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Atualizado: 37 minutos 51 segundos atrás

Retenção ou remoção do veículo: entenda as diferenças e por que a apreensão deixou de existir

sex, 09/01/2026 - 08:15
A apreensão do veículo era uma penalidade prevista originalmente no CTB. Foto: Arquivo Tecnodata

Durante fiscalizações de trânsito, muitos condutores ainda utilizam o termo “apreensão do veículo” para se referir à situação em que o carro ou a moto é levado ao pátio. No entanto, essa penalidade não existe mais no Código de Trânsito Brasileiro — e entender essa diferença evita confusão e interpretações equivocadas sobre os direitos e deveres do condutor.

A apreensão do veículo era uma penalidade prevista originalmente no CTB, que determinava que o veículo ficasse recolhido ao pátio do órgão de trânsito por, no mínimo, 30 dias, independentemente da rapidez na regularização da irregularidade. Essa penalidade, porém, foi revogada em 2016 e não é mais aplicada no Brasil.

Desde então, o CTB passou a trabalhar com medidas administrativas, principalmente a retenção e a remoção do veículo, que têm natureza e efeitos distintos.

O que é retenção do veículo

A retenção ocorre quando a irregularidade constatada pode ser sanada no local da fiscalização. Nesses casos, o agente impede temporariamente a circulação do veículo até que o problema seja resolvido.

Exemplos comuns de retenção incluem:

  • Falta de equipamento obrigatório que é possível providenciar rapidamente;
  • Documento não apresentado no momento da abordagem, mas passível de comprovação imediata;
  • Pequenas irregularidades que não exigem deslocamento do veículo.

Uma vez resolvida a situação, libera-se o veículo no próprio local, sem necessidade de remoção ao pátio.

O que é remoção do veículo

A remoção do veículo é a medida administrativa aplicada quando a irregularidade não pode ser resolvida no local da infração ou quando não há condições legais ou práticas de liberar o veículo para regularização posterior.

Também ocorre remoção nos casos de estacionamento irregular, especialmente quando não há a presença do condutor, impossibilitando a correção imediata da situação.

Entre as situações mais comuns que levam à remoção estão, por exemplo:

  • Veículo não licenciado;
  • Condução por motorista sem CNH válida, sem outro condutor habilitado no local;
  • Estacionamento em local proibido, como vagas de emergência, calçadas ou esquinas;
  • Irregularidades que exigem providências administrativas fora do local da abordagem.

Nesses casos, leva-se o veículo ao pátio credenciado e só se libera após a regularização da situação, pagamento de taxas e, quando houver, das multas aplicadas.

Diferença essencial em relação à antiga apreensão

Ao contrário da antiga penalidade de apreensão, a remoção não impõe prazo mínimo de permanência no pátio. Isso significa que, assim que se sanar a irregularidade, o proprietário pode solicitar a liberação do veículo.

Ou seja, o veículo não fica retido como forma de punição pelo tempo, mas apenas enquanto a situação irregular persistir.

Por que ainda existe confusão com o termo “apreensão”

Apesar da revogação legal, ainda se usa amplamente o termo “apreensão” no senso comum, em manchetes e até em conversas informais. No entanto, essa imprecisão contribui para a ideia equivocada de que o veículo ficará obrigatoriamente “preso” por um período fixo — o que não corresponde mais à legislação vigente.

No contexto atual, é possível sim levar o veículo ao pátio, mas isso ocorre por remoção administrativa, e não por apreensão como penalidade.

O que o motorista precisa saber

Entender essa diferença é fundamental para:

  • saber quais providências tomar após uma fiscalização;
  • evitar interpretações erradas sobre prazos e custos;
  • identificar corretamente se a medida aplicada está prevista em lei.

Hoje, o CTB não prevê mais a apreensão do veículo como penalidade. Ou seja, o que existe são medidas administrativas proporcionais à irregularidade, cujo objetivo é retirar de circulação veículos em situação irregular, e não punir pelo simples decurso do tempo.

Informação correta é a melhor forma de reduzir transtornos assim como lidar com a fiscalização de forma consciente e segura.

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Comissão aprova parcelamento de multas de motoristas com deficiência

sex, 09/01/2026 - 07:50
O projeto também já foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Foto: didesign para Depositphotos

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 451/24, que permite o parcelamento de multas de trânsito para motoristas com deficiência e para motoristas responsáveis por pessoa com deficiência. A proposta, do deputado Duda Ramos (MDB-RR), altera o Código de Trânsito Brasileiro.

No caso de veículo registrado em outro estado, o parcelamento só será possível se houver convênio entre os órgãos de trânsito do local onde o carro foi registrado e do local onde houve a infração.

A relatora na comissão, deputada Dayany Bittencourt (União-CE), recomendou a aprovação da proposta e de alterações feitas anteriormente na Comissão de Viação e Transportes. O projeto também já foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

“Ao permitir uma forma de pagamento menos onerosa, a proposta mantém a obrigatoriedade de quitação das penalidades, sem comprometer de maneira desproporcional o orçamento do motorista com deficiência.”

A relatora acredita ainda que a medida poderá reduzir a inadimplência junto aos órgãos de trânsito.

Alteração

De acordo com Dayany Bittencourt, ela alterou o projeto para substituir a expressão “sem acréscimo monetário de qualquer natureza” pela formulação “com condições favorecidas”. O objetivo foi buscar um equilíbrio normativo entre o benefício do parcelamento proposto e a necessária prudência fiscal. “A alteração não esvazia o propósito social do dispositivo, mas o reconduz a uma esfera de viabilidade prática”, explicou a relatora.

“A nova redação mantém a obrigatoriedade do parcelamento especial, assegurando tratamento diferenciado e benéfico em relação às regras gerais.”

Próximos passos

O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Ou seja, para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

As informações são da Agência Câmara de Notícias

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Como pequenas empresas podem competir com gigantes do mercado

sex, 09/01/2026 - 06:49


Concorrer com gigantes do mercado pode parecer uma missão impossível para pequenas empresas, mas estratégias inteligentes podem transformar desvantagens em oportunidades. Empresas menores têm a vantagem de flexibilidade, proximidade com clientes e capacidade de inovar rapidamente. Assim como em plataformas digitais seguras e estratégicas, como neteller casino, onde eficiência e planejamento são essenciais, pequenas empresas também podem aplicar princípios similares para ganhar espaço. A chave está em entender o mercado, conhecer profundamente o público-alvo e explorar nichos específicos que muitas vezes passam despercebidos por grandes players. Além disso, investir em atendimento personalizado, experiência do cliente e diferenciação de produtos permite criar lealdade e reputação positiva, tornando a empresa competitiva mesmo sem recursos ilimitados.

Entender o mercado e identificar oportunidades


O primeiro passo para competir com grandes empresas é conhecer profundamente o mercado. Pequenos negócios devem analisar concorrentes, entender tendências de consumo e identificar lacunas que não estão sendo atendidas. Ao focar em nichos específicos, é possível oferecer soluções diferenciadas e personalizadas, criando valor que os gigantes não conseguem replicar rapidamente. Pesquisa de mercado, feedback de clientes e monitoramento de tendências permitem que a empresa se posicione de forma estratégica e aproveite oportunidades antes que grandes players percebam.

Foco no cliente e experiência personalizada


Uma das maiores vantagens das pequenas empresas é a proximidade com o cliente. Atendimento personalizado, compreensão das necessidades individuais e flexibilidade para ajustar produtos e serviços tornam o negócio mais atrativo. Enquanto grandes empresas muitas vezes operam com processos padronizados e impessoais, pequenos negócios podem oferecer experiências únicas, criando fidelização e boca a boca positivo. Entender o perfil do cliente e antecipar suas necessidades ajuda a construir relacionamento sólido, tornando o negócio resiliente frente à concorrência de gigantes.

Diferenciação e inovação


Diferenciar-se no mercado é fundamental. Pequenas empresas podem apostar em inovação, seja em design, serviço, tecnologia ou abordagem de marketing. A criatividade permite criar produtos exclusivos, campanhas impactantes e serviços que atendam necessidades específicas do público-alvo. Além disso, inovar em processos internos, atendimento e comunicação fortalece a marca e torna o negócio mais ágil diante de mudanças do mercado. A diferenciação não precisa ser tecnológica; pode estar na experiência, na narrativa da marca ou no atendimento personalizado, tornando a empresa memorável e competitiva.

Uso inteligente da tecnologia


A tecnologia é uma aliada poderosa para pequenos negócios. Ferramentas de gestão, marketing digital, e-commerce e análise de dados permitem otimizar processos e alcançar clientes de forma mais eficiente. Plataformas de pagamento seguras, aplicativos de automação e redes sociais ampliam o alcance sem necessidade de grandes investimentos. O uso estratégico da tecnologia nivela o campo de competição, permitindo que pequenas empresas rivalizem com grandes players em termos de presença digital, eficiência operacional e engajamento do cliente.

Marketing digital e presença online

A presença online é crucial para competir com gigantes. Investir em redes sociais, SEO, e-mail marketing e publicidade segmentada permite atingir o público certo com custo controlado. Pequenas empresas podem se destacar ao criar conteúdo relevante, interagir de forma autêntica e utilizar storytelling para construir identidade de marca. A comunicação digital estratégica ajuda a aumentar visibilidade, gerar confiança e fidelizar clientes, superando limitações de orçamento e ampliando oportunidades de crescimento mesmo em mercados saturados.

