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Atualizado: 25 minutos 41 segundos atrás

Ano novo, carro novo? Guia prático para escolher o modelo ideal dentro do orçamento

sab, 14/02/2026 - 13:30
O bom momento do setor automotivo amplia as opções — e também os riscos de uma escolha mal planejada. Foto: Divulgação

Começar o ano com carro novo (ou seminovo) está entre as metas de muitos brasileiros. Mas, antes de se encantar pelo design, tecnologia embarcada ou status do modelo, é fundamental olhar com atenção para critérios técnicos e financeiros que fazem toda a diferença no bolso e na experiência de uso ao longo do tempo. 

O bom momento do setor automotivo amplia as opções — e também os riscos de uma escolha mal planejada. De acordo com dados da FENAUTO (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), as vendas de veículos seminovos e usados em 2025 já superaram todo o volume registrado em 2024, com crescimento superior a 17%, caminhando para um novo recorde histórico, com cerca de 18 milhões de unidades comercializadas no ano. 

Esse aquecimento reforça a importância de o consumidor ir além da aparência e tomar decisões baseadas em critérios objetivos. Para Alan Ladeia, especialista no setor automotivo e CEO da Carflix, o consumidor precisa adotar uma postura mais racional na hora da compra. 

“O erro mais comum é escolher o carro apenas pelo visual ou pelo desejo do momento. Um bom negócio começa pela análise técnica: motor, quilometragem, histórico e custo de manutenção. Esses fatores impactam diretamente no bolso ao longo dos anos.”

Abaixo, o especialista indica um guia prático com 5 dicas do que avaliar antes de fechar o negócio. 

1. Aparência não sustenta carro: avalie o motor: por mais atraente que seja o visual, o motor é o “coração” do veículo. Verifique o tipo (aspirado ou turbo), histórico de manutenção, consumo médio e se o modelo é conhecido por problemas recorrentes. Um carro bonito, mas com mecânica sensível, pode virar dor de cabeça. 

2. Quilometragem precisa fazer sentido: a quilometragem deve ser compatível com a idade do veículo. Rodagens muito baixas podem indicar longos períodos parado ou até alguma alteração duvidosa; já números excessivos exigem atenção redobrada à manutenção de peças como suspensão, embreagem e correias. 

3. Histórico e procedência são indispensáveis: consultar se o carro já passou por leilão, sofreu sinistro ou teve múltiplos donos ajuda a evitar prejuízos futuros. Transparência na procedência é um dos principais fatores de segurança na compra. 

4. Custos invisíveis pesam no orçamento: seguro, consumo de combustível, valor das revisões e peças de reposição variam bastante entre modelos. Um carro barato na compra pode se tornar caro no dia a dia. 

5. Pense no uso real, não no ideal: o modelo deve se adaptar à rotina do motorista — seja trânsito urbano, estrada, família ou trabalho. Espaço interno, conforto e manutenção compatível com o uso fazem mais diferença do que itens de luxo pouco utilizados 

6. Avalie com cuidado onde o carro está sendo comprado: tão importante quanto o veículo é o local da compra. Optar por revendas e plataformas consolidadas no mercado, com reputação, endereço físico, processos claros e garantia, reduz riscos de golpes, furtos e experiências inseguras.

Negociações informais, sem contrato ou transparência, podem colocar o consumidor em situações perigosas , além de gerar prejuízos financeiros.

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Projeto de Lei propõe normas nacionais para reforçar proteção ao pedestre e endurecer punições

sab, 14/02/2026 - 08:15
Segundo o autor, experiências internacionais mostram que a combinação entre infraestrutura adequada e fiscalização constante gera mudanças reais de comportamento. Foto: JANIFEST para Depositphotos

A Câmara dos Deputados analisa o PL 7039/2025, de autoria do deputado Duda Ramos (MDB/RR), que institui normas nacionais para proteção ao pedestre no trânsito. A proposta estabelece a obrigatoriedade de fiscalização automática, define padrões de infraestrutura inteligente de travessia e agrava penalidades para motoristas que desrespeitem a faixa de pedestres.

O projeto parte do reconhecimento de que o pedestre segue como o elo mais vulnerável do sistema viário, sobretudo em áreas urbanas com iluminação precária, sinalização insuficiente e baixa percepção de risco por parte dos condutores.

