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Motoristas seguem usando celular ao volante e número de multas dispara no trânsito
O uso do celular ao volante continua entre os principais comportamentos de risco no trânsito brasileiro e os números recentes reforçam a preocupação com a distração durante a condução. Apenas na capital paulista, mais de 127 mil infrações relacionadas ao uso do telefone celular ao volante foram registradas, segundo levantamento divulgado pelo portal Mundo do Automóvel para PCD.
Os dados mostram que, apesar das campanhas educativas e da fiscalização, muitos motoristas ainda insistem em utilizar o aparelho enquanto dirigem, prática que compromete a atenção e aumenta significativamente o risco de sinistros.
Entre as infrações registradas, dirigir segurando o celular aparece como a ocorrência mais frequente, com 68.587 autuações. O número representa crescimento de 20% no período analisado.
Na sequência aparecem os casos de motoristas digitando no aparelho celular, que somaram 50.802 infrações.
Já as autuações envolvendo condutores falando ao telefone chegaram a 8.501 registros, com aumento de 5%.
Os números reforçam que diferentes formas de uso do celular continuam presentes no cotidiano do trânsito urbano.
Distração ao volante amplia risco de sinistrosO uso do telefone celular durante a condução é considerado uma das principais causas de distração no trânsito.
Mesmo em ações aparentemente rápidas, como ler mensagens, atender chamadas ou consultar aplicativos, o motorista reduz sua capacidade de reação e deixa de perceber riscos ao redor do veículo.
A preocupação aumenta especialmente em ambientes urbanos, onde há grande circulação de motociclistas, ciclistas, pedestres e usuários vulneráveis da mobilidade.
Além da infração prevista na legislação de trânsito, o comportamento também está diretamente associado ao aumento do risco de colisões e atropelamentos.
Goiânia também registra milhares de autuaçõesO cenário observado em São Paulo se repete em outras cidades brasileiras. Segundo dados da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), Goiânia registrou 40.077 infrações relacionadas ao uso de celular ao volante ao longo de 2025.
Em 2026, até o dia 15 de março, já havia a contabilização de 5.667 autuações.
Os números indicam que o problema permanece recorrente mesmo diante do aumento das campanhas de conscientização e das ações de fiscalização.
Maio Amarelo reforça importância da atenção no trânsitoA discussão ganha ainda mais relevância após o Maio Amarelo, que neste ano trouxe como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
A campanha buscou chamar atenção para comportamentos de risco e incentivar atitudes mais responsáveis no trânsito, especialmente diante da vulnerabilidade crescente de motociclistas nas cidades brasileiras.
O tema também reforçou a necessidade de empatia e atenção constante durante a condução.
Em situações de distração causadas pelo celular, por exemplo, o motorista pode deixar de perceber uma travessia de pedestres, uma frenagem brusca à frente ou a aproximação de motociclistas nos corredores urbanos.
Tecnologia e organização veicular entram no debateAlém das ações do poder público, empresas do setor automotivo e de serviços digitais também têm buscado associar tecnologia e conscientização no trânsito.
A Zapay afirma atuar na simplificação do acesso a informações sobre multas, débitos e licenciamento veicular, facilitando a regularização documental dos motoristas.
Segundo a empresa, o objetivo é contribuir para um trânsito mais organizado e estimular comportamentos mais responsáveis no cotidiano.
O debate sobre segurança viária, no entanto, vai além da regularização de documentos e envolve principalmente mudança de comportamento dos condutores.
Especialistas em trânsito alertam frequentemente que a distração ao volante pode ser tão perigosa quanto outras condutas de risco, especialmente em vias urbanas movimentadas.
Os números recentes mostram que, apesar das campanhas educativas, o uso do celular durante a direção continua sendo um dos principais desafios para a segurança no trânsito brasileiro.
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Deputada quer criar o Dia da Advocacia de Trânsito
Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados pretende incluir no calendário oficial brasileiro uma nova data ligada ao trânsito e à mobilidade urbana.
O PL 1239/2026, apresentado pela deputada Rosana Valle (PL/SP), cria o Dia Nacional da Advocacia de Trânsito, a ser celebrado anualmente em 22 de setembro.
Conforme a autora, o objetivo é reconhecer o papel técnico, jurídico e institucional de profissionais especializados em legislação de trânsito.
O que é a advocacia de trânsitoA chamada advocacia de trânsito reúne profissionais que atuam em temas como:
- recursos de multas e penalidades;
- processos de suspensão ou cassação da CNH;
- defesa administrativa e judicial;
- consultoria para empresas de transporte;
- análise de normas e regulamentações do setor.
Na justificativa, a deputada afirma que a área vem ganhando relevância no contexto da mobilidade urbana, da segurança viária e da proteção de garantias constitucionais.
Por que 22 de setembroA data escolhida coincide com o Dia Mundial Sem Carro e está inserida na Semana Nacional de Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro.
De acordo com o projeto, essa ligação simbólica busca aproximar o reconhecimento profissional de debates já existentes sobre:
- mobilidade sustentável;
- segurança viária;
- uso racional do espaço urbano;
- trânsito mais humano e eficiente.
O texto vai além da criação de uma data comemorativa. O projeto também prevê que o poder público possa firmar convênios com entidades da área para:
- campanhas educativas;
- seminários;
- capacitação técnica;
- debates sobre políticas públicas.
Além disso, propõe mecanismos de consulta pública para que entidades representativas da advocacia de trânsito possam participar de discussões sobre leis, resoluções e normas que impactem o Sistema Nacional de Trânsito.
Debate sobre novas datas comemorativasProjetos que criam dias nacionais costumam dividir opiniões no Congresso.
Defensores argumentam que essas datas ajudam a dar visibilidade a temas relevantes e estimulam debates públicos. Críticos costumam questionar o excesso de datas simbólicas e a efetividade prática dessas medidas.
No caso desta proposta, a autora sustenta que o reconhecimento fortalece uma área técnica que atua na defesa de direitos e no aperfeiçoamento das políticas públicas de trânsito.
Na justificativa, a deputada afirma que a medida pode contribuir para um trânsito mais “seguro, humano e democrático”.
Próximos passosO PL 1239/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de eventual votação.
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Nova lei mantém exame médico e muda renovação automática da CNH
A sanção da Lei nº 15.428/2026, publicada nesta sexta-feira (5) no Diário Oficial da União, encerra a tramitação da Medida Provisória (MP) 1.327/2025 e confirma uma mudança importante para os motoristas brasileiros: a chamada renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não deve acontecer da forma como foi inicialmente apresentada pelo governo federal.
Quando a MP foi editada, um dos principais destaques divulgados era a possibilidade de que determinados condutores pudessem renovar a habilitação de forma automática por meio do aplicativo “CNH do Brasil”. Ou seja, sem a necessidade de realizar exames presenciais. A proposta foi apresentada como uma medida de modernização, desburocratização e ampliação dos benefícios para os participantes do Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
No entanto, durante a tramitação no Congresso Nacional, parlamentares alteraram um dos pontos centrais da proposta: os exames de aptidão física e mental voltaram a ser obrigatórios.
Com isso, embora a legislação e o governo federal mantenham a expressão “renovação automática da CNH”, o modelo aprovado ficou bem diferente daquele que motivou a criação da medida.
O que previa a proposta original?A MP 1.327/2025 surgiu com a promessa de simplificar a renovação da CNH para os chamados bons condutores.
A ideia era aproveitar a integração de bases de dados e os recursos digitais do aplicativo “CNH do Brasil” para automatizar etapas do processo. Na prática, o condutor que atendesse aos requisitos estabelecidos poderia ter a habilitação renovada sem passar pelos exames atualmente exigidos.
Foi justamente essa possibilidade que gerou repercussão nacional. Afinal, pela primeira vez se discutia a renovação da CNH sem a necessidade de uma nova avaliação da aptidão do motorista.
O que mudou no Congresso?A discussão da proposta trouxe à tona uma questão considerada fundamental por especialistas em trânsito e por parlamentares: a renovação da CNH não serve apenas para atualizar um documento.
Ela também existe para verificar se o condutor continua apto a dirigir.
Por essa razão, o Congresso decidiu restabelecer a obrigatoriedade dos exames de aptidão física e mental, entendimento que foi mantido no texto sancionado pelo presidente da República.
A decisão alterou significativamente a proposta original.
Se antes a renovação poderia ocorrer sem qualquer reavaliação médica, agora o motorista continuará precisando comprovar suas condições para conduzir um veículo.
Um nome que já não traduz a realidadeEmbora a nova lei preserve a expressão “renovação automática da CNH”, a principal característica que justificava essa denominação deixou de existir.
Quando a medida foi anunciada, a renovação automática estava diretamente associada à dispensa dos exames médicos e à realização integral do procedimento por meios digitais.
Com a volta das avaliações obrigatórias, a renovação continua dependendo de uma etapa presencial e de uma análise individual das condições do condutor.
Na prática, o que a nova legislação cria é um processo potencialmente mais digital e simplificado, mas não uma renovação automática no sentido que foi amplamente divulgado quando a MP foi editada.
Por que os exames continuam sendo importantes?A decisão do Congresso também recolocou em evidência o papel dos exames médicos dentro do processo de renovação da CNH.
Frequentemente vistos apenas como uma exigência burocrática, eles cumprem uma função essencial para a segurança viária.
De acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, ao longo dos anos, um motorista pode desenvolver condições que afetam sua capacidade de dirigir, muitas vezes sem perceber.
“Problemas de visão, limitações motoras, doenças neurológicas, alterações cognitivas e até o uso de determinados medicamentos podem comprometer a condução segura”, explica.
Ainda conforme o especialista, a renovação periódica da habilitação permite justamente avaliar essas condições e verificar se o condutor continua apto para permanecer ao volante.
Nesse sentido, a manutenção dos exames foi defendida durante a tramitação da proposta como uma importante medida de segurança viária. Afinal, a avaliação periódica das condições físicas e mentais do condutor não protege apenas o próprio motorista, mas também os demais usuários das vias.
O que muda para o motorista?Para a maioria dos condutores, o impacto prático da nova lei será diferente da expectativa criada quando a MP foi anunciada.
Os exames médicos continuam obrigatórios e permanecerão como uma etapa necessária da renovação da habilitação.
As mudanças devem ocorrer principalmente na parte administrativa do processo, com maior integração tecnológica, uso de sistemas digitais e possibilidade de automatização de procedimentos burocráticos.
