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Quanto custa manter um carro em 2026? Zapay lista os principais gastos dos motoristas
O carro é o segundo maior compromisso financeiro das famílias brasileiras, atrás apenas da alimentação. De acordo com uma pesquisa da Serasa com 2.023 famílias, 67% dos proprietários confirmam que os custos com o veículo são o segundo maior gasto do orçamento, acima de contas básicas como água, luz e gás. Ainda assim, poucos motoristas têm clareza sobre o que compõe essa conta. Para mostrar como esses gastos impactam o orçamento, a Zapay, fintech especializada em débitos veiculares, listou os cinco principais custos de quem tem um carro no Brasil em 2026. Confira:
CombustívelO combustível é o maior custo recorrente de quem usa o carro no dia a dia. Estimativas do setor apontam que um motorista que percorre cerca de 1.000 km por mês gasta aproximadamente R$ 540 só em abastecimento, considerando gasolina a R$ 6,00 o litro e consumo médio de um veículo popular. É também o gasto mais subestimado, diluído em pequenos abastecimentos ao longo do mês, o impacto real no orçamento raramente é calculado com precisão.
SeguroO seguro automotivo varia conforme o perfil do motorista, a região e o modelo do veículo. De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), anualmente o seguro automotivo pode representar entre 3% e 7% do valor do veículo que, a depender do perfil do motorista, modelo e região, se traduz em custos mensais que vão de R$ 70 a mais de R$ 500. É um dos custos que mais surpreendem motoristas de primeira viagem, especialmente por se concentrar junto com outras despesas no início do ano.
ManutençãoRevisões periódicas, troca de óleo, freios, pneus e reparos compõem uma das fatias mais pesadas do orçamento automotivo. De acordo com o levantamento, a manutenção preventiva pode custar entre R$ 800 e R$ 1.200 ao ano, sem contar imprevistos. Já em uma pesquisa da Serasa/Zapay, troca ou conserto de pneus (50%), reparos mecânicos (46%) e multas (30%) lideram os gastos inesperados relatados pelos motoristas. Os dados reforçam que separar uma reserva mensal para manutenção é essencial para evitar que esses gastos peguem o motorista de surpresa.
DepreciaçãoO carro perde valor desde o momento em que sai da concessionária. Dados do setor apontam que veículos populares podem desvalorizar entre 10% e 15% ao ano nos primeiros anos de uso. Para quem pensa em trocar de veículo ou usa o carro como ativo, ignorar a depreciação distorce a percepção do custo real de ter um automóvel.
IPVA e licenciamentoO IPVA varia entre 2% e 4% do valor de mercado do veículo, dependendo do estado, dado confirmado pela legislação estadual vigente. Para um carro avaliado em R$ 90 mil em São Paulo, o imposto pode chegar a R$ 3.600 ao ano, ou R$ 300 por mês se diluído ao longo do exercício. Ainda assim, 21% dos proprietários ouvidos na pesquisa Serasa/Zapay entraram em 2025 sem saber como arcariam com o pagamento. Em 2025, 46% dos clientes da Zapay optaram por parcelar o imposto, e 43% desse grupo escolheu o parcelamento em 12 vezes.
O motorista brasileiro e o desafio do planejamentoMesmo com os custos, 57% dos proprietários ouvidos na pesquisa Serasa/Zapay afirmam que ter um veículo próprio vale a pena, com cerca de 63% que usam o carro todos os dias, principalmente para compras e tarefas do dia a dia (72%), deslocamento para o trabalho (66%) e transporte de familiares (60%).
O carro é essencial para a maioria dos brasileiros, mas o custo real vai muito além da parcela do financiamento. Organizar esses gastos ao longo do ano faz diferença no orçamento e evita surpresas.
Pelo aplicativo da Zapay, é possível consultar débitos veiculares gratuitamente e parcelar IPVA, licenciamento e multas em até 12 vezes.
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Quase 1 em cada 3 sinistros nas rodovias tem relação com a saúde do motorista, aponta estudo
Questões relacionadas à saúde física e mental dos motoristas estiveram por trás de quase um terço dos sinistros registrados nas rodovias federais brasileiras entre 2014 e 2024. O dado faz parte de um levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), elaborado com base em registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo a análise, 1.206.491 ocorrências tiveram relação com fatores como sono, ausência de reação, falta de atenção, transtornos mentais, mal súbito, uso de substâncias psicoativas, além de doenças oculares, problemas motores e neurológicos. Esse número representa 27,8% dos 4,3 milhões de sinistros contabilizados nas rodovias federais no período.
O levantamento surge em meio ao debate sobre a Medida Provisória 1.327/2025, que originalmente previa dispensar determinados condutores da realização de exames médicos na renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O texto acabou sendo alterado no Congresso Nacional para manter a obrigatoriedade do Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM).
De acordo com a Abramet, os dados reforçam a importância do acompanhamento periódico das condições de saúde dos condutores.
“Os números mostram que quase um em cada três sinistros nas rodovias federais têm como causa questões relacionadas à saúde física ou mental dos condutores. Ignorar a importância da realização dos exames de aptidão física e mental realizados pelos médicos do tráfego para renovação da CNH sob qualquer argumento, seria um equívoco”, afirma o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior.
Fator humano responde pela maior parte das ocorrênciasAlém das questões de saúde, o estudo aponta que outros 49% dos sinistros registrados nas rodovias federais tiveram relação com comportamentos inadequados dos condutores, classificados pela PRF como “fator humano”. Nesse grupo entram situações como excesso de velocidade assim como ultrapassagens em locais proibidos.
Somados, os fatores ligados ao comportamento e à saúde dos motoristas representam aproximadamente 80% de todas as ocorrências registradas no período analisado.
Já os problemas relacionados à infraestrutura viária corresponderam a 8% dos registros, enquanto falhas nos veículos representaram cerca de 7%. Aspectos ambientais, como chuva intensa e neblina, responderam por 4% das ocorrências.
Conforme a Abramet, a metodologia utilizada pela PRF permite identificar não apenas o tipo de sinistro, mas também os fatores que contribuíram para sua ocorrência, o que ajuda na elaboração de estratégias de prevenção.
Estados apresentam diferenças nos índicesA análise mostra ainda que o peso dos problemas de saúde varia entre os estados brasileiros. Em Roraima, por exemplo, as questões relacionadas à saúde estiveram presentes em 35,1% dos sinistros registrados. Mato Grosso do Sul aparece na sequência, com 32,1%, seguido por Pará (30,3%), Rio Grande do Sul (30,1%) e Piauí (30%).
Em números absolutos, Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 154.648 ocorrências relacionadas à saúde dos condutores. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo aparecem logo depois.
O estudo também chama atenção para as características das ocorrências nas rodovias federais. As colisões — frontais, traseiras e laterais — representaram mais da metade dos casos registrados entre 2014 e 2024. Na sequência aparecem saídas de pista, tombamentos, quedas e capotamentos.
Homens são maioria nos registrosOutro dado levantado pela Abramet aponta que os homens estiveram envolvidos em 66,1% dos sinistros registrados nas rodovias federais brasileiras. A predominância masculina se manteve na maior parte das categorias analisadas pela PRF.
Em relação à idade, a maior concentração de ocorrências foi observada entre condutores de 20 a 59 anos, especialmente nas faixas entre 30 e 39 anos e entre 20 e 29 anos.
O levantamento também identificou que jovens com até 19 anos e pessoas com 60 anos ou mais aparecem proporcionalmente mais entre as vítimas fatais, apesar de participarem menos do total de sinistros.
Renovação automática da CNH: retorno da exigência de examesO levantamento divulgado pela Abramet reforça um debate que ganhou destaque durante a tramitação da Medida Provisória 1.327/2025: a possibilidade de renovação automática da CNH para determinados condutores. Embora a proposta tenha surgido com a ideia de simplificar o processo, o texto aprovado no Congresso manteve a exigência dos exames médicos para renovação da habilitação.
De acordo com a Abramet, o acompanhamento periódico da saúde dos condutores continua sendo uma medida essencial para reduzir riscos no trânsito e prevenir mortes e feridos nas rodovias brasileiras.
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Atlas da Violência 2026: motociclistas já representam 41,6% das mortes no trânsito no Brasil
O trânsito brasileiro matou 37.150 pessoas em 2024 e consolidou uma mudança preocupante no perfil da violência viária: os motociclistas já representam mais de 4 em cada 10 mortes registradas no país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Conforme o levantamento, as motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% dos óbitos no trânsito em todo o Brasil. O número de mortes em sinistros envolvendo motos passou de 11.182, em 2019, para 15.459 em 2024, crescimento de 38% no período. Para os pesquisadores, a expansão da economia de aplicativos e o uso da motocicleta como instrumento de trabalho alteraram profundamente a dinâmica da mobilidade urbana e da mortalidade viária brasileira.
O relatório trata o trânsito como uma das principais frentes da violência letal no país. Assim, aproximando o debate da segurança viária de questões estruturais como desigualdade social, precarização do trabalho e ausência de proteção aos usuários mais vulneráveis do sistema viário.
O trânsito além da mobilidadeO Atlas da Violência 2026 reforça uma mudança importante na forma como o trânsito vem sendo analisado no Brasil. Mais do que um problema de circulação urbana ou fiscalização, os pesquisadores passam a tratar a mortalidade viária como um fenômeno social de grande impacto na saúde pública e na segurança da população.
O documento destaca que o aumento das mortes no trânsito está diretamente ligado às transformações econômicas e urbanas dos últimos anos. Ou seja, especialmente ao crescimento do trabalho por aplicativos e ao avanço da motocicleta como alternativa de renda para milhões de brasileiros.
“Quando o trânsito mata nessa escala, ele deixa de ser apenas um problema viário e passa a ser uma questão de saúde pública, trabalho e segurança”, explica Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.
Para ele, os números mostram que o debate sobre segurança viária precisa ir além da análise tradicional baseada apenas no comportamento individual dos condutores. “Mais do que cumprir regras, o trânsito exige compreensão de risco e responsabilidade coletiva. Isso inclui discutir infraestrutura, formação de condutores, condições de trabalho e políticas públicas voltadas aos usuários mais vulneráveis”, afirma.
Mortes com motos crescem em todo o paísO Atlas aponta que a motocicleta passou a ocupar papel central na mobilidade brasileira, principalmente em regiões com menor oferta de transporte público e maior presença da informalidade.
Com menor custo de aquisição e manutenção em comparação ao automóvel, a moto se tornou alternativa de deslocamento e, principalmente, ferramenta de trabalho. O problema é que esse crescimento veio acompanhado de maior exposição ao risco.
Entre 2019 e 2024, o Brasil registrou aumento de 38% nas mortes em sinistros envolvendo motocicletas. O salto de 11.182 para 15.459 mortes evidencia uma mudança importante no perfil da violência no trânsito brasileiro.