Na justificativa, o parlamentar afirma que o atropelamento é “uma das principais causas de morte no trânsito brasileiro” e classifica o fenômeno como uma “tragédia silenciosa que atinge milhares de famílias todos os anos”, destacando que grande parte desses episódios ocorre justamente em travessias urbanas mal protegidas.

O que são faixas de pedestres inteligentes

O texto cria o conceito de faixa de pedestres inteligente, definida como a travessia equipada com um conjunto mínimo de dispositivos de segurança. Entre eles estão lombofaixa com padrão nacional, iluminação obrigatória direcionada, sinalização horizontal e vertical de alta visibilidade e, quando necessário, fiscalização automática.

Essas estruturas deverão ser implantadas de forma obrigatória pelos municípios e pelo Distrito Federal em locais considerados sensíveis, como áreas escolares, hospitais e unidades de saúde, terminais e estações de transporte coletivo, além de travessias com histórico de acidentes ou situadas em vias com limite de velocidade igual ou superior a 40 km/h em zonas residenciais e comerciais.

Conforme o autor, experiências internacionais mostram que a combinação entre infraestrutura adequada e fiscalização constante gera mudanças reais de comportamento. Na justificativa, Duda Ramos cita que países como Holanda, Espanha e Japão obtiveram reduções expressivas nos atropelamentos após adotarem lombofaixas, iluminação obrigatória e monitoramento eletrônico permanente.

Fiscalização automática passa a ser obrigatória

Um dos pontos centrais do PL é a obrigatoriedade da fiscalização automática em travessias consideradas críticas ou de grande fluxo. Os equipamentos deverão registrar infrações como:

  • deixar de dar preferência ao pedestre na faixa;
  • avançar sobre a faixa com pedestre iniciando ou concluindo a travessia;
  • trafegar em velocidade incompatível com a segurança do local.

Os sistemas deverão operar 24 horas por dia, registrar imagem, data, hora e identificação do veículo, além de serem integrados ao Sistema Nacional de Trânsito e possuir certificação de precisão.

Para o deputado, a dependência exclusiva da presença física de agentes contribui para a impunidade. Ele argumenta que “a baixa percepção de risco e a impunidade contribuem para a negligência cotidiana dos motoristas diante da faixa de pedestres”.

Penalidades mais duras e suspensão imediata da CNH

O projeto também propõe endurecimento significativo das penalidades. Deixar de parar para o pedestre passa a ser infração gravíssima, com multa multiplicada por dez vezes, sete pontos na CNH e, além disso, curso obrigatório de reciclagem em caso de reincidência em menos de 12 meses.

Condutas como, por exemplo, avançar sobre o pedestre já na travessia, forçar passagem, intimidar ou acelerar com risco direto passam a gerar suspensão imediata do direito de dirigir, independentemente de haver colisão. Caso se atinja o pedestre, mesmo sem lesão grave, a penalidade prevê suspensão imediata da CNH, multa multiplicada por vinte vezes e curso de reciclagem presencial.

Na justificativa, o autor critica comportamentos naturalizados no cotidiano urbano, como “avançar enquanto o pedestre ainda está na travessia, acelerar para intimidá-lo ou simplesmente ignorar sua presença”, práticas que, segundo ele, exigem uma resposta legislativa firme.

Planos municipais e metas de redução de atropelamentos

O PL determina ainda que municípios e o Distrito Federal elaborem, em até 12 meses, um Plano Municipal de Proteção ao Pedestre, com mapeamento de travessias perigosas, cronograma de implantação das medidas e metas anuais de redução de atropelamentos.

O não cumprimento dessas metas poderá resultar em restrições ao recebimento de recursos federais destinados à mobilidade urbana, enquanto cidades adimplentes terão prioridade em programas federais de trânsito seguro.

Educação permanente e próximos passos

Além das medidas estruturais e punitivas, o texto prevê campanhas nacionais permanentes de educação para o trânsito, reforçando a prioridade absoluta ao pedestre assim como o compartilhamento seguro do espaço viário.

De acordo com Duda Ramos, o projeto reúne ações articuladas e modernas.

Na justificativa, ele sustenta que a proposta é “tecnicamente viável, financeiramente sustentável e alinhada às melhores práticas de segurança viária do mundo”, com potencial para reduzir mortes, proteger pedestres e modernizar a política de trânsito brasileira.

O PL 7039/2025 ainda passará pelas comissões temáticas da Câmara antes de seguir para votação.

