Notícias
CRLV 2026: veja prazos e como emitir
Com a virada do ano, uma dúvida começa a aparecer com frequência entre motoristas de todo o país: o CRLV 2026 já é obrigatório? A resposta envolve prazos, regras específicas e, principalmente, atenção aos detalhes que fazem diferença na hora de circular sem riscos de multa ou apreensão do veículo.
O Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) é o documento que comprova que o veículo está regular para circulação. Ele só é emitido após o pagamento de todos os débitos obrigatórios, como IPVA, taxa de licenciamento e eventuais multas vencidas.
O CRLV 2026 já pode ser exigido?Embora o ano-base seja 2026, os prazos de exigência do CRLV variam conforme o calendário de licenciamento definido por cada Estado. Em regra, o motorista pode circular nos primeiros meses do ano com o CRLV do exercício anterior, desde que ainda esteja dentro do prazo estabelecido pelo Detran local.
Isso significa que não existe uma data única nacional para a obrigatoriedade do CRLV 2026. O que vale é o final do prazo de licenciamento do veículo, geralmente vinculado ao número final da placa.
Por isso, é essencial acompanhar o calendário divulgado pelo Detran do Estado onde o veículo está registrado.
CRLV digital: vale como documento?Sim. Desde 2021, passou a se emitir o CRLV exclusivamente em formato digital, por meio do CRLV-e. É possível acessar o documento:
- Pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), que agora se chama CNH do Brasil;
- Em formato PDF para impressão em papel comum;
- Compartilhado com outros condutores autorizados.
A versão digital tem o mesmo valor legal do antigo documento em papel moeda. Em fiscalizações, o agente pode consultar a regularidade diretamente pelo sistema, mas o motorista deve garantir que o veículo esteja devidamente licenciado.
O que é necessário para emitir o CRLV 2026?Para que o CRLV 2026 fique disponível, é necessário:
- Pagamento integral do IPVA 2026 (ou parcelas vencidas, conforme regra do Estado);
- Quitação da taxa de licenciamento anual;
- Ausência de multas vencidas;
- Regularidade do veículo junto ao Detran.
Enquanto houver qualquer pendência financeira ou administrativa, não se libera CRLV, mesmo com a quitação de parte dos débitos.
O que acontece se circular sem o CRLV válido?Circular com veículo não licenciado é infração gravíssima, prevista no Código de Trânsito Brasileiro. As penalidades incluem:
- Multa
- Sete pontos na CNH
- Remoção do veículo ao pátio, até a regularização
Esse é um ponto importante: não basta ter pago os débitos depois da abordagem. Se, no momento da fiscalização, o veículo não estiver com o licenciamento em dia, caracteriza-se a infração.
Atenção a golpes e informações falsasCom a digitalização do CRLV, aumentaram também tentativas de golpe, especialmente por mensagens falsas de cobrança. O motorista deve sempre utilizar:
- Sites oficiais do Detran;
- Aplicativos governamentais;
- Bancos e canais autorizados.
Nenhum órgão de trânsito envia boletos por WhatsApp ou SMS com links externos.
Por que o CRLV continua sendo tão importante?Mais do que um documento, o CRLV comprova que o veículo atende às exigências legais mínimas para circular, incluindo regularidade fiscal e administrativa. Ele também garante mais segurança jurídica ao motorista em abordagens, viagens e transferências.
Com sistemas cada vez mais integrados, ignorar o licenciamento anual deixou de ser um risco distante. A fiscalização eletrônica e o cruzamento de dados tornam a irregularidade facilmente detectável.
Manter o CRLV 2026 em dia é uma obrigação básica, mas ainda gera muitas dúvidas. Informação clara e atenção aos prazos são os melhores caminhos para evitar transtornos desnecessários ao longo do ano.
The post CRLV 2026: veja prazos e como emitir appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Manias ao volante que parecem inofensivas, mas aumentam o risco de acidentes
Grande parte dos sinistros de trânsito não ocorre por grandes imprudências, mas por hábitos repetidos diariamente, muitas vezes encarados como normais ou inofensivos. São pequenas manias ao volante que, isoladamente, parecem sem importância, mas que, somadas, aumentam significativamente o risco de sinistros.
Uma das mais comuns é dirigir com uma das mãos ocupadas — seja segurando o celular, mexendo no painel, ajustando o GPS ou até comendo. Mesmo quando o motorista mantém os olhos na via, a redução do controle do veículo compromete reações rápidas em situações inesperadas.
Outra mania frequente é acelerar logo após o semáforo abrir, sem observar completamente o cruzamento. Em cidades com grande circulação de pedestres e motociclistas, esse comportamento aumenta o risco de atropelamentos e colisões laterais.
Há também o hábito de seguir muito próximo do veículo à frente.Muitos motoristas fazem isso por ansiedade ou pressa, sem perceber que reduzem drasticamente o tempo de reação. Em caso de frenagem brusca, a colisão se torna praticamente inevitável.
O uso constante da buzina como forma de pressão é outro comportamento que parece banal, mas contribui para um ambiente mais agressivo. A buzina deveria servir como alerta, não como instrumento de cobrança ou intimidação.
Ignorar sinais do próprio corpo também entra nessa lista. Dirigir com fome, sede ou desconforto excessivo afeta a concentração e o humor, tornando o motorista mais impulsivo e menos tolerante a erros alheios.
Outro hábito perigoso é a excessiva confiança na rotina.Trechos conhecidos fazem muitos motoristas reduzirem a atenção, acreditando que “nada acontece ali”. É justamente nesses locais que ocorrem acidentes, porque a vigilância diminui.
Essas manias têm algo em comum: elas não parecem erradas no momento em que são praticadas. Justamente por isso, são difíceis de abandonar. O problema é que o trânsito não perdoa distrações repetidas.
Reconhecer esses comportamentos é o primeiro passo para mudar. Dirigir de forma mais consciente exige observar não apenas o que os outros fazem, mas também os próprios hábitos. Pequenas correções no dia a dia podem reduzir riscos de forma significativa, sem exigir grandes esforços ou mudanças radicais.
No trânsito, segurança não depende apenas de grandes decisões, mas da soma de atitudes simples adotadas todos os dias ao volante.
The post Manias ao volante que parecem inofensivas, mas aumentam o risco de acidentes appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Por que dirigir bem não é só saber as regras, mas entender o outro
Quando se fala em “dirigir bem”, muitos motoristas associam imediatamente à ideia de cumprir regras: respeitar o limite de velocidade, parar no semáforo, usar o cinto de segurança. Embora esses comportamentos sejam fundamentais, eles não esgotam o conceito de boa condução. No trânsito real, cotidiano e imprevisível, dirigir bem exige algo que não está escrito em placas ou artigos de lei: entender o outro.
O trânsito é um espaço compartilhado por pessoas com níveis diferentes de experiência, pressa, atenção, medo e fragilidade. Pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas profissionais, idosos e crianças convivem no mesmo ambiente, muitas vezes sem qualquer mediação física adequada. Nesse contexto, conhecer as regras é apenas o ponto de partida.
Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, costuma destacar que o maior erro do motorista é acreditar que o trânsito é um jogo individual.
“O trânsito não é uma competição. Ele só funciona quando cada um entende que suas decisões afetam diretamente a segurança do outro”, afirma.
A dificuldade de enxergar o outro se manifesta de várias formas.Motoristas que não reduzem a velocidade em áreas de pedestres, que fecham motociclistas no corredor ou que avançam sobre ciclistas demonstram, muitas vezes, não desconhecimento da regra, mas falta de percepção da vulnerabilidade alheia.
Outro exemplo comum está nas reações emocionais. Pequenos erros cometidos por terceiros — uma seta esquecida, uma saída tardia, uma hesitação — costumam ser interpretados como afrontas pessoais. O resultado é uma escalada de agressividade que transforma situações simples em conflitos perigosos.
Para Celso Mariano, esse comportamento revela um problema cultural.
“A gente aprende a dirigir o veículo, mas não aprende a conviver no trânsito. Falta trabalhar empatia, paciência e leitura do comportamento humano”, analisa.
Dirigir bem também envolve antecipação. Entender que um pedestre idoso atravessa mais devagar, que um motociclista precisa de espaço para manobrar ou que um motorista inseguro pode cometer movimentos inesperados permite decisões mais seguras e menos reativas.
Essa leitura do outro é ainda mais importante em ambientes urbanos complexos, onde a sinalização nem sempre é clara e o improviso se torna frequente. Nesses casos, a rigidez excessiva na aplicação das regras, sem sensibilidade ao contexto, pode aumentar riscos em vez de reduzi-los.
A boa condução, portanto, não se resume a “estar certo”.Muitas vezes, ceder, esperar ou reduzir a velocidade é a atitude mais segura, mesmo quando se tem prioridade. Essa postura não significa abrir mão de direitos, mas reconhecer que preservar vidas é mais importante do que afirmar razão.
Construir um trânsito mais seguro passa, necessariamente, por essa mudança de mentalidade. Enquanto dirigir for visto apenas como cumprir regras ou chegar mais rápido, conflitos continuarão se multiplicando. Quando o motorista passa a enxergar o outro como parte do mesmo sistema — e não como obstáculo — o trânsito começa a mudar de forma concreta e cotidiana.