Parcerias estratégicas


Colaborações e parcerias permitem que pequenas empresas ganhem força. Associar-se a fornecedores, startups, influenciadores ou outras empresas complementares cria sinergia, amplia alcance e reduz custos. Parcerias estratégicas possibilitam acessar novos mercados, compartilhar recursos e desenvolver projetos inovadores, fortalecendo competitividade. Trabalhar de forma colaborativa ajuda a enfrentar desafios maiores e a oferecer produtos e serviços mais completos, sem depender exclusivamente da capacidade interna limitada do negócio.

Gestão eficiente de recursos


Para competir com gigantes, a gestão de recursos deve ser inteligente e eficiente. Controle de custos, priorização de investimentos estratégicos e otimização de processos internos garantem sustentabilidade financeira. Pequenos negócios que conseguem equilibrar receita, despesas e reinvestimento estão mais preparados para inovar e se adaptar a mudanças de mercado. Uma gestão eficaz permite focar em ações que geram maior impacto, evitando desperdícios e maximizando o retorno sobre cada recurso disponível.

Agilidade e adaptação


A velocidade de adaptação é uma vantagem competitiva importante. Pequenas empresas podem implementar mudanças rapidamente, responder a feedbacks de clientes e ajustar estratégias em tempo real. Agilidade permite testar novas ideias, corrigir rotas e aproveitar tendências emergentes antes que os grandes concorrentes percebam. Estar atento ao mercado e manter flexibilidade operacional torna o negócio resiliente, inovador e capaz de competir em condições adversas.

Conclusão


Competir com grandes empresas não é impossível para pequenos negócios. Com foco no cliente, diferenciação, inovação e uso estratégico de tecnologia, é possível criar valor único e conquistar mercado mesmo diante de concorrentes poderosos. Gestão eficiente, marketing digital, parcerias e agilidade operacional fortalecem a posição da empresa, permitindo crescer e se destacar. Pequenas empresas que combinam criatividade, planejamento e execução estratégica conseguem transformar desafios em oportunidades, mostrando que tamanho não é sinônimo de vantagem absoluta. Com visão clara e ações consistentes, é possível competir, inovar e vencer em qualquer mercado.

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Dirigir cansado: por que o corpo trai o motorista antes do sono chegar

qui, 08/01/2026 - 18:00
Dirigir exige atenção plena. Quando o corpo começa a falhar, a condução deixa de ser uma tarefa automática e passa a envolver riscos silenciosos. Foto: Krakenimages.com para Depositphotos

Dirigir cansado é uma das situações mais subestimadas no trânsito. Muitos motoristas associam risco apenas ao sono profundo, quando a pessoa chega a cochilar ao volante. O problema é que o corpo começa a falhar muito antes disso, comprometendo atenção, reflexos e capacidade de decisão, mesmo quando o motorista acredita estar “acordado”.

A fadiga afeta o cérebro de forma silenciosa. A redução da atenção sustentada faz com que o motorista passe mais tempo olhando para a via sem, de fato, processar informações importantes. Placas, pedestres, mudanças de sinalização e movimentos de outros veículos deixam de ser percebidos com a mesma clareza.

Outro efeito comum do cansaço é o aumento do tempo de reação. Em situações inesperadas — como uma frenagem brusca à frente ou um pedestre atravessando —, frações de segundo fazem diferença. Quando o corpo está cansado, esse tempo se alonga, elevando o risco de colisões e atropelamentos.

Há também impacto direto no controle emocional. Motoristas fatigados tendem a ficar mais irritados, impacientes e impulsivos. Pequenos atrasos no trânsito geram reações exageradas, como acelerações desnecessárias, ultrapassagens arriscadas e uso indevido da buzina.

O cansaço não está ligado apenas a longas viagens.

Jornadas extensas de trabalho, noites mal dormidas, estresse acumulado e até alimentação inadequada contribuem para um estado de fadiga que acompanha o motorista no dia a dia urbano. Em muitos casos, o trajeto até casa após um dia exaustivo é tão arriscado quanto uma viagem longa pela estrada.

Sinais físicos costumam aparecer antes do sono: olhos pesados, dificuldade de manter a cabeça ereta, bocejos frequentes, sensação de “mente vazia” e lapsos de memória recente — como não lembrar dos últimos quilômetros percorridos. Ignorar esses sinais é um erro comum.

Alguns motoristas tentam compensar o cansaço com música alta, janelas abertas ou café. Essas estratégias podem até gerar estímulo momentâneo, mas não substituem o descanso. O efeito é temporário e pode dar falsa sensação de segurança.

A única forma realmente eficaz de lidar com a fadiga é interromper a condução e descansar. Em viagens, pausas regulares são fundamentais. No cotidiano urbano, reconhecer que não se está em condições ideais para dirigir e buscar alternativas — como transporte por aplicativo ou carona — pode evitar acidentes.

Dirigir exige atenção plena. Quando o corpo começa a falhar, a condução deixa de ser uma tarefa automática e passa a envolver riscos silenciosos. Entender que o cansaço compromete a segurança antes mesmo do sono chegar é um passo importante para escolhas mais responsáveis no trânsito.

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Renovação automática da CNH: um improviso normativo dentro de uma agenda apressada e insuficiente tecnicamente

qui, 08/01/2026 - 13:30
A renovação automática da CNH pode parecer, à primeira vista, um avanço administrativo, porém, o que se revela é um risco grave. Foto: Divulgação Detran/PR

Alysson Coimbra*

A renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode parecer, à primeira vista, um avanço administrativo. Menos filas, menos burocracia, mais rapidez, mas quando se analisa o impacto real dessa medida sobre a saúde dos condutores e a segurança coletiva, o que se revela é um risco grave, silencioso e potencialmente irreversível.

Em 2024, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito, alcançando o maior número de óbitos dos últimos sete anos, com crescimento expressivo em relação ao período anterior. O país retornou a patamares de mortalidade considerados críticos, evidenciando que o problema não está controlado, mas em franca escalada.

Esse conjunto de decisões levanta uma reflexão inevitável: estamos diante de uma agenda técnica comprometida com a preservação de vidas ou de uma agenda política orientada por conveniência e marketing institucional? O Brasil é signatário do compromisso global da ONU de reduzir em 50% as mortes no trânsito até 2030. No entanto, ao enfraquecer instrumentos historicamente responsáveis pela prevenção, o país se afasta desse objetivo e caminha na direção oposta ao que foi pactuado internacionalmente.

A CNH não é um documento meramente burocrático, mas uma concessão estatal do direito de conduzir veículos em um espaço compartilhado, onde decisões individuais têm impacto direto sobre a vida de terceiros. Por isso, nunca foi e não pode ser tratada como um simples ato automático para emissão de um “pedaço de papel”, como dito por uma importante figura desse processo governamental.

O papel central do ato pericial médico e psicológico

O ato pericial médico e psicológico sempre foi o principal filtro de proteção do sistema de trânsito. Ele não existe para excluir, mas para avaliar, orientar, restringir quando necessário e proteger.

É nesse momento que se realizam:

  • diagnósticos precoces de doenças que afetam atenção, cognição e reflexos;
  • identificação de perdas visuais progressivas;
  • avaliação de doenças crônicas e degenerativas;
  • definição de restrições técnicas e categorias permitidas;
  • redução do prazo de validade da CNH quando indicado;
  • declaração de inaptidão temporária ou definitiva, quando a segurança assim exige.

Dispensar esse ato preliminar significa permitir que o Estado renove automaticamente habilitações sem saber se o condutor ainda reúne as condições mínimas de saúde para dirigir.

Inclusão automática de condutores fora dos critérios mínimos

A renovação automática cria um efeito perigoso: a inclusão automática de motoristas em desacordo com exigências básicas de saúde, sem qualquer triagem.

Condições como amputações, doenças neurológicas progressivas, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, glaucoma, ceratocone, entre outras, não impedem automaticamente o direito de dirigir. Mas exigem avaliação especializada, adaptações, restrições de categoria ou redução do prazo de validade.

Ao eliminar o ato pericial preliminar, o sistema passa a permitir que pessoas com essas condições continuem conduzindo veículos, inclusive em categorias de maior risco, sem qualquer reavaliação formal. O resultado é previsível: aumento do risco de acidentes, agravamento das consequências e sobrecarga do sistema de saúde.

A fragilidade jurídica da renovação automática

A Medida Provisória nº 1.327/2025 possui eficácia imediata, mas natureza provisória. Ela pode ser alterada, rejeitada ou caducar em até 120 dias. Ainda assim, seus efeitos práticos, se implementados de forma irrestrita, produzem consequências permanentes.

Caso a MP venha a perder validade, milhares de CNHs terão sido renovadas sem a realização do ato pericial médico e psicológico exigido pelo artigo 147 do Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece expressamente esses exames como preliminares e indispensáveis à habilitação e à renovação.

Isso gera um problema grave: não se pode produzir um dano irreversível à segurança viária durante a vigência de uma norma provisória. A administração pública não pode consolidar situações potencialmente ilegais e perigosas para depois alegar que a norma “não prosperou”.