O relatório destaca ainda que trabalhadores ligados à economia de aplicativos estão entre os grupos mais expostos ao risco letal no cotidiano urbano. Isso acontece em razão de fatores como:
- jornadas extensas;
- pressão por produtividade;
- maior tempo de exposição no trânsito;
- ausência de proteção social.
Embora o documento não atribua o problema exclusivamente aos aplicativos, os pesquisadores apontam que a dinâmica econômica atual contribuiu para ampliar a vulnerabilidade dos motociclistas nas cidades brasileiras.
Norte e Nordeste concentram cenário mais críticoO Atlas também chama atenção para a desigualdade regional da violência no trânsito. De acordo com o levantamento, as regiões Norte e Nordeste concentram os cenários mais preocupantes relacionados às mortes de motociclistas.
O caso mais emblemático citado no estudo é o do Piauí. Em 2024, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas no estado — índice muito acima da média nacional.
Para os pesquisadores, isso mostra como a motocicleta se consolidou como principal meio de transporte e instrumento de sobrevivência econômica em diversas regiões do país.
Além da questão econômica, especialistas apontam que fatores como infraestrutura precária, fiscalização insuficiente, crescimento acelerado da frota e fragilidade da mobilidade urbana ajudam a explicar o avanço das mortes.
Segurança viária passa por discussão estruturalO Atlas da Violência 2026 reforça que o enfrentamento da mortalidade no trânsito exige políticas públicas mais amplas e integradas. A discussão envolve desde educação para o trânsito até planejamento urbano, infraestrutura segura e condições de trabalho.
Para Celso Mariano, a discussão precisa ir além da punição e focar prevenção, educação e escolhas seguras.
“O erro humano continua existindo, mas os ambientes viários precisam ser mais tolerantes aos erros. Quando há pressão econômica, fadiga e exposição constante ao risco, o sistema precisa oferecer mais proteção”, avalia.
Os dados do Atlas ainda devem alimentar novos debates sobre segurança dos motociclistas, condições do trabalho por aplicativos e políticas públicas voltadas à redução da violência no trânsito. Na próxima reportagem da série, o Portal do Trânsito vai aprofundar justamente a relação entre precarização do trabalho e o aumento das mortes envolvendo motociclistas no Brasil.
Clique aqui e acesse o Atlas da Violência 2026 na íntegraThe post Atlas da Violência 2026: motociclistas já representam 41,6% das mortes no trânsito no Brasil appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Maio Preto denuncia omissão do poder público diante da violência no trânsito
A morte de uma jovem de 20 anos, atropelada enquanto caminhava na calçada em Ipanema, no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre segurança viária no Brasil e sinaliza para a importância de uma verdadeira campanha de redução de mortes trânsito no país, envolvendo gestores públicos e toda a sociedade. O Maio Preto é um movimento que propõe um contraponto ao Maio Amarelo, com o objetivo de denunciar a falta de ação efetiva das autoridades diante das mais de 35 mil mortes registradas todos os anos no trânsito brasileiro.
O caso da jovem atropelada no Rio de Janeiro chamou a atenção por se tratar de filha de diplomatas brasileiros, o que motivou até mesmo referência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou carta de solidariedade à família.
“As mortes no trânsito acontecem todos os dias e todas elas mereceriam esse destaque”, analisa Daniel Bassoli, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive).
O diretor destaca, ainda, que o episódio também expõe uma contradição difícil de ignorar: o trânsito brasileiro continua produzindo números de guerra mesmo com leis, resoluções, metas nacionais e campanhas públicas já consolidadas.
Entre 2010 e 2019, o Brasil registrou média anual superior a 35 mil mortes no trânsito e mais de 300 mil feridos graves por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. “Houve uma redução importante nos índices a partir de 2014, mas essa queda perdeu força e não se consolidou como política estrutural de segurança viária”, aponta Bassoli.
ProblemasProblemas históricos como fiscalização insuficiente, envelhecimento da frota, ausência de inspeção técnica periódica e baixo cumprimento das normas de trânsito são alguns dos fatores que impactaram nas estatísticas. Segundo o Anuário Estatístico 2025 da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2025 as rodovias federais brasileiras registraram 72.529 sinistros de trânsito, com 6.043 mortes e 83.550 feridos.
“O Brasil não sofre por falta de legislação de trânsito. Sofre pela incapacidade de fazer cumprir aquilo que já está regulamentado. O Maio Preto é um alerta para essa omissão estrutural”, reflete Bassoli.
De acordo com o diretor da Fenive, o Brasil possui legislação suficiente para reduzir drasticamente as mortes no trânsito. O desafio é superar a incapacidade do poder público de garantir o cumprimento das normas já existentes. “Campanha educativa é importante, mas campanha sem fiscalização, sem inspeção e sem cumprimento das leis não reduz mortes de forma consistente”, afirma.
BurocraciaA crítica envolve não apenas a demora na publicação de resoluções importantes, mas, principalmente, a ausência de fiscalização contínua, a demora na correção de falhas sistêmicas, a falta de apuração de denúncias e o não cumprimento efetivo de medidas já regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Na opinião de Daniel Bassoli, há casos em que o próprio poder público acaba flexibilizando exigências previstas em lei. Um exemplo recente é a Medida Provisória 1.360, que altera regras relacionadas ao transporte por motocicletas e impacta exigências previstas no artigo 139-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), na Lei 12.009/2009 – lei federal que regulamenta o exercício das atividades de mototáxi e motofrete no Brasil – e em dispositivos da Resolução Contran 943, que tratam da regulamentação e das condições de segurança para motofrete e mototáxi. Segundo ele, mudanças sem fiscalização adequada e sem fortalecimento dos mecanismos de controle ampliam a sensação de fragilidade regulatória no trânsito brasileiro.
PnatransO Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), alinhado às metas da ONU para a Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, estabeleceu como objetivo reduzir em pelo menos 50% o índice nacional de mortes no trânsito até 2030, tomando como referência os dados de 2020. “Metas sem cronograma público, fiscalização permanente e responsabilização acabam se transformando apenas em compromissos formais”, critica o diretor.
Bassoli exemplifica que o mesmo ocorre com resoluções técnicas importantes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), como a Resolução 810, que trata da classificação de danos e regularização de veículos sinistrados, e a Resolução 859, voltada aos sistemas de segurança obrigatórios em caminhões basculantes – e que desde 2015 está sem efetividade. Embora sejam normas criadas justamente para reduzir riscos e evitar acidentes graves, a aplicação prática enfrenta problemas recorrentes, como baixa fiscalização, ausência de integração entre os órgãos responsáveis, dificuldades operacionais e sucessivas tentativas de adiamento ou flexibilização das exigências.
“O sistema brasileiro cria resoluções técnicas importantes, mas muitas vezes elas ficam sem fiscalização efetiva, sofrem postergações ou enfrentam pressões para não sair do papel”, afirma Bassoli.
Outro ponto de preocupação é o crescimento desordenado dos ciclomotores, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos nas cidades brasileiras. Embora existam regras específicas para circulação e exigência de equipamentos obrigatórios, a fiscalização é considerada insuficiente em grande parte dos municípios, permitindo circulação irregular, ausência de equipamentos de segurança e desrespeito frequente às leis de trânsito.
Outro fator crítico, destaca o diretor da Fenive, é o envelhecimento acelerado da frota brasileira.Dados da Senatran mostram que o Brasil já ultrapassa 123 milhões de veículos em circulação. Paralelamente, estados ampliam políticas de isenção de IPVA para veículos antigos sem exigir qualquer tipo de inspeção técnica obrigatória. São decisões que contribuem para manter em circulação veículos envelhecidos, frequentemente sem manutenção adequada e sem controle mínimo das condições de segurança. “Toda morte no trânsito deveria gerar indignação pública. São situações evitáveis, porém o País parece ter se acostumado às milhares de mortes todos os anos”, ressalta.
Conforme ele, o Maio Preto representa justamente o luto silencioso de milhares de famílias brasileiras e a necessidade urgente de transformar segurança viária em política pública permanente, baseada em fiscalização efetiva, inspeção técnica, cumprimento das resoluções do Contran e responsabilização dos órgãos encarregados de executar essas medidas. “O Maio Preto representa o luto silencioso das famílias brasileiras que perderam alguém no trânsito enquanto o poder público continua tratando segurança viária apenas como campanha sazonal”, conclui Bassoli.
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IRPF 2026: motorista de aplicativo precisa declarar? Entenda o passo a passo
A temporada de declaração do Imposto de Renda traz dúvidas específicas para um grupo crescente de trabalhadores: os motoristas de aplicativo. Uber, 99, Lalamove e inDrive reúnem centenas de milhares de profissionais no Brasil e, diferentemente de quem recebe salário via CLT, esses trabalhadores precisam organizar suas próprias contas com o Fisco.
O ponto central é que as plataformas não são empregadoras. Elas apenas intermediam a relação entre motorista e passageiro, cobrando uma taxa pelo serviço. Por isso, não repassam automaticamente à Receita Federal informações sobre quanto cada motorista ganhou ao longo do ano. A responsabilidade de apurar e recolher o imposto recai integralmente sobre o profissional, por meio do carnê-leão, com recolhimento mensal.
Para fins de cálculo, motoristas e taxistas podem deduzir 40% da receita bruta como despesas operacionais, como combustível, manutenção e depreciação do veículo. Os 60% restantes compõem a base de cálculo do imposto. Caso esse valor ultrapasse R$ 35.584 anuais, a declaração é obrigatória. Se o trabalhador tiver outras fontes de renda, elas devem ser somadas à parcela tributável, mantendo-se o mesmo limite de obrigatoriedade.
RendaSegundo levantamento da fintech GigU, a renda líquida dos motoristas varia conforme a cidade e a carga horária. Em São Paulo, por exemplo, um profissional que trabalha 60 horas por semana tem lucro médio de R$ 4.252,24 após custos como combustível e IPVA. No Rio de Janeiro, a média é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas, enquanto em Belo Horizonte o lucro gira em torno de R$ 3.554,58 na mesma carga horária.
“É uma atividade que exige bastante, mas a autonomia e a rentabilidade, superiores às de algumas ocupações tradicionais, acabam sendo um grande atrativo”, afirma Luiz Gustavo Neves, co-fundador e CEO da plataforma.
Deve-se preencher o carnê-leão, disponível no sistema Meu Imposto de Renda da Receita Federal, mês a mês. Declarar os ganhos apenas na entrega anual pode gerar multa diária de 0,33% sobre o valor devido, limitada a 20% do imposto, além de juros de 1% ao mês.
Como preencherNa prática, o preenchimento é simples. Após acessar o carnê-leão, o motorista informa os valores recebidos mensalmente. Na declaração anual, os 60% tributáveis devem ser lançados na ficha “Rendimentos recebidos de pessoa física”, enquanto os 40% restantes entram como “Rendimentos isentos e não tributáveis”. Quem já realizou os lançamentos mensais pode importar os dados diretamente, reduzindo o risco de erros e multas.