The post Por que dirigir bem não é só saber as regras, mas entender o outro appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Cuidados essenciais com os pneus ajudam a garantir viagens mais seguras nas férias
Com a chegada das férias escolares, milhões de brasileiros se preparam para pegar a estrada em busca de descanso e momentos em família. Nesse período, em que o calor intenso e o uso prolongado dos veículos exigem mais atenção, a Dunlop Pneus reforça um dos pilares de seu DNA: a confiança que nasce da inovação e se traduz em segurança e desempenho real para o motorista e sua família.
Referência em tecnologia e qualidade, a Dunlop orienta que a revisão do veículo e a verificação dos pneus sejam parte essencial dos preparativos antes de qualquer viagem.
“O início do ano é um momento muito esperado, de lazer e descontração. Para que essas viagens sejam realmente seguras, é fundamental revisar o veículo, respeitar os limites de carga e manter os pneus em boas condições. Assim, é possível garantir conforto, economia e segurança para todos”, afirma Hugo Issao Terazaki, gerente de Serviços Técnicos da Dunlop Pneus.
Mais do que um lembrete técnico, a mensagem da empresa é um convite à escolha consciente: cuidar dos pneus é cuidar de quem está a bordo e também do meio ambiente. Um pneu calibrado e em bom estado reduz o consumo de combustível, diminui emissões e aumenta a vida útil do produto — benefícios alinhados ao compromisso da marca com a responsabilidade e a sustentabilidade.
Para que o motorista possa focar no que realmente importa — o destino e a companhia —, a Dunlop reúne orientações práticas para “andar bem” durante a viagem.
Passo 1: Planeje sua rota com antecedênciaUma viagem segura começa antes mesmo de ligar o carro. Utilize aplicativos para verificar as condições das estradas, prever o clima, identificar postos de combustível confiáveis e programar paradas. Um bom planejamento ajuda a evitar estresse e trajetos perigosos.
Passo 2: Verifique a documentaçãoEvite transtornos. Certifique-se de que a CNH e o CRLV estão em dia e com você. Uma checagem simples pode impedir que um problema burocrático comprometa toda a viagem.
Passo 3: Faça a revisão essencial (check-list mecânico e de segurança)Com a rota definida, é hora de revisar o veículo:
- Pneus: faça uma inspeção visual em busca de desgastes irregulares, cortes ou bolhas. Verifique o TWI (Tread Wear Indicator): se a banda de rodagem estiver no mesmo nível do indicador, é hora de trocar.
- Fluidos: confira o nível do óleo do motor e do líquido de arrefecimento, especialmente importantes no calor do verão.
- Visibilidade e sinalização: teste as palhetas do limpador de para-brisa e todas as luzes — faróis, lanternas, setas e luz de freio.
- Kit de emergência: o estepe precisa estar calibrado e acompanhado dos itens essenciais. Verifique se triângulo, macaco e chave de roda estão no veículo e em boas condições.
Respeite o limite de peso do veículo para não sobrecarregar suspensão, freios e pneus. Distribua a bagagem de forma equilibrada e evite deixar objetos soltos no interior do carro.
Passo 5: Calibragem correta (o ajuste fino da performance)A pressão dos pneus varia conforme a carga transportada. Consulte o manual do proprietário ou a etiqueta informativa — geralmente localizada na porta do motorista, na tampa do tanque ou no porta-luvas — para saber a calibragem ideal com o veículo vazio ou carregado. A medição deve ser feita sempre com os pneus frios.
Passo 6: Na estrada, pratique a direção defensivaUm veículo carregado reage de forma diferente: o tempo de frenagem aumenta e as respostas são mais lentas. Mantenha maior distância do carro da frente, evite manobras bruscas e antecipe as situações do trânsito, especialmente no verão.
As altas temperaturas e as chuvas repentinas típicas dessa estação exigem atenção redobrada. Nos primeiros momentos de chuva, quando o asfalto ainda está coberto por poeira, resíduos e fluidos, a aderência diminui significativamente, elevando o risco de derrapagens. Até que a chuva limpe o pavimento, reduza a velocidade, aumente o espaçamento entre veículos e evite frenagens fortes.
Passo 7: Faça pausas estratégicasA segurança também depende do condutor. O cansaço é um dos grandes inimigos na estrada. Programe paradas a cada duas ou três horas para descansar, se hidratar e recuperar a concentração. Um motorista atento é um dos principais fatores de segurança viária.
“Segurança é o resultado direto da prevenção. Cada passo deste guia é um investimento tanto no bom desempenho do veículo como na tranquilidade de toda a família durante o trajeto”, reforça Terazaki.
Inspirada por seu legado de pioneirismo e movida pela inovação, a Dunlop destaca que o pneu vai além de um simples componente do veículo: é um elemento essencial para garantir tecnologia, confiança e responsabilidade em cada jornada.
No fim das contas, viajar com pneus em boas condições significa mais performance, economia, menos preocupações e mais liberdade para aproveitar cada momento do caminho.
The post Cuidados essenciais com os pneus ajudam a garantir viagens mais seguras nas férias appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Transferência de veículo: prazos, responsabilidades e erros que ainda causam multa
A transferência de propriedade de veículo é um dos procedimentos mais comuns — e, ao mesmo tempo, um dos que mais geram problemas para proprietários de veículos no Brasil. Multas indevidas, pontos lançados na CNH errada e até processos administrativos costumam ter origem em falhas simples na comunicação da venda ou no cumprimento de prazos legais.
Apesar da digitalização de parte dos serviços, as regras continuam exigindo atenção do cidadão.
O que diz a lei sobre a transferência de veículoO Código de Trânsito Brasileiro estabelece que, ao vender um veículo, o antigo proprietário tem o dever de comunicar a venda ao órgão executivo de trânsito. Já o comprador deve providenciar a transferência da propriedade dentro do prazo legal.
Atualmente, o prazo para o comprador realizar a transferência é de 30 dias, contados a partir da data da assinatura do comprovante de transferência. O descumprimento desse prazo gera infração, com multa e pontuação na CNH.
Já o vendedor, se não comunicar a venda, continua legalmente responsável pelas infrações cometidas com o veículo, até que a comunicação seja registrada no Detran.
Comunicação de venda: por que ela é tão importanteA comunicação de venda é o mecanismo que protege o antigo proprietário. Ao informar oficialmente que o veículo foi vendido, ele deixa de ser responsabilizado por multas, impostos e outros débitos gerados após a data da venda.
Muitos motoristas acreditam que entregar o veículo e reconhecer firma no documento é suficiente. Não é. Sem a comunicação registrada no Detran, o sistema continua associando o veículo ao antigo dono.
Hoje, em muitos Estados, é possível fazer essa comunicação de forma eletrônica, inclusive por meio de cartórios integrados aos sistemas de trânsito. Ainda assim, o acompanhamento do registro é fundamental.
Transferência digital não elimina cuidadosA digitalização trouxe avanços, como a possibilidade de assinatura eletrônica e envio de documentos pela internet. No entanto, o processo continua sujeito a validações, análise de pendências e cumprimento de prazos.
Débitos de IPVA, multas vencidas ou restrições administrativas podem impedir a conclusão da transferência, mesmo quando vendedor e comprador já realizaram suas partes.
Outro erro comum é acreditar que o simples pagamento de taxas garante a finalização do processo. A transferência só se conclui quando se emite efetivamente o novo CRV/CRLV em nome do comprador.
Multas e pontos: onde surgem os problemasQuando não se faz a transferência corretamente, surgem situações recorrentes:
- Multas lançadas na CNH do antigo proprietário;
- Pontos indevidos que podem levar à suspensão;
- Cobrança de IPVA e licenciamento de veículo já vendido;
- Dificuldade para recorrer de infrações cometidas por terceiros.
Esses problemas exigem abertura de processos administrativos e, em alguns casos, judicialização — tudo por falhas que são possíveis de evitar com atenção aos prazos.
Compra e venda entre particulares exige ainda mais cuidadoEm negociações diretas, sem intermediação de concessionárias, o risco de erro é maior. É fundamental que vendedor e comprador acompanhem juntos o andamento da transferência, e não apenas confiar na promessa de que “já se resolveu”.
Guardar comprovantes, prints de protocolos e recibos é uma prática simples que pode evitar grandes transtornos no futuro.
O que o cidadão precisa observarA transferência de veículo não é apenas uma formalidade burocrática. Ela define responsabilidades legais e impacta diretamente a vida do motorista. Cumprir prazos, comunicar a venda e acompanhar o registro são medidas básicas de autoproteção.
Em um sistema cada vez mais integrado, confiar apenas na boa-fé ou deixar o procedimento “para depois” costuma sair caro. Informação e acompanhamento continuam sendo os melhores aliados de quem compra ou vende um veículo.
The post Transferência de veículo: prazos, responsabilidades e erros que ainda causam multa appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Pontuação da CNH: erros comuns que fazem o motorista se enrolar
O sistema de pontuação da CNH foi criado como mecanismo de controle de comportamento no trânsito. No entanto, uma parcela significativa dos motoristas só passa a entender como ele funciona quando já está próxima da suspensão do direito de dirigir. Em muitos casos, isso ocorre por erros de interpretação e falta de acompanhamento.
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que os pontos “somem sozinhos” no fim do ano. Na realidade, a contagem segue o período de 12 meses, contado a partir da data da infração, e não do calendário anual.
