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Free Flow: como consultar débitos em aberto no pedágio eletrônico
Mais de dois meses após a Deliberação 277 do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) que suspendeu até 16 de novembro de 2026 a aplicação das penalidades por falta de pagamento de tarifas do Free Flow, motoristas ainda têm dúvidas sobre como consultar seus débitos em aberto . A consulta deve ser feita informando a placa do veículo nos canais oficiais das concessionárias ou em plataformas centralizadas de cobrança. Quem não regularizar as pendências até 16 de novembro está sujeito a multa de R$ 195,23, além da aplicação de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A suspensão temporária estabelecida pelo CONTRAN concede aos motoristas um prazo de até 200 dias, contado a partir da data de deliberação, para regularização das pendências, além de interromper a aplicação das penalidades relacionadas aos autos de infração por evasão de pedágio emitidos ou que venham a ser emitidos no sistema Free Flow durante esse período.
As concessionárias também terão 100 dias para adequar seus sistemas e concluir a integração de dados à CDT (Carteira Digital de Trânsito), ou CNH do Brasil, plataforma onde os usuários já consultam, dados da CNH, veículo e multas, e que passará a permitir a notificação e consulta dos débitos de forma centralizada, indicando os canais válidos de recebimento autorizados para pagamento, solução de dúvidas e realização de contestações.
Para o vice-presidente da Abepam e diretor administrativo e financeiro da Move Mais, Diego Ros Quinto, a medida requer atenção do usuário.
“É fundamental que os motoristas compreendam que os autos de infração (que continuam sendo emitidos caso o pagamento não ocorra em até 30 dias) terão a aplicação das penalidades canceladas somente se as tarifas devidas forem pagas até 16 de novembro. Caso a pendência permaneça, o usuário estará sujeito à aplicação das devidas penalidades a partir de 17 de novembro. Além disso, a dívida relacionada aos pedágios não pagos continuará válida”.
Como fazer a consulta de débitos?- O motorista deve acessar o site ou aplicativo da concessionária;
- Localizar a área de consulta do Free Flow;
- Informar a placa do veículo;
- Verificar se existem cobranças pendentes;
- Em caso de débito em aberto, efetuar o pagamento por Pix, cartão ou outro meio disponível;
- Guardar o comprovante de pagamento.
Caso não saiba qual concessionária é responsável pelo trecho percorrido, o motorista pode consultar o site da ANTT (antt.gov.br) ou das agências reguladoras estaduais para identificar a administradora da via e os canais corretos para regularizar eventuais pendências.
Já os motoristas que pagaram a multa antes da entrada em vigor das novas regras podem solicitar a restituição dos valores. Nesse caso, o pedido deve ser feito junto ao órgão de trânsito competente, responsável pela análise e pelo processamento da devolução.
Para os usuários de tag, o pagamento do pedágio é realizado automaticamente.
“A tag continua sendo o método mais seguro contra infrações ou golpes. Com ela, a tarifa é cobrada diretamente no meio de pagamento associado, de acordo com o plano escolhido”.
O serviço pode ser solicitado diretamente pelo site ou aplicativo de empresas como Sem Parar, Conectcar, Move Mais, Veloe ou Taggy.
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Sono, desatenção e excesso de velocidade: veja o que mais mata nas rodovias federais
Pelo menos 12 pessoas morrem todos os dias nas rodovias federais brasileiras por problemas relacionados à saúde mental e à imprudência do motorista. Ausência de reação, sono, uso de substâncias psicoativas e excesso de velocidade, dentre outras causas, foram responsáveis por 4.458 óbitos em 2025. Os dados do Anuário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam que, do total de 6.043 mortes registradas nas rodovias federais, 74% tiveram origem em imprudência e questões de saúde do condutor.
Especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans) explicam que a desatenção, fadiga, ansiedade, impulsividade e falta de preparo físico e mental são os maiores vilões da segurança viária.
“Um motorista com a saúde em dia, bem descansado e atento vale tanto quanto um veículo e uma rodovia em perfeito estado de conservação. O problema é que as pessoas gastam mais tempo revisando pneus e freios do que cuidando de si mesmas”, afirma Adalgisa Lopes, psicóloga especialista em Trânsito e presidente da Actrans.
O cenário se agrava quando se olha para a saúde mental dos brasileiros.Uma pesquisa recente da USP revelou que o país bateu recorde de afastamentos no trabalho por transtornos mentais. Ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e já ocupam o segundo lugar entre os motivos de afastamento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking mundial de pessoas ansiosas: 18,6% da população convive com o transtorno. “A sociedade sabe que esse problema existe. Sabe que ele afeta as relações de trabalho, as relações pessoais, mas parece acreditar que isso não tem o poder de causar acidentes de trânsito. E esse é um erro que não podemos cometer”, comenta Adalgisa.
A especialista conecta esses dados à realidade das estradas e explica que a fadiga não é apenas cansaço: é redução de reflexos, concentração e capacidade de julgamento. “Um motorista cansado, ansioso e estressado toma decisões impulsivas, erra nas manobras e não consegue reagir rápido em situações de risco. Sua capacidade de reação está comprometida, sua atenção está dividida e suas decisões podem ser impulsivas. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se o motorista estivesse em melhor condição emocional.”
O aviso é especialmente relevante neste período de férias.
“Muitas pessoas saem de férias justamente porque estão esgotadas, ansiosas ou deprimidas. Mas se você está nesse estado emocional, não está em condições de dirigir longas distâncias. Reconhecer isso é fundamental para sua segurança e a de todos na estrada”, alerta Giovanna Varoni, psicóloga do Trânsito e especialista em segurança viária.
Mitigação de riscosOs especialistas da Actrans listam medidas práticas para reduzir riscos nas estradas e elas são muito simples. A primeira é ter uma boa noite de sono. Noites mal dormidas reduzem reflexos em até 30%. Se você não dormiu bem, não dirija. Escolha também o horário certo: entre 14h e 16h, e após 22h, o corpo naturalmente pede repouso. “Se sentir sonolência, pare e descanse. Cansaço reduz reflexos e julgamento, então evite dirigir se trabalhou demais na véspera da viagem ou considere revezar a direção com outro motorista”, ensina Giovanna.
Hidrate-se constantemente.Desidratação causa fadiga mental e reduz concentração. Beber água a cada 30 ou 40 minutos de direção faz diferença real. Kelly Bessa, psicóloga do Trânsito e diretora da Actrans, recomenda ainda a ingestão de alimentos leves porque as refeições pesadas causam sonolência e desviam atenção. “A alimentação e hidratação adequada mantêm o corpo e a mente funcionando no melhor desempenho”, detalha Kelly.
Faça paradas a cada duas horas. Saia do carro, caminhe, alongue-se. Isso restaura circulação, reduz tensão muscular e reseta a atenção mental. Carlos Luiz Souza, vice-presidente da Actrans, explica que ansiedade, raiva e pressa aumentam erros de direção significativamente. “Não dirija se estiver nesse estado. Respire profundamente em situações de trânsito intenso e ouça músicas relaxantes para manter-se calmo.”
Não dirija em crise emocional.
“O mais importante é não pegar a estrada se você estiver passando por um período de ansiedade ou depressão graves. Se for imprescindível, dirija apenas em horários de menor trânsito, em velocidades reduzidas e com paradas frequentes. Sua saúde mental é tão importante quanto a manutenção do seu carro”, completa Souza.
O cérebro comanda o carroAssim como levamos o carro ao mecânico para manutenções preventivas e revisões antes de viagens, precisamos fazer a manutenção preventiva do nosso corpo e mente constantemente e antes de viajar. Um motorista descansado, hidratado, atento e emocionalmente equilibrado é a melhor proteção contra acidentes. “O carro é apenas uma máquina. Você é o piloto. Você comanda a máquina. E um piloto bem preparado faz toda a diferença”, finaliza Adalgisa.
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Quais são as infrações de trânsito mais cometidas pelos brasileiros em 2026? Veja o ranking
O excesso de velocidade continua sendo, com ampla vantagem, a infração de trânsito que mais gera notificações de penalidade no Brasil. É o que revela um levantamento exclusivo realizado pelo Portal do Trânsito, com base em dados do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf), da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A análise considera as notificações de penalidade emitidas pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Trânsito entre janeiro e maio de 2026 e mostra que os excessos de velocidade de até 50% acima do limite permitido responderam por mais de 19,1 milhões de registros no período. O número é quase nove vezes superior ao da segunda colocada do ranking, o avanço do sinal vermelho.
Para facilitar a compreensão do leitor, o Portal do Trânsito reuniu as duas faixas mais frequentes de excesso de velocidade previstas no artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): até 20% e entre 20% e 50% acima da velocidade máxima permitida.
Ranking das infrações mais registradasConfira as dez infrações que mais geraram notificações de penalidade no Brasil entre janeiro e maio de 2026.
PosiçãoInfraçãoRegistros1ºExcesso de velocidade (até 50% acima do limite permitido*)19.134.3432ºAvançar o sinal vermelho do semáforo2.286.7493ºMulta por não identificação do condutor infrator (NIC) aplicada à pessoa jurídica2.238.7634ºEstacionar em desacordo com a sinalização de estacionamento regulamentado1.540.1935ºTransitar em locais e horários não permitidos pela regulamentação1.503.0836ºConduzir veículo registrado que não esteja devidamente licenciado1.211.8447ºTransitar em faixa ou via exclusiva para transporte público coletivo1.105.1548ºDeixar de efetuar a transferência do veículo em até 30 dias1.095.9359ºDeixar de usar o cinto de segurança1.079.48010ºDirigir segurando ou manuseando telefone celular695.841*Para facilitar a compreensão do leitor, o Portal do Trânsito agrupou as duas infrações mais frequentes por excesso de velocidade: até 20% e entre 20% e 50% acima da velocidade máxima permitida.