Ou seja, o cidadão poderá encontrar um processo mais moderno e digitalizado, mas continuará precisando comprovar que reúne condições físicas e mentais para dirigir.
Modernização sem abrir mão da segurançaA trajetória da MP 1.327 mostra que existe consenso sobre a necessidade de modernizar os serviços públicos relacionados ao trânsito. Ferramentas digitais, integração de dados e redução de burocracias podem trazer benefícios importantes para os condutores e para a administração pública.
Ao mesmo tempo, a tramitação da proposta demonstrou que há limites para essa simplificação quando estão em jogo aspectos diretamente relacionados à segurança viária.
Ao restabelecer os exames de aptidão física e mental, o Congresso sinalizou que a renovação da CNH deve continuar cumprindo sua função principal: verificar periodicamente se o motorista permanece apto para dirigir.
Por isso, embora a lei tenha preservado o nome “renovação automática”, o modelo que saiu do Congresso e foi sancionado pelo governo está muito mais próximo de uma renovação digital e simplificada do que da renovação automática originalmente apresentada aos brasileiros.
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Dia Mundial do Meio Ambiente reforça avanço da descarbonização no transporte de cargas
Durante décadas, a eficiência no transporte rodoviário de cargas esteve associada principalmente a prazo, custo e capacidade de entrega. Agora, um novo fator passou a ocupar espaço estratégico nas decisões das empresas do setor: a sustentabilidade. Celebrado nesta sexta-feira (5), o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça um movimento que já ganha força na logística brasileira, impulsionado pela necessidade de reduzir emissões, atender novas exigências de mercado e responder às crescentes demandas por responsabilidade ambiental.
Responsável por mais de 60% do transporte de cargas no Brasil, o modal rodoviário também figura entre os principais emissores de gases de efeito estufa da cadeia produtiva nacional. O cenário fez com que sustentabilidade deixasse de ser apenas um discurso institucional e passasse a impactar diretamente contratos, financiamentos, competitividade e permanência no mercado.
No centro dessa mudança, empresas vêm apostando em soluções que combinam eficiência operacional, inovação tecnológica e redução de impactos ambientais. Frotas com menor emissão de poluentes, uso de inteligência artificial, telemetria, roteirização inteligente, combustíveis alternativos e gestão de emissões já começam a fazer parte da rotina de transportadoras e operadores logísticos.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça a necessidade de o setor avançar em uma agenda ambiental conectada à realidade econômica do transporte brasileiro. Segundo ele, a pauta da sustentabilidade deixou de ser tendência futura e passou a integrar o presente das operações logísticas.
“O transporte rodoviário tem consciência da sua responsabilidade ambiental e vem buscando alternativas para reduzir impactos sem comprometer a eficiência das operações. Hoje, sustentabilidade e competitividade caminham juntas. Quem não acompanhar essa transformação corre o risco de perder mercado, contratos e acesso a crédito”, afirma.
A pressão vem de diferentes frentes.Grandes embarcadores passaram a exigir inventários de emissões, metas ambientais e indicadores ESG de seus parceiros logísticos. Instituições financeiras também incorporaram critérios socioambientais em análises de crédito e concessão de financiamento. Na prática, reduzir emissões passou a influenciar diretamente a saúde financeira e a capacidade competitiva das empresas.
De acordo com o assessor jurídico-ambiental do Setcemg, Walter Cerqueira, o Brasil ainda vive uma fase de transição no processo de descarbonização do transporte rodoviário. “As soluções adotadas até hoje são mais incrementais do que disruptivas. Há avanços importantes, mas ainda existem gargalos estruturais que dificultam uma transformação mais acelerada”, avalia.
Entre os avanços já incorporados pelo setor, Walter destaca a ampliação da mistura de biodiesel na matriz energética do transporte. Apesar dos ganhos ambientais, ele ressalta que o setor também aponta desafios relacionados à qualidade do combustível e ao impacto sobre manutenção e durabilidade dos veículos. “A gente reconhece a importância do biodiesel para a redução das emissões. No entanto, também existe uma preocupação crescente com os custos operacionais, desgaste de peças e manutenção das frotas”, explica.
Além do biodiesel, outras alternativas começam a ganhar espaço no transporte rodoviário, como diesel verde, biometano e eletrificação. O uso do gás metano aparece principalmente em operações de frota cativa, nas quais as empresas conseguem maior previsibilidade de abastecimento e controle logístico. Já a eletrificação do transporte de longa distância ainda enfrenta obstáculos importantes. Como, por exemplo, o alto custo da tecnologia, baixa disponibilidade de infraestrutura de recarga nas rodovias e rede limitada de assistência técnica especializada.
Eficiência operacional impulsiona logística mais sustentávelÀ medida que o setor de transporte avança na agenda ambiental, a tecnologia vem assumindo papel central na redução das emissões e no aumento da eficiência logística. Mesmo com a substituição total da frota ainda distante da realidade brasileira, empresas já apostam em inteligência artificial, telemetria, roteirização inteligente e veículos menos poluentes para reduzir impactos ambientais e otimizar custos operacionais.
Segundo o CEO da Zero Carbon, Felipe Marçal, sustentabilidade e eficiência deixaram de caminhar separadas. “No Brasil, as soluções mais eficientes são aquelas que reduzem emissão enquanto melhoram a performance financeira da operação”, afirma. A empresa investe em frota elétrica para entregas urbanas, veículos Euro 6, energia renovável certificada e centros de distribuição estrategicamente posicionados para reduzir viagens vazias e ampliar a ocupação dos veículos.
A combinação entre tecnologia e gestão inteligente já apresenta resultados concretos. Em operações otimizadas, a empresa registrou redução de até 50% nas emissões de CO₂ em determinadas rotas. Em um projeto voltado ao setor de mineração, mais de 120 toneladas de carbono foram compensadas em apenas um mês.
Descarbonização ainda esbarra em desafios estruturaisApesar dos avanços, a transição sustentável no transporte rodoviário enfrenta obstáculos importantes. Para o assessor jurídico do Setcemg, um dos principais entraves está na própria estrutura do setor. Ou seja, hoje ela é altamente pulverizada e formada majoritariamente por pequenos transportadores e autônomos. “Discutir transição energética sem criar mecanismos que permitam a participação dos pequenos transportadores é uma das principais questões que o Brasil precisa enfrentar”, alerta. Segundo ele, a descarbonização precisa ocorrer de forma gradual e equilibrada, evitando aumento excessivo dos custos do frete e perda de competitividade para empresas menores.
Além disso, o avanço regulatório ainda é insuficiente para atender às demandas do transporte de cargas. Embora programas como o Rota 2030 e a Lei do Combustível do Futuro representem avanços importantes, ainda faltam incentivos específicos para renovação de frota, eletrificação do transporte de longa distância e melhoria da infraestrutura rodoviária.
“A melhoria das estradas também reduz emissões e aumenta a eficiência das operações”, afirma.
ESG deixa de ser tendência e passa a ser exigência de mercadoNo cenário atual, adiar práticas ambientais já representa risco operacional e financeiro para as transportadoras. Além das penalidades previstas em lei para danos ambientais, cresce a pressão de embarcadores, investidores e instituições financeiras por metas ambientais e inventários de emissões. Empresas que não se adaptarem às exigências ESG podem enfrentar dificuldades na renovação de contratos e no acesso a crédito. “O ESG funciona como uma corrente, quando a empresa principal muda seu posicionamento, toda a cadeia passa a ser pressionada a se adequar”, explica Walter.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o setor de logística mostra que a sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso institucional para se tornar um fator estratégico de competitividade. Entre inovação tecnológica, eficiência operacional e pressão regulatória, a redução das emissões já passa a definir quais empresas estarão preparadas para o futuro do transporte no Brasil.
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4 métodos para se proteger contra roubo remoto de carros
A inovação dos carros com sistema de entrada sem chave trouxe muita conveniência para os usuários, mas também abriu as portas para os crimes cibernéticos. Atualmente, em vez de forçar as fechaduras ou quebrar os vidros, os ladrões têm utilizado controles remotos ou outras ferramentas eletrônicas para roubar os veículos. Entender como esses métodos de roubo funcionam é o primeiro passo para proteger seu carro.
Aqui estão quatro maneiras eficazes de reduzir o risco desses golpes.
1. Proteger contas e aplicativos do carroMuitos veículos modernos estão conectados a aplicativos móveis que permitem funcionalidades como travamento ou partida do motor de modo remoto. Infelizmente, esses programas têm sido alvos cada vez mais comuns dos criminosos, sobretudo por causa do uso de conexões Wi-Fi públicas, que aumentam a possibilidade de exposição de dados.
É por isso que é importante evitar o uso de aplicativos do tipo em redes não seguras, como no Wi-Fi de aeroportos ou hotéis. Uma alternativa, caso seja necessário usar dessas conexões, é protegê-las com uma rede virtual privada (VPN). Mas é preciso atenção: nem todas as VPNs são iguais, e provavelmente a melhor VPN será uma paga, e não a gratuita que você encontrou num site suspeito.
2. Bloquear sinais de controle remotoUma das técnicas mais comuns usadas por ladrões é o ataque de retransmissão. Com amplificadores de sinal, os criminosos capturam a comunicação entre um veículo e seu controle remoto. O sinal amplificado engana o veículo, fazendo-o acreditar que a chave está por perto, o que permite o destravamento das portas e ignição do motor.
Uma defesa simples, porém eficaz, é guardar o controle remoto da chave dentro de um estojo com revestimento metálico quando não estiver em uso, já que isso bloqueia a transmissão de sinais de rádio. Alguns veículos também permitem que os proprietários desativem completamente o sinal da chave sem fio quando estacionados, o que pode reduzir ainda mais a exposição.
3. Usar dispositivos antifurto visíveisEmbora os métodos de roubo modernos sejam altamente tecnológicos, os dispositivos de segurança tradicionais ainda são importantes. Como destacou recentemente o aeroporto de Goiânia, travas de volante, de roda e de pedal criam obstáculos adicionais que dificultam a ação dos ladrões e atraem a atenção.
Criminosos geralmente preferem roubos rápidos e discretos. Se o seu veículo parecer mais difícil de roubar do que outros nas proximidades, eles certamente vão procurar um alvo mais fácil.
4. Instalar rastreamento GPS e alertas de movimentoMesmo com medidas preventivas, roubos ainda podem acontecer. Para remediar a situação, a instalação de rastreadores GPS pode ser essencial por aumentar as chances de recuperar o veículo.
