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Atualizado: 41 minutos 2 segundos atrás

Veículos premium exigem cuidados especiais com a suspensão; veja os motivos

dom, 26/07/2026 - 13:30
Entre os componentes mais importantes da suspensão estão os amortecedores, ajudando a controlar os movimentos das molas e manter o contato constante dos pneus com o solo, além de contribuir para o conforto e a estabilidade da condução. Foto: Divulgação

Os veículos premium costumam oferecer mais conforto, estabilidade e precisão na condução graças a sistemas de suspensão mais sofisticados. No entanto, essas tecnologias também exigem atenção redobrada com a manutenção para preservar as características originais do veículo e evitar perda de desempenho ao longo do tempo.

Responsável por absorver as irregularidades do piso e manter os pneus em contato constante com o solo, a suspensão exerce influência direta na dirigibilidade, na estabilidade e até mesmo na segurança. Por isso, especialistas alertam que a manutenção preventiva é ainda mais importante em modelos de luxo e de alta performance, cujos componentes trabalham com tolerâncias mais precisas.

Suspensão influencia conforto, estabilidade e dirigibilidade

Conforme especialistas da thyssenkrupp Springs & Stabilizers, fabricante global de molas e barras estabilizadoras para a indústria automotiva, os sistemas de suspensão utilizados em veículos premium são desenvolvidos para proporcionar respostas mais precisas ao volante, maior estabilidade e melhor capacidade de absorção das irregularidades do piso.

Esse conjunto contribui para uma condução mais refinada, mas também requer inspeções periódicas e o cumprimento das recomendações estabelecidas pela montadora.

“À medida que as tecnologias automotivas evoluem, os sistemas de suspensão assumem um papel cada vez mais relevante na entrega das características de condução esperadas pelos clientes. A manutenção desses sistemas de acordo com as recomendações do fabricante ajuda a preservar o conforto, a dirigibilidade e o desempenho geral do veículo”, explicam os especialistas.

Buracos e pavimento irregular aceleram o desgaste

Mesmo os sistemas mais modernos não estão imunes às condições das vias brasileiras. De acordo com a thyssenkrupp Springs & Stabilizers, a circulação frequente por ruas e rodovias com buracos, valetas, lombadas e pavimentação irregular pode acelerar o desgaste dos componentes da suspensão, especialmente dos amortecedores.

Por esse motivo, a recomendação é realizar inspeções periódicas em oficinas qualificadas, sempre seguindo os intervalos e procedimentos previstos pelo fabricante do veículo.

A manutenção preventiva pode identificar desgastes antes que eles comprometam o funcionamento do conjunto ou provoquem alterações perceptíveis na condução.

Amortecedores têm papel fundamental

Entre os principais componentes da suspensão estão os amortecedores, responsáveis por controlar os movimentos das molas, manter o contato dos pneus com o solo e contribuir para o conforto e a estabilidade durante a condução.

Quando chega o momento da substituição, especialistas recomendam utilizar componentes que atendam às especificações técnicas previstas para o veículo, preservando as características originais de dirigibilidade.

A thyssenkrupp Springs & Stabilizers informa que distribui no mercado brasileiro os amortecedores Bilstein, utilizados em diversas aplicações premium e de alta performance. De acordo com a empresa, as linhas B4 e B6 são comercializadas por sua operação de aftermarket.

Cuidados ajudam a preservar o desempenho do veículo

Para prolongar a vida útil da suspensão e manter a experiência de condução esperada em veículos premium, os especialistas recomendam alguns cuidados básicos:

  • realizar inspeções periódicas conforme as orientações da montadora;
  • verificar regularmente o alinhamento e o balanceamento;
  • manter os pneus sempre calibrados corretamente;
  • evitar impactos severos contra buracos, valetas e guias;
  • investigar rapidamente qualquer ruído ou mudança no comportamento do veículo;
  • utilizar componentes que atendam às especificações técnicas e aos padrões de qualidade adequados.
Manutenção também contribui para a segurança

Embora seja frequentemente associada ao conforto, a suspensão desempenha um papel importante também na estabilidade do veículo e na capacidade de manter os pneus em contato com o pavimento, especialmente em curvas, frenagens e desvios de obstáculos.

Por isso, acompanhar o estado dos componentes e realizar a manutenção preventiva conforme as recomendações do fabricante ajuda a preservar não apenas a experiência de condução, mas também o desempenho do veículo e seu valor ao longo dos anos.

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Cordialidade e direção defensiva são vitais para a segurança viária

dom, 26/07/2026 - 08:15
Especialistas reforçam como a cordialidade e a direção defensiva podem tornar o trânsito mais seguro para todos. Foto: belchonok para Depositphotos

O Dia do Motorista, que foi celebrado ontem, 25 de julho, é um convite para refletir sobre um aspecto que vai além da habilidade ao volante: o comportamento dos condutores no trânsito. Em um cenário marcado por congestionamentos cada vez mais frequentes e níveis elevados de estresse, especialistas alertam que a cordialidade e a direção defensiva são fundamentais para prevenir conflitos e acidentes.

O trânsito das grandes cidades brasileiras tem se tornado um dos principais fatores de estresse da população. Longos congestionamentos, atrasos, buzinas e a rotina corrida acabam criando um ambiente propício para a impaciência e os conflitos entre motoristas. Em casos extremos, desentendimentos iniciados por situações aparentemente simples podem evoluir para agressões físicas e até tragédias.

É possível observar a dimensão desse desafio nos números. Conforme o TomTom Traffic Index 2025, levantamento global que monitora as condições de tráfego em centenas de cidades ao redor do mundo, os motoristas brasileiros passam, em média, dezenas de horas por ano presos em congestionamentos.

Curitiba lidera o ranking nacional, com 135 horas perdidas anualmente no trânsito.

Na sequência aparecem São Paulo, com 132 horas, Recife e Belo Horizonte, ambas com 130 horas. Os dados evidenciam que o problema não está restrito aos maiores centros urbanos do país, mas afeta cidades de diferentes regiões, impactando a rotina, a produtividade e até mesmo o bem-estar emocional dos motoristas.

Em um cenário marcado por deslocamentos cada vez mais longos e desgastantes, especialistas alertam que o estresse acumulado durante a condução pode contribuir para comportamentos impulsivos, discussões e atitudes de risco no trânsito.

Por isso, a cordialidade, a empatia e a prática da direção defensiva tornam-se elementos fundamentais para promover um ambiente mais seguro e harmonioso para todos os usuários das vias. Afinal, o trânsito é um ambiente coletivo, onde as decisões individuais impactam diretamente a segurança e o bem-estar de todos.

Pequenos gestos de cordialidade podem contribuir para reduzir situações de conflito e tornar a convivência mais harmoniosa nas ruas e estradas. Respeitar a vez de outro motorista em uma conversão, permitir uma mudança de faixa quando possível ou sinalizar corretamente as manobras são atitudes simples que ajudam a tornar o fluxo mais previsível e seguro.

Da mesma forma, evitar reações impulsivas diante de fechadas, erros de outros condutores ou momentos de congestionamento pode impedir que situações corriqueiras evoluam para discussões e comportamentos de risco.

A direção defensiva também está diretamente relacionada ao controle emocional.

Embora seja frequentemente associada a técnicas de condução, ela envolve a capacidade de manter a calma diante de situações adversas e tomar decisões conscientes mesmo sob pressão. Ignorar provocações, não disputar espaço nas vias e evitar responder a atitudes agressivas são comportamentos que contribuem para a redução de acidentes e para a preservação da segurança de todos os envolvidos.

Além disso, a condução preventiva exige atenção constante ao ambiente ao redor do veículo. Manter uma distância segura do carro à frente oferece mais tempo para reação em situações inesperadas, enquanto a observação contínua do comportamento dos demais usuários da via permite antecipar possíveis riscos. Ações como identificar uma mudança brusca de faixa, prever uma frenagem repentina ou perceber a distração de outro motorista ajudam a reduzir a probabilidade de colisões e tornam os deslocamentos mais tranquilos.

Em um contexto em que milhões de brasileiros passam horas diariamente enfrentando congestionamentos, cultivar a paciência e adotar práticas de direção defensiva tornam-se atitudes essenciais para transformar o trânsito em um ambiente mais seguro, respeitoso e eficiente para todos.

“Quando falamos em segurança viária, é comum que a atenção esteja voltada para a manutenção do veículo, mas o comportamento do motorista também exerce um papel decisivo. A direção defensiva começa pela capacidade de manter a calma, respeitar os demais usuários da via e antecipar situações de risco”, afirma Fábio Torres, gerente de Marketing e Vendas da Dunlop Pneus.

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O maior risco nas estradas não é a imprudência, mas o cansaço que ninguém vê

sab, 25/07/2026 - 17:30
Foto: adriaticphoto para Depositphotos

Quando se fala em acidentes nas estradas brasileiras, a explicação costuma ser quase automática: imprudência. Excesso de velocidade, uso do celular ao volante, ultrapassagens perigosas ou desrespeito à sinalização aparecem, frequentemente, como os principais responsáveis pelas tragédias que ocorrem diariamente no país.

Embora esses fatores sejam, de fato, relevantes, concentrar todo o debate apenas no comportamento do motorista nos impede de enxergar um dos maiores riscos presentes nas operações de transporte: a fadiga.

O cansaço ao volante ainda é um problema silencioso, subestimado e, muitas vezes, invisível. Diferentemente de uma infração de trânsito, ele nem sempre deixa evidências claras. Mas, seus efeitos são conhecidos como por exemplo redução da atenção, aumento do tempo de reação, lapsos de memória, dificuldades na tomada de decisão e, nos casos mais graves, episódios de sono involuntário. 

Em uma operação logística cada vez mais pressionada por prazos curtos, crescimento do comércio eletrônico, congestionamentos e longas jornadas, ignorar a fadiga deixou de ser apenas uma falha operacional.

Tornou-se um risco estratégico.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a privação de sono compromete capacidades cognitivas de forma semelhante ao consumo de álcool. Em outras palavras, um motorista extremamente cansado pode apresentar níveis de atenção comparáveis aos de alguém que não deveria estar dirigindo.

Ainda assim, a gestão da fadiga permanece fora da prioridade de muitas empresas. Isso acontece porque, historicamente, a segurança viária foi construída sob uma lógica reativa de agir após o acidente, investigar as causas e corrigir processos posteriormente. Hoje, a tecnologia permite uma mudança de paradigma.