Velocidade lidera com folgaO levantamento mostra que nenhuma outra infração se aproxima do número de registros relacionados ao excesso de velocidade. Enquanto essa conduta ultrapassou a marca de 19 milhões de notificações de penalidade nos cinco primeiros meses do ano, a segunda colocada, avanço do sinal vermelho, somou pouco mais de 2,2 milhões.
Na prática, isso representa uma média superior a 3,8 milhões de notificações por mês, cerca de 126 mil por dia ou aproximadamente 88 por minuto em todo o país.
Formação de qualidadeConforme Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, o levantamento revela uma contradição que o Brasil ainda não conseguiu superar. “Há décadas sabemos quais são os comportamentos que mais contribuem para os sinistros de trânsito, mas eles continuam aparecendo entre as infrações mais registradas. Isso mostra que conhecer a regra não significa, necessariamente, adotá-la no dia a dia. Ainda precisamos transformar conhecimento em comportamento seguro”, argumenta.
De acordo com Mariano, o ranking reforça que os principais desafios da segurança viária continuam ligados às escolhas feitas pelos próprios condutores. “Velocidade excessiva, avanço do sinal vermelho, uso do celular ao volante e falta do cinto de segurança estão entre os fatores que mais aumentam o risco e a gravidade dos sinistros. Quando essas condutas aparecem entre as infrações mais registradas, o recado é claro: ainda temos muito a evoluir em termos de conscientização”, diz.
O especialista também afirma que os dados deveriam servir de reflexão no momento em que o país discute mudanças na formação de novos condutores.
“Os números reforçam justamente o contrário do caminho que o Brasil vem adotando. Quando ainda convivemos com milhões de infrações relacionadas a comportamentos básicos de condução, flexibilizar a formação de novos condutores é uma decisão que merece profunda reflexão. Menos formação dificilmente produzirá mais segurança. Precisamos qualificar, e não simplificar, o processo de aprendizagem”, alerta.
Para Mariano, a fiscalização continuará sendo indispensável, mas sozinha não resolve o problema. “Se queremos mudar esse ranking no futuro, precisamos atuar antes da infração acontecer. Isso significa investir em formação de qualidade, campanhas educativas e valorização da aprendizagem desde o processo de habilitação. O comportamento seguro não nasce por acaso; ele é construído.”
Além de configurar uma infração de trânsito, dirigir acima do limite permitido é um dos principais fatores associados ao agravamento dos sinistros. Quanto maior a velocidade, menor o tempo disponível para reação do condutor e maior a energia envolvida em uma colisão, aumentando o risco de mortes e feridos graves.
Comportamento do motorista predomina no rankingOs dados mostram que boa parte das infrações mais registradas está diretamente relacionada ao comportamento do condutor.
Além do excesso de velocidade, aparecem entre as primeiras posições o avanço do sinal vermelho, o uso do telefone celular ao volante e a falta do cinto de segurança. Todas essas condutas estão diretamente associadas ao aumento do risco de sinistros e figuram entre as principais preocupações das autoridades de trânsito.
Também aparecem no ranking infrações relacionadas ao cumprimento das regras de circulação, como utilizar faixas exclusivas para ônibus, estacionar em desacordo com a sinalização e circular em locais ou horários onde há restrições regulamentadas.
Outra parcela das notificações está ligada a obrigações administrativas, como manter o licenciamento do veículo em dia e realizar a transferência de propriedade dentro do prazo previsto em lei.
Por que a multa NIC aparece entre as primeiras?A terceira posição do ranking pode causar estranheza, mas tem uma explicação.
A multa por Não Identificação do Condutor Infrator (NIC) não é aplicada diretamente ao motorista. Ela é direcionada à pessoa jurídica proprietária do veículo que deixa de indicar quem era o condutor responsável pela infração original, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro.
Por isso, seu elevado número de registros está relacionado principalmente à gestão de frotas empresariais e locadoras, e não ao comportamento dos condutores.
Série especialEsta reportagem abre uma série especial do Portal do Trânsito baseada em dados oficiais do Renainf. Nas próximas publicações, serão analisadas individualmente as principais infrações registradas no país, suas causas, os riscos para a segurança viária e os fatores que ajudam a explicar por que elas continuam tão frequentes nas vias brasileiras.
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SEST SENAT prorroga inscrições para programa gratuito de mudança de categoria da CNH
O SEST SENAT prorrogou até o dia 21 de julho o prazo de inscrições para o público geral no Mais Motoristas. A iniciativa oferece, gratuitamente, a mudança de categoria da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e a qualificação profissional para quem deseja atuar no transporte de cargas e de passageiros.
O programa contempla a mudança da CNH para as categorias C, D ou E, além da capacitação profissional oferecida pela Escola de Motoristas Profissionais do SEST SENAT.
Para participar, é necessário:- ter, no mínimo, 19 anos;
- saber ler e escrever;
- possuir CPF;
- estar com a CNH válida para a mudança de categoria pretendida;
- não estar com o direito de dirigir suspenso;
- não ter cometido mais de uma infração gravíssima nos últimos 12 meses.
As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, na página do programa Mais Motoristas.
Será gerado um ranking de seleção após o período de cadastros. O método prioriza mulheres no CadÚnico, seguidas por pessoas no CadÚnico, demais mulheres e público geral. Candidatos desempregados e com maior número de dependentes diretos largam na frente na classificação.
Sobre o programaCriado em 2023, o Mais Motoristas já qualificou milhares de profissionais para atuar no setor. Em sua primeira edição, registrou mais de 55 mil inscritos em todo o país, evidenciando a elevada demanda por formação profissional.
O transporte é um dos principais motores da economia brasileira e depende do desenvolvimento contínuo de profissionais qualificados para garantir eficiência, segurança e competitividade às operações.
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Exceção do Conama exclui milhões de pneus da logística reversa, alerta ABIDIP
A Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) alerta para os impactos de uma brecha na regulamentação da logística reversa de pneus no Brasil. De acordo com a entidade, a exceção aplicada pelo Ibama cria uma assimetria regulatória entre fabricantes nacionais e importadores, compromete os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (Lei nº 12.305/2010) e mantém milhões de pneus fora das metas obrigatórias de recolhimento.
A origem da exceção está na Resolução Conama nº 416/2009, publicada antes da entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010.Segundo a ABIDIP, enquanto os importadores são obrigados a comprovar a destinação ambientalmente adequada de todos os pneus comercializados no mercado de reposição, os fabricantes nacionais cumprem essa obrigação apenas em relação aos pneus vendidos nesse segmento, ficando de fora aqueles fornecidos às montadoras como equipamento original.
Conforme a ABIDIP, essa diferenciação concentra o ônus da logística reversa sobre os importadores e o mercado de reposição, sem considerar os mais de 12 milhões de pneus fornecidos às montadoras em 2024 e outros 12 milhões em 2025, segundo dados da Associação Nacional da Indústria dos Pneumáticos (ANIP). Na avaliação da entidade, esse volume permanece fora das metas oficiais de recolhimento, apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos ter estabelecido a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, sem prever exceções para pneus destinados à indústria automotiva.
“A Política Nacional de Resíduos Sólidos trouxe um novo marco legal para a logística reversa no Brasil. A legislação estabelece responsabilidade compartilhada entre todos os agentes da cadeia, sem diferenciar a destinação dos pneus vendidos para reposição ou para montadoras. A revisão da regulamentação é importante para que as metas reflitam efetivamente todo o passivo ambiental gerado pelo setor”, explica Ricardo Alípio, presidente da ABIDIP, acrescentando que a isenção concedida ao mercado de equipamento original enfraquece os princípios ambientais da PNRS e cria vantagem regulatória para parte da indústria.
A associação acrescenta que a ata de uma reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), realizada em novembro de 2008 durante a revisão da norma, registra discussões sobre um déficit de aproximadamente 40% na coleta de pneus, percentual considerado aceitável à época. Na avaliação da entidade, a promulgação da PNRS tornou necessária a atualização da regulamentação.
Pneus inservíveis ganham nova destinaçãoA logística reversa garante a coleta e a destinação ambientalmente adequada de produtos após o fim de sua vida útil. De acordo com o Relatório Pneumáticos 2025, do Ibama, os importadores destinaram corretamente 384.391,32 toneladas de pneus inservíveis ao longo do ano, encaminhando o material para coprocessamento, laminação, granulação e pirólise.
Para a Ricardo Alípio, esses resultados comprovam o cumprimento das obrigações ambientais e reforçam a importância de ampliar a abrangência da política de logística reversa. A entidade destaca ainda iniciativas como o Brasil Rodando Limpo, coordenado pela ABRERPI com apoio da ABIDIP, que reúne 14 recicladoras e atua em mais de 135 municípios.
“Os importadores associados à ABIDIP cumprem integralmente as obrigações ambientais previstas na legislação e investem continuamente na estrutura de logística reversa. O desafio agora é aperfeiçoar o modelo regulatório para que toda a cadeia esteja submetida aos mesmos critérios e o país tenha um retrato mais fiel da geração e da destinação dos pneus inservíveis. Ao corrigir essas distorções, o Brasil fortalece sua política ambiental, assegura condições mais equilibradas de competição em toda a cadeia automotiva e avança na conciliação entre desenvolvimento industrial e responsabilidade socioambiental”, conclui o presidente da ABIDIP.
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CRLV 2026: saiba quando começará a exigência em seu estado
Os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) começaram a divulgar os calendários de exigência do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2026, documento obrigatório para a circulação dos veículos em todo o país.
Embora o licenciamento seja uma obrigação prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os prazos para que o documento passe a ser exigido nas fiscalizações são definidos por cada estado. Por isso, os motoristas devem acompanhar o calendário divulgado pelo Detran onde o veículo está registrado.
