12 meses. Para os especialistas em psicologia de trânsito da Actrans, a estabilidade do alto índice de recusas se sustenta por três vieses cognitivos principais. “O primeiro é o otimismo irreal, a crença de que o acidente só acontece com os outros, e que sua habilidade de direção é superior à média. O segundo é a ilusão de controle: o motorista acredita que ‘sabe beber’ e que consegue disfarçar os sinais diante da autoridade policial. O terceiro é a minimização do risco: a percepção de que ‘foi só uma dose’ e que o perigo real é inexistente”, comenta Adalgisa.

A recusa foi normalizada como uma “estratégia inteligente”.

Para avançar, é necessário atacar a sensação de impunidade que a recusa e a demora da punição geram. “O processo de suspensão da CNH pode demorar meses por causa de sucessivos recursos, o que retira o efeito de choque necessário para a mudança de hábito. A punição só educa quando é percebida como certa e imediata”, completa Giovanna Varonni, diretora da Actrans e psicóloga de trânsito.

Para reverter o quadro de estagnação, os especialistas propõem uma mudança de paradigma nas políticas públicas de trânsito. “As campanhas devem abandonar o tom puramente informativo e adotar uma abordagem de impacto emocional e social. É preciso desconstruir a imagem do motorista que recusa o teste como alguém ‘esperto’, substituindo-a pela imagem de alguém que assume o risco de destruir famílias por conveniência própria. As punições precisam ocorrer em um menor espaço de tempo. Essa recusa não deve apresentar nenhum benefício para o motorista”, explica Giovanna Varonni.

Em 18 anos de Lei Seca, o Brasil aprendeu a fiscalizar, mas o condutor aprendeu a burlar. A queda de 9,68% nas mortes é um alento que prova a importância da fiscalização e da legislação vigente, mas a barreira dos 86% de recusa é o novo desafio a se vencer.

“Não bastam bafômetros mais modernos ou multas mais caras, precisamos mudar o comportamento, a cultura e a consciência coletiva. Enquanto a sociedade tolerar o consumo de álcool ao volante e a recusa ao bafômetro como uma manobra válida, as ruas e rodovias continuarão sendo palco de tragédias evitáveis”, completa Adalgisa Lopes.

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Pesquisa mostra que jovens valorizam escolher o motorista parceiro de aplicativo como fator de segurança

qui, 18/06/2026 - 07:19
Ter disponibilidade às informações sobre o parceiro também se apresenta como fator indispensável para 55% dos entrevistados, principalmente para as mulheres, com 59% das respostas. Foto: Snapic.PhotoProduction para Depositphotos

A mobilidade urbana no Brasil atravessa um momento de transformação acelerada, impulsionada pela onipresença dos aplicativos de intermediação de transporte e trazendo a segurança como o divisor de águas para o setor. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, em parceria com a inDrive, plataforma global de mobilidade e entregas, aponta que 67% dos jovens da geração Z – que compreende os nascidos entre 1997 e 2010 – aprovam modelos que permitem poder escolher o motorista parceiro. Segundo o estudo, esta opção traz uma maior percepção de segurança para os passageiros dessa faixa etária. 

De acordo com a pesquisa, os principais usos de apps de mobilidade no Brasil estão associados a algumas das atividades características do dia a dia dos mais jovens, como saídas sociais (ir ou voltar de festas, bares e shows – 51%) ou atividades de rotina, como compras (40%). O estudo também revelou que ter acesso a uma lista de motoristas que aceitam a corrida e poder escolher com quem viajar é a preferência de 57% dos respondentes, independente da faixa etária. Além disso, 84% deles concordam que escolher o motorista parceiro baseado no histórico de viagens e nas avaliações traz mais segurança; e ter disponibilidade às informações sobre o parceiro também se apresenta como fator indispensável para 55% dos entrevistados, principalmente para as mulheres, com 59% das respostas.

“O desafio de equilibrar a tecnologia com a segurança de todos nunca foi tão urgente, e isso força o mercado de mobilidade a repensar constantemente seus protocolos para elevar a segurança nas viagens diariamente”, ressalta Larissa Coutinho, Safety Manager da inDrive no Brasil. 

