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Mortes no trânsito avançam pelo quinto ano seguido no Brasil, aponta análise do ONSV
Em meio à Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, realizada de 26 de julho a 1º de agosto, uma nova análise chama atenção para o agravamento da violência no trânsito brasileiro. O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, o quinto aumento anual consecutivo e o maior crescimento percentual observado em 22 anos.
Os números fazem parte do estudo “Dados Consolidados de Óbitos no Trânsito Brasileiro – 2024”, divulgado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) com base nos dados atualizados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, disponibilizados pelo DATASUS, do Ministério da Saúde.
O trabalho foi realizado por Jorge Tiago Bastos, membro do Conselho Deliberativo do ONSV e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em conjunto com Ana Beatriz da Silva Marques, pesquisadora da universidade e do Observatório. Os pesquisadores atuaram na organização, avaliação e interpretação das informações que compõem o panorama inicial apresentado pela instituição.
A divulgação ocorre durante a Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, instituída pela Lei nº 15.006/2024. A mobilização busca ampliar a conscientização e estimular ações voltadas à redução das mortes e lesões graves envolvendo motociclistas, grupo que novamente aparece como o mais atingido pela violência no trânsito.
Maior crescimento anual desde 2002O total de mortes passou de 34.881, em 2023, para 37.150, em 2024, o que representa 2.269 vidas perdidas a mais em apenas um ano.
A elevação de 6,5% foi a maior registrada desde 2002, quando o crescimento havia chegado a 7,3%. O resultado também colocou o país no maior patamar de fatalidades no trânsito desde 2016.
A série histórica recente mostra que as mortes vêm aumentando sucessivamente:
- 2019: 31.945 mortes;
- 2020: 32.716 mortes;
- 2021: 33.813 mortes;
- 2022: 33.894 mortes;
- 2023: 34.881 mortes;
- 2024: 37.150 mortes.
De acordo com a análise do Observatório, o avanço rompe a tendência de estabilização registrada em alguns períodos anteriores e evidencia fragilidades estruturais e comportamentais do trânsito brasileiro.
Os resultados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas, fiscalização, educação para o trânsito e investimentos em infraestrutura capaz de proteger especialmente os usuários mais vulneráveis.
Motociclistas concentram o maior impactoO crescimento mais expressivo em números absolutos ocorreu entre os ocupantes de motocicletas. Foram 15.459 mortes em 2024, contra 13.477 no ano anterior.
A diferença representa 1.982 mortes a mais e um crescimento de 14,7% em apenas um ano. Os motociclistas corresponderam a aproximadamente 42% de todas as vítimas fatais do trânsito brasileiro em 2024.
O recorte por sexo torna o cenário ainda mais preocupante. Somente os motociclistas do sexo masculino somaram 13.497 mortes, o equivalente a 37,1% de todos os óbitos no trânsito registrados no país.
O dado reforça a importância de ações específicas para esse público, especialmente diante da expansão do uso da motocicleta como meio de deslocamento e ferramenta de trabalho.
Mortes também avançaram entre ocupantes de caminhões e ônibusEmbora o maior impacto tenha ocorrido entre motociclistas, a análise identificou crescimentos percentuais elevados entre ocupantes de outros veículos.
As mortes de ocupantes de caminhões aumentaram 30,2%, enquanto os óbitos entre ocupantes de ônibus cresceram 28,3%.
Os resultados apontam desafios adicionais relacionados ao transporte de cargas e passageiros e indicam a necessidade de avaliar fatores como condições das vias, jornadas de trabalho, manutenção dos veículos, fiscalização e formação profissional.
Alta atingiu quase todo o paísO aumento das mortes foi observado na maior parte das Unidades da Federação. As exceções foram o Rio de Janeiro, que apresentou redução de 35%, e Roraima, com queda de 9,7%. O Distrito Federal manteve estabilidade.
Os maiores aumentos proporcionais foram registrados no:
- Acre: 52,7%;
- Amazonas: 28,5%;
- Alagoas: 22,8%;
- Sergipe: 20,4%.
Na divisão regional, o Norte apresentou o maior avanço, com crescimento de 15,7%. Em seguida aparecem o Nordeste, com 11,6%, o Sul, com 6%, e o Centro-Oeste, com 5,9%.
A Região Sudeste foi a única a registrar redução, ainda que pequena, de 0,8%.
As diferenças entre estados e regiões demonstram que a violência no trânsito não se distribui de forma uniforme pelo território nacional. Por isso, além de estratégias nacionais, o enfrentamento exige políticas adaptadas às características da frota, da infraestrutura e dos deslocamentos em cada localidade.
Crescimento entre crianças acende alertaA mortalidade avançou em praticamente todas as faixas etárias. A única exceção foi o grupo de crianças entre 10 e 14 anos, que apresentou redução de 2,9%.
Entre os aumentos mais expressivos está o registrado entre crianças menores de 1 ano, com alta de 17%. Na faixa de 5 a 9 anos, o crescimento chegou a 11,5%.
Considerando o grupo de crianças de 0 a 9 anos, o avanço foi de 10,5%.
Os números reforçam a importância do uso correto dos dispositivos de retenção, do transporte seguro de crianças e da responsabilidade dos adultos, já que os menores dependem diretamente das decisões tomadas pelos condutores e responsáveis.
Mortes de idosos aumentaram 8,6%Outro grupo vulnerável que apresentou crescimento foi o das pessoas com 60 anos ou mais. Entre os idosos, as mortes no trânsito avançaram 8,6%.
O envelhecimento da população brasileira amplia a necessidade de vias, calçadas, travessias e sistemas de transporte mais seguros e acessíveis.
Pessoas idosas podem apresentar maior fragilidade física em caso de atropelamentos e colisões. Além disso, fatores como tempo de travessia, visibilidade, iluminação e condições das calçadas podem aumentar sua exposição ao risco.
Dados devem orientar ações de prevençãoA análise apresentada pelo Observatório vai além da divulgação dos números oficiais. O estudo organiza e interpreta os dados do DATASUS para identificar tendências, grupos mais atingidos e regiões que exigem atenção prioritária.
Os resultados mostram que o crescimento das mortes no trânsito não está concentrado em um único grupo ou local. Motociclistas, crianças, idosos e ocupantes de veículos de transporte de carga e passageiros aparecem entre os públicos afetados pelo avanço da mortalidade.
No entanto, o peso dos motociclistas nas estatísticas torna esse grupo uma prioridade incontornável para qualquer estratégia nacional de segurança viária.
Durante a Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, os dados reforçam que campanhas pontuais precisam estar acompanhadas de medidas permanentes, como fiscalização, formação adequada dos condutores, infraestrutura segura, atendimento rápido às vítimas e políticas públicas baseadas em evidências.
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Entre mais de 8 mil participantes, motorista mineiro conquista o título de melhor do Brasil
O motorista Elton Mendes Maia Júnior, da Via Group, de Lavras (MG), conquistou o título de melhor motorista profissional do Brasil na edição 2025/2026 do Motorista Série A. A decisão ocorreu no último sábado (25), em Cabo de Santo Agostinho (PE), reunindo os 20 finalistas com melhor desempenho entre mais de 8 mil participantes de todo o país.
Mais do que avaliar habilidades ao volante, a competição analisou, durante um ano, aspectos como condução segura, qualificação profissional, gestão, saúde física e mental, reconhecendo profissionais que se destacaram em diferentes dimensões da atividade.
Competição avaliou muito além da direçãoTrês grandes eixos estruturaram o Motorista Série A: especialização profissional, mercado e gestão e saúde e bem-estar.
Ao longo do programa, os participantes passaram por diagnósticos de saúde, avaliações técnicas, acompanhamento do desempenho na condução dos veículos e atividades de capacitação promovidas pelo SEST SENAT.
Após as etapas de desenvolvimento e as seletivas regionais, os 20 motoristas mais bem classificados avançaram para a fase nacional, realizada em Pernambuco. Antes da prova decisiva, os finalistas conheceram, durante dois dias, o caminhão e a pista da avaliação prática.
A última etapa aconteceu com um caminhão-tanque biarticulado cedido pela Transpedrosa, empresa parceira do SEST SENAT desde a criação do programa. A nota obtida nessa prova foi somada ao desempenho acumulado durante todo o processo para definir os vencedores.
Conheça os três primeiros colocadosO pódio da edição 2025/2026 ficou assim:
- 1º lugar: Elton Mendes Maia Júnior, da Via Group, de Lavras (MG), que recebeu um automóvel zero-quilômetro.
- 2º lugar: Vanderley Farias Braga, da Lima Transportes, de Fortaleza (CE), premiado com uma motocicleta.
- 3º lugar: Thiago dos Santos Souza, da Amaggi Exportação e Importação Ltda., de Lucas do Rio Verde (MT), também premiado com uma motocicleta.
Todos os finalistas receberam certificados e foram homenageados pelos familiares durante a cerimônia de encerramento.
Campeão destaca evolução profissionalPara Elton Mendes Maia Júnior, a principal conquista foi a transformação na forma de exercer a profissão.
“Ao longo do programa, fomos evoluindo na forma de conduzir e de cuidar da saúde física e mental. A gente deixa de ser apenas motorista e passa a ser exemplo para a família e para quem convive conosco no trânsito.”
O segundo colocado, Vanderley Farias Braga, também ressaltou o reconhecimento proporcionado pela iniciativa. “Em 27 anos de profissão, eu nunca tive tanta valorização quanto hoje.”
Programa busca valorizar a profissãoDurante a cerimônia, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, afirmou que o objetivo do Motorista Série A é reconhecer o trabalho dos motoristas profissionais e contribuir para tornar a carreira mais atrativa.
Segundo ele, o setor enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados e iniciativas desse tipo ajudam a fortalecer a imagem da categoria. “A gente quer valorizar quem dirige com segurança, quem cuida da saúde e quem ajuda a mover o Brasil.”
Vander Costa também destacou o papel desempenhado pelos motoristas na economia e na mobilidade do país. “São pessoas que transportam cargas, levam passageiros, fazem os produtos chegarem aos supermercados e às casas das famílias brasileiras. São profissionais de valor.”
Saúde, tecnologia e qualificação fizeram parte da avaliaçãoA diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, ressaltou que cerca de 2 mil dos mais de 8 mil inscritos nunca haviam frequentado uma unidade da instituição e passaram a conhecer os serviços oferecidos. “Essa também foi uma oportunidade de mostrar que estamos presentes em mais de 170 Unidades em todo o país oferecendo saúde, qualidade de vida e educação profissional.”
Já o diretor adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, explicou que cada finalista passou por 31 etapas de avaliação, que incluíram recursos como telemetria e indicadores de desempenho para analisar tanto a condução segura quanto aspectos relacionados à saúde.
“A gente não faz uma competição para que um seja melhor do que o outro. A gente faz uma competição para que ele, no futuro seja, melhor do que si mesmo. Por isso, o programa é integrado.”
O vice-presidente da CNT e presidente do Conselho Regional do SEST SENAT em Pernambuco, Eudo Laranjeiras, também destacou a importância dos profissionais do transporte. “Mais de 70% das cargas e dos passageiros são transportados por vocês. Só de estarem aqui, todos já são vencedores.”
Família também participou da conquistaUm dos diferenciais da etapa nacional foi a participação das famílias dos finalistas. Enquanto os motoristas realizavam as provas e atividades técnicas, seus familiares acompanharam a programação paralela organizada pelo evento.
Segundo Vander Costa, a iniciativa buscou reconhecer também aqueles que compartilham a rotina dos profissionais do transporte. “Queríamos trazer as famílias para mostrar que mover o transporte e mover o Brasil é uma profissão digna, que merece reconhecimento.”
Nicole Goulart explicou que essa proposta foi pensada desde a criação do programa.