Licenciamento continua sendo obrigatórioO CRLV comprova que o veículo está regular para circular e somente é emitido após a quitação de todos os débitos obrigatórios.
Para obter o documento, o proprietário deve quitar:
- IPVA (quando houver);
- taxa de licenciamento;
- multas vencidas;
- demais débitos vinculados ao veículo.
Somente após a compensação dessas pendências o CRLV fica disponível para emissão, em formato digital ou impresso em folha A4.
O que acontece se o veículo não estiver licenciado?Depois que o prazo estabelecido pelo Detran termina, circular sem o licenciamento válido caracteriza infração de trânsito.
Nesses casos, o CTB prevê:
- infração gravíssima;
- multa de R$ 293,47;
- sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
- remoção do veículo.
Apesar de seguir as regras do Código de Trânsito Brasileiro, os estados têm autonomia para estabelecer quando o CRLV do novo exercício passa a ser exigido durante as abordagens de fiscalização.
Isso significa que o calendário varia conforme o Detran de cada unidade da Federação.
Por isso, a recomendação é acompanhar os canais oficiais do Detran do estado onde o veículo está registrado.
Veja alguns estados que já divulgaram seus calendários de exigência do CRLV 2026. Minas GeraisEm Minas Gerais, o Detran estabeleceu o seguinte cronograma para o início da fiscalização do CRLV 2026:
Final da placaExigência do CRLV 20261, 2 e 31º de setembro4, 5 e 61º de outubro7, 8, 9 e 01º de novembro São PauloO cronograma de vencimento do CRLV 2026 em São Paulo para carros, motos, ônibus e reboques é o seguinte:
- Placas 1 e 2: até 31 de julho
- Placas 3 e 4: até 31 de agosto
- Placas 5 e 6: até 30 de setembro
- Placas 7 e 8: até 31 de outubro
- Placa 9: até 30 de novembro
- Placa 0: até 31 de dezembro
A exigência do CRLV 2026 começa a valer logo após o mês de vencimento de cada grupo.
Rio de JaneiroO calendário do licenciamento anual (CRLV) no Rio de Janeiro para veículos em 2026 foi prorrogado e segue o seguinte cronograma de acordo com o final da placa:
- Placas finais 0, 1 e 2: até 31 de julho
- Placas finais 3, 4 e 5: até 31 de agosto
- Placas finais 6, 7, 8 e 9: até 30 de setembro
Até a data limite de cada grupo, o documento do ano anterior (2025) continua válido.
Rio Grande do SulO licenciamento do veículo (CRLV) no Rio Grande do Sul tem prazo único, sem divisão por final de placa. A data-limite para o exercício vigente é 31 de julho. Até a quitação, o documento do ano anterior continua válido até a data-limite.
Santa CatarinaO calendário de licenciamento em Santa Catarina ocorre de março a dezembro, variando conforme o final da placa do veículo. Após a quitação do licenciamento e demais débitos, o documento atualizado fica disponível digitalmente.
As datas limite de vencimento são de acordo com o final da placa:
- 1: 31 de março
- 2: 30 de abril
- 3: 31 de maio
- 4: 30 de junho
- 5: 31 de julho
- 6: 31 de agosto
- 7: 30 de setembro
- 8: 31 de outubro
- 9: 30 de novembro
- 0: 30 de dezembro
Até a data limite de cada grupo, o documento do ano anterior (2025) continua válido.
ParanáO calendário de licenciamento do Paraná (CRLV) varia de agosto a novembro, dependendo do dígito final da placa do veículo.
Os prazos limites para o calendário são os seguintes de acordo com a placa final:
- 1: 14 de agosto
- 2: 28 de agosto
- 3: 09 de setembro
- 4: 18 de setembro
- 5: 30 de setembro
- 6: 10 de outubro
- 7: 20 de outubro
- 8: 31 de outubro
- 9: 13 de novembro
- 0: 27 de novembro
O calendário de licenciamento (CRLV) de Mato Grosso (MT) tem vencimento escalonado de acordo com o dígito final da placa. Em 2026, os prazos são os seguintes:
- Placas finais 1, 2 e 3: até 31 de março
- Placa final 4: até 30 de abril
- Placa final 5: até 31 de maio
- Placa final 6: até 30 de junho
- Placa final 7: até 31 de julho
- Placa final 8: até 31 de agosto
- Placa final 9: até 30 de setembro
- Placa final 0: até 31 de outubro
O calendário de licenciamento (CRLV-e) na Bahia para 2026 varia de julho a novembro, de acordo com o final da placa do veículo.
Os prazos limites são:
- Placa final 1: 30/07
- Placa final 2: 31/07
- Placa final 3: 28/08
- Placa final 4: 31/08
- Placa final 5: 29/09
- Placa final 6: 30/09
- Placa final 7: 29/10
- Placa final 8: 30/10
- Placa final 9: 27/11
- Placa final 0: 30/11
O calendário do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) no Ceará para o exercício de 2026 tem os vencimentos baseados no final da placa do automóvel, com datas indo de março a dezembro.
ParáO calendário do licenciamento 2026 no Pará (que garante a emissão do CRLV) é escalonado de acordo com o final da placa do veículo. Os vencimentos ocorrem ao longo dos meses, sendo que os prazos para placas finais 05 a 35 encerraram em junho, e para placas 75 a 95 no início de julho. O cronograma completo, que segue até novembro, pode ser conferido no Calendário Licenciamento 2026 | DETRAN-PA.
AcreO calendário de licenciamento (CRLV) no Acre para o exercício de 2026 é organizado pelo Detran AC com base no final da placa do veículo.
Os prazos limites para pagamento são:
- Placas 1 e 2: até 31 de março
- Placas 3 e 4: até 30 de abril
- Placa 5: até 29 de maio
- Placa 6: até 30 de junho
- Placas 7 e 8: até 31 de julho
- Placa 9: até 30 de setembro
- Placa 0: até 30 de outubro
Para saber o calendário oficial dos demais estados, basta entrar no site do Detran de sua região.
Fique atentoMesmo que o prazo de fiscalização ainda não tenha começado no seu estado, especialistas recomendam não deixar a regularização para a última hora.
Além de evitar filas e imprevistos, manter o veículo com a documentação em dia garante que o CRLV esteja disponível quando passar a ser exigido nas abordagens.
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Menos carros, mais economia: carona corporativa avança nas empresas brasileiras
A carona corporativa vem conquistando espaço nas empresas como uma alternativa para reduzir custos de deslocamento e diminuir emissões de poluentes. Além disso, tornar a mobilidade dos colaboradores mais eficiente. Impulsionado pela consolidação do trabalho híbrido, o modelo deixa de ser apenas um benefício opcional e passa a integrar as estratégias de gestão dos ambientes corporativos.
Um estudo internacional conduzido por pesquisadores do BART Integrated Carpool to Transit Access Program aponta que programas estruturados de carona corporativa registram adesão crescente em diferentes países. Conforme o levantamento, mais de 60% dos colaboradores consultados demonstraram aderir ao compartilhamento de viagens em substituição ao uso individual do automóvel.
No Brasil, esse movimento começa a ganhar força à medida que as empresas buscam alternativas para organizar os deslocamentos dos funcionários e adaptar suas operações aos novos modelos de trabalho.
Mobilidade entra na estratégia das empresasPara Gustavo Gracitelli, CXO da Deskbee, a mobilidade passou a ocupar um espaço importante nas decisões das organizações, especialmente após as mudanças provocadas pela pandemia.
“A mobilidade tem se tornado uma questão cada vez mais pertencente ao hall de pontos de atenção das empresas em relação aos seus funcionários e, dentro dessa dinâmica, as caronas corporativas ganham protagonismo como uma solução de caráter ganha-ganha”, afirma.
Segundo ele, a reorganização do trabalho presencial e híbrido fez com que as empresas passassem a olhar o deslocamento dos colaboradores como parte da experiência de trabalho.
Trabalho híbrido impulsiona o compartilhamento de viagensA Deskbee incorporou recentemente a startup Bynd, especializada em caronas corporativas, com o objetivo de integrar a mobilidade às soluções de gestão do trabalho híbrido.
Antes da pandemia, a Bynd chegou a registrar cerca de 25 mil caronas por semana. Assim, demonstrando a demanda por sistemas organizados de compartilhamento de viagens entre colaboradores. Com a retomada gradual das atividades presenciais, esse volume começou a se recuperar.
A proposta é integrar a carona corporativa a outros serviços utilizados pelas empresas. Como, por exemplo, reservas de mesas, gestão de vagas de estacionamento e controle de acesso aos escritórios.
Benefícios vão além da economiaEmbora a redução de custos e das emissões de gases poluentes seja um dos principais atrativos da carona corporativa, a iniciativa também pode trazer impactos positivos para a mobilidade urbana.
Ao reduzir o número de veículos circulando nos horários de pico, o compartilhamento de viagens pode contribuir para diminuir congestionamentos e otimizar o uso da infraestrutura viária.
Além disso, o contato entre colegas durante os deslocamentos pode fortalecer a integração das equipes em um cenário marcado pela adoção do trabalho híbrido.
“Desde o final da pandemia, estamos nos adaptando a um novo modelo de trabalho e a novas formas de ocupar e vivenciar os escritórios. Nesse contexto, a carona corporativa surge como uma solução que vai além da eficiência operacional, da redução de custos e das metas de sustentabilidade. Ela também favorece conexões entre colegas, fortalece vínculos em um período marcado pelo isolamento social e pode até estimular hábitos mais seguros no trânsito, já que compartilhar o trajeto tende a tornar a condução mais consciente. Com o apoio da tecnologia, é possível ampliar esses benefícios em escala. É o tão mencionado futuro do trabalho, cada vez mais presente no nosso dia a dia”, afirma Gracitelli.
Tendência acompanha transformação da mobilidadeO avanço da carona corporativa reflete uma mudança mais ampla na forma como empresas e trabalhadores encaram os deslocamentos diários.