Risco sanitário, risco viário e violação da legalidade

A renovação automática da CNH, ao dispensar o ato pericial preliminar, cria simultaneamente:

  • risco sanitário, ao permitir a condução sem avaliação de saúde atual;
  • risco viário, ao aumentar a probabilidade de sinistros evitáveis;
  • violação da legalidade, ao contrariar a ordem expressa do CTB;
  • insegurança jurídica, ao gerar efeitos definitivos sob norma temporária.

Não se trata de discutir a constitucionalidade da Medida Provisória neste momento. A discussão é mais técnica, mais prudente e mais responsável: não se pode aplicar imediatamente uma política que compromete vidas enquanto o próprio Congresso ainda delibera sobre sua validade.

Além do mais muitos condutores permanecem meses ou até anos sem dirigir por motivos de saúde, tratamento médico, adoecimento físico ou mental. Durante esse período, naturalmente, não cometem infrações de trânsito. A ausência de multas, nesse caso, não reflete aptidão, mas sim impedimento fático de condução. Tomar esse dado como indicativo de capacidade é uma distorção da realidade.

A utilização desse critério de histórico de infração não traduz, necessariamente, a condição real do condutor. O sistema permite a indicação de outro motorista, o que torna esse dado administrativo insuficiente para qualquer definição de aptidão para dirigir, aspectos que só podem ser analisados por meio do ato pericial médico e psicológico.

Qualquer política pública que dispense avaliação técnica prévia com base em indicadores frágeis viola os princípios da precaução, da razoabilidade e da proteção à vida.

Não há precedentes relevantes de países que adotem renovação totalmente automática da habilitação, sem qualquer forma de avaliação periódica da saúde. Sistemas maduros de trânsito não presumem aptidão indefinidamente. Ao contrário, utilizam exames médicos, declarações de saúde com responsabilidade legal ou prazos de validade progressivamente menores, justamente para proteger a coletividade. Presumir capacidade permanente para dirigir não é prática internacionalmente aceita.

A necessidade de suspensão cautelar e prudencial

Diante desse cenário, a medida mais sensata é a suspensão dos efeitos práticos da renovação automática pelo mesmo prazo de vigência da MP, permitindo que:

  • o Congresso Nacional conclua sua análise;
  • os impactos sejam avaliados tecnicamente;
  • preserve-se o sistema de trânsito;
  • o ato pericial médico e psicológico mantenha sua função protetiva.

Essa medida garante proteção judicial imediata contra atos que coloquem em risco a integridade física coletiva, pela omissão normativa ou pela produção de efeitos normativos danosos de medida que carece de apreciação e ratificação pelo Congresso Nacional para ratificar sua validade.

Reduzir mortes no trânsito exige coerência, responsabilidade e decisões baseadas em evidência. Qualquer política que ignore esse princípio precisa ser debatida, revista e corrigida, porque, no trânsito, o erro gera um custo social, financeiro e humano incalculável.

*Alysson Coimbra é Coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos do Tráfego e Membro do Movimento Não Foi Acidente – @alyssondotransito

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Enquanto 18 pessoas morrem por dia nas rodovias, o Brasil afrouxa as regras da CNH

qui, 08/01/2026 - 08:15
Os números da PRF servem como um duro aviso. Foto: Divulgação PRF

O balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre a operação de fim de ano nas rodovias federais brasileiras expõe um cenário que vai muito além dos números frios da estatística. Entre 23 de dezembro e 4 de janeiro, foram registrados 2.348 acidentes, com 2.662 pessoas feridas e 220 mortes. Na prática, isso significa uma média de 18 vidas perdidas por dia em sinistros que, segundo especialistas, seria possível de evitar.

O período, tradicionalmente marcado por maior fluxo de veículos, revelou mais uma vez um padrão conhecido — e preocupante — nas estradas brasileiras: a imprudência como fator central da violência no trânsito. Durante a operação, a PRF aplicou 27.579 multas por excesso de velocidade e lavrou 1.969 autuações por dirigir sob efeito de álcool. Os dados reforçam que o desrespeito às normas de circulação e conduta continua sendo um dos principais motores das tragédias viárias no país.

Para especialistas em segurança viária, o que mais chama atenção não é apenas o volume de ocorrências, mas a combinação perigosa entre comportamento de risco e um contexto regulatório que caminha no sentido oposto da prevenção. Em um momento em que os números indicam falhas graves na condução, o Brasil discute — e já implementa — mudanças que flexibilizam etapas essenciais do processo de habilitação e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

“A ciência mostra que cerca de 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados ao comportamento humano”, afirma Adalgisa Lopes, psicóloga especialista em trânsito e presidente da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (ACTRANS-MG). Para ela, os dados da PRF deveriam servir como alerta máximo.

“Isso é perigoso porque, em vez de focarmos em regras mais seguras e no comportamento dos motoristas, estamos afrouxando as exigências para a CNH. Esse movimento cria um precedente alarmante, que tende a se traduzir no aumento de acidentes e mortes”, adverte.

Minas Gerais no topo dos rankings negativos

O retrato da imprudência ganha contornos ainda mais claros quando se analisa os dados por estado. Minas Gerais liderou os rankings negativos durante o período. Apenas entre os dias 30 de dezembro e 4 de janeiro, houve o registro de 193 acidentes nas rodovias federais que cortam o estado — número significativamente superior ao de Santa Catarina (134) e Paraná (107). Minas também foi campeã em flagrantes de excesso de velocidade, com 4.105 autuações.

O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas por evidenciar um problema estrutural: velocidade incompatível com a via e com as condições do tráfego segue sendo tratada por muitos condutores como algo secundário. Em feriados prolongados, esse comportamento se intensifica, ampliando o risco de colisões graves e fatais.

A falsa economia que custa vidas

Diante desse cenário, cresce a preocupação de especialistas com as recentes propostas e medidas que flexibilizam critérios para obtenção e renovação da CNH, especialmente no que diz respeito às avaliações médicas e psicológicas. Vendidas sob o discurso da “desburocratização” e da redução de custos, essas mudanças são vistas, por quem estuda o tema, como uma economia perigosa — e potencialmente letal. “O que se economiza na avaliação se transfere diretamente para os custos da saúde pública e da previdência social”, alerta Adalgisa Lopes.

“Quando um condutor sofre um acidente grave, ele deixa de ser um provedor e passa a representar um custo altíssimo para o Estado, sem falar no impacto social e emocional para a família. É uma conta que não fecha.”

Na mesma linha, de acordo com a psicóloga especialista em trânsito Giovanna Varoni, grande parte dos acidentes graves está ligada a falhas humanas, como reação tardia ou ausência de reação diante de situações críticas. “Não é possível reduzir essas falhas à simples desatenção. Elas envolvem aspectos como atenção, percepção e velocidade de processamento de informações, frequentemente afetadas por estresse, fadiga ou condições de saúde não diagnosticadas”, explica.

Conforme ela, ao fragilizar os exames, o sistema permite que condutores com capacidade de reação comprometida permaneçam ao volante. “Isso coloca em risco não apenas o motorista, mas todos os usuários da via”, completa.

Avaliação como ferramenta de prevenção

Para os especialistas, não se deve encarar a avaliação médica e psicológica como obstáculo burocrático, mas como ferramenta fundamental de prevenção. Esses exames são capazes de identificar desde doenças crônicas, como, por exemplo, diabetes e hipertensão, até traços comportamentais associados ao risco, como impulsividade, agressividade e baixa tolerância à frustração — fatores diretamente relacionados a condutas perigosas no trânsito. “É preciso tratar a segurança viária, antes de tudo, como uma questão de saúde pública e de comportamento humano”, reforça Giovanna Varoni.

“Ignorar isso é fechar os olhos para evidências consolidadas e assumir, conscientemente, o risco de mais mortes.”

Os números divulgados pela PRF neste início de ano funcionam como um alerta incômodo, mas necessário. A imprudência já mata centenas de pessoas em poucos dias. Diante de um cenário assim, a pergunta que se impõe é inevitável: quantas vidas mais serão perdidas se a flexibilização das regras da CNH avançar sem o devido cuidado, sem base técnica sólida e sem compromisso real com a preservação da vida no trânsito?

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Brasileiros gastam, em média, entre R$2,5 e R$ 5 mil por ano com manutenção veicular, revela pesquisa

qua, 07/01/2026 - 18:00
Foto: iStock

Realizar a revisão periódica dos carros é mais do que uma recomendação, é uma medida essencial de segurança. Fabricantes e especialistas orientam que a manutenção seja feita a cada 10 mil quilômetros rodados ou a cada seis meses, além da checagem em momentos em que o veículo apresente qualquer comportamento atípico ou suspeito. 

Uma pesquisa apurada pela Webmotors, maior plataforma de compra e venda de veículos do Brasil, mostra que os brasileiros mantêm uma rotina consistente de cuidados com seus veículos, seguindo ou até superando as recomendações: 30% realizam revisão pelo menos duas vezes ao ano, enquanto 26% fazem uma inspeção anual e 17% examinam o carro a cada quatro meses

Resultados

A frequência indica uma boa prática de manutenção dos motoristas do país, uma vez que 30% dos respondentes do estudo investem, em média, de R$2,5 a R$5 mil por ano com manutenção. Outros 18% gastam entre R$1,5 e R$2,5 mil, enquanto 17% aplicam mais de R$5 mil.