“Quando pensamos na viagem como parte da premiação, percebemos que não fazia sentido reconhecer esses profissionais e deixá-los longe da família mais uma vez. Eles já passam muito tempo viajando por causa da profissão. Então, decidimos que essa conquista também precisava ser vivida ao lado de quem faz parte da trajetória deles.”
Para Thiago dos Santos Souza, terceiro colocado da competição, a oportunidade de dividir o momento com a família foi o maior prêmio. “A maior premiação, para mim, foi trazer minha família para cá. Minha mãe realizou o sonho de conhecer o mar pela primeira vez graças ao SEST SENAT.”
Além de reconhecer o desempenho técnico dos participantes, o Motorista Série A busca estimular a qualificação profissional, a condução segura e o cuidado com a saúde, aspectos considerados essenciais para a valorização dos motoristas profissionais e para um transporte cada vez mais seguro.
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Vídeo de acidente reforça a importância da cadeirinha e do cinto para crianças
Um vídeo que mostra o momento de um acidente de trânsito em João Pessoa (PB), no qual uma criança de 3 anos foi arremessada para fora do veículo e morreu, voltou a chamar a atenção para um tema que nunca deixa de ser atual: a segurança no transporte infantil. No mesmo veículo também estava outra criança, de 2 anos, que ficou ferida e recebeu atendimento médico. As circunstâncias do acidente seguem sendo apuradas pelas autoridades.
Veja o vídeo completo no G1.Independentemente da dinâmica da colisão, o caso reforça uma orientação repetida há anos por especialistas em segurança viária: crianças devem ser transportadas sempre utilizando o dispositivo de retenção adequado à idade, peso e altura. Mais do que uma exigência prevista na legislação, trata-se de uma medida capaz de reduzir significativamente o risco de lesões graves e fatais em caso de colisão.
A cadeirinha não é um detalhe: ela salva vidasEm um impacto, mesmo em velocidades relativamente baixas, o corpo dos ocupantes é projetado para a frente pela força da inércia. No caso das crianças, esse risco é ainda maior, já que elas possuem estrutura física mais frágil e não é possível protegê-las adequadamente apenas pelo cinto utilizado pelos adultos.
É justamente para reduzir esse risco que existem os dispositivos de retenção infantil, popularmente conhecidos como cadeirinhas, assentos de elevação e bebê-conforto.
Quando corretamente instalados e utilizados, esses equipamentos mantêm a criança presa ao banco do veículo e distribuem melhor as forças provocadas pela colisão, reduzindo a probabilidade de ejeção e de traumatismos graves.
O que diz a legislaçãoO Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que crianças de até 10 anos que não tenham atingido 1,45 metro de altura devem ser transportadas no banco traseiro, utilizando o dispositivo de retenção adequado às suas características.
A Resolução Contran nº 819/2021 estabelece as regras para cada faixa etária e de desenvolvimento:
- bebê-conforto: para crianças de até 1 ano ou conforme o limite do fabricante;
- cadeirinha: para crianças acima dessa fase até aproximadamente 4 anos;
- assento de elevação: até que a criança alcance altura suficiente para utilizar corretamente o cinto de segurança do veículo;
- cinto de segurança: somente quando a criança atingir as condições previstas na regulamentação.
Mais importante do que a idade é observar sempre os limites de peso e altura indicados pelo fabricante do equipamento.
O erro acontece, principalmente, nos trajetos curtosUm dos comportamentos mais comuns entre pais e responsáveis é flexibilizar o uso da cadeirinha em deslocamentos rápidos.
Frases como “é logo ali”, “vamos só até a escola” ou “não precisa prender porque é pertinho” ainda fazem parte da rotina de muitas famílias.
No entanto, boa parte dos sinistros de trânsito acontece justamente em áreas urbanas e em trajetos cotidianos, quando os motoristas tendem a baixar a guarda.
A duração da viagem não altera os riscos envolvidos em uma colisão.
Não basta comprar a cadeirinhaTer o equipamento dentro do veículo não garante proteção. A eficácia depende da instalação correta, do ajuste adequado dos cintos internos e da utilização de um dispositivo compatível com as características da criança.
Também é importante verificar se a cadeirinha está firmemente presa ao banco do veículo e se o sistema de retenção está devidamente ajustado ao corpo da criança, sem folgas excessivas.
Outro erro relativamente comum é antecipar a troca de fase, colocando a criança apenas com o cinto de segurança antes que ela tenha altura suficiente para utilizá-lo corretamente.
Criança nunca deve viajar no coloApesar de parecer um gesto de proteção, transportar uma criança no colo é uma das práticas mais perigosas dentro de um veículo.
Em uma colisão, o peso do corpo aumenta de forma significativa devido à desaceleração brusca, tornando impossível que um adulto consiga segurar a criança apenas com a força dos braços.
Além disso, o próprio adulto pode ser lançado contra a criança durante o impacto, aumentando a gravidade das lesões.
Todos precisam usar o cintoA proteção das crianças também depende do comportamento dos demais ocupantes do veículo.
Motoristas e passageiros devem utilizar corretamente o cinto de segurança durante todo o trajeto. Em caso de colisão, uma pessoa sem cinto pode ser arremessada dentro do veículo e atingir outros ocupantes, inclusive crianças transportadas corretamente.
Deve-se encarar a segurança, portanto, como uma responsabilidade compartilhada.
Um alerta que vai além de um caso específicoO acidente que aconteceu na Paraíba ainda passará por esclarecimentos pelas investigações. No entanto, as imagens que circularam nos últimos dias servem como um lembrete da importância de nunca abrir mão das medidas básicas de proteção no trânsito.
Utilizar corretamente a cadeirinha, ajustar os cintos, escolher o dispositivo adequado e garantir que todos os ocupantes estejam protegidos são atitudes simples, mas que podem fazer a diferença entre um susto e uma tragédia.
Quando o assunto é transporte infantil, não existe trajeto curto nem exceção. A proteção das crianças deve começar antes mesmo de o veículo sair da garagem.
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Você passaria na nova prova da CNH? Descubra com 10 situações reais do exame
A prova prática para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) mudou. Com a adoção do novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), os candidatos passaram a ser avaliados por critérios mais próximos das situações enfrentadas no trânsito real. Agora, além de executar corretamente as manobras exigidas, é preciso demonstrar comportamentos seguros, capacidade de tomar decisões e respeito às normas de circulação durante todo o percurso. O novo modelo também substituiu o antigo sistema baseado apenas em faltas eliminatórias por uma avaliação por pontuação, inspirada na lógica utilizada pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
As mudanças fazem parte da Resolução Contran nº 1.020/2025, considerada uma das maiores reformas no processo de habilitação dos últimos anos.Ao mesmo tempo em que o novo modelo de exame busca aproximar a avaliação da realidade do trânsito, a norma reduziu drasticamente a carga horária mínima obrigatória de aulas práticas, que passou de 20 horas/aula para apenas duas horas/aula antes do exame, desde que cumpridos os demais requisitos previstos na regulamentação. Para especialistas em segurança viária, esse é um dos principais pontos de preocupação, já que competências como percepção de riscos, direção defensiva e tomada de decisões seguras costumam ser desenvolvidas ao longo da prática supervisionada, e não apenas durante a preparação para a prova.
Na prática, isso significa que o candidato precisa demonstrar, durante toda a prova, que sabe agir diante de situações comuns do trânsito, e não apenas executar corretamente um circuito previamente conhecido. O examinador passa a observar desde procedimentos básicos, como a atenção ao iniciar a condução, até a forma como o futuro motorista ou motociclista interage com pedestres, outros veículos e diferentes condições de circulação. Muitas dessas situações, inclusive, surpreendem até mesmo quem já é habilitado.
Agora é a sua vez. Imagine que você está fazendo o exame prático e pense em como agiria nas situações abaixo. 1. Você entra no veículo e sai imediatamente, sem olhar para os lados. Isso pode tirar pontos?Resposta: Sim.
Embora muita gente considere esse um detalhe, o MBEDV prevê que sair com o veículo sem observar a direita e a esquerda caracteriza falta de atenção e pode ser pontuado. O mesmo artigo também cita outras situações aparentemente simples, como manter a porta aberta durante o percurso, esquecer de liberar totalmente o freio de estacionamento ou utilizar as marchas de forma incorreta.
2. Você passa por uma poça d’água e molha um pedestre. Isso entra na avaliação?Resposta: Pode entrar.
Se havia condições de reduzir a velocidade ou desviar da poça e o candidato não o faz, a conduta pode ser considerada durante o exame. O manual destaca que essa infração busca coibir comportamentos que demonstram falta de civilidade e respeito aos demais usuários da via.
3. Você acelera para pressionar um pedestre que está atravessando a faixa.Resposta: Essa é uma das condutas mais graves previstas.
O MBEDV considera infração gravíssima intimidar pedestres durante a travessia, como acelerar o veículo para forçar a passagem ou mudar deliberadamente sua trajetória em direção à pessoa. A intenção do condutor é um dos elementos observados pela comissão examinadora.
4. Você tenta intimidar outro motorista durante o percurso.Resposta: Também pode gerar uma infração gravíssima.
Situações como perseguir outro veículo, mudar bruscamente de direção para ameaçar uma colisão lateral ou acelerar com a intenção de intimidar outro condutor estão previstas nas fichas de avaliação.
5. Você joga uma embalagem pela janela durante o percurso.Resposta: Sim, isso também é avaliado.
Arremessar qualquer objeto ou substância para fora do veículo durante o exame pode gerar pontuação. A ficha cita exemplos como papel, restos de alimento, latas, garrafas e até um cigarro.
6. Ao estacionar, você deixa um objeto na via antes de sair.Resposta: Também pode haver pontuação.
O manual diferencia “atirar” um objeto da conduta de “abandoná-lo” na via. Ambas são previstas nas fichas de avaliação e têm enquadramentos distintos.
7. Você dirige distraído durante alguns instantes.Resposta: Atenção também faz parte da prova.
O MBEDV considera que dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança pode ser caracterizado por comportamentos como falta de foco, não observar o painel de instrumentos quando necessário ou deixar de acompanhar adequadamente o ambiente de trânsito.
8. Você esquece de liberar totalmente o freio de estacionamento antes de iniciar o percurso.Resposta: Parece um detalhe, mas não é.
Executar parte do exame com o freio de estacionamento acionado está entre as condutas descritas na ficha referente ao artigo 169 do CTB.
9. Durante o percurso, você engata as marchas repetidamente de forma incorreta.Resposta: O examinador também observa isso.
Além do domínio do veículo, o manual prevê pontuação quando o candidato utiliza as marchas de maneira inadequada durante a condução.
10. Você acha que basta concluir o percurso para ser aprovado.Resposta: Esse talvez seja o maior mito da nova prova.
O MBEDV deixa claro que a avaliação considera o desempenho do candidato durante todo o exame. Cada infração possui um peso, conforme sua gravidade, e o candidato inicia a prova com zero ponto. Ao final, será aprovado apenas se não ultrapassar o limite de dez pontos previsto no manual.
Exame mais próximo da realidade, mas formação continua sendo decisivaAo aproximar a prova prática das situações reais enfrentadas no trânsito, o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular passa a exigir do candidato competências que vão além da execução correta de manobras. Ou seja, o examinador observa aspectos como atenção, respeito aos demais usuários da via, percepção de riscos e tomada de decisões durante toda a condução. O próprio manual afirma que o objetivo é tornar a avaliação mais objetiva, transparente bem como alinhada às situações vivenciadas diariamente pelos condutores.
Essa mudança, porém, ocorre em um momento em que a formação de novos condutores também foi flexibilizada. A Resolução Contran nº 1.020/2025 eliminou a antiga exigência de carga horária mínima de 20 horas/aula de prática de direção e passou a exigir apenas duas horas/aula obrigatórias antes do exame prático, desde que os demais requisitos sejam cumpridos.