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Judiciário lança Serviço de Atendimento Imediato virtual para acidentes de trânsito sem vítimas

sex, 13/02/2026 - 13:30
A conciliação é voluntária e gratuita, e os acordos firmados podem ser homologados por sentença judicial, desde que atendidos os requisitos legais. Foto: AdobeStock

Com foco na modernização do Serviço de Atendimento Imediato (SAI), o Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) lançou nesta semana o SAI Virtual, nova modalidade de atendimento online destinada a casos de acidentes de trânsito sem vítimas. O serviço segue totalmente gratuito para o usuário e passa a adotar um modelo híbrido de conciliação (presencial e virtual), com o objetivo de ampliar o acesso e dar maior celeridade à resolução de conflitos. A implantação do projeto-piloto ocorrerá nas comarcas de Cuiabá e Várzea Grande. 

Passo a passo

O cidadão, logo após o acidente de trânsito sem vítimas, deverá acessar o portal do TJMT (www.tjmt.jus.br), buscar a área “Portais Temáticos” e clicar em “SAI Virtual”, ou digitar https://www.tjmt.jus.br/paginas/servicos/sai. A nova página do SAI terá informações sobre o atendimento, tanto presencial quanto virtual.  Para dar continuidade à conciliação online, deve clicar no botão “Acidente sem vítima”. 

A diretora do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje), Shusiene Tassinari, explica que o novo sistema integra recursos do ecossistema Microsoft, permitindo agendamento online, videoconferência via Teams e confirmação automática por e-mail. O cidadão pode registrar o acidente, preencher formulários e participar da audiência de conciliação virtual, tudo em um ambiente digital intuitivo. Não se cobra nenhum valor pelo serviço. Os usuários devem ficar atentos caso qualquer pessoa peça dinheiro, se passando por representantes do serviço, e denunciar às autoridades a tentativa de golpe. 

“O SAI Virtual foi desenvolvido para aproximar o cidadão da Justiça e facilitar o atendimento nos casos de acidentes sem vítimas. O formato híbrido elimina barreiras geográficas e amplia o alcance do serviço, garantindo rapidez, acessibilidade e economia de tempo para todos os envolvidos”, destacou a diretora. 

Atualmente, o SAI funciona em veículo adaptado, atendendo as comarcas de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis.

A modernização permitirá a expansão gradual do serviço para todo o território mato-grossense após a validação do projeto-piloto, que ocorre na região metropolitana (Cuiabá e Várzea Grande).  

Entre os principais benefícios esperados estão o aumento da acessibilidade, a redução de processos judiciais e o fortalecimento da política de conciliação. O sistema também contribui para desafogar o Judiciário, por meio de soluções rápidas e eficientes, e promove a pacificação social. 

“O Poder Judiciário de Mato Grosso tem buscado inovação como meio de garantir uma prestação jurisdicional mais efetiva e próxima do cidadão. O SAI Virtual é um exemplo de como a tecnologia pode ser utilizada para resolver conflitos de forma simples, célere e segura”, afirmou o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote. 

A conciliação é voluntária e gratuita, e é possível homologar os acordos firmados por sentença judicial, desde que se atenda os requisitos legais. Em casos com vítimas, ilícito penal ou veículos de órgãos públicos, não se realiza o atendimento pelo SAI. Nessas situações, as partes devem acionar a Polícia Militar (190) ou registrar ocorrência no site da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT). 

O projeto está alinhado ao Planejamento Estratégico do Poder Judiciário de Mato Grosso e às Diretrizes da Corregedoria Nacional da Justiça (CNJ) para 2025. Eles incentivam a aceleração digital, a efetividade jurisdicional e o fortalecimento das soluções consensuais de conflitos.

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Carnaval aumenta acidentes de trânsito no Brasil e pressiona o SUS

sex, 13/02/2026 - 08:15
Além da alcoolemia, fatores como excesso de velocidade, uso do celular ao volante, fadiga e sono insuficiente aparecem de forma recorrente nos registros de ocorrências graves. Foto: AdobeStock

O Carnaval é um dos períodos mais críticos do ano para a segurança viária no Brasil. A combinação de deslocamentos intensos, consumo de álcool, privação de sono e comportamentos de risco ao volante provoca um aumento expressivo nos sinistros de trânsito — e os reflexos vão muito além das ruas e estradas, atingindo diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS).

Levantamentos de entidades médicas e de segurança viária indicam que, durante o feriado prolongado, os atendimentos por acidentes de trânsito crescem entre 20% e 30% em relação à média de outros períodos do ano. A maior parte dos casos envolve condutores que misturam direção e álcool, prática que segue entre as principais causas de mortes e ferimentos graves no trânsito brasileiro.