Mesmo com a manutenção em dia, imprevistos podem acontecer. Segundo a pesquisa, é justamente quando surge um barulho ou comportamento suspeito que 54% dos motoristas decidem levar o carro para revisão. Outros motivadores incluem a proximidade de uma viagem (52%) e a necessidade de trocas específicas, como pneu, bateria ou óleo (47%).

Mariana Perez, CPO da Webmotors, destaca a importância da rotina de revisão de um veículo: “A manutenção preventiva é sempre mais econômica do que esperar um problema aparecer. Componentes como pneus, freios e sistema de arrefecimento sofrem desgaste natural e, quando revisados no tempo certo, garantem segurança e evitam reparos de alto custo. Planejar as revisões e acompanhar o manual do veículo faz toda a diferença na experiência de uso”.

Metodologia
  • Público: foram entrevistados 500 brasileiros de todos os estados do país. Dessa forma, incluindo mulheres e homens, com idade a partir dos 18 anos e de todas as classes sociais.
  • Coleta: os dados do estudo foram levantados via plataforma de pesquisas online.
  • Data de coleta: realizada no dia 27 de novembro de 2025.

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Física das colisões reforça importância do uso do cinto de segurança em viagens de fim de ano, alerta a FEI

qua, 07/01/2026 - 13:30
Entender a física por trás das colisões ajuda a desmistificar falsas sensações de segurança. Foto: t_n_06 para Depositphotos

Com o aumento das viagens de fim de ano e o consequente maior fluxo nas rodovias brasileiras, o Centro Universitário FEI, referência em engenharias há quase 85 anos, alerta para a importância de práticas que elevem a segurança no trânsito, especialmente o uso correto do cinto de segurança por todos os ocupantes do veículo. Entender como princípios básicos da física das colisões atuam durante o impacto ajuda a explicar por que a ausência do cinto faz com que passageiros e objetos soltos se tornem riscos letais. A professora Marcilei Guazzelli, de Física da FEI, ressalta que, mesmo em velocidades aparentemente baixas, a energia envolvida em uma batida pode causar lesões graves quando o corpo não é contido adequadamente.

No Brasil, apesar da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, os números mostram uma adoção ainda incompleta entre passageiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019, divulgados pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, indicam que 79,7% dos adultos relataram usar sempre cinto no banco dianteiro, enquanto apenas 54,6% afirmaram o mesmo quando ocupavam o banco traseiro, um indicativo de vulnerabilidade entre ocupantes de trás mesmo em veículos em movimento nas estradas brasileiras.

Do ponto de vista físico, a explicação é direta.

“Em uma colisão, o veículo sofre uma desaceleração muito rápida, mas o corpo tende a manter o movimento que tinha antes do impacto, conforme a Primeira Lei de Newton. Sem o cinto, o passageiro continua se movendo e é projetado contra o interior do carro ou contra outras pessoas”, explica a professora Marcilei Guazzelli.

Segundo ela, o cinto atua sobre princípios como inércia, quantidade de movimento e tempo de desaceleração, reduzindo a força média exercida sobre o corpo durante a batida.

A especialista destaca que o risco não se limita ao banco dianteiro. Um passageiro sem cinto no banco traseiro pode se transformar em um projétil durante a colisão, atingindo os ocupantes da frente com grande energia. Isso coloca todos em risco, mesmo quem está usando o cinto corretamente. O mesmo raciocínio vale para objetos soltos dentro do carro, que, em uma freada brusca ou impacto, seguem em movimento por inércia e podem causar ferimentos graves.

Outro ponto crítico é a velocidade.

Pequenos aumentos podem ter consequências desproporcionais. De acordo com a professora, ao passar de 60 km/h para 80 km/h, a velocidade cresce cerca de 33%. No entanto, a energia cinética envolvida no impacto aumenta quase 80%. “É preciso dissipar toda essa energia durante a colisão, o que resulta em forças muito maiores atuando sobre o corpo”, explica. Por isso, não existe uma velocidade mínima considerada totalmente segura: mesmo impactos a 20 ou 30 km/h podem provocar lesões graves, dependendo da desaceleração envolvida.

Além do uso do cinto, alguns cuidados simples, baseados em princípios físicos, ajudam a tornar as viagens de fim de ano mais seguras:
  • manter distância do veículo à frente para evitar frenagens bruscas;
     
  • reduzir a velocidade em curvas, minimizando os efeitos da inércia;
     
  • fazer pausas regulares para combater a fadiga e melhorar o tempo de reação;
     
  • transportar bagagens no porta-malas e bem fixadas, evitando objetos soltos na cabine;
     
  • verificar o ajuste correto do cinto, sem folgas e sem uso sobre bolsas, mochilas ou casacos grossos.
     

Para a professora Marcilei Guazzelli, entender a física por trás das colisões ajuda a desmistificar falsas sensações de segurança. A física já mostrou que segurar firme, estar no banco traseiro ou dirigir em baixa velocidade não elimina riscos. O que realmente faz diferença é reduzir a intensidade das forças envolvidas e o cinto de segurança é o principal aliado para isso.

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O radar pode multar por falta de cinto de segurança?

qua, 07/01/2026 - 08:15
O uso do cinto de segurança é obrigatório para condutor e passageiros. Foto: thodonal para Depositphotos

O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes do veículo e um dos maiores responsáveis por salvar vidas no trânsito. Apesar disso, ainda há muitos motoristas e passageiros que resistem a usá-lo, especialmente no banco traseiro. Surge então uma dúvida recorrente: o radar consegue multar quem não está usando o cinto de segurança?

A resposta não é tão simples, e envolve entender como funcionam os diferentes tipos de radares e quais infrações podem ou não ser detectadas por esses equipamentos.

O que diz a lei sobre o uso do cinto

O artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que o uso do cinto de segurança é obrigatório para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em casos específicos previstos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

O não uso do cinto é considerado infração grave, prevista no artigo 167 do CTB, sujeita a multa de R$ 195,23, além da soma de 5 pontos na CNH do condutor.

Ou seja, independentemente do tipo de via ou situação, o cinto é obrigatório e a responsabilidade pelo uso é do motorista, que deve garantir que todos os ocupantes estejam devidamente presos.

O radar flagra falta de cinto?

Aqui está o ponto central: os radares de velocidade não têm, por si só, a função de identificar a falta do cinto de segurança. Eles são programados para verificar excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestre, entre outras infrações relacionadas à circulação.

No entanto, em alguns locais do Brasil, os radares foram integrados a câmeras de monitoramento com inteligência artificial, capazes de identificar automaticamente condutas como:

  • motorista falando ao celular;
  • transporte de crianças sem cadeirinha;
  • falta do uso do cinto de segurança.

Isso significa que a tecnologia já permite a autuação por imagem, mas não é o radar em si que faz essa fiscalização: são as câmeras associadas ao sistema de monitoramento.

Veja também Fiscalização e Legislação Não usar o cinto de segurança no banco de trás aumenta em até cinco vezes o risco de morte do ocupante do banco da frente Segurança Falta do cinto de segurança ainda é realidade alarmante nas rodovias Fiscalização e Legislação Multas por câmeras de videomonitoramento: o que pode (e o que não pode) ser fiscalizado? Fiscalização por imagem

A Resolução 909/2022 do Contran autoriza a autuação de diversas infrações com base em sistemas de videomonitoramento. Nesse caso, a autoridade de trânsito pode multar a falta do cinto se houver imagem clara e inequívoca que comprove a infração.

Portanto, se você passar por um ponto há câmeras de monitoramento com essa tecnologia, pode sim receber uma multa caso esteja sem cinto.

Por que a fiscalização é necessária

Apesar de ser um item básico de segurança, o uso do cinto ainda não é universalizado no Brasil. Pesquisas recentes mostram que:

  • Muitos passageiros do banco traseiro deixam de usar o cinto em trajetos curtos;
  • Há motoristas que afivelam apenas o cinto do banco dianteiro para evitar a multa, sem realmente utilizá-lo de forma correta;
  • O risco de morte em um acidente aumenta em até 50% para quem não utiliza o cinto.

Diante disso, o uso da tecnologia para flagrar esse tipo de infração é visto como um recurso educativo e preventivo, e não apenas punitivo.

Segurança é fundamental

O radar de velocidade isoladamente não multa por falta de cinto, mas os sistemas de fiscalização por imagem, muitas vezes associados a radares, podem sim identificar e autuar essa infração.

O essencial, no entanto, vai além da multa: usar o cinto de segurança é um ato de proteção pessoal e coletiva, que pode ser a diferença entre a vida e a morte em caso de acidente.

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Projeto endurece punições para mortes no trânsito causadas por embriaguez ou racha

ter, 06/01/2026 - 18:00
De acordo com o texto aprovado na CCJ, o motorista que causar a morte de outra pessoa no trânsito, estando embriagado ou participando de racha, não poderá pagar fiança se for preso em flagrante. Foto: vitomirov para Depositphotos

Uma proposta em tramitação no Congresso Nacional pretende tornar mais rigorosa a responsabilização penal de motoristas que provocam mortes no trânsito sob efeito de álcool ou durante a prática de racha. Emenda apresentada pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao Projeto de Lei nº 5.490/2023 prevê o fim da possibilidade de fiança para esses crimes quando houver prisão em flagrante.