Com ferramentas de vídeo-telemetria, análise comportamental e monitoramento em tempo real, já é possível identificar padrões que indicam risco elevado de fadiga antes que um incidente aconteça. Cruzamentos com contextos adicionais como tempo contínuo de direção, horários recorrentes de sonolência, oscilações no padrão de condução, frenagens bruscas e redução na atenção podem revelar situações críticas que exigem intervenção imediata.

Mas tecnologia, sozinha, não resolve o problema.

É necessário que empresas, gestores de frota e embarcadores incorporem a fadiga como uma variável central da gestão operacional. Isso significa revisar escalas, planejar jornadas de forma mais inteligente, criar políticas efetivas de descanso e utilizar dados para apoiar decisões, e não apenas para fiscalizar motoristas.

A discussão sobre segurança no trânsito precisa evoluir. Acidentes não são resultado exclusivo de escolhas individuais equivocadas. Muitas vezes, eles refletem falhas de planejamento, pressão excessiva por produtividade e ausência de mecanismos capazes de antecipar riscos.

O maior perigo nas estradas brasileiras pode não ser a imprudência que todos enxergam, mas o cansaço que ninguém vê. E se já somos capazes de identificar esse risco antes que ele provoque uma tragédia, deixar de agir passa a ser uma escolha, e não uma limitação técnica.

*Rony Neri é diretor-executivo da Platform Science na América Latina. Formado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Londrina, possui especialização em Gestão de Negócios e Liderança pelo IESB/FIEP, além de MBAs em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas e em Executive Business Management pela Swiss School of Business and Management. O executivo coleciona passagens por empresas de tecnologia como Unilab, Senior Sistemas e Guenka Software.

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Etanol ou gasolina? Saiba o que considerar antes de abastecer o veículo

sab, 25/07/2026 - 13:30
Além do preço na bomba, rendimento e tipo de uso do veículo devem ser considerados na hora de escolher entre etanol e gasolina. Foto: Divulgação

Escolher entre etanol e gasolina ainda gera dúvidas para muitos motoristas. Embora o preço seja um dos principais fatores levados em conta na hora de abastecer, a decisão também envolve rendimento, autonomia e até o perfil de uso do veículo.

Em um cenário de constantes variações nos preços dos combustíveis, conhecer as características de cada opção pode ajudar o consumidor a fazer uma escolha mais adequada às suas necessidades.

Os preços dos combustíveis variam de acordo com a região do país. Como exemplo, levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 28 de junho a 4 de julho, aponta que, no Ceará, o preço médio do etanol hidratado foi de R$ 4,99. No mesmo período, a gasolina comum foi comercializada, em média, por R$ 6,84, enquanto a gasolina aditivada chegou a R$ 7,00.

Quais são as diferenças entre etanol e gasolina?

O etanol é um biocombustível produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar. Entre suas características está a alta octanagem, que contribui para uma queima eficiente no motor. Além disso, é considerado uma alternativa mais sustentável por emitir menos poluentes em comparação com a gasolina.

Por outro lado, sua menor densidade energética faz com que o veículo percorra uma distância menor utilizando a mesma quantidade de combustível.

Já a gasolina é derivada do petróleo e possui maior densidade energética, proporcionando maior autonomia ao veículo. Em contrapartida, apresenta maior emissão de gases de efeito estufa quando comparada ao etanol.

A regra dos 70% ajuda na escolha

Para facilitar a decisão, muitos motoristas utilizam uma conta simples. Como regra geral, o etanol tende a ser mais vantajoso quando custa até 70% do valor da gasolina. Para fazer o cálculo, basta multiplicar o preço da gasolina por 0,70.

Se o valor do etanol for igual ou inferior ao resultado obtido, ele costuma oferecer melhor custo-benefício. Caso ultrapasse esse limite, a gasolina tende a ser a opção mais econômica.

O perfil de uso também faz diferença

Apesar de o cálculo servir como referência, ele não deve ser o único critério para decidir qual combustível utilizar.

Conforme Antônio José Costa, assessor de assuntos econômicos do Sindipostos-CE, é importante considerar também a forma como o veículo é utilizado no dia a dia.

“O consumidor pode calcular como ponto de partida, mas ainda é importante observar o rendimento do carro, o tipo de trajeto a ser percorrido e a frequência de abastecimento. Para quem roda mais ou faz viagens demoradas, a gasolina tende a compensar. Avaliar esses fatores é o que garante uma decisão mais eficiente”, explica.

Assim, além de comparar os preços no posto de combustível, o motorista deve levar em conta aspectos como a autonomia do veículo, a rotina de deslocamentos e a frequência com que costuma abastecer.

A escolha depende de cada motorista

Embora exista uma referência de preço que ajude na comparação entre etanol e gasolina, a decisão mais econômica varia de acordo com as características do veículo e o perfil de utilização.

Analisar o custo do combustível, o rendimento e o tipo de percurso realizado pode ajudar o motorista a encontrar a alternativa mais adequada para cada abastecimento.

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Dia do Motorista: pressão, trânsito e jornadas longas aumentam a exposição dos motoristas aos riscos psicossociais no trabalho

sab, 25/07/2026 - 08:15
O setor de transporte apresentou os piores resultados nos domínios analisados, tornando-se o segmento com maior nível de exposição aos fatores de estresse ocupacional. Foto: Virrage Images para Depositphotos

Longas jornadas, pressão por horários, trânsito intenso e pouca previsibilidade fazem parte da rotina de milhares de motoristas. No Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, especialistas chamam atenção para um aspecto que tem ganhado cada vez mais relevância dentro das empresas: os riscos psicossociais enfrentados por esses profissionais assim como seus impactos na saúde mental, na segurança e na produtividade.

Um levantamento realizado com 245 empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) revelou um retrato preocupante desses fatores. A pesquisa, considerada a primeira do país a reunir e publicar dados globais sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho, aponta o setor de transportes como o mais vulnerável entre todos os segmentos avaliados.

Conduzido pela Aventus Ocupacional com base na metodologia internacional HSE-IT, o estudo avaliou empresas dos setores de serviços (50%), comércio (19%), transportes (17%) e indústria (14%). O setor de transporte apresentou os piores resultados nos domínios analisados, tornando-se o segmento com maior nível de exposição aos fatores de estresse ocupacional.

Mais de 70% dos trabalhadores avaliados nesse setor são motoristas de fretados e transporte escolar, profissionais que convivem diariamente com jornadas fragmentadas, longos períodos ao volante, pressão pelo cumprimento de horários e o isolamento característico da função.

Conforme o médico do trabalho Dr. Marco Aurélio Bussacarini, especialista em Medicina Ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, esses fatores vão além do desconforto e representam riscos concretos à saúde dos trabalhadores e ao próprio funcionamento das empresas.

“Quando falamos em motoristas, não estamos tratando apenas de um profissional que permanece muitas horas sentado. Estamos falando de pessoas submetidas diariamente a alta carga de atenção, responsabilidade constante, pressão por horários, trânsito imprevisível e, muitas vezes, pouca autonomia sobre sua rotina. Esse conjunto de fatores favorece o desgaste emocional e aumenta significativamente os riscos psicossociais”, afirma.

Impactos vão além da saúde mental

Além do adoecimento psicológico, especialistas alertam que o estresse crônico e a fadiga podem comprometer diretamente a segurança no trânsito. Dificuldade de concentração, irritabilidade, redução da capacidade de tomada de decisão e aumento da probabilidade de erros estão entre as consequências mais frequentes.

De acordo com o especialista Dr. Marco, a natureza da profissão também dificulta a adoção de hábitos saudáveis. Horários irregulares, alimentação inadequada e poucas oportunidades para pausas e descanso. Além disso, a permanência prolongada em ambientes de alta tensão contribuem para o agravamento do quadro ao longo do tempo.

NR-1 amplia responsabilidade das empresas

A discussão ganha ainda mais relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

Na prática, organizações dos mais diversos setores precisam demonstrar tecnicamente como monitoram fatores relacionados ao estresse ocupacional bem como quais medidas adotam para reduzir o adoecimento dos trabalhadores.

Para Bussacarini, isso representa uma mudança importante na forma como se trata a saúde ocupacional. “Durante muito tempo, questões como estresse, pressão e sobrecarga eram encaradas como parte natural da profissão. Hoje sabemos que esses fatores podem ser identificados, avaliados e prevenidos. A gestão dos riscos psicossociais deixou de ser apenas uma ação de bem-estar e passou a fazer parte da estratégia de prevenção, segurança e conformidade das empresas”, afirma.

O especialista destaca que, no caso dos motoristas, investir na prevenção significa não apenas proteger a saúde dos profissionais, mas também contribuir para operações mais seguras, redução de afastamentos, menor rotatividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados.

“Quando a empresa compreende os fatores que geram desgaste e atua para reduzi-los, ela protege o trabalhador, melhora o desempenho operacional e fortalece a segurança de toda a cadeia de transporte”, conclui.

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Estudo projeta expansão da rede de transporte coletivo de Curitiba para 206 km

sex, 24/07/2026 - 17:30
O estudo busca fortalecer a política nacional de mobilidade urbana. Foto: Luiz Costa/Prefeitura de Curitiba

A Região Metropolitana de Curitiba poderá ampliar significativamente sua rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade nas próximas décadas. É o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades, que projeta a expansão da malha de 114 quilômetros para 206 quilômetros.

Conforme o levantamento, a ampliação poderá ser viabilizada por sete projetos que incluem a implantação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), metrô e a implantação e extensão de corredores de ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit). O estudo estima investimentos entre R$ 11,73 bilhões e R$ 22,74 bilhões, com potencial para atender cerca de 915,2 mil passageiros por dia.

Além do aumento da capacidade do sistema, o estudo projeta impactos positivos para a mobilidade urbana da capital paranaense, como, por exemplo, redução de 24% no tempo médio de deslocamento da população e a possibilidade de evitar cerca de 1.065 vítimas de sinistros de trânsito por ano.

Estudo reúne projetos para transformar o transporte coletivo

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana é resultado de um trabalho desenvolvido entre 2024 e 2026 pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades. A iniciativa reúne diagnósticos, propostas e projetos voltados à expansão e qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade em 21 regiões metropolitanas brasileiras.

A consolidação de todas as informações estão no portal Mobilidade Brasil, que reúne os projetos previstos para cada região estudada.