O cenário evidencia uma transformação silenciosa no mercado de trabalho brasileiro. Com o avanço do trabalho autônomo, das plataformas digitais e dos serviços sob demanda, cresce também a necessidade de disciplina financeira e conhecimento fiscal. Para muitos motoristas, entender essas regras é tão importante quanto conhecer o melhor caminho para otimizar as corridas e garantir o rendimento mensal.
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Anuário da PRF revela mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2025
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou, neste mês, seu mais recente Anuário Estatístico que traça um retrato preocupante das rodovias federais brasileiras em 2025. Mesmo distante dos piores momentos da série histórica, o país ainda registrou 72.529 sinistros, 83.550 pessoas feridas e 6.043 mortes nas BRs federais ao longo do último ano.
Os dados mostram que, após uma forte queda observada até 2020, os índices de violência no trânsito voltaram a crescer gradualmente nos últimos anos. O cenário reforça o desafio brasileiro de reduzir de forma consistente a mortalidade nas estradas, apesar do aumento da fiscalização, da tecnologia embarcada nos veículos e das campanhas de conscientização.
Além dos números absolutos, o anuário chama atenção para fatores estruturais e comportamentais que seguem influenciando diretamente a gravidade dos sinistros, como pistas simples, excesso de velocidade, falhas de percepção dos condutores e colisões frontais.
Série histórica mostra queda em relação ao passado, mas tendência preocupaA análise histórica apresentada pela PRF mostra que o Brasil atingiu seu pico de violência nas rodovias federais entre 2010 e 2012. Em 2011, por exemplo, foram registrados:
- 192.322 sinistros;
- 106.827 feridos;
- 8.675 mortes.
Em 2020, durante a pandemia e com menor circulação nas estradas, o país chegou ao menor patamar da série histórica, com 5.292 mortes. Já em 2025, o número voltou a ultrapassar 6 mil óbitos.
Embora os indicadores atuais estejam abaixo dos registrados há mais de uma década, especialistas alertam que o crescimento gradual observado após 2020 merece atenção.
Para Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o país parece enfrentar uma espécie de estagnação na segurança viária. “O Brasil conseguiu reduzir significativamente os números ao longo dos últimos anos, mas agora enfrenta dificuldade para avançar além disso. Isso mostra que fiscalização e campanhas são importantes, mas talvez já não sejam suficientes sozinhas”, avalia.
Minas Gerais, Paraná e Bahia lideram número de mortesO anuário mostra que Minas Gerais continua concentrando os piores indicadores de sinistralidade do país. O estado liderou o número de mortes em rodovias federais em 2025, com 765 óbitos registrados.
Na sequência aparecem:
- Paraná: 593 mortes;
- Bahia: 583;
- Santa Catarina: 434;
- Pernambuco: 336.
Os dados refletem não apenas o tamanho territorial dos estados, mas também a intensidade do fluxo rodoviário, a presença de corredores logísticos e a concentração de veículos pesados.
No caso do Paraná e de Santa Catarina, por exemplo, rodovias federais convivem diariamente com tráfego intenso de cargas, turismo e deslocamentos urbanos.
BR-101 e BR-116 continuam entre as mais críticasAs BRs 101 e 116 seguem concentrando o maior volume de sinistros do país. Segundo a PRF, essas rodovias continuam sendo os principais corredores de ocorrências em nível nacional.
O trecho da BR-101 em Santa Catarina aparece como o segmento com maior número de sinistros do Brasil, com 4.222 registros em 2025. Já a BR-381, em Minas Gerais, foi apontada como a mais letal, contabilizando 158 mortes no período.
A combinação entre tráfego intenso, circulação de caminhões, áreas urbanizadas e alto fluxo diário ajuda a explicar os índices elevados.
Pistas simples seguem muito mais letaisUm dos dados que mais chamam atenção no levantamento da PRF envolve o tipo de pista. Embora o número de sinistros em pistas simples e duplas seja relativamente próximo, a diferença no número de mortes é expressiva:
- pistas duplas: 30.782 sinistros e 1.603 mortes;
- pistas simples: 34.733 sinistros e 4.143 mortes.
Na prática, isso significa que a chance de um sinistro resultar em morte é muito maior em rodovias sem separação física entre os fluxos.
O dado amplia o debate sobre infraestrutura viária e segurança no trânsito brasileiro.
“Quando uma falha acontece em pista simples, normalmente o impacto é muito mais severo. O sistema viário precisa ser pensado para reduzir as consequências do erro humano”, explica Celso Mariano.
Colisão frontal continua sendo a mais fatalA colisão traseira aparece como o tipo de sinistro mais frequente nas rodovias federais, com 14.360 registros em 2025.
No entanto, a colisão frontal continua sendo disparadamente a mais letal. Mesmo ocupando apenas o quinto lugar em frequência, ela provocou 1.863 mortes ao longo do ano.
Os atropelamentos de pedestres também preocupam. Foram 919 mortes para um total de 3.057 ocorrências.
De acordo com especialistas, esses dados reforçam como determinados tipos de sinistros possuem potencial destrutivo muito maior, especialmente em ambientes rodoviários de alta velocidade.
Falhas humanas lideram causas dos sinistrosO anuário mostra que fatores ligados ao comportamento e à percepção dos condutores continuam predominando entre as principais causas de sinistros.
A “ausência de reação do condutor” liderou o ranking, com 11.469 ocorrências e 855 mortes. Já a “reação tardia ou ineficiente” apareceu em 10.799 sinistros.
Outro dado que chama atenção é o número de mortes relacionadas a veículos transitando na contramão. Embora menos frequente, essa conduta foi responsável por 961 mortes em 2025, tornando-se a causa mais letal proporcionalmente.
Velocidade incompatível e ingestão de álcool também seguem entre os fatores críticos apontados pela PRF.
Educação e prevenção seguem como desafioAlém da fiscalização, o anuário destaca programas educativos desenvolvidos pela PRF, como o Cinema Rodoviário, o Educar PRF e o Festival de Teatro para o Trânsito (FETRAN).
As iniciativas buscam promover mudança de comportamento e conscientização sobre riscos no trânsito, especialmente entre crianças, adolescentes e motoristas profissionais.
Para Mariano, porém, os números mostram que o Brasil ainda precisa aprender a transformar estatísticas em políticas permanentes de prevenção.
“Fiscalização é importante, mas ela precisa caminhar junto com investimentos em infraestrutura, educação para o trânsito e planejamento viário para que as mortes nas rodovias realmente diminuam de forma consistente”, afirma Celso Mariano.
Clique aqui e acesse o Anuário completo da PRFThe post Anuário da PRF revela mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2025 appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Fiscalização eletrônica pode reduzir gravidade de sinistros com motos, aponta estudo em São Paulo
Motociclistas vítimas de sinistros graves em São Paulo estavam, em sua maioria, circulando por vias sem fiscalização eletrônica. É o que revela um estudo inédito realizado pelo Instituto Cordial em parceria com a Abramet, com apoio da Uber, a partir da análise de casos atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HDC).
O levantamento acompanhou a jornada de pacientes internados após sinistros de trânsito com moto e identificou uma forte relação entre a ausência de fiscalização viária e a gravidade das ocorrências. Segundo os dados, 95% dos acidentes analisados aconteceram em locais sem qualquer tipo de fiscalização eletrônica.
A pesquisa também apontou problemas relacionados à sinalização, infraestrutura urbana e comportamento de risco, reforçando o debate sobre segurança viária para motociclistas — atualmente um dos grupos mais vulneráveis no trânsito brasileiro.
Infraestrutura aparece como fator importante nos sinistrosOs dados obtidos junto às vítimas internadas no Hospital das Clínicas mostram um cenário considerado preocupante em relação às condições das vias onde ocorreram os acidentes.
Além da ausência de radares em 95% dos locais analisados, quase 70% dos motociclistas relataram que não havia sinalização de limite de velocidade nas vias. Nos acidentes registrados em cruzamentos — que representaram 28% da amostra — apenas 26% ocorreram em locais com semáforo.
Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a chamada “dinâmica de corredor”, situação em que motociclistas circulam entre veículos. Pelo menos 35% dos acidentes envolveram esse tipo de deslocamento.
O estudo também identificou que cerca de 21% das vítimas não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida.
Já em relação aos horários, os acidentes ocorreram com maior frequência às quintas-feiras, entre 5h e 8h da manhã.
Hospital atende casos de alta complexidadeDe acordo com os responsáveis pela pesquisa, o perfil do Hospital das Clínicas foi fundamental para compreender a gravidade dos casos analisados.
Por ser uma unidade estritamente referenciada, o hospital recebe pacientes encaminhados por serviços de resgate, como o SAMU, além de outras unidades de saúde. Assim, concentrando ocorrências de alta complexidade.
A análise dos dados hospitalares demonstrou que locais com presença de fiscalização eletrônica estavam associados a perfis de sinistros relativamente menos graves, mesmo considerando o padrão severo dos casos atendidos pela instituição.
Para os pesquisadores, o resultado reforça a importância de medidas voltadas à redução de velocidade e à proteção dos usuários mais vulneráveis do sistema viário. “A segurança viária não pode depender exclusivamente do comportamento individual do motociclista ou de suas escolhas”, destaca Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial.
“A infraestrutura e a gestão de vias precisam estar preparadas para absorver a inevitabilidade do erro humano, reduzindo sua gravidade e evitando a letalidade, tal como preconizado na abordagem dos Sistemas Seguros, defendida pela ONU, OMS e Ministério dos Transportes. A pesquisa mostra que muitos destes fatores ligados à via precisam melhorar, dos quais a sinalização e a fiscalização de velocidade se destacam”, argumenta.
Estudo também relaciona fiscalização à redução da letalidadeO relatório ainda chama atenção para os impactos do enfraquecimento de políticas de fiscalização no trânsito.
Segundo o estudo, o relaxamento da fiscalização eletrônica pode contribuir para o aumento de mortos e feridos. Ou seja, principalmente por reduzir a eficácia no combate ao excesso de velocidade.
O levantamento também cita mudanças recentes no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como a ampliação do limite para suspensão da CNH para até 40 pontos. Nesse sentido, apontando que isso prolonga a permanência de condutores infratores nas vias antes da aplicação de sanções mais severas.
A discussão ganha relevância diante do crescimento da frota de motocicletas e do aumento da participação desse tipo de veículo nos deslocamentos urbanos e no trabalho por aplicativos e entregas.
“A Uber entende que, por meio de pesquisas como essa, é possível enfrentar o problema da segurança viária como sociedade. Sabemos que o trânsito é um ecossistema que precisa de iniciativas tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Por conta disso, seguimos investindo intensamente em melhorias baseadas em dados que estudos como esse podem trazer”, afirma Rafael Thosi, Líder de Operações de Segurança da Uber no Brasil.