O levantamento mostrou ainda que o motorista parceiro é o principal ponto de contato para construção de segurança.

Para se sentirem seguros, os brasileiros demandam informações verificadas, além de boas condições do veículo. Checar os dados do parceiro, por exemplo, é uma ação frequente para os usuários ouvidos: 63% sinalizam que sempre conferem a foto e o nome do motorista parceiro, enquanto 49% costumam ver sua nota de avaliação. 

“O cenário atual revela uma dinâmica em que a segurança na mobilidade segue sendo, cada vez mais, o pilar fundamental que sustenta a confiança do usuário brasileiro. Os resultados da pesquisa mostram que a transparência é fundamental para a percepção dos usuários do que é uma viagem segura e nisso estamos trabalhando todos os dias na inDrive”, conclui Larissa. 

A inDrive conta com mais de 20 recursos de segurança ao longo de toda a jornada em seu app no Brasil, incluindo recursos importantes como verificação de identidade, detecção de prova de vida, compartilhamento de rota em tempo real, anonimização de números de telefone, botão de emergência (SOS), gravação de áudio durante a viagem e monitoramento em tempo real. A plataforma também investe constantemente em tecnologias para identificar fraudes e impedir o retorno de usuários removidos. Além disso, relatos relacionados à segurança são analisados por uma equipe especializada, com medidas preventivas e suporte aos envolvidos, incluindo seguro contra acidentes pessoais e assistência psicológica gratuita.

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Financiamento de veículos cresce 10,9% em 12 meses e maio atinge maior nível para o período desde 2011, segundo levantamento da Trillia

qui, 18/06/2026 - 06:50
O volume representa alta de 4,6% na comparação anual e marca o melhor resultado para o mês de maio desde 2011. Foto: Kalcutta para Depositphotos

O financiamento de veículos no Brasil somou 630,1 mil unidades em maio, entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e veículos pesados, de acordo com levantamento da Trillia, linha de negócios de dados e analytics da B3. O volume representa alta de 4,6% na comparação anual e marca o melhor resultado para o mês de maio desde 2011, quando foram registrados 682.129 mil financiamentos. No acumulado de janeiro a maio, as vendas financiadas somaram 3,158 milhões de unidades, alta de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Carros novos lideram avanço

Entre os automóveis leves, o financiamento atingiu 446 mil unidades em maio, alta de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2025. O destaque ficou com os modelos zero quilômetro, que cresceram 38,2% na comparação anual, enquanto os usados avançaram 2,3% no período.

Motos se destacam entre veículos financiados

O financiamento de motocicletas somou 162 mil unidades em maio de 2026, crescimento de 9,5% na comparação com maio do ano passado. As motos usadas puxaram o resultado, com alta de 11,5% em 12 meses, enquanto os modelos novos avançaram 3,0% no mesmo período.

Veículos pesados mostram estabilidade

No segmento de veículos pesados, o financiamento totalizou 22 mil unidades em maio, queda de 4,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi influenciado por recuos tanto nos modelos novos quanto nos usados, de 6,8% e 3,5%, respectivamente, indicando um cenário de maior seletividade na renovação e na troca de frota.

Sudeste concentra maior parte do crédito

A região sudeste segue como o principal polo de financiamento de veículos no país, concentrando 42,1% das operações de janeiro a maio de 2026. Na sequência aparecem o Sul, com 20,0%, o Nordeste, com 19,6%, o Centro-Oeste, com 10,8%, e o Norte, com 7,5% do total de financiamentos.

Ano acumula 3,2 milhões de financiamentos

No acumulado de janeiro a maio, o número de veículos financiados chegou a 3,158 milhões de unidades, entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e pesados. A impulsão do crescimento de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025 ocorreu principalmente pelos veículos novos, que avançaram 24,4%, enquanto os usados cresceram 7,5%.