“O ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas principais regiões metropolitanas do país”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

Banco de dados reúne 187 projetos em todo o país

O relatório final do estudo apresenta um banco de dados composto por 187 projetos de mobilidade urbana, que somam mais de 3 mil quilômetros de infraestrutura voltada ao transporte coletivo, incluindo metrôs, BRTs, trens urbanos e sistemas de VLT.

Cada proposta foi analisada com base em mais de 100 indicadores técnicos, operacionais, econômico-financeiros, socioambientais e urbanísticos. Entre os critérios avaliados estão a demanda prevista, o investimento necessário, os impactos ambientais, a redução de emissões de gases de efeito estufa, os benefícios para a segurança viária e o potencial de embarques diários.

Benefícios previstos vão além da mobilidade

De acordo com o levantamento, caso se implemente todos os projetos previstos para as 21 regiões metropolitanas, os impactos poderão ir além da melhoria do transporte público.

A expectativa é evitar cerca de 27 mil vítimas de sinistros de trânsito por ano, reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas anuais as emissões de dióxido de carbono (CO₂), diminuir em 11% o custo das viagens e reduzir em 16% o tempo médio de deslocamento da população.

O estudo também estima benefícios sociais superiores a R$ 400 bilhões, além do potencial de mobilizar mais de 1 milhão de empregos e estimular a demanda por até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 veículos metroferroviários.

Planejamento para os próximos 30 anos

A elaboração do ENMU ocorreu considerando projeções populacionais assim como de demanda para um horizonte de 30 anos. O objetivo é oferecer subsídios técnicos para que estados e municípios possam planejar sistemas de transporte mais integrados, eficientes e sustentáveis.

De acordo com o Ministério das Cidades, o estudo busca fortalecer a política nacional de mobilidade urbana e servir como ferramenta para apoiar a estruturação de projetos capazes de melhorar os deslocamentos diários da população, ampliar o acesso ao emprego, à educação, à saúde e a outros serviços essenciais, além de contribuir para a redução das desigualdades urbanas.

Embora apresente um cenário de potencial expansão, o levantamento não representa a execução imediata das obras. Os projetos ainda dependem de planejamento, definição de prioridades, disponibilidade de recursos e das etapas técnicas e administrativas necessárias para que possam sair do papel.

Com informações da Agência BNDES de Notícias

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Autopropelido, bicicleta elétrica ou ciclomotor? Saiba as diferenças e as regras de circulação

sex, 24/07/2026 - 13:30
O crescimento da mobilidade elétrica acompanha a busca por alternativas que reduzam o tempo gasto nos deslocamentos. Foto: Dmyrto_Z para Depositphotos

Com o crescimento da mobilidade elétrica nas cidades brasileiras, veículos como bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores passaram a fazer parte da rotina de milhares de pessoas. Apesar da popularidade, ainda é comum haver dúvidas sobre as diferenças entre essas categorias e as regras que cada uma deve seguir.

A regulamentação mais recente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) trouxe critérios técnicos para identificar cada tipo de veículo, estabelecendo limites de potência, velocidade e características construtivas que influenciam diretamente onde eles podem circular e quais exigências legais precisam cumprir.

Conforme a fabricante Watts, entender essas diferenças é fundamental para que o consumidor escolha o veículo mais adequado às suas necessidades e utilize o equipamento de forma correta.

O que é um veículo autopropelido?

Os veículos autopropelidos são destinados principalmente aos deslocamentos urbanos de curta distância e possuem características técnicas específicas.

Entre elas estão:

  • acelerador;
  • potência máxima de até 1.000 watts;
  • velocidade limitada a 32 km/h;
  • distância entre eixos de até 1,30 metro.

Na prática, esses veículos oferecem maior autonomia para deslocamentos urbanos, dispensando esforço físico constante e priorizando praticidade no dia a dia.

Como funciona a bicicleta elétrica?

As bicicletas elétricas também utilizam motor elétrico, mas sua principal característica é o pedal assistido, em que o motor auxilia o ciclista durante a pedalada.

Alguns modelos também possuem acelerador, mas continuam sendo destinados ao uso em deslocamentos urbanos de curta e média distância.

De acordo com a Watts, esse tipo de veículo combina conforto e praticidade para quem busca uma alternativa ao automóvel nos deslocamentos diários.

Ciclomotor segue regras diferentes

Já os ciclomotores pertencem a uma categoria distinta e possuem regras mais próximas das motocicletas.

Dependendo das características do veículo, podem ser exigidos:

  • habilitação;
  • emplacamento;
  • registro;
  • cumprimento das normas específicas de circulação.

Por isso, antes da compra, é importante verificar em qual categoria o modelo se enquadra.

O que diz a regulamentação

A Resolução Contran nº 996/2023 estabeleceu critérios técnicos para diferenciar os veículos de micromobilidade e trouxe mais segurança jurídica para fabricantes, consumidores e órgãos de fiscalização.

Entre os parâmetros definidos para autopropelidos e bicicletas elétricas estão:

  • potência máxima de até 1.000 W;
  • velocidade limitada a 32 km/h;
  • distância entre eixos de até 1,30 metro;
  • regras específicas de circulação conforme a categoria do veículo.

Conforme a Watts, a regulamentação facilita a compreensão sobre os diferentes modelos disponíveis no mercado e reduz as dúvidas de quem pretende adotar a mobilidade elétrica.

“A regulamentação ajuda o consumidor a entender melhor o produto que está comprando e como ele se encaixa na sua rotina. Isso acelera a adoção de soluções mais inteligentes para o deslocamento urbano”, comenta Rodrigo Gomes, porta-voz da Watts.

Micromobilidade ganha espaço nas cidades

O crescimento da mobilidade elétrica acompanha a busca por alternativas que reduzam o tempo gasto nos deslocamentos, o custo de transporte e a dependência do automóvel em trajetos urbanos.

Nesse cenário, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos vêm conquistando espaço como opções para percursos curtos, especialmente em cidades que investem em ciclovias e infraestrutura voltada à mobilidade ativa.

A tendência, segundo a empresa, é que a regulamentação contribua para ampliar a adoção desses modais, oferecendo mais segurança aos usuários e maior clareza sobre os direitos e deveres de cada categoria.

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Vai tirar a primeira CNH? Economizar na formação pode sair caro, diz especialista

sex, 24/07/2026 - 08:15
Com as mudanças nas regras da CNH, Celso Mariano faz um alerta aos futuros motoristas: aprender a dirigir vai muito além de passar nas provas. Foto: criação de IA

As mudanças recentes nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tornaram o processo mais flexível e, em alguns casos, mais acessível financeiramente. No entanto, para quem pretende conquistar a primeira habilitação, o menor custo não deve ser o principal critério na hora de escolher como aprender a dirigir.

Esse é o alerta feito pelo especialista em trânsito Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional. Em um vídeo direcionado aos jovens que estão iniciando o processo de habilitação, ele reforça que aprender a dirigir vai muito além de obter a aprovação nos exames exigidos pelos órgãos de trânsito.

“Eu quero falar com você que pretende tirar a CNH, que precisa da CNH. Você deve ter ouvido falar que muitas coisas mudaram nos últimos meses, que ficou mais acessível, mais barato, mais fácil tirar a CNH.”

Conforme Mariano, embora realmente tenham ocorrido mudanças importantes no processo de habilitação — e outras ainda estejam previstas —, o aspecto mais importante continua sendo a qualidade da formação recebida antes de assumir o volante. “O mais importante de tudo é você saber que esse preparo antes de chegar na CNH é fundamental para que a tua nova competência, de saber dirigir, não seja uma dor de cabeça maior do que já será, naturalmente.”

Aprender a dirigir exige muito mais do que passar na prova

Para o especialista, conduzir um veículo é apenas uma parte do aprendizado. O verdadeiro desafio é compreender como funciona o sistema de trânsito e desenvolver a capacidade de tomar decisões seguras em situações reais. “Dirigir não é fácil. Você tem que aprender, além de conduzir o veículo, a se movimentar e se integrar no sistema de trânsito. Isso vai exigir de você muitos conhecimentos.”

Mariano lembra que nem tudo o que um motorista precisará saber será cobrado nas avaliações oficiais.

“Alguns não serão exigidos na avaliação teórica nem na avaliação prática, mas com certeza o trânsito vai exigir isso de ti.”

Na prática, isso significa que obter a aprovação nos exames não garante, por si só, que o novo condutor esteja preparado para enfrentar situações comuns nas ruas e rodovias.

Preço baixo pode sair caro

Diante das mudanças recentes na formação de condutores, Celso Mariano faz um alerta para quem pretende escolher o processo de habilitação considerando apenas o custo. “Não subestime a importância de se preparar bem. E para se preparar bem, não olhe apenas para preço e facilidades. Pode ser uma armadilha.”

Segundo ele, a decisão deve levar em conta principalmente a qualidade do ensino oferecido. “Olhe para aquilo que realmente é importante: um condutor bem preparado faz uma boa primeira habilitação, e basta. Procure um bom CFC, uma boa autoescola.”

Embora a regulamentação atual permita novos formatos de aprendizagem, Mariano destaca que o candidato deve avaliar se o ambiente de ensino oferece metodologia adequada, orientação segura e acompanhamento qualificado durante o processo.

Formação influencia toda a vida do motorista

O especialista também chama a atenção para as consequências de uma formação deficiente. Maus hábitos adquiridos no início da vida como motorista tendem a permanecer por muitos anos e podem aumentar o risco de acidentes.

“Quem não aprende direito pela primeira vez passa a vida inteira se batendo.”

Além disso, ele ressalta que a economia obtida durante o processo de habilitação pode ser insignificante diante dos prejuízos causados por erros na condução. “No caso do trânsito, a falta de conhecimentos e habilidades adequadas pode custar muito mais caro do que os trocos economizados na formação.”

Uma decisão que acompanha o motorista por toda a vida

Ao concluir a mensagem, Mariano reforça que a primeira habilitação representa uma etapa única na vida de qualquer motorista e merece ser encarada como um investimento em segurança.

“Primeira Habilitação só acontece uma vez na vida: é preciso fazer bem feito.”

Em um cenário de mudanças na legislação, a orientação do especialista é que os futuros condutores não confundam simplificação do processo com redução da necessidade de aprendizado. Independentemente das novas regras, dirigir continua exigindo conhecimento, responsabilidade e preparo para conviver de forma segura com todos os usuários das vias.