Outro erro frequente é confundir pagamento da multa com eliminação dos pontos. Quitar a penalidade financeira não interfere no registro da pontuação, que permanece ativa até o decurso do prazo legal.
Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, explica que o problema está na falta de acompanhamento contínuo.
“O motorista costuma olhar a pontuação só quando recebe a notificação de suspensão. Quando isso acontece, muitas vezes já não há mais margem para correção”, afirma.
Também há confusão em relação às infrações autossuspensivas.Muitos condutores acreditam que apenas o acúmulo de pontos gera suspensão, quando, na verdade, algumas infrações específicas já levam diretamente ao processo, independentemente da pontuação acumulada.
Para Celso Mariano, a desinformação cria um efeito dominó. “O desconhecimento das regras leva à surpresa, a surpresa gera revolta, e a revolta afasta o motorista da compreensão do sistema”, destaca.
Precisa fazer o curso de reciclagem da CNH? Clique aqui.Outro ponto crítico é a não indicação do real condutor, que faz com que se atribua pontos a quem não estava dirigindo, gerando acúmulo indevido.
Acompanhar regularmente a situação da CNH, entender os prazos e conhecer as regras básicas do sistema de pontuação são atitudes simples que evitam processos de suspensão e transtornos administrativos.
The post Pontuação da CNH: erros comuns que fazem o motorista se enrolar appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Renovação automática da CNH entra em vigor; entenda como funcionará
O governo federal iniciou a renovação automática e gratuita da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas classificados como “bons condutores”, com base em critérios administrativos como ausência de infrações e inscrição no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). O ministro dos Transportes, Renan Filho, assinou nesta sexta-feira (9) a medida administrativa que autoriza a renovação automática da CNH.
No entanto, especialistas em medicina e psicologia do tráfego alertam que a iniciativa traz riscos relevantes à saúde pública e à segurança viária, ao dispensar exames periódicos justamente em um país onde o trânsito segue como uma das principais causas de internação e morte evitável.
Renovação sem exames: o que muda na práticaPelas novas regras, motoristas que não tenham pontos ou infrações nos últimos 12 meses e estejam cadastrados no RNPC passam a ter a CNH renovada automaticamente, de forma digital, sem comparecimento aos Detrans, sem exames presenciais e sem pagamento de taxas. A atualização ocorre diretamente no aplicativo CNH Digital, assim que o documento atinge a data de vencimento.
O governo estima que cerca de 70% dos condutores em fase de renovação se enquadram como bons condutores e que a medida pode gerar economia superior a R$ 120 milhões em custos administrativos.
Resumindo, de acordo com a medida, para ser classificado como “bom condutor”, o motorista precisa atender aos seguintes critérios:
- Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
- Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses;
- Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período.
Para o médico do tráfego Alysson Coimbra, coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos do Tráfego, o principal problema da renovação automática é confundir bom comportamento administrativo com aptidão clínica e psicológica.
Segundo ele, dados amplamente utilizados na medicina do tráfego — inclusive em estudos da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego — indicam que aproximadamente 38% dos sinistros de trânsito guardam relação direta ou indireta com condições orgânicas de saúde do condutor. Ainda assim, essas condições não aparecem em bancos de dados administrativos nem se detecta sem avaliação técnica.
“Conduta passada não garante aptidão presente. A ausência de infrações muitas vezes reflete apenas sorte estatística, e não ausência de risco”, alerta o especialista em seu artigo.
Visão, doenças silenciosas e riscos invisíveisA visão, responsável por mais de 90% das informações utilizadas na condução, é um dos pontos mais sensíveis. Doenças como catarata, glaucoma, retinopatias e degeneração macular podem evoluir de forma silenciosa, sem que o próprio motorista perceba a perda gradual de capacidade visual.
O mesmo ocorre com condições altamente prevalentes na população adulta, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, distúrbios neurológicos, apneia do sono e efeitos colaterais de medicamentos. Muitas dessas alterações não impedem, no curto prazo, um histórico positivo de condução, mas aumentam significativamente o risco de sinistros.
Conforme Coimbra, a função da avaliação médica periódica é justamente interceptar o risco antes do acidente, e não justificar decisões depois que já se perderam vidas.
Saúde mental também não é dado estatísticoOutro ponto sensível é a avaliação psicológica, frequentemente tratada como entrave burocrático. Impulsividade, agressividade, baixa tolerância à frustração, transtornos de humor, uso abusivo de substâncias e dificuldades de tomada de decisão sob estresse são fatores que a literatura científica reconhece como determinantes do comportamento de risco no trânsito.
Nenhum algoritmo, cadastro positivo ou histórico de infrações é capaz de avaliar controle emocional, julgamento de risco ou capacidade de resposta em situações críticas.
“Bom condutor não é, necessariamente, condutor apto do ponto de vista físico, mental e psicológico”, ressalta o médico.
O que diz a lei: saúde não se presumeAlém das críticas técnicas, há questionamentos jurídicos. O artigo 147 do Código de Trânsito Brasileiro é explícito ao determinar que os exames de aptidão física e mental e a avaliação psicológica são condições obrigatórias para a obtenção e renovação da CNH.
Para especialistas, suprimir esses exames por meio de ato administrativo significa transformar um tema sanitário em mera formalidade burocrática, extrapolando os limites legais e institucionais do sistema de trânsito brasileiro.
Entre desburocratizar e preservar vidasEmbora a desburocratização seja um objetivo legítimo, o alerta de médicos e psicólogos do tráfego é claro: flexibilizar barreiras sanitárias essenciais em um país onde, a cada dois minutos, uma pessoa é internada no SUS por sinistro de trânsito exige extrema cautela.
A discussão sobre a renovação automática da CNH, portanto, vai além da conveniência administrativa. Envolve saúde pública, responsabilidade institucional e o próprio princípio que orienta o Código de Trânsito Brasileiro desde sua criação: a preservação da vida.
O Portal do Trânsito acompanhará os impactos da medida e o debate técnico que ela desperta, especialmente diante de dados científicos que não se pode ignorar.
The post Renovação automática da CNH entra em vigor; entenda como funcionará appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
O impacto da IA agêntica no setor automotivo já em 2026
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a atuar de forma autônoma em diversos setores. No campo automotivo, surge com força a chamada IA agêntica — sistemas capazes de tomar decisões, aprender com o ambiente e agir de forma proativa, sem depender de comandos constantes do usuário.
Diferentemente das assistências tradicionais, a IA agêntica não apenas reage, mas antecipa cenários. Em veículos, isso significa analisar padrões de tráfego, comportamento do motorista, condições da via e contexto urbano para sugerir — ou executar — ações mais seguras e eficientes.
A partir de 2026, a expectativa é que esses sistemas estejam mais presentes em veículos conectados, frotas e serviços de mobilidade. Eles poderão ajustar rotas automaticamente, gerenciar consumo de energia, recomendar pausas ao identificar fadiga e interagir com sistemas urbanos inteligentes.
No entanto, essa evolução traz desafios importantes.Um deles é a responsabilidade. Quando um sistema toma decisões de forma autônoma, quem responde por eventuais falhas? Fabricantes, operadores ou usuários? Esse debate ainda está em construção no mundo todo.
Outro ponto sensível é a dependência tecnológica. Quanto mais o sistema decide, menor tende a ser a participação ativa do motorista. Sem educação adequada, isso pode gerar perda de habilidades e redução da atenção.
Há também questões éticas e de transparência. Sistemas agênticos precisam ser compreensíveis, auditáveis e previsíveis. Decisões automatizadas que afetam a segurança não podem ser “caixas-pretas”.
Apesar dos desafios, a IA agêntica tem potencial real para melhorar a segurança viária, reduzir congestionamentos e otimizar a mobilidade. O risco não está na tecnologia em si, mas na forma como será implementada e integrada ao comportamento humano.
O setor automotivo vive uma transição decisiva. A IA agêntica pode ser aliada poderosa, desde que venha acompanhada de regulação clara, educação e foco permanente na preservação da vida.
The post O impacto da IA agêntica no setor automotivo já em 2026 appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
IPVA pesa no bolso dos brasileiros e falta de planejamento preocupa motoristas no início do ano, aponta Serasa
O início do ano segue sendo um dos períodos mais desafiadores para o orçamento dos brasileiros, especialmente para os motoristas que não se planejam financeiramente. Um levantamento realizado pela Serasa revela que 47% dos proprietários de veículos ainda não sabem como vão pagar ou nem pensaram no pagamento do IPVA, o que aumenta o risco de atraso, endividamento ou necessidade de parcelamento.
De acordo com a pesquisa, o IPVA figura entre os gastos que mais pressionam o orçamento para se manter um veículo. 38% dos entrevistados afirmam que o imposto está entre as despesas anuais que mais pesam no bolso, superando custos como manutenção (23%) e combustível (23%). Além disso, 88% dizem sentir o acúmulo de despesas do início do ano como um fator de estresse financeiro, já que o imposto concorre com outros compromissos sazonais, como material escolar, matrículas e dívidas parceladas do fim do ano. “O IPVA é uma despesa previsível para o início do ano, mas ainda assim pega muitos motoristas de surpresa. Isso acontece porque o planejamento financeiro nem sempre é feito ao longo do ano, o que concentra o impacto no orçamento logo nos primeiros meses”, explica Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.
“Quando o consumidor não se organiza com antecedência, ele pode perder o poder de escolha e, muitas vezes, acabar recorrendo ao parcelamento por necessidade, não por estratégia”, completa.