Como o estudo foi realizadoO projeto reuniu uma investigação multidisciplinar baseada em fontes primárias e entrevistas realizadas entre agosto de 2025 e março de 2026.
Ao todo, foram feitas 93 entrevistas com vítimas de sinistros envolvendo motocicletas. O trabalho contou com apoio de profissionais de saúde do Hospital das Clínicas. Além disso, utilizou também dados territoriais e informações secundárias para análise detalhada de cada caso.
Segundo os organizadores, esta foi a primeira pesquisa sobre o tema a conseguir mapear com elevado nível de detalhamento as circunstâncias de cada sinistro envolvendo motociclistas atendidos pela unidade hospitalar.
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Renovação automática da CNH não deve acontecer mais; entenda
Quando o governo federal editou a Medida Provisória (MP) 1.327/2025, um dos pontos que mais chamou a atenção dos brasileiros foi a possibilidade de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta previa que, em determinados casos, o processo pudesse acontecer diretamente pelo aplicativo “CNH do Brasil”, sem necessidade de exames presenciais.
A ideia rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e em reportagens sobre modernização e desburocratização dos serviços públicos. No entanto, após a tramitação da medida no Congresso Nacional, o cenário mudou significativamente.
O relatório aprovado na comissão mista responsável pela análise da MP retomou a obrigatoriedade dos exames médicos para renovação da CNH. Na prática, especialistas avaliam que isso esvazia a principal promessa da chamada “renovação automática”.
O que previa a MP da renovação automática da CNH?Quando foi publicada, a MP 1.327/25 propunha uma série de mudanças no sistema de trânsito brasileiro. Entre elas, a criação de um modelo mais automatizado para a renovação da habilitação.
A lógica seria baseada principalmente em:
- integração nacional de dados;
- uso do aplicativo “CNH do Brasil”;
- cruzamento eletrônico de informações;
- utilização do Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
A proposta indicava que condutores sem restrições e com situação regular poderiam renovar a CNH de forma praticamente automática, sem a necessidade de passar novamente por avaliações presenciais. Para utilizar o serviço, o condutor deveria aderir ao Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), que concede o selo de “Bom Condutor”, e precisava atender os seguintes requisitos:
- Não ter cometido infrações nos últimos 12 meses;
- Estar com a CNH vencida a partir de 1º de dezembro de 2025;
- Não possuir restrições médicas;
- Ter completado o prazo de validade do documento.
Foi justamente esse ponto que gerou maior repercussão pública.
O que mudou no Congresso?Durante a tramitação da MP, parlamentares e especialistas levantaram preocupações relacionadas à segurança viária e à importância das avaliações periódicas dos condutores. Com isso, o texto passou por alterações importantes.
A principal delas foi a volta da obrigatoriedade dos exames médicos para renovação da CNH, inclusive nos casos que poderiam ser automatizados pelo sistema digital.
Ou seja, embora o processo continue podendo ser iniciado eletronicamente e tenha etapas mais simplificadas, a avaliação médica permanece obrigatória.
Na prática, isso significa que a chamada “renovação automática” perde grande parte do efeito originalmente anunciado.
Então a renovação automática da CNH acabou?Na prática, sim — ao menos da forma como foi inicialmente divulgada.
Isso porque a expressão “renovação automática” criou na população a percepção de que seria possível renovar a habilitação sem qualquer tipo de reavaliação presencial.
Com a manutenção dos exames médicos obrigatórios, isso não deve acontecer.
O que permanece, provavelmente, é a digitalização do processo. Ou seja:
- solicitação eletrônica;
- integração de dados;
- envio digital de informações;
- acompanhamento pelo aplicativo;
- automatização de etapas administrativas.
Mas não haverá renovação sem análise de aptidão física e mental do condutor.
Por que os exames médicos são importantes?A decisão do Congresso reforçou um entendimento considerado essencial por especialistas em segurança viária: os exames de aptidão não representam apenas uma etapa burocrática. Eles têm a função de verificar se o motorista continua em condições seguras para dirigir.
Durante o processo de renovação, podem ser identificados problemas como: perda significativa da visão, limitações motoras, comprometimentos cognitivos, doenças neurológicas, condições que afetam reflexos e percepção e uso de medicamentos incompatíveis com a condução segura.
Além disso, o envelhecimento natural pode alterar capacidades importantes para a direção, o que torna a reavaliação periódica uma ferramenta relevante de prevenção.
O que muda daqui para frente?A partir de agora, o modelo de renovação da CNH deve seguir um caminho híbrido. Ou seja, o cidadão poderá ter mais facilidade no processo administrativo, mas continuará precisando comprovar que está apto para dirigir.
A mudança mostra que o Congresso aceitou avançar na digitalização dos serviços de trânsito, mas estabeleceu limites quando o assunto envolve segurança viária e avaliação das condições do condutor.
E quem está com a CNH vencendo agora?Para quem está com a habilitação vencendo neste momento, a recomendação é acompanhar os canais oficiais do Detran do seu estado e verificar a situação pelo aplicativo CNH do Brasil. Isso porque o presidente irá sancionar a nova regra e ela precisará p0assar por regulamentação antes da implementação definitiva.
Além disso, os procedimentos poderão variar temporariamente conforme a adaptação dos sistemas estaduais.
Na prática, a orientação é não presumir que a renovação ocorrerá automaticamente sem qualquer etapa adicional.
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Mobilidade urbana e custo de vida: ainda vale a pena ter carro?
Se locomover nas cidades, principalmente nas maiores e nas metrópoles, não é tarefa fácil. A mobilidade urbana como um todo passa por diversos desafios: falta de infraestrutura de ruas e avenidas, excesso de veículos, transporte público caro e ineficiente, em sua maioria, entre muitos outros.
Para se esquivar um pouco dos problemas, muitas pessoas recorrem a soluções individuais. Entre elas, o carro ainda segue sendo a opção número um para quem busca ter mais conforto e autonomia no trânsito. Muito embora o mercado de motos esteja aquecido, o número de carros nas ruas segue sendo superior.
A presença do carro no cotidiano familiarSegundo dados da PNAD Contínua, quase metade dos domicílios brasileiros possui pelo menos um carro, enquanto um quarto tem apenas motocicletas e cerca de 13% tem carro e moto. Na prática, são mais de 77 milhões de veículos e 35 milhões de motos circulando nas ruas brasileiras.
O carro possui diferenças importantes em relação a moto. Apesar de serem mais caros para adquirir, quando postos em comparação, o carro permite realizar viagens em família, possui porta-malas para guardar compras de supermercado, além de apresentar mais segurança no trânsito, muito pelo fato de ser uma “redoma de aço” e pelos itens que oferece, como air-bags.
Contudo, manter um carro pode representar um custo alto para as famílias. De acordo com levantamento feito pela Serasa, 67% dos lares têm o custo com o automóvel como um dos três principais gastos do lar, ficando apenas atrás dos gastos com alimentação.
Para estes brasileiros, o carro serve principalmente para fazer compras e tarefas do dia a dia, para lazer como passeios e como meio de transporte para trabalho ou local de estudo. Quase metade dos entrevistados pela pesquisa afirma também o uso para viagens a turismo.
Custos visíveis e invisíveis do automóvel próprioSeja um carro novo ou usado, o fato é que possui vários custos fixos que podem pesar no orçamento. Entre eles, as obrigações como IPVA e licenciamento aparecem todo ano. O seguro, embora não seja obrigatório, é um custo fixo para quem o contrata. No caso de um carro financiado, deve-se considerar o valor das parcelas como algo igualmente fixo.
Já entre os custos variáveis, é possível colocar o gasto com combustível (que varia conforme eficiência energética do carro, distância percorrida, tipo de combustível usado, entre outros), com manutenção (inclui-se a corretiva e também a preventiva, como troca de pneus, óleo, etc.) e também o que se gasta com estacionamento, pedágios, aluguel de vaga, entre outros.
Sendo assim, estima-se que um carro popular custa mensalmente, em média, R$ 2 mil, o que pode variar para mais ou para menos, dependendo do tipo de veículo, de quanto se roda por mês, se a manutenção do carro está em dia, entre outros fatores.
Alternativas ao carro próprioPor se tratar de um valor alto, é normal que muitas pessoas busquem alternativas. Por vezes, alternar com o transporte público pode ser viável para obter alguma economia. Muitas pessoas também optam pelo aluguel do carro somente aos finais de semana ou para alguma viagem programada.
O carro por assinatura também pode aparecer como uma opção para quem precisa mais do carro e busca um pouco de economia e menos burocracia. Até mesmo o transporte por aplicativo pode ser mais econômico, quando comparado com os gastos mensais que um carro proporciona.
De qualquer forma, é preciso ter um bom controle financeiro para saber o que vale a pena. Afinal, as necessidades variam de pessoa para pessoa. Manter as finanças organizadas auxilia muito na tomada de decisão, seja para colocar os gastos do carro próprio na ponta do lápis ou para entender qual cenário é mais vantajoso.
Levando em consideração o que é melhor para o orçamento, é possível até mesmo chegar a alguma economia no final do mês. Esse dinheiro pode ser usado para opções de investimento e título de capitalização, por exemplo, cuja rentabilidade e garantias podem certamente ajudar financeiramente no futuro.
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Tarifa zero no transporte pode atuar como “novo Bolsa Família”, aponta estudo
A possibilidade de implantar tarifa zero no transporte público brasileiro pode ir além da mobilidade urbana e se tornar uma política de impacto social semelhante ao Bolsa Família. É o que aponta um estudo recente divulgado pela Agência Brasil, com base em pesquisa acadêmica sobre o tema.
Conforme o levantamento, a gratuidade no transporte coletivo teria potencial para liberar renda no orçamento das famílias, funcionando como uma espécie de “salário indireto”.
Impacto econômico pode chegar a bilhõesDe acordo com o estudo, a implementação da tarifa zero nas capitais brasileiras poderia gerar uma movimentação expressiva na economia.
A estimativa aponta para um impacto total de cerca de R$ 60 bilhões por ano, considerando o dinheiro que deixaria de ser gasto com passagens e passaria a circular no consumo de bens e serviços.
Desse total, aproximadamente R$ 14,7 bilhões já circulam atualmente devido a gratuidades existentes — como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência. Isso significa que a injeção adicional seria de cerca de R$ 45,6 bilhões em novos recursos na economia.
Transporte gratuito como política socialA lógica por trás da proposta é simples: ao eliminar o custo do deslocamento diário, o trabalhador passa a ter mais renda disponível para outras necessidades.
Na prática, isso amplia o acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e emprego, além de reduzir desigualdades sociais e territoriais.
Pesquisadores destacam que o efeito distributivo da medida pode ser comparável ao de programas de transferência direta de renda, especialmente por atingir milhões de pessoas de forma ampla e contínua.
Debate envolve mobilidade e sustentabilidade do sistemaApesar do potencial impacto positivo, a adoção da tarifa zero ainda levanta desafios, principalmente relacionados ao financiamento do sistema de transporte.