“Os dados indicam que há uma consolidação de oferta de crédito. Isso impulsiona o crescimento do setor automotivo. Mesmo em um contexto de juros elevados, o consumidor tem acessado crédito para aquisição de veículos”, afirma Bruno Saldanha, head de Produtos Regulados na Trillia, linha de negócios de dados e analytics da B3.

Tabela Auto B3: média dos preços de veículos recua em maio após sequência de altas

O acompanhamento mensal da Tabela Auto B3, desenvolvida em parceria com a Bright Consulting, mostra que, em maio, o mercado de veículos teve queda nos preços médios de transação, tanto para novos quanto para usados.

Veículos novos

Em maio, os veículos 0km tiveram redução média de aproximadamente 1,7% nos preços de transação. Ou seja, na média, os carros novos ficaram um pouco mais baratos em relação ao mês anterior. A queda foi relativamente espalhada entre os segmentos, com destaque para:
 

Fonte: Tabela Auto B3/Bright Consulting

As maiores quedas ficaram concentradas nas diferentes categorias de picapes. Na outra ponta, os hatchbacks foram o único segmento com valorização relevante, com aumento médio de 1,9% nos preços. Já os SUVs ficaram praticamente estáveis, interrompendo a sequência de altas dos meses anteriores.

Veículos usados

No mercado de usados, maio registrou nova queda nos preços de transação, com redução média de aproximadamente 0,8%. Em outras palavras, os veículos usados também ficaram um pouco mais baratos, dando continuidade ao ajuste de preços que vem ocorrendo desde meses anteriores. Observou-se a queda em todos os segmentos analisados, o que reforça a tendência de acomodação do mercado de usados. 

Fonte: Tabela Auto B3/Bright Consulting

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57% usam IA na compra de carros e decisão fica mais complexa no Brasil

qui, 18/06/2026 - 06:10
A IA passa a funcionar como ferramenta de triagem e comparação, mas não reduz necessariamente o tempo de decisão, amplia o volume de informações consideradas. Foto: Milkos para Depositphotos

A inteligência artificial não está encurtando a jornada de compra de veículos no Brasil: está tornando o processo mais longo e mais deliberado. Ao organizar informações, comparar opções e ampliar o acesso a dados, a tecnologia incentiva o consumidor a pesquisar mais antes de decidir, especialmente em uma compra de alto valor como a de um automóvel. 

Os dados são do Google e foram apresentados durante o Anfavea Visions 2026. Conforme a empresa, 57% dos consumidores já usam ferramentas de IA ao longo da jornada de compra, e 13% afirmam delegar parte das escolhas à tecnologia. Outros 31% utilizam essas ferramentas especificamente para comparar marcas. 

Na prática, a IA desloca o comportamento de busca. Em vez de partir de modelos ou montadoras, o consumidor passa a formular perguntas mais amplas, ligadas a uso e contexto, como custo de manutenção, adequação à rotina e perfil de uso. Isso tende a alongar a fase de consideração, já que mais alternativas entram na análise antes da decisão final.

Esse movimento acontece em um mercado automotivo ainda marcado por forte concentração de marcas e padrões de uso já consolidados.

De acordo com dados da Machine sobre corridas de aplicativos, cinco montadoras dominam cerca de 80% das viagens analisadas: Chevrolet (20,94%), Volkswagen (19,08%), Fiat (18,40%), Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%). Em seguida aparecem Ford (6,12%), Toyota (3,53%) e Nissan (1,15%). Entre os veículos chineses, a presença já alcança quase 1 em cada 12 corridas, cerca de 8,3%, com destaque para a BYD, responsável por 7,12% das viagens. O recorte indica que, mesmo com a ampliação das opções percebidas na fase de pesquisa, o uso cotidiano ainda se concentra em poucos fabricantes.  

O Brasil aparece entre os mercados mais receptivos a essa mudança. Uma pesquisa Google/Ipsos com 21 mil pessoas em 21 países mostra que 54% dos brasileiros usaram IA generativa em 2024, acima da média global de 48%. O país também registra 65% de percepção positiva sobre a tecnologia, e 60% acreditam em ganhos econômicos associados ao seu avanço.