Além da busca por maior eficiência operacional, cresce o interesse por soluções que conciliem sustentabilidade, qualidade de vida e melhor aproveitamento dos espaços urbanos.
Nesse contexto, iniciativas que incentivam o compartilhamento de viagens tendem a ganhar cada vez mais espaço, acompanhando a evolução das estratégias de mobilidade corporativa e das políticas voltadas à redução do uso do carro individual.
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Vai pegar a estrada nas férias? Este checklist pode evitar transtornos durante a viagem
Com a chegada das férias de julho, muitas famílias aproveitam o período para viajar de carro. Antes de colocar as malas no porta-malas e seguir viagem, porém, há um cuidado que pode fazer toda a diferença para a segurança nas férias na estrada e evitar imprevistos durante o percurso: a manutenção preventiva do veículo.
A revisão antes de pegar a estrada ajuda a identificar desgastes naturais de componentes importantes, reduzindo o risco de falhas mecânicas e contribuindo para uma viagem mais tranquila. Além disso, um veículo em boas condições também pode apresentar melhor desempenho durante o trajeto.
Entre os itens que merecem atenção estão pneus, freios, bateria, sistema de iluminação e os diferentes fluidos do veículo. Verificar esses componentes antes da viagem pode evitar problemas que comprometam a segurança de motoristas, passageiros e demais usuários das rodovias.
Óleo do motor merece atenção especialUm dos principais pontos da manutenção preventiva é a verificação do óleo do motor. O lubrificante é responsável por reduzir o atrito entre as peças internas, auxiliar no controle da temperatura e proteger o motor contra o desgaste provocado pelo funcionamento contínuo.
Durante viagens, especialmente em trajetos mais longos, o motor costuma permanecer ligado por períodos prolongados e pode enfrentar diferentes condições de temperatura e carga. Por isso, manter a troca de óleo em dia é um cuidado importante.
“Durante viagens, o motor costuma operar por períodos mais longos e em diferentes condições de temperatura e carga. Por isso, verificar se a troca de óleo está em dia e utilizar um lubrificante adequado às especificações do fabricante é essencial para garantir a proteção do motor e uma viagem mais segura”, explica José Cesário Neto, coordenador de Capacitação e Suporte Técnico Mobil™.
Outros fluidos também devem ser conferidosAlém do óleo do motor, a recomendação é verificar os níveis dos demais fluidos do veículo, como o líquido de arrefecimento e o fluido de freio.
Esses componentes são fundamentais para o funcionamento adequado dos sistemas do automóvel e podem ajudar a prevenir falhas mecânicas ao longo da viagem.
Checklist antes de pegar a estradaAntes de iniciar a viagem, a recomendação é conferir os seguintes itens:
- nível e prazo de troca do óleo do motor;
- estado e calibragem dos pneus, incluindo o estepe;
- sistema de freios;
- nível do líquido de arrefecimento;
- carga e vida útil da bateria, especialmente se ela tiver mais de dois anos;
- sistema de iluminação e sinalização;
- palhetas e reservatório do limpador de para-brisa;
- equipamentos obrigatórios e documentação do veículo.
Além da revisão do veículo, outros cuidados podem contribuir para uma viagem mais segura. Entre eles estão o planejamento do trajeto, a consulta às condições das rodovias antes da saída e o respeito aos limites de velocidade durante todo o percurso.
Em viagens mais longas, fazer pausas periódicas também é uma medida importante para reduzir o cansaço do motorista e tornar a condução mais segura.
Conforme José Cesário Neto, muitas ocorrências registradas nas estradas poderiam ser evitadas com verificações simples realizadas antes da viagem.
“A manutenção preventiva é um investimento que traz benefícios para a segurança, para o desempenho do veículo e para o bolso do motorista. Muitas falhas que causam transtornos nas estradas podem ser evitadas com verificações simples realizadas antes da viagem”, acrescenta.
Ao realizar a revisão preventiva e conferir os principais itens do veículo antes de viajar, o motorista reduz as chances de enfrentar problemas mecânicos durante o percurso e pode aproveitar o período de férias com mais tranquilidade e confiança, dedicando a atenção ao que realmente importa: uma viagem segura ao lado da família e dos amigos.
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Caminhoneiros passam a receber consultas, exames e vacinas do SUS durante as viagens
Motoristas profissionais passam grande parte da vida nas estradas e, muitas vezes, deixam os cuidados com a saúde em segundo plano. Dados do Ministério da Saúde mostram que essa realidade ainda representa um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2022 e 2025, 41% dos caminhoneiros cadastrados na Atenção Primária à Saúde (APS) não receberam atendimento no período.
Para reduzir essa dificuldade de acesso, o Ministério da Saúde criou o programa Agora Tem Especialistas – Caminhoneira e Caminhoneiro, que leva consultas, exames, vacinação e outros serviços diretamente aos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) utilizados pelos profissionais durante as viagens.
A iniciativa busca adaptar o atendimento à rotina da categoria, que enfrenta jornadas prolongadas, deslocamentos constantes e dificuldade para procurar uma unidade de saúde durante o trabalho.
Atendimento onde o caminhoneiro já faz a paradaAs unidades móveis oferecem atendimento gratuito sem necessidade de agendamento prévio. Entre os serviços disponíveis estão consultas médicas e de enfermagem, vacinação, aferição da pressão arterial, testes rápidos, exames laboratoriais com resultado imediato, eletrocardiograma, pequenos procedimentos e encaminhamento para outros serviços do SUS, quando necessário.
Segundo o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro, a iniciativa facilita o acesso dos caminhoneiros aos cuidados com a saúde.
“A saúde quase sempre acaba ficando para depois quando o motorista está cumprindo prazos e cruzando o país. Por isso, levar o atendimento aos PPDs é uma medida inteligente. Ela adapta o serviço público à realidade da categoria e facilita o acompanhamento de muitos profissionais que, até então, não conseguiam acessar esse tipo de atendimento. É um avanço importante para quem passa grande parte da vida nas rodovias”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho.
Doenças crônicas estão entre os principais desafiosO boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que a rotina da profissão favorece o desenvolvimento de doenças crônicas. Longas jornadas ao volante, alimentação irregular, dificuldade para cumprir os períodos de descanso e acesso limitado aos serviços de saúde aumentam a vulnerabilidade dos caminhoneiros ao adoecimento.
Entre os atendimentos registrados pela Atenção Primária entre 2022 e 2025, a hipertensão arterial aparece como o problema mais frequente, com 74.414 casos, seguida pelo diabetes, com 35.292 registros, e pelos atendimentos relacionados à saúde mental, que totalizaram 21.167 ocorrências.
O levantamento também mostra um envelhecimento da categoria. A maior parte dos atendimentos foi realizada entre caminhoneiros de 50 a 59 anos, seguida pela faixa etária de 40 a 49 anos.
Mais de seis mil atendimentos em quatro mesesEm pouco mais de quatro meses de funcionamento, o programa contabilizou 6.169 atendimentos, 8.889 procedimentos, 7.087 testes rápidos, 2.617 exames e 933 doses de vacinas aplicadas.
Os números, segundo o Ministério da Saúde, demonstram a demanda por assistência médica entre profissionais que permanecem grande parte do tempo nas rodovias e encontram dificuldades para acessar os serviços tradicionais do SUS.
Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a proposta acompanha a rotina dos caminhoneiros e pode trazer reflexos que vão além da saúde individual.
“O caminhoneiro já utiliza os pontos de parada para descansar durante as viagens. Transformar esses locais também em espaços de atendimento é uma solução prática, que amplia o acesso ao SUS e incentiva o cuidado preventivo. É uma iniciativa que pode trazer benefícios tanto para a saúde dos trabalhadores quanto para a segurança nas rodovias.”
Onde o serviço está disponívelAtualmente, as unidades móveis do programa estão instaladas em pontos estratégicos próximos aos locais de parada utilizados pelos caminhoneiros nas seguintes cidades:
- Pindamonhangaba (SP);
- Uruaçu (GO);
- Ubaporanga (MG);
- Itatiaia (RJ);
- Novo Progresso (PA);
- Seropédica (RJ);
- Palhoça (SC);
- Irati (PR).
O atendimento é gratuito e realizado diretamente nos Pontos de Parada e Descanso, sem necessidade de agendamento.
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Roubo de cargas cai 34,3% em São Paulo nos cinco primeiros meses de 2026
jonson para Depositphotos
Os roubos de cargas no estado de São Paulo apresentaram recuo significativo entre janeiro e maio de 2026. No período, foram contabilizadas 1.060 ocorrências, ante 1.613 no mesmo intervalo de 2025, o que representa uma redução de 34,3%.
O levantamento é do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região), com base em dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A diminuição aparece de forma consistente ao longo dos meses. Em janeiro, os registros caíram de 350 para 251 casos (-27,4%).
Já, em fevereiro, passaram de 319 para 199 (-37,6%). Em março, foram 206 ocorrências, frente a 302 no ano anterior (-31,7%). Em abril, o número recuou de 334 para 211 (-36,8%). Já em maio, houve 193 registros, ante 308 no mesmo mês de 2025, consolidando a trajetória de queda.
Para Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP, o resultado indica avanço, mas não elimina a necessidade de atenção permanente por parte das empresas do setor.
“Os indicadores mostram evolução no combate ao roubo de cargas, mas o risco segue presente na rotina do transporte. Em períodos de maior fluxo de mercadorias, como férias e datas sazonais, o nível de alerta precisa ser mantido”, avalia.
Mesmo com a redução das ocorrências, o impacto econômico do crime continua relevante para a logística e o transporte rodoviário. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 62% das indústrias registraram aumento nos custos finais em função dos gastos com segurança no transporte. Outros 45% afirmam que os investimentos gerais em proteção também pressionam o preço final dos produtos. A insegurança acaba se refletindo diretamente nos custos operacionais e no frete. Por isso, além das ações de policiamento, é essencial investir em inteligência, tecnologia embarcada e gestão de riscos”, destaca Rodrigues.