Sistemas de rastreamento modernos enviam alertas quando movimentos suspeitos são detectados, como tentativas de reboque ou atividades inesperadas no veículo. Alguns dispositivos também fornecem atualizações de localização em tempo real, ajudando proprietários e autoridades a responderem mais rapidamente.
Combinar e vencerEnquanto os criminosos inventam novas técnicas de roubo remoto de carros, a melhor defesa dos usuários é investir em múltiplas medidas de segurança concomitantes. Ao usar aplicativos seguros, tomar cuidado das chaves eletrônicas, manter dispositivos antifurto visíveis e monitorar por GPS, eles poderão aumentar a dificuldade do roubo e, assim, dissuadir os criminosos de atacarem.
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Micromobilidade avança no Brasil, mas cidades ainda não acompanham mudança no trânsito
A micromobilidade já faz parte da rotina de muitas cidades brasileiras. Bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos se consolidaram como alternativa para trajetos curtos, integração com transporte público e redução do uso do carro.
O crescimento desses modais responde a problemas reais, como congestionamentos, custo elevado de deslocamento e busca por opções mais sustentáveis. No entanto, a expansão ocorreu mais rápido do que a adaptação urbana.
Hoje, muitos usuários enfrentam um dilema diário: circular entre carros e ônibus em vias perigosas ou dividir espaço com pedestres em calçadas. Isso revela um problema central: cidades ainda são planejadas prioritariamente para veículos maiores, e não para deslocamentos leves e compartilhados.
Falta estrutura e informaçãoA legislação brasileira já traz regras para bicicletas elétricas, ciclomotores e autopropelidos, com critérios diferentes para cada categoria. O problema é que boa parte da população desconhece essas diferenças.
Na prática, isso gera confusão entre usuários, comércio e fiscalização. Há veículos vendidos como bicicleta, mas que se enquadram em outra categoria, além de circulação irregular em áreas inadequadas.
Sem informação clara, aumentam riscos e conflitos.
Usuários vulneráveis no centro do debateQuem utiliza micromobilidade tem pouca proteção física e está exposto a quedas, colisões laterais, buracos e imprudência de terceiros. Ao mesmo tempo, também pode colocar pedestres em risco quando circula em calçadas ou em alta velocidade em áreas compartilhadas.
Por isso, o debate exige equilíbrio: proteger quem usa esses modais sem ignorar a segurança de quem anda a pé.
Maio Amarelo reforça necessidade de convivênciaO Maio Amarelo 2026 ajuda a trazer visibilidade ao tema ao defender respeito entre todos os usuários das vias. No caso da micromobilidade, enxergar o outro significa reconhecer que o trânsito mudou — e que as cidades precisam mudar também.
O que precisa avançarCelso Alves Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, aponta cinco medidas prioritárias:
- ciclovias e rotas conectadas;
- velocidades urbanas compatíveis;
- fiscalização orientativa;
- educação para todos os modais;
- integração com transporte público.
A micromobilidade pode reduzir congestionamentos, emissões e dependência do carro. Mas, sem planejamento, também pode ampliar disputas por espaço e insegurança.
“Mais do que discutir patinetes ou bicicletas elétricas, o Brasil precisa decidir se quer cidades preparadas para o futuro ou presas a um modelo centrado apenas no automóvel”, conclui Mariano.
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Jogar lixo pela janela do carro pode causar acidentes e render multa, alerta concessionária
O hábito de jogar lixo pela janela do veículo, muitas vezes visto como algo sem importância, continua representando riscos para a segurança viária e para o meio ambiente. Durante a Semana do Meio Ambiente, a Concessionária SPMAR reforça o alerta sobre os perigos do descarte irregular de resíduos nas rodovias e lembra que a prática também é passível de multa prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Responsável por cerca de 100 quilômetros dos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, a concessionária chama a atenção para situações que podem surgir a partir de um simples objeto lançado para fora do veículo.
Conforme a gerência de Meio Ambiente da SPMAR, os riscos vão muito além da sujeira acumulada às margens das estradas.
“Um objeto lançado pela janela pode obrigar o carro de trás a realizar uma manobra brusca para desviar. Um pedaço de comida pode atrair um animal para o centro da via, gerando uma condição de perigo para quem trafega. Da mesma forma, pedaços de lixo abandonadas na via podem prejudicar o escoamento da água de chuva podendo gerar aquaplanagem aos veículos, situações que representam sérios riscos a vida dos motoristas”, alerta a gerente de Meio Ambiente da Concessionária SPMAR.
Como o lixo pode comprometer a segurança viáriaNas rodovias, qualquer objeto descartado inadequadamente pode se transformar em um obstáculo inesperado. Garrafas plásticas, latas, embalagens, restos de alimentos e outros resíduos podem provocar reações rápidas dos condutores, aumentando o risco de colisões e saídas de pista.
Além disso, o descarte de alimentos às margens das estradas pode atrair animais para a pista, criando situações de perigo para motoristas, motociclistas e demais usuários da via.
Outro problema apontado pela concessionária está relacionado ao sistema de drenagem. Resíduos acumulados podem dificultar o escoamento da água da chuva, favorecendo o acúmulo de água na pista e aumentando o risco de aquaplanagem, especialmente durante períodos de chuva intensa.
Impactos também atingem o meio ambienteOs prejuízos não se limitam à segurança no trânsito. O descarte irregular de resíduos compromete a preservação ambiental e exige um trabalho contínuo de limpeza ao longo das rodovias.
De acordo com a SPMAR, nos últimos cinco anos foram recolhidas e encaminhadas para reciclagem 581 toneladas de pneus inteiros e de ressolagem, 147 toneladas de metais, 118 toneladas de papel e 52 toneladas de madeira.
O volume total desses materiais equivale, em peso, a aproximadamente 600 carros populares empilhados.
Os números ajudam a dimensionar a quantidade de resíduos abandonados nas vias bem como a necessidade de equipes permanentes para minimizar os impactos causados pelo descarte inadequado.
Risco de incêndios preocupaOutro efeito do lixo jogado nas rodovias é a possibilidade de incêndios em áreas de vegetação próximas às pistas.
Bitucas de cigarro descartadas pela janela e até mesmo latas de alumínio abandonadas em locais com vegetação seca podem contribuir para o surgimento de focos de incêndio, especialmente em períodos de estiagem e altas temperaturas.
Para enfrentar esse cenário, a concessionária informa que mantém diariamente mais de 40 profissionais atuando nos serviços de limpeza e conservação da rodovia.
Ainda de acordo com a gerência de Meio Ambiente da empresa, a conscientização dos usuários é fundamental para reduzir o problema.
“É fundamental que a população entenda que o lixo tem lugar certo para ser descartado e não é na rodovia. Além de comprometer o meio ambiente, o descarte irregular coloca em risco a vida de motoristas e pedestres. Nosso trabalho de limpeza é constante, mas precisamos da colaboração de todos para reduzir esse problema”, reforça.
Jogar lixo pela janela gera multaAlém dos riscos para a segurança e para o meio ambiente, o comportamento pode resultar em penalidade de trânsito.
Conforme previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro, arremessar ou abandonar objetos na via é uma infração de natureza média. A penalidade é multa de R$ 130,16 assim como o registro de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A regra busca justamente coibir uma prática que, apesar de aparentemente simples, pode gerar consequências graves para quem utiliza as rodovias.
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CNT critica flexibilização de regras para motofretistas
A retirada da obrigatoriedade de cursos especializados para motofretistas e mototaxistas, prevista na Medida Provisória 1.360/2026, voltou a ampliar o debate sobre segurança viária, qualificação profissional e o aumento da violência no trânsito brasileiro. Em posicionamento divulgado na semana passada, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) afirmou que considera “essencial” a preservação de mecanismos de capacitação técnica para profissionais que atuam no transporte remunerado em motocicletas.
De acordo com a entidade, a flexibilização prevista pela medida ocorre justamente em um momento de agravamento dos índices de mortes no trânsito, especialmente entre motociclistas. Esse é o grupo que figura entre os mais vulneráveis do sistema viário brasileiro.
A CNT avalia com preocupação os dispositivos da MP que retiram a obrigatoriedade do curso especializado para motofretistas e mototaxistas. Para a entidade, a formação específica vai além de uma exigência administrativa. Ela representa uma política pública diretamente relacionada à prevenção de sinistros e à preservação da vida.
“A formação especializada dos profissionais que atuam nesse segmento constitui um instrumento importante de prevenção de acidentes, condução defensiva, gerenciamento de riscos e conscientização sobre responsabilidade no trânsito”, afirmou a entidade.
Ainda conforme o posicionamento divulgado, a qualificação técnica “não deve ser tratada como exigência burocrática”, mas como uma ferramenta de segurança operacional em atividades consideradas de alto risco.
Flexibilização reacende debate sobre formação de condutoresA discussão ocorre em meio a um cenário mais amplo de mudanças recentes na regulamentação da formação e da atuação profissional no trânsito brasileiro. Nos últimos anos, diferentes propostas de flexibilização envolvendo exigências para condutores têm gerado debates entre especialistas, entidades do setor e representantes ligados à segurança viária.
No caso específico dos motociclistas profissionais, o tema ganha ainda mais relevância devido à crescente participação das motos na mobilidade urbana e nas atividades econômicas, especialmente em serviços de entrega e transporte individual.
O avanço das plataformas digitais e o crescimento do trabalho por aplicativos fizeram aumentar significativamente o número de motociclistas circulando diariamente nas cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a exposição prolongada ao trânsito intenso, jornadas extensas e pressão por produtividade elevam os riscos enfrentados por esses profissionais.
Para a CNT, simplificar regras não pode significar redução de requisitos mínimos de segurança.
“A CNT reconhece a importância de iniciativas voltadas à simplificação regulatória e à ampliação de oportunidades econômicas. No entanto, entende que medidas de modernização normativa devem preservar requisitos mínimos de segurança e capacitação profissional em atividades de alto risco”, destacou a entidade.
Mortes de motociclistas preocupam autoridades e especialistasO posicionamento da CNT também se apoia no crescimento da letalidade no trânsito brasileiro. Dados do Ministério da Saúde citados pela entidade mostram que o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, o maior número desde 2016.
Os números envolvendo motociclistas chamam atenção de forma especial. De acordo com a confederação, apenas na Região Nordeste, 6.116 ocupantes de motocicletas morreram em sinistros de trânsito em 2024. O volume é 60% superior ao registrado na Região Sudeste.