“Para os motoristas, a escolha do veículo está diretamente ligada à rentabilidade, e a adoção de carros eletrificados representa não apenas uma tendência tecnológica, mas uma estratégia econômica concreta para manter o lucro diante da crescente pressão por custos operacionais menores”, afirma Júlia Camossaestatística responsável pela plataforma.  

Esse comportamento é ainda mais relevante no setor automotivo, onde a decisão envolve múltiplas variáveis técnicas e financeiras. A IA passa a funcionar como ferramenta de triagem e comparação, mas não reduz necessariamente o tempo de decisão, amplia o volume de informações consideradas.

O próximo passo dessa transformação deve vir com os agentes de IA, capazes de executar tarefas de forma autônoma para o usuário. A projeção foi apresentada no mesmo evento por executivos do setor e inclui aplicações que vão do processo de compra ao pós-venda, com veículos conectados enviando dados diretamente a fabricantes e concessionárias.

Nesse cenário, a disputa entre montadoras e varejistas deixa de ser apenas por atenção e passa a ser também por presença dentro dos sistemas de recomendação. A forma como marcas estruturam informação tende a ganhar mais peso do que a publicidade tradicional na influência da decisão final.

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Promovidos da Premier League 2026/27: apostas de valor ou favoritos ao rebaixamento?

qui, 18/06/2026 - 05:20
Bola de futebol em estádio antes da temporada da Premier League 

A Premier League 2026/27 receberá três novos participantes. Coventry City, Ipswich Town e Hull City conquistaram o acesso e ocuparão os lugares de West Ham United, Burnley e Wolverhampton Wanderers, que terminaram a temporada anterior na zona de rebaixamento.

A chegada dos promovidos já desperta debates entre torcedores, analistas e apostadores. Muitos usuários que acompanham diferentes campeonatos, incluindo mercados relacionados a apostas la liga, também observam como equipes recém-promovidas costumam ser avaliadas antes do início da temporada. A principal dúvida é simples: algum desses clubes possui condições reais de permanecer na Premier League ou todos entram na competição como candidatos naturais ao retorno à Championship?

Coventry City chega com as maiores expectativas

Entre os três promovidos, o Coventry City aparece como a equipe que transmite mais confiança.

O clube retorna à elite inglesa após uma ausência de 25 anos e construiu sua campanha de acesso com base em organização tática e solidez defensiva. As bolas paradas também desempenharam papel importante durante a temporada.

Muitos analistas acreditam que o Coventry possui as melhores condições para permanecer na Premier League. A equipe demonstrou capacidade para competir em partidas de alta pressão e costuma apresentar uma estrutura coletiva consistente.

Embora o salto de nível seja significativo, existe a percepção de que o clube pode conquistar pontos importantes contra equipes da metade da tabela.

Ipswich Town aposta em um futebol ofensivo

O Ipswich Town chamou atenção durante a campanha de acesso por seu estilo agressivo e ofensivo.

A equipe construiu boa parte dos resultados através da intensidade no ataque e da capacidade de criar oportunidades constantemente. Essa característica ajudou o clube a conquistar admiradores durante a temporada.

Ao mesmo tempo, surgem dúvidas sobre a consistência defensiva necessária para enfrentar adversários mais qualificados. A Premier League costuma punir rapidamente equipes que deixam muitos espaços.

Por esse motivo, o Ipswich divide opiniões. Alguns enxergam potencial para surpreender. Outros acreditam que a equipe pode enfrentar dificuldades diante da qualidade ofensiva encontrada na elite inglesa.

Hull City aparece como a incógnita

O Hull City garantiu o acesso através dos playoffs e chega à Premier League cercado por incertezas.

O elenco é relativamente jovem e conta com um treinador que conseguiu extrair resultados acima das expectativas em diferentes momentos da campanha. No entanto, a falta de experiência recente na Premier League gera questionamentos.

Entre os três promovidos, o Hull costuma aparecer como o candidato mais provável ao rebaixamento nas projeções iniciais.

Mesmo assim, existe um grupo de analistas que considera a equipe capaz de surpreender adversários que subestimarem sua intensidade e capacidade de adaptação.