Pensando na forma de pagamento do IPVA, a pesquisa mostra que 7 em cada 10 proprietários já decidiram: 43% afirmam que pretendem pagar o imposto parcelado, enquanto 30% dizem optar pelo pagamento à vista, principalmente motivados por desconto ou pela preferência em eliminar dívidas rapidamente. Porém, merece atenção que 27% ainda não se decidiram em relação à forma de pagamento, possível reflexo da incerteza financeira de início de ano.
O atraso no pagamento também é uma realidade: 48% dos entrevistados admitem já ter deixado o IPVA atrasar em anos anteriores, sendo que, 25% destes fizeram mais de uma vez.
“O parcelamento pode ser uma alternativa válida, desde que feito com consciência. O problema surge quando o consumidor acumula parcelas sem avaliar o impacto no orçamento mensal”, alerta Aline. “O ideal é comparar opções, entender os custos envolvidos e escolher a forma de pagamento que preserve o equilíbrio financeiro também nos próximos meses.”
Como se organizar e pagar o IPVA sem sustosA especialista ainda reúne algumas dicas para os motoristas, que podem ser adotadas ainda este ano e no planejamento futuro:
1. Inclua o IPVA no planejamento anual: mesmo sendo cobrado no início do ano, o imposto já é uma conta previsível e por isso, é possível se organizar com antecedência, reservando pequenos valores mensalmente e evitando um impacto grande no orçamento.
2. Avalie o pagamento à vista com desconto: se houver desconto e o orçamento permitir, essa opção pode gerar economia e evitar parcelas futuras. Os descontos para essa forma de pagamento podem variar entre 3% e 15%, dependendo do estado. Dessa forma, é importante avaliar a condição da unidade federativa em que o carro está licenciado.
3. Use o parcelamento com consciência: dividir o valor pode aliviar o caixa no curto prazo, mas é importante garantir que as parcelas caibam no orçamento mensal.
4. Evite atrasos: deixar o IPVA vencer pode gerar multas, juros e até impedir o licenciamento do veículo.
5. Centralize consultas e pagamentos em plataformas digitais: ferramentas online, como o aplicativo da Serasa, ajudam a acompanhar prazos, comparar opções e manter o controle financeiro. A partir do Minhas Contas, assistente de pagamentos da Serasa, é possível pagar o imposto via Pix ou cartão de crédito, além de parcelar em até 12 vezes com mais segurança e praticidade.
Parceria Zapay e SerasaCom a Serasa, em parceria com a Zapay Pagamentos é possível consultar todos os débitos do seu veículo e pagar multas, IPVA, licenciamento e taxas com a segurança do Minhas Contas. Para conferir outras dicas, acesse: Link
MetodologiaPesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 17 e 30 de dezembro de 2025, com 1.266 entrevistas online em todo o Brasil. Margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
The post IPVA pesa no bolso dos brasileiros e falta de planejamento preocupa motoristas no início do ano, aponta Serasa appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Retenção ou remoção do veículo: entenda as diferenças e por que a apreensão deixou de existir
Durante fiscalizações de trânsito, muitos condutores ainda utilizam o termo “apreensão do veículo” para se referir à situação em que o carro ou a moto é levado ao pátio. No entanto, essa penalidade não existe mais no Código de Trânsito Brasileiro — e entender essa diferença evita confusão e interpretações equivocadas sobre os direitos e deveres do condutor.
A apreensão do veículo era uma penalidade prevista originalmente no CTB, que determinava que o veículo ficasse recolhido ao pátio do órgão de trânsito por, no mínimo, 30 dias, independentemente da rapidez na regularização da irregularidade. Essa penalidade, porém, foi revogada em 2016 e não é mais aplicada no Brasil.
Desde então, o CTB passou a trabalhar com medidas administrativas, principalmente a retenção e a remoção do veículo, que têm natureza e efeitos distintos.
O que é retenção do veículoA retenção ocorre quando a irregularidade constatada pode ser sanada no local da fiscalização. Nesses casos, o agente impede temporariamente a circulação do veículo até que o problema seja resolvido.
Exemplos comuns de retenção incluem:
- Falta de equipamento obrigatório que é possível providenciar rapidamente;
- Documento não apresentado no momento da abordagem, mas passível de comprovação imediata;
- Pequenas irregularidades que não exigem deslocamento do veículo.
Uma vez resolvida a situação, libera-se o veículo no próprio local, sem necessidade de remoção ao pátio.
O que é remoção do veículoA remoção do veículo é a medida administrativa aplicada quando a irregularidade não pode ser resolvida no local da infração ou quando não há condições legais ou práticas de liberar o veículo para regularização posterior.
Também ocorre remoção nos casos de estacionamento irregular, especialmente quando não há a presença do condutor, impossibilitando a correção imediata da situação.
Entre as situações mais comuns que levam à remoção estão, por exemplo:
- Veículo não licenciado;
- Condução por motorista sem CNH válida, sem outro condutor habilitado no local;
- Estacionamento em local proibido, como vagas de emergência, calçadas ou esquinas;
- Irregularidades que exigem providências administrativas fora do local da abordagem.
Nesses casos, leva-se o veículo ao pátio credenciado e só se libera após a regularização da situação, pagamento de taxas e, quando houver, das multas aplicadas.
Diferença essencial em relação à antiga apreensãoAo contrário da antiga penalidade de apreensão, a remoção não impõe prazo mínimo de permanência no pátio. Isso significa que, assim que se sanar a irregularidade, o proprietário pode solicitar a liberação do veículo.
Ou seja, o veículo não fica retido como forma de punição pelo tempo, mas apenas enquanto a situação irregular persistir.
Por que ainda existe confusão com o termo “apreensão”Apesar da revogação legal, ainda se usa amplamente o termo “apreensão” no senso comum, em manchetes e até em conversas informais. No entanto, essa imprecisão contribui para a ideia equivocada de que o veículo ficará obrigatoriamente “preso” por um período fixo — o que não corresponde mais à legislação vigente.
No contexto atual, é possível sim levar o veículo ao pátio, mas isso ocorre por remoção administrativa, e não por apreensão como penalidade.
O que o motorista precisa saberEntender essa diferença é fundamental para:
- saber quais providências tomar após uma fiscalização;
- evitar interpretações erradas sobre prazos e custos;
- identificar corretamente se a medida aplicada está prevista em lei.
Hoje, o CTB não prevê mais a apreensão do veículo como penalidade. Ou seja, o que existe são medidas administrativas proporcionais à irregularidade, cujo objetivo é retirar de circulação veículos em situação irregular, e não punir pelo simples decurso do tempo.
Informação correta é a melhor forma de reduzir transtornos assim como lidar com a fiscalização de forma consciente e segura.
The post Retenção ou remoção do veículo: entenda as diferenças e por que a apreensão deixou de existir appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Comissão aprova parcelamento de multas de motoristas com deficiência
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 451/24, que permite o parcelamento de multas de trânsito para motoristas com deficiência e para motoristas responsáveis por pessoa com deficiência. A proposta, do deputado Duda Ramos (MDB-RR), altera o Código de Trânsito Brasileiro.
No caso de veículo registrado em outro estado, o parcelamento só será possível se houver convênio entre os órgãos de trânsito do local onde o carro foi registrado e do local onde houve a infração.
A relatora na comissão, deputada Dayany Bittencourt (União-CE), recomendou a aprovação da proposta e de alterações feitas anteriormente na Comissão de Viação e Transportes. O projeto também já foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
“Ao permitir uma forma de pagamento menos onerosa, a proposta mantém a obrigatoriedade de quitação das penalidades, sem comprometer de maneira desproporcional o orçamento do motorista com deficiência.”
A relatora acredita ainda que a medida poderá reduzir a inadimplência junto aos órgãos de trânsito.
AlteraçãoDe acordo com Dayany Bittencourt, ela alterou o projeto para substituir a expressão “sem acréscimo monetário de qualquer natureza” pela formulação “com condições favorecidas”. O objetivo foi buscar um equilíbrio normativo entre o benefício do parcelamento proposto e a necessária prudência fiscal. “A alteração não esvazia o propósito social do dispositivo, mas o reconduz a uma esfera de viabilidade prática”, explicou a relatora.
“A nova redação mantém a obrigatoriedade do parcelamento especial, assegurando tratamento diferenciado e benéfico em relação às regras gerais.”
Próximos passosO projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Ou seja, para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
As informações são da Agência Câmara de Notícias
The post Comissão aprova parcelamento de multas de motoristas com deficiência appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Como pequenas empresas podem competir com gigantes do mercado
Concorrer com gigantes do mercado pode parecer uma missão impossível para pequenas empresas, mas estratégias inteligentes podem transformar desvantagens em oportunidades. Empresas menores têm a vantagem de flexibilidade, proximidade com clientes e capacidade de inovar rapidamente. Assim como em plataformas digitais seguras e estratégicas, como neteller casino, onde eficiência e planejamento são essenciais, pequenas empresas também podem aplicar princípios similares para ganhar espaço. A chave está em entender o mercado, conhecer profundamente o público-alvo e explorar nichos específicos que muitas vezes passam despercebidos por grandes players. Além disso, investir em atendimento personalizado, experiência do cliente e diferenciação de produtos permite criar lealdade e reputação positiva, tornando a empresa competitiva mesmo sem recursos ilimitados.