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Comissão aprova projeto que obriga envio de foto da infração na notificação de multa de trânsito

qui, 23/07/2026 - 17:30
Projeto aprovado em comissão da Câmara quer tornar obrigatória a inclusão da imagem da infração nas notificações de multa registradas por equipamentos eletrônicos. Foto: PhanuwatNandee para Depositphotos

Motoristas poderão receber mais informações ao serem notificados por uma infração de trânsito registrada por equipamentos eletrônicos. A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que torna obrigatória a inclusão da foto da infração nas notificações enviadas aos condutores, sempre que a autuação for comprovada por equipamento audiovisual.

A proposta altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e busca ampliar a transparência no processo de fiscalização, facilitando a identificação da infração e o exercício do direito de defesa pelos proprietários dos veículos.

O que muda

O texto aprovado determina que a imagem capturada pelo equipamento eletrônico acompanhe tanto a notificação de autuação quanto a notificação de penalidade, quando a infração tiver sido registrada por meio de sistemas audiovisuais.

Hoje, o CTB já autoriza que equipamentos eletrônicos e audiovisuais sejam utilizados para comprovar infrações de trânsito. No entanto, a legislação não obriga que a fotografia ou imagem da infração seja enviada ao motorista junto com a notificação.

Conforme o relator da proposta, deputado AJ Albuquerque (PP-CE), a medida aperfeiçoa a legislação de trânsito. Durante a análise do projeto, ele apresentou uma emenda para ampliar a exigência também à notificação de penalidade, e não apenas à autuação.

Objetivo é dar mais transparência

Autor do projeto, o deputado Danilo Forte (PP-CE) argumenta que a ausência de comprovação visual imediata pode gerar insegurança jurídica e dificultar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pelo cidadão.

Com a mudança, o motorista passaria a receber, junto com a notificação, a imagem que fundamentou a autuação, tornando mais simples verificar as circunstâncias da infração e, se for o caso, apresentar recurso administrativo.

Projeto ainda não virou lei

Apesar da aprovação na Comissão de Viação e Transportes, a proposta ainda não altera as notificações de multa.

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para votação no Senado Federal. Somente depois de aprovado pelas duas Casas e sancionado pela Presidência da República poderá entrar em vigor.

Até lá, continuam valendo as regras atuais previstas no Código de Trânsito Brasileiro para as notificações de infrações registradas por equipamentos eletrônicos.

Com informações são da Agência Câmara

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Professor da USP explica como tecnologia brasileira de frenagem automática pode aumentar a segurança no trânsito

qui, 23/07/2026 - 13:30
Sistema desenvolvido no Brasil utiliza radar e câmera para detectar obstáculos e acionar automaticamente os freios, aumentando a segurança durante a condução. Foto: LanaStock para Depositphotos

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil promete reforçar a segurança dos veículos e reduzir acidentes provocados por distração ao volante. Trata-se de um sistema de frenagem automática de emergência que utiliza radar e câmera para identificar obstáculos à frente do veículo e acionar os freios quando detecta risco de colisão e o motorista não reage a tempo. A expectativa é que esse tipo de equipamento passe a integrar todos os veículos fabricados no país a partir de 1º de janeiro de 2029.

Conhecido internacionalmente como Automatic Emergency Braking (AEB), o recurso faz parte dos chamados Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS), conjunto de tecnologias que auxiliam a condução e têm como principal objetivo reduzir acidentes causados por falhas humanas.

Conforme o professor Marcelo Augusto Leal Alves, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a frenagem automática representa mais um passo na evolução da automação veicular e já é adotada em diversos países, especialmente na Europa.

Como funciona a frenagem automática

O sistema combina informações obtidas por um radar e por uma câmera instalada no veículo. Enquanto o radar mede a distância e a velocidade dos objetos à frente, a câmera identifica o tipo de obstáculo, como outro veículo, um pedestre ou qualquer elemento presente na via. Essas informações são processadas em tempo real por um software, que calcula o risco de colisão e, quando necessário, aciona automaticamente os freios.

De acordo com Marcelo Alves, a tecnologia foi desenvolvida justamente para atuar em situações nas quais o motorista demora a reagir.

“Em uma situação típica de trânsito, em que os veículos andam e param constantemente, o motorista pode se distrair e não perceber que o carro à frente freou. O sistema evita esse tipo de colisão traseira, que, embora muitas vezes não seja grave, provoca prejuízos materiais e contribui para aumentar os congestionamentos. Ele também pode impedir que o veículo atinja um pedestre ou um obstáculo que tenha surgido na pista”, explica.

Tecnologia poderá se tornar obrigatória

A adoção da frenagem automática acompanha um movimento internacional de incorporação de sistemas eletrônicos voltados à segurança veicular.

No Brasil, a previsão é que o equipamento passe a integrar os veículos produzidos no país a partir de 1º de janeiro de 2029, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Além da frenagem automática, os sistemas ADAS podem incluir recursos como assistência de permanência em faixa, monitoramento de obstáculos e outros dispositivos capazes de auxiliar o motorista durante a condução.

Desenvolvimento nacional busca ampliar o acesso à tecnologia

O projeto é desenvolvido pelo Senai Park de Suape, em Pernambuco, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e as montadoras Volkswagen e Stellantis. A iniciativa busca criar uma tecnologia nacional capaz de reduzir a dependência de equipamentos importados assim como ampliar a competitividade da indústria automotiva brasileira.

Segundo Marcelo Alves, embora a tecnologia ainda apresente custo elevado, a tendência é que esse valor diminua à medida que a produção em escala avance, repetindo o que ocorreu com outros equipamentos de segurança, como o airbag.

Tecnologia complementa, mas não substitui o motorista

Apesar dos avanços proporcionados pelos sistemas de assistência à condução, especialistas destacam que eles não eliminam a responsabilidade do condutor.

A frenagem automática funciona como uma camada adicional de segurança, capaz de reduzir as consequências de distrações ou falhas de percepção, mas continua dependendo da atenção do motorista para que a condução seja realizada de forma segura.

Com a evolução da eletrônica embarcada, recursos antes restritos a veículos de categorias superiores começam a ganhar espaço no mercado e podem representar um importante avanço para a redução de acidentes nos próximos anos.

Com informações do Jornal da USP

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Bicicleta elétrica ou ciclomotor? PM alerta para regras que muitos condutores ainda desconhecem

qui, 23/07/2026 - 08:15
PM alerta que conhecer a classificação correta evita infrações e aumenta a segurança no trânsito. Foto: halfpoint para Depositphotos

O aumento da circulação de bicicletas elétricas e outros veículos elétricos de pequeno porte tem gerado dúvidas entre os usuários sobre quais regras de trânsito devem ser seguidas. Em Vilhena (RO), o crescimento dos atendimentos envolvendo esses veículos levou a Polícia Militar de Rondônia (PMRO) a reforçar orientações sobre a legislação que regulamenta a circulação desses modais. Lembrando que as regras são nacionais, então valem em todo país.

De acordo com a corporação, a principal referência é a Resolução nº 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece critérios para diferenciar bicicletas elétricas, equipamentos autopropelidos e ciclomotores. A correta classificação do veículo é fundamental para determinar se há necessidade de habilitação, registro e emplacamento.

O que caracteriza uma bicicleta elétrica?

De acordo com a orientação da PMRO, muitas dúvidas surgem em relação à potência dos veículos. No entanto, o principal critério para a classificação não é apenas a potência, mas também a forma de funcionamento e a velocidade máxima.

Para ser considerada uma bicicleta elétrica, o veículo deve ter velocidade máxima de até 32 km/h e funcionar exclusivamente por meio de pedal assistido, ou seja, o motor elétrico só entra em ação quando o usuário está pedalando. Além disso, não pode possuir acelerador de punho nem qualquer outro dispositivo manual de controle de potência.

Quando essas características deixam de ser atendidas, o enquadramento legal muda.

Quando a bicicleta passa a ser considerada ciclomotor?

A PMRO explica que veículos equipados com acelerador manual ou que ultrapassem os limites estabelecidos pela regulamentação deixam de ser classificados como bicicletas elétricas ou equipamentos autopropelidos. Nesses casos, podem ser enquadrados como ciclomotores, motonetas ou motocicletas, conforme suas características técnicas.

Essa distinção é importante porque altera diretamente as exigências legais para circulação.

CNH e emplacamento: quando são obrigatórios?

A exigência de habilitação varia conforme a categoria do veículo.

No caso das bicicletas elétricas e dos equipamentos autopropelidos, não há exigência de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nem de Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC). Esses veículos também estão dispensados de registro, licenciamento e emplacamento.

Já os ciclomotores exigem obrigatoriamente que o condutor possua ACC ou CNH na categoria A. Além disso, esses veículos devem ser registrados e emplacados para circular regularmente nas vias públicas.

Equipamentos obrigatórios para circulação

A legislação também estabelece requisitos mínimos de segurança para cada categoria. Nos equipamentos autopropelidos, são obrigatórios o indicador ou limitador eletrônico de velocidade, campainha e sistema de sinalização noturna dianteira, traseira e lateral.

Para as bicicletas elétricas, além do indicador ou limitador eletrônico de velocidade e da campainha, é necessário possuir espelho retrovisor do lado esquerdo, pneus em condições adequadas de segurança e sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e também nos pedais.

Embora não seja obrigatório, a Polícia Militar recomenda o uso de capacete para ciclistas, colete retrorrefletivo e luvas de proteção. O objetivo é reduzir a gravidade das lesões em caso de quedas ou colisões.

Transporte de passageiros exige cuidados

Outro ponto destacado pela corporação diz respeito ao transporte de passageiros. A PMRO alerta que é proibido transportar crianças no quadro da bicicleta elétrica. Quando houver transporte de passageiro, o veículo deve possuir assento adequado, apoios para os pés e dispositivos que permitam ao ocupante se segurar com segurança durante o deslocamento. Além disso, a carga total transportada não pode ultrapassar a capacidade máxima definida pelo fabricante.

Atenção às regras evita problemas e aumenta a segurança

Com a popularização dos veículos elétricos de pequeno porte, cresce também a necessidade de que os usuários conheçam as normas aplicáveis a cada tipo de equipamento.

Conforme a PMRO, o respeito às especificações técnicas e às regras de circulação contribui para a prevenção de acidentes. Além disso, para uma convivência mais segura entre todos os usuários das vias.

A orientação é que os condutores verifiquem atentamente as características do veículo antes da compra e mantenham atenção constante durante a circulação no trânsito urbano.