Como os mercados estão avaliando os promovidos

As primeiras projeções mostram uma tendência relativamente clara.

Grande parte dos apostadores acredita que pelo menos duas das três equipes enfrentarão dificuldades para permanecer na divisão. Isso não significa que o destino esteja definido, mas reflete a diferença de recursos e qualidade normalmente observada entre Premier League e Championship.

Algumas tendências já podem ser observadas:

  • Coventry City recebe maior apoio nos mercados relacionados à permanência.
  • Ipswich Town divide opiniões entre otimistas e céticos.
  • Hull City aparece com frequência entre os principais candidatos ao rebaixamento.
  • Existe interesse em mercados relacionados ao rebaixamento dos três promovidos.
  • Poucos apostadores acreditam que alguma das equipes terminará na metade superior da tabela.

As avaliações poderão mudar durante a janela de transferências, especialmente se algum dos clubes conseguir reforços importantes.

O que a história mostra

Os números históricos não são especialmente animadores para equipes recém-promovidas.

Em média, pelo menos dois dos três clubes que sobem para a Premier League acabam retornando à Championship na temporada seguinte. A diferença de intensidade, qualidade técnica e profundidade dos elencos costuma ser determinante.

Ainda assim, existem exceções. Equipes organizadas, bem treinadas e capazes de adaptar seu estilo de jogo frequentemente conseguem desafiar as expectativas iniciais.

Para Coventry, Ipswich e Hull, a capacidade de reforçar o elenco durante o mercado de transferências poderá ser tão importante quanto o desempenho apresentado durante a campanha de acesso.

O que esperar da temporada 2026/27

Coventry City inicia a temporada com as melhores perspectivas de permanência, enquanto Ipswich Town e Hull City ainda precisam provar que podem competir em um nível superior.

A janela de transferências será decisiva para determinar se os três promovidos conseguirão desafiar as expectativas iniciais.

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iFood vai custear até 90% da primeira CNH de moto para entregadores; veja quem pode participar

qua, 17/06/2026 - 17:00
Programa Minha CNH vai custear até 90% da primeira habilitação de moto para entregadores de bicicleta cadastrados no iFood. Foto: Divulgação

O iFood anunciou um programa que vai custear até 90% do valor da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A para entregadores que atuam na plataforma utilizando bicicletas. Batizada de Minha CNH, a iniciativa pretende ampliar as oportunidades de trabalho para esses profissionais e oferecer novas possibilidades de geração de renda.

Nesta primeira fase, o programa disponibilizará mil vagas para entregadores da Grande São Paulo e do Rio de Janeiro, com possibilidade de expansão para outras regiões do país.

Conforme a empresa, embora o processo para obtenção da primeira habilitação tenha passado por mudanças nos últimos anos, o custo ainda representa uma barreira para muitos trabalhadores. Atualmente, o valor médio para obter a CNH gira em torno de R$ 1,4 mil.

O que o programa cobre

De acordo com o iFood, o programa arcará com aproximadamente 90% dos custos relacionados ao processo de habilitação.

Entre os itens incluídos estão:

  • taxas do processo;
  • matrícula em autoescola parceira;
  • aulas práticas;
  • aluguel da motocicleta utilizada no exame prático.

Os participantes ficarão responsáveis apenas pelos custos obrigatórios dos exames médico e psicotécnico, além do exame toxicológico quando houver exigência legal para sua realização.

Objetivo é ampliar oportunidades de renda

A iniciativa é voltada a entregadores que desejam migrar da bicicleta para a motocicleta dentro da plataforma.

Conforme o iFood, profissionais que passam a atuar com veículos motorizados costumam ter acesso a um número maior de pedidos e rotas mais extensas, o que pode aumentar a produtividade e proporcionar maior previsibilidade de ganhos ao longo do mês.

Para facilitar essa transição, a empresa informa que mantém uma parceria com a Mottu para oferecer condições diferenciadas de locação e aquisição de motocicletas.