Na prática, o exame passou a valorizar competências que dificilmente desenvolve-se em apenas duas horas de prática. Aspectos como leitura do ambiente de trânsito, percepção de riscos, direção defensiva, controle emocional e tomada de decisões exigem orientação técnica, repetição e experiência.
Por isso, embora a legislação estabeleça apenas um mínimo obrigatório, uma formação completa em um Centro de Formação de Condutores (CFC) continua sendo um diferencial importante. Mais do que preparar o candidato para passar na prova, um bom curso contribui para formar condutores capazes de enfrentar, com segurança, as situações que encontrarão diariamente depois de receber a CNH.
Quantas você acertou?Se você respondeu corretamente à maioria das situações, provavelmente já percebeu que a nova prova da CNH deixou de avaliar apenas a capacidade de executar manobras e passou a observar comportamentos que fazem parte da convivência no trânsito.
Mas atenção: este não é um simulado oficial. O objetivo é mostrar como se estruturou o novo exame, assim como destacar exemplos reais das fichas de avaliação do MBEDV. O resultado da prova depende da análise completa da Comissão de Exame de Direção Veicular e da pontuação obtida durante todo o percurso.
A principal lição é que passar no exame exige muito mais do que decorar um circuito. E, se o exame passou a reproduzir situações reais do trânsito, investir em uma formação sólida continua sendo o melhor caminho para chegar preparado não apenas para conquistar a CNH, mas para dirigir com segurança ao longo da vida.
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CNH Brasil não é uma nova CNH: a autoescola continua sendo fundamental no processo de habilitação
* Por Alisson Maia
Nos últimos dias, milhares de brasileiros passaram a acreditar que agora é possível escolher entre tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pela autoescola ou pela chamada “CNH Brasil”. A impressão que ficou para grande parte da população é a de que se trata de um novo modelo de habilitação, mais simples e totalmente digital. Mas a realidade é outra: não existe uma nova CNH, nem um novo processo para se tornar motorista no Brasil.
A CNH continua sendo a mesma e o processo para obtê-la também continua sendo único em todo o território nacional.
A chamada “CNH Brasil” é apenas um aplicativo do Governo Federal, que substituiu a antiga nomenclatura “CNH Digital”. O aplicativo não criou uma nova modalidade de habilitação, tampouco eliminou as etapas obrigatórias para a formação do condutor. Sua principal funcionalidade é permitir que o candidato obtenha um certificado relacionado ao conteúdo teórico, dispensando a realização do curso teórico oferecido pelas autoescolas ou por empresas credenciadas de ensino a distância, quando permitido pela regulamentação.
Fora essa possibilidade, absolutamente nada mudou no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação.Quem deseja tirar a primeira habilitação continuará precisando realizar todos os procedimentos previstos na legislação. Será necessário fazer o cadastro do processo, realizar os exames médicos e psicológicos nas clínicas credenciadas pelos DETRANs, realizar o exame toxicológico quando exigido pela categoria pretendida, ser aprovado na prova teórica aplicada pelo DETRAN e cumprir as etapas práticas obrigatórias para a formação do condutor.
As aulas práticas continuam sendo realizadas nas autoescolas credenciadas, sob fiscalização dos órgãos de trânsito. Após a aprovação no exame teórico, o candidato deverá iniciar sua formação prática, recebendo treinamento adequado em veículo apropriado e acompanhado por instrutores habilitados e capacitados.
Existe ainda outra desinformação que precisa ser esclarecida. Muitas pessoas passaram a acreditar que o número mínimo de aulas práticas exigido pela legislação significa que qualquer cidadão poderá tirar sua CNH com apenas duas aulas de direção. Isso não é verdade.
O número mínimo estabelecido pela regulamentação não representa a quantidade ideal de aulas para todos os candidatos. Cada pessoa possui um ritmo próprio de aprendizagem. Há candidatos que precisam de mais tempo para desenvolver habilidades básicas de direção, enquanto outros conseguem evoluir com maior facilidade. A formação do condutor não pode ser tratada como uma simples formalidade burocrática.
No Ceará, por exemplo, a média de aulas práticas realizadas pelos candidatos gira em torno de dez aulas, justamente porque dirigir exige prática, segurança e desenvolvimento de habilidades que não são adquiridas da mesma forma por todos os alunos.Além disso, todas as aulas práticas realizadas no Estado do Ceará passam por um rigoroso processo de certificação e validação pelo DETRAN/CE. O órgão analisa diversos elementos relacionados à aula ministrada, incluindo a identificação do candidato, os dados do veículo utilizado e o cumprimento das exigências legais para a formação prática. Somente após a conclusão dessa etapa é que o candidato poderá realizar o exame prático de direção veicular.
O exame prático também não se realiza pelo aplicativo e nem pela autoescola. Ele continua sendo aplicado pelo DETRAN, que avaliará se o candidato possui condições técnicas e comportamentais para conduzir um veículo com segurança. Somente após a aprovação no exame prático é que acontecerá e emissão da Permissão para Dirigir (PPD).
Portanto, não existe “CNH da autoescola” e “CNH do aplicativo”. Existe apenas uma CNH e um único processo legal para obtê-la.A tecnologia é bem-vinda e pode contribuir para modernizar os serviços públicos. Contudo, nenhum aplicativo substitui a formação prática do futuro motorista, o acompanhamento profissional durante o processo de habilitação e a segurança jurídica proporcionada pelas autoescolas credenciadas.
A autoescola continua sendo a porta de entrada mais segura para quem deseja tirar sua primeira habilitação. É nela que o cidadão encontra orientação especializada, suporte administrativo, instrutores qualificados e toda a estrutura necessária para cumprir as exigências legais e aprender a dirigir com responsabilidade.
Antes de acreditar que existe um caminho mais fácil ou diferente para tirar a CNH, é importante compreender que o processo permanece o mesmo. O que mudou foi apenas a existência de uma ferramenta tecnológica disponibilizada pelo Governo Federal. A formação do condutor, os exames obrigatórios e as etapas de aprendizagem continuam sendo indispensáveis.
Em outras palavras, a CNH Brasil não é uma nova CNH. A habilitação continua sendo a mesma, e a autoescola continua sendo fundamental para formar motoristas mais preparados e contribuir para um trânsito mais seguro para todos.
* Alisson Maia é advogado, vice presidente do IDT Brasil – Instituto de direito do Trânsito do Brasil
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Tecnologia da USP faz o semáforo “esperar” o pedestre e pode tornar travessias mais seguras
Imagine atravessar uma avenida sem a preocupação de o sinal fechar antes de chegar ao outro lado. Essa é a proposta de um sistema de semaforização inteligente desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). A tecnologia utiliza sensores para identificar quando o pedestre ainda está na faixa e mantém o sinal verde até que a travessia seja concluída, tornando o deslocamento mais seguro, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Além de aumentar a segurança, a solução apresentou resultados positivos na fluidez do trânsito. Ou seja, em simulações realizadas em cruzamentos da cidade de São Paulo, o tempo médio de viagem dos pedestres foi reduzido em 71,42%, o equivalente a cerca de um minuto a menos de espera. O sistema também beneficiou os motoristas, com redução média de 22% no tempo de espera dos veículos em alguns dos cenários analisados.
Tecnologia prioriza quem atravessa a ruaDiferentemente dos sistemas tradicionais de controle semafórico, que normalmente ajustam os tempos dos sinais com base no fluxo de veículos, a pesquisa concentrou a atenção no comportamento dos pedestres.
O funcionamento é simples: quando o sinal abre para a travessia, sensores monitoram continuamente a faixa. Se a pessoa terminar de atravessar antes do tempo previsto, o sistema encerra o verde para pedestres e libera imediatamente o trânsito de veículos. Porém, se ainda houver alguém na faixa — como um idoso, uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida — o sinal permanece aberto até o fim da travessia.
Conforme Andrey Luís Barbosa Gomes, autor da pesquisa, a proposta busca adaptar o funcionamento do semáforo às necessidades reais de quem utiliza a via.
“O programa funciona assim: ele abre o verde para o pedestre e, se ele já tiver atravessado, o sinal fecha e libera os veículos. Mas, se o sensor detectar que o pedestre ainda está na faixa — como um idoso ou alguém com mobilidade reduzida —, o veículo continua parado e o verde se mantém”, explica.
Estudo nasceu da preocupação com a segurança dos pedestresDe acordo com os pesquisadores, os acidentes entre veículos e pedestres continuam sendo um desafio para a mobilidade urbana. Embora se projete as cidades para as pessoas, grande parte dos sistemas de controle de tráfego ainda prioriza o fluxo de veículos motorizados ou do transporte coletivo.
Para o professor Claudio Luiz Marte, orientador da dissertação, iniciativas voltadas à segurança dos pedestres são essenciais, principalmente porque quem caminha está mais exposto aos riscos do trânsito.
Ele lembra que, na cidade de São Paulo, existe uma regra que limita a espera dos pedestres nos semáforos a um minuto e meio, medida importante para reduzir o comportamento de risco de quem decide atravessar fora do momento correto. “O motorista não vai abandonar o carro no meio do trânsito, mas o pedestre perde a paciência, se arrisca entre os veículos e, nessa história, ele é o mais vulnerável.”
Simulações reproduziram cruzamentos reaisPara avaliar o desempenho da tecnologia, os pesquisadores utilizaram dados reais de diferentes cruzamentos da capital paulista.
O trabalho reuniu informações sobre a geometria das vias, volume de veículos e pedestres, além dos movimentos durante a travessia, como situações em que as pessoas atravessavam fora da faixa ou com o semáforo aberto para os veículos.
Esses dados permitiram construir simulações de quatro locais com características bastante diferentes:
- um cruzamento em frente ao Hospital Universitário da USP, onde circulam idosos, pessoas com deficiência, pacientes e crianças;
- a Praça dos Bancos, na Cidade Universitária;
- o cruzamento entre a Avenida Rebouças e a Rua Oscar Freire, região de intenso fluxo de veículos e pedestres e com acesso à estação Oscar Freire do Metrô;
- um cruzamento em frente ao Terminal Cidade Tiradentes, escolhido por representar uma área de urbanização não planejada.
Segundo Andrey Gomes, a escolha da Cidade Tiradentes teve o objetivo de verificar se a tecnologia também funcionaria em regiões periféricas. “Infelizmente, o desenho das linhas de ônibus em áreas periféricas ocorre para levar ao centro, mas não para o morador fazer compras no próprio bairro. Nosso estudo foi até onde a cidade cresceu sem planejamento, garantindo o funcionamento da tecnologia para que o pedestre de menor renda também tenha segurança”, conta.
O pesquisador destaca ainda que o cruzamento em frente ao Hospital Universitário representou um dos maiores desafios do estudo justamente por concentrar usuários mais vulneráveis.
Resultados beneficiaram pedestres e motoristasNos testes realizados, o sistema apresentou melhora em todos os cenários simulados. O tempo médio de viagem dos pedestres caiu cerca de 71%, enquanto houve redução do tempo máximo de espera, em média, em 69%. Em alguns locais, como o Hospital Universitário e o Terminal Cidade Tiradentes, a redução chegou a aproximadamente um minuto. Na Praça dos Bancos, a economia foi de 58 segundos.
Embora a prioridade fosse aumentar a segurança dos pedestres, os pesquisadores observaram ganhos também para os motoristas.
Nos modelos da Praça dos Bancos e do Terminal Cidade Tiradentes, o tempo médio de espera dos veículos diminuiu 22%. Já o tempo máximo de espera aumentou cerca de 30,9 segundos, diferença considerada aceitável pelos pesquisadores diante dos benefícios obtidos para os usuários mais vulneráveis das vias.