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Remoção de ciclomotores cresce após novas regras do Contran; veja por que a fiscalização ficou mais rigorosa

qua, 22/07/2026 - 17:30
Por isso, especialistas recomendam que o consumidor verifique, antes da compra, como o modelo é classificado pelo fabricante e quais obrigações legais se aplicam à sua utilização. Foto: damrong8899 para Depositphotos

A entrada em vigor da fiscalização das novas regras para ciclomotores tem provocado uma mudança significativa no cenário da mobilidade urbana brasileira. Em diferentes estados, órgãos de trânsito e forças de segurança registram aumento no número de remoções de veículos que circulam de forma irregular, especialmente as chamadas “cinquentinhas” e alguns modelos elétricos que passaram a ser enquadrados como ciclomotores.

O crescimento das fiscalizações evidencia que muitos proprietários ainda desconhecem as exigências estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A principal consequência tem sido a remoção de veículos que deveriam estar registrados, licenciados e conduzidos por motoristas habilitados, mas continuam circulando como se estivessem dispensados dessas obrigações.

Mais do que aumentar a fiscalização, a regulamentação busca reduzir riscos nas vias e diferenciar, de forma mais clara, bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual e ciclomotores.

Por que aumentaram as remoções?

Desde 1º de janeiro de 2026, terminou o período de adaptação previsto pelo Contran e passou a valer a fiscalização integral das regras estabelecidas para os ciclomotores. Com isso, agentes de trânsito passaram a verificar com maior rigor se esses veículos atendem às exigências legais.

Entre as irregularidades mais comuns estão:

  • ausência de registro e licenciamento;
  • falta de placa de identificação;
  • condução sem CNH categoria A ou ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor);
  • circulação em locais proibidos, como ciclovias e calçadas;
  • ausência de equipamentos obrigatórios, como o capacete.

Quando essas infrações são constatadas, o veículo pode ser removido, além da aplicação das penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O que é considerado um ciclomotor?

Uma das maiores dúvidas envolve a classificação dos veículos. Nem toda bicicleta elétrica ou patinete motorizado exige habilitação. Ou seja, a diferença está nas características técnicas definidas pelo Contran.

São considerados ciclomotores os veículos de duas ou três rodas equipados com motor de combustão de até 50 cilindradas ou motor elétrico com potência de até 4 kW e velocidade máxima de fabricação de até 50 km/h. Esses veículos passaram a exigir registro, emplacamento e habilitação.

Já as bicicletas elétricas com assistência ao pedal, sem acelerador e dentro dos limites previstos na regulamentação, continuam dispensadas de CNH e emplacamento.

O mesmo ocorre com a maior parte dos equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, como alguns patinetes elétricos, desde que atendam às especificações técnicas estabelecidas pelo Contran.

O objetivo é aumentar a segurança viária

Embora muitos proprietários enxerguem as novas exigências apenas como uma ampliação da burocracia, a regulamentação tem um objetivo claro: reduzir os riscos provocados pela circulação de veículos motorizados sem qualquer controle.

Nos últimos anos, tornou-se comum encontrar ciclomotores trafegando em calçadas, ciclovias ou sendo conduzidos por pessoas sem qualquer formação para dirigir. Em muitos casos, esses veículos atingem velocidades incompatíveis com espaços destinados a pedestres e ciclistas.

Ao exigir habilitação, equipamentos de segurança e registro dos veículos, o Contran busca aproximar esses modelos das regras já aplicadas às motocicletas, garantindo maior proteção para todos os usuários das vias.

Quais infrações podem levar à remoção do veículo?

Dependendo da irregularidade constatada, o condutor pode responder por diferentes infrações previstas no CTB.

Entre as situações mais comuns estão:

  • conduzir veículo sem registro ou licenciamento, quando obrigatórios;
  • circular sem placa de identificação;
  • dirigir sem possuir a habilitação exigida;
  • trafegar em locais onde a circulação é proibida para ciclomotores;
  • conduzir ou transportar passageiro sem capacete, quando o equipamento é obrigatório.

Além das multas e da pontuação na CNH, algumas dessas infrações permitem a remoção do veículo até que a situação seja regularizada.

Antes de comprar, vale conferir a classificação do veículo

O avanço da mobilidade elétrica fez crescer a oferta de veículos visualmente semelhantes, mas sujeitos a regras completamente diferentes.

Por isso, especialistas recomendam que o consumidor verifique, antes da compra, como o modelo é classificado pelo fabricante e quais obrigações legais se aplicam à sua utilização.

Muitos proprietários acreditam estar adquirindo uma bicicleta elétrica quando, na realidade, o veículo se enquadra como ciclomotor e exige habilitação, registro e emplacamento.

Esse cuidado evita gastos inesperados, remoções e multas, além de contribuir para uma circulação mais segura.

À medida que a fiscalização se intensifica em todo o país, a tendência é que o número de remoções continue aumentando entre os veículos que permanecerem irregulares. A regularização, portanto, deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a ser uma medida essencial para garantir segurança jurídica e viária.

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Sono ao volante: 7 sinais de que você deve parar o carro imediatamente

qua, 22/07/2026 - 13:30
Bocejos frequentes, lapsos de memória e dificuldade para manter os olhos abertos podem indicar que é hora de parar. Foto: AndreyPopov para Depositphotos

O aumento do movimento nas rodovias durante férias, feriados prolongados e períodos de maior circulação de veículos levou a concessionária EPR Litoral Pioneiro a reforçar um alerta sobre um dos fatores mais associados aos acidentes graves: o sono ao volante. Segundo a empresa, dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) indicam que a fadiga e a sonolência estão relacionadas a cerca de 60% dos acidentes automobilísticos, comprometendo o tempo de reação e a capacidade de decisão dos motoristas.

De acordo com a Abramet, a fadiga está entre os principais fatores de risco em viagens longas, principalmente durante a madrugada. Nesses momentos, a redução da atenção e dos reflexos dificulta a resposta do condutor diante de situações inesperadas. Além disso, o cansaço interfere na percepção de profundidade, na avaliação de riscos e na coordenação motora fina, habilidades essenciais para uma condução segura.

O perigo do microssono

Um dos maiores riscos provocados pela fadiga é o chamado microssono, episódio em que o motorista adormece involuntariamente por poucos segundos, muitas vezes sem perceber.

Embora pareça um intervalo pequeno, ele pode ser suficiente para que o veículo percorra centenas de metros completamente sem controle, principalmente em rodovias, onde as velocidades são mais elevadas.

“O sono ao volante é um risco silencioso. Muitas vezes o motorista acredita que consegue seguir viagem normalmente, mas seus reflexos e sua capacidade de tomada de decisão já estão comprometidos. Em rodovias, poucos segundos de desatenção podem ser suficientes para provocar consequências graves”, alerta Paulo Linck, gerente de Operações da EPR Litoral Pioneiro.

O corpo costuma avisar antes

Especialistas explicam que o organismo normalmente emite sinais claros antes que o motorista adormeça ao volante. Reconhecer esses sintomas e interromper a viagem pode evitar acidentes.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • bocejos frequentes;
  • dificuldade para manter os olhos abertos;
  • sensação de peso nas pálpebras;
  • perda de concentração;
  • dificuldade para lembrar os últimos quilômetros percorridos;
  • lapsos de memória, como não se recordar do último pedágio ou da última curva;
  • necessidade constante de corrigir a trajetória do veículo.

Conforme especialistas, ignorar esses sinais aumenta significativamente o risco de acidentes, já que eles indicam que o cérebro começa a perder sua capacidade de manter o estado de alerta.

Há horários em que o risco aumenta

Outro aspecto destacado pela diretriz médica citada pela EPR é o papel do ritmo circadiano, o relógio biológico responsável por regular os períodos de sono e vigília.

Os acidentes relacionados à fadiga tendem a ocorrer com maior frequência em dois períodos do dia: entre 2h e 6h da madrugada e entre 14h e 16h, quando o organismo naturalmente reduz o nível de atenção.

Por isso, iniciar viagens longas nesses horários, especialmente após jornadas intensas de trabalho ou com poucas horas de sono, aumenta consideravelmente o risco de sonolência ao volante.

Cansaço e sonolência não são a mesma coisa

Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, especialistas explicam que existe uma diferença importante entre cansaço físico e sonolência.

O cansaço pode ser aliviado temporariamente com pequenas pausas, alongamentos ou mudanças de posição. Já a sonolência representa uma necessidade fisiológica de dormir e não pode ser vencida apenas com força de vontade.

Quando o motorista começa a apresentar lapsos de memória de curto prazo, como não lembrar dos últimos quilômetros percorridos, isso pode indicar que o cérebro já entrou em um estágio crítico de fadiga, antecedendo episódios de microssono.

Como reduzir os riscos durante a viagem

Para diminuir as chances de acidentes relacionados ao sono, especialistas recomendam algumas medidas simples antes e durante o deslocamento:

  • dormir entre seis e oito horas antes de viajar;
  • realizar pausas a cada duas horas de direção ou entre 150 e 200 quilômetros percorridos;
  • manter-se hidratado;
  • optar por refeições leves antes de dirigir;
  • evitar iniciar viagens após jornadas prolongadas de trabalho;
  • verificar se medicamentos de uso contínuo podem causar sonolência;
  • revezar a direção sempre que houver outro condutor habilitado.

A EPR também alerta que estratégias como abrir as janelas, aumentar o volume da música ou consumir café e bebidas energéticas podem proporcionar apenas uma sensação momentânea de alerta, mas não substituem o descanso quando o organismo demonstra sinais de fadiga.

Estruturas de apoio incentivam pausas seguras

Além das orientações aos motoristas, a EPR Litoral Pioneiro destaca que disponibiliza estruturas para incentivar paradas durante as viagens. Nas rodovias sob sua administração, os usuários contam com 12 bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que oferecem locais adequados para descanso.

Os caminhoneiros que trafegam pelos Campos Gerais e pelo Norte Pioneiro do Paraná também podem utilizar o Ponto de Parada e Descanso (PPD), localizado no km 209 da PR-092, em Arapoti. O espaço dispõe de área de descanso, refeitório, sanitários, vestiários, bebedouros, internet e vigilância 24 horas.

De acordo com a concessionária, incluir pausas no planejamento da viagem é uma das formas mais eficazes de reduzir os riscos provocados pela fadiga e contribuir para um trânsito mais seguro.