O primeiro passo para competir com grandes empresas é conhecer profundamente o mercado. Pequenos negócios devem analisar concorrentes, entender tendências de consumo e identificar lacunas que não estão sendo atendidas. Ao focar em nichos específicos, é possível oferecer soluções diferenciadas e personalizadas, criando valor que os gigantes não conseguem replicar rapidamente. Pesquisa de mercado, feedback de clientes e monitoramento de tendências permitem que a empresa se posicione de forma estratégica e aproveite oportunidades antes que grandes players percebam.
Uma das maiores vantagens das pequenas empresas é a proximidade com o cliente. Atendimento personalizado, compreensão das necessidades individuais e flexibilidade para ajustar produtos e serviços tornam o negócio mais atrativo. Enquanto grandes empresas muitas vezes operam com processos padronizados e impessoais, pequenos negócios podem oferecer experiências únicas, criando fidelização e boca a boca positivo. Entender o perfil do cliente e antecipar suas necessidades ajuda a construir relacionamento sólido, tornando o negócio resiliente frente à concorrência de gigantes.
Diferenciar-se no mercado é fundamental. Pequenas empresas podem apostar em inovação, seja em design, serviço, tecnologia ou abordagem de marketing. A criatividade permite criar produtos exclusivos, campanhas impactantes e serviços que atendam necessidades específicas do público-alvo. Além disso, inovar em processos internos, atendimento e comunicação fortalece a marca e torna o negócio mais ágil diante de mudanças do mercado. A diferenciação não precisa ser tecnológica; pode estar na experiência, na narrativa da marca ou no atendimento personalizado, tornando a empresa memorável e competitiva.
A tecnologia é uma aliada poderosa para pequenos negócios. Ferramentas de gestão, marketing digital, e-commerce e análise de dados permitem otimizar processos e alcançar clientes de forma mais eficiente. Plataformas de pagamento seguras, aplicativos de automação e redes sociais ampliam o alcance sem necessidade de grandes investimentos. O uso estratégico da tecnologia nivela o campo de competição, permitindo que pequenas empresas rivalizem com grandes players em termos de presença digital, eficiência operacional e engajamento do cliente.
A presença online é crucial para competir com gigantes. Investir em redes sociais, SEO, e-mail marketing e publicidade segmentada permite atingir o público certo com custo controlado. Pequenas empresas podem se destacar ao criar conteúdo relevante, interagir de forma autêntica e utilizar storytelling para construir identidade de marca. A comunicação digital estratégica ajuda a aumentar visibilidade, gerar confiança e fidelizar clientes, superando limitações de orçamento e ampliando oportunidades de crescimento mesmo em mercados saturados.
Parcerias estratégicas
Colaborações e parcerias permitem que pequenas empresas ganhem força. Associar-se a fornecedores, startups, influenciadores ou outras empresas complementares cria sinergia, amplia alcance e reduz custos. Parcerias estratégicas possibilitam acessar novos mercados, compartilhar recursos e desenvolver projetos inovadores, fortalecendo competitividade. Trabalhar de forma colaborativa ajuda a enfrentar desafios maiores e a oferecer produtos e serviços mais completos, sem depender exclusivamente da capacidade interna limitada do negócio.
Para competir com gigantes, a gestão de recursos deve ser inteligente e eficiente. Controle de custos, priorização de investimentos estratégicos e otimização de processos internos garantem sustentabilidade financeira. Pequenos negócios que conseguem equilibrar receita, despesas e reinvestimento estão mais preparados para inovar e se adaptar a mudanças de mercado. Uma gestão eficaz permite focar em ações que geram maior impacto, evitando desperdícios e maximizando o retorno sobre cada recurso disponível.
A velocidade de adaptação é uma vantagem competitiva importante. Pequenas empresas podem implementar mudanças rapidamente, responder a feedbacks de clientes e ajustar estratégias em tempo real. Agilidade permite testar novas ideias, corrigir rotas e aproveitar tendências emergentes antes que os grandes concorrentes percebam. Estar atento ao mercado e manter flexibilidade operacional torna o negócio resiliente, inovador e capaz de competir em condições adversas.
Competir com grandes empresas não é impossível para pequenos negócios. Com foco no cliente, diferenciação, inovação e uso estratégico de tecnologia, é possível criar valor único e conquistar mercado mesmo diante de concorrentes poderosos. Gestão eficiente, marketing digital, parcerias e agilidade operacional fortalecem a posição da empresa, permitindo crescer e se destacar. Pequenas empresas que combinam criatividade, planejamento e execução estratégica conseguem transformar desafios em oportunidades, mostrando que tamanho não é sinônimo de vantagem absoluta. Com visão clara e ações consistentes, é possível competir, inovar e vencer em qualquer mercado.
The post Como pequenas empresas podem competir com gigantes do mercado appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Dirigir cansado: por que o corpo trai o motorista antes do sono chegar
Dirigir cansado é uma das situações mais subestimadas no trânsito. Muitos motoristas associam risco apenas ao sono profundo, quando a pessoa chega a cochilar ao volante. O problema é que o corpo começa a falhar muito antes disso, comprometendo atenção, reflexos e capacidade de decisão, mesmo quando o motorista acredita estar “acordado”.
A fadiga afeta o cérebro de forma silenciosa. A redução da atenção sustentada faz com que o motorista passe mais tempo olhando para a via sem, de fato, processar informações importantes. Placas, pedestres, mudanças de sinalização e movimentos de outros veículos deixam de ser percebidos com a mesma clareza.
Outro efeito comum do cansaço é o aumento do tempo de reação. Em situações inesperadas — como uma frenagem brusca à frente ou um pedestre atravessando —, frações de segundo fazem diferença. Quando o corpo está cansado, esse tempo se alonga, elevando o risco de colisões e atropelamentos.
Há também impacto direto no controle emocional. Motoristas fatigados tendem a ficar mais irritados, impacientes e impulsivos. Pequenos atrasos no trânsito geram reações exageradas, como acelerações desnecessárias, ultrapassagens arriscadas e uso indevido da buzina.
O cansaço não está ligado apenas a longas viagens.Jornadas extensas de trabalho, noites mal dormidas, estresse acumulado e até alimentação inadequada contribuem para um estado de fadiga que acompanha o motorista no dia a dia urbano. Em muitos casos, o trajeto até casa após um dia exaustivo é tão arriscado quanto uma viagem longa pela estrada.
Sinais físicos costumam aparecer antes do sono: olhos pesados, dificuldade de manter a cabeça ereta, bocejos frequentes, sensação de “mente vazia” e lapsos de memória recente — como não lembrar dos últimos quilômetros percorridos. Ignorar esses sinais é um erro comum.
Alguns motoristas tentam compensar o cansaço com música alta, janelas abertas ou café. Essas estratégias podem até gerar estímulo momentâneo, mas não substituem o descanso. O efeito é temporário e pode dar falsa sensação de segurança.
A única forma realmente eficaz de lidar com a fadiga é interromper a condução e descansar. Em viagens, pausas regulares são fundamentais. No cotidiano urbano, reconhecer que não se está em condições ideais para dirigir e buscar alternativas — como transporte por aplicativo ou carona — pode evitar acidentes.
Dirigir exige atenção plena. Quando o corpo começa a falhar, a condução deixa de ser uma tarefa automática e passa a envolver riscos silenciosos. Entender que o cansaço compromete a segurança antes mesmo do sono chegar é um passo importante para escolhas mais responsáveis no trânsito.
The post Dirigir cansado: por que o corpo trai o motorista antes do sono chegar appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Renovação automática da CNH: um improviso normativo dentro de uma agenda apressada e insuficiente tecnicamente
Alysson Coimbra*
A renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode parecer, à primeira vista, um avanço administrativo. Menos filas, menos burocracia, mais rapidez, mas quando se analisa o impacto real dessa medida sobre a saúde dos condutores e a segurança coletiva, o que se revela é um risco grave, silencioso e potencialmente irreversível.
Em 2024, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito, alcançando o maior número de óbitos dos últimos sete anos, com crescimento expressivo em relação ao período anterior. O país retornou a patamares de mortalidade considerados críticos, evidenciando que o problema não está controlado, mas em franca escalada.
Esse conjunto de decisões levanta uma reflexão inevitável: estamos diante de uma agenda técnica comprometida com a preservação de vidas ou de uma agenda política orientada por conveniência e marketing institucional? O Brasil é signatário do compromisso global da ONU de reduzir em 50% as mortes no trânsito até 2030. No entanto, ao enfraquecer instrumentos historicamente responsáveis pela prevenção, o país se afasta desse objetivo e caminha na direção oposta ao que foi pactuado internacionalmente.
A CNH não é um documento meramente burocrático, mas uma concessão estatal do direito de conduzir veículos em um espaço compartilhado, onde decisões individuais têm impacto direto sobre a vida de terceiros. Por isso, nunca foi e não pode ser tratada como um simples ato automático para emissão de um “pedaço de papel”, como dito por uma importante figura desse processo governamental.
O papel central do ato pericial médico e psicológicoO ato pericial médico e psicológico sempre foi o principal filtro de proteção do sistema de trânsito. Ele não existe para excluir, mas para avaliar, orientar, restringir quando necessário e proteger.