Tecnologia busca equilibrar segurança e fluidezConforme Andrey Gomes, a pesquisa demonstra que é possível tornar as travessias mais seguras sem comprometer significativamente a circulação dos veículos.
“Na engenharia de tráfego, o fluxo de veículos e a geometria das vias costumam ser priorizados em detrimento do pedestre. Mas vale lembrar que a posição de pedestre é uma em que, uma hora ou outra, todos nós estaremos”, lembra o professor.
Para desenvolver o sistema, os pesquisadores utilizaram o software de simulação de tráfego PTV VISSIM e um algoritmo em linguagem C#, responsável por identificar a presença dos pedestres e controlar o tempo dos semáforos. Os resultados indicaram que a lógica de programação é capaz de aumentar a fluidez das viagens dos pedestres, além disso, reduzir conflitos entre veículos e pessoas e manter a circulação dos automóveis sem impactos negativos significativos.
O estudo contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da colaboração do Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (Citi) da USP. A dissertação deverá ser disponibilizada em breve na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da universidade.
As informações são do Jornal da USP
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CPF irregular pode bloquear serviços da CNH? Entenda
Quem pretende renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), solicitar uma segunda via ou alterar a categoria do documento precisa prestar atenção a um detalhe que muitas vezes passa despercebido: a situação cadastral do CPF.
Nas últimas semanas, diversas publicações nas redes sociais passaram a afirmar que qualquer pendência no Cadastro de Pessoas Físicas seria suficiente para “bloquear a CNH”. A afirmação, no entanto, simplifica uma situação mais complexa e pode levar muitos motoristas ao erro.
Na prática, o que pode impedir a realização de serviços relacionados à CNH não são dívidas comuns ou o nome negativado, mas sim irregularidades no cadastro do CPF perante a Receita Federal ou, em situações específicas, restrições determinadas pela Justiça. Durante diversos procedimentos realizados pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), os sistemas consultam automaticamente as bases de dados da Receita Federal para confirmar a identidade do cidadão. Se houver inconsistências, o atendimento poderá ser interrompido até que o problema seja solucionado.
Dívida não é a mesma coisa que CPF irregularUm dos principais equívocos sobre o assunto é confundir pendências financeiras com irregularidade cadastral. Ter parcelas atrasadas, empréstimos em aberto, contas vencidas ou estar com o nome inscrito em cadastros de inadimplentes não gera automaticamente o bloqueio da CNH. A Receita Federal, inclusive, diferencia claramente a situação cadastral da situação fiscal do contribuinte. É possível possuir débitos tributários e, ainda assim, manter o CPF com status “Regular”.
Por isso, o motorista não deve acreditar em mensagens que afirmam que qualquer dívida resultará na suspensão da habilitação.
Quais situações podem impedir serviços da CNH?Os problemas costumam surgir quando o CPF apresenta alguma inconsistência cadastral.
Entre as situações mais comuns estão:
- CPF com situação “Pendente de Regularização”, normalmente em razão da ausência de entrega da Declaração do Imposto de Renda quando obrigatória;
- CPF “Suspenso”, geralmente por informações cadastrais incorretas ou incompletas;
- CPF “Cancelado” ou “Nulo”, em hipóteses previstas pela Receita Federal, como duplicidade ou fraude;
- Restrições decorrentes de determinações judiciais, quando houver ordem específica que produza efeitos sobre o exercício de determinados direitos.
Nessas situações, o Detran pode não conseguir concluir procedimentos que dependem da validação da identidade do condutor.
Quais serviços podem ser afetados?O cruzamento de informações ocorre em diversos atendimentos realizados pelos órgãos de trânsito.
Entre eles estão:
- renovação da CNH;
- emissão de segunda via;
- inclusão ou mudança de categoria;
- atualização de dados cadastrais;
- outros procedimentos que exigem validação do CPF.
Ou seja, o motorista não perde automaticamente a habilitação, mas pode ficar impedido de concluir esses serviços enquanto o CPF permanecer irregular.
O risco de deixar para a última horaO problema ganha maior importância para quem está próximo do vencimento da CNH. Se a renovação não puder ser concluída porque o CPF apresenta irregularidades cadastrais, o condutor poderá enfrentar dificuldades para manter o documento válido.
Vale lembrar que o Código de Trânsito Brasileiro permite dirigir com a CNH vencida por até 30 dias. Após esse prazo, conduzir veículo com a habilitação vencida caracteriza infração gravíssima, sujeita à multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo até a apresentação de um motorista habilitado.
Por isso, especialistas recomendam que o condutor verifique tanto a validade da habilitação quanto a situação cadastral do CPF antes de iniciar qualquer processo junto ao Detran.
Como consultar a situação do CPFA consulta é gratuita e pode ser feita diretamente pelos serviços da Receita Federal.
O resultado indicará uma das situações cadastrais previstas pelo órgão.
Quando o status aparecer como “Regular”, não existe impedimento cadastral relacionado ao CPF.
Caso apareçam situações como “Suspenso”, “Pendente de Regularização”, “Cancelado” ou “Nulo”, será necessário regularizar o cadastro antes de prosseguir com o atendimento no Detran.
O que fazer se houver irregularidadeA providência depende do motivo da pendência. Em alguns casos será necessário atualizar informações cadastrais, como nome ou filiação. Em outros, entregar declarações do Imposto de Renda que deixaram de ser apresentadas ou atender às exigências informadas pela Receita Federal.
Somente após a regularização é que os sistemas dos órgãos públicos voltarão a reconhecer o CPF como apto para validação dos serviços.
Atenção às informações que circulam nas redes sociaisA relação entre CPF e CNH tem sido alvo de interpretações equivocadas na internet. Embora realmente existam situações em que problemas cadastrais impeçam a conclusão de serviços nos Detrans, isso não significa que qualquer pendência financeira resulte na perda da habilitação.
Para evitar transtornos, a recomendação é simples: antes de solicitar a renovação da CNH ou qualquer outro procedimento relacionado ao documento, confira a situação cadastral do CPF. Uma verificação preventiva pode evitar atrasos, deslocamentos desnecessários e até problemas caso a habilitação vença antes da conclusão do processo.
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Programa que oferece mudança gratuita de categoria da CNH registra recorde de inscrições
O Programa Mais Motoristas, criado para ampliar a formação de condutores profissionais no transporte de cargas e de passageiros, alcançou um novo recorde de participação. A edição mais recente recebeu 138.586 inscrições em todo o país, número cerca de 150% superior ao registrado no primeiro edital, lançado em 2023, quando 55.550 pessoas se candidataram.
O aumento na procura demonstra o interesse pela oportunidade de obter gratuitamente a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a qualificação profissional, em um momento em que o setor de transporte enfrenta dificuldades para suprir a demanda por motoristas qualificados.
A primeira convocação dos candidatos classificados está prevista para 3 de agosto, mesma data em que será divulgado o cronograma das demais chamadas.
Programa busca ampliar o número de motoristas profissionaisCriado em 2023, o Programa Mais Motoristas oferece gratuitamente a mudança da categoria da CNH para C, D ou E, além da qualificação necessária para atuação no transporte de cargas e de passageiros.
Conforme os organizadores, a iniciativa foi criada para contribuir com a formação de novos profissionais e ajudar a enfrentar o déficit de mão de obra no setor, considerado um dos principais desafios do transporte brasileiro.
O SEST SENAT é responsável por custear integralmente tanto a mudança de categoria da habilitação quanto a formação especializada, realizada na Escola de Motoristas Profissionais ou em cursos homologados pela instituição.
Como será a seleção dos candidatosCom o encerramento do período de inscrições, os candidatos passarão pela etapa de classificação, que seguirá os critérios definidos no edital.
A prioridade será para mulheres que estão no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Em seguida, serão classificados os demais inscritos no CadÚnico, depois as mulheres não cadastradas no programa e, por fim, o público em geral.
Dentro de cada um desses grupos, terão preferência os candidatos sem vínculo formal de trabalho e aqueles que possuírem maior número de dependentes diretos.
Os participantes deverão acompanhar as próximas etapas do processo seletivo. Os convocados receberão, por e-mail, a solicitação para envio da documentação exigida.
De acordo com o programa, é responsabilidade do candidato preencher corretamente as informações e encaminhar todos os documentos dentro do prazo estabelecido. O não cumprimento dessas exigências resultará na perda da vaga.
Participantes relatam novas oportunidades profissionaisBeneficiários das edições anteriores afirmam que o programa possibilitou o ingresso em uma nova área de atuação por meio da mudança de categoria da CNH.
Tiago Marinho, de 40 anos, conta que já possuía habilitação na categoria D, mas não tinha condições financeiras de obter a categoria E.
“Eu já tinha CNH categoria D e não tinha condições financeiras de mudar para a categoria E. Quando surgiu essa oportunidade, consegui fazer a troca. Hoje já estou com o documento em mãos e atuando na área”, conta.
Situação semelhante viveu Rosenildo Rocha, de 43 anos, que conseguiu ampliar suas possibilidades de atuação profissional. “Eu tinha habilitação nas categorias A e B e consegui mudar para a categoria E. Estou concluindo o treinamento e, depois, vou partir para a prática. Só tenho a agradecer ao programa e a toda a equipe do SEST SENAT pela oportunidade”, conclui.
Formação pode ampliar oportunidades no transporteO Programa Mais Motoristas tem como objetivo aumentar a oferta de profissionais qualificados para atender às demandas do transporte rodoviário de cargas e de passageiros.
Além de ampliar as oportunidades de emprego e geração de renda para os participantes, a iniciativa também busca fortalecer a qualificação dos condutores, aspecto considerado importante para a atuação profissional e para a segurança no trânsito.
Com o número recorde de inscrições nesta edição, o programa reforça a crescente procura por oportunidades de formação voltadas ao setor de transporte e evidencia o interesse de milhares de brasileiros em ingressar na profissão de motorista.
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Nova prova da CNH de moto começa a valer em SP; entenda as mudanças
Os candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A já começam a encontrar um novo formato de exame prático em São Paulo. O Detran-SP adaptou a avaliação às regras previstas na Resolução Contran nº 1.020/2025, que reformulou o processo de habilitação em todo o país. Entre as mudanças está a adoção de um modelo de avaliação mais próximo das situações enfrentadas pelos motociclistas no dia a dia, reduzindo a ênfase em manobras realizadas exclusivamente em circuito fechado.
A mudança tem despertado dúvidas entre candidatos e instrutores, principalmente sobre o grau de dificuldade do novo exame. No entanto, a proposta não é tornar a prova mais fácil, mas avaliar competências que realmente serão exigidas quando o motociclista estiver circulando pelas vias.
O que muda na prova práticaO novo modelo adotado pelo Detran-SP segue as diretrizes do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, elaborado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
A principal mudança é que o exame passa a utilizar um sistema de pontuação baseado em infrações de trânsito. Durante a avaliação, as ocorrências registradas pelo examinador recebem pontuação de acordo com sua gravidade — leve, média, grave ou gravíssima. O candidato será aprovado desde que não ultrapasse o limite previsto nas novas regras.
Além disso, o exame deixa de concentrar sua avaliação em exercícios específicos de um circuito e busca verificar se o candidato demonstra condições de conduzir a motocicleta de forma segura em situações semelhantes às encontradas no trânsito.
Conforme o Detran-SP, o objetivo é tornar a avaliação mais compatível com a realidade enfrentada pelos futuros condutores após a obtenção da habilitação.
A prova ficou mais fácil?Apesar de alguns elementos tradicionais do percurso deixarem de ter o mesmo protagonismo, a mudança não representa uma redução da exigência técnica.
Na prática, o candidato continua precisando demonstrar domínio da motocicleta, equilíbrio, coordenação dos comandos, respeito às regras de circulação e capacidade de tomar decisões seguras durante a condução.