O PL 5.490/2023 altera o Código de Processo Penal e, originalmente, tratava da proibição de fiança para crimes relacionados à pedofilia. Com a emenda de Contarato, a vedação passa a alcançar também os casos de homicídio no trânsito causados por motorista embriagado ou em corrida ilegal. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

Fim da fiança em homicídios no trânsito

De acordo com o texto aprovado na CCJ, o motorista que causar a morte de outra pessoa no trânsito, estando embriagado ou participando de racha, não poderá pagar fiança se for preso em flagrante. Na prática, o crime passa a ser considerado inafiançável, mantendo o condutor detido até decisão judicial posterior.

Ex-delegado de polícia, Fabiano Contarato citou sua experiência à frente da Delegacia de Delitos de Trânsito do Espírito Santo para justificar a necessidade da mudança. Conforme ele, a legislação atual ainda transmite à sociedade uma sensação de impunidade diante de crimes graves no trânsito.

“Eu fui delegado nessa área, apurando, lidando com as dores das famílias que perdem seus filhos, muitas vezes, por motorista em estado de embriaguez, quer seja pelo álcool ou qualquer substância de efeito análogo. Quantas vezes eu atendi uma mãe, que me falava: ‘mas o motorista foi condenado e não vai ficar nem um dia preso? A polícia devolveu a carteira de habilitação? O delegado fixou R$ 1 mil de fiança? A vida da minha filha vale R$ 1 mil?’ Eu ouvia isso diuturnamente”, relatou o senador.

Avanço na legislação de trânsito

Contarato também lembrou que foi o autor da lei que acabou com a substituição da pena nos casos em que o motorista, embriagado, provoca a morte de outra pessoa. Agora, segundo ele, o avanço ocorre ao retirar a possibilidade de liberdade imediata mediante pagamento de fiança.

“O crime passa a ser inafiançável. O motorista permanece preso até que haja o proferimento de uma eventual sentença condenatória e, condenado, cumpre a pena no presídio adequado. Esse é um grande avanço na legislação de trânsito porque o Brasil é um dos países que mais mata dentro do sistema viário”, afirmou.

Impacto na segurança viária

A proposta reforça uma tendência de endurecimento das normas relacionadas à violência no trânsito, especialmente nos casos associados ao consumo de álcool e à prática de rachas — condutas historicamente associadas a sinistros graves e fatais.

Especialistas em segurança viária avaliam que medidas como essa têm potencial de fortalecer o caráter preventivo da legislação, ao sinalizar que crimes de trânsito com resultado morte devem receber tratamento penal compatível com sua gravidade.

Se aprovada também na Câmara dos Deputados, a mudança representará mais um ajuste relevante no arcabouço legal brasileiro voltado à responsabilização de condutores e à proteção da vida no trânsito.

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Mudanças na CNH ameaçam a segurança viária e podem custar milhões ao país

ter, 06/01/2026 - 13:30
Especialista critica a visão simplista que reduz a CNH a uma mera burocracia, argumentando que a aptidão para dirigir muda com a idade e as condições de saúde. Foto: Rachid Waqued/Detran-MS

As recentes alterações na legislação de trânsito, propostas sob o argumento de “desburocratização” e “acessibilidade”, estão sendo alvo de críticas por parte de especialistas em segurança viária e psicologia do trânsito. Para os especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), a flexibilização nos prazos de validade e outras mudanças da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da desvalorização dos exames de aptidão física e mental representam um retrocesso que negligencia a ciência da prevenção e pode ter um custo social e econômico incalculável. 

A redução da frequência das avaliações médicas e psicológicas transfere o custo da prevenção para o SUS e Previdência, gerando uma “falsa economia” que se manifesta em acidentes, mortes e lesões graves que amplificam a perda de força produtiva no país. 

Números

Os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de janeiro a outubro de 2025 reforçam a tese dos especialistas. De um total de 59.459 acidentes nas rodovias federais, com 4.970 mortes e 68.264 feridos, a maioria das ocorrências tem origem em falhas humanas previsíveis e, portanto, preveníveis. 

As duas principais causas de acidentes (Ausência de reação do condutor e Reação tardia ou ineficiente do condutor) somam impressionantes 18.087 casos e estão diretamente ligadas a falhas nos processos cognitivos e fisiológicos do condutor.

“A maioria dos acidentes poderia ser evitada pois são falhas humanas previsíveis. A ausência ou a reação tardia não são apenas desatenção momentânea; elas são os indicadores mais claros de falhas críticas na atenção, percepção e velocidade de processamento”, explica a especialista em segurança viária e presidente da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), Adalgisa Lopes. 

A especialista explica que a falta de reação está diretamente ligada à saúde mental. “É uma reação característica da sobrecarga por estresse ou fadiga crônica. A reação tardia, por sua vez, aponta para uma lentidão no processamento de informações e na tomada de decisão, que é dramaticamente afetada por distúrbios do sono ou até mesmo por medicamentos”, completa Adalgisa. 

Essas falhas psicofisiológicas são a raiz de mais de 18 mil acidentes e são precisamente o que a avaliação psicológica rigorosa e o exame médico aprofundado buscam rastrear. Ao flexibilizar a renovação, o risco é aumentado e as ruas estarão repletas de motoristas com a capacidade de reação comprometida. 

O impacto bilionário na economia e na saúde

A desvalorização da prevenção tem um impacto direto no SUS e na economia. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os acidentes custam entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. Ou seja, algo em torno de R$ 351 bilhões por ano no Brasil. “O argumento da ‘economia’ é doloroso. O que se economiza na avaliação se transfere para os custos de saúde pública. Além disso, reabilitação e previdência social”, detalha Giovana Varoni, especialista em segurança viária e psicologia do trânsito. 

“Quando um condutor sofre um mal súbito ou um acidente grave, ele deixa de ser um provedor e se torna um custo altíssimo para o Estado, além do drama familiar”, aponta. 

O vice-presidente da Actrans-MG, Carlos Luiz Souza, critica a visão simplista que reduz a CNH a uma mera burocracia. Assim, argumentando que a aptidão para dirigir muda com a idade e as condições de saúde. “Por trás da CNH existe uma ciência complexa, um sistema de proteção à vida. O exame médico é, para muitos, a única triagem de saúde preventiva”, diz.

Ele alerta que estender o prazo de renovação aumenta o risco de que condições médicas não diagnosticadas. Como, por exemplo, diabetes descompensada, hipertensão não controlada ou distúrbios do sono (como apneia). Essas situações podem levar a um mal súbito ao volante, caso permaneçam sem acompanhamento. Para e entidade, estes são motivos suficientes para a inclusão de exames básicos como glicemia ou hemoglobina glicada na avaliação, como medida de prevenção primária. 

Psicologia no trânsito

No campo psicológico, a avaliação é uma ferramenta essencial de prevenção que identifica vulnerabilidades comportamentais e emocionais. Dessa forma, analisando fatores como controle da impulsividade, gestão da raiva no trânsito e tendência à agressividade. “O risco na direção é o mesmo para um motorista profissional ou para qualquer outro. A desvalorização dos profissionais, exigindo alta qualificação e oferecendo uma remuneração irrisória, é insustentável e compromete a qualidade do serviço prestado à população. Estamos arriscando vidas por uma economia de centavos”, provoca a psicóloga e presidente da Actrans-MG. 

Adalgisa reforça a necessidade de uma mudança de rumo.

“A segurança viária não pode mais ser tratada apenas como uma questão de engenharia e fiscalização. Ela precisa ser vista, primariamente, como uma questão de saúde pública e comportamento humano. O governo federal demonstra falta de responsabilidade ao formatar alterações que minimizam procedimentos médicos e psicológicos, e é fundamental que se crie uma Política Pública de Segurança Viária que priorize o fator humano e a sustentabilidade do sistema de prevenção”, conclui.

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Uso da luz alta para sinalizar ultrapassagem: o que diz o CTB e como usar corretamente

ter, 06/01/2026 - 08:15
Embora pareça um recurso simples, utilizar a luz alta de forma incorreta pode gerar problemas sérios no trânsito. Foto: Sutichak para Depositphotos

Em rodovias e vias movimentadas, é comum ver motoristas utilizando a luz alta como forma de sinalizar que desejam ultrapassar. O gesto, tão difundido no cotidiano, levanta uma questão importante: o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) permite esse tipo de comunicação?

A resposta é sim, mas com limites. O CTB autoriza o uso da luz alta intermitente em curtos intervalos como sinal de intenção de ultrapassagem, mas condena o uso excessivo ou como forma de pressionar outros motoristas.

O que diz a legislação sobre o uso da luz alta

O artigo 40 do CTB regula o uso dos faróis no Brasil. Ele estabelece que a luz alta deve ser utilizada apenas em vias não iluminadas, substituindo-se pela luz baixa sempre que houver veículo transitando em sentido contrário ou à frente.

Já o artigo 251 do CTB trata especificamente das situações em que se considera o uso das luzes infração. O inciso II aponta que é proibido utilizar a luz alta de forma intermitente, exceto em curtos intervalos, quando for conveniente advertir outro condutor sobre a intenção de ultrapassá-lo.