Além disso, nas regiões Norte e Nordeste, mais da metade das vítimas fatais do trânsito estava em motocicletas.
O cenário reforça uma preocupação recorrente de especialistas em segurança viária. Embora a motocicleta tenha se consolidado como importante instrumento de mobilidade e geração de renda, principalmente em regiões periféricas e cidades médias, os motociclistas continuam entre os usuários mais expostos à gravidade dos sinistros.
Curso especializado é visto como ferramenta de prevençãoAtualmente, os cursos especializados para motofretistas e mototaxistas incluem conteúdos relacionados à condução defensiva, legislação de trânsito, gerenciamento de riscos, comportamento seguro e responsabilidade profissional.
Entidades do setor defendem que esse tipo de formação ajuda a preparar os profissionais para situações críticas enfrentadas diariamente no trânsito urbano. Dessa forma, contribuindo para decisões mais seguras e para a redução de comportamentos de risco.
Na avaliação da CNT, retirar a exigência obrigatória da capacitação pode representar um enfraquecimento de políticas preventivas justamente em um dos segmentos mais vulneráveis da mobilidade brasileira.
O debate sobre a MP 1.360/2026 ainda deve avançar no Congresso Nacional, onde parlamentares poderão manter, alterar ou rejeitar os dispositivos relacionados às exigências para atuação de motofretistas e mototaxistas.
Enquanto isso, a discussão reacende um tema cada vez mais presente nas políticas públicas de trânsito: até que ponto a simplificação regulatória pode ocorrer sem comprometer a segurança viária e a formação adequada dos profissionais que circulam diariamente nas ruas e rodovias do país.
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Detran lista as 10 principais consequências de se dirigir com carga acima do limite permitido
Se você é caminhoneiro ou usa seu carro para transportar diversos objetos e equipamentos, provavelmente já sabe que transitar com o veículo acima do peso permitido é infração de trânsito. Com pontos na habilitação e retenção do veículo, o peso não é sentido apenas no automóvel, mas também no bolso, pois a cada 200 kg de peso extra, é cobrada uma taxa adicional pela conduta, conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Porém, o Governo do Tocantins, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/TO), chama a atenção dos condutores para além das penalidades e aponta as 10 principais consequências de dirigir acima do peso. Tal prática traz inúmeros impactos à infraestrutura viária, aumenta os gastos com manutenção e combustível e afeta negativamente o desempenho da viagem.
Além desses fatores, o excesso de peso representa um risco maior à vida do condutor e dos passageiros, pois diminui a capacidade de aceleração do veículo e reduz o tempo de resposta ou de desvio de algum obstáculo na pista.
1. PenalidadesO artigo 231 do CTB estabelece que qualquer veículo que transitar com excesso de peso está sujeito às seguintes penalidades:
- Pontuação: quatro pontos na carteira;
- Multa: R$ 130,16;
- Retenção do automóvel: o veículo fica retido até que outro seja apresentado para transportar a carga excedente, ou o condutor pode apenas descarregar o excesso no local.
Multa acrescida
Além da taxa de R$ 130,16, o condutor é cobrado por um custo adicional a cada 200 kg de peso extra, conforme o inciso IV do art. 231 do CTB:
Peso excedente (em kg) Acréscimo cobrado (em R$)
- Até 600 kg acima do peso – R$ 5,32
- Entre 601 kg e 800 kg – R$ 10,64
- De 801 kg a 1.000 kg – R$ 21,28
- De 1.001 kg a 3.000 kg – R$ 31,92
- De 3.001 kg a 5.000 kg – R$ 42,56
- Acima de 5.000 kg – R$ 53,20
Todo veículo possui peças e componentes com especificações técnicas determinadas que levam em consideração o peso máximo para o transporte de cargas. Ao transitar com peso além do estabelecido, o condutor exige um esforço maior do veículo, o que leva ao comprometimento da mecânica e da estrutura.
Nesses casos, o peso excedente superaquece os freios e compromete a integridade dos pneus, do chassi, dos engates e do próprio implemento.
Ao negligenciar os limites de peso do veículo, o condutor terá que arcar com altos gastos de manutenção.
3. Velocidade do caminhão e tempo de respostaO veículo foi projetado para suportar uma quantidade máxima de carga preestabelecida. Isso significa que, ao exceder tal limite, o motor e os demais componentes têm sua capacidade de acelerar, frear ou desviar de algo no trânsito (como um obstáculo) drasticamente reduzida.
4. Danos à qualidade das viasAs consequências do excesso de peso também trazem à tona o impacto às estradas, comprometendo a sua qualidade. O excesso de peso é responsável por estragos no asfalto de forma exponencial, conforme diz a Lei da Quarta Potência — uma regra básica fundamentada em testes rodoviários. Nela, o dano causado à estrutura do pavimento se eleva na proporção da potência da carga do eixo.
Isso significa que, quando um veículo transita com o dobro do próprio peso, o estrago à via é 16 vezes maior em comparação com um carro que trafega dentro do limite permitido. Isso leva ao surgimento de buracos nas vias e acrescenta mais um fator de impacto à estrutura do veículo, principalmente aos pneus.
5. Gasto com combustívelTransportar carga em excesso faz com que o veículo precise manter maiores rotações para movimentar o peso, o que o faz sair da faixa ideal de eficiência energética. Ao sair dessa faixa, o consumo de combustível aumenta na tentativa de conseguir um ganho pequeno de velocidade ou até mesmo para reduzi-la.
6. Tombamento da carga e do veículoA carga excedente compromete a dirigibilidade de diversas formas, em especial na execução de curvas e de manobras mais delicadas. Seja para frear ou acelerar, essa situação pode provocar desequilíbrios e acarretar o tombamento do veículo. Esse perigo se torna ainda mais provável quando a curva é fechada e a velocidade é alta.
7. Risco de sinistros fataisJuntos, a redução do tempo de reação, os danos às vias e a chance de tombamento elevam consideravelmente a possibilidade de ocorrência de um sinistro fatal no trânsito.
A estrutura do veículo e os equipamentos de segurança foram projetados para aguentar uma determinada quantidade de força.
Com a carga excedente, essa força gera uma energia superior à que o veículo suporta e compromete a integridade e a segurança do condutor.
8. Torna o trânsito mais lentoO sobrepeso da carga dificulta o aumento de velocidade do veículo, tornando o trânsito mais lento. Isso se intensifica uma vez que a maioria das pistas é simples, com poucos trechos de ultrapassagem segura e permitida, impedindo que outros veículos acelerem. A lentidão se torna ainda mais presente quando os motoristas tentam desviar de buracos nas vias, diminuindo a área de trafegabilidade.
9. Reduz o tempo de vida útil do veículoCom diversos desgastes acentuados, trocas de peças e esforços extremos dos componentes, ocorre a deterioração das estruturas mecânicas e a depreciação do veículo, acelerando o fim do seu tempo de vida útil.
10. Emissão de gases poluentesO excesso de peso traz outra consequência, muitas vezes silenciosa: o aumento da emissão de gases poluentes. Como a carga excedente exige um maior consumo de combustível, esse motor acaba produzindo e liberando muito mais gases provenientes da queima na atmosfera.
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Exame toxicológico passa a ser exigido na primeira habilitação para carros e motos; entenda o que muda
Desde a última segunda-feira (1º), os candidatos que iniciam o processo para obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B, que permitem conduzir motocicletas e automóveis, precisam realizar exame toxicológico no Paraná. A medida decorre da Lei nº 15.153/2025, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e ampliou a exigência que, até então, era aplicada apenas a condutores das categorias C, D e E.
No Paraná, a nova regra já está sendo aplicada pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) para todos os processos iniciados a partir de 1º de junho. Já os candidatos que deram entrada na primeira habilitação antes dessa data permanecem submetidos às regras anteriores e não precisam realizar o exame para concluir o processo.
A mudança deve ser implementada gradualmente em todo o país, uma vez que a legislação federal já está em vigor.
Quem precisa fazer o exame?A exigência vale para candidatos à primeira habilitação das categorias A e B, ou seja, para quem está tirando a CNH pela primeira vez para conduzir motocicletas ou automóveis.
De acordo com as regras em vigor, o exame deverá ser realizado antes da conclusão do processo de habilitação e somente em laboratórios credenciados pelos órgãos de trânsito.
No caso do Paraná, é possível consultar a relação dos laboratórios no portal oficial do Detran/PR.
Para seguir com o processo, o resultado deve ser negativo para as substâncias pesquisadas pelo exame.
Como funciona o exame toxicológico?O exame toxicológico exigido para a CNH é conhecido como teste de larga janela de detecção. Diferentemente dos exames de sangue ou urina, ele permite identificar o consumo de determinadas substâncias por um período muito mais amplo.
A coleta acontece, preferencialmente, por meio de fios de cabelo retirados próximos à raiz. Quando não há quantidade suficiente de cabelo, é possível utilizar pelos de outras partes do corpo.
O objetivo é detectar o uso de drogas ilícitas e outras substâncias psicoativas que possam comprometer a capacidade de dirigir com segurança.
Entre as substâncias normalmente identificadas estão:
- maconha;
- cocaína;
- anfetaminas;
- metanfetaminas;
- opioides;
- rebites e estimulantes semelhantes.
A principal característica desse tipo de exame é a capacidade de apontar o consumo ocorrido em até 90 dias antes da coleta.
O que diz a nova lei?A obrigatoriedade surgiu durante a tramitação do projeto que deu origem à Lei nº 15.153/2025. Inicialmente, a proposta tinha outro foco, mas acabou recebendo uma emenda que ampliou a exigência do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação.
A justificativa apresentada pelos defensores da medida é reforçar a segurança viária, assim como, criar um mecanismo de prevenção ao uso de drogas por futuros condutores.
A legislação também determina que os recursos arrecadados com multas de trânsito possam ser utilizados em programas voltados à formação de condutores de baixa renda, incluindo iniciativas de CNH Social.
Objetivo é aumentar a segurança no trânsitoDe acordo com o especialista em trânsito Celso Mariano, diretor da Tecnodata Educacional e do Portal do Trânsito, a medida tem caráter preventivo. Ela busca reduzir os riscos associados ao consumo de substâncias ilícitas por pessoas que pretendem obter a habilitação. “O exame é válido apenas se for realizado em laboratório credenciado. Além disso, é preciso apresentar resultado negativo para que o candidato possa continuar o processo”, explica.