Além disso, os entregadores que obtiverem a habilitação por meio do programa receberão 14 dias gratuitos de locação da moto para iniciar as atividades na nova modalidade.

“O iFood está investindo para que entregadores que nunca tiveram acesso à habilitação possam conquistar a CNH de moto, ampliar suas possibilidades de atuação na plataforma e aumentar seu potencial de ganhos. A iniciativa faz parte da agenda contínua de valorização dos entregadores, criando oportunidades reais de crescimento, mais autonomia e novas perspectivas de renda. Temos muito orgulho de liderar uma agenda que amplia oportunidades e apoia o desenvolvimento desses profissionais no Brasil”, explica Johnny Borges, Diretor de Impacto Social no iFood.

Quem pode participar

Nesta etapa inicial, o programa é destinado exclusivamente a entregadores que realizam entregas de bicicleta em áreas específicas das duas capitais.

Em São Paulo, serão contempladas as regiões:

  • Centro;
  • Zona Sul;
  • Zona Oeste.

Já no Rio de Janeiro, a iniciativa atenderá entregadores que atuam na:

  • Zona Sul;
  • Barra da Tijuca.

Os profissionais elegíveis começaram a receber, a partir de 10 de junho, uma comunicação diretamente pelo aplicativo do entregador com um formulário para manifestação de interesse.

Critérios de elegibilidade

Para participar do Minha CNH, o entregador deve atender aos seguintes requisitos:

  • não possuir CNH categoria A;
  • estar ativo na plataforma há pelo menos seis meses consecutivos;
  • ter realizado entregas regularmente nesse período;
  • cumprir os demais critérios previstos no regulamento oficial do programa.

As vagas são limitadas e serão preenchidas por ordem de inscrição entre os entregadores que atenderem aos requisitos e manifestarem interesse.

Todo o processo de obtenção da habilitação acontecerá em autoescolas credenciadas parceiras da iniciativa. O benefício é válido apenas dentro do programa e não contempla reembolso de processos iniciados por conta própria.

Segurança e capacitação fazem parte da estratégia

De acordo com o iFood, o Minha CNH integra um conjunto mais amplo de ações voltadas ao desenvolvimento e à segurança dos entregadores cadastrados na plataforma.

Entre as iniciativas citadas pela empresa estão a evolução da Central de Segurança do aplicativo, o Indicador de Direção Segura — ferramenta baseada em telemetria para incentivar comportamentos mais seguros no trânsito — e o Decola, plataforma gratuita que oferece cursos de formação profissional, educação financeira, empreendedorismo, tecnologia e desenvolvimento pessoal.

A empresa também destaca benefícios como seguro pessoal, pontos de apoio para entregadores, parcerias para locação e compra de veículos e programas de capacitação.

Preocupação

Embora o programa represente uma oportunidade de acesso à habilitação para parte dos entregadores, ele também reacende discussões sobre a importância da formação adequada e da condução segura para profissionais que passam grande parte da jornada circulando nas vias urbanas.

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Mais motos nas ruas: nova MP aposta no crédito, mas ignora crise de segurança dos motociclistas

qua, 17/06/2026 - 12:00
Governo federal cria linha de crédito para entregadores adquirirem motos e bicicletas elétricas, mas especialistas alertam para o avanço das mortes de motociclistas no Brasil. Foto: taoxedge@gmail.com para Depositphotos

O governo federal publicou a MP 1.366/2026, que cria uma nova linha de financiamento para entregadores, motofretistas, mototaxistas e motociclistas de aplicativos adquirirem motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas. A iniciativa integra o programa Move Brasil e busca facilitar o acesso ao crédito para trabalhadores que utilizam esses veículos como instrumento de renda.

À primeira vista, a medida parece atender uma demanda antiga da categoria: renovar a frota, reduzir custos de manutenção e ampliar a capacidade de trabalho. No entanto, o anúncio também reacende uma discussão que vem ganhando força nos últimos anos: é possível incentivar a expansão do uso de motocicletas sem enfrentar simultaneamente a crise de segurança viária que atinge justamente esses trabalhadores?