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Detecção de acidentes: função do celular pode agilizar o socorro em colisões; veja como ativar

qua, 22/07/2026 - 08:15
As informações podem facilitar os primeiros atendimentos, especialmente quando a vítima não consegue se comunicar. Foto: photovs para Depositphotos

Em um acidente de trânsito grave, cada minuto pode fazer diferença para aumentar as chances de sobrevivência das vítimas. O que muita gente não sabe é que alguns smartphones possuem um recurso capaz de identificar colisões e capotamentos e acionar automaticamente os serviços de emergência caso o usuário não consiga responder. A ferramenta está disponível em modelos recentes de Android e iPhone e voltou a chamar a atenção após orientações divulgadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Embora ainda seja pouco conhecida por muitos brasileiros, a tecnologia representa um avanço importante na chamada segurança passiva digital. Em determinadas situações, ela pode reduzir o tempo entre o sinistro e o início do atendimento, especialmente quando os ocupantes ficam inconscientes ou impossibilitados de usar o telefone.

Por que os primeiros minutos são tão importantes?

No atendimento a vítimas de acidentes de trânsito, a rapidez no acionamento do resgate é um dos fatores que podem influenciar diretamente o desfecho da ocorrência. Quanto antes equipes especializadas chegam ao local, maiores são as possibilidades de estabilização da vítima e encaminhamento ao atendimento hospitalar.

O problema é que, em colisões de maior gravidade, nem sempre quem está envolvido consegue pedir socorro. Lesões, perda de consciência, dificuldade de movimentação ou mesmo o choque provocado pelo impacto podem impedir que a ligação seja feita.

É justamente nesse cenário que a detecção automática de acidentes pode fazer diferença. Ao perceber sinais compatíveis com uma colisão severa, o próprio aparelho inicia um protocolo de emergência, funcionando como uma camada adicional de proteção. Ainda assim, o recurso não substitui o acionamento do socorro por testemunhas nem dispensa os canais tradicionais de emergência.

Conforme o especialista em trânsito Celso Mariano, a tecnologia mostra como os dispositivos móveis passaram a integrar o conjunto de ferramentas voltadas à segurança viária.

“A tecnologia pode reduzir o tempo de resposta em situações críticas, mas seu maior valor está em complementar o atendimento de emergência. Ela não evita o acidente, porém pode contribuir para que o socorro chegue mais rapidamente quando a vítima não consegue pedir ajuda.”

Como funciona a detecção de acidentes

Apesar de parecer um recurso complexo, o funcionamento é baseado em sensores que já fazem parte dos smartphones mais modernos.

O sistema combina informações do acelerômetro, giroscópio, GPS, microfone e outros sensores internos para identificar padrões que indiquem um impacto de grande intensidade, como colisões frontais, laterais ou capotamentos.

Quando detecta um evento compatível com um acidente grave, o aparelho exibe um alerta na tela, emite sinais sonoros e vibra para verificar se o usuário está consciente.

Se não houver qualquer resposta dentro do tempo previsto, o smartphone pode ligar automaticamente para o serviço de emergência e compartilhar a localização da ocorrência, recurso que varia conforme o sistema operacional, o país e a disponibilidade do serviço.

Por utilizar diferentes parâmetros simultaneamente, a tecnologia busca reduzir falsos alarmes, embora isso não signifique que todos os acidentes serão detectados.

Como ativar o recurso no Android e no iPhone

A funcionalidade precisa estar habilitada para funcionar corretamente. O procedimento varia conforme o sistema operacional.

iPhone

Nos aparelhos compatíveis, basta acessar:

  • Ajustes;
  • SOS de Emergência;
  • ativar a opção Ligar após acidente grave.
Android

Nos dispositivos compatíveis com a ferramenta, o caminho normalmente é:

  • Configurações;
  • Segurança e emergência;
  • Detecção de acidentes.

Alguns fabricantes também oferecem recursos próprios de assistência ou concentram essas configurações no aplicativo Segurança Pessoal.

A PRF orienta que os usuários verifiquem se seus aparelhos possuem a funcionalidade e mantenham o recurso ativado.

Manter as informações de emergência atualizadas também faz diferença

Além da detecção automática de acidentes, especialistas recomendam cadastrar no celular informações que podem auxiliar as equipes de resgate.

Dados como contatos de emergência, tipo sanguíneo, alergias, doenças pré-existentes e medicamentos de uso contínuo costumam ficar disponíveis mesmo com o aparelho bloqueado, dependendo da configuração escolhida pelo usuário.

Essas informações podem facilitar os primeiros atendimentos, especialmente quando a vítima não consegue se comunicar.

De acordo com Mariano, esse é um cuidado simples que muitas pessoas deixam de adotar. “Assim como fazemos a manutenção do veículo, vale dedicar alguns minutos para configurar corretamente o celular. Em uma emergência, informações médicas e contatos atualizados podem agilizar decisões importantes durante o atendimento”, explica.

A tecnologia ajuda, mas não substitui os cuidados no trânsito

A evolução dos smartphones demonstra como a tecnologia vem ampliando seu papel na segurança viária. Recursos de chamada automática de emergência, compartilhamento de localização e detecção de acidentes podem reduzir o tempo de resposta após um sinistro, contribuindo para um atendimento mais rápido.

Entretanto, essas ferramentas possuem limitações. Elas dependem de aparelhos compatíveis, podem não identificar todos os tipos de colisão e não substituem o acionamento dos serviços de emergência por quem presencia o acidente.

Além disso, nenhuma inovação tecnológica é capaz de compensar comportamentos inseguros ao volante, como excesso de velocidade, distração com o próprio celular, consumo de álcool ou desrespeito às normas de circulação.

Por isso, a principal recomendação continua sendo investir na prevenção. E, como complemento, aproveitar os recursos tecnológicos disponíveis para aumentar a proteção em situações inesperadas. Afinal, em um acidente grave, alguns minutos podem representar uma diferença decisiva.

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Acidente de trânsito nas férias: saiba quais são os direitos de motoristas e passageiros

ter, 21/07/2026 - 17:30
Com mais veículos circulando, também cresce a preocupação com os sinistros de trânsito e suas consequências para motoristas e passageiros. Foto: Pavel1964 para Depositphotos

As férias escolares de julho costumam aumentar o movimento nas rodovias brasileiras. Com mais veículos circulando, também cresce a preocupação com os sinistros de trânsito e suas consequências para motoristas e passageiros. Além dos danos físicos e materiais, muitos envolvidos desconhecem que a legislação brasileira prevê o direito à reparação de diversos prejuízos decorrentes de um acidente.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que, em 2025, foram registrados mais de 72 mil sinistros nas rodovias federais, que deixaram milhares de pessoas feridas e mais de seis mil vítimas fatais. Diante desse cenário, conhecer os direitos garantidos pela legislação pode ser tão importante quanto adotar medidas de prevenção antes de viajar.

Indenização pode ir além dos danos ao veículo

Após um sinistro de trânsito, é comum que a primeira preocupação seja o conserto do veículo. No entanto, os prejuízos podem ir muito além dos danos materiais.

Dependendo das circunstâncias do caso e da comprovação da responsabilidade pelo acidente, a vítima pode ter direito à reparação de despesas médicas, custos com reabilitação, perda de renda em razão do afastamento do trabalho, além de indenizações por danos morais e danos estéticos.

Conforme o advogado Dr. Tony Santtana, muitas pessoas deixam de buscar esses direitos por falta de informação.

“Depois de um acidente, é comum que a preocupação fique concentrada nos danos ao veículo. No entanto, a legislação prevê a reparação integral dos prejuízos causados à vítima. Dependendo da situação, podem existir direitos relacionados a despesas médicas, perda de renda, danos morais e outros prejuízos que muitas vezes passam despercebidos”, explica.

Passageiros também podem buscar reparação

Um ponto pouco conhecido é que o direito à indenização não se restringe ao proprietário ou ao condutor do veículo.

Quando sofrem prejuízos em decorrência de um sinistro de trânsito, os passageiros também podem buscar a reparação dos danos, desde que sejam demonstrados os prejuízos sofridos e observadas as responsabilidades pelo acidente.

Isso inclui situações em que houve lesões, necessidade de tratamento médico, perda de capacidade para o trabalho ou outros impactos decorrentes da ocorrência.

Documentação pode fazer diferença

Para quem pretende buscar eventual reparação judicial, a preservação das provas é um dos fatores mais importantes.

De acordo com o especialista, fotografias do local do acidente, boletim de ocorrência, laudos médicos, comprovantes de despesas e demais documentos relacionados ao sinistro ajudam a comprovar tanto a dinâmica dos fatos quanto a extensão dos prejuízos sofridos.

Esses elementos podem ser decisivos durante a análise de um eventual pedido de indenização.

Informação também faz parte da segurança

Embora a prioridade de quem viaja seja evitar qualquer ocorrência no trânsito, conhecer os direitos garantidos pela legislação também faz parte do planejamento de uma viagem.

Em um período de maior movimentação nas rodovias, como as férias de julho, estar informado sobre as possibilidades de reparação previstas em lei pode ajudar motoristas e passageiros a enfrentar com mais segurança as consequências de um eventual sinistro.

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Mundo reduz mortes no trânsito em 21%, mas desafio está longe do fim, alerta OMS

ter, 21/07/2026 - 13:30
Apesar da redução global nas mortes no trânsito, a OMS alerta que ainda são necessárias ações mais intensas para cumprir a meta de reduzir os óbitos pela metade até 2030. Foto: Criação de IA

O número de mortes no trânsito caiu 21% em todo o mundo entre 2011 e 2025, mesmo com a entrada de mais de um bilhão de novos veículos em circulação. Apesar do avanço, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o ritmo da redução ainda não é suficiente para alcançar a meta que as Nações Unidas estabeleceu de reduzir pela metade as mortes e lesões graves no trânsito até 2030.

A OMS divulgou e apresentou os dados nesta semana durante a reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre segurança viária. Conforme a entidade, cerca de 1,16 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito em 2025, contra aproximadamente 1,26 milhão em 2010.

Conforme o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os resultados mostram que políticas públicas voltadas à segurança no trânsito produzem efeitos concretos.

“Esse progresso mostra que a mudança é possível quando os países investem em sistemas seguros. Nos últimos 15 anos fizemos avanços reais na redução das mortes no trânsito, apesar do aumento da frota de veículos e das mudanças na forma como as pessoas se deslocam.”