Atualmente, o modelo brasileiro depende da cobrança de tarifas pagas pelos usuários, complementadas, em alguns casos, por subsídios públicos. A mudança exigiria novas fontes de custeio e reorganização da política de mobilidade urbana.
A discussão também envolve estados e municípios, responsáveis pela gestão do transporte público local.
Experiências já existem no BrasilA gratuidade no transporte público não é uma ideia inédita. O modelo já é adotado integralmente em dezenas de municípios brasileiros, principalmente de pequeno e médio porte, além de iniciativas parciais em grandes cidades, como gratuidade em dias específicos.
Essas experiências ajudam a embasar o debate nacional e indicam caminhos possíveis para ampliação da política.
Relação com segurança viária e mobilidadeEmbora o foco principal da proposta seja econômico e social, a tarifa zero também pode ter reflexos indiretos na segurança viária.
Com maior acesso ao transporte coletivo, há potencial de redução do uso de veículos individuais, o que pode impactar o volume de tráfego e, consequentemente, o risco de sinistros nas vias urbanas.
Debate deve avançar nos próximos anosA discussão sobre tarifa zero vem ganhando espaço no país, impulsionada pela necessidade de repensar o modelo atual de financiamento do transporte público.
Ao associar mobilidade urbana à distribuição de renda, o estudo reforça que políticas de transporte podem ter papel estratégico não apenas na circulação de pessoas, mas também na redução das desigualdades e no desenvolvimento econômico.
A partir dessas evidências, o tema tende a avançar no debate público, exigindo análises mais aprofundadas sobre viabilidade, custos e benefícios para a sociedade.
As informações são da Agência Brasil
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Pequenos hábitos no trânsito que podem evitar grandes prejuízos no fim do mês
Você sabe como economizar no trânsito sem mudar sua rotina? Muita gente associa a economia no trânsito apenas ao preço do combustível. Mas, na prática, os maiores gastos com o carro normalmente aparecem em detalhes que passam despercebidos no dia a dia.
A forma de dirigir, a frequência das revisões, o cuidado com pneus e até pequenos hábitos na rotina acabam influenciando diretamente despesas com manutenção, consumo, multas e desvalorização do veículo.
E o mais curioso é que boa parte desses prejuízos poderia ser evitada com mudanças relativamente simples de comportamento.
O jeito de dirigir influencia diretamente quem quer economizar no trânsitoEconomizar no trânsito começa com pequenas atitudes diárias ao volante.
Na correria da rotina, é comum acelerar além do necessário, frear bruscamente ou dirigir no automático sem prestar tanta atenção na forma como o carro está respondendo.
O problema é que esse tipo de condução desgasta componentes importantes do veículo de maneira muito mais rápida.
Freios, pneus, suspensão e até o consumo de combustível acabam sendo afetados quando o motorista mantém um padrão de direção mais agressivo.
E isso fica ainda mais evidente em cidades grandes, onde o trânsito intenso já exige bastante do automóvel naturalmente.
Mas muita gente só percebe o impacto quando começam a surgir gastos acumulados em sequência. Primeiro, aparece um pneu desgastado antes do esperado. Depois, uma manutenção corretiva mais cara. Em seguida, o aumento no consumo.
Ao somar tudo isso, o custo mensal do carro acaba ficando muito maior do que deveria.
Pequenas manutenções evitam problemas muito maioresExiste um hábito bastante comum entre motoristas: deixar a revisão para depois porque “o carro ainda está funcionando normalmente”. Só que o veículo quase sempre dá sinais antes de apresentar um problema sério.
Um ruído diferente, uma vibração incomum ou até mudanças sutis na direção podem indicar desgastes que, se ignorados, acabam se transformando em reparos muito mais caros.
Itens simples como alinhamento, troca de óleo, revisão dos freios e calibragem dos pneus fazem diferença não apenas na segurança, mas também no orçamento. Portanto, são grandes aliados para te ajudar a economizar no trânsito.
Afinal, manutenção preventiva costuma custar muito menos do que manutenção corretiva.
E isso pesa ainda mais para quem depende do carro diariamente, seja para trabalhar, viajar ou enfrentar longos deslocamentos urbanos.
Inclusive, muitas pessoas hoje em dia utilizam o veículo como ferramenta direta de renda. Aplicativos de entrega, vendas externas e pequenos negócios fizeram crescer bastante o interesse por alternativas que dependem da mobilidade.
Não por acaso, muita gente passou a procurar opções de produtos para revender direto da fábrica justamente para usar o carro em entregas locais e operações menores. Dessa forma, é possível reduzir custos logísticos no começo da atividade.
Nesse cenário, manter o veículo funcionando bem deixou de ser apenas uma conveniência. Virou parte importante da estabilidade financeira.
O motorista brasileiro está mais atento à proteção do veículoOutra mudança que aconteceu nos últimos anos foi a forma como as pessoas enxergam segurança automotiva. Durante muito tempo, muita gente via seguro como um gasto que poderia ser adiado.
Só que os custos envolvendo colisões, furtos e até pequenos reparos mudaram bastante essa percepção.
Hoje, o motorista costuma pesquisar mais antes de contratar qualquer serviço. Ele compara preços, entende melhor as coberturas e tenta encontrar algo que realmente faça sentido para sua rotina.
A digitalização ajudou bastante nisso, pois plataformas que permitem contratar seguro auto online facilitam comparações de valores, assistências e condições de cobertura sem toda aquela burocracia tradicional que afastava muitos consumidores antigamente.
Além da praticidade, esse modelo também deu mais autonomia para o motorista entender exatamente o que está contratando e avaliar o custo-benefício com mais calma.
Alguns detalhes “invisíveis” aumentam os gastos sem perceberExistem hábitos pequenos que parecem inofensivos, mas acabam gerando impacto constante no bolso.
Rodar com pneus descalibrados, por exemplo, aumenta o consumo de combustível e acelera o desgaste da borracha.
Excesso de peso no veículo também influencia diretamente o desempenho do carro e até trajetos mal planejados podem gerar consumo desnecessário, assim como mais desgaste mecânico ao longo do tempo.
O problema é que esses custos não aparecem de uma vez só. Eles vão surgindo aos poucos, quase de forma silenciosa e justamente por isso muita gente demora para perceber.
Hoje, aplicativos de trânsito, mapas inteligentes e ferramentas de monitoramento ajudam bastante a reduzir esse tipo de desperdício e economizar no trânsito.
Além disso, pequenas mudanças de hábito conseguem gerar uma diferença muito maior do que parece quando se olha apenas para gastos isolados.
Economizar no trânsito vai muito além de gastar menos combustívelQuando se fala em economia automotiva, muita gente pensa apenas no valor gasto para abastecer. Mas o custo real de um veículo envolve muito mais do que isso.
Manutenção, documentação, desvalorização, seguro, multas e reparos inesperados acabam fazendo parte da conta. E justamente por isso os hábitos do motorista têm tanto peso no orçamento ao longo do tempo.
No fim das contas, economizar no trânsito não significa apenas gastar menos dinheiro, mas evitar problemas, reduzir imprevistos e conseguir manter uma relação mais equilibrada com o próprio carro no dia a dia.
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Maio Amarelo 2026 amplia debate sobre segurança no transporte corporativo e excesso de tempo ao volante
O Maio Amarelo 2026, que neste ano traz como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, amplia o debate sobre segurança viária ao colocar em pauta um problema crescente nas cidades e estradas brasileiras: o excesso de tempo ao volante. Em meio ao avanço da mobilidade corporativa e ao aumento do deslocamento diário de trabalhadores, empresas passaram a discutir não apenas eficiência logística, mas também formas de garantir segurança no transporte de colaboradores.
Nesse contexto, modelos de economia compartilhada no transporte corporativo e plataformas de mobilidade empresarial ganham espaço como alternativa para reduzir exposição a jornadas exaustivas, ampliar rastreabilidade e melhorar a gestão operacional dos deslocamentos.
Direção defensivaÉ nesse cenário que a Autonomoz, empresa brasileira de mobilidade corporativa com sede em Curitiba, vem ampliando o debate sobre segurança no transporte de funcionários e direção defensiva durante o Maio Amarelo. A companhia atua conectando motoristas parceiros a empresas que precisam de transporte programado de colaboradores em áreas urbanas e intermunicipais.
Com operação em 175 cidades e uma rede de aproximadamente 900 motoristas parceiros, a empresa aposta em tecnologia, monitoramento em tempo real e planejamento prévio das viagens para minimizar riscos associados à fadiga, ao estresse e à sobrecarga ao volante.
“Quando discutimos mobilidade corporativa, não estamos falando apenas de deslocamento. Estamos falando de segurança, previsibilidade, qualidade de vida e responsabilidade compartilhada entre empresas, motoristas parceiros e passageiros”, afirma Gisele Santos, especialista em Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA) da Autonomoz.
O que muda com as plataformas de mobilidade corporativaA expansão das plataformas digitais vem mudando a forma como funciona o transporte corporativo para empresas sem frota própria. Diferentemente do modelo tradicional de fretado, a mobilidade corporativa compartilhada opera com rotas programadas, passageiros previamente identificados e monitoramento contínuo das viagens.
Na prática, isso permite maior previsibilidade operacional, rastreabilidade e controle das jornadas, além de gerar redução de custos para as empresas. O modelo também ajuda a responder dúvidas frequentes do mercado, como quanto custa terceirizar transporte de funcionários e quais são as vantagens de terceirizar transporte de colaboradores em vez de manter estruturas próprias.
Segundo a Autonomoz, a organização prévia das viagens também contribui para reduzir deslocamentos excessivos e distribuir melhor as demandas entre os motoristas parceiros. A plataforma conta ainda com Centro de Controle Operacional (CCO) 24 horas, recursos de rastreamento e protocolos internos voltados à segurança no transporte de colaboradores.
Transporte corporativo sustentável entra na pauta ESG das empresasA discussão sobre transporte corporativo sustentável também ganhou relevância dentro das agendas de ESG. Empresas passaram a olhar o deslocamento de colaboradores não apenas como custo operacional, mas como parte das estratégias de segurança, sustentabilidade e bem-estar. Nesse cenário, modelos compartilhados ajudam a otimizar rotas, reduzir veículos em circulação e ampliar a eficiência logística.
Além do uso de tecnologia, a Autonomoz mantém iniciativas permanentes de conscientização voltadas à direção segura, combate à fadiga e prevenção de acidentes. Entre elas está o programa “Regras de Ouro”, que reúne orientações relacionadas à direção defensiva, pausas adequadas, saúde física e mental e manutenção preventiva dos veículos.
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Transporte escolar pode ter monitoramento em tempo real e acesso para pais
Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados pretende modernizar a fiscalização do transporte escolar no Brasil e ampliar a segurança de crianças e adolescentes durante o trajeto até a escola.