É nesse momento que se realizam:
- diagnósticos precoces de doenças que afetam atenção, cognição e reflexos;
- identificação de perdas visuais progressivas;
- avaliação de doenças crônicas e degenerativas;
- definição de restrições técnicas e categorias permitidas;
- redução do prazo de validade da CNH quando indicado;
- declaração de inaptidão temporária ou definitiva, quando a segurança assim exige.
Dispensar esse ato preliminar significa permitir que o Estado renove automaticamente habilitações sem saber se o condutor ainda reúne as condições mínimas de saúde para dirigir.
Inclusão automática de condutores fora dos critérios mínimosA renovação automática cria um efeito perigoso: a inclusão automática de motoristas em desacordo com exigências básicas de saúde, sem qualquer triagem.
Condições como amputações, doenças neurológicas progressivas, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, glaucoma, ceratocone, entre outras, não impedem automaticamente o direito de dirigir. Mas exigem avaliação especializada, adaptações, restrições de categoria ou redução do prazo de validade.
Ao eliminar o ato pericial preliminar, o sistema passa a permitir que pessoas com essas condições continuem conduzindo veículos, inclusive em categorias de maior risco, sem qualquer reavaliação formal. O resultado é previsível: aumento do risco de acidentes, agravamento das consequências e sobrecarga do sistema de saúde.
A fragilidade jurídica da renovação automáticaA Medida Provisória nº 1.327/2025 possui eficácia imediata, mas natureza provisória. Ela pode ser alterada, rejeitada ou caducar em até 120 dias. Ainda assim, seus efeitos práticos, se implementados de forma irrestrita, produzem consequências permanentes.
Caso a MP venha a perder validade, milhares de CNHs terão sido renovadas sem a realização do ato pericial médico e psicológico exigido pelo artigo 147 do Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece expressamente esses exames como preliminares e indispensáveis à habilitação e à renovação.
Isso gera um problema grave: não se pode produzir um dano irreversível à segurança viária durante a vigência de uma norma provisória. A administração pública não pode consolidar situações potencialmente ilegais e perigosas para depois alegar que a norma “não prosperou”.
Risco sanitário, risco viário e violação da legalidadeA renovação automática da CNH, ao dispensar o ato pericial preliminar, cria simultaneamente:
- risco sanitário, ao permitir a condução sem avaliação de saúde atual;
- risco viário, ao aumentar a probabilidade de sinistros evitáveis;
- violação da legalidade, ao contrariar a ordem expressa do CTB;
- insegurança jurídica, ao gerar efeitos definitivos sob norma temporária.
Não se trata de discutir a constitucionalidade da Medida Provisória neste momento. A discussão é mais técnica, mais prudente e mais responsável: não se pode aplicar imediatamente uma política que compromete vidas enquanto o próprio Congresso ainda delibera sobre sua validade.
Além do mais muitos condutores permanecem meses ou até anos sem dirigir por motivos de saúde, tratamento médico, adoecimento físico ou mental. Durante esse período, naturalmente, não cometem infrações de trânsito. A ausência de multas, nesse caso, não reflete aptidão, mas sim impedimento fático de condução. Tomar esse dado como indicativo de capacidade é uma distorção da realidade.
A utilização desse critério de histórico de infração não traduz, necessariamente, a condição real do condutor. O sistema permite a indicação de outro motorista, o que torna esse dado administrativo insuficiente para qualquer definição de aptidão para dirigir, aspectos que só podem ser analisados por meio do ato pericial médico e psicológico.
Qualquer política pública que dispense avaliação técnica prévia com base em indicadores frágeis viola os princípios da precaução, da razoabilidade e da proteção à vida.
Não há precedentes relevantes de países que adotem renovação totalmente automática da habilitação, sem qualquer forma de avaliação periódica da saúde. Sistemas maduros de trânsito não presumem aptidão indefinidamente. Ao contrário, utilizam exames médicos, declarações de saúde com responsabilidade legal ou prazos de validade progressivamente menores, justamente para proteger a coletividade. Presumir capacidade permanente para dirigir não é prática internacionalmente aceita.
A necessidade de suspensão cautelar e prudencialDiante desse cenário, a medida mais sensata é a suspensão dos efeitos práticos da renovação automática pelo mesmo prazo de vigência da MP, permitindo que:
- o Congresso Nacional conclua sua análise;
- os impactos sejam avaliados tecnicamente;
- preserve-se o sistema de trânsito;
- o ato pericial médico e psicológico mantenha sua função protetiva.
Essa medida garante proteção judicial imediata contra atos que coloquem em risco a integridade física coletiva, pela omissão normativa ou pela produção de efeitos normativos danosos de medida que carece de apreciação e ratificação pelo Congresso Nacional para ratificar sua validade.
Reduzir mortes no trânsito exige coerência, responsabilidade e decisões baseadas em evidência. Qualquer política que ignore esse princípio precisa ser debatida, revista e corrigida, porque, no trânsito, o erro gera um custo social, financeiro e humano incalculável.
*Alysson Coimbra é Coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos do Tráfego e Membro do Movimento Não Foi Acidente – @alyssondotransito
The post Renovação automática da CNH: um improviso normativo dentro de uma agenda apressada e insuficiente tecnicamente appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Enquanto 18 pessoas morrem por dia nas rodovias, o Brasil afrouxa as regras da CNH
O balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre a operação de fim de ano nas rodovias federais brasileiras expõe um cenário que vai muito além dos números frios da estatística. Entre 23 de dezembro e 4 de janeiro, foram registrados 2.348 acidentes, com 2.662 pessoas feridas e 220 mortes. Na prática, isso significa uma média de 18 vidas perdidas por dia em sinistros que, segundo especialistas, seria possível de evitar.
O período, tradicionalmente marcado por maior fluxo de veículos, revelou mais uma vez um padrão conhecido — e preocupante — nas estradas brasileiras: a imprudência como fator central da violência no trânsito. Durante a operação, a PRF aplicou 27.579 multas por excesso de velocidade e lavrou 1.969 autuações por dirigir sob efeito de álcool. Os dados reforçam que o desrespeito às normas de circulação e conduta continua sendo um dos principais motores das tragédias viárias no país.
Para especialistas em segurança viária, o que mais chama atenção não é apenas o volume de ocorrências, mas a combinação perigosa entre comportamento de risco e um contexto regulatório que caminha no sentido oposto da prevenção. Em um momento em que os números indicam falhas graves na condução, o Brasil discute — e já implementa — mudanças que flexibilizam etapas essenciais do processo de habilitação e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
“A ciência mostra que cerca de 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados ao comportamento humano”, afirma Adalgisa Lopes, psicóloga especialista em trânsito e presidente da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (ACTRANS-MG). Para ela, os dados da PRF deveriam servir como alerta máximo.
“Isso é perigoso porque, em vez de focarmos em regras mais seguras e no comportamento dos motoristas, estamos afrouxando as exigências para a CNH. Esse movimento cria um precedente alarmante, que tende a se traduzir no aumento de acidentes e mortes”, adverte.
Minas Gerais no topo dos rankings negativosO retrato da imprudência ganha contornos ainda mais claros quando se analisa os dados por estado. Minas Gerais liderou os rankings negativos durante o período. Apenas entre os dias 30 de dezembro e 4 de janeiro, houve o registro de 193 acidentes nas rodovias federais que cortam o estado — número significativamente superior ao de Santa Catarina (134) e Paraná (107). Minas também foi campeã em flagrantes de excesso de velocidade, com 4.105 autuações.
O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas por evidenciar um problema estrutural: velocidade incompatível com a via e com as condições do tráfego segue sendo tratada por muitos condutores como algo secundário. Em feriados prolongados, esse comportamento se intensifica, ampliando o risco de colisões graves e fatais.
A falsa economia que custa vidasDiante desse cenário, cresce a preocupação de especialistas com as recentes propostas e medidas que flexibilizam critérios para obtenção e renovação da CNH, especialmente no que diz respeito às avaliações médicas e psicológicas. Vendidas sob o discurso da “desburocratização” e da redução de custos, essas mudanças são vistas, por quem estuda o tema, como uma economia perigosa — e potencialmente letal. “O que se economiza na avaliação se transfere diretamente para os custos da saúde pública e da previdência social”, alerta Adalgisa Lopes.
“Quando um condutor sofre um acidente grave, ele deixa de ser um provedor e passa a representar um custo altíssimo para o Estado, sem falar no impacto social e emocional para a família. É uma conta que não fecha.”
Na mesma linha, de acordo com a psicóloga especialista em trânsito Giovanna Varoni, grande parte dos acidentes graves está ligada a falhas humanas, como reação tardia ou ausência de reação diante de situações críticas. “Não é possível reduzir essas falhas à simples desatenção. Elas envolvem aspectos como atenção, percepção e velocidade de processamento de informações, frequentemente afetadas por estresse, fadiga ou condições de saúde não diagnosticadas”, explica.
Conforme ela, ao fragilizar os exames, o sistema permite que condutores com capacidade de reação comprometida permaneçam ao volante. “Isso coloca em risco não apenas o motorista, mas todos os usuários da via”, completa.
Avaliação como ferramenta de prevençãoPara os especialistas, não se deve encarar a avaliação médica e psicológica como obstáculo burocrático, mas como ferramenta fundamental de prevenção. Esses exames são capazes de identificar desde doenças crônicas, como, por exemplo, diabetes e hipertensão, até traços comportamentais associados ao risco, como impulsividade, agressividade e baixa tolerância à frustração — fatores diretamente relacionados a condutas perigosas no trânsito. “É preciso tratar a segurança viária, antes de tudo, como uma questão de saúde pública e de comportamento humano”, reforça Giovanna Varoni.