Avanço foi desigual entre as regiões

Embora o cenário global seja positivo, o desempenho variou significativamente entre as regiões do mundo.

A Região Europeia registrou a maior redução nas mortes no trânsito, com queda de 36%. Já a região do Pacífico Ocidental reduziu os óbitos em 15%, enquanto o Sudeste Asiático apresentou diminuição de apenas 2%.

Nas Américas, a OMS afirma que não houve redução significativa no número de mortes no período analisado. Já a Região Africana registrou aumento de 17% nas fatalidades.

Motociclistas, pedestres e ciclistas continuam entre os mais vulneráveis

Outro ponto destacado pelo relatório é a crescente participação dos usuários mais vulneráveis nas estatísticas de mortes.

Mais da metade das vítimas fatais não estava dentro de um automóvel. Pedestres, ciclistas e, principalmente, motociclistas concentram uma parcela expressiva dos óbitos registrados em todo o mundo.

De acordo com a OMS, o número de motocicletas mais que triplicou entre 2011 e 2025, impulsionado, entre outros fatores, pela expansão dos serviços de entrega e transporte por aplicativos. Atualmente, os motociclistas representam quase um terço das mortes no trânsito em escala global.

Para Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção da Saúde e Prevenção da OMS, esse cenário exige mudanças na forma como se planejam as cidades.

“Mais da metade de todas as mortes no trânsito envolve pessoas que nem sequer estavam em um carro. Quando as vias são projetadas como se apenas os motoristas importassem, esses usuários ficam perigosamente expostos.”

Nova declaração reforça compromisso dos países

Durante a Assembleia Geral da ONU, os países-membros aprovaram uma nova declaração voltada à segurança viária.

O documento prevê que os governos fortaleçam suas estratégias nacionais com metas mensuráveis, orçamento específico, melhoria dos sistemas de coleta de dados, fiscalização mais eficiente e padrões mais rigorosos para veículos, infraestrutura e legislação. Também reforça a adoção da abordagem conhecida como Sistema Seguro (Safe System), que parte do princípio de que erros humanos são inevitáveis e, por isso, o sistema viário deve ser projetado para evitar que esses erros resultem em mortes ou lesões graves.

Desafio continua até 2030

Embora a redução global represente um avanço importante, a OMS ressalta que ainda há um longo caminho para atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

A organização defende que ampliar investimentos em infraestrutura segura, veículos mais seguros, fiscalização, redução de velocidade e combate à direção sob efeito de álcool são medidas essenciais para acelerar a queda das mortes no trânsito e preservar vidas nos próximos anos.

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Conversão no trânsito: o erro que muitos condutores cometem sem perceber

ter, 21/07/2026 - 08:15
Um dos erros mais comuns na hora da conversão no trânsito é desrespeitar a preferência dos pedestres que já iniciaram a travessia. Foto: PinkBadger para Depositphotos

Virar à direita ou à esquerda faz parte das manobras mais comuns no trânsito. Por serem realizadas diariamente, muitos motoristas acabam executando essas conversões de forma automática, sem perceber que pequenos erros podem aumentar o risco de colisões e, em alguns casos, resultar em autuações.

A conversão é um dos momentos em que diferentes usuários da via dividem o mesmo espaço. Veículos, motociclistas, ciclistas e pedestres podem estar cruzando a trajetória do motorista ao mesmo tempo, o que exige atenção redobrada e respeito às regras previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Mais do que evitar multas, realizar a manobra corretamente contribui para um trânsito mais seguro e organizado.

O que é uma conversão?

No trânsito, conversão é a manobra utilizada para mudar a direção do veículo em um cruzamento ou acesso a outra via, seja à direita ou à esquerda.

Embora pareça simples, essa mudança de direção exige planejamento. O motorista deve observar a sinalização, posicionar corretamente o veículo, reduzir a velocidade, sinalizar a intenção de virar e verificar se há condições seguras para concluir a manobra.

Quando essas etapas são ignoradas, aumentam as chances de conflitos com outros veículos e com usuários mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas.

Como fazer a conversão corretamente

Antes de iniciar a manobra, o condutor deve verificar a sinalização existente no local. Em algumas vias, há faixas exclusivas para conversão ou indicação obrigatória do sentido a ser seguido.

Também é fundamental acionar a seta com antecedência suficiente para informar aos demais usuários da via a intenção de mudar de direção.

Outro cuidado importante é posicionar o veículo na faixa adequada antes da conversão. Virar à direita partindo de uma faixa mais à esquerda — ou fazer o movimento inverso — pode surpreender outros motoristas e provocar colisões laterais.

Durante toda a manobra, o condutor deve reduzir a velocidade e observar a movimentação ao redor, especialmente a presença de motociclistas, ciclistas e pedestres.

Os erros mais comuns durante a conversão

Alguns comportamentos aumentam significativamente o risco de acidentes e ainda podem caracterizar infrações de trânsito.

Entre os erros mais frequentes estão:

  • realizar a conversão a partir da faixa errada;
  • deixar de sinalizar a manobra com antecedência;
  • invadir outra faixa durante a conversão;
  • mudar de direção sem observar motociclistas que circulam ao lado do veículo;
  • desrespeitar a preferência dos pedestres que já iniciaram a travessia;
  • fazer a conversão em locais onde a sinalização a proíbe.

Embora muitos desses erros pareçam pequenos, eles estão entre as principais causas de colisões em cruzamentos urbanos.

O que diz o Código de Trânsito Brasileiro

O CTB estabelece que o condutor deve executar a conversão observando a sinalização e adotando todos os cuidados necessários para preservar a segurança dos demais usuários da via.

Além disso, a legislação determina que o motorista sinalize previamente a intenção de mudar de direção e respeite as regras de circulação e preferência.

Também é importante lembrar que pedestres que atravessam regularmente a via têm prioridade de passagem. Ignorar essa preferência pode colocar vidas em risco e resultar em penalidades previstas na legislação.

Quando houver faixas específicas para conversão, elas devem ser respeitadas. Da mesma forma, conversões proibidas pela sinalização não podem ser realizadas, ainda que a via aparentemente esteja livre.

Por que essa manobra exige tanta atenção?

Ao contrário de um deslocamento em linha reta, a conversão reúne diferentes situações de risco em poucos segundos.

O motorista precisa acompanhar o trânsito à frente, verificar os retrovisores, observar os pontos cegos, identificar a presença de motocicletas, bicicletas e pedestres e, ao mesmo tempo, controlar a velocidade do veículo.

Essa combinação faz com que cruzamentos estejam entre os locais com maior potencial para ocorrência de sinistros, principalmente quando um dos condutores presume que terá prioridade ou inicia a manobra sem verificar todo o entorno.

Por isso, dirigir de forma preventiva faz toda a diferença.

Atenção aos usuários mais vulneráveis

Nos centros urbanos, é comum que motociclistas circulem entre as faixas de veículos e que ciclistas utilizem áreas próximas ao bordo da pista. Já os pedestres podem iniciar a travessia no momento em que o semáforo permite ou quando possuem prioridade prevista na sinalização.

Antes de concluir qualquer conversão, vale a pena fazer uma última conferência do ambiente ao redor. Esse cuidado leva apenas alguns segundos e pode evitar atropelamentos, colisões laterais e outros sinistros graves.

Mais do que cumprir o que determina a legislação, dirigir com atenção durante as conversões é uma atitude de respeito à vida e contribui para tornar o trânsito mais seguro para todos.

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O que muda na aposentadoria especial de motoristas após a decisão do STJ sobre atividade penosa

seg, 20/07/2026 - 17:33
Desde a Lei nº 9.032/1995, o enquadramento especial por categoria profissional deixou de ser automático, exigindo a comprovação efetiva das condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. Foto: Divulgação

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a aposentadoria especial de motoristas, cobradores de ônibus e caminhoneiros começa a produzir efeitos práticos para trabalhadores do setor de transporte que buscam o reconhecimento de períodos especiais após 1995. Com a tese fixada no Tema 1.307, o exercício dessas atividades não gera direito automático ao benefício, mas pode ser enquadrado como especial quando houver comprovação, por perícia técnica individualizada, de exposição habitual e permanente a condições concretas de desgaste à saúde. 

A principal mudança está na segurança jurídica. Desde a Lei nº 9.032/1995, o enquadramento especial por categoria profissional deixou de ser automático, exigindo a comprovação efetiva das condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. Com o julgamento do STJ, fica consolidado que a penosidade, entendida como uma rotina de trabalho marcada por desgaste físico ou mental acentuado, também pode ser considerada para fins previdenciários, desde que demonstrada no caso concreto.

Isso significa que motoristas, cobradores e caminhoneiros que trabalharam em condições especialmente desgastantes poderão buscar o reconhecimento do tempo especial, mas precisarão apresentar provas consistentes sobre a rotina exercida, as jornadas enfrentadas, os riscos da atividade e as condições ambientais e operacionais do trabalho.

“A decisão do STJ é importante porque reconhece que determinadas atividades podem causar desgaste intenso à saúde do trabalhador, mesmo quando esse desgaste não se limita aos agentes tradicionalmente classificados como insalubres. No entanto, a prova técnica será essencial. Cada histórico profissional deverá ser analisado de forma individualizada, considerando as condições reais em que o trabalho foi prestado”, explica a advogada Carmem Bosquê, do escritório Bosquê & Grieco Advogados Associados.

A especialista explica que, no caso desses profissionais, o pedido costuma envolver longas jornadas, necessidade constante de atenção, exposição a ruído, vibração, calor, risco de acidentes, vias precárias e situações de insegurança, como assaltos. Além disso, a atividade envolve permanente responsabilidade operacional e legal, já que motoristas profissionais estão sujeitos a autuações, multas, pontuação na CNH e outras penalidades previstas na legislação de trânsito, fatores que podem ampliar a pressão e o desgaste associados à rotina de trabalho.

Na prática, o que muda?

A decisão muda a forma como a atividade desses profissionais pode ser analisada pelo INSS. A partir da tese firmada, motoristas, cobradores e caminhoneiros passam a ter um parâmetro jurídico mais claro. Nesse sentido, o reconhecimento da atividade como especial pode permitir que esses períodos sejam utilizados para cumprir os requisitos da aposentadoria especial. Na regra mais comum, o benefício pode ser concedido após 25 anos de atividade especial, desde que comprovada a exposição habitual e permanente a condições prejudiciais à saúde e cumprida a carência mínima de 180 contribuições.