A diferença é que a avaliação passa a privilegiar habilidades que fazem parte da rotina de quem conduz uma motocicleta, em vez de focar apenas na execução de manobras previamente treinadas.
Isso significa que memorizar um circuito específico tende a ser menos importante do que demonstrar preparo para enfrentar situações reais de trânsito.
Quais habilidades continuam sendo avaliadas?Mesmo com as mudanças, diversos aspectos permanecem fundamentais para a aprovação no exame.
Entre eles estão:
- controle da motocicleta;
- uso correto dos comandos;
- respeito à sinalização;
- posicionamento adequado na via;
- realização segura de curvas e frenagens;
- atenção ao ambiente ao redor;
- tomada de decisões durante a condução.
Essas competências fazem parte da condução segura e continuam sendo essenciais para que o candidato demonstre condições de obter a habilitação.
Mudança segue regras nacionaisEmbora São Paulo tenha sido um dos estados a implementar o novo modelo de avaliação, as alterações decorrem da Resolução Contran nº 1.020/2025, que estabeleceu novas diretrizes para o processo de formação de condutores em todo o país.
Além da reformulação do exame prático, a norma também trouxe mudanças para o exame teórico, com a utilização do Banco Nacional de Questões (BNQ), e criou novas possibilidades para a organização do processo de aprendizagem, cuja implementação depende da adaptação dos Detrans.
Por isso, a adoção das novas regras pode ocorrer em momentos diferentes entre os estados.
Formação continua sendo decisivaAs mudanças no exame acontecem em um momento em que os motociclistas representam a maior parcela das vítimas fatais no trânsito brasileiro. Esse cenário reforça a importância de um processo de formação capaz de preparar os futuros condutores para reconhecer riscos, agir preventivamente e adotar comportamentos seguros desde o início da vida como motociclistas.
Mais do que avaliar a execução de manobras, o novo modelo busca verificar se o candidato demonstra conhecimentos e habilidades compatíveis com os desafios que encontrará ao conduzir uma motocicleta nas vias.
O que muda para quem vai fazer a prova?Para os candidatos, a principal orientação é investir em uma preparação voltada para a condução segura, e não apenas para a memorização do percurso do exame.
Compreender as normas de circulação, desenvolver boa percepção de risco, praticar técnicas de condução defensiva e manter atenção constante durante toda a avaliação tendem a ser fatores cada vez mais importantes no novo modelo.
A atualização do exame reflete uma tendência de aproximar o processo de habilitação da realidade do trânsito. O objetivo é que a prova avalie não apenas a capacidade de controlar a motocicleta, mas também o preparo do futuro condutor para enfrentar, com segurança e responsabilidade, as situações que encontrará após receber a CNH.
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Brasil registra um veículo roubado ou furtado a cada dois minutos, aponta Anuário da Segurança Pública
Embora os indicadores de criminalidade relacionados aos veículos tenham apresentado melhora em 2025, o problema continua longe de ser pequeno. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Brasil registrou 308.440 ocorrências de roubo e furto de veículos ao longo do ano passado. Na prática, isso significa que, em média, um veículo foi roubado ou furtado a cada 1 minuto e 42 segundos no país.
Em números diários, foram aproximadamente 845 ocorrências por dia, ou cerca de 35 por hora. Apesar do volume ainda expressivo, o levantamento aponta uma redução de 14,3% na taxa nacional em comparação com 2024, indicando uma tendência positiva que, no entanto, ainda exige atenção das autoridades e dos proprietários de veículos.
Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir de informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança e outros órgãos oficiais.
Queda foi maior nos roubos do que nos furtosO levantamento mostra que a redução foi mais significativa nos casos de roubo de veículos, modalidade em que há violência ou grave ameaça contra a vítima.
Em 2025, foram registrados 104.491 roubos, contra 126.358 no ano anterior. A taxa passou de 101,9 para 80,9 ocorrências por 100 mil veículos, representando uma queda de 20,6%.
Já os furtos de veículos, quando não há contato direto entre o criminoso e o proprietário, também diminuíram, mas em ritmo menor. Foram 203.949 ocorrências em 2025, frente a 219.145 em 2024. A taxa caiu de 176,8 para 158 casos por 100 mil veículos, redução de 10,6%.
Na prática, cerca de dois terços de todos os registros de subtração de veículos no país em 2025 foram classificados como furto.
Rio de Janeiro lidera ranking proporcionalAo analisar a incidência proporcional à frota de veículos — indicador considerado mais adequado para comparar estados com tamanhos diferentes — o Rio de Janeiro permanece com a maior taxa do país.
Confira os estados com maiores índices de roubo e furto de veículos em 2025: EstadoOcorrências por 100 mil veículosRio de Janeiro516,8Pernambuco476,5Paraíba349,1São Paulo318,0Acre310,7Bahia292,6Maranhão290,4Mesmo liderando o ranking, o Rio de Janeiro apresentou redução de 14,6% na taxa em relação ao ano anterior. Pernambuco também registrou queda, de 6,5%.
Vale destacar que esse indicador mede a quantidade de ocorrências em relação ao tamanho da frota de veículos de cada estado, permitindo comparações mais precisas do que os números absolutos.
São Paulo concentra maior número de ocorrênciasQuando o critério passa a ser o volume total de registros, o cenário muda completamente. Os estados com maior número de roubos e furtos de veículos em 2025 foram:
- São Paulo – 112.358 ocorrências;
- Rio de Janeiro – 42.725;
- Minas Gerais – 27.611;
- Pernambuco – 18.704;
- Bahia – 16.715.
Sozinho, São Paulo concentrou aproximadamente 36% de todas as ocorrências registradas no país. No entanto, devido à grande quantidade de veículos registrados no estado, ele ocupa apenas a quarta posição quando analisada a taxa por 100 mil veículos.
Essa diferença mostra por que especialistas recomendam utilizar indicadores proporcionais para avaliar o risco de cada região.
Dois estados seguiram na contramãoEmbora a tendência nacional tenha sido de queda, nem todos os estados acompanharam esse movimento. A Paraíba e o Acre registraram aumento nas taxas de roubo e furto de veículos em 2025.
Na Paraíba, a taxa passou de 302,2 para 349,1 ocorrências por 100 mil veículos, crescimento de 15,5%. O avanço foi impulsionado principalmente pelos roubos, que aumentaram 24,2% em relação ao ano anterior.
Já no Acre, a taxa subiu de 271,6 para 310,7, alta de 14,4%. No estado, cresceram tanto os roubos quanto os furtos de veículos.
Redução é positiva, mas não elimina os riscosOs números mostram que o cenário brasileiro evoluiu em relação ao ano anterior, mas também deixam claro que o roubo e o furto de veículos continuam afetando milhares de motoristas todos os meses.
Por isso, além do trabalho das forças de segurança, especialistas recomendam que os proprietários adotem medidas preventivas no dia a dia, como:
- estacionar em locais iluminados e movimentados;
- evitar deixar objetos de valor expostos dentro do veículo;
- conferir se portas e vidros ficaram totalmente fechados;
- utilizar dispositivos de rastreamento, quando possível;
- manter atenção redobrada ao estacionar ou desembarcar em locais pouco movimentados.
Em caso de roubo, a principal orientação continua sendo não reagir, preservando a integridade física.
Depois da ocorrência, o motorista deve comunicar imediatamente as autoridades policiais, registrar o boletim de ocorrência e informar a seguradora e a empresa de rastreamento, caso o veículo possua esses serviços.
Os dados do Anuário mostram que, apesar da redução observada em 2025, o Brasil ainda convive com uma média de centenas de veículos roubados ou furtados diariamente, reforçando a importância tanto das políticas públicas de segurança quanto da adoção de medidas preventivas pelos próprios condutores.
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Como funcionam os semáforos inteligentes que estão reduzindo o trânsito em São Paulo
Os semáforos inteligentes vêm ganhando espaço como uma das principais ferramentas para melhorar a fluidez do trânsito nas grandes cidades. Em São Paulo, a tecnologia já foi implantada em 1.677 cruzamentos e, segundo a Prefeitura, contribuiu para reduzir em 12,16% os índices de lentidão nas regiões atendidas, além de aumentar em 5,72% a capacidade de circulação de veículos.
Diferentemente dos semáforos convencionais, que operam com tempos programados previamente, o novo sistema acompanha o fluxo de veículos em tempo real e ajusta automaticamente o tempo de abertura e fechamento dos sinais conforme a demanda de cada cruzamento. O objetivo é reduzir filas, evitar paradas desnecessárias e tornar os deslocamentos mais eficientes.
Embora a iniciativa seja aplicada na capital paulista, ela mostra como a tecnologia pode contribuir para melhorar a mobilidade urbana em outras cidades brasileiras que enfrentam congestionamentos frequentes.
Como funciona um semáforo inteligente?O sistema utilizado em São Paulo é o SCATS (Sydney Coordinated Adaptive Traffic System), tecnologia desenvolvida para monitorar continuamente o comportamento do trânsito.
Por meio de sensores e equipamentos instalados nos cruzamentos, o sistema identifica o volume de veículos em circulação e altera automaticamente os ciclos semafóricos sempre que necessário. Assim, uma via com maior fluxo pode receber mais tempo de sinal verde, enquanto outra com menor movimento não permanece aberta além do necessário.
Além da operação automática, equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) acompanham o funcionamento dos equipamentos em tempo real a partir do Centro de Controle.
Quando ocorrem acidentes, manifestações, interdições ou falhas nos equipamentos, os operadores podem intervir imediatamente na programação dos semáforos para adaptar a operação às condições do momento, buscando preservar a fluidez e a segurança viária. O monitoramento também permite identificar falhas rapidamente e, em alguns casos, corrigi-las de forma remota.
Resultados já aparecem em diferentes regiõesConforme a Prefeitura de São Paulo, os benefícios da tecnologia foram observados em todas as macrorregiões avaliadas pela CET.
Os melhores resultados ocorreram nas zonas Sudeste e Leste, onde a capacidade de circulação aumentou 12,05% e a lentidão caiu 26,04%.
Em alguns corredores viários, os números foram ainda mais expressivos. Na Avenida Indianópolis, por exemplo, a lentidão diminuiu 66,2%, enquanto o fluxo de veículos cresceu 5%. Já na Avenida Paes de Barros, a redução dos congestionamentos chegou a 57,1%, acompanhada de aumento de 16,7% na circulação de veículos. Também foram registradas reduções nas filas da Rua dos Trilhos (50%), da Avenida dos Bandeirantes (29%) e da Avenida Salim Farah Maluf (22,6%).
Expansão continuaO programa de modernização segue em andamento. De acordo com a Prefeitura, 1.677 cruzamentos já receberam os novos equipamentos. Outros 217 estão em fase final de implantação e 689 tiveram seus projetos executivos aprovados. A meta é chegar a 2.583 cruzamentos inteligentes em toda a cidade. O investimento previsto é de R$ 725,5 milhões.
A maior concentração da tecnologia está atualmente nas áreas das subprefeituras da Sé, Vila Mariana, Pinheiros, Lapa, Ipiranga, Mooca e Santo Amaro.
Tecnologia pode contribuir para um trânsito mais eficienteO uso de sistemas inteligentes de controle semafórico é uma tendência em diversas cidades do mundo por permitir que a operação acompanhe as mudanças do trânsito ao longo do dia.
Ao adaptar automaticamente os tempos dos sinais conforme a demanda, a tecnologia busca reduzir congestionamentos, melhorar a circulação dos veículos e diminuir períodos de espera desnecessários nos cruzamentos.
Para os motoristas, isso pode representar viagens mais rápidas e previsíveis. Já para os órgãos responsáveis pela gestão do trânsito, o monitoramento em tempo real amplia a capacidade de resposta diante de ocorrências que afetam a mobilidade urbana, contribuindo para uma operação mais eficiente do sistema viário.
