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Atualizado: 21 minutos 42 segundos atrás

Como funcionam os recursos de infração: prazos, etapas e direitos do condutor

sab, 27/12/2025 - 13:30
Tudo começa com a autuação, registrada por agente, policial ou equipamento eletrônico. Foto: Detran/PR

Receber uma multa de trânsito ainda é sinônimo de insegurança e dúvida para muitos motoristas. Embora o Código de Trânsito Brasileiro assegure o direito à ampla defesa, grande parte dos condutores desconhece como funciona o processo de recurso de infração, quais são os prazos e em quais situações vale a pena recorrer.

O sistema brasileiro prevê um rito administrativo estruturado, com etapas bem definidas, que precisam ser respeitadas tanto pelo órgão autuador quanto pelo condutor. Entender esse caminho evita perda de prazo bem como decisões precipitadas.

O primeiro ponto importante é compreender que multa e infração não são a mesma coisa.

A infração é o ato administrativo que aponta o descumprimento da norma; a multa é apenas uma das penalidades possíveis. Ou seja, antes dela, existe um processo.

Tudo começa com a autuação, registrada por agente ou equipamento eletrônico. O condutor (ou proprietário do veículo) deve receber a Notificação de Autuação, que informa a infração e abre prazo para apresentação da defesa prévia. Esse prazo varia conforme o órgão, mas geralmente é de 15 a 30 dias.

A defesa prévia serve para apontar erros formais, como inconsistências na placa, local, horário, enquadramento legal ou ausência de requisitos obrigatórios no auto de infração. Nessa fase, ainda não se discute mérito, mas legalidade do ato.

Se a defesa prévia for indeferida — ou não for apresentada — o órgão emite a Notificação de Imposição de Penalidade (NIP). É nesse momento que a multa é oficialmente aplicada assim como surge o direito de recorrer à JARI (Junta Administrativa de Recursos de Infrações).

JARI

No recurso à JARI, o condutor pode discutir o mérito da infração: sinalização inadequada, ausência de risco, falha na fiscalização, situação excepcional, entre outros argumentos técnicos e jurídicos. O prazo para esse recurso também costuma variar entre 15 e 30 dias.

Caso a JARI indefira o pedido, ainda existe a possibilidade de recurso em segunda instância, que será analisado por órgãos como o CETRAN, CONTRANDIFE ou Colegiado Especial, dependendo da origem da autuação.

Um ponto essencial: recorrer não suspende automaticamente a multa, mas suspende os efeitos da penalidade até o julgamento final, incluindo pontuação na CNH. Isso garante ao condutor segurança jurídica durante o processo.

Apesar disso, muitos motoristas perdem prazos por desconhecimento ou recorrem sem qualquer fundamentação técnica, o que reduz drasticamente as chances de êxito. Um recurso bem estruturado precisa citar o CTB, resoluções do Contran e, quando possível, provas documentais.

Conhecer o processo de recurso não é “driblar a lei”, mas exercer um direito previsto em lei. Em um sistema complexo como o trânsito brasileiro, erros acontecem — e o recurso é o instrumento legítimo para corrigi-los.

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Como pequenas intervenções urbanas salvam vidas no trânsito

sab, 27/12/2025 - 08:15
Travessia elevada em escola de Curitiba traz mais segurança para pais e alunos. Foto: Isabella Mayer/SECOM

Quando se fala em segurança viária, muitas pessoas imaginam grandes obras, investimentos milionários e mudanças estruturais complexas. No entanto, experiências no Brasil e no exterior mostram que pequenas intervenções urbanas, de baixo custo e rápida implementação, são capazes de salvar vidas.

Essas ações fazem parte do chamado urbanismo tático e do conceito de traffic calming, que têm como objetivo reduzir velocidade, organizar fluxos e tornar as ruas mais seguras para todos os usuários — especialmente pedestres e ciclistas.

Entre as intervenções mais eficazes estão o estreitamento visual de vias, ampliação de calçadas, travessias elevadas, pintura de solo, ilhas de refúgio e reorganização de cruzamentos. Embora simples, essas mudanças alteram diretamente o comportamento dos motoristas.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, explica que o trânsito responde ao ambiente muito mais do que às placas.

“O motorista dirige conforme a rua ‘pede’. Se o espaço induz velocidade, ele acelera. Se o espaço induz cuidado, ele reduz naturalmente”, afirma.

Um exemplo claro são as travessias elevadas.

Ao elevar o nível da faixa de pedestres, o veículo é obrigado a reduzir a velocidade, e o pedestre ganha visibilidade e prioridade real. Estudos mostram queda significativa de atropelamentos em locais onde essa solução foi adotada.

Outro recurso simples é a redução do raio de curvas em esquinas. Curvas mais fechadas impedem conversões rápidas e diminuem conflitos entre veículos e pedestres. A mudança é barata, muitas vezes feita apenas com pintura e sinalização provisória.

Ilhas centrais e refúgios também ajudam pedestres a atravessar vias largas em duas etapas, reduzindo exposição ao risco. Já o estreitamento de pistas — mesmo que apenas visual — combate um dos principais fatores de letalidade no trânsito: a velocidade excessiva.

Segundo Celso Mariano, o erro de muitos gestores é esperar soluções complexas quando o problema é urgente. “Segurança viária não pode depender apenas de grandes obras. Pequenas intervenções, bem pensadas, salvam vidas agora”, reforça.

Além da redução de sinistros, essas intervenções trazem benefícios adicionais: melhor convivência urbana, incentivo à caminhada, valorização do comércio local e sensação maior de segurança.

Cidades que adotaram esse modelo conseguiram resultados expressivos em pouco tempo. O desafio, no Brasil, ainda é vencer a resistência cultural e a ideia de que rua boa é rua rápida.

Tratar a rua como espaço de convivência, e não apenas de passagem, é uma mudança de paradigma. E ela começa com ações simples, acessíveis e eficazes.

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