Conforme ele, um dos diferenciais do teste é justamente sua capacidade de identificar o consumo de drogas mesmo meses antes da coleta. “Trata-se de um exame de larga janela de detecção, capaz de identificar substâncias consumidas até 90 dias antes da realização do teste”, destaca.
Celso Mariano também lembra que a mudança não afeta quem já havia iniciado o processo de habilitação antes da entrada em vigor da nova regra. “Quem deu entrada no processo anteriormente não precisará fazer o exame. A obrigatoriedade vale apenas para os candidatos que iniciaram o procedimento a partir de 1º de junho”, esclarece.
De acordo com o especialista, o propósito da legislação é claro.
“O objetivo da lei é coibir o consumo de substâncias ilícitas ou, pelo menos, dificultar que usuários dessas drogas tenham acesso ao volante”, afirma.
Medida ainda gera debatesDesde o Congresso Nacional aprovou a proposta, a ampliação do exame toxicológico para as categorias A e B tem provocado discussões. Entre os pontos debatidos estão os custos adicionais para os candidatos, a efetividade da medida na prevenção de sinistros e a capacidade do exame de identificar consumo recente ou eventual de determinadas substâncias.
Por outro lado, defensores da exigência argumentam que o teste representa uma ferramenta importante para reforçar a responsabilidade dos futuros motoristas e motociclistas antes mesmo da obtenção da CNH.
Independentemente das divergências, a nova regra já está valendo. Ou seja, ela passa a fazer parte das etapas obrigatórias da primeira habilitação em todo o território nacional.
Com isso, candidatos que pretendem iniciar o processo para obter a CNH devem ficar atentos às novas exigências.
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Corpus Christi: especialistas dão 6 dicas para viajar com segurança no feriadão
Com a chegada do feriadão de Corpus Christi e das temperaturas mais baixas, muitos motoristas devem pegar as estradas e viajar em todo o Brasil nos próximos dias. O aumento no fluxo de veículos, aliado às condições típicas do inverno, como neblina, chuva e frio intenso em algumas regiões, exige atenção redobrada dos condutores — especialmente em relação à manutenção preventiva dos veículos.
De acordo com estimativas das concessionárias, apenas as rodovias concedidas do estado de São Paulo devem receber mais de 16 milhões de veículos durante o feriado prolongado. Em diversos trechos federais, o movimento também costuma crescer significativamente em comparação aos dias normais.
Nesse cenário, uma revisão básica antes de viajar pode fazer diferença tanto para a segurança quanto para evitar imprevistos e gastos inesperados durante o trajeto.
Especialistas da AutoZone Brasil reuniram seis orientações consideradas fundamentais para quem pretende viajar durante o período de frio.
“Em períodos frios, alguns componentes do veículo sofrem mais desgaste ou podem apresentar falhas com maior facilidade. Uma revisão preventiva simples faz diferença tanto na segurança quanto no conforto da viagem”, comunica a companhia.
Bateria merece atenção especial no frioEntre os itens que mais sofrem impacto das baixas temperaturas está a bateria. O frio exige mais esforço do sistema elétrico, especialmente nas partidas pela manhã.
Dificuldade para ligar o veículo, falhas elétricas ou oscilações podem indicar necessidade de avaliação antes da viagem. Ignorar esses sinais pode aumentar o risco de panes em deslocamentos longos.
Pneus descalibrados aumentam riscosOutro ponto importante é a calibragem dos pneus. Com a queda da temperatura, a pressão interna pode sofrer alterações, comprometendo estabilidade, frenagem e consumo de combustível.
Além disso, pneus em más condições elevam o risco de aquaplanagem em pistas molhadas, situação comum durante o inverno em várias regiões do país.
Visibilidade precisa ser prioridadeNo período mais frio do ano, situações como neblina, chuva e vidros embaçados se tornam mais frequentes. Por isso, sistemas ligados à visibilidade precisam funcionar corretamente.
A recomendação inclui verificar:
- ar-condicionado e desembaçador;
- faróis e lanternas;
- luzes de freio;
- setas;
- palhetas do limpador de para-brisa;
- reservatório de água do limpador.
Conforme os especialistas, palhetas ressecadas ou iluminação deficiente podem comprometer seriamente a segurança durante viagens noturnas ou em condições climáticas adversas.
Óleo e arrefecimento também exigem revisãoOs especialistas também orientam os motoristas a conferirem os níveis de óleo, fluidos e o sistema de arrefecimento do veículo antes de sair para a estrada.
O sistema de arrefecimento é responsável por manter a temperatura ideal do motor mesmo em dias frios. Já óleo e demais fluidos em níveis inadequados podem provocar desgaste prematuro e até falhas mecânicas.
Manutenção preventiva pode evitar transtornosDe acordo com a AutoZone Brasil, muitos problemas registrados nas rodovias durante feriados prolongados poderiam ser evitados com verificações simples feitas antes da viagem.
Além de aumentar a segurança, a manutenção preventiva ajuda a reduzir o risco de panes mecânicas, atrasos e despesas inesperadas durante o deslocamento.
“Pequenos cuidados ajudam a evitar panes, gastos inesperados e situações de risco. A manutenção preventiva é sempre mais econômica e segura do que resolver um problema no meio da estrada”, reforça o time da AutoZone Brasil.
Durante períodos de grande movimentação nas rodovias, especialistas em segurança viária também recomendam planejamento da viagem, pausas para descanso e atenção redobrada às condições climáticas, especialmente em regiões sujeitas à neblina e chuva intensa no inverno.
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Atlas da Violência liga alta de mortes no trânsito à precarização do trabalho por aplicativos
A motocicleta deixou de ser apenas um meio de transporte para se tornar ferramenta de sobrevivência econômica de milhões de brasileiros — e essa transformação já aparece nas estatísticas da violência no trânsito. O alerta está no Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que relaciona o crescimento das mortes de motociclistas à expansão da economia de aplicativos e à precarização do trabalho urbano.
Conforme o levantamento, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. As motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% desses óbitos. Entre 2019 e 2024, as mortes em sinistros com motos cresceram 38%, passando de 11.182 para 15.459 vítimas fatais. Para os pesquisadores, fatores como jornadas extensas, pressão por produtividade e ausência de proteção social transformaram trabalhadores de aplicativos em um dos grupos mais expostos ao risco letal no cotidiano urbano.
O relatório mostra que a dinâmica da mobilidade urbana brasileira mudou profundamente nos últimos anos. Em muitas cidades, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, a motocicleta passou a ocupar papel central tanto no deslocamento quanto na geração de renda.
A moto como ferramenta de trabalhoO Atlas da Violência destaca que a expansão da economia de aplicativos consolidou a motocicleta como instrumento de trabalho e sobrevivência econômica para parcelas vulneráveis da população. O fenômeno se intensificou especialmente após a ampliação dos serviços de entrega e transporte individual mediados por plataformas digitais.
Com menor custo em comparação ao automóvel e maior facilidade de circulação nos centros urbanos, a moto se tornou alternativa rápida para quem busca renda imediata. O problema, segundo os pesquisadores, é que o aumento do tempo de exposição ao trânsito acaba ampliando também o risco de envolvimento em sinistros graves e fatais.
O estudo chama atenção para fatores que passaram a fazer parte da rotina de muitos motociclistas:
- pressão por entregas rápidas;
- longas jornadas de trabalho;
- necessidade de realizar maior número de corridas;
- fadiga física e mental;
- circulação constante em ambientes urbanos de alto risco.
Embora o Atlas não responsabilize diretamente os aplicativos pelas mortes, o documento aponta que a lógica de produtividade e a precarização das relações de trabalho alteraram o perfil da mortalidade viária brasileira.
Segurança viária passa também pelas condições de trabalhoPara especialistas em trânsito, os números mostram que a discussão sobre segurança de motociclistas precisa ultrapassar a ideia de imprudência individual.
“O trânsito começa a refletir uma lógica de trabalho em que parar significa ganhar menos. Isso cria um ambiente de pressa permanente, em que o motociclista muitas vezes troca descanso, alimentação e até segurança por produtividade”, analisa Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.
De acordo com ele, o crescimento da mortalidade entre motociclistas não pode ser observado isoladamente. É preciso considerar as transformações recentes da mobilidade urbana e das relações de trabalho. “Hoje muitos motociclistas passam 10, 12 horas expostos ao trânsito diariamente. É diferente do uso ocasional da moto. Estamos falando de pessoas que vivem dentro de um ambiente de risco durante praticamente o dia inteiro”, explica.
O especialista destaca ainda que a vulnerabilidade física do motociclista amplia as consequências de qualquer falha no sistema viário. “Quando você soma pressão por tempo, cansaço, vias inseguras, tráfego intenso e um veículo que oferece pouca proteção ao corpo humano, o resultado aparece nas estatísticas de mortes”, afirma.
Regiões Norte e Nordeste concentram cenário mais críticoO Atlas da Violência aponta que as regiões Norte e Nordeste concentram alguns dos cenários mais preocupantes do país quando o assunto é mortalidade de motociclistas.
No Piauí, por exemplo, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas em 2024, índice muito acima da média nacional.
O estudo relaciona esse cenário ao crescimento do uso da motocicleta como principal ferramenta de trabalho e mobilidade em estados com menor cobertura de transporte público e maior presença da informalidade.
Além da questão econômica, especialistas apontam que o cenário é agravado por uma combinação de fatores, como infraestrutura viária precária, ausência de espaços seguros para circulação e fiscalização insuficiente. Além disso, crescimento acelerado da frota e a própria vulnerabilidade física do motociclista em caso de sinistros.
Debate deve envolver formação, infraestrutura e prevençãoO relatório também reforça que o enfrentamento da violência no trânsito exige políticas públicas integradas. A discussão envolve educação, infraestrutura segura, planejamento urbano, fiscalização e condições de trabalho.
Para Mariano, o debate precisa considerar que o trânsito brasileiro mudou rapidamente, mas as políticas públicas nem sempre acompanharam essa transformação. “A motocicleta cresceu muito mais rápido do que a capacidade das cidades de absorver esse aumento com segurança. Em muitos locais, faltam infraestrutura adequada, planejamento e políticas voltadas especificamente para quem trabalha sobre duas rodas”, avalia.
O especialista também chama atenção para a necessidade de qualificação permanente dos condutores profissionais. Além disso, para os impactos das recentes flexibilizações regulatórias no processo de formação de condutores.