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Ruído do trânsito pode estar associado a maior risco de Parkinson, aponta estudo
O barulho constante do trânsito pode representar mais do que um incômodo para quem vive próximo a vias movimentadas. Um estudo publicado na revista científica JAMA Neurology encontrou uma associação entre a exposição prolongada ao ruído do tráfego rodoviário e um maior risco de diagnóstico da doença de Parkinson.
A pesquisa acompanhou mais de 3 milhões de adultos na Dinamarca durante quase duas décadas e avaliou a exposição ao ruído nas residências dos participantes. Os resultados mostraram que pessoas expostas a níveis mais elevados de barulho apresentaram um aumento modesto, mas estatisticamente significativo, no risco de desenvolver a doença.
Os autores, porém, fazem um alerta importante: o estudo é observacional e identifica apenas uma associação estatística entre os fatores analisados. Isso significa que os resultados não permitem afirmar que o ruído do trânsito seja a causa da doença de Parkinson.
O que os pesquisadores descobriramO estudo analisou adultos com 40 anos ou mais que não tinham diagnóstico prévio de Parkinson e estimou os níveis de ruído provocados pelo tráfego nas residências dos participantes ao longo dos anos.
Após considerar outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como poluição do ar, características socioeconômicas e presença de áreas verdes, os pesquisadores observaram que maiores níveis de exposição ao ruído estiveram associados a um risco mais elevado de diagnóstico da doença.
Conforme a pesquisa, para cada aumento de aproximadamente 11 decibéis no lado da residência mais exposto ao trânsito, houve um aumento de cerca de 3% no risco de diagnóstico de Parkinson.
Quando foi analisado o lado mais silencioso da residência, um aumento de aproximadamente 9 decibéis esteve associado a um crescimento de cerca de 4% nesse risco.
Embora os percentuais individuais sejam considerados pequenos, os pesquisadores destacam que a exposição ao ruído do trânsito atinge milhões de pessoas, o que pode representar um impacto relevante do ponto de vista da saúde pública.
Um lado silencioso da casa pode fazer diferençaUm dos achados que chamou a atenção dos pesquisadores foi a influência da chamada “fachada silenciosa” das residências.
As casas que apresentavam pelo menos um lado significativamente menos exposto ao ruído — com diferença de 10 decibéis ou mais em relação à fachada voltada para o trânsito — apresentaram um efeito protetor entre moradores submetidos aos níveis mais elevados de barulho.
Os autores sugerem que ambientes mais silenciosos podem favorecer um sono de melhor qualidade e reduzir parte dos efeitos provocados pela exposição contínua ao ruído, embora esse mecanismo ainda precise ser melhor compreendido.
Como o barulho pode afetar a saúde?O estudo não investigou diretamente os mecanismos biológicos envolvidos, mas apresenta algumas hipóteses discutidas pela literatura científica.
Entre elas estão a interrupção do sono causada pelo ruído constante e a ativação prolongada das respostas de estresse do organismo. Esses fatores podem favorecer processos inflamatórios e de estresse oxidativo, frequentemente estudados por sua relação com doenças neurodegenerativas.
No entanto, os pesquisadores ressaltam que essas hipóteses ainda precisam ser confirmadas por novos estudos.
Pesquisa não comprova causa e efeitoApesar da repercussão dos resultados, especialistas destacam que é preciso interpretá-los com cautela.
Por se tratar de um estudo observacional, não é possível afirmar que o ruído do trânsito provoque a doença de Parkinson. Pesquisas desse tipo identificam relações estatísticas entre fatores ambientais e determinadas doenças, mas não conseguem estabelecer uma relação causal definitiva.
Ainda assim, o grande número de participantes, o longo período de acompanhamento e o controle de diversos fatores ambientais tornam os resultados relevantes para ampliar o conhecimento sobre possíveis fatores de risco relacionados à doença.
Poluição sonora ganha atençãoO estudo reforça um tema que vem recebendo cada vez mais atenção da comunidade científica: os impactos da poluição sonora na saúde.
Embora se aponte frequentemente a poluição do ar como um dos principais problemas ambientais relacionados ao trânsito, os pesquisadores defendem que o ruído também merece atenção nas políticas públicas voltadas ao planejamento urbano e à qualidade de vida.
Em editorial publicado juntamente com o estudo, especialistas destacam que compreender melhor o papel dos fatores ambientais poderá contribuir para estratégias futuras de prevenção da doença de Parkinson.
Enquanto novas pesquisas buscam esclarecer essa relação, o trabalho amplia o debate sobre um problema presente na rotina de milhões de pessoas que vivem em áreas com intenso fluxo de veículos.
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CNH em 2026: as mudanças que realmente fazem diferença para motoristas; veja o que está valendo
A legislação de trânsito passou por diversas alterações ao longo de 2026, modificando procedimentos relacionados à Carteira Nacional de Habilitação (CNH), à fiscalização e aos serviços oferecidos aos condutores. Algumas mudanças ampliaram o uso de ferramentas digitais, outras criaram novas exigências para quem pretende dirigir e também houve alterações que ainda geram dúvidas entre os motoristas.
Mais do que conhecer as novidades, é importante entender como elas afetam a rotina de quem dirige e quais cuidados continuam sendo necessários para evitar multas, suspensão do direito de dirigir ou problemas na renovação do documento.
Renovação automática existe, mas não elimina os exames obrigatóriosUma das mudanças que mais chamou atenção foi a criação da chamada renovação automática da CNH. O nome, porém, levou muitos motoristas a acreditar que o documento passaria a ser renovado sem qualquer avaliação médica e isso chegou a valer por um tempo. Mas depois da tramitação da Medida Provisória, o processo não se sustentou. E, agora, os exames voltaram a valer.
A legislação passou a permitir que o processo seja iniciado e concluído de forma digital para os condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), desde que atendam aos requisitos previstos em lei. Entretanto, permanecem obrigatórios os exames de aptidão física e mental e, quando exigida pela legislação, também a avaliação psicológica.
Ou seja, a principal novidade está na simplificação do procedimento administrativo, e não na dispensa das avaliações que verificam se o motorista continua apto para dirigir.
Exame toxicológico passou a alcançar novos condutoresOutra alteração importante diz respeito ao exame toxicológico. Até pouco tempo, a exigência era voltada principalmente aos motoristas das categorias C, D e E. Em 2026, entretanto, a obrigatoriedade também passou a alcançar os candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, conforme a legislação federal aprovada neste ano.
A medida ampliou o alcance do exame e tornou esse procedimento parte da realidade de milhares de brasileiros que pretendem obter a primeira CNH.
Para os condutores profissionais das categorias C, D e E, permanecem válidas as exigências de realização periódica do exame dentro dos prazos legais, cuja ausência pode resultar em infração gravíssima.
Documento digital ganha ainda mais espaçoA Carteira Digital de Trânsito (CDT), agora chamada CNH do Brasil, consolidou-se como o principal meio de acesso à CNH.
Pelo aplicativo oficial, o motorista pode consultar o documento, acompanhar infrações, acessar notificações, verificar informações do veículo e utilizar diversos serviços sem necessidade de comparecimento presencial ao órgão de trânsito.
Apesar disso, quem preferir ainda pode solicitar a emissão da versão física da habilitação, conforme as regras estabelecidas pelo Detran de cada estado.
Regras sobre validade da CNH continuam as mesmasEmbora muitas pessoas tenham acreditado que os prazos de validade mudariam novamente em 2026, as regras permanecem inalteradas.
Atualmente, a renovação ocorre em intervalos diferentes conforme a idade do motorista:
- até 49 anos: validade de até 10 anos;
- entre 50 e 69 anos: validade de até 5 anos;
- a partir de 70 anos: validade de até 3 anos.
Esses prazos podem ser reduzidos por decisão médica quando houver necessidade de acompanhamento mais frequente das condições de saúde do condutor.
Limite de pontos exige atenção às infrações gravíssimasOutro aspecto que continua gerando dúvidas é o sistema de pontuação da CNH. O limite para suspensão do direito de dirigir permanece variável conforme a quantidade de infrações gravíssimas cometidas em um período de 12 meses:
- até 40 pontos quando não houver infração gravíssima;
- até 30 pontos quando houver uma infração gravíssima;
- até 20 pontos quando forem registradas duas ou mais infrações gravíssimas.
Na prática, isso significa que não basta acompanhar apenas o número total de pontos. A natureza das infrações também influencia diretamente o risco de suspensão da habilitação.
Conhecer as regras também faz parte da segurança viáriaConforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, as mudanças na legislação de trânsito costumam despertar grande interesse dos motoristas, mas também favorecem a circulação de informações incompletas ou desatualizadas.
“Por isso, acompanhar as alterações oficiais e compreender exatamente o que mudou ajuda a evitar interpretações equivocadas e reduz o risco de irregularidades durante fiscalizações”, explica.
De acordo com o especialista, além de cumprir uma obrigação legal, manter a documentação em dia, realizar os exames exigidos e conhecer as regras vigentes contribui para que o sistema de trânsito funcione de forma mais segura para todos os usuários das vias.
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O que faz uma bicicleta durar anos? Especialista explica os cuidados que aumentam a vida útil da bike
Uma bicicleta bem cuidada pode acompanhar o ciclista por muitos anos. No entanto, pequenos erros do dia a dia, como deixar a corrente sem lubrificação, guardar a bike exposta ao tempo ou ignorar revisões preventivas, podem reduzir significativamente a vida útil dos componentes e aumentar os custos com manutenção.
Com o crescimento do mercado de bicicletas no Brasil e o aumento do número de pessoas que utilizam a bike para lazer, esporte e mobilidade, especialistas reforçam que preservar o equipamento vai muito além da estética. A manutenção adequada melhora o desempenho, aumenta a segurança e evita a substituição precoce de peças.
Segundo David Peterle, CEO da Oggi Bikes, a durabilidade da bicicleta começa antes mesmo do primeiro pedal.
“Muitas pessoas pensam apenas no preço na hora da compra, mas a escolha do modelo correto faz toda a diferença. Uma bicicleta compatível com o tipo de uso do ciclista tende a sofrer menos desgaste, exigir menos manutenção e proporcionar uma experiência muito melhor ao longo dos anos”, afirma.
Limpeza vai muito além da aparênciaApós pedalar em trilhas, estradas de terra ou até mesmo em dias de chuva, a limpeza da bicicleta deve fazer parte da rotina. Poeira, barro e resíduos aceleram o desgaste da transmissão, dos rolamentos e de outros componentes mecânicos. “O ideal é fazer uma limpeza sempre que houver acúmulo de sujeira, utilizando produtos específicos para bicicletas. Jatos de alta pressão devem ser evitados porque podem remover a lubrificação interna dos rolamentos e comprometer componentes importantes”, orienta Peterle.
Corrente bem lubrificada faz diferençaEntre todos os itens da bicicleta, poucos sofrem tanto desgaste quanto a corrente. Uma lubrificação inadequada aumenta o atrito, reduz a eficiência da pedalada e acelera o desgaste da transmissão.
A recomendação é utilizar lubrificantes específicos para bicicletas, escolhendo produtos adequados para condições secas ou úmidas. Antes de reaplicar o lubrificante, é importante remover resíduos antigos para evitar o acúmulo de sujeira. “Uma corrente bem cuidada preserva não apenas ela própria, mas também cassete, coroas e câmbio. É um cuidado simples que pode evitar gastos muito maiores no futuro”, explica o executivo.
Calibragem correta evita desgaste prematuroRodar com pneus abaixo ou acima da pressão recomendada compromete tanto o desempenho quanto a durabilidade da bicicleta. Além de aumentar o risco de furos, pneus mal calibrados exigem mais esforço do ciclista, desgastam a banda de rodagem de maneira irregular e podem afetar rodas e suspensão. “O ideal é verificar a calibragem antes dos pedais, respeitando sempre a pressão indicada para o modelo do pneu e o peso do ciclista. É um hábito rápido que melhora conforto, rendimento e segurança”, afirma Peterle.