Dados consolidados pela Observatório Nacional de Segurança Viária mostram que, entre 2021 e 2023, o uso de álcool ou outras substâncias psicoativas esteve associado, em média, a mais de 16 sinistros por dia durante o Carnaval, índice cerca de 25% superior ao observado em dias comuns. Os números ajudam a dimensionar o impacto do feriado não apenas na mobilidade, mas também na saúde pública.

Feriado prolongado, risco ampliado

Especialistas alertam que o aumento dos acidentes no Carnaval não está ligado a um único fator, mas a um conjunto de condições que se somam e ampliam o risco. Viagens longas, muitas vezes para locais desconhecidos, condução noturna, calor excessivo e mudanças na rotina de descanso criam um cenário propício para falhas humanas.

Conforme Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito & Mobilidade, o problema está na falsa sensação de que o feriado “suspende” as regras do trânsito.

“O Carnaval não muda as leis da física nem os limites do corpo humano. Pelo contrário: é justamente quando estamos mais cansados, desidratados ou sob efeito de álcool que a margem para erro diminui drasticamente. O trânsito fica mais perigoso porque o condutor passa a dirigir em condições piores do que o normal”, explica.

Além da alcoolemia, fatores como excesso de velocidade, uso do celular ao volante, fadiga e sono insuficiente aparecem de forma recorrente nos registros de ocorrências graves. O resultado é um aumento não apenas no número de sinistros, mas também na gravidade das lesões. Ou seja, especialmente entre motociclistas, ocupantes de veículos sem cinto de segurança e pedestres.

Pressão direta sobre o SUS

O crescimento dos acidentes durante o Carnaval se traduz em sobrecarga imediata para os hospitais públicos. São eles que concentram a maior parte do atendimento a vítimas de trauma no país. Internações prolongadas, cirurgias complexas e ocupação de leitos de UTI passam a disputar espaço com atendimentos de outras doenças graves.

De acordo com especialistas da área da saúde, vítimas de sinistros de trânsito costumam demandar recursos de alto custo. Como, por exemplo, procedimentos ortopédicos, neurocirúrgicos e longos períodos de reabilitação. Isso gera um efeito em cascata: cirurgias eletivas são adiadas, filas aumentam e equipes trabalham sob pressão máxima.

Celso Mariano reforça que esse impacto raramente é percebido pelo cidadão no momento da decisão de dirigir após beber ou acelerar além do permitido.

“Cada escolha insegura no trânsito tem um custo coletivo. Não é só o risco individual. É um leito ocupado por semanas, uma equipe mobilizada, um recurso público que deixa de atender outra urgência. O Carnaval escancara como o trânsito também é uma questão de saúde pública”, destaca.

Prevenção começa antes da festa

Apesar do cenário preocupante, especialistas são unânimes ao afirmar que é possível evitar a maioria dos acidentes com medidas simples e planejamento. A principal delas segue sendo clara e inequívoca: álcool e direção não combinam.

Planejar o retorno da festa, utilizar transporte por aplicativo, táxi ou motorista da vez, respeitar os limites de velocidade e dormir adequadamente antes de pegar a estrada são atitudes básicas, mas decisivas. Também é fundamental evitar o uso do celular ao volante e adotar uma condução defensiva, especialmente em vias com grande circulação de pedestres.

No verão, período marcado por chuvas intensas em várias regiões do país, cuidados adicionais são indispensáveis. Reduzir a velocidade, manter distância segura assim como revisar o veículo antes de viajar — com atenção especial a pneus, freios e limpadores de para-brisa — ajuda a reduzir riscos.

Pedestres e ciclistas também precisam redobrar a atenção durante o Carnaval. Ou seja, optando por roupas claras ou refletivas, respeitando a sinalização e atravessando as vias apenas em locais apropriados.

Como reforça Celso Mariano, o espírito da festa não pode se sobrepor à responsabilidade.

“Celebrar faz parte do Carnaval, mas voltar para casa em segurança precisa ser prioridade absoluta. No trânsito, não existe improviso sem consequência”, conclui.

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CNH Social: Paraná abre inscrições para 4 mil vagas de habilitação gratuita

qui, 12/02/2026 - 15:39
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

O sonho de tirar a carteira de habilitação de forma gratuita agora é realidade no Paraná. O Governo do Estado, por meio do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), abriu nesta quinta-feira (12) as inscrições para o primeiro edital do programa CNH Social , que concede gratuitamente aulas de condução de veículos e isenta os candidatos de todas as taxas relativas aos exames e testes teóricos e práticos.