“Quando a moto vira instrumento de sustento, a formação deixa de ser apenas uma exigência burocrática. Ela passa a ser ferramenta de proteção à vida”, conclui.
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Rodovias que matam
Por Adalgisa Lopes*
A colisão entre o ônibus e o caminhão na BR-251 não foi um acidente. Acidentes são inevitáveis; tragédias evitáveis são escolhas. Oito pessoas morreram e dez ficaram feridas em Santa Cruz de Salinas porque o poder público falhou simultaneamente em duas frentes: recusa em construir rodovias que perdoam erros humanos e abandono de uma política pública que integre medicina, psicologia e engenharia na prevenção de mortes no trânsito.
Minas Gerais, pela sua geografia, concentra a fórmula perfeita para o desastre. Tem a maior malha rodoviária do país, boa parte dela com pistas simples, curvas sinuosas, longos trechos sem acostamento e grande fluxo de carga. Essa geometria é exatamente o que eleva o risco de colisões frontais, o tipo de acidente mais letal. A BR-251 é o exemplo vivo dessa sentença de morte.
A ciência é clara ao demonstrar que 90% dos sinistros de trânsito são provocados por fatores humanos, como imprudência, desatenção, agressividade, sono e mal súbito.
Medicina e Psicologia do Trânsito são as principais armas para reduzir essas ocorrências.As avaliações psicológicas funcionam como barreiras que identificam problemas como ansiedade, imprudência, comportamentos agressivos, déficits de concentração, incapacidade de avaliar riscos e alterações emocionais, condições que elevam exponencialmente a probabilidade de erros fatais. Mas o Estado não as implementa regularmente para motoristas. Pelo contrário, pretende flexibilizar regras mínimas de segurança viária sob o pretexto eleitoreiro da desburocratização.
Da engenharia de tráfego vem o conceito de “rodovias que perdoam”, que implementa medidas de segurança desde a projeção até a sinalização para minimizar a gravidade dos sinistros. Não estamos falando de obras faraônicas e caras.
Um acostamento bem construído permite que um motorista que perca o controle recupere a estabilidade sem colidir frontalmente com um veículo vindo na mão contrária.
Barreiras metálicas separam as mãos de tráfego em pistas simples e reduzem drasticamente as colisões frontais. Curvas com raios adequados à velocidade permitida, pavimento em bom estado, sinalização redundante, placas de advertência, linhas de pintura visíveis e marcadores de curva reduzem erros de percepção.
Rodovias que perdoam não deixam margem para dúvida. Elas estão ali para minimizar os impactos dos erros humanos.
Mas, no Brasil, menos de 20% da malha rodoviária implementa corretamente esse conceito.As rodovias concedidas, que seguem padrões mais rigorosos de infraestrutura, apresentam 62,5% de alto perdão. Isso não é falta de conhecimento técnico. É falta de prioridade orçamentária. Há uma resistência estrutural em investir em prevenção, justamente o que faz diferença na preservação de vidas.
Enquanto o governo federal e Minas Gerais—que foi berço da Psicologia do Trânsito na década de 1970—continuarem construindo rodovias que punem cada erro com morte, continuaremos perdendo oito pessoas por vez. A segurança viária não é responsabilidade de um setor. Não é apenas do motorista, do engenheiro, do psicólogo ou do médico. É responsabilidade do poder público integrar essas disciplinas em uma política pública coerente. Medicina, psicologia e engenharia já sabem trabalhar juntas. O que falta é o Estado decidir que isso importa.
O comportamento humano muda. A infraestrutura precisa perdoar. As avaliações precisam ser frequentes. Enquanto esses três pilares não convergirem em uma política pública integrada, continuaremos perdendo oito pessoas por vez em trechos de pista simples.
*Adalgisa Lopes é especialista em segurança viária, psicóloga do Trânsito e presidente da Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans)
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Guia prático para dirigir com segurança sob condições adversas
Dirigir sob chuva intensa, neblina ou em pistas escorregadias exige muito mais do que cautela. Nessas situações, fatores como baixa visibilidade, perda de aderência e aumento da distância de frenagem podem transformar pequenos erros em situações graves no trânsito. Informações divulgadas pela Dunlop Pneus alertam que a condução segura em condições adversas começa antes mesmo de o motorista ligar o veículo.
Conforme a empresa, condições adversas não envolvem apenas chuva ou neblina. Buracos na pista, sinalização precária e trechos perigosos também interferem diretamente na capacidade de controle do veículo e na percepção do condutor. Nesse cenário, a direção defensiva e a manutenção preventiva ganham ainda mais importância.
Manutenção do veículo influencia diretamente na segurançaDe acordo com a Dunlop, o primeiro passo para reduzir riscos em situações críticas é garantir que o veículo esteja em boas condições de uso. Pneus, freios, faróis e limpadores de para-brisa estão entre os itens que mais impactam a segurança em dias de chuva ou baixa visibilidade.
O gerente de Vendas e Marketing da Dunlop Pneus, Fábio Torres Klabacher, destaca que os pneus têm papel fundamental na aderência do veículo, especialmente em pistas molhadas.
“Pneus em bom estado, com sulcos adequados e calibragem correta, são fundamentais para garantir a aderência, especialmente em pistas molhadas. Limpadores e faróis desempenham papel decisivo na visibilidade — tanto para enxergar quanto para ser visto. A segurança é uma escolha que começa antes mesmo de ligar o motor.”
A empresa também orienta os motoristas a planejarem previamente o trajeto, utilizando aplicativos e verificando pontos críticos da rota. A medida pode ajudar a evitar áreas de maior risco e permitir decisões mais seguras durante o deslocamento.
Velocidade menor pode evitar sinistrosOutro ponto destacado pela Dunlop é a necessidade de reduzir a velocidade em condições adversas. Com menos aderência entre o pneu e o asfalto, o veículo leva mais tempo para responder aos comandos e precisa de uma distância maior para parar completamente.
Além disso, manter distância segura do veículo da frente se torna ainda mais importante em chuva intensa ou neblina. A recomendação é ampliar esse espaço para reduzir o risco de colisões causadas por freadas bruscas ou perda de controle.
Esses cuidados fazem parte dos princípios da direção defensiva, estratégia que busca antecipar riscos e adaptar a condução às condições da via e do ambiente.
Uso correto dos faróis faz diferençaA visibilidade reduzida é um dos principais desafios enfrentados pelos motoristas em situações adversas. Conforme a Dunlop, utilizar corretamente os faróis ajuda tanto na percepção da pista quanto na sinalização do veículo para os demais usuários da via.
Entre as orientações estão:
- utilizar o farol baixo durante chuva ou neblina, inclusive durante o dia;
- evitar o uso do farol alto em neblina, já que a luz refletida pode piorar a visibilidade;
- manter os vidros limpos e desembaçados;
- utilizar luzes específicas de neblina, quando o veículo possuir esse recurso.
A atenção deve ser redobrada também durante a noite, quando o ofuscamento provocado por outros veículos pode comprometer a visão do motorista.
Aquaplanagem exige calma do motoristaEm pistas molhadas, um dos riscos mais perigosos é a aquaplanagem — situação em que os pneus perdem contato com o asfalto por causa do acúmulo de água. Nesses casos, reações impulsivas podem agravar ainda mais a perda de controle.
Fábio Torres Klabacher explica que frear imediatamente é justamente o erro que deve ser evitado.
“O impulso natural é frear — mas é exatamente o que não se deve fazer. O caminho é manter a calma, retirar o pé do acelerador, firmar o volante e aguardar que os pneus retomem o contato com a pista. Em condições adversas, o motorista precisa estar 100% focado na condução.”
Em alguns casos, a melhor decisão é pararAs orientações divulgadas pela Dunlop também reforçam que determinadas situações exigem decisões mais conservadoras por parte do motorista. Em alagamentos, por exemplo, a recomendação é evitar atravessar trechos onde o nível da água ultrapasse metade da roda do veículo.
Já em situações de neblina intensa, quando a visibilidade fica praticamente comprometida, interromper a viagem pode ser a alternativa mais segura. O ideal é procurar um local adequado fora da pista e aguardar melhores condições para seguir viagem.
De acordo com a empresa, todos esses cuidados fazem parte de uma postura preventiva no trânsito. A ideia é reduzir a exposição a riscos e aumentar a capacidade de reação diante de imprevistos.
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Infraestrutura pode estar pesando mais que imprudência nas mortes em rodovias
Mesmo com recorde de fiscalização e milhões de autuações por excesso de velocidade, o Brasil segue convivendo com um cenário alarmante nas rodovias federais. E os dados do novo Anuário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ajudam a ampliar um debate importante: o erro humano continua existindo, mas a infraestrutura muitas vezes define o tamanho da tragédia. Em um sistema viário que ainda não é tolerante ao erro, falhas como distração, reação tardia ou ultrapassagens indevidas frequentemente terminam em colisões graves e mortes.
Os números reforçam essa percepção. Em 2025, as pistas simples registraram 4.143 mortes, enquanto as pistas duplas concentraram 1.603 óbitos. A diferença chama atenção porque evidencia que o problema vai além da imprudência individual e envolve também as condições das rodovias brasileiras.
Embora comportamento de risco, velocidade excessiva e distração continuem entre os principais fatores das ocorrências, especialistas defendem que o ambiente viário influencia diretamente na gravidade dos sinistros.
Rodovias que não “perdoam” falhasA própria PRF associa a alta mortalidade das pistas simples às colisões frontais, um dos tipos mais violentos de sinistro no trânsito rodoviário. Sem separação física entre os sentidos opostos, qualquer erro pode ter consequências devastadoras.
Na prática, isso significa que uma distração momentânea, uma ultrapassagem malsucedida ou até uma reação tardia acabam tendo potencial muito maior de provocar mortes quando acontecem em rodovias sem duplicação.
Para Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, os números ajudam a demonstrar que segurança viária não depende apenas do comportamento individual.
“Quando analisamos os dados das pistas simples, percebemos claramente que o erro humano continua existindo, mas a infraestrutura muitas vezes define o tamanho da tragédia. Rodovias brasileiras ainda não são tolerantes ao erro”, afirma.
Conforme ele, países que conseguiram reduzir de forma consistente as mortes no trânsito passaram a investir em conceitos de “Sistema Seguro”, que consideram o erro humano inevitável e buscam impedir que ele resulte em fatalidades.