Revisão preventiva custa menos do que trocar peçasAssim como acontece com um automóvel, a bicicleta também precisa de revisões periódicas. Freios, transmissão, suspensão, rolamentos e cabos devem ser inspecionados regularmente para identificar desgastes antes que eles comprometam outros componentes.
Segundo Peterle, muitas das manutenções mais caras poderiam ser evitadas com inspeções preventivas. “Esperar aparecer um problema costuma sair mais caro. Pequenos ajustes feitos no momento certo preservam a bicicleta, aumentam a segurança e evitam que o desgaste de uma peça acabe comprometendo outras”, destaca.
Armazenamento também influenciaOutro cuidado frequentemente negligenciado é a forma como a bicicleta é guardada. Exposição prolongada ao sol, chuva e umidade acelera a oxidação de componentes metálicos e reduz a vida útil de pneus, selins e manoplas. Sempre que possível, a recomendação é armazenar a bicicleta em ambientes cobertos, secos e protegidos da exposição direta ao clima.
A qualidade da bicicleta também faz diferençaAlém da manutenção, a escolha de uma bicicleta construída com componentes compatíveis com o uso pretendido influencia diretamente sua durabilidade.
“Uma boa bicicleta não é necessariamente a mais cara, mas aquela desenvolvida para atender ao perfil de quem vai utilizá-la. Quando o ciclista escolhe um modelo adequado para seu tipo de pedal e mantém uma rotina básica de manutenção, a bicicleta pode oferecer muitos anos de uso com excelente desempenho. Cuidar da bike é também preservar o investimento feito nela”, conclui Peterle.
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Veículos premium exigem cuidados especiais com a suspensão; veja os motivos
Os veículos premium costumam oferecer mais conforto, estabilidade e precisão na condução graças a sistemas de suspensão mais sofisticados. No entanto, essas tecnologias também exigem atenção redobrada com a manutenção para preservar as características originais do veículo e evitar perda de desempenho ao longo do tempo.
Responsável por absorver as irregularidades do piso e manter os pneus em contato constante com o solo, a suspensão exerce influência direta na dirigibilidade, na estabilidade e até mesmo na segurança. Por isso, especialistas alertam que a manutenção preventiva é ainda mais importante em modelos de luxo e de alta performance, cujos componentes trabalham com tolerâncias mais precisas.
Suspensão influencia conforto, estabilidade e dirigibilidadeConforme especialistas da thyssenkrupp Springs & Stabilizers, fabricante global de molas e barras estabilizadoras para a indústria automotiva, os sistemas de suspensão utilizados em veículos premium são desenvolvidos para proporcionar respostas mais precisas ao volante, maior estabilidade e melhor capacidade de absorção das irregularidades do piso.
Esse conjunto contribui para uma condução mais refinada, mas também requer inspeções periódicas e o cumprimento das recomendações estabelecidas pela montadora.
“À medida que as tecnologias automotivas evoluem, os sistemas de suspensão assumem um papel cada vez mais relevante na entrega das características de condução esperadas pelos clientes. A manutenção desses sistemas de acordo com as recomendações do fabricante ajuda a preservar o conforto, a dirigibilidade e o desempenho geral do veículo”, explicam os especialistas.
Buracos e pavimento irregular aceleram o desgasteMesmo os sistemas mais modernos não estão imunes às condições das vias brasileiras. De acordo com a thyssenkrupp Springs & Stabilizers, a circulação frequente por ruas e rodovias com buracos, valetas, lombadas e pavimentação irregular pode acelerar o desgaste dos componentes da suspensão, especialmente dos amortecedores.
Por esse motivo, a recomendação é realizar inspeções periódicas em oficinas qualificadas, sempre seguindo os intervalos e procedimentos previstos pelo fabricante do veículo.
A manutenção preventiva pode identificar desgastes antes que eles comprometam o funcionamento do conjunto ou provoquem alterações perceptíveis na condução.
Amortecedores têm papel fundamentalEntre os principais componentes da suspensão estão os amortecedores, responsáveis por controlar os movimentos das molas, manter o contato dos pneus com o solo e contribuir para o conforto e a estabilidade durante a condução.
Quando chega o momento da substituição, especialistas recomendam utilizar componentes que atendam às especificações técnicas previstas para o veículo, preservando as características originais de dirigibilidade.
A thyssenkrupp Springs & Stabilizers informa que distribui no mercado brasileiro os amortecedores Bilstein, utilizados em diversas aplicações premium e de alta performance. De acordo com a empresa, as linhas B4 e B6 são comercializadas por sua operação de aftermarket.
Cuidados ajudam a preservar o desempenho do veículoPara prolongar a vida útil da suspensão e manter a experiência de condução esperada em veículos premium, os especialistas recomendam alguns cuidados básicos:
- realizar inspeções periódicas conforme as orientações da montadora;
- verificar regularmente o alinhamento e o balanceamento;
- manter os pneus sempre calibrados corretamente;
- evitar impactos severos contra buracos, valetas e guias;
- investigar rapidamente qualquer ruído ou mudança no comportamento do veículo;
- utilizar componentes que atendam às especificações técnicas e aos padrões de qualidade adequados.
Embora seja frequentemente associada ao conforto, a suspensão desempenha um papel importante também na estabilidade do veículo e na capacidade de manter os pneus em contato com o pavimento, especialmente em curvas, frenagens e desvios de obstáculos.
Por isso, acompanhar o estado dos componentes e realizar a manutenção preventiva conforme as recomendações do fabricante ajuda a preservar não apenas a experiência de condução, mas também o desempenho do veículo e seu valor ao longo dos anos.
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Cordialidade e direção defensiva são vitais para a segurança viária
O Dia do Motorista, que foi celebrado ontem, 25 de julho, é um convite para refletir sobre um aspecto que vai além da habilidade ao volante: o comportamento dos condutores no trânsito. Em um cenário marcado por congestionamentos cada vez mais frequentes e níveis elevados de estresse, especialistas alertam que a cordialidade e a direção defensiva são fundamentais para prevenir conflitos e acidentes.
O trânsito das grandes cidades brasileiras tem se tornado um dos principais fatores de estresse da população. Longos congestionamentos, atrasos, buzinas e a rotina corrida acabam criando um ambiente propício para a impaciência e os conflitos entre motoristas. Em casos extremos, desentendimentos iniciados por situações aparentemente simples podem evoluir para agressões físicas e até tragédias.
É possível observar a dimensão desse desafio nos números. Conforme o TomTom Traffic Index 2025, levantamento global que monitora as condições de tráfego em centenas de cidades ao redor do mundo, os motoristas brasileiros passam, em média, dezenas de horas por ano presos em congestionamentos.
Curitiba lidera o ranking nacional, com 135 horas perdidas anualmente no trânsito.Na sequência aparecem São Paulo, com 132 horas, Recife e Belo Horizonte, ambas com 130 horas. Os dados evidenciam que o problema não está restrito aos maiores centros urbanos do país, mas afeta cidades de diferentes regiões, impactando a rotina, a produtividade e até mesmo o bem-estar emocional dos motoristas.
Em um cenário marcado por deslocamentos cada vez mais longos e desgastantes, especialistas alertam que o estresse acumulado durante a condução pode contribuir para comportamentos impulsivos, discussões e atitudes de risco no trânsito.
Por isso, a cordialidade, a empatia e a prática da direção defensiva tornam-se elementos fundamentais para promover um ambiente mais seguro e harmonioso para todos os usuários das vias. Afinal, o trânsito é um ambiente coletivo, onde as decisões individuais impactam diretamente a segurança e o bem-estar de todos.
Pequenos gestos de cordialidade podem contribuir para reduzir situações de conflito e tornar a convivência mais harmoniosa nas ruas e estradas. Respeitar a vez de outro motorista em uma conversão, permitir uma mudança de faixa quando possível ou sinalizar corretamente as manobras são atitudes simples que ajudam a tornar o fluxo mais previsível e seguro.
Da mesma forma, evitar reações impulsivas diante de fechadas, erros de outros condutores ou momentos de congestionamento pode impedir que situações corriqueiras evoluam para discussões e comportamentos de risco.
A direção defensiva também está diretamente relacionada ao controle emocional.Embora seja frequentemente associada a técnicas de condução, ela envolve a capacidade de manter a calma diante de situações adversas e tomar decisões conscientes mesmo sob pressão. Ignorar provocações, não disputar espaço nas vias e evitar responder a atitudes agressivas são comportamentos que contribuem para a redução de acidentes e para a preservação da segurança de todos os envolvidos.
Além disso, a condução preventiva exige atenção constante ao ambiente ao redor do veículo. Manter uma distância segura do carro à frente oferece mais tempo para reação em situações inesperadas, enquanto a observação contínua do comportamento dos demais usuários da via permite antecipar possíveis riscos. Ações como identificar uma mudança brusca de faixa, prever uma frenagem repentina ou perceber a distração de outro motorista ajudam a reduzir a probabilidade de colisões e tornam os deslocamentos mais tranquilos.
Em um contexto em que milhões de brasileiros passam horas diariamente enfrentando congestionamentos, cultivar a paciência e adotar práticas de direção defensiva tornam-se atitudes essenciais para transformar o trânsito em um ambiente mais seguro, respeitoso e eficiente para todos.
“Quando falamos em segurança viária, é comum que a atenção esteja voltada para a manutenção do veículo, mas o comportamento do motorista também exerce um papel decisivo. A direção defensiva começa pela capacidade de manter a calma, respeitar os demais usuários da via e antecipar situações de risco”, afirma Fábio Torres, gerente de Marketing e Vendas da Dunlop Pneus.
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O maior risco nas estradas não é a imprudência, mas o cansaço que ninguém vê
Quando se fala em acidentes nas estradas brasileiras, a explicação costuma ser quase automática: imprudência. Excesso de velocidade, uso do celular ao volante, ultrapassagens perigosas ou desrespeito à sinalização aparecem, frequentemente, como os principais responsáveis pelas tragédias que ocorrem diariamente no país.
Embora esses fatores sejam, de fato, relevantes, concentrar todo o debate apenas no comportamento do motorista nos impede de enxergar um dos maiores riscos presentes nas operações de transporte: a fadiga.
O cansaço ao volante ainda é um problema silencioso, subestimado e, muitas vezes, invisível. Diferentemente de uma infração de trânsito, ele nem sempre deixa evidências claras. Mas, seus efeitos são conhecidos como por exemplo redução da atenção, aumento do tempo de reação, lapsos de memória, dificuldades na tomada de decisão e, nos casos mais graves, episódios de sono involuntário.
Em uma operação logística cada vez mais pressionada por prazos curtos, crescimento do comércio eletrônico, congestionamentos e longas jornadas, ignorar a fadiga deixou de ser apenas uma falha operacional.
Tornou-se um risco estratégico.Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a privação de sono compromete capacidades cognitivas de forma semelhante ao consumo de álcool. Em outras palavras, um motorista extremamente cansado pode apresentar níveis de atenção comparáveis aos de alguém que não deveria estar dirigindo.
Ainda assim, a gestão da fadiga permanece fora da prioridade de muitas empresas. Isso acontece porque, historicamente, a segurança viária foi construída sob uma lógica reativa de agir após o acidente, investigar as causas e corrigir processos posteriormente. Hoje, a tecnologia permite uma mudança de paradigma.
Com ferramentas de vídeo-telemetria, análise comportamental e monitoramento em tempo real, já é possível identificar padrões que indicam risco elevado de fadiga antes que um incidente aconteça. Cruzamentos com contextos adicionais como tempo contínuo de direção, horários recorrentes de sonolência, oscilações no padrão de condução, frenagens bruscas e redução na atenção podem revelar situações críticas que exigem intervenção imediata.