Serão 4 mil vagas para paranaenses com renda familiar de até três salários mínimos na modalidade “Habilita”, voltada para a primeira habilitação nas categorias A (motos) ou B (carros), nos 399 municípios do Paraná distribuídas em 5 macrorregiões: Curitiba, Guarapuava, Londrina, Maringá e Cascavel. As inscrições podem ser realizadas até o dia 14 de março no site do programa www.cnhsocial.detran.pr.gov.br, onde também está disponível o edital com mais informações sobre o processo.

“É um sonho se tornando realidade, tanto para nós, do Governo do Paraná, que tivemos a iniciativa para a mudança da lei, mas principalmente para aqueles que por muito tempo não tinham condições de tirar uma CNH, e agora vão poder fazer de forma 100% gratuita. Isso com certeza vai fazer toda a diferença para os que vão em busca de se qualificar ou do seu primeiro emprego”, disse o diretor-presidente do Detran-PR, Santin Roveda.

Por meio do portal do programa, desenvolvido pela Celepar, o candidato poderá acompanhar toda a sua jornada, desde o início com as aulas, passando pela biometria e exames, até finalizar com os testes e emissão do documento digital e físico. Para os candidatos que optarem pela categoria “B” (carros), ao final do processo a carteira já virá com a observação EAR (Exerce Atividade Remunerada), o que facilita a vida dos que pretendem usar o veículo para trabalho. 

Como vai funcionar

O candidato seleciona o município de residência e o sistema distribui de forma aleatória para uma das autoescolas parceiras e clínicas credenciadas na própria localidade. Estão previstas a reserva de 10% das vagas para estudantes da rede pública estadual, que atendem os critérios de rendimento e frequência, 10% das vagas para mulheres, e 5% das vagas para pessoas com deficiência (PCDs).

Roveda explica que o programa já está atualizado com as alterações no processo de habilitação realizadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

“Em tempo recorde, conseguimos tanto adaptar o programa quanto implementar as diversas mudanças previstas na resolução e na medida provisória. Apesar de as novas regras exigirem apenas 2h/aula de carga horária de aulas práticas, pelo CNH Social vamos garantir o mínimo de 10h/aula, com direito a mais 5h/aula em caso de reprovação no teste, para garantir a efetividade desta importante política pública”, completou.

Para participar será preciso comprovar renda familiar de até três salários mínimos, residir no Paraná há pelo menos 12 meses e no município onde haverá a concessão do benefício. Além disso, é necessário estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Não poderão participar pessoas que tenham algum tipo de restrição do direito de dirigir (habilitação suspensa ou cassada). A publicação da lista com a homologação final dos aprovados deverá ocorrer em 31 de março, no site do programa.

Autoescolas

Também está aberto, desde terça-feira (10), o edital de chamamento para os Centro de Formação de Condutores serem parceiros do programa. As autoescolas interessadas devem estar cadastradas no Sistema de Gestão de Obras, Materiais e Serviços (GMS), na Central de Segurança do e-Protocolo e apresentar a documentação necessária nos prazos previstos no edital, disponível AQUI, onde também é possível obter mais informações.

As informações são da Agência Estadual de Notícias

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Radar CNT do Transporte aponta redução de pontos críticos nas rodovias brasileiras

qui, 12/02/2026 - 13:30
Os pontos críticos correspondem a situações graves da infraestrutura rodoviária. Foto: Agência CNT Transporte Atual

O número de pontos críticos, nas rodovias brasileiras, apresentou queda em 2025, de acordo com o Radar CNT do Transporte – Pontos Críticos 2025. Elaborado a partir da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, o estudo registrou 2.146 ocorrências em todo o país, o que representa uma redução de 12,3% em relação a 2024, quando foram identificados 2.446 pontos.

Os pontos críticos correspondem a situações graves da infraestrutura rodoviária que comprometem a segurança dos usuários e interferem diretamente no fluxo do tráfego. A diminuição observada neste ano reforça a percepção de que os investimentos recentes começam a produzir efeitos positivos na conservação das estradas.

Problemas

Os buracos grandes seguem como o principal problema mapeado, com 1.716 registros, o equivalente a mais de 80% do total. Apesar da predominância, o volume é inferior ao verificado na edição anterior da Pesquisa, o que indica avanço no tratamento dos defeitos de pavimento.