Para quem já contribuía antes da Reforma da Previdência de 2019, pode ser aplicada a regra de transição por pontos. No caso da atividade especial de 25 anos, são exigidos 86 pontos, resultado da soma da idade com o tempo de contribuição, além da comprovação do período mínimo de exposição especial.

Já para segurados enquadrados na regra permanente após a Reforma, além dos 25 anos de atividade especial, há exigência de idade mínima de 60 anos. Em todos os casos, o reconhecimento dependerá da análise das provas, da documentação apresentada e da perícia técnica individualizada.

O reconhecimento do tempo especial também pode beneficiar trabalhadores que não completaram todo o período necessário para a aposentadoria especial. Para atividades exercidas até a Reforma da Previdência, esse tempo pode ser convertido em tempo comum, aumentando o tempo total de contribuição e antecipando o acesso a outras modalidades de aposentadoria. Para períodos posteriores à Reforma, a conversão de tempo especial em comum deixou de ser permitida.

“A aposentadoria especial existe justamente para proteger trabalhadores expostos a condições que comprometem a saúde ou a integridade física ao longo do tempo. O julgamento do STJ amplia a segurança jurídica para que a penosidade seja analisada de forma adequada”, conclui a especialista.

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Tirar a CNH ficou mais fácil, mas aprender a dirigir continua sendo um desafio, alerta especialista

seg, 20/07/2026 - 13:30
Conhecimento, prática, metodologia e um bom instrutor continuam sendo fundamentais para formar condutores realmente preparados para o trânsito. Foto: Criação de IA

As recentes mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) reduziram algumas exigências do processo de formação de condutores. Apesar disso, quem acredita que aprender a dirigir ficou fácil pode estar se enganando. O alerta é do especialista em trânsito Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Mariano reconhece que o processo de obtenção da CNH passou por simplificações, mas faz um contraponto importante: a facilidade burocrática não elimina a complexidade de aprender a conduzir um veículo com segurança.

“Tirar carteira ficou mais fácil. É verdade. Mas aprender a dirigir continua sendo relativamente difícil”, afirma.

Muito além de conhecer as regras

Conforme o especialista, dirigir exige muito mais do que decorar placas de trânsito ou memorizar artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O futuro motorista precisa adquirir conhecimentos técnicos e desenvolver habilidades motoras que demandam tempo, prática e orientação adequada. “É preciso adquirir vários conhecimentos novos, em um bom curso teórico ou com muito autoestudo. Também é preciso desenvolver habilidades neuromotoras novas e específicas”, explica.

Para ilustrar essa dificuldade, Mariano compara o aprendizado da direção com outras atividades que exigem coordenação e repetição.

“É como aprender a andar de bicicleta, tricotar ou tocar um instrumento musical. E não me diga que é possível aprender qualquer uma dessas atividades bem, com apenas uma ou duas horinhas de dedicação”, alerta o especialista.

Na avaliação dele, algumas pessoas conseguem aprender mais rapidamente, mas isso não representa a realidade da maioria dos candidatos. “É o tipo de esforço que é relativamente fácil para alguns, mas sabidamente difícil para a maioria”, analisa.

Um ambiente adequado faz diferença

O especialista destaca que aprender a dirigir envolve controlar um veículo enquanto se toma decisões em um ambiente dinâmico, repleto de riscos e regras que muitas vezes são desconhecidas pelo candidato. “Imagine aprender a dirigir, controlar um veículo enquanto circula por aí, com regras que você nem imaginava que existiam e compartilhando, disputando espaço com vários outros veículos e pedestres”, diz.

Por isso, ele defende que o processo de aprendizagem deve ocorrer em condições que favoreçam a segurança e a formação consistente.

“Aprender isso pode ser muito crítico sem metodologia adequada, ambiente — e veículo — seguro e, claro, instrutor preparado.”

A observação ganha relevância em um momento em que as novas normas ampliaram as possibilidades de formação fora dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), permitindo diferentes modelos de ensino, desde que cumpridos os requisitos legais.

Burocracia continua sendo obstáculo

Embora algumas etapas tenham sido flexibilizadas, Mariano afirma que a burocracia ainda representa um desafio para quem busca a primeira habilitação. “Tudo isso sem falar da paciência e dedicação necessários para enfrentar a burocracia, que continua sendo um obstáculo. Em certos pontos, até piorou com o novo sistema”, esclarece o especialista.

Desde a entrada em vigor das novas regras, diferentes estados brasileiros ainda passam por adaptações em seus sistemas, o que tem provocado dúvidas e, em alguns casos, dificuldades operacionais para candidatos e profissionais envolvidos no processo.

Primeira habilitação merece atenção

Ao final da mensagem, o especialista reforça que a primeira habilitação representa um momento único na formação do motorista e não deve ser encarada apenas como uma etapa burocrática.

“Não subestime o desafio de se habilitar, de verdade, como condutor de veículos. Primeira habilitação só acontece uma vez na vida: é preciso fazer bem feito”, conclui Mariano.

Para o especialista, independentemente das mudanças nas normas, a qualidade da formação continua sendo um dos fatores mais importantes para preparar condutores capazes de tomar decisões seguras e contribuir para um trânsito com menos acidentes.

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Quais infrações suspendem a CNH? Veja os casos em que a penalidade é imediata

seg, 20/07/2026 - 08:15
Todas as infrações citadas representam comportamentos que elevam significativamente o risco de sinistros graves. Foto: Syda_Productions para Depositphotos

Você sabia que é possível ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa mesmo sem atingir o limite de pontos? Embora muitos motoristas associem essa penalidade apenas ao acúmulo de infrações, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê diversas situações em que uma única conduta já pode resultar na abertura do processo de suspensão do direito de dirigir.

Essas infrações, conhecidas como autossuspensivas, são consideradas de alto potencial de risco para a segurança no trânsito. Por isso, além da multa e da pontuação correspondente, elas também preveem a aplicação da penalidade de suspensão da CNH, desde que seja concluído o processo administrativo com garantia de ampla defesa ao condutor.

Quando a CNH pode ser suspensa?

O artigo 261 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece duas formas de aplicação da penalidade de suspensão do direito de dirigir.

A primeira ocorre quando o condutor ultrapassa o limite de pontos permitido em um período de 12 meses.

A segunda acontece quando a própria infração já prevê a suspensão do direito de dirigir, independentemente da quantidade de pontos acumulados. É justamente essa hipótese que costuma gerar mais dúvidas entre os motoristas.

Quais infrações suspendem a CNH?

Entre as principais infrações que podem resultar na suspensão direta do direito de dirigir estão:

  • dirigir sob influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência;
  • recusar-se a realizar o teste do bafômetro, exame clínico ou outro procedimento previsto em lei;
  • disputar corrida (racha);
  • promover ou participar de eventos organizados em via pública sem autorização;
  • realizar manobras perigosas, como arrancadas bruscas, derrapagens ou frenagens com deslizamento de pneus;
  • utilizar veículo para interromper, restringir ou perturbar deliberadamente a circulação da via sem autorização;
  • forçar passagem entre veículos que transitam em sentidos opostos durante uma ultrapassagem;
  • transpor bloqueio policial sem autorização;
  • conduzir motocicleta, motoneta ou ciclomotor sem capacete ou transportar passageiro sem o equipamento obrigatório;
  • transportar criança em motocicleta em desacordo com as regras previstas no CTB;
  • conduzir motocicleta fazendo malabarismos ou equilibrando-se em apenas uma roda;
  • deixar de prestar socorro à vítima quando houver obrigação legal.

Em todas essas situações, além da multa e dos pontos previstos para cada infração, o órgão de trânsito poderá instaurar um processo administrativo para aplicação da suspensão da CNH.

A suspensão não acontece automaticamente

Um ponto importante é que a suspensão da CNH não ocorre no momento da autuação.

Após o registro da infração, o órgão responsável deve instaurar um processo administrativo específico. Durante esse procedimento, o condutor tem direito à ampla defesa e pode apresentar recursos nas etapas previstas pela legislação.

Somente após o encerramento desse processo e da decisão definitiva é que a penalidade passa a produzir efeitos.

O que essas infrações têm em comum?

De acordo com Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, as infrações autossuspensivas não foram escolhidas por acaso. Todas representam comportamentos que elevam significativamente o risco de sinistros graves.

“Muitos condutores acreditam que basta controlar a quantidade de pontos na carteira. Mas algumas infrações são consideradas tão perigosas que, sozinhas, já podem levar à suspensão do direito de dirigir. Isso demonstra que o objetivo da legislação é retirar temporariamente da direção quem adota comportamentos de alto risco”, diz.

Conforme Mariano, chama a atenção o fato de que a maioria dessas infrações decorre de decisões conscientes tomadas pelo motorista. “Dirigir sob efeito de álcool, participar de rachas, usar a motocicleta sem capacete ou forçar uma ultrapassagem são comportamentos que aumentam significativamente o risco de mortes e lesões no trânsito. Não são erros de interpretação da lei, mas escolhas que colocam em risco a vida de todos”, alerta.

O especialista também avalia que esse cenário deveria servir de reflexão em um momento em que o país vem flexibilizando aspectos da formação de condutores.

“Quando observamos quais são as condutas consideradas mais graves pelo próprio Código de Trânsito Brasileiro, fica evidente que elas estão diretamente ligadas ao comportamento do motorista. Por isso, causa preocupação ver a formação de novos condutores perder espaço justamente quando deveríamos investir mais em educação para o trânsito. Menos formação dificilmente produzirá mais segurança. Precisamos qualificar, e não simplificar, o processo de aprendizagem”

Mariano ressalta que a fiscalização é essencial, mas não substitui uma formação consistente. “A melhor infração é aquela que nunca acontece. Isso depende de fiscalização, mas principalmente de educação. Um bom processo de formação desenvolve percepção de risco, responsabilidade e respeito às normas muito antes de o condutor receber a primeira multa.”

O que acontece depois da suspensão?

Depois de cumprir o período de suspensão determinado pela autoridade de trânsito, o condutor somente poderá voltar a dirigir após concluir o curso de reciclagem para condutores infratores e ser aprovado na avaliação teórica prevista na legislação.

Já quem for flagrado dirigindo durante o período de suspensão poderá ter a CNH cassada, sendo obrigado a cumprir novo prazo legal antes de iniciar todo o processo de habilitação novamente.

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