O PL 1240/2026, apresentado pelo deputado Marcos Tavares (PDT/RJ), estabelece a obrigatoriedade de GPS ou tecnologia equivalente em veículos usados no transporte escolar, com monitoramento em tempo real e acesso às informações por pais, responsáveis e poder público.
Se aprovado, o projeto poderá impactar vans escolares, micro-ônibus e demais veículos autorizados para esse serviço em todo o país.
Quer fazer o curso de motorista de Transporte Escolar? Clique aqui e saiba mais O que muda na práticaPelo texto, todos os veículos de transporte escolar deverão contar com sistema que permita, no mínimo:
- localização em tempo real durante o trajeto;
- histórico de rotas por pelo menos 90 dias;
- acesso por aplicativo ou plataforma digital;
- emissão de relatórios para fiscalização;
- funcionamento contínuo, inclusive com bateria auxiliar ou redundância.
A instalação e o pleno funcionamento do sistema passariam a ser requisito para:
- concessão da autorização do serviço;
- renovação anual da licença;
- cadastro junto aos órgãos competentes.
Um dos principais pontos do projeto é permitir que pais ou responsáveis acompanhem a localização do veículo durante o transporte contratado.
Na prática, isso poderia ajudar em situações como:
- atraso inesperado;
- mudança de rota;
- pane mecânica;
- dificuldade de comunicação com o motorista;
- maior previsibilidade no embarque e desembarque.
A proposta também prevê que escolas possam acessar essas informações, conforme a relação contratual existente.
Segurança e fiscalizaçãoNa justificativa, o autor afirma que milhões de estudantes utilizam transporte escolar diariamente e que a legislação atual ainda carece de ferramentas tecnológicas obrigatórias para monitoramento efetivo.
Hoje, o transporte escolar já exige autorização específica e inspeções periódicas, mas nem sempre há acompanhamento digital das rotas realizadas.
Conforme o deputado, o objetivo é ampliar segurança, transparência e capacidade de fiscalização.
Ponto positivo: resposta rápida em emergênciasO uso de rastreamento pode trazer ganhos relevantes em ocorrências como:
- acidentes;
- falhas mecânicas;
- desaparecimento temporário do veículo;
- atrasos prolongados;
- necessidade de apoio rápido.
Em tese, localizar o veículo em tempo real pode facilitar respostas de autoridades, escolas e famílias.
Mas há desafios práticosApesar do apelo da proposta, especialistas costumam apontar obstáculos importantes em medidas desse tipo:
- custo de instalação e mensalidade do sistema;
- impacto para pequenos transportadores autônomos;
- cobertura de sinal em áreas rurais;
- manutenção dos equipamentos;
- proteção de dados e uso correto das informações.
O próprio projeto prevê que o poder público poderá criar linhas de financiamento para modernização tecnológica, especialmente para microempreendedores e pequenas empresas.
Prazo para adaptaçãoSe a proposta virar lei, os veículos já em operação teriam 180 dias para se adequar às novas exigências.
Também caberia ao Poder Executivo regulamentar padrões técnicos e procedimentos de fiscalização.
Próximos passosO PL 1240/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de eventual votação.
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Volvo aposta em inteligência artificial para ajudar motoristas a entender o trânsito
A inteligência artificial está cada vez mais próxima de assumir funções que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente da atenção humana ao volante. A nova aposta da montadora sueca Volvo Cars em parceria com a Google quer justamente transformar o carro em um sistema capaz de “enxergar” o trânsito e interpretar informações do ambiente ao redor do veículo.
A novidade foi apresentada durante o evento Google I/O 2026 e utiliza o sistema Gemini integrado às câmeras externas do automóvel para compreender placas, sinalizações horizontais e até regras de estacionamento em tempo real.
Na prática, o motorista poderá perguntar ao carro, por exemplo, se é permitido estacionar naquele local. A inteligência artificial então analisa as placas da via, interpreta restrições de horário, necessidade de autorização, cobrança ou limite de permanência e responde de forma simplificada.
O recurso estreia no futuro Volvo EX60, modelo elétrico que deve servir como plataforma de testes para novas experiências embarcadas com IA.
O carro passa a “ler” o ambienteA proposta representa uma mudança importante no conceito de assistentes automotivos. Até então, sistemas embarcados respondiam basicamente a comandos de voz previamente programados. Agora, a ideia é que o veículo compreenda o contexto do trânsito ao redor.
Conforme as demonstrações apresentadas no Google I/O, o Gemini poderá:
- interpretar placas complexas;
- reconhecer faixas e sinalizações viárias;
- identificar pontos de referência;
- auxiliar na navegação com instruções mais naturais;
- responder perguntas contextualizadas durante a condução.
Outra novidade anunciada é a chamada “Navegação Imersiva” do Google Maps, que abandona parcialmente comandos tradicionais baseados em distância e passa a utilizar referências visuais reais.
Em vez de “vire em 300 metros”, o sistema poderá dizer algo como “entre à esquerda após o semáforo” ou “depois da biblioteca”.
Tecnologia pode reduzir distrações — mas não substitui atenção humanaEmbora o avanço tecnológico chame atenção, especialistas alertam que sistemas desse tipo não eliminam a responsabilidade do condutor.
Para o especialista em trânsito Celso Mariano, a tecnologia pode ajudar principalmente em situações urbanas complexas, mas existe um risco quando o motorista transfere totalmente sua tomada de decisão ao veículo.
“A inteligência artificial pode auxiliar na interpretação das informações do trânsito, mas ela não substitui o julgamento humano. O condutor continua sendo responsável pelas decisões”, afirma.
De acordo com ele, há um desafio importante relacionado à confiança excessiva em sistemas automatizados. “Quando a pessoa acredita que o carro vai resolver tudo, ela tende a reduzir o nível de atenção. Isso pode gerar um comportamento perigoso no trânsito”, analisa Celso Mariano.
O alerta faz sentido especialmente porque placas de estacionamento, sinalizações provisórias e regras locais frequentemente apresentam ambiguidades até para agentes humanos. Inclusive, veículos equipados com sistemas de leitura automática já enfrentam dificuldades em cenários urbanos mais caóticos.
O avanço da IA dentro dos veículosA parceria entre Volvo e Google não começou agora. As empresas já trabalham juntas desde 2017 em sistemas embarcados baseados no Android Automotive. No Brasil, modelos da marca com integração Google começaram a chegar em 2021.
Nos últimos meses, a Volvo já vinha ampliando o uso do Gemini em comandos de voz mais naturais, permitindo planejamento de rotas, leitura e resposta de mensagens, busca contextual, controle multimídia e informações sobre estacionamento.
Agora, porém, o salto é maior: o carro deixa de apenas ouvir o motorista para também “observar” o ambiente.
Além disso, a montadora sueca passou a atuar como plataforma de desenvolvimento prioritária do Android Automotive, o que permitirá receber atualizações antes de outras fabricantes.
O que isso pode mudar no trânsito?A chegada de veículos capazes de interpretar o ambiente em tempo real levanta discussões importantes sobre segurança viária, comportamento humano e até formação de condutores.
Por um lado, tecnologias que reduzem distrações podem contribuir para decisões mais rápidas e menor carga cognitiva ao dirigir. Por outro, cresce a preocupação com motoristas excessivamente dependentes da automação.
Para Celso Mariano, esse tipo de avanço reforça a necessidade de educação para o uso correto da tecnologia embarcada.
“A tecnologia deve funcionar como apoio à direção segura, nunca como substituição da percepção e da responsabilidade do motorista”, ressalta.
Ele lembra ainda que erros de interpretação podem continuar acontecendo — tanto por parte do condutor quanto da inteligência artificial. “Nem toda placa é simples de interpretar. O trânsito real é dinâmico, tem exceções, obras, alterações temporárias. Isso exige cautela.”
Outro ponto relevante é a privacidade. O funcionamento do sistema depende da autorização do usuário para utilização das câmeras externas do veículo.
Enquanto isso, a tendência é que recursos baseados em inteligência artificial se tornem cada vez mais comuns na indústria automotiva, especialmente em veículos conectados e elétricos.
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MP reduz exigências para motofrete e mototáxi; entenda os impactos na segurança viária
O governo federal publicou a Medida Provisória 1360/2026 promovendo mudanças importantes nas regras para atuação de mototaxistas, motofretistas e entregadores no Brasil. A proposta reduz exigências que antes eram obrigatórias para o exercício profissional da atividade e tem provocado debates sobre os possíveis impactos na segurança viária.
Apresentada como uma medida de desburocratização e incentivo ao trabalho, a MP flexibiliza regras que haviam sido criadas justamente para aumentar a proteção de uma das categorias mais vulneráveis do trânsito brasileiro. O debate ganha ainda mais relevância diante do crescimento das mortes e lesões envolvendo motociclistas nos últimos anos.
Entre as principais mudanças estão o fim da exigência de idade mínima de 21 anos, da necessidade de dois anos de habilitação na categoria A, do curso especializado obrigatório e da inspeção semestral dos veículos utilizados na atividade profissional.
O que muda com a MPAté então, a legislação exigia uma série de requisitos mínimos para quem desejasse trabalhar profissionalmente com motocicletas no transporte de passageiros ou entregas. Além da idade mínima e do tempo de habilitação, os condutores precisavam realizar curso especializado, manter documentação específica e cumprir exigências técnicas relacionadas aos veículos utilizados na atividade.
Com a nova medida, boa parte dessas obrigações deixa de existir. Na prática, um motociclista recém-habilitado poderá começar imediatamente a atuar profissionalmente, inclusive em grandes centros urbanos, onde o trânsito costuma ser mais intenso e complexo.
A mudança é vista por especialistas como uma alteração significativa no modelo de controle e qualificação da atividade profissional sobre duas rodas.
Por que especialistas demonstram preocupaçãoA principal preocupação está relacionada ao nível de exposição ao risco enfrentado pelos motociclistas. Diferentemente dos ocupantes de automóveis, eles possuem menor proteção física e sofrem consequências muito mais graves em colisões e quedas.
Além disso, profissionais do setor convivem diariamente com pressão por produtividade, jornadas extensas, necessidade de cumprir prazos e deslocamentos constantes em áreas urbanas congestionadas. Esse conjunto de fatores já torna a atividade naturalmente mais vulnerável.
Nesse contexto, especialistas em segurança viária defendem que experiência e formação fazem diferença.
A avaliação é de que pilotar profissionalmente exige muito mais do que dominar os comandos básicos da motocicleta. Situações de risco no trânsito demandam capacidade de antecipação, leitura do comportamento dos demais usuários da via, frenagens de emergência e tomada rápida de decisão — habilidades normalmente desenvolvidas com tempo, prática e treinamento adequado.
Por isso, a retirada de exigências ligadas à formação e à experiência mínima passou a gerar preocupação entre profissionais da área.
Formação ainda é essencialOutro ponto sensível da MP é o fim da obrigatoriedade do curso especializado.