Também se observou redução em outras ocorrências de alto risco, como erosões na pista, que somaram 248 registros, e quedas de barreiras, com 82 casos. Esses problemas costumam afetar trechos com maior fragilidade estrutural e risco geotécnico.

Na análise da geometria das vias, a Pesquisa CNT de Rodovias identificou 57 pontes estreitas, que permanecem como gargalos de capacidade e segurança, especialmente para o transporte de cargas. O levantamento também registrou uma ponte caída, ocorrência pontual, porém com elevado impacto logístico.

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a tendência de queda, ainda que gradual, sinaliza uma mudança de cenário.

“A redução no número de pontos críticos é um indicativo de que os investimentos começam a reverter um problema que se manteve por muitos anos nas rodovias brasileiras”, afirma.

A CNT disponibiliza um painel interativo com o georreferenciamento de todas as ocorrências identificadas no estudo. A ferramenta permite consultas detalhadas por tipo de ponto crítico e localização e é possível acessar em cnt.org.br/painel-ponto-critico

As informações são da Agência CNT Transporte Atual

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Brasil registra mais de 10 milhões de multas em rodovias federais em 2025 e atinge novo recorde histórico

qui, 12/02/2026 - 08:15
O balanço estatístico das rodovias federais em 2025, divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), revela recorde histórico do número de infrações cometidas nas BRs de todo país. Foto: Divulgação PRF

O Brasil fechou 2025 com um número que chama atenção e impõe reflexão: mais de 10 milhões de multas aplicadas em rodovias federais, o maior volume desde o início da série histórica, em 2007. Os dados revelam não apenas um recorde estatístico, mas um retrato preocupante do comportamento de parte dos condutores nas estradas do país — especialmente quando o excesso de velocidade domina, com larga vantagem, o ranking das infrações.

Levantamento do Setor de Estatística Operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que 10.277.088 autuações foram registradas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. Em termos práticos, isso equivale a 27.397 infrações por dia, 1.141 por hora e cerca de 19 por minuto. O total supera inclusive 2024, que já havia estabelecido o maior índice até então.

Excesso de velocidade segue como principal infração

O excesso de velocidade aparece no topo do ranking, mantendo um padrão observado nos últimos anos, mas agora em patamares ainda mais elevados. A infração de transitar até 20% acima do limite permitido somou 6.170.111 registros, representando a maioria absoluta das autuações. Em segundo lugar, estão os motoristas flagrados entre 20% e 50% acima da velocidade máxima, com 985.967 multas.

Outras infrações recorrentes incluem veículos sem licenciamento, ultrapassagens em locais proibidos, desobediência às ordens de agentes de trânsito, além de problemas relacionados à conservação do veículo e equipamentos obrigatórios. O conjunto desses dados reforça um cenário já conhecido pelos especialistas em segurança viária: não se trata de um único problema, mas de um conjunto de condutas de risco que se repetem diariamente.

De acordo com Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, o excesso de velocidade não é apenas uma infração isolada.

“Velocidade é um multiplicador de risco. Quando o condutor decide acelerar além do permitido, ele reduz drasticamente o tempo de reação, aumenta a gravidade dos sinistros e transforma pequenos erros em consequências fatais”, afirma.

BR-101 lidera ranking de autuações no país

Entre as rodovias federais, a BR-101 lidera com folga o ranking nacional de infrações. A via, que se estende do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, registrou 2.740.305 multas em 2025. Na sequência aparece a BR-116 (Presidente Dutra), com 2.519.257 autuações, e, em terceiro lugar, a BR-381 (Fernão Dias), com 577.619 registros.

Completam a lista das dez rodovias mais autuadas as BRs 153, 163, 364, 040, 277, 376 e 386, distribuídas por diferentes regiões do país. Em comum, essas rodovias concentram alto fluxo de veículos, trechos urbanos e interurbanos, intenso transporte de cargas e histórico de fiscalização eletrônica.

Conforme Celso Mariano, os números não devem ser analisados de forma simplista. “Rodovias com maior volume de tráfego e mais fiscalização naturalmente registram mais autuações. Mas isso não invalida o alerta: se há tanta multa, é porque há muito desrespeito às regras básicas de circulação”, pontua.

Fiscalização arrecada ou previne?

O recorde reacende um debate antigo no trânsito brasileiro: a fiscalização estaria focada apenas na arrecadação? Para especialistas, essa leitura ignora dados fundamentais. Países que reduziram mortes no trânsito fizeram isso com combinação de fiscalização consistente, engenharia viária e educação — e não com a ausência de controle.