Mas tecnologia, sozinha, não resolve o problema.É necessário que empresas, gestores de frota e embarcadores incorporem a fadiga como uma variável central da gestão operacional. Isso significa revisar escalas, planejar jornadas de forma mais inteligente, criar políticas efetivas de descanso e utilizar dados para apoiar decisões, e não apenas para fiscalizar motoristas.
A discussão sobre segurança no trânsito precisa evoluir. Acidentes não são resultado exclusivo de escolhas individuais equivocadas. Muitas vezes, eles refletem falhas de planejamento, pressão excessiva por produtividade e ausência de mecanismos capazes de antecipar riscos.
O maior perigo nas estradas brasileiras pode não ser a imprudência que todos enxergam, mas o cansaço que ninguém vê. E se já somos capazes de identificar esse risco antes que ele provoque uma tragédia, deixar de agir passa a ser uma escolha, e não uma limitação técnica.
*Rony Neri é diretor-executivo da Platform Science na América Latina. Formado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Londrina, possui especialização em Gestão de Negócios e Liderança pelo IESB/FIEP, além de MBAs em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas e em Executive Business Management pela Swiss School of Business and Management. O executivo coleciona passagens por empresas de tecnologia como Unilab, Senior Sistemas e Guenka Software.
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Etanol ou gasolina? Saiba o que considerar antes de abastecer o veículo
Escolher entre etanol e gasolina ainda gera dúvidas para muitos motoristas. Embora o preço seja um dos principais fatores levados em conta na hora de abastecer, a decisão também envolve rendimento, autonomia e até o perfil de uso do veículo.
Em um cenário de constantes variações nos preços dos combustíveis, conhecer as características de cada opção pode ajudar o consumidor a fazer uma escolha mais adequada às suas necessidades.
Os preços dos combustíveis variam de acordo com a região do país. Como exemplo, levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 28 de junho a 4 de julho, aponta que, no Ceará, o preço médio do etanol hidratado foi de R$ 4,99. No mesmo período, a gasolina comum foi comercializada, em média, por R$ 6,84, enquanto a gasolina aditivada chegou a R$ 7,00.
Quais são as diferenças entre etanol e gasolina?O etanol é um biocombustível produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar. Entre suas características está a alta octanagem, que contribui para uma queima eficiente no motor. Além disso, é considerado uma alternativa mais sustentável por emitir menos poluentes em comparação com a gasolina.
Por outro lado, sua menor densidade energética faz com que o veículo percorra uma distância menor utilizando a mesma quantidade de combustível.
Já a gasolina é derivada do petróleo e possui maior densidade energética, proporcionando maior autonomia ao veículo. Em contrapartida, apresenta maior emissão de gases de efeito estufa quando comparada ao etanol.
A regra dos 70% ajuda na escolhaPara facilitar a decisão, muitos motoristas utilizam uma conta simples. Como regra geral, o etanol tende a ser mais vantajoso quando custa até 70% do valor da gasolina. Para fazer o cálculo, basta multiplicar o preço da gasolina por 0,70.
Se o valor do etanol for igual ou inferior ao resultado obtido, ele costuma oferecer melhor custo-benefício. Caso ultrapasse esse limite, a gasolina tende a ser a opção mais econômica.
O perfil de uso também faz diferençaApesar de o cálculo servir como referência, ele não deve ser o único critério para decidir qual combustível utilizar.
Conforme Antônio José Costa, assessor de assuntos econômicos do Sindipostos-CE, é importante considerar também a forma como o veículo é utilizado no dia a dia.
“O consumidor pode calcular como ponto de partida, mas ainda é importante observar o rendimento do carro, o tipo de trajeto a ser percorrido e a frequência de abastecimento. Para quem roda mais ou faz viagens demoradas, a gasolina tende a compensar. Avaliar esses fatores é o que garante uma decisão mais eficiente”, explica.
Assim, além de comparar os preços no posto de combustível, o motorista deve levar em conta aspectos como a autonomia do veículo, a rotina de deslocamentos e a frequência com que costuma abastecer.
A escolha depende de cada motoristaEmbora exista uma referência de preço que ajude na comparação entre etanol e gasolina, a decisão mais econômica varia de acordo com as características do veículo e o perfil de utilização.
Analisar o custo do combustível, o rendimento e o tipo de percurso realizado pode ajudar o motorista a encontrar a alternativa mais adequada para cada abastecimento.
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Dia do Motorista: pressão, trânsito e jornadas longas aumentam a exposição dos motoristas aos riscos psicossociais no trabalho
Longas jornadas, pressão por horários, trânsito intenso e pouca previsibilidade fazem parte da rotina de milhares de motoristas. No Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, especialistas chamam atenção para um aspecto que tem ganhado cada vez mais relevância dentro das empresas: os riscos psicossociais enfrentados por esses profissionais assim como seus impactos na saúde mental, na segurança e na produtividade.
Um levantamento realizado com 245 empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) revelou um retrato preocupante desses fatores. A pesquisa, considerada a primeira do país a reunir e publicar dados globais sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho, aponta o setor de transportes como o mais vulnerável entre todos os segmentos avaliados.
Conduzido pela Aventus Ocupacional com base na metodologia internacional HSE-IT, o estudo avaliou empresas dos setores de serviços (50%), comércio (19%), transportes (17%) e indústria (14%). O setor de transporte apresentou os piores resultados nos domínios analisados, tornando-se o segmento com maior nível de exposição aos fatores de estresse ocupacional.
Mais de 70% dos trabalhadores avaliados nesse setor são motoristas de fretados e transporte escolar, profissionais que convivem diariamente com jornadas fragmentadas, longos períodos ao volante, pressão pelo cumprimento de horários e o isolamento característico da função.
Conforme o médico do trabalho Dr. Marco Aurélio Bussacarini, especialista em Medicina Ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, esses fatores vão além do desconforto e representam riscos concretos à saúde dos trabalhadores e ao próprio funcionamento das empresas.
“Quando falamos em motoristas, não estamos tratando apenas de um profissional que permanece muitas horas sentado. Estamos falando de pessoas submetidas diariamente a alta carga de atenção, responsabilidade constante, pressão por horários, trânsito imprevisível e, muitas vezes, pouca autonomia sobre sua rotina. Esse conjunto de fatores favorece o desgaste emocional e aumenta significativamente os riscos psicossociais”, afirma.
Impactos vão além da saúde mentalAlém do adoecimento psicológico, especialistas alertam que o estresse crônico e a fadiga podem comprometer diretamente a segurança no trânsito. Dificuldade de concentração, irritabilidade, redução da capacidade de tomada de decisão e aumento da probabilidade de erros estão entre as consequências mais frequentes.
De acordo com o especialista Dr. Marco, a natureza da profissão também dificulta a adoção de hábitos saudáveis. Horários irregulares, alimentação inadequada e poucas oportunidades para pausas e descanso. Além disso, a permanência prolongada em ambientes de alta tensão contribuem para o agravamento do quadro ao longo do tempo.
NR-1 amplia responsabilidade das empresasA discussão ganha ainda mais relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.
Na prática, organizações dos mais diversos setores precisam demonstrar tecnicamente como monitoram fatores relacionados ao estresse ocupacional bem como quais medidas adotam para reduzir o adoecimento dos trabalhadores.
Para Bussacarini, isso representa uma mudança importante na forma como se trata a saúde ocupacional. “Durante muito tempo, questões como estresse, pressão e sobrecarga eram encaradas como parte natural da profissão. Hoje sabemos que esses fatores podem ser identificados, avaliados e prevenidos. A gestão dos riscos psicossociais deixou de ser apenas uma ação de bem-estar e passou a fazer parte da estratégia de prevenção, segurança e conformidade das empresas”, afirma.
O especialista destaca que, no caso dos motoristas, investir na prevenção significa não apenas proteger a saúde dos profissionais, mas também contribuir para operações mais seguras, redução de afastamentos, menor rotatividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados.
“Quando a empresa compreende os fatores que geram desgaste e atua para reduzi-los, ela protege o trabalhador, melhora o desempenho operacional e fortalece a segurança de toda a cadeia de transporte”, conclui.
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Estudo projeta expansão da rede de transporte coletivo de Curitiba para 206 km
A Região Metropolitana de Curitiba poderá ampliar significativamente sua rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade nas próximas décadas. É o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades, que projeta a expansão da malha de 114 quilômetros para 206 quilômetros.
Conforme o levantamento, a ampliação poderá ser viabilizada por sete projetos que incluem a implantação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), metrô e a implantação e extensão de corredores de ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit). O estudo estima investimentos entre R$ 11,73 bilhões e R$ 22,74 bilhões, com potencial para atender cerca de 915,2 mil passageiros por dia.
Além do aumento da capacidade do sistema, o estudo projeta impactos positivos para a mobilidade urbana da capital paranaense, como, por exemplo, redução de 24% no tempo médio de deslocamento da população e a possibilidade de evitar cerca de 1.065 vítimas de sinistros de trânsito por ano.
Estudo reúne projetos para transformar o transporte coletivoO Estudo Nacional de Mobilidade Urbana é resultado de um trabalho desenvolvido entre 2024 e 2026 pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades. A iniciativa reúne diagnósticos, propostas e projetos voltados à expansão e qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade em 21 regiões metropolitanas brasileiras.
A consolidação de todas as informações estão no portal Mobilidade Brasil, que reúne os projetos previstos para cada região estudada.
“O ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas principais regiões metropolitanas do país”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Banco de dados reúne 187 projetos em todo o paísO relatório final do estudo apresenta um banco de dados composto por 187 projetos de mobilidade urbana, que somam mais de 3 mil quilômetros de infraestrutura voltada ao transporte coletivo, incluindo metrôs, BRTs, trens urbanos e sistemas de VLT.
Cada proposta foi analisada com base em mais de 100 indicadores técnicos, operacionais, econômico-financeiros, socioambientais e urbanísticos. Entre os critérios avaliados estão a demanda prevista, o investimento necessário, os impactos ambientais, a redução de emissões de gases de efeito estufa, os benefícios para a segurança viária e o potencial de embarques diários.
Benefícios previstos vão além da mobilidadeDe acordo com o levantamento, caso se implemente todos os projetos previstos para as 21 regiões metropolitanas, os impactos poderão ir além da melhoria do transporte público.
A expectativa é evitar cerca de 27 mil vítimas de sinistros de trânsito por ano, reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas anuais as emissões de dióxido de carbono (CO₂), diminuir em 11% o custo das viagens e reduzir em 16% o tempo médio de deslocamento da população.
O estudo também estima benefícios sociais superiores a R$ 400 bilhões, além do potencial de mobilizar mais de 1 milhão de empregos e estimular a demanda por até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 veículos metroferroviários.
Planejamento para os próximos 30 anosA elaboração do ENMU ocorreu considerando projeções populacionais assim como de demanda para um horizonte de 30 anos. O objetivo é oferecer subsídios técnicos para que estados e municípios possam planejar sistemas de transporte mais integrados, eficientes e sustentáveis.
De acordo com o Ministério das Cidades, o estudo busca fortalecer a política nacional de mobilidade urbana e servir como ferramenta para apoiar a estruturação de projetos capazes de melhorar os deslocamentos diários da população, ampliar o acesso ao emprego, à educação, à saúde e a outros serviços essenciais, além de contribuir para a redução das desigualdades urbanas.
Embora apresente um cenário de potencial expansão, o levantamento não representa a execução imediata das obras. Os projetos ainda dependem de planejamento, definição de prioridades, disponibilidade de recursos e das etapas técnicas e administrativas necessárias para que possam sair do papel.
Com informações da Agência BNDES de Notícias
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