Segundo ele, medidas preventivas seguem como fator decisivo para reduzir perdas e aumentar a eficiência das operações. “Planejamento de rotas, monitoramento contínuo e capacitação das equipes são práticas que fazem diferença no dia a dia”, completa.
O levantamento da CNI mostra ainda que 20% das indústrias sofreram roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos.As rodovias concentram a maior parte dos episódios: 68% das ocorrências acontecem nas estradas, índice bem superior ao registrado em áreas urbanas ou centros de armazenagem. Entre os produtos mais visados estão fios e cabos (60%), seguidos por ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos industriais (23%).
Para o SETCESP, os dados reforçam a importância de manter políticas públicas de segurança e, ao mesmo tempo, estimular práticas operacionais mais robustas, capazes de mitigar riscos e preservar a competitividade do transporte e da cadeia automotiva e logística.
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De parto na rodovia a bebê reanimado: histórias mostram como socorristas ajudam a salvar vidas
Quem trafega pelas rodovias costuma ver ambulâncias em deslocamento ou estacionadas nas bases de atendimento, mas nem sempre imagina a importância do trabalho realizado pelos profissionais que atuam nesses veículos. No Dia Nacional do Socorrista, celebrado em 11 de julho, histórias vividas nas rodovias administradas pela Concessionária Novo Litoral (CNL) mostram como a atuação rápida e especializada dessas equipes pode ser decisiva para salvar vidas.
Disponíveis 24 horas por dia, os socorristas prestam atendimento não apenas em ocorrências de trânsito, mas também em emergências médicas que exigem rapidez, conhecimento técnico e equilíbrio emocional. Entre os chamados atendidos estão colisões frontais, laterais e traseiras, choques, quedas de motociclistas, atropelamentos e diversas situações clínicas.
Desde o início da operação da concessionária, em novembro de 2024, as equipes já realizaram mais de 5 mil atendimentos nas rodovias sob sua administração. Atualmente, são cerca de 250 ocorrências por mês, atendidas a partir de oito Bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs), distribuídas ao longo de 212 quilômetros de rodovias.
Um nascimento às margens da rodoviaEntre os atendimentos que mais marcaram a equipe está o nascimento do bebê João, ocorrido na madrugada de 1º de julho na Base de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU 2), localizada na Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro (SP-098), conhecida como Mogi-Bertioga, em Mogi das Cruzes (SP).
A mãe entrou em trabalho de parto antes de conseguir chegar ao hospital e deu à luz dentro do carro, com o auxílio da socorrista Letícia Urbano e do resgatista Guaraci Pinelli.
“O socorrista precisa estar preparado para qualquer situação, com um emocional muito forte. Nunca sabemos qual será a próxima ocorrência quando iniciamos um plantão e, por isso, estamos sempre prontos para prestar atendimento imediato. O nascimento do João exigiu toda a técnica necessária para garantir a segurança da mãe e do bebê, mas também foi um momento muito especial para todos nós. Participar da chegada de uma nova vida é algo que levaremos para sempre na memória”, lembra a socorrista Letícia.
Atendimento rápido salvou bebê no Vale do RibeiraOutra ocorrência lembrada pela equipe aconteceu na madrugada de 30 de março, na Base de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU 7), localizada em Itariri, às margens da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055), no Vale do Ribeira.
Um bebê de 1 ano e 2 meses chegou desacordado à unidade. A equipe iniciou imediatamente o atendimento e conseguiu reanimar a criança ainda na base, estabilizando seu estado clínico antes da transferência para uma unidade de saúde da região.
Bases se tornam referência para quem precisa de ajudaSegundo o gerente de Operações da Concessionária Novo Litoral, Kaio Nascimento, a atuação das equipes é resultado de treinamento constante, estrutura adequada e integração com os demais serviços de emergência. “A chegada de uma Base de Serviço de Atendimento ao Usuário transforma a rodovia e também o entorno. Além de oferecer suporte aos usuários que trafegam pelas estradas, a base passa a ser uma referência para a comunidade. Nos dois casos, as famílias lembraram que havia uma unidade da CNL próxima e seguiram até ela com a certeza de que encontrariam suporte e atendimento imediato; em outros casos, os usuários param em nossas bases para pedir socorro a outras pessoas. Isso demonstra a confiança da população nas nossas equipes e reforça a importância de manter uma estrutura preparada para prestar socorro 24 horas por dia.”
Kaio Nascimento também destacou a preparação permanente das equipes que atuam nas rodovias.
“Nossos socorristas passam por treinamentos constantes para atuar nas mais diversas situações de emergência. São profissionais preparados para oferecer um atendimento rápido, seguro e humanizado, sempre que um usuário precisar. Neste Dia do Socorrista, a Concessionária Novo Litoral parabeniza todos os profissionais que trabalham em outras instituições e concessionárias e principalmente nossos colaboradores que, diariamente, transformam o caminho e a vida das pessoas por meio do cuidado, do acolhimento e, muitas vezes, ajudam a salvar vidas.”
Atendimento vai além das ambulânciasAlém das equipes de atendimento pré-hospitalar, a operação da concessionária conta com monitoramento permanente realizado pelo Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por acompanhar as rodovias durante 24 horas por dia.
O centro coordena o acionamento dos recursos necessários para cada ocorrência e atua de forma integrada com a Polícia Militar Rodoviária e outros órgãos de emergência, permitindo que o atendimento seja realizado com mais rapidez e eficiência.
As histórias lembradas no Dia Nacional do Socorrista reforçam a importância desses profissionais para a segurança viária. Em muitas situações, a rapidez no atendimento faz diferença não apenas para reduzir as consequências de um sinistro, mas também para preservar vidas em emergências médicas que acontecem nas rodovias.
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PL propõe programa nacional de saúde para motoristas profissionais no SUS
Motoristas profissionais que transportam cargas e passageiros poderão passar a contar com uma política pública específica de atenção à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). É o que prevê o Projeto de Lei (PL) 2.190/2026, de autoria do deputado federal Luiz Gastão, apresentado na Câmara dos Deputados.
A proposta institui o Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Motorista Profissional, voltado à prevenção de doenças, ao acompanhamento contínuo da saúde e à ampliação do acesso aos serviços do SUS, especialmente para trabalhadores que passam longos períodos em deslocamento e enfrentam dificuldades para realizar consultas e exames de rotina.
De acordo com a tramitação da Câmara dos Deputados, o projeto foi apresentado em 5 de maio de 2026 e, atualmente, aguarda despacho da Presidência da Casa.
O que prevê o programaDe acordo com o texto do projeto, o programa será destinado aos motoristas profissionais do transporte rodoviário de cargas e de passageiros e terá como foco ações de prevenção, promoção da saúde e acompanhamento clínico.
Entre os objetivos previstos estão:
- ampliar o acesso desses profissionais aos serviços de atenção primária, inclusive quando estiverem em trânsito;
- fortalecer ações de prevenção de doenças crônicas e outros agravos frequentes na categoria;
- promover acompanhamento clínico periódico com registro unificado das informações de saúde;
- incentivar ações voltadas à promoção da saúde e à segurança viária;
- integrar iniciativas dos governos federal, estaduais e municipais relacionadas à saúde dos motoristas profissionais.
A proposta estabelece que a execução das ações ficará a cargo dos entes federativos, respeitando as diretrizes do SUS.
Ações previstas nas rodovias e unidades de saúdeO projeto também detalha algumas iniciativas que poderão fazer parte do programa.
Entre elas estão a instalação de unidades móveis de saúde em locais estratégicos, como rodovias, portos e pontos de parada, além da ampliação da utilização do Cartão de Saúde do Motorista Profissional.
Outra medida prevista é a realização de campanhas de vacinação, rastreamento e prevenção de doenças cardiovasculares, metabólicas e musculoesqueléticas.
O texto ainda prevê que os motoristas possam receber atendimento e acompanhamento em unidades de atenção primária independentemente do município onde residem, facilitando o acesso aos serviços mesmo durante viagens.
Além disso, o programa poderá promover ações educativas relacionadas à saúde, alimentação, descanso e prevenção de sinistros de trânsito.
Atendimento facilitado durante viagensUm dos principais pontos da proposta trata da organização do atendimento aos motoristas profissionais quando estiverem em trânsito.
O projeto determina que os serviços do SUS adotem mecanismos de prioridade procedimental para esse público, com medidas como:
- facilitação do acesso ao acolhimento e à triagem inicial;
- organização de fluxo específico para atendimentos preventivos, administrativos ou de baixa complexidade;
- agendamento preferencial para consultas e procedimentos não emergenciais, quando isso for tecnicamente possível;
- acesso facilitado à atenção primária, independentemente da unidade de referência do paciente.
O texto faz questão de esclarecer que essas medidas não alteram os protocolos de classificação de risco utilizados pelo SUS.
Assim, os atendimentos de urgência e emergência continuarão obedecendo exclusivamente ao critério da gravidade clínica do paciente. Da mesma forma, a prioridade prevista no projeto não permitirá que motoristas sejam atendidos antes de pessoas em situação de saúde mais grave.
Como será comprovada a condição de motorista profissionalPara utilizar os mecanismos previstos no projeto, o motorista deverá comprovar sua condição profissional.
Conforme o texto, será necessária a apresentação da Carteira Nacional de Habilitação compatível com a atividade exercida, além de documento que comprove vínculo empregatício ou atuação como profissional autônomo.
Justificativa destaca dificuldades de acesso à saúdeNa justificativa da proposta, o deputado Luiz Gastão afirma que os motoristas do transporte rodoviário exercem uma atividade essencial para o funcionamento da economia nacional, mas enfrentam condições de trabalho que dificultam o acompanhamento regular da saúde.