“O radar não multa ninguém sozinho. Quem gera a multa é o comportamento do condutor”, reforça Celso Mariano. “A fiscalização é uma resposta do Estado a um risco coletivo. Sem controle, o trânsito vira território da lei do mais forte.”

Ainda assim, o especialista destaca que a fiscalização precisa caminhar junto de transparência, sinalização adequada e políticas educativas contínuas, sob risco de perder credibilidade social.

Formação de condutores e cultura de risco

Os números de 2025 também dialogam diretamente com um debate que vem ganhando força no Brasil: a flexibilização do processo de formação de condutores. Para o Portal do Trânsito, é impossível dissociar o aumento de infrações de uma cultura que tolera atalhos, reduz exigências e trata a habilitação como mera formalidade burocrática.

“Quando se enfraquece a formação, o trânsito sente. O condutor mal preparado tende a errar mais, a assumir riscos desnecessários e a repetir comportamentos perigosos”, alerta Celso Mariano. “O trânsito não perdoa improviso.”

Um sinal de alerta para 2026

O recorde de mais de 10 milhões de multas em rodovias federais em 2025 deve ser lido como um sinal de alerta, não apenas como estatística. Ele aponta para a urgência de políticas públicas integradas, que tratem o trânsito como questão de saúde pública, com foco na preservação de vidas.

Enquanto o Brasil segue debatendo mudanças em regras, exames e formação, os números das estradas mostram que o desafio central continua sendo o comportamento humano. E, como reforçam os especialistas, sem educação consistente e fiscalização responsável, o próximo recorde pode ser ainda mais preocupante — não apenas em multas, mas em vítimas.

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AMMA oferece suporte, cuidado e desenvolvimento para mulheres do setor automotivo

qua, 11/02/2026 - 18:00
Foto: Divulgação

A AMMA inicia 2026 com um movimento que não pretende soar mais alto — pretende chegar mais fundo. O anúncio do primeiro ciclo de parcerias institucionais nasce da leitura atenta das necessidades reais das mulheres que vivem o setor automotivo por dentro: profissionais que equilibram múltiplos papéis, enfrentam barreiras estruturais e, muitas vezes, constroem seus caminhos com pouca rede de apoio. Para elas, a AMMA apresenta alianças pensadas para ampliar cuidado, suporte e desenvolvimento.

Neste bloco inicial, quatro organizações passam a compor o ecossistema da AMMA: Grupo FBN, ampliando o acesso a soluções de saúde e proteção; AlmeidaNascimento Advocacia, oferecendo suporte jurídico claro e acessível; Judi Cantarin Assessoria de Negócios, trazendo consultoria em gestão, sustentabilidade, processos e formação técnica; e Ultracar Tecnologia, disponibilizando sistemas de gestão que profissionalizam e organizam a rotina das oficinas.

Essas parcerias chegam para entregar respostas práticas — e não apenas promessas. A partir delas, a AMMA fortalece uma rede de apoio que contempla áreas muitas vezes negligenciadas no cotidiano das mulheres do mercado. Entre os benefícios oferecidos, destacam-se: orientação jurídica contínua, acesso facilitado a cuidados de saúde, treinamentos técnicos especializados, consultorias em gestão e sustentabilidade, melhorias operacionais para oficinas, tecnologia aplicada ao dia a dia, organização de processos, apoio em conformidade ambiental, atendimento prioritário, descontos exclusivos, material educativo, e formação profissional em temas essenciais para o setor.

Cada parceira assume uma função complementar nesse ecossistema.

O Grupo FBN apoia o cuidado com saúde e bem-estar, área crítica para mulheres que carregam múltiplas jornadas. A AlmeidaNascimento fortalece decisões jurídicas e empresariais com orientação segura e acessível. A consultoria de Judi Cantarin aproxima as associadas de práticas modernas de gestão e conformidade que elevam a operação das oficinas. A Ultracar leva tecnologia para dentro dos negócios, organizando processos, melhorando o fluxo de trabalho e trazendo clareza estratégica.

O impacto dessas entregas vai além do benefício imediato. Ele cria condições para que as associadas tomem decisões com mais segurança, planejem seus negócios com mais informação, organizem suas rotinas com mais eficiência e encontrem suporte onde antes havia improviso. Esse é o tipo de estrutura que transforma o cotidiano — silenciosamente, mas de forma profunda.