“Ignorar isso é fechar os olhos para evidências consolidadas e assumir, conscientemente, o risco de mais mortes.”
Os números divulgados pela PRF neste início de ano funcionam como um alerta incômodo, mas necessário. A imprudência já mata centenas de pessoas em poucos dias. Diante de um cenário assim, a pergunta que se impõe é inevitável: quantas vidas mais serão perdidas se a flexibilização das regras da CNH avançar sem o devido cuidado, sem base técnica sólida e sem compromisso real com a preservação da vida no trânsito?
The post Enquanto 18 pessoas morrem por dia nas rodovias, o Brasil afrouxa as regras da CNH appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Brasileiros gastam, em média, entre R$2,5 e R$ 5 mil por ano com manutenção veicular, revela pesquisa
Realizar a revisão periódica dos carros é mais do que uma recomendação, é uma medida essencial de segurança. Fabricantes e especialistas orientam que a manutenção seja feita a cada 10 mil quilômetros rodados ou a cada seis meses, além da checagem em momentos em que o veículo apresente qualquer comportamento atípico ou suspeito.
Uma pesquisa apurada pela Webmotors, maior plataforma de compra e venda de veículos do Brasil, mostra que os brasileiros mantêm uma rotina consistente de cuidados com seus veículos, seguindo ou até superando as recomendações: 30% realizam revisão pelo menos duas vezes ao ano, enquanto 26% fazem uma inspeção anual e 17% examinam o carro a cada quatro meses.
ResultadosA frequência indica uma boa prática de manutenção dos motoristas do país, uma vez que 30% dos respondentes do estudo investem, em média, de R$2,5 a R$5 mil por ano com manutenção. Outros 18% gastam entre R$1,5 e R$2,5 mil, enquanto 17% aplicam mais de R$5 mil.
Mesmo com a manutenção em dia, imprevistos podem acontecer. Segundo a pesquisa, é justamente quando surge um barulho ou comportamento suspeito que 54% dos motoristas decidem levar o carro para revisão. Outros motivadores incluem a proximidade de uma viagem (52%) e a necessidade de trocas específicas, como pneu, bateria ou óleo (47%).
Mariana Perez, CPO da Webmotors, destaca a importância da rotina de revisão de um veículo: “A manutenção preventiva é sempre mais econômica do que esperar um problema aparecer. Componentes como pneus, freios e sistema de arrefecimento sofrem desgaste natural e, quando revisados no tempo certo, garantem segurança e evitam reparos de alto custo. Planejar as revisões e acompanhar o manual do veículo faz toda a diferença na experiência de uso”.
Metodologia- Público: foram entrevistados 500 brasileiros de todos os estados do país. Dessa forma, incluindo mulheres e homens, com idade a partir dos 18 anos e de todas as classes sociais.
- Coleta: os dados do estudo foram levantados via plataforma de pesquisas online.
- Data de coleta: realizada no dia 27 de novembro de 2025.
The post Brasileiros gastam, em média, entre R$2,5 e R$ 5 mil por ano com manutenção veicular, revela pesquisa appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Física das colisões reforça importância do uso do cinto de segurança em viagens de fim de ano, alerta a FEI
Com o aumento das viagens de fim de ano e o consequente maior fluxo nas rodovias brasileiras, o Centro Universitário FEI, referência em engenharias há quase 85 anos, alerta para a importância de práticas que elevem a segurança no trânsito, especialmente o uso correto do cinto de segurança por todos os ocupantes do veículo. Entender como princípios básicos da física das colisões atuam durante o impacto ajuda a explicar por que a ausência do cinto faz com que passageiros e objetos soltos se tornem riscos letais. A professora Marcilei Guazzelli, de Física da FEI, ressalta que, mesmo em velocidades aparentemente baixas, a energia envolvida em uma batida pode causar lesões graves quando o corpo não é contido adequadamente.
No Brasil, apesar da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, os números mostram uma adoção ainda incompleta entre passageiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019, divulgados pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, indicam que 79,7% dos adultos relataram usar sempre cinto no banco dianteiro, enquanto apenas 54,6% afirmaram o mesmo quando ocupavam o banco traseiro, um indicativo de vulnerabilidade entre ocupantes de trás mesmo em veículos em movimento nas estradas brasileiras.
Do ponto de vista físico, a explicação é direta.“Em uma colisão, o veículo sofre uma desaceleração muito rápida, mas o corpo tende a manter o movimento que tinha antes do impacto, conforme a Primeira Lei de Newton. Sem o cinto, o passageiro continua se movendo e é projetado contra o interior do carro ou contra outras pessoas”, explica a professora Marcilei Guazzelli.
Segundo ela, o cinto atua sobre princípios como inércia, quantidade de movimento e tempo de desaceleração, reduzindo a força média exercida sobre o corpo durante a batida.
A especialista destaca que o risco não se limita ao banco dianteiro. Um passageiro sem cinto no banco traseiro pode se transformar em um projétil durante a colisão, atingindo os ocupantes da frente com grande energia. Isso coloca todos em risco, mesmo quem está usando o cinto corretamente. O mesmo raciocínio vale para objetos soltos dentro do carro, que, em uma freada brusca ou impacto, seguem em movimento por inércia e podem causar ferimentos graves.
Outro ponto crítico é a velocidade.Pequenos aumentos podem ter consequências desproporcionais. De acordo com a professora, ao passar de 60 km/h para 80 km/h, a velocidade cresce cerca de 33%. No entanto, a energia cinética envolvida no impacto aumenta quase 80%. “É preciso dissipar toda essa energia durante a colisão, o que resulta em forças muito maiores atuando sobre o corpo”, explica. Por isso, não existe uma velocidade mínima considerada totalmente segura: mesmo impactos a 20 ou 30 km/h podem provocar lesões graves, dependendo da desaceleração envolvida.
Além do uso do cinto, alguns cuidados simples, baseados em princípios físicos, ajudam a tornar as viagens de fim de ano mais seguras:- manter distância do veículo à frente para evitar frenagens bruscas;
- reduzir a velocidade em curvas, minimizando os efeitos da inércia;
- fazer pausas regulares para combater a fadiga e melhorar o tempo de reação;
- transportar bagagens no porta-malas e bem fixadas, evitando objetos soltos na cabine;
- verificar o ajuste correto do cinto, sem folgas e sem uso sobre bolsas, mochilas ou casacos grossos.
Para a professora Marcilei Guazzelli, entender a física por trás das colisões ajuda a desmistificar falsas sensações de segurança. A física já mostrou que segurar firme, estar no banco traseiro ou dirigir em baixa velocidade não elimina riscos. O que realmente faz diferença é reduzir a intensidade das forças envolvidas e o cinto de segurança é o principal aliado para isso.
The post Física das colisões reforça importância do uso do cinto de segurança em viagens de fim de ano, alerta a FEI appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
O radar pode multar por falta de cinto de segurança?
O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes do veículo e um dos maiores responsáveis por salvar vidas no trânsito. Apesar disso, ainda há muitos motoristas e passageiros que resistem a usá-lo, especialmente no banco traseiro. Surge então uma dúvida recorrente: o radar consegue multar quem não está usando o cinto de segurança?
A resposta não é tão simples, e envolve entender como funcionam os diferentes tipos de radares e quais infrações podem ou não ser detectadas por esses equipamentos.
O que diz a lei sobre o uso do cintoO artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que o uso do cinto de segurança é obrigatório para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em casos específicos previstos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
O não uso do cinto é considerado infração grave, prevista no artigo 167 do CTB, sujeita a multa de R$ 195,23, além da soma de 5 pontos na CNH do condutor.
Ou seja, independentemente do tipo de via ou situação, o cinto é obrigatório e a responsabilidade pelo uso é do motorista, que deve garantir que todos os ocupantes estejam devidamente presos.
O radar flagra falta de cinto?Aqui está o ponto central: os radares de velocidade não têm, por si só, a função de identificar a falta do cinto de segurança. Eles são programados para verificar excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestre, entre outras infrações relacionadas à circulação.
No entanto, em alguns locais do Brasil, os radares foram integrados a câmeras de monitoramento com inteligência artificial, capazes de identificar automaticamente condutas como:
- motorista falando ao celular;
- transporte de crianças sem cadeirinha;
- falta do uso do cinto de segurança.
Isso significa que a tecnologia já permite a autuação por imagem, mas não é o radar em si que faz essa fiscalização: são as câmeras associadas ao sistema de monitoramento.
Veja também Fiscalização e Legislação Não usar o cinto de segurança no banco de trás aumenta em até cinco vezes o risco de morte do ocupante do banco da frente Segurança Falta do cinto de segurança ainda é realidade alarmante nas rodovias Fiscalização e Legislação Multas por câmeras de videomonitoramento: o que pode (e o que não pode) ser fiscalizado? Fiscalização por imagemA Resolução 909/2022 do Contran autoriza a autuação de diversas infrações com base em sistemas de videomonitoramento. Nesse caso, a autoridade de trânsito pode multar a falta do cinto se houver imagem clara e inequívoca que comprove a infração.