Fiscalização cresce, mas redução das mortes segue tímidaO anuário mostra que a fiscalização da PRF permaneceu intensa em 2025. Foram mais de 10 milhões de pessoas fiscalizadas e quase 10 milhões de veículos abordados em rodovias federais. O excesso de velocidade, sozinho, gerou mais de 7,2 milhões de autuações.
Ainda assim, a redução nas mortes foi pequena. Em 2024, as rodovias federais registraram 6.160 mortes. Em 2025, o número caiu para 6.043. Os sinistros também tiveram leve redução, passando de 73.156 para 72.529.
Os dados levantam uma discussão importante: apenas ampliar fiscalização e aumentar multas é suficiente para reduzir a violência no trânsito brasileiro?
Mariano, por exemplo, defende que punição e fiscalização continuam sendo fundamentais, mas alerta que isso não substitui investimentos estruturais em engenharia viária, planejamento e infraestrutura segura.
Velocidade e infraestrutura formam combinação perigosaO levantamento da PRF também mostra como velocidade e infraestrutura acabam se relacionando diretamente.
Além dos milhões de autuações por excesso de velocidade, a PRF registrou quase 195 mil ultrapassagens em faixa contínua e mais de 10 mil saídas de pista ao longo de 2025.
Em rodovias simples, sem barreiras físicas ou áreas adequadas de recuperação, velocidades incompatíveis tornam qualquer falha muito mais grave. A chance de colisões frontais aumenta, assim como o risco de perda de controle do veículo e de impactos fatais.
Outro dado que chama atenção é o número de colisões traseiras: foram 14.360 casos em 2025, o tipo de sinistro mais frequente nas BRs federais.
O cenário ajuda a demonstrar que muitas rodovias operam atualmente sob forte pressão de fluxo, especialmente em regiões urbanizadas e corredores logísticos.
BR-101 e BR-116 seguem concentrando ocorrênciasAs rodovias com maior número de sinistros foram justamente algumas das mais movimentadas do país. A BR-101 registrou 13.014 ocorrências no ano, enquanto a BR-116 teve 11.021 casos.
As duas atravessam grandes centros urbanos e importantes corredores de transporte de cargas, convivendo diariamente com trânsito intenso, mistura de veículos pesados e leves, acessos urbanos e longos deslocamentos.
Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná lideraram o número de sinistros registrados pela PRF. Juntos, os três estados somaram 1.792 mortes em rodovias federais.
No caso do Paraná, corredores como as BRs 277, 376 e 116 frequentemente entram no debate sobre segurança viária por reunirem grande fluxo de caminhões, turismo e trechos de geometria complexa.
Debate sobre segurança viária vai além da puniçãoOs números do Anuário da PRF reforçam um entendimento cada vez mais presente entre especialistas: reduzir mortes no trânsito depende de um conjunto de fatores e não apenas da conduta individual dos motoristas.
Duplicação de rodovias, melhoria da sinalização, áreas de escape, controle inteligente de velocidade e projetos viários mais seguros aparecem entre as medidas apontadas como fundamentais para reduzir a letalidade nas BRs brasileiras.
“Mais do que cumprir regras, o trânsito exige compreensão de risco e responsabilidade coletiva”, afirma Celso Mariano.
De acordo com ele, o Brasil ainda precisa avançar na transformação dos dados estatísticos em políticas permanentes de prevenção e infraestrutura.
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CIOT passa a ser obrigatório e muda transporte de medicamentos termolábeis no Brasil
Desde o dia 24 de maio de 2026, todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas no Brasil passaram a exigir o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). A mudança, determinada pela Resolução nº 6.078/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), deve impactar diretamente a logística de medicamentos e produtos termolábeis, que dependem de controle rigoroso de temperatura durante todo o trajeto.
No setor farmacêutico, especialistas alertam que qualquer atraso operacional pode comprometer a integridade de medicamentos sensíveis, vacinas, insumos e outros produtos que exigem cadeia fria.
Conforme a Temp Log, operadora logística especializada em produtos para medicina estética, a nova exigência aumenta a necessidade de controle e planejamento nas operações.
Controle passa a ser digital e preventivoCom a nova regulamentação, o CIOT passa a ser integrado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Na prática, isso significa que o controle deixa de ocorrer apenas nas estradas e passa a acontecer de forma digital e preventiva.
Não será possível registrar regularmente operações que não estiverem em conformidade com as regras.
Além disso, o descumprimento das exigências pode gerar penalidades financeiras relevantes. Segundo a regulamentação, ausência do CIOT, inconsistências nos dados ou falta de vinculação ao MDF-e podem resultar em multa de R$ 10.500 por viagem.
Já as infrações relacionadas ao piso mínimo de frete seguem regras específicas, com sanções ainda mais elevadas.
Transporte de termolábeis exige atenção maiorNo caso de medicamentos e produtos sensíveis à temperatura, o desafio envolve principalmente o tempo operacional.
Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, explica que a exigência do código antes do fechamento do manifesto eletrônico pode tornar alguns processos mais lentos.
“Antes de fechar o manifesto eletrônico, precisamos inserir o código do CIOT. Isso pode tornar o processo um pouco mais lento e para termolábeis, já que qualquer atraso precisa ser mapeado e mitigado para não afetar o controle de temperatura”, afirma o especialista em logística de cadeia fria farmacêutica no Brasil.
Em operações desse tipo, atrasos aparentemente pequenos podem afetar diretamente a estabilidade térmica dos produtos transportados, especialmente em viagens longas ou em regiões com temperaturas elevadas.
Mudança amplia exigência para empresasAté então, aplicava-se a obrigatoriedade do CIOT principalmente em operações realizadas por Transportadores Autônomos de Cargas (TAC) e TAC-equiparados.
Com a nova resolução da ANTT, empresas que operam por meio de redes terceirizadas também passam a precisar se adequar às exigências regulatórias.
De acordo com a Temp Log, a empresa já contratou uma instituição habilitada para emissão do código e iniciou os ajustes necessários para operar dentro das novas regras desde o primeiro dia de vigência da norma.
Setor vê avanço na profissionalizaçãoApesar dos desafios operacionais, a avaliação da empresa é que a mudança tende a fortalecer a profissionalização do transporte rodoviário de cargas. “Todos os segmentos terão seus fretes monitorados, isso deixa menos espaço para amadorismos e exige que as empresas sejam cada vez mais qualificadas para atender aos grandes embarcadores. Para quem já está acostumado com altos padrões de conformidade, como exige a logística farmacêutica, é uma mudança bem-vinda”, avalia Canteras.
A expectativa do setor é que a rastreabilidade e o monitoramento mais rigoroso das operações contribuam para aumentar a segurança jurídica e operacional no transporte de cargas.
Dúvidas sobre veículos elétricos e combustíveis alternativosUm dos pontos que ainda gera dúvidas no setor envolve a aplicação das regras relacionadas ao piso mínimo de frete para veículos que não utilizam diesel.
Segundo Canteras, ainda faltam esclarecimentos sobre como devem ser enquadrados veículos movidos a gasolina, etanol ou eletricidade.
“Veículos movidos a gasolina, etanol e elétricos que, na nossa interpretação, não deveriam ser enquadrados nessa mesma lógica. O preenchimento correto do manifesto eletrônico para esses casos ainda precisa de mais clareza por parte da ANTT”, aponta.
A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) já encaminhou questionamentos formais à agência reguladora. O mercado aguarda a publicação de notas técnicas complementares nas próximas semanas.
Conformidade deixa de ser diferencialPara empresas que atuam no transporte farmacêutico e em operações de cadeia fria, a nova regulamentação reforça uma tendência crescente no setor: conformidade regulatória deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser requisito básico de operação.
No caso do transporte de medicamentos e insumos sensíveis, especialistas destacam que segurança logística, rastreabilidade e controle operacional têm impacto direto não apenas nos custos das empresas, mas também na qualidade e segurança dos produtos que chegam ao consumidor final.
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Pedágio eletrônico: entenda as regras para regularização de multas
Com a suspensão de 3,4 milhões de multas de pedágio eletrônico pelo Governo Federal quem foi afetado pode regularizar sua situação, mas a situação não é automática e exige ação direta de quem foi multado.
Como em qualquer processo de regularização é importante ter registro de comprovantes de pagamento e checar a situação de sua Carteira Nacional de Habilitação após os passos. Outro ponto importante é o prazo: a suspensão é válida por 200 dias, até 16 de novembro. Após essa data quem não regularizar sua situação poderá ser autuado novamente.
Atente também para o fato de que deve-se tratar cada autuação por evasão de forma independente. Embora algumas concessionárias permitam agrupar o pagamento de cobranças em trechos e mesmo em dias diferentes as multas não obedecem a mesma lógica e pendências diferentes podem gerar autuações distintas.
Também é importante não deixar passar o prazo de quitação, que é 30 dias após passar o trecho que tem a cobrança eletrônica.
O primeiro passo é o de regularizar a sua situação.Se ainda não o fez, pague os pedágios. Os sites das concessionárias são uma das opções mais acessíveis, mas quem tiver dificuldade pode procurar cabines de cobrança. As concessionárias são obrigadas a dar alternativas de pagamento, inclusive presenciais, conforme a Resolução ANTT Nº 6.079, de 26 de março deste ano.
Em seguida você deve procurar o órgão responsável pela multa. Em estradas federais a referência é a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para estradas estaduais a referência são os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). Você deverá recorrer da multa.
Se você não pagou a multa deve esperar a baixa dos pontos no sistema. O aplicativo CNH Digital é uma boa referência para acompanhar se a pontuação foi retirada da sua carteira.
Caso já tenha pago a multa você tem direito a pedir o valor de volta. Esse pedido ocorre dependendo novamente do órgão que emitiu a multa. Para estradas federais é possível pedir o reembolso pelo portal Gov.br. Nos estaduais é importante procurar a referência nos sites, podendo ser via Detran ou Secretaria da Fazenda). Lembrando que ele não é automático, a correção e devolução depende da iniciativa de quem recebeu a multa.
Um fator importante para a devolução é comprovar que você pagou a multa.Vale comprovante bancário, guia quitada, mas tem de ser um documento bancário oficial e precisará ser enviado, normalmente digitalizado. Também é possível enviar cópias físicas, em agências dos correios ou postos presenciais de atendimento das secretarias ou Detrans, mas será necessário se informar de prazos e exigências dos órgãos.
Após o pedido é importante acompanhar os processos. Guarde protocolos e consulte-os regularmente. Não há um prazo estabelecido para a resposta dos órgãos, que podem pedir documentos adicionais ou mesmo novo envio, caso faltem dados importantes ou haja problema para identificar os dados nos comprovantes.