Conforme o parlamentar, esses profissionais permanecem longos períodos longe de casa, submetidos a jornadas extensas, deslocamentos contínuos e exposição a diferentes riscos físicos e ambientais.
Para ele, essa rotina faz com que muitos deixem de realizar consultas, exames e acompanhamento clínico. Assim, favorecendo o agravamento de problemas que poderiam ser prevenidos por meio de políticas públicas específicas.
Ainda de acordo com o autor, a proposta busca ampliar o acesso dos motoristas às ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e cuidado continuado sem comprometer os critérios já utilizados pelo SUS para classificação de risco.
Na justificativa, o deputado afirma que a iniciativa pretende oferecer “instrumentos concretos para que motoristas profissionais tenham acesso mais efetivo às ações de promoção, prevenção e cuidado”, contribuindo para a redução de agravos à saúde, para a segurança nas estradas e para a melhoria das condições de trabalho da categoria.
O parlamentar também informa que a elaboração da proposta contou com interlocução institucional com o Ministério da Saúde. Segundo ele, durante esse processo houve a apresentação dos objetivos do programa e manifestação favorável à colaboração técnica para o desenvolvimento da iniciativa, especialmente em relação ao aprimoramento do acesso dos motoristas profissionais aos serviços do SUS durante os deslocamentos.
Próximos passosCaso o Congresso Nacional aprove e posteriormente o presidente sancione, o projeto determina que o Poder Executivo regulamente a futura lei no prazo de 180 dias. O texto também prevê a possibilidade de celebração de parcerias com entidades públicas e privadas para a execução das ações previstas no programa.
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Carregar carro elétrico em tomada comum exige cuidados; especialista alerta para riscos das instalações inadequadas
O número de veículos eletrificados cresce rapidamente no Brasil, mas a infraestrutura de recarga ainda não acompanha esse ritmo. Diante desse cenário, muitos proprietários acabam recorrendo a tomadas residenciais para abastecer seus veículos, prática que exige atenção para evitar danos ao sistema elétrico, ao carregador e até ao próprio automóvel.
Conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mais de 200 mil veículos 100% elétricos já circulam no país. Considerando também os híbridos convencionais, híbridos flex e híbridos plug-in, a frota supera 620 mil veículos eletrificados.
Somente nos dois primeiros meses deste ano foram comercializadas 48.591 unidades, crescimento de aproximadamente 90% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram vendidos 25.544 veículos.
Infraestrutura ainda é um desafioApesar da expansão da frota, a rede de carregamento ainda está em desenvolvimento. De acordo com a ABVE, o Brasil possui cerca de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para aproximadamente 506 mil veículos plug-in, proporção que evidencia a necessidade de ampliar a infraestrutura disponível.
Enquanto isso, alguns proprietários recorrem a soluções improvisadas para recarregar os veículos em casa.
Instalação elétrica precisa ser adequadaPara o engenheiro eletricista Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, utilizar uma tomada residencial pode não ser a melhor opção quando a instalação elétrica não foi dimensionada para esse tipo de carga.
“O carregamento de um carro elétrico em uma tomada doméstica deve ser uma última alternativa, e não a solução principal para o dia a dia. Carregadores domésticos podem causar superaquecimento e incêndios, até porque a infraestrutura elétrica residencial nem sempre está preparada para suportar a demanda de energia. Os carros elétricos necessitam de estações próprias, pois trabalham com correntes altas”, explica.
Conforme o especialista, instalações inadequadas podem sofrer aquecimento excessivo durante o carregamento e aumentar o risco de falhas elétricas.
Oscilações podem danificar equipamentosOutro ponto de atenção são as oscilações na rede elétrica. De acordo com Bucko, variações de tensão podem comprometer componentes internos do carregador e, em situações mais severas, atingir a bateria e outros sistemas eletrônicos do veículo.
Como as baterias representam um dos componentes mais caros dos automóveis eletrificados, danos provocados por sobretensões podem gerar custos elevados de reparo.
Proteção contra surtosPara quem eventualmente precisar utilizar uma tomada residencial, o especialista recomenda verificar se a instalação elétrica possui um Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS).
Segundo ele, o equipamento ajuda a proteger tomadas e aparelhos contra picos de energia e descargas atmosféricas.
“O DPS funciona como uma barreira que detecta a sobretensão e a desvia rapidamente, impedindo que a alta tensão chegue aos equipamentos. Os DPS são a última linha de defesa”, argumenta.
O engenheiro explica que existem diferentes classes de DPS, sendo o Classe 1 normalmente instalado na entrada da rede elétrica para absorver surtos de maior intensidade e direcionar o excesso de energia ao sistema de aterramento.
Instalações elétricas exigem atençãoO alerta também ocorre em um contexto de preocupação com a segurança das instalações elétricas.
Conforme o Anuário da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), incêndios relacionados a falhas elétricas continuam associados a problemas como instalações inadequadas, falta de manutenção e descumprimento das normas técnicas.
De acordo com especialistas, à medida que cresce a frota de veículos eletrificados, também aumenta a importância de que residências e condomínios contem com infraestrutura elétrica compatível com a demanda desses automóveis, reduzindo riscos e garantindo carregamentos mais seguros.
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Transportadoras ampliam em 128% a regularização no RNTRC após revalidação da ANTT
As transportadoras brasileiras ampliaram em 128% a regularização de seus registros no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) após o processo de revalidação promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O dado, apresentado no Anuário TRC 2025, chama a atenção por evidenciar um movimento de adequação das empresas às exigências regulatórias do setor.
Conforme o advogado Cristiano José Baratto, especialista em Direito aplicado ao transporte e à logística, a recuperação dos registros demonstra que a conformidade passou a ocupar um papel estratégico na gestão das transportadoras.
“Esse porcentual não representa simplesmente um aumento no número de empresas, mas um esforço expressivo de regularização. As transportadoras perceberam que manter o cadastro em conformidade deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um requisito essencial para operar em um mercado cada vez mais fiscalizado, digitalizado e exigente”, analisa.
O levantamento da ANTT mostra que, após o impacto da revalidação cadastral, o número de Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETCs) – categoria que reúne as pessoas jurídicas habilitadas para o transporte rodoviário remunerado de cargas – passou de 123.003 para 280.036 registros ativos, pendentes ou suspensos até dezembro de 2025, representando uma recuperação de 128% em relação ao período imediatamente posterior à revalidação.
Na avaliação de Baratto, o dado revela uma mudança importante na forma como o setor passou a enxergar a regulação. “Durante muitos anos, tratavam-se questões cadastrais e regulatórias como demandas administrativas. Hoje elas impactam diretamente a continuidade das operações. A regularidade cadastral passou a ser um ativo para a empresa, porque influencia sua capacidade de contratar, atender clientes e responder às exigências dos órgãos reguladores.”
FiscalizaçãoO advogado observa que essa transformação acompanha a evolução da própria fiscalização do transporte rodoviário de cargas, que vem se tornando mais integrada e orientada por dados. Atualmente, além do RNTRC, a atividade é acompanhada por ferramentas como o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), utilizado para registrar operações de transporte remunerado, pelo Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), que reúne eletronicamente as informações das cargas transportadas, e por diversos controles relacionados à operação, ao pagamento eletrônico de frete e ao transporte de produtos perigosos.
Segundo ele, o desafio atual não é somente transportar cargas com eficiência, mas demonstrar conformidade durante toda a operação. “Quando analisamos o anuário como um todo, é possível perceber que ele retrata um setor muito mais monitorado do que há alguns anos. Isso significa que as empresas precisam investir não apenas em frota e operação, mas também em processos internos, organização documental e governança”, afirma.
Outro indicador reforça esse cenário: o Anuário TRC 2025 registra a emissão de 124 mil novos registros no RNTRC, o maior volume da série histórica e cerca de 50% superior ao observado em 2015. Para Baratto, o crescimento do cadastro confirma a expansão do setor, mas também amplia a responsabilidade das empresas.
“Quanto maior o volume de operações, maior também é a exposição a riscos regulatórios, contratuais e operacionais. Isso exige uma postura preventiva por parte das transportadoras. A gestão jurídica deixa de atuar apenas na solução de conflitos e passa a contribuir para a estruturação de processos que reduzam riscos e garantam maior segurança para o negócio”, pontua.
Na visão do especialista, o principal recado do Anuário TRC 2025 vai além dos indicadores econômicos. “O relatório mostra que o transporte rodoviário brasileiro está entrando em uma nova fase, em que eficiência operacional e conformidade caminham juntas. As empresas que compreenderem essa mudança estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável e enfrentar um ambiente regulatório cada vez mais sofisticado”, finaliza.
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Distância de segurança de caminhões: veja os erros que podem causar acidentes
Caminhões e ônibus fazem parte da rotina de quem dirige pelas estradas e cidades brasileiras. No entanto, muitos motoristas ainda subestimam os riscos de trafegar muito próximos desses veículos, seja durante uma ultrapassagem, em congestionamentos ou mesmo ao seguir atrás deles.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determine que todo condutor mantenha distância de segurança em relação aos demais veículos, essa recomendação ganha ainda mais importância quando se trata de caminhões e ônibus. O porte, o peso e as características de condução desses veículos fazem com que eles precisem de mais espaço para frear, realizar manobras e mudar de direção com segurança.
Respeitar essa distância não é apenas uma regra de boa convivência no trânsito. É uma medida que pode evitar colisões graves e proteger motoristas, passageiros e pedestres.
Caminhões não se comportam como um carro de passeioUma das principais diferenças entre um caminhão e um automóvel está na capacidade de frenagem.
Por transportar cargas pesadas e possuir maior massa, um veículo de grande porte necessita de uma distância significativamente maior para parar completamente, principalmente quando trafega em alta velocidade, em descidas ou sobre pistas molhadas.