Portanto, se você passar por um ponto há câmeras de monitoramento com essa tecnologia, pode sim receber uma multa caso esteja sem cinto.
Por que a fiscalização é necessáriaApesar de ser um item básico de segurança, o uso do cinto ainda não é universalizado no Brasil. Pesquisas recentes mostram que:
- Muitos passageiros do banco traseiro deixam de usar o cinto em trajetos curtos;
- Há motoristas que afivelam apenas o cinto do banco dianteiro para evitar a multa, sem realmente utilizá-lo de forma correta;
- O risco de morte em um acidente aumenta em até 50% para quem não utiliza o cinto.
Diante disso, o uso da tecnologia para flagrar esse tipo de infração é visto como um recurso educativo e preventivo, e não apenas punitivo.
Segurança é fundamentalO radar de velocidade isoladamente não multa por falta de cinto, mas os sistemas de fiscalização por imagem, muitas vezes associados a radares, podem sim identificar e autuar essa infração.
O essencial, no entanto, vai além da multa: usar o cinto de segurança é um ato de proteção pessoal e coletiva, que pode ser a diferença entre a vida e a morte em caso de acidente.
The post O radar pode multar por falta de cinto de segurança? appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Projeto endurece punições para mortes no trânsito causadas por embriaguez ou racha
Uma proposta em tramitação no Congresso Nacional pretende tornar mais rigorosa a responsabilização penal de motoristas que provocam mortes no trânsito sob efeito de álcool ou durante a prática de racha. Emenda apresentada pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao Projeto de Lei nº 5.490/2023 prevê o fim da possibilidade de fiança para esses crimes quando houver prisão em flagrante.
O PL 5.490/2023 altera o Código de Processo Penal e, originalmente, tratava da proibição de fiança para crimes relacionados à pedofilia. Com a emenda de Contarato, a vedação passa a alcançar também os casos de homicídio no trânsito causados por motorista embriagado ou em corrida ilegal. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
Fim da fiança em homicídios no trânsitoDe acordo com o texto aprovado na CCJ, o motorista que causar a morte de outra pessoa no trânsito, estando embriagado ou participando de racha, não poderá pagar fiança se for preso em flagrante. Na prática, o crime passa a ser considerado inafiançável, mantendo o condutor detido até decisão judicial posterior.
Ex-delegado de polícia, Fabiano Contarato citou sua experiência à frente da Delegacia de Delitos de Trânsito do Espírito Santo para justificar a necessidade da mudança. Conforme ele, a legislação atual ainda transmite à sociedade uma sensação de impunidade diante de crimes graves no trânsito.
“Eu fui delegado nessa área, apurando, lidando com as dores das famílias que perdem seus filhos, muitas vezes, por motorista em estado de embriaguez, quer seja pelo álcool ou qualquer substância de efeito análogo. Quantas vezes eu atendi uma mãe, que me falava: ‘mas o motorista foi condenado e não vai ficar nem um dia preso? A polícia devolveu a carteira de habilitação? O delegado fixou R$ 1 mil de fiança? A vida da minha filha vale R$ 1 mil?’ Eu ouvia isso diuturnamente”, relatou o senador.
Avanço na legislação de trânsitoContarato também lembrou que foi o autor da lei que acabou com a substituição da pena nos casos em que o motorista, embriagado, provoca a morte de outra pessoa. Agora, segundo ele, o avanço ocorre ao retirar a possibilidade de liberdade imediata mediante pagamento de fiança.
“O crime passa a ser inafiançável. O motorista permanece preso até que haja o proferimento de uma eventual sentença condenatória e, condenado, cumpre a pena no presídio adequado. Esse é um grande avanço na legislação de trânsito porque o Brasil é um dos países que mais mata dentro do sistema viário”, afirmou.
Impacto na segurança viáriaA proposta reforça uma tendência de endurecimento das normas relacionadas à violência no trânsito, especialmente nos casos associados ao consumo de álcool e à prática de rachas — condutas historicamente associadas a sinistros graves e fatais.
Especialistas em segurança viária avaliam que medidas como essa têm potencial de fortalecer o caráter preventivo da legislação, ao sinalizar que crimes de trânsito com resultado morte devem receber tratamento penal compatível com sua gravidade.
Se aprovada também na Câmara dos Deputados, a mudança representará mais um ajuste relevante no arcabouço legal brasileiro voltado à responsabilização de condutores e à proteção da vida no trânsito.
The post Projeto endurece punições para mortes no trânsito causadas por embriaguez ou racha appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Mudanças na CNH ameaçam a segurança viária e podem custar milhões ao país
As recentes alterações na legislação de trânsito, propostas sob o argumento de “desburocratização” e “acessibilidade”, estão sendo alvo de críticas por parte de especialistas em segurança viária e psicologia do trânsito. Para os especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), a flexibilização nos prazos de validade e outras mudanças da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da desvalorização dos exames de aptidão física e mental representam um retrocesso que negligencia a ciência da prevenção e pode ter um custo social e econômico incalculável.
A redução da frequência das avaliações médicas e psicológicas transfere o custo da prevenção para o SUS e Previdência, gerando uma “falsa economia” que se manifesta em acidentes, mortes e lesões graves que amplificam a perda de força produtiva no país.
NúmerosOs dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de janeiro a outubro de 2025 reforçam a tese dos especialistas. De um total de 59.459 acidentes nas rodovias federais, com 4.970 mortes e 68.264 feridos, a maioria das ocorrências tem origem em falhas humanas previsíveis e, portanto, preveníveis.
As duas principais causas de acidentes (Ausência de reação do condutor e Reação tardia ou ineficiente do condutor) somam impressionantes 18.087 casos e estão diretamente ligadas a falhas nos processos cognitivos e fisiológicos do condutor.
“A maioria dos acidentes poderia ser evitada pois são falhas humanas previsíveis. A ausência ou a reação tardia não são apenas desatenção momentânea; elas são os indicadores mais claros de falhas críticas na atenção, percepção e velocidade de processamento”, explica a especialista em segurança viária e presidente da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), Adalgisa Lopes.
A especialista explica que a falta de reação está diretamente ligada à saúde mental. “É uma reação característica da sobrecarga por estresse ou fadiga crônica. A reação tardia, por sua vez, aponta para uma lentidão no processamento de informações e na tomada de decisão, que é dramaticamente afetada por distúrbios do sono ou até mesmo por medicamentos”, completa Adalgisa.
Essas falhas psicofisiológicas são a raiz de mais de 18 mil acidentes e são precisamente o que a avaliação psicológica rigorosa e o exame médico aprofundado buscam rastrear. Ao flexibilizar a renovação, o risco é aumentado e as ruas estarão repletas de motoristas com a capacidade de reação comprometida.
O impacto bilionário na economia e na saúdeA desvalorização da prevenção tem um impacto direto no SUS e na economia. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os acidentes custam entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. Ou seja, algo em torno de R$ 351 bilhões por ano no Brasil. “O argumento da ‘economia’ é doloroso. O que se economiza na avaliação se transfere para os custos de saúde pública. Além disso, reabilitação e previdência social”, detalha Giovana Varoni, especialista em segurança viária e psicologia do trânsito.
“Quando um condutor sofre um mal súbito ou um acidente grave, ele deixa de ser um provedor e se torna um custo altíssimo para o Estado, além do drama familiar”, aponta.
O vice-presidente da Actrans-MG, Carlos Luiz Souza, critica a visão simplista que reduz a CNH a uma mera burocracia. Assim, argumentando que a aptidão para dirigir muda com a idade e as condições de saúde. “Por trás da CNH existe uma ciência complexa, um sistema de proteção à vida. O exame médico é, para muitos, a única triagem de saúde preventiva”, diz.
Ele alerta que estender o prazo de renovação aumenta o risco de que condições médicas não diagnosticadas. Como, por exemplo, diabetes descompensada, hipertensão não controlada ou distúrbios do sono (como apneia). Essas situações podem levar a um mal súbito ao volante, caso permaneçam sem acompanhamento. Para e entidade, estes são motivos suficientes para a inclusão de exames básicos como glicemia ou hemoglobina glicada na avaliação, como medida de prevenção primária.
Psicologia no trânsitoNo campo psicológico, a avaliação é uma ferramenta essencial de prevenção que identifica vulnerabilidades comportamentais e emocionais. Dessa forma, analisando fatores como controle da impulsividade, gestão da raiva no trânsito e tendência à agressividade. “O risco na direção é o mesmo para um motorista profissional ou para qualquer outro. A desvalorização dos profissionais, exigindo alta qualificação e oferecendo uma remuneração irrisória, é insustentável e compromete a qualidade do serviço prestado à população. Estamos arriscando vidas por uma economia de centavos”, provoca a psicóloga e presidente da Actrans-MG.
Adalgisa reforça a necessidade de uma mudança de rumo.
“A segurança viária não pode mais ser tratada apenas como uma questão de engenharia e fiscalização. Ela precisa ser vista, primariamente, como uma questão de saúde pública e comportamento humano. O governo federal demonstra falta de responsabilidade ao formatar alterações que minimizam procedimentos médicos e psicológicos, e é fundamental que se crie uma Política Pública de Segurança Viária que priorize o fator humano e a sustentabilidade do sistema de prevenção”, conclui.
The post Mudanças na CNH ameaçam a segurança viária e podem custar milhões ao país appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.