A pergunta ganha relevância diante dos números mais recentes do trânsito brasileiro. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que os motociclistas já representam a maior parcela das vítimas fatais no trânsito do país, fenômeno que acompanha o crescimento acelerado da frota e da utilização da motocicleta como ferramenta de trabalho.

O que prevê a MP

A nova linha de crédito será destinada a entregadores e motociclistas cadastrados em plataformas digitais há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 entregas ou corridas nesse período. Também poderão participar profissionais com vínculo empregatício formal na atividade.

O financiamento permitirá a aquisição de:

  • motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas;
  • motocicletas elétricas;
  • bicicletas elétricas;
  • outros veículos autopropelidos elétricos enquadrados nas regras do programa.

O prazo para pagamento poderá chegar a 48 meses, com dois meses de carência. As taxas anunciadas pelo governo serão de 12,5% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. O programa também contará com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo criado para reduzir os riscos das instituições financeiras e ampliar a oferta de crédito.

Conforme o governo, a iniciativa pretende aumentar a produtividade dos trabalhadores, renovar a frota e estimular a descarbonização da mobilidade urbana por meio da aquisição de veículos elétricos.

Uma política de mobilidade ou uma política de risco?

Embora o objetivo econômico seja claro, especialistas em trânsito apontam que a medida precisa ser analisada também sob a ótica da segurança viária.

Nos últimos anos, a motocicleta deixou de ser apenas um meio de transporte e passou a representar uma importante ferramenta de geração de renda. O crescimento das plataformas de entrega e transporte individual ampliou significativamente a presença desses profissionais nas ruas brasileiras.

Ao mesmo tempo, aumentou a exposição diária a riscos. O Atlas da Violência 2026 revelou que as mortes de motociclistas cresceram quase 40% entre 2019 e 2024. Em 2024, foram mais de 15 mil vidas perdidas envolvendo motocicletas, representando 41,6% de todas as mortes no trânsito brasileiro.

O fenômeno é especialmente preocupante porque está diretamente ligado a fatores econômicos. Em muitas regiões do país, a motocicleta tornou-se uma alternativa de trabalho para pessoas que enfrentam dificuldades de inserção no mercado formal.

Nesse contexto, ampliar o acesso ao crédito para aquisição de motos pode representar uma oportunidade de geração de renda. Por outro lado, também pode aumentar a quantidade de trabalhadores expostos diariamente a um ambiente viário que ainda apresenta elevados índices de violência.

Crédito precisa vir acompanhado de proteção

Para o diretor do Portal do Trânsito e especialista em trânsito Celso Mariano, o desafio não está no financiamento em si, mas na ausência de medidas complementares voltadas à proteção desses trabalhadores. “Facilitar o acesso ao veículo pode ser positivo para quem depende dele para trabalhar. O problema é quando a política pública termina na entrega da chave. O Brasil já convive com números alarmantes de mortes de motociclistas. Se o incentivo ao crédito não vier acompanhado de ações consistentes de segurança viária, qualificação profissional, fiscalização e melhoria da infraestrutura, o risco é ampliar a vulnerabilidade de uma categoria que já paga um preço muito alto nas ruas”, avalia.

Segundo ele, o país precisa superar a lógica de que o crescimento da frota, por si só, representa desenvolvimento.

“Não basta aumentar o número de veículos em circulação. É preciso garantir que essas pessoas consigam trabalhar e voltar para casa em segurança. A motocicleta tem um papel importante na mobilidade e na economia, mas ela também é o modal mais exposto aos impactos de uma colisão”, acrescenta.

O que a MP não aborda

Outro aspecto que chama atenção é que a medida provisória concentra-se no financiamento dos veículos, mas não estabelece contrapartidas relacionadas à formação dos condutores, capacitação permanente ou programas específicos de prevenção de sinistros.

A discussão ganha ainda mais relevância porque o próprio governo federal editou recentemente normas que flexibilizaram exigências de formação em alguns segmentos do trânsito, gerando debates sobre os impactos dessas mudanças para a segurança viária.