Ou seja, a lei permite o uso da luz alta como sinal de ultrapassagem, desde que seja rápido, pontual e utilizado de forma segura.

Quando a luz alta se torna infração

Apesar da permissão legal, o uso incorreto da luz alta pode resultar em multa. O artigo 251 prevê que:

  • Transitar com o farol desregulado ou com o facho de luz alta de forma a perturbar a visão de outro condutor é infração grave, com multa de R$ 195,23, acréscimo de 5 pontos na CNH e retenção do veículo para regularização;
  • Já, fazer uso do facho de luz alta dos faróis em vias providas de iluminação pública é infração leve, com multa de R$ 88,38 e 3 pontos na CNH.

Portanto, o que a lei proíbe não é o sinal breve e pontual, mas o uso excessivo, intimidador ou em desacordo com a segurança viária.

Por que o uso inadequado da luz alta é perigoso

Embora pareça um recurso simples, utilizar a luz alta de forma incorreta pode gerar problemas sérios no trânsito:

  • Ofuscamento da visão: o facho intenso reduz a capacidade de enxergar do motorista à frente ou em sentido contrário;
  • Estresse e intimidação: ser pressionado com luz alta pode levar a reações perigosas, como freadas bruscas ou manobras apressadas;
  • Risco em ultrapassagens: o uso excessivo da luz pode atrapalhar tanto o motorista que será ultrapassado quanto quem vem em sentido contrário.
O que a lei prevê como sinal de ultrapassagem

O CTB estabelece sinais oficiais que o condutor pode utilizar quando deseja ultrapassar:

  • Uso breve da buzina, em toques leves, conforme o art. 41;
  • Luz alta intermitente a curtos intervalos, como prevê o art. 251, II, “a”;
  • Luz baixa em piscadas rápidas, especialmente em áreas urbanas onde não é possível usar a buzina.

Deve-se entender esses sinais como formas de comunicação e cortesia, e não como imposição de passagem.

Veja também Conscientização Projeto Trânsito+ inicia ações de segurança para ciclistas nas rodovias Fiscalização e Legislação Dar passagem a viaturas de emergência é obrigação e pode salvar vidas Fiscalização e Legislação Farol de LED instalado fora do padrão pode gerar multa e comprometer a segurança Como agir corretamente em situações de ultrapassagem

Para quem deseja ultrapassar:

  • Use o sinal correto: buzina breve ou luz alta intermitente em curtos intervalos;
  • Aguarde o momento seguro, respeitando a sinalização e as condições da via;
  • Evite insistência ou gestos que possam intimidar.

Para quem recebe o sinal de ultrapassagem:

  • Mantenha sua velocidade constante;
  • Se possível, facilite a manobra deslocando-se levemente à direita, sem sair da faixa de rolamento;
  • Nunca acelere para impedir a ultrapassagem.
Educação e respeito à lei são fundamentais

Há a previsão do uso da luz alta como sinal de ultrapassagem na legislação, desde que aconteça de forma breve, correta e segura. O que não se admite é transformar esse recurso em uma forma de pressão, colocando em risco a segurança de todos.

Mais do que evitar multas, respeitar as regras é preservar vidas. No trânsito, cada gesto conta — e até mesmo um simples sinal de luz pode fazer a diferença entre uma manobra segura e um acidente.

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Urbanismo tático: como intervenções rápidas reduzem sinistros

seg, 05/01/2026 - 18:00
Curitiba implanta dispositivos físicos para reduzir a velocidade perto de escolas. Foto: Divulgação

O urbanismo tático ganhou espaço no debate sobre segurança viária por propor soluções rápidas, de baixo custo e alto impacto. Em vez de esperar grandes obras, essa abordagem utiliza intervenções temporárias — muitas vezes com pintura, sinalização e mobiliário simples — para reorganizar o espaço urbano e reduzir riscos.

A lógica é clara: testar antes de construir. Ao alterar temporariamente o desenho de uma rua, gestores conseguem observar o comportamento dos usuários, identificar falhas e ajustar soluções antes de torná-las definitivas.

Entre as intervenções mais comuns estão estreitamento de pistas, ampliação de calçadas, travessias elevadas, ilhas de refúgio e reorganização de cruzamentos.

Essas mudanças reduzem velocidade, aumentam a previsibilidade e melhoram a convivência entre modais.

Um dos principais benefícios é a resposta imediata. Em locais com alto índice de atropelamentos ou colisões, o urbanismo tático permite agir rapidamente, evitando que novos sinistros ocorram enquanto projetos maiores são planejados.

Outro ponto forte é a mudança de percepção. Quando a rua muda, o comportamento muda junto. Vias que antes “pediam” velocidade passam a induzir cautela. Pedestres ganham visibilidade e confiança para atravessar.

Críticos costumam apontar a aparência provisória dessas intervenções. No entanto, a experiência mostra que muitas soluções temporárias acabam se tornando permanentes justamente pelos bons resultados apresentados.

Além da segurança, o urbanismo tático traz ganhos sociais: fortalece o comércio local, estimula a caminhada, reduz conflitos e melhora a qualidade do espaço público.

No trânsito, esperar a solução perfeita pode custar vidas. Intervenções simples, bem pensadas e monitoradas mostram que é possível salvar vidas agora, sem grandes investimentos, desde que haja vontade política e foco nas pessoas.

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A cultura da motocicleta no Brasil: desafios, riscos e caminhos possíveis

seg, 05/01/2026 - 13:30
Hoje, motos disputam espaço com carros, ônibus, bicicletas e pedestres. Foto: joasouza para Depositphotos

A motocicleta ocupa um papel central na mobilidade brasileira. Presente tanto nas grandes cidades quanto no interior, ela representa agilidade, baixo custo e oportunidade de trabalho para milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, concentra uma parcela desproporcional das vítimas graves e fatais do trânsito, o que revela um problema estrutural que vai além do veículo em si.

O crescimento da frota de motocicletas ocorreu de forma acelerada, sem que as cidades, a legislação e a cultura de trânsito acompanhassem esse movimento. Hoje, motos disputam espaço com carros, ônibus, bicicletas e pedestres em vias que não foram projetadas para essa convivência intensa.

Um dos principais desafios está no comportamento induzido pelo ambiente. Corredores improvisados, pressa constante e pressão por produtividade — especialmente entre profissionais de entrega — criam um cenário de risco permanente. A motocicleta, por sua própria dinâmica, expõe mais o condutor e exige leitura precisa do ambiente.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, avalia que o problema não está apenas no motociclista.

“O erro é tratar a motocicleta como exceção no trânsito. Ela é parte do sistema e precisa ser considerada no planejamento, na educação e na fiscalização”, afirma.

Veja também Segurança Mortes de motociclistas disparam: o que está sendo feito para proteger quem entrega nas ruas? Estatísticas A cada dois minutos, uma vítima de sinistro de trânsito é atendida no SUS Fiscalização e Legislação Buzina não é brinquedo: por que o uso indevido é uma infração que coloca todos em risco Outro fator relevante é a formação do condutor.

Muitos motociclistas aprendem a conduzir focados apenas na técnica básica, sem aprofundamento em percepção de risco, direção defensiva específica para motos e convivência com outros modais. Isso fragiliza a capacidade de antecipar perigos.

Para Celso Mariano, há uma distorção na forma como se encara o risco. “O motociclista costuma ser responsabilizado sozinho, quando na verdade ele circula em um ambiente hostil, pouco preparado para recebê-lo com segurança”, destaca.

A infraestrutura também pesa. Ausência de faixas exclusivas, pavimento irregular, sinalização apagada e obstáculos urbanos afetam muito mais quem está sobre duas rodas. Pequenas falhas na via, quase imperceptíveis para carros, podem ser fatais para motos.

Apesar do cenário desafiador, há caminhos possíveis. Investir em educação continuada, adaptar o desenho viário, fiscalizar de forma inteligente e reconhecer a motocicleta como modal legítimo são passos essenciais.

Reduzir mortes de motociclistas não depende de proibição ou culpabilização, mas de integração. Quando o sistema passa a enxergar a motocicleta como parte da solução de mobilidade — e não apenas como problema — os resultados começam a aparecer.

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CNH 2026: entenda o novo modelo de formação de condutores

seg, 05/01/2026 - 08:15
A promessa de redução de custos é um dos principais atrativos do novo modelo. Por outro lado, há um risco concreto de economia ilusória. Foto: Divulgação Detran/AC

Quem pretende tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em 2026 vai enfrentar um cenário completamente diferente daquele que vigorou no Brasil por mais de duas décadas. A Resolução Contran nº 1.020/25, publicada no fim de 2025, reformulou de forma profunda o processo de formação de condutores, alterando desde a forma de estudar até a quantidade mínima de aulas práticas exigidas antes do exame.

O novo modelo promete ampliar o acesso à CNH, reduzir custos e oferecer mais liberdade de escolha ao candidato. Ao mesmo tempo, acende um alerta importante: com menos exigências formais de formação, cresce o peso da responsabilidade individual e do papel fiscalizador do Estado. Para quem planeja iniciar a habilitação em 2026, entender essas mudanças é essencial para não ser pego de surpresa.