Isso significa que, diante de uma situação inesperada, o caminhoneiro pode precisar de mais tempo e espaço para evitar uma colisão.
Da mesma forma, suas curvas costumam ser mais abertas e as mudanças de faixa exigem maior planejamento, o que torna ainda mais importante que os demais motoristas mantenham distância suficiente para reagir com segurança.
Os pontos cegos representam um riscoOutro aspecto frequentemente ignorado é a existência dos chamados pontos cegos. Mesmo equipados com retrovisores amplos, caminhões possuem áreas ao redor do veículo que não podem ser visualizadas pelo motorista. Essas regiões costumam estar logo atrás do caminhão, ao lado da cabine e muito próximas da parte dianteira.
Quando um automóvel permanece nessas áreas por muito tempo, aumenta o risco de não ser percebido pelo caminhoneiro durante uma conversão ou mudança de faixa.
Uma orientação bastante conhecida entre profissionais do transporte é simples: se o motorista do carro não consegue enxergar os retrovisores do caminhão, provavelmente também não está sendo visto.
Cinco erros que aumentam o risco de acidentesAlgumas atitudes comuns podem transformar uma viagem tranquila em uma situação de perigo.
Entre os erros mais frequentes estão:
- trafegar muito próximo da traseira do caminhão, reduzindo o tempo de reação em caso de frenagem;
- permanecer ao lado da cabine por longos períodos, aumentando o tempo dentro do ponto cego;
- iniciar uma ultrapassagem sem visibilidade suficiente da pista à frente;
- retornar para a faixa logo após ultrapassar, sem deixar espaço adequado para o caminhão;
- desconsiderar o efeito do deslocamento de ar provocado por veículos de grande porte, especialmente em velocidades elevadas.
Evitar esses comportamentos reduz significativamente o risco de colisões.
O que diz a legislaçãoO Código de Trânsito Brasileiro determina que os condutores mantenham distância de segurança lateral e frontal entre seus veículos e os demais, considerando velocidade, condições da via e demais circunstâncias do momento.
Embora a legislação não estabeleça uma metragem fixa para essa distância, o princípio é claro: o espaço deve ser suficiente para permitir que o motorista reaja diante de qualquer imprevisto sem colocar em risco a própria segurança ou a de terceiros.
Na prática, cabe ao condutor adaptar essa distância conforme fatores como chuva, neblina, velocidade, peso do veículo à frente e intensidade do tráfego.
A convivência segura depende de todosA presença de caminhões nas rodovias é indispensável para o transporte de mercadorias e o abastecimento do país. Por isso, a segurança no trânsito depende também da forma como os demais motoristas interagem com esses veículos.
Respeitar a distância de segurança, evitar permanecer nos pontos cegos e realizar ultrapassagens apenas em condições favoráveis são atitudes simples, mas que fazem diferença na prevenção de sinistros.
Mais do que cumprir uma regra prevista na legislação, manter uma condução prudente demonstra respeito aos limites dos veículos de grande porte e contribui para um trânsito mais seguro para todos.
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Motoristas passarão a receber alertas no Waze ao se aproximarem de escolas próximas a rodovias federais
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) está utilizando tecnologia e análise de dados para ampliar a segurança de crianças e adolescentes que estudam em escolas próximas às rodovias federais. A iniciativa mapeia unidades de ensino localizadas em áreas de maior risco e integra essas informações ao aplicativo Waze, que passa a alertar os motoristas sobre a aproximação de zonas escolares.
O trabalho é realizado por meio de levantamento georreferenciado das unidades de ensino, cruzando sua localização com a malha rodoviária federal e o histórico de sinistros de trânsito registrados nas proximidades. A metodologia, inicialmente aplicada às escolas participantes do Programa Nacional de Educação para o Trânsito Conexão DNIT, será gradualmente ampliada para outras instituições localizadas ao longo das rodovias federais.
A partir de 2026, o DNIT também passa a utilizar um modelo de classificação que considera o número de mortes, feridos e a quantidade de estudantes atendidos por cada escola, permitindo identificar os trechos com maior necessidade de intervenções preventivas.
Alertas em tempo real aos motoristasPor meio do programa Waze for Cities, as áreas escolares mapeadas são transformadas em zonas de atenção. Após validação, o aplicativo passa a emitir alertas visuais e sonoros aos condutores quando se aproximam desses locais, orientando a redução da velocidade e o aumento da atenção.
A proposta busca antecipar a percepção de risco, favorecendo mudanças imediatas no comportamento dos motoristas e reduzindo a possibilidade de sinistros envolvendo estudantes nos horários de entrada e saída das escolas.
A iniciativa está alinhada às diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que incentiva o uso integrado de engenharia, educação, fiscalização e tecnologia para salvar vidas nas vias brasileiras.
Proteção dos usuários mais vulneráveisPara o coordenador de Multas e Educação para o Trânsito do DNIT, Julio Pellizzon, áreas escolares exigem atenção especial por concentrarem usuários mais vulneráveis do sistema viário.
“Quando somamos a presença dos estudantes à limitação de visibilidade em determinados trechos das rodovias, fica evidente a necessidade de medidas preventivas e antecipatórias. Crianças e adolescentes têm menor capacidade de percepção do risco e maior imprevisibilidade de comportamento, o que exige dos condutores um nível ainda maior de atenção, prudência e responsabilidade ao se aproximarem dessas áreas.”
Além dos alertas aos motoristas, o DNIT pretende ampliar a comunicação com gestores e comunidades escolares, fortalecendo a integração entre tecnologia e educação para o trânsito.
Segundo Pellizzon, o objetivo é construir uma abordagem cada vez mais preventiva para reduzir mortes e lesões graves nas rodovias. “A expectativa é que a iniciativa contribua para reduzir os sinistros nas proximidades das escolas e fortaleça uma segurança viária baseada na antecipação do risco e na proteção dos usuários mais vulneráveis.”
Ao combinar georreferenciamento, análise de dados e plataformas de navegação, o DNIT reforça o uso da tecnologia como aliada da prevenção e da construção de um trânsito mais seguro para todos.
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IPVA poderá deixar de ser calculado pelo valor do carro; proposta avança na Câmara
A forma de calcular o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) poderá mudar no Brasil. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2026, que altera a base de cálculo do tributo para que ele deixe de considerar o valor de mercado do veículo e passe a levar em conta apenas o seu peso. A proposta também estabelece que o IPVA não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do automóvel.
A aprovação na CCJ representa apenas uma das primeiras etapas da tramitação. Antes de entrar em vigor, a proposta ainda precisará ser analisada por uma comissão especial da Câmara e, posteriormente, votada em dois turnos pelo Plenário da Casa. Caso seja aprovada, seguirá para análise do Senado.
De autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), a PEC altera o artigo 155 da Constituição Federal para modificar a forma como o imposto é calculado em todo o país. Atualmente, o IPVA é cobrado com base no valor venal do veículo, utilizando critérios definidos por cada estado.
O que prevê a propostaSe aprovada em todas as etapas do processo legislativo, a PEC estabelece duas mudanças principais na cobrança do IPVA:
- a base de cálculo deixará de ser o valor de mercado do veículo e passará a considerar exclusivamente o seu peso;
- o imposto não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do automóvel.
Conforme o autor da proposta, o modelo atual penaliza proprietários de veículos mais caros, ainda que eles tenham impacto semelhante ou até menor sobre a infraestrutura viária quando comparados a veículos mais pesados. A justificativa apresentada é que o desgaste causado às vias públicas está relacionado principalmente ao peso dos veículos, e não ao seu valor comercial.
Relator defende critérios mais justosO relator da proposta na CCJ, deputado Mendonça Filho (União-PE), apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC. Para ele, a proposta atende aos requisitos constitucionais e pode contribuir para tornar a tributação mais equilibrada.
Em seu parecer, o relator afirma que a iniciativa busca “corrigir distorções” existentes no modelo atual de cobrança do IPVA e destaca que a proposta respeita os limites constitucionais para alteração do sistema tributário.
Mudança ainda depende de aprovação do CongressoApesar da aprovação na CCJ, a proposta ainda está longe de produzir efeitos práticos para os proprietários de veículos. Nesta fase, a comissão analisou apenas a constitucionalidade da matéria, sem discutir seu mérito.
O próximo passo será a criação de uma comissão especial, responsável por analisar o conteúdo da PEC. Ou seja, depois disso, o texto precisará ser aprovado em dois turnos pelo Plenário da Câmara, com apoio de pelo menos três quintos dos deputados. Em seguida, seguirá para o Senado, onde também deverá passar por comissões e ser votado em dois turnos antes de uma eventual promulgação.
Até que todas essas etapas sejam concluídas, nada muda na forma de cobrança do IPVA. Os estados continuam aplicando as regras atualmente em vigor, com o imposto calculado conforme a legislação estadual e tendo como referência o valor do veículo.
A proposta, no entanto, reacende o debate sobre os critérios utilizados para a tributação da frota brasileira e poderá influenciar futuras discussões sobre a forma de financiamento dos estados e o impacto da cobrança para os proprietários de veículos.
Com informações da Agência Câmara
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Motos mudam o perfil das mortes no trânsito no Brasil, aponta Atlas da Violência
O trânsito brasileiro mudou — e as estatísticas de mortes mostram isso de forma contundente. O Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que os motociclistas passaram a ocupar o centro da tragédia viária nacional. Em 2024, as motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% das 37.150 mortes registradas no trânsito brasileiro.
Mais do que um dado isolado, o número evidencia uma transformação no perfil da mortalidade viária do país. Entre 2019 e 2024, as mortes em sinistros envolvendo motocicletas cresceram 38%, passando de 11.182 para 15.459 óbitos. O Atlas aponta que mudanças econômicas, sociais e na própria dinâmica da mobilidade urbana contribuíram para consolidar a moto como protagonista das estatísticas de violência no trânsito.