Além disso, especialistas defendem que políticas voltadas aos entregadores deveriam avançar também em temas como jornadas de trabalho, pressão por produtividade, infraestrutura adequada para motociclistas e condições de circulação nas cidades.

Oportunidade e desafio

A MP 1.366/2026 chega em um momento em que milhões de brasileiros dependem da motocicleta para garantir renda. O acesso facilitado ao crédito pode ajudar trabalhadores a substituir veículos antigos, reduzir custos de manutenção e até migrar para tecnologias menos poluentes.

Mas os números do trânsito mostram que existe uma equação que não pode ser ignorada.

Se por um lado a medida amplia oportunidades econômicas, por outro reforça a necessidade de políticas públicas capazes de enfrentar a crescente mortalidade dos motociclistas. Afinal, financiar a compra de veículos é relativamente simples. O desafio maior continua sendo garantir que seus condutores retornem para casa em segurança ao final de cada jornada.

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Flexibilização da CNH vai parar no STF

qua, 17/06/2026 - 10:30
Ação da CNC no STF questiona mudanças nas regras de obtenção da CNH e reacende o debate sobre formação de condutores e segurança viária. Foto: Félix Carneiro/Governo do Tocantins

A flexibilização das regras para obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) voltou ao centro do debate sobre segurança viária no Brasil. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) questionando dispositivos da Resolução nº 1.020/2025, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

O processo foi distribuído ao ministro André Mendonça e coloca sob análise uma norma que promoveu mudanças significativas no processo de formação de condutores em todo o país.

Conforme a entidade, as alterações promovidas pela resolução comprometem a segurança no trânsito, enfraquecem mecanismos de fiscalização previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e extrapolam o poder regulamentar do Contran.

O que a CNC questiona

De acordo com a ação, a Resolução nº 1.020/2025 reduziu exigências em relação à formação de novos condutores e modificou a forma como realizar parte do processo de habilitação.

Entre os principais pontos contestados pela CNC estão:

  • a flexibilização das exigências para a formação de condutores;
  • a ampliação da oferta de cursos teóricos na modalidade a distância;
  • a autorização para atuação de instrutores autônomos, sem o modelo tradicional de credenciamento pelos órgãos estaduais de trânsito.

Na avaliação da entidade, essas mudanças alteram aspectos que estariam disciplinados em lei, ultrapassando os limites do poder regulamentar do Contran.

Debate sobre competências dos estados

Outro argumento apresentado na ação diz respeito à atuação dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).

De acordo com a CNC, a resolução invade competências dos estados e viola o pacto federativo ao retirar parte do papel fiscalizador exercido pelos órgãos estaduais.

A entidade questiona especificamente a inclusão automática de instrutores no aplicativo CNH Digital sem participação dos Detrans.

Para a confederação, essa mudança esvazia a fiscalização realizada pelos estados e reduz os instrumentos de controle sobre os profissionais envolvidos na formação de motoristas.

Segurança viária no centro da discussão

Ao levar o tema ao STF, a CNC sustenta que a flexibilização do processo de habilitação pode gerar impactos que vão além do setor econômico.

Conforme a entidade, o enfraquecimento dos mecanismos de formação e fiscalização pode aumentar os riscos nas vias urbanas e rodovias brasileiras, com reflexos diretos nos índices de sinistros, feridos e mortes no trânsito.

A confederação também argumenta que eventuais consequências negativas poderiam elevar os custos para o sistema público de saúde.

Além disso, afirma que as mudanças podem comprometer a atividade dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), especialmente em municípios de menor porte, onde essas empresas desempenham papel importante na oferta do serviço de habilitação.

Processo aguarda análise

A ação foi protocolada no Supremo Tribunal Federal sob o número ADI 7.978 e será analisada pelo ministro André Mendonça.

A partir do julgamento, a Corte deverá decidir se os dispositivos questionados permanecem válidos ou se extrapolaram os limites da competência normativa do Contran.

A discussão coloca novamente em evidência o equilíbrio entre modernização dos processos de habilitação, autonomia dos estados na fiscalização e a necessidade de preservar padrões considerados essenciais para a segurança viária.

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