Um processo mais flexível — e menos padronizado

Uma das principais mudanças trazidas pela Resolução 1.020/25 é o fim da carga horária mínima nacional obrigatória para o curso teórico. A partir de agora, o candidato poderá escolher onde e como estudar: curso oferecido pelo órgão máximo executivo de trânsito da União, autoescolas, entidades de ensino a distância (EaD), Escolas Públicas de Trânsito ou outros órgãos do Sistema Nacional de Trânsito.

Não há mais um número fixo de horas-aula definido em resolução. Isso significa que o tempo de estudo deixa de ser padronizado e passa a depender da proposta pedagógica da instituição escolhida — e do empenho do próprio candidato. O exame teórico, por sua vez, permanece obrigatório e se torna o principal instrumento para aferir o domínio dos conteúdos.

O certificado deixa de ser sinônimo de aprendizado

Outro ponto relevante é que o certificado de conclusão do curso teórico passa a ter caráter meramente formal. Ele comprova que o candidato participou daquela etapa, mas não atesta conhecimento. A avaliação real continua sendo feita exclusivamente pelo exame teórico aplicado pelo Detran.

Na prática, isso reforça um movimento claro da nova norma: menos controle sobre o percurso formativo e mais foco no resultado final. Para quem não se preparar adequadamente, a flexibilidade pode se transformar em dificuldade já nas primeiras tentativas de prova.

Menos aulas práticas obrigatórias

Talvez a mudança que mais impacte quem vai tirar a CNH em 2026 seja a redução da carga mínima de aulas práticas. Para as categorias A e B, a Resolução 1.020/25 exige apenas duas horas mínimas de aulas práticas, registradas no Renach, para que o candidato esteja apto a realizar o exame de direção veicular.

Isso não significa que o candidato esteja limitado a esse número. Ele pode — e, em muitos casos, deve — realizar mais aulas.

No entanto, o patamar mínimo legal passa a ser muito inferior ao modelo anterior, o que gera preocupação sobre a real preparação de condutores iniciantes para o trânsito cotidiano.

Veja também CFCs CNH do Brasil: veja o que permanece obrigatório no credenciamento das autoescolas Primeira Habilitação Vai tirar a CNH: exames agora têm preço máximo nacional e levantam desafios práticos Primeira Habilitação Por que os Detrans precisam de tempo para implementar as novas regras da CNH do Brasil Instrutor continua obrigatório, mas o modelo muda

Apesar de interpretações equivocadas que circularam após a publicação da norma, a formação prática não foi liberada sem instrutor. A resolução deixa claro que todas as aulas práticas devem ocorrer com acompanhamento e supervisão de instrutor de trânsito devidamente autorizado.

A diferença é que esse instrutor pode atuar de forma autônoma ou vinculado a uma autoescola. O veículo utilizado nas aulas também pode ser do próprio candidato ou de terceiros, desde que identificado conforme as regras e acompanhado por instrutor habilitado.

Essa mudança amplia as possibilidades e reduz custos, mas exige fiscalização rigorosa para evitar improvisos que coloquem em risco a segurança viária.

Exame prático ganha protagonismo

Com menos exigências formais ao longo da formação, o exame prático passa a ser o grande filtro do processo de habilitação. Ele será decisivo para verificar se o candidato reúne condições mínimas para conduzir com segurança em vias terrestres.

A prova será avaliada por uma comissão com três membros, seguirá um sistema de pontuação baseado nas infrações cometidas durante o percurso e poderá, inclusive, contar com monitoramento eletrônico. A interrupção do exame também está prevista em casos de incapacidade técnica ou instabilidade emocional.

De acordo com Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, esse protagonismo do exame prático merece atenção.

“Quando se reduz a formação e se aposta quase tudo na avaliação final, o risco é transformar o exame em um filtro insuficiente para compensar lacunas de aprendizado. Avaliar não substitui formar”, analisa.

Autoescolas deixam de ser caminho obrigatório

As autoescolas continuam existindo e desempenhando papel relevante, mas deixam de ser a única porta de entrada para a CNH. Elas passam a disputar espaço em um ambiente mais aberto, onde o candidato pode escolher diferentes formatos de aprendizagem.

O desafio para 2026 será a adaptação.

“As autoescolas que conseguirem demonstrar valor pedagógico real, indo além do ‘treinar para a prova’, terão espaço. Formação de qualidade não se mede apenas pelo resultado no exame, mas pelo comportamento do condutor depois”, avalia Mariano.

Custos menores, riscos maiores?

A promessa de redução de custos é um dos principais atrativos do novo modelo. Menos aulas obrigatórias, maior uso de EaD e possibilidade de usar veículo próprio tendem a baratear o processo inicial.

Por outro lado, há um risco concreto de economia ilusória. Um candidato mal preparado pode enfrentar reprovações sucessivas, necessidade de aulas extras e, pior, dificuldades reais ao ingressar no trânsito. O preço de uma formação insuficiente não aparece apenas na conta do Detran, mas nos índices de sinistros e na segurança coletiva.

O que quem vai tirar a CNH em 2026 precisa ter em mente

Para quem pretende iniciar a habilitação em 2026, o novo modelo traz liberdade, mas também exige maturidade, disciplina e responsabilidade. A formação deixa de seguir um roteiro único e passa a depender de escolhas individuais, em um país que já convive com altos índices de violência no trânsito.

Mais do que perguntar “como tirar a CNH mais rápido”, o desafio será refletir se o processo está, de fato, preparando novos condutores para conviver com segurança em um trânsito cada vez mais complexo.

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Fortes chuvas e alagamentos: especialistas listam recomendações para motoristas enfrentarem o período crítico

dom, 04/01/2026 - 18:00
Em momentos de instabilidade climática, o comportamento preventivo do motorista pode evitar acidentes, reduzir prejuízos e preservar vidas. Crédito: Divulgação / Freepik

Com as fortes chuvas que ocorrem nesta época do ano cresce a preocupação com a segurança no trânsito e com os cuidados necessários com os veículos. Em momentos de instabilidade climática, o comportamento preventivo do motorista pode evitar acidentes, reduzir prejuízos e preservar vidas. 

Pensando nisso, especialistas em manutenção automotiva da AutoZone Brasil reuniram orientações essenciais para quem precisa enfrentar esses dias de chuvas intensas e alagamentos. Confira: 

1. Antes de sair: planejamento é fundamental
  • Verifique as condições climáticas e rotas alternativas antes de pegar a estrada ou circular pela cidade.
  • Confira itens básicos do veículo que fazem diferença em dias de chuva: palhetas do para-brisa (que devem estar em bom estado para garantir visibilidade), nível de água do reservatório de limpadores, lanternas e faróis funcionando perfeitamente, além do estado dos pneus — principalmente a profundidade dos sulcos, que garantem melhor escoamento da água.
  • Evite sair caso haja alertas de alagamento ou risco de deslizamentos.
2. Durante a condução sob chuva forte
  • Reduza a velocidade e aumente a distância do veículo à frente para evitar aquaplanagem.
  • Mantenha os faróis acesos mesmo durante o dia.
  • Nunca atravesse áreas alagadas sem saber a profundidade da água: além de representar risco à segurança, isso pode causar sérios danos ao motor e ao sistema elétrico do carro.
  • Se a água começar a subir rapidamente, procure parar em um local seguro e mais alto.
3. Em caso de alagamento: o que fazer
  • Se o carro apagar durante a travessia de uma área com água, não tente dar partida novamente. Isso pode provocar o chamado calço hidráulico, um dos danos mais graves ao motor.
  • Saia do veículo com segurança e procure abrigo em um ponto mais elevado.
  • Acione a assistência necessária apenas quando estiver seguro.
4. Cuidados após o contato com água em excesso
  • Mesmo que o carro pareça “normal” após passar por uma área alagada, é recomendado levá-lo a uma avaliação técnica. Sistemas como freios, suspensão, transmissão, componentes elétricos e filtros podem ter sido afetados.
  • Verifique também o estado das pastilhas e dos discos de freio, que podem perder eficiência temporariamente após exposição excessiva à água.
  • Pneus e rodas devem ser inspecionados para identificar danos causados por buracos ocultos pela água.
5. Atenção aos sinais do veículo nos dias seguintes
  • Sons incomuns, dificuldade ao dar partida, perda de potência, luzes de alerta no painel e odor de umidade no interior podem indicar danos consequentes da chuva — e exigem avaliação imediata.

“Diante do cenário climático atual, o mais importante é priorizar a segurança e evitar deslocamentos desnecessários. Adotar medidas preventivas e conhecer os riscos ajuda motoristas a atravessarem esse período com mais tranquilidade e responsabilidade”, informa a companhia, que é líder mundial no mercado de autopeças.

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Iluminação viária e segurança: uma relação direta e pouco discutida

dom, 04/01/2026 - 13:30
A relação é direta: quanto pior a iluminação, menor a capacidade de percepção de motoristas, pedestres e ciclistas. Foto: kievith para Depositphotos

A iluminação viária é um dos elementos mais subestimados da segurança no trânsito. Embora sua ausência ou deficiência esteja diretamente relacionada a atropelamentos e colisões noturnas, o tema ainda recebe pouca atenção nas políticas públicas e no debate sobre segurança viária.

A relação é direta: quanto pior a iluminação, menor a capacidade de percepção de motoristas, pedestres e ciclistas. À noite, o campo visual humano já é naturalmente reduzido. Sem iluminação adequada, obstáculos, pessoas e sinalizações tornam-se praticamente invisíveis até que seja tarde demais.