Embora esses cursos também recebam críticas e necessitem de atualização constante, eles funcionavam como uma etapa mínima de preparação para o exercício profissional da atividade. Os conteúdos abordavam temas ligados à direção defensiva, gestão de risco, transporte seguro e comportamento preventivo no trânsito.
De acordo com Celso Alves Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, eliminar essa exigência transmite uma mensagem preocupante de que a qualificação pode ser dispensável em uma atividade de alto risco.
Ainda conforme o especialista, não é possível analisar a medida isoladamente, já que faz parte de um movimento mais amplo de flexibilização na formação de condutores no Brasil.
“Nos últimos tempos, estamos vendo uma redução gradual de exigências em diferentes etapas do processo de habilitação. O problema é que essas mudanças foram apresentadas como simplificação, quando na prática podem representar empobrecimento da formação e aumento da exposição ao risco no trânsito”, avalia.
Crescimento das motos amplia debateA discussão ocorre em um momento em que o país registra aumento expressivo da circulação de motocicletas, especialmente impulsionado pelos serviços de entrega e transporte individual.
Com mais motos nas ruas, aumentam também os desafios relacionados à segurança desses profissionais. Dados de órgãos de trânsito e saúde pública mostram que motociclistas seguem entre as principais vítimas de sinistros graves no Brasil.
Especialistas defendem que políticas públicas voltadas ao setor precisam equilibrar geração de renda e preservação da vida. Para isso, argumentam que o país deveria investir simultaneamente em formação qualificada, fiscalização eficiente, educação para o trânsito e melhores condições de trabalho para os profissionais que utilizam motocicletas diariamente.
Segundo essa visão, ampliar o acesso ao mercado sem fortalecer medidas de proteção pode aumentar ainda mais a exposição ao risco nas vias brasileiras.
MP ainda será analisada pelo CongressoA Medida Provisória ainda precisará passar pelo Congresso Nacional e poderá sofrer alterações durante a tramitação.
O tema deve mobilizar representantes do setor de entregas, especialistas em mobilidade, entidades de segurança viária e profissionais ligados à formação de condutores.
O principal debate gira em torno da necessidade de encontrar equilíbrio entre facilitar o acesso ao trabalho e manter mecanismos mínimos de proteção à vida no trânsito.
Na avaliação de Celso Mariano, o principal desafio será encontrar equilíbrio entre facilitar o acesso ao trabalho e preservar a segurança viária.
“O Brasil precisa tomar cuidado para que a simplificação de regras não aumente ainda mais a vulnerabilidade justamente de quem já faz parte do grupo mais exposto do trânsito brasileiro. Quando falamos de motociclistas profissionais, estamos falando diretamente de vidas em risco todos os dias”, conclui.
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O que a empatia tem a ver com acidentes de trânsito? Mais do que você imagina
A ideia de que “ser mais gentil no trânsito” ajuda a reduzir acidentes pode parecer simplista à primeira vista. Mas especialistas em segurança viária são diretos: empatia não é apenas uma questão de educação — é um fator real de proteção.
Em um sistema onde decisões são tomadas em segundos e qualquer erro pode ter consequências graves, a capacidade de reconhecer o outro, antecipar comportamentos e agir com responsabilidade coletiva faz diferença concreta no risco de sinistros.
O que é empatia no trânsito — na práticaEmpatia, no contexto da mobilidade, não significa apenas ser cordial. Trata-se de considerar a perspectiva do outro antes de agir.
Isso se traduz em atitudes como:
- reduzir a velocidade ao perceber um pedestre indeciso na travessia;
- manter distância segura de ciclistas;
- evitar disputas de espaço com motociclistas;
- não reagir com agressividade a erros de terceiros;
- compreender limitações de idosos e pessoas com deficiência;
- dirigir com paciência em situações de congestionamento.
Na prática, empatia está diretamente ligada à prevenção de conflitos — e conflito é um dos gatilhos mais comuns para comportamentos de risco.
Comportamento humano é fator central dos sinistrosDiversos estudos e levantamentos mostram que a maioria dos sinistros de trânsito está associada a falhas humanas: excesso de velocidade, distração, desrespeito à sinalização, consumo de álcool e decisões impulsivas.
Nesse cenário, a empatia atua como um “freio comportamental”. Um motorista que considera o impacto de suas ações tende a:
- reduzir velocidade em áreas críticas;
- evitar manobras arriscadas;
- respeitar preferências legais;
- manter atenção constante;
- dirigir de forma mais previsível.
Ou seja, a empatia influencia diretamente a forma como o condutor se comporta diante do risco.
Menos agressividade, menos sinistrosA agressividade no trânsito — fechadas, perseguições, ultrapassagens perigosas e uso da buzina como intimidação — está frequentemente associada a colisões.
Quando o condutor adota postura empática, reduz a chance de escalada de conflitos. Em vez de responder a um erro com outro erro, ele opta por evitar a situação.
Esse tipo de comportamento diminui não apenas o risco individual, mas também o risco coletivo, já que o trânsito funciona como um sistema interdependente.
Empatia muda decisões ao volanteDe acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o impacto da empatia vai além da teoria e se reflete diretamente nas escolhas do dia a dia.
“A maioria dos sinistros não acontece porque alguém não sabe dirigir tecnicamente, mas porque toma decisões ruins. A empatia ajuda justamente nisso: pensar antes de agir”, explica.
Conforme ele, o trânsito exige uma mudança de mentalidade. “Quando o condutor entende que suas atitudes podem afetar a vida de outras pessoas, ele naturalmente reduz comportamentos de risco. Isso tem impacto direto na segurança.”
Empatia também melhora a previsibilidadeUm dos princípios da direção segura é a previsibilidade. Quanto mais previsível o comportamento dos usuários, menor o risco de colisões.
A empatia contribui para isso porque incentiva ações mais conscientes e menos impulsivas. Um motorista que respeita o tempo do outro, sinaliza corretamente e mantém distância adequada facilita a leitura do ambiente por todos.
O papel das cidades e da educaçãoEmbora o comportamento individual seja fundamental, especialistas alertam que empatia não surge apenas de campanhas. Ela precisa ser estimulada por políticas públicas e educação contínua.
Isso inclui:
- formação de condutores com foco em comportamento, não apenas técnica;
- campanhas educativas consistentes;
- fiscalização que coíba agressividade e imprudência;
- infraestrutura que reduza conflitos entre modais;
- incentivo à cultura de respeito no trânsito.
O Maio Amarelo 2026 traz a empatia como um dos pilares ao propor que motoristas “enxerguem o outro” no trânsito. Embora seja uma campanha pontual, o tema evidencia uma necessidade permanente: transformar comportamento.
Empatia não é detalhe — é estratégia de segurançaNo trânsito, pequenas decisões têm grandes consequências. Frear antes, esperar alguns segundos, dar passagem ou evitar uma reação impulsiva podem ser suficientes para impedir um sinistro.
Por isso, Mariano é categórico: empatia não é um valor abstrato — é uma ferramenta prática de prevenção.
“Em um ambiente onde erros custam caro, enxergar o outro pode ser a diferença entre chegar ao destino ou provocar uma tragédia”, reflete o especialista.
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Brasil terá centro nacional para investigar sinistros graves e prevenir mortes no trânsito
O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes anunciou a criação do Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito (Cnest), uma estrutura voltada à análise técnica de ocorrências graves nas vias brasileiras com foco na prevenção de mortes e lesões.
A iniciativa foi oficializada nesta semana e será coordenada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A proposta é ampliar a capacidade do país de entender as causas dos sinistros de trânsito e transformar essas informações em medidas concretas de segurança viária.
O novo centro terá atuação técnico-científica e preventiva. Ou seja, o objetivo não será apontar culpados ou responsabilidades pelos sinistros, mas sim identificar fatores contribuintes, padrões de risco e circunstâncias que possam orientar políticas públicas e ações de prevenção.
Como funcionará o novo centroDe acordo com o Ministério dos Transportes, o Cnest será responsável por estudar sinistros de relevância nacional, especialmente aqueles com grande impacto social ou elevado número de vítimas. A ideia é utilizar metodologia semelhante à empregada na aviação civil, em estruturas como o Cenipa, que investiga acidentes aeronáuticos para prevenir novas ocorrências.
Os estudos deverão produzir diagnósticos, relatórios técnicos e recomendações voltadas à redução de mortes e lesões no trânsito brasileiro. O centro também poderá reunir especialistas, representantes de órgãos públicos e entidades da sociedade civil para contribuir com análises e pesquisas.
A criação do Cnest ocorre em um momento em que o país ainda enfrenta números elevados de violência no trânsito. Segundo os dados divulgados pelo governo federal, além das 37 mil mortes registradas em 2024, os sinistros geram impactos econômicos e sociais bilionários. Estimativas do Banco Mundial apontam que os custos relacionados às ocorrências chegam a R$ 310 bilhões por ano, o equivalente a cerca de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Impacto na saúde públicaOs efeitos da violência viária também pressionam o sistema de saúde. Informações do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam crescimento de 49% nas internações relacionadas a sinistros de trânsito entre 2012 e 2024.
Nesse contexto, a criação de um centro especializado em estudos de sinistros pode representar um avanço na produção de dados qualificados e na identificação de falhas estruturais, comportamentais e operacionais que contribuem para as ocorrências nas vias brasileiras.
Além disso, o projeto está alinhado às diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que prevê reduzir em pelo menos 50% o índice nacional de mortes no trânsito até 2030.
Segurança viária baseada em dadosA proposta reforça uma tendência cada vez mais discutida na segurança viária: a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências e análise técnica aprofundada dos sinistros.
Na prática, isso significa olhar além da infração isolada ou da responsabilização individual e compreender o conjunto de fatores envolvidos em uma ocorrência grave, como infraestrutura viária, sinalização, condições do veículo, comportamento humano e falhas sistêmicas.
O modelo também segue princípios internacionais como Visão Zero e Sistemas Seguros, estratégias que defendem que nenhuma morte no trânsito deve ser considerada aceitável.
Para especialistas da área, iniciativas desse tipo ajudam a transformar dados em ações concretas de prevenção, permitindo intervenções mais eficientes e direcionadas para reduzir a violência no trânsito brasileiro.
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Motoristas poderão ser multados por fechar ciclistas após ultrapassagem, prevê projeto aprovado
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que altera diversos pontos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para regulamentar a convivência entre veículos e bicicletas nas vias brasileiras. A proposta cria novas infrações de trânsito, estabelece regras para motoristas e ciclistas e ainda prevê a implantação de ciclovias ou ciclofaixas em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida.
O texto segue agora para análise do Senado Federal, caso não haja recurso para votação no Plenário da Câmara.
Entre as mudanças previstas está a proibição de motoristas ultrapassarem ciclistas próximos a esquinas ou cruzamentos, especialmente em situações que possam bloquear a passagem da bicicleta. A proposta também impede que o condutor vire à direita ou pare imediatamente após concluir uma ultrapassagem de ciclista.