A motocicleta deixou de ser coadjuvanteDurante décadas, o debate sobre segurança viária esteve fortemente associado aos ocupantes de automóveis. No entanto, a expansão da frota de motos alterou esse cenário.
A motocicleta passou a desempenhar múltiplas funções no cotidiano dos brasileiros. Além do deslocamento pessoal, tornou-se alternativa de mobilidade em cidades com transporte coletivo insuficiente e instrumento de geração de renda para milhões de trabalhadores.
Com isso, cresceu também a exposição ao risco.
O Atlas demonstra que o aumento das mortes envolvendo motos não é episódico. Trata-se de uma tendência consolidada que acompanha a crescente presença desses veículos nas ruas brasileiras.
O usuário mais vulnerável do sistemaAo contrário dos ocupantes de automóveis, motociclistas contam com proteção física limitada. Em caso de colisões, quedas ou atropelamentos, a probabilidade de lesões graves e fatais é significativamente maior.
Para Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, os dados revelam uma mudança que exige revisão das prioridades em segurança viária.
“Durante muito tempo, o trânsito foi pensado a partir da lógica do automóvel. O Atlas mostra que essa realidade mudou. Hoje, proteger quem utiliza a motocicleta precisa ser prioridade, porque é esse usuário que aparece com maior frequência nas estatísticas de mortes.”
De acordo com ele, a adaptação das políticas públicas não acompanhou a velocidade dessa transformação. “As campanhas, a infraestrutura e até parte da fiscalização ainda refletem um cenário de décadas atrás. Enquanto isso, a motocicleta ganhou espaço nas cidades brasileiras e assumiu um protagonismo que exige respostas específicas.”
Crescimento exige novas estratégiasOs dados do Atlas sugerem que reduzir a violência no trânsito passa necessariamente pela compreensão desse novo perfil de vítimas.
Isso significa desenvolver estratégias direcionadas aos motociclistas, incluindo:
- formação adequada;
- campanhas específicas;
- fiscalização orientada à redução de riscos;
- infraestrutura mais segura;
- políticas públicas voltadas aos usuários mais vulneráveis.
Embora o estudo não detalhe soluções, os números indicam que insistir em abordagens genéricas pode não ser suficiente diante da nova realidade.
Uma mudança que veio para ficarA presença crescente das motocicletas nas estatísticas reflete transformações estruturais da sociedade brasileira.
Se antes a moto era vista como alternativa complementar, hoje ela ocupa posição central na mobilidade urbana e regional.
Conforme Mariano, reconhecer essa mudança é o primeiro passo para enfrentá-la.
“Não estamos diante de uma situação passageira. A motocicleta passou a integrar definitivamente a paisagem urbana brasileira. Ignorar isso significa continuar perdendo vidas sem adaptar nossas estratégias de prevenção.”
Os dados do Atlas da Violência 2026 mostram que compreender quem morre no trânsito é tão importante quanto entender por que essas mortes acontecem. E, atualmente, essa compreensão passa necessariamente pelos usuários sobre duas rodas.
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Atenção, motoristas de Minas: Detran define quando o CRLV 2026 passa a ser obrigatório
Os proprietários de veículos registrados em Minas Gerais já podem se programar para o licenciamento anual de 2026. O Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) publicou o calendário que define a data a partir da qual passará a exigir o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2026 durante as fiscalizações no estado.
A Portaria nº 0993/26 estabeleceu a medida e organiza o cronograma de exigência do documento de acordo com o final da placa do veículo. Até a data correspondente, os proprietários devem regularizar a situação do veículo para emitir o novo CRLV.
Confira o calendário de exigência do CRLV 2026O Detran-MG definiu o seguinte cronograma:
Final da placaCRLV 2026 passa a ser exigido1, 2 e 31º de setembro de 20264, 5 e 61º de outubro de 20267, 8, 9 e 01º de novembro de 2026A partir dessas datas, circular sem o CRLV 2026 poderá resultar nas penalidades previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O que é necessário para emitir o documentoPara obter o CRLV 2026, o proprietário precisa manter o veículo totalmente regularizado.
Isso inclui o pagamento do IPVA, da Taxa de Renovação do Licenciamento Anual do Veículo (TRLAV), além da quitação de multas e da regularização de eventuais impedimentos cadastrados no veículo. Somente após a compensação desses débitos o documento fica disponível para emissão em formato digital ou impresso.
É possível apresentar o documento em formato digitalDepois da emissão, é possível apresentar o CRLV tanto na versão digital quanto na impressa durante as abordagens de fiscalização.
O documento digital pode ser acessado pelos canais oficiais do governo e tem a mesma validade jurídica da versão em papel.
Regularização antecipada evita transtornosEmbora a fiscalização siga o calendário por final de placa, o Detran-MG orienta que os proprietários não deixem a regularização para a última hora.
Antecipar o pagamento dos débitos e emitir o documento com antecedência ajuda a evitar imprevistos e garante que o veículo esteja apto a circular quando a exigência do CRLV 2026 ocorrer nas rodovias e vias urbanas do estado
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Boom dos autopropelidos exige atenção: veja os erros mais comuns de quem compra a primeira vez
A mobilidade elétrica vive um momento de forte expansão no Brasil. Segundo dados da Abraciclo, os modelos elétricos foram o grande destaque de abril de 2026, consolidando-se como a segunda categoria mais produzida do país, com 6.768 unidades fabricadas. O crescimento acompanha a busca por alternativas mais econômicas e sustentáveis para os deslocamentos urbanos, mas também amplia a oferta de equipamentos disponíveis e torna a decisão de compra mais complexa para quem está entrando nesse mercado.
Segundo David Peterle, CEO da StreetGo, esse crescimento exige que o consumidor esteja cada vez mais bem informado. “Hoje existe uma oferta muito maior de modelos e marcas, o que é positivo para o mercado. Ao mesmo tempo, isso faz com que muitas pessoas comprem o primeiro autopropelido sem saber exatamente o que precisam observar em relação à segurança, qualidade dos componentes e suporte da marca. Informação é tão importante quanto o produto nesse momento de expansão do setor”, explica.
De acordo com Peterle, a decisão deve considerar o custo-benefício ao longo da vida útil do equipamento, e não apenas o preço de compra.
“Mais do que autonomia ou design, vale avaliar fatores como assistência técnica, disponibilidade de peças, procedência da bateria e qualidade dos componentes. Um autopropelido é um meio de transporte para uso diário e precisa oferecer confiabilidade para acompanhar a rotina do usuário durante muitos anos”, orienta.
O que observar antes de comprar um autopropelido? 1. Verifique se o modelo atende à legislação brasileiraAntes de fechar a compra, é importante entender se o equipamento está enquadrado na Resolução CONTRAN nº 996/2023. Os autopropelidos precisam atender a critérios técnicos específicos, como limite de potência e velocidade, além de contar com itens obrigatórios, como velocímetro, campainha e sistema de iluminação dianteira, traseira e lateral. Um equipamento que não atende a essas exigências pode gerar dúvidas sobre onde pode circular e até impedir que o usuário aproveite todas as vantagens previstas para essa categoria de veículo.
2. Desconfie de preços muito abaixo da médiaNa hora da compra, o preço costuma chamar atenção, mas nem sempre representa economia no longo prazo. Equipamentos muito baratos podem utilizar baterias sem certificação, motores menos eficientes, materiais de menor resistência e sistemas de freio mais simples. Isso pode resultar em menor durabilidade, maior necessidade de manutenção e até comprometer a segurança durante o uso diário. Vale analisar o conjunto do produto e não apenas o valor da etiqueta.
3. Avalie a bateria, não apenas a autonomiaÉ comum que o consumidor compare apenas a quantidade de quilômetros informada pelo fabricante, mas a bateria merece uma análise mais completa. Além da autonomia, é importante verificar a capacidade, a procedência das células, o tempo de recarga, a vida útil estimada e a disponibilidade para substituição futura. Baterias de fabricantes reconhecidos costumam oferecer maior estabilidade, desempenho consistente e mais segurança durante o uso, reduzindo riscos de perda precoce de capacidade.
4. Confira se há assistência técnica e peças de reposiçãoUm dos erros mais frequentes é pensar apenas na compra e esquecer o pós-venda. Como qualquer veículo, o autopropelido está sujeito a revisões, troca de componentes e eventuais reparos. Antes de escolher a marca, vale verificar se existe assistência técnica autorizada no Brasil, disponibilidade de peças de reposição e suporte ao consumidor. Esses fatores fazem a diferença para manter o equipamento funcionando por muitos anos e evitam que pequenos problemas se transformem em grandes dores de cabeça.
5. Observe a qualidade dos freios e da estruturaQuem utiliza o autopropelido diariamente enfrenta buracos, lombadas, pisos irregulares e diferentes condições de trânsito. Por isso, componentes como freios, suspensão, pneus e quadro têm impacto direto na estabilidade e na segurança. Um conjunto estrutural mais robusto proporciona maior controle da condução, reduz desgastes prematuros e oferece mais confiança em frenagens e mudanças rápidas de direção, principalmente em centros urbanos.
6. Escolha um modelo adequado para sua rotinaNem todo autopropelido foi desenvolvido para o mesmo perfil de usuário. Antes da compra, vale refletir sobre como o equipamento será utilizado. Quem pretende usá-lo para ir ao trabalho todos os dias, por exemplo, deve priorizar autonomia, conforto, ergonomia e capacidade de carga. Já quem pretende utilizá-lo apenas em passeios ou deslocamentos ocasionais pode dar mais importância ao peso, à facilidade de transporte ou ao design. Entender a própria rotina ajuda a escolher um modelo que realmente atenda às necessidades do dia a dia e evita frustrações após a compra.
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