Pedestres são os mais afetados. Em vias mal iluminadas, a chance de atropelamento cresce significativamente, especialmente em travessias longas ou fora da faixa. Ciclistas também ficam mais vulneráveis, mesmo quando utilizam equipamentos refletivos.

A iluminação influencia também a velocidade praticada.

Vias escuras geram duas reações opostas e igualmente perigosas: alguns motoristas reduzem excessivamente a velocidade por insegurança; outros aceleram para “sair logo” do trecho. Ambas aumentam o risco de conflitos.

Outro ponto crítico é a leitura da sinalização. Placas, faixas e semáforos dependem de boa iluminação para cumprir seu papel. Quando esses elementos não são visíveis, a comunicação do trânsito falha.

Apesar disso, costuma-se tratar a iluminação apenas como questão estética ou de segurança pública, e não como componente da segurança viária. Falta integração entre planejamento urbano, trânsito e iluminação.

Investir em iluminação adequada traz benefícios amplos: reduz sinistros, aumenta a sensação de segurança, incentiva a caminhada noturna e melhora a convivência urbana. Além disso, tecnologias mais eficientes permitem ganhos com menor consumo de energia.

Tratar a iluminação viária como ferramenta de preservação da vida é uma mudança necessária. No trânsito, ver e ser visto não é detalhe — é condição básica para a segurança.

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Como identificar pontos críticos de segurança viária em qualquer cidade

dom, 04/01/2026 - 08:15
Quando acidentes semelhantes acontecem repetidamente no mesmo local, não se trata de azar ou falha individual, mas de um problema estrutural. Foto: AndreyPopov para Depositphotos

Em praticamente todas as cidades existem locais onde os sinistros se repetem: cruzamentos perigosos, trechos de alta velocidade, áreas com muitos atropelamentos ou colisões frequentes. Esses locais são chamados de pontos críticos de segurança viária — e identificá-los é um passo essencial para reduzir mortes no trânsito.

O primeiro indicador é a reincidência de ocorrências. Quando acidentes semelhantes acontecem repetidamente no mesmo local, não se trata de azar ou falha individual, mas de um problema estrutural. Dados de órgãos de trânsito, hospitais e seguradoras ajudam a mapear esses pontos.

Outro sinal claro é o comportamento dos usuários. Locais onde motoristas freiam bruscamente, pedestres hesitam para atravessar ou motociclistas fazem desvios improvisados indicam falhas no desenho viário ou na sinalização.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, explica que o erro comum é focar apenas no condutor.

“Quando o acidente se repete no mesmo lugar, o problema raramente é só o motorista. É o ambiente que está induzindo ao erro”, afirma.

A análise do desenho urbano é fundamental.

Cruzamentos muito abertos, ausência de ilhas de refúgio, travessias longas, curvas fechadas sem visibilidade e vias largas demais costumam estar associados a maior gravidade dos sinistros.

A velocidade praticada, e não apenas a regulamentada, também revela pontos críticos. Se os veículos trafegam sistematicamente acima do limite, é sinal de que a via “convida” ao excesso de velocidade.

Segundo Celso Mariano, pequenas mudanças podem gerar grandes resultados. “Muitas vezes, não é preciso uma grande obra. Um estreitamento de pista, uma travessia elevada ou melhor iluminação já reduzem drasticamente o risco”, destaca.

Outro elemento importante é ouvir a população local. Moradores, comerciantes e usuários frequentes conhecem bem os riscos do dia a dia e costumam apontar problemas antes mesmo que apareçam nas estatísticas oficiais.

Identificar pontos críticos não é apenas um exercício técnico, mas uma ferramenta poderosa de prevenção. Quando cidades passam a agir de forma proativa, corrigindo locais perigosos antes de tragédias, a segurança viária deixa de ser reativa e passa a salvar vidas de forma contínua.

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Acidentes noturnos: por que eles são mais graves e letais

sab, 03/01/2026 - 18:00
Os pedestres estão entre as principais vítimas dos acidentes noturnos. Foto: Arquivo Tecnodata

Os sinistros de trânsito ocorridos durante a noite costumam ter consequências mais graves do que aqueles registrados durante o dia. Dados de segurança viária mostram que, embora o volume de tráfego seja menor no período noturno, a proporção de mortes e feridos graves é significativamente maior. Esse paradoxo tem explicações técnicas, comportamentais e estruturais.

A redução da visibilidade é um dos fatores centrais. Mesmo com iluminação pública, a capacidade humana de perceber detalhes diminui no escuro. Pedestres, ciclistas e obstáculos na via tornam-se menos visíveis, especialmente quando usam roupas escuras ou circulam em locais mal iluminados. Faróis ajudam, mas não compensam totalmente essa limitação fisiológica.

Outro ponto crítico é a velocidade média mais alta à noite. Com menos veículos nas ruas, muitos motoristas sentem-se mais à vontade para acelerar. O problema é que qualquer erro cometido em maior velocidade aumenta exponencialmente a gravidade do impacto. À noite, o tempo de reação já é menor; em alta velocidade, o risco se multiplica.

O consumo de álcool e outras substâncias também tem peso relevante. Embora dirigir alcoolizado seja proibido em qualquer horário, as ocorrências se concentram no período noturno, especialmente em fins de semana e datas festivas.

O álcool reduz reflexos, altera a percepção de risco e compromete decisões básicas, como manter a faixa ou respeitar sinalização.

A fadiga é outro fator determinante. Muitos condutores circulam à noite após longas jornadas de trabalho ou viagens prolongadas. O cansaço provoca lapsos de atenção, sonolência e respostas mais lentas. Em alguns casos, o motorista sequer percebe que adormeceu por alguns segundos — tempo suficiente para um sinistro grave.

Do ponto de vista da infraestrutura, o cenário também é desfavorável. Em muitas cidades, a iluminação pública é insuficiente ou irregular. Faixas de pedestres apagadas, sinalização vertical mal posicionada e buracos pouco visíveis agravam o risco. Em rodovias, a ausência de iluminação torna a leitura do ambiente ainda mais difícil.

Os pedestres estão entre as principais vítimas dos acidentes noturnos. A combinação de baixa visibilidade, travessias longas e excesso de velocidade cria um ambiente hostil para quem circula a pé. O mesmo vale para ciclistas, especialmente em vias sem infraestrutura adequada.

Reduzir a letalidade dos acidentes noturnos exige um conjunto de ações: melhoria da iluminação, fiscalização estratégica, campanhas educativas específicas e, sobretudo, mudança de comportamento. À noite, dirigir exige ainda mais cautela, redução de velocidade e atenção redobrada.

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Por que o Brasil ainda está longe de ter veículos autônomos nas ruas

sab, 03/01/2026 - 13:30
Em países onde os testes avançaram, o ambiente urbano é altamente controlado — algo distante da realidade brasileira. Foto: karelnoppe para Depositphotos

O debate sobre veículos autônomos costuma despertar fascínio e expectativas elevadas. Em muitos países, testes já ocorrem em vias públicas, com carros capazes de se deslocar sem intervenção humana em ambientes controlados. No Brasil, porém, essa realidade ainda está distante — e não apenas por uma questão tecnológica.

O primeiro grande obstáculo é a infraestrutura viária. Veículos autônomos dependem de sinalização clara, padronizada e bem conservada. Faixas apagadas, placas encobertas, buracos e mudanças improvisadas no traçado urbano dificultam a leitura do ambiente pelos sensores e câmeras. No Brasil, esse cenário é comum, inclusive em grandes cidades.

Outro entrave importante é a heterogeneidade do trânsito. Motocicletas circulando entre faixas, pedestres atravessando fora da faixa, bicicletas sem infraestrutura adequada e veículos em condições precárias criam um ambiente altamente imprevisível. Para sistemas autônomos, essa imprevisibilidade é um desafio técnico significativo.

Há também o fator regulatório.

O Brasil ainda não possui um marco legal específico para veículos autônomos em circulação plena. Questões como responsabilidade em caso de sinistro, seguros, fiscalização e certificação tecnológica ainda carecem de definições claras. Sem esse arcabouço, a adoção em larga escala fica inviável.

Do ponto de vista tecnológico, embora sensores e algoritmos tenham evoluído, eles ainda enfrentam limitações em situações complexas, como chuvas intensas, iluminação deficiente ou tráfego desordenado. Em países onde os testes avançaram, o ambiente urbano é altamente controlado — algo distante da realidade brasileira.

Outro ponto sensível é o comportamento humano. O trânsito no Brasil se baseia em negociação informal, gestos, olhares e improvisos.

Elementos subjetivos que a tecnologia ainda tem dificuldade de interpretar com segurança.

Por fim, há a questão econômica. Veículos autônomos exigem alto investimento em tecnologia embarcada e infraestrutura externa. Em um país com grandes desigualdades sociais e desafios básicos de mobilidade, essa prioridade ainda parece distante.

Isso não significa que o Brasil ficará à margem dessa transformação. O avanço deve ocorrer de forma gradual, começando por aplicações específicas, como logística, transporte em áreas controladas e sistemas de assistência cada vez mais sofisticados. A autonomia plena, porém, ainda exige um longo caminho de adaptação estrutural, legal e cultural.

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