Nova infração para motoristasO projeto cria uma nova infração de natureza grave para motoristas que realizarem esse tipo de manobra logo após ultrapassar bicicletas. A penalidade prevista é de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Além disso, o texto prevê punição para condutores que deixarem de parar o veículo quando forem interceptados por um conjunto de bicicletas.
Outro ponto incluído na proposta é a punição para quem trafegar com faróis desregulados ou utilizando luz alta de forma que prejudique não apenas outros motoristas, mas também pedestres e ciclistas.
O projeto também dobra as multas aplicadas em trechos de obras sinalizados, tanto em vias urbanas quanto em rodovias, e estabelece velocidade máxima de 20 km/h em estacionamentos.
Regras para ciclistas também mudamAs alterações previstas no projeto não atingem apenas os motoristas. O texto cria obrigações específicas para ciclistas em cruzamentos e mudanças de direção.
Pela proposta, o ciclista deverá sinalizar com dispositivo luminoso ou com gestos feitos com a mão esquerda se continuará seguindo em linha reta ou se fará conversão.
A regra deverá ser observada sempre que o ciclista se aproximar de esquinas ou cruzamentos.
O texto também proíbe o uso de luzes intermitentes ou pisca-pisca nas bicicletas.
Quando não houver ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, os ciclistas deverão circular no canto da pista e no mesmo sentido dos demais veículos.
Bicicletas elétricas terão limite de velocidadeOutro trecho do projeto estabelece limite máximo de 50 km/h para bicicletas elétricas. Além disso, a proposta retira a obrigatoriedade de espelho retrovisor nas bicicletas e amplia aos ciclistas a prioridade de travessia já garantida aos pedestres nas faixas delimitadas.
O texto também trata da circulação de equipamentos de micromobilidade, como skates, patinetes — motorizados ou não — e diciclos elétricos.
Nesses casos, a circulação em calçadas deverá ocorrer em velocidade compatível com a segurança dos pedestres.
Ciclovias poderão ser obrigatórias no Minha Casa, Minha VidaO substitutivo aprovado pela CCJ mantém um dos pontos previstos no projeto original: a inclusão de ciclofaixas ou ciclovias entre os requisitos de infraestrutura básica dos empreendimentos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida.
A exigência, no entanto, poderá ser dispensada em locais onde a topografia não favoreça o uso de bicicletas.
O texto também inclui calçadas, passeios e passagens de pedestres no rol da infraestrutura de mobilidade urbana, ao lado de vias e ciclovias.
Mobilidade e acessibilidadeA proposta aprovada pela CCJ reforça ainda diretrizes ligadas à acessibilidade e à segurança viária.
Segundo o texto, passam a ter prioridade na Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) os deslocamentos de pedestres e a acessibilidade das pessoas com deficiência.
O projeto estabelece ainda a locomoção segura como garantia tanto para pedestres quanto para ciclistas.
Outro ponto previsto é a ampliação da participação da sociedade civil em órgãos ligados ao trânsito, por meio de consultas públicas e assentos em órgãos especializados, como o Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Além disso, órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão manter canais simplificados de comunicação para esclarecimentos, sugestões e reclamações da população.
O texto aprovado na CCJ é um substitutivo do deputado Paulo Abi-Ackel ao Projeto de Lei 6207/13, de autoria do ex-deputado Walter Feldman.
Com informações da Agência Câmara
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Fone de ouvido ao volante dá multa? Entenda o que diz a lei e por que o risco vai além da penalidade
Usar fones de ouvido para ouvir música, atender ligações ou até se concentrar durante a condução parece inofensivo para muitos brasileiros. Mas essa prática, além de proibida, pode resultar em multa e representar um risco real à segurança no trânsito.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) trata o tema de forma direta: dirigir com fones de ouvido conectados a aparelhos sonoros ou celulares é infração. E não é apenas uma questão de regra — é uma medida voltada à prevenção de sinistros de trânsito.
O que diz a lei sobre usar fones ao dirigirDe acordo com o artigo 252 do CTB, conduzir veículo utilizando fones de ouvido é uma infração de natureza média. Isso significa multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A norma não faz distinção sobre o tipo de fone, volume ou tempo de uso. Ou seja, mesmo que o condutor utilize apenas um lado ou esteja parado no trânsito, a infração pode ser caracterizada.
Mais do que punir, a regra está diretamente ligada ao princípio básico da condução segura: manter total controle do veículo e atenção ao ambiente ao redor.
Por que o uso de fones aumenta o riscoNo trânsito, ouvir é tão importante quanto enxergar. Sirenes, buzinas, aproximação de veículos e até mudanças no funcionamento do próprio carro são percebidas, muitas vezes, primeiro pela audição. Ao utilizar fones, o condutor reduz ou elimina essa percepção sonora — o que pode atrasar reações e aumentar a gravidade de um possível sinistro.
Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, reforça esse ponto.
“O trânsito é um ambiente dinâmico e exige atenção integral. Quando o condutor se isola dos sons ao redor, ele perde uma camada importante de percepção de risco. Isso reduz a capacidade de antecipar situações perigosas.”
Além disso, o uso de fones pode estar associado a outros tipos de distração, como conversas telefônicas ou foco excessivo no conteúdo reproduzido, ampliando o problema.
Não é só uma questão de multaEmbora a penalidade prevista seja relativamente leve em comparação a outras infrações, o impacto pode ser muito maior. Em situações de sinistro de trânsito, por exemplo, o uso de fones pode ser considerado um fator que contribuiu para o ocorrido.
Isso significa que o condutor pode ter sua responsabilidade agravada em análises jurídicas ou até em disputas por indenização.
Celso Mariano chama atenção para esse aspecto.
“Não é apenas sobre evitar a multa. É sobre evitar decisões que comprometam a segurança. Pequenos hábitos, como usar fones ao dirigir, podem ter consequências desproporcionais em situações críticas.”
E para motociclistas, muda alguma coisa?A regra vale igualmente para motociclistas. Os fones tradicionais, inseridos no ouvido, continuam sendo proibidos.
Um comportamento comum, mas perigosoO crescimento do consumo de conteúdo em áudio — como músicas, podcasts e chamadas — tem levado muitos condutores a adotarem o uso de fones sem refletir sobre os riscos. Mas no trânsito, qualquer redução de atenção pode ser decisiva. E isso inclui não apenas o que se vê, mas também o que se deixa de ouvir.
Segurança começa nas escolhas simplesEm um cenário em que distrações ao volante já são um dos principais fatores de risco no trânsito, atitudes aparentemente pequenas podem fazer grande diferença.
Evitar o uso de fones ao dirigir não é apenas cumprir a lei — é preservar a própria segurança e a de todos ao redor.
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Bombeiros alertam para erros simples no trânsito que aumentam risco de mortes e lesões
No trânsito, são comuns as campanhas que reforçam a importância do cinto de segurança, da cadeirinha infantil e do capacete. Mas, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), pequenos erros no uso desses equipamentos ainda aparecem com frequência nas ocorrências atendidas diariamente pelas equipes de resgate — e podem transformar colisões em situações muito mais graves.
Durante o Maio Amarelo, movimento de conscientização sobre segurança viária, os bombeiros decidiram chamar atenção justamente para essas atitudes aparentemente simples que fazem diferença nos segundos mais críticos de um sinistro de trânsito.
O cinto pode proteger — ou causar lesões gravesUm dos alertas feitos pelo CBMPR envolve o uso incorreto do cinto de segurança.
Muitos motoristas e passageiros utilizam o equipamento de forma inadequada, deixando a faixa apoiada sobre o abdômen. Em caso de colisão, isso pode provocar lesões internas graves.
Segundo a capitã Luisiana Guimarães Cavalca, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná:
“O cinto de segurança precisa estar apoiado na região do quadril, na crista ilíaca. Quando ele fica sobre o abdômen, pode causar lesões internas graves em caso de colisão. Ele foi projetado para proteger, mas, se usado de forma incorreta, pode gerar outros tipos de lesões”.
O alerta reforça que segurança no trânsito não depende apenas de usar os equipamentos, mas também da forma correta de utilização.
Criança no colo continua sendo um dos erros mais perigososOutro comportamento apontado pelos bombeiros é o transporte de crianças sem os dispositivos adequados de retenção.
Mesmo em trajetos curtos, levar crianças no colo representa risco elevado em caso de freada brusca ou colisão.
Conforme a Capitã, bebê-conforto, cadeirinhas e assentos de elevação são indispensáveis e devem ser utilizados de acordo com a idade e o tamanho da criança.
“A ocorrência pode acontecer perto de casa, e o risco é muito alto. Os dispositivos de retenção são fundamentais para proteger os pequenos”, explica.
O CBMPR também lembra que a responsabilidade pela segurança de todos os ocupantes é do condutor do veículo.
Motociclistas exigem atenção redobradaOs bombeiros também destacam os riscos enfrentados diariamente pelos motociclistas, um dos grupos mais vulneráveis no trânsito brasileiro.
Entre as orientações estão:
- uso de capacete certificado pelo Inmetro;
- capacete corretamente afivelado;
- viseira abaixada durante a condução;
- atenção em cruzamentos;
- respeito aos limites de velocidade.
Outro ponto citado pelas equipes de resgate é o hábito de circular entre veículos em movimento, prática que aumenta o risco de colisões laterais e quedas.
Mesmo quando o motociclista está na preferencial, a recomendação é reduzir a velocidade e manter atenção ao entorno.
De acordo com Cavalca, mesmo quando o condutor está na preferencial, é fundamental reduzir a velocidade e verificar o entorno.
“Nem todos percebem a sinalização, e a prudência pode evitar um acidente”, orienta.
Pedestres também fazem parte da segurança viáriaO alerta dos bombeiros não se limita a quem dirige. Segundo o CBMPR, distrações causadas por celular e fones de ouvido em volume elevado têm aumentado situações de risco envolvendo pedestres.
A recomendação é atravessar sempre na faixa e buscar contato visual com o motorista antes de iniciar a travessia.
Conforme a oficial, olhar nos olhos do condutor e ter certeza de que ele percebeu sua presença faz toda a diferença. “Mesmo que o pedestre esteja com a razão, as consequências de um atropelamento são muito mais graves para quem está a pé”, finaliza.
Segurança no trânsito depende de comportamento coletivoAlém das orientações individuais, o Corpo de Bombeiros reforça que a redução de mortes e lesões no trânsito depende de uma postura coletiva.
Respeitar a sinalização, evitar álcool ao volante, reduzir distrações e dirigir de forma defensiva continuam entre as medidas mais importantes para evitar tragédias.
Segundo a corporação, muitas das ocorrências graves atendidas diariamente poderiam ter consequências menos severas — ou até ser evitadas — com atitudes simples adotadas antes mesmo de ligar o veículo.
The post Bombeiros alertam para erros simples no trânsito que aumentam risco de mortes e lesões appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.