As informações são da Agência Brasil
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Maio Amarelo reforça a importância do cuidado permanente na segurança nas operações de transporte de cargas
Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ano de 2025 registrou 72.483 sinistros de trânsito nas rodovias federais brasileiras, com 6.044 mortes e mais de 83 mil pessoas feridas. Embora os números indiquem redução em relação ao ano anterior, eles ainda permanecem elevados e reforçam a necessidade de ações contínuas voltadas à segurança viária.
Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente em decorrência de acidentes de trânsito. Nesse contexto, o movimento Maio Amarelo, iniciativa internacional de conscientização criada a partir de mobilização da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, tem o papel de ampliar a visibilidade do tema e estimular reflexões sobre segurança no trânsito. Em 2026, a campanha traz como tema: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), no entanto, a segurança viária precisa ser tratada como uma pauta permanente.A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) destaca que campanhas como o Maio Amarelo são importantes para ampliar o debate público e mobilizar a sociedade, mas que a construção de um trânsito mais seguro depende de ações contínuas ao longo de todo o ano.
“Campanhas como o Maio Amarelo têm um papel fundamental porque ajudam a manter o tema da segurança viária em evidência e reforçam que trânsito seguro é uma responsabilidade coletiva. No transporte rodoviário de cargas, essa conscientização ganha ainda mais relevância pela dimensão operacional do setor e pela importância para o abastecimento do país. Acidentes geram impactos humanos extremamente graves, além de prejuízos operacionais, econômicos e logísticos. Por isso, iniciativas de conscientização são importantes para reforçar que preservar vidas deve estar sempre no centro das operações”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Os fatores de risco para acidentes envolvendo veículos de carga são diversos. A falta de manutenção preventiva, o excesso de velocidade, a distração ao volante e o uso de celular durante a condução estão entre os mais recorrentes. Somam-se a esses fatores desafios estruturais das rodovias, sinalização inadequada e o aumento do fluxo de veículos leves em corredores utilizados intensamente por operações logísticas.
SegurançaPara a FETCESP, a segurança no transporte não depende apenas do motorista, mas envolve toda a cadeia operacional, desde a gestão das empresas e o planejamento das operações até a qualidade da infraestrutura viária, a fiscalização e a conscientização dos diferentes usuários das rodovias.
“A construção de uma cultura de segurança exige atuação contínua das empresas. Entre as principais boas práticas estão programas permanentes de treinamento e reciclagem, acompanhamento da jornada operacional, manutenção preventiva rigorosa da frota e utilização de tecnologias de monitoramento e telemetria. Hoje, muitas empresas já utilizam sistemas inteligentes capazes de acompanhar o comportamento de condução, frenagens bruscas, excesso de velocidade e padrões de risco em tempo real. Empresas que desenvolvem essa cultura conseguem reduzir acidentes, melhorar produtividade e criar um ambiente operacional mais eficiente e sustentável”, finaliza Panzan.
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Projeto cria auxílio emergencial para autoescolas afetadas por mudanças na formação de condutores
Um Projeto de Lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe a criação de um programa emergencial de apoio financeiro para autoescolas de todo o país. A medida tem como objetivo reduzir os impactos econômicos provocados pelas mudanças recentes no processo de formação de condutores implementadas pelo Poder Executivo Federal.
O PL 2272/2026, de autoria do deputado Jorge Goetten, institui o Programa Emergencial de Apoio Financeiro às Autoescolas, destinado aos Centros de Formação de Condutores (CFCs) regularmente credenciados pelos órgãos executivos de trânsito dos estados e do Distrito Federal.
Conforme o texto, o programa pretende garantir a continuidade das atividades das autoescolas e preservar empregos em um setor considerado essencial para a segurança no trânsito.
Como funcionará o auxílioDe acordo com a proposta, o apoio financeiro corresponderá ao pagamento mensal de R$ 1 mil por instrutor de trânsito vinculado à autoescola beneficiada. O benefício teria duração inicial de seis meses, com efeitos retroativos a 1º de dezembro de 2025.
O projeto ainda prevê a possibilidade de prorrogação do auxílio por mais seis meses, desde que haja decisão do Poder Executivo.
Pelo texto, consideram-se elegíveis os instrutores devidamente credenciados e vinculados à autoescola até 1º de dezembro de 2025. A definição da quantidade de profissionais aptos ao benefício ocorrerá com base nos registros oficiais dos órgãos executivos de trânsito estaduais e do Distrito Federal.
Recursos poderão vir do FUNSETA proposta estabelece que o financiamento do programa poderá ocorrer com recursos do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (FUNSET), além de dotações orçamentárias da União e outras fontes previstas em regulamento.
Para ter acesso ao auxílio, as autoescolas deverão cumprir alguns requisitos, entre eles:
- possuir credenciamento regular junto aos órgãos executivos de trânsito;
- manter regularidade fiscal;
- apresentar regularidade trabalhista.
O projeto também determina que caberá ao Poder Executivo regulamentar os procedimentos para habilitação das empresas, pagamento do benefício, mecanismos de fiscalização e eventual prorrogação do programa.
Projeto relaciona crise às mudanças na formação de condutoresNa justificativa do PL, o deputado Jorge Goetten afirma que as autoescolas foram diretamente afetadas pelas alterações promovidas na formação de condutores por meio da Resolução nº 1.020/2025, do Conselho Nacional de Trânsito.
Segundo o parlamentar, as mudanças flexibilizaram etapas do processo de habilitação, incluindo a retirada da obrigatoriedade do curso teórico e a previsão de carga horária mínima reduzida para aulas práticas.
Na justificativa, o autor afirma que as medidas acabaram produzindo impactos econômicos significativos sobre os Centros de Formação de Condutores.
Para o deputado, “as autoescolas exercem papel estratégico na formação de condutores e na promoção da educação para o trânsito, contribuindo diretamente para a redução de sinistros e para a preservação da vida”.
Ainda conforme o texto, o auxílio financeiro considera que os instrutores de trânsito representam o principal ativo operacional das autoescolas.
Medida é temporáriaA justificativa também destaca que o programa possui caráter emergencial e temporário. Segundo o autor, a previsão de prazo determinado e a possibilidade de prorrogação condicionada buscam atender às exigências de responsabilidade fiscal.
O deputado argumenta ainda que a proposta se alinha aos princípios constitucionais da valorização do trabalho e da livre iniciativa, além de buscar preservar um setor considerado importante para a mobilidade e a segurança viária no país.
Texto prevê regulamentação do programaCaso o projeto avance no Congresso Nacional e seja aprovado, o Poder Executivo deverá regulamentar detalhes operacionais do programa, incluindo mecanismos de controle e fiscalização dos pagamentos.
A proposta entrou em tramitação na Câmara dos Deputados e ainda deverá passar pelas etapas de análise legislativa antes de eventual aprovação e sanção.
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“O maior cuida do menor”: como veículos pesados influenciam a segurança viária
O movimento Maio Amarelo, dedicado à conscientização para a redução de acidentes de trânsito, coloca em evidência um tema de suma importância nos dias de hoje: a convivência segura entre diferentescategorias de veículos nas vias. Isso porque, em um cenário urbano cada vez mais complexo, veículos pesados (como caminhões e ônibus) exercem um papel decisivo na proteção de motociclistas e pedestres.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que os acidentes de trânsito causam cerca de 1,19 milhão de mortes por ano no mundo, sendo motociclistas e pedestres os mais vulneráveis. No Brasil, em 2024, foram registradas 37.150 mortes, das quais cerca de 60% envolveram motociclistas, além de uma parcela significativa de ciclistas e pedestres. Diante desse cenário, iniciativas de conscientização e prevenção têm potencial para reduzir de forma relevante esses números.
Nesse contexto, ganha força um princípio amplamente difundido na segurança viária e que você, que dirige, já deve ter escutado alguma vez: o de que “o maior cuida do menor”. Devido à sua massae potencial de impacto, caminhões e ônibus possuem maior capacidade de causar danos, o que amplia a responsabilidade de seus condutores, tanto do ponto de vista legal quanto ético.
Desafios técnicos que vão além da atençãoA condução de veículos pesados envolve limitações físicas que impactam diretamente a segurança. Entre os principais fatores estão, por exemplo, os pontos cegos (áreas ao redor do veículo que não são visíveisao motorista), capazes de ocultar motociclistas e pedestres, especialmente em conversões e cruzamentos.
Outro aspecto crítico é a distância de frenagem. Um caminhão carregado pode precisar de uma distância significativamente maior do que um veículo leve para parar completamente. Nesse cenário,os pneus têm papel decisivo: quando em boas condições, contribuem diretamente para reduzir o tempo de resposta e a distância de parada em emergências.
Enxergar o motociclista nem sempre é apenas uma questão de atenção, mas também de limitação técnica. Por isso, a condução preventiva aliada à manutenção adequada do veículo é indispensável para reduzir riscos no trânsito.
Segurança é responsabilidade compartilhadaO Maio Amarelo também reforça que a segurança no trânsito é uma responsabilidade coletiva. Para motociclistas, evitar permanecer nas zonas de ponto cego, especialmente na lateral direita decaminhões, é uma medida essencial. Já para pedestres, a travessia em locais sinalizados e a atenção em áreas de grande circulação fazem toda a diferença.
Para os condutores de veículos pesados, práticas como manter distância segura, evitar mudanças bruscas de faixa e respeitar limites de velocidade, principalmente em áreas urbanas e zonas de30 km/h, são determinantes para prevenir acidentes.
Além disso, a capacitação contínua de motoristas profissionais é um fator-chave. Antecipar situações de risco, bem como adotar uma condução defensiva são habilidades indispensáveis em um trânsito cada vez mais dinâmico.
Manutenção: fator silencioso, mas decisivo“Entre os diversos aspectos da segurança viária, também não poderíamos deixar de falar sobre a importância da manutenção do veículo, principalmente dos pneus, que ainda é um dos fatores mais subestimados. Componentes desgastados comprometem a aderência, aumentam a distância de frenagem e reduzem a estabilidade, ampliando os riscos em situações críticas” explica Fábio Torres Klabacher, Gerente Nacional de Vendas e Marketing da Dunlop Pneus.
Em um trânsito compartilhado, onde segundos podem evitar acidentes, garantir que o veículo esteja em condições ideais de rodagem é tão importante quanto a atenção ao volante.
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