É fundamental destacar: essas são as quatro primeiras parcerias.

A AMMA já está em processo de seleção de novas empresas e especialistas para ampliar ainda mais essa rede de apoio, priorizando áreas como saúde emocional, desenvolvimento humano, estilo e presença profissional, gestão de carreira, educação continuada e novas trilhas técnicas. O objetivo é construir, com curadoria rigorosa, um conjunto de entregas que acompanhe a complexidade do que é ser mulher no setor.

Esse trabalho, conduzido com cuidado e responsabilidade, reflete o compromisso que sustenta a AMMA desde sua criação: oferecer caminhos possíveis, ferramentas práticas e um ambiente em que as mulheres possam se desenvolver com autonomia, apoio e equilíbrio. Não se trata de construir atalhos — trata-se de construir base.

Assim, a AMMA inicia o ano reafirmando seu papel: criar, expandir e fortalecer uma estrutura que permita às mulheres do mercado automotivo avançarem com verdade, com suporte e com pertencimento.

Uma construção contínua, feita de escolhas responsáveis e parcerias que entregam valor real — exatamente como o setor merece, e como as mulheres que o movem precisam.

Texto: AMMA – Associação Brasileira das Mulheres do Setor Automotivo

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SETCEPAR avalia impactos da CNH do Brasil no Transporte Rodoviário de Cargas

qua, 11/02/2026 - 13:30
A falta de motoristas qualificados é um dos principais gargalos do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o país. Foto: Divulgação

A implementação do programa CNH do Brasil, novo modelo nacional de habilitação em vigor desde dezembro de 2025, trouxe mudanças importantes no processo de obtenção das categorias C, D e E. A iniciativa prevê cursos teóricos online gratuitos, redução da carga horária prática e possibilidade de atuação de instrutores autônomos, o que pode reduzir significativamente o custo da habilitação e ampliar o acesso de novos profissionais ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kasnodzei, a medida representa um avanço relevante, mas exige atenção do setor.

“A CNH do Brasil é um passo importante para facilitar o acesso às categorias profissionais e ajudar a enfrentar a escassez de motoristas. No entanto, esse movimento precisa vir acompanhado de capacitação adequada, para que o aumento no número de habilitados não comprometa a segurança nas estradas e a qualidade das operações”, afirma.

A falta de motoristas qualificados é um dos principais gargalos do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o país.

De acordo com Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados em 2025 com base no fechamento mais recente, menos de 10% dos vínculos formais de motoristas de caminhão no Brasil são ocupados por profissionais com até 29 anos, evidenciando a dificuldade de renovação da mão de obra no setor. Com a CNH do Brasil, o número de motoristas habilitados tende a crescer, o que reforça a necessidade de treinamento adequado para a atuação no Transporte Rodoviário de Cargas.

Conforme o instrutor técnico do SETCEPAR, Cláudio Ferreira, a capacitação complementar é um fator decisivo para a efetividade da iniciativa no setor.

“É fundamental que as empresas recebam esses motoristas recém-habilitados e ofereçam treinamentos que reflitam a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas. Sem essa preparação prática e técnica, há risco de aumento de sinistros, impacto nas operações e até elevação do custo das apólices de seguro”, explica.

Kasnodzei reforça o papel da entidade nesse processo. “O governo está correto em ampliar o acesso à habilitação, mas o setor também precisa assumir sua responsabilidade. O SETCEPAR está à disposição para contribuir com capacitação técnica, formação complementar e ações de conscientização, fortalecendo a segurança, a profissionalização e a sustentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas”, conclui.

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Vai mudar de categoria da CNH? Entenda as novas regras

qua, 11/02/2026 - 08:15
A flexibilização das exigências ocorre em um contexto no qual o Brasil ainda enfrenta índices elevados de sinistros de trânsito. Foto: serezniy para Depositphotos

As mudanças recentes no processo de habilitação no Brasil também alcançaram quem pretende mudar de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em vigor desde 2025, as novas regras alteram etapas da formação e da avaliação prática para condutores que desejam avançar para as categorias C, D e E, voltadas à condução de veículos de maior porte e responsabilidade.

As alterações foram estabelecidas pela Contran, por meio da Resolução nº 1.020/25, e regulamentadas pela Senatran, com a Portaria nº 923/25. O novo modelo simplifica procedimentos e reduz exigências formativas, o que reacendeu o debate sobre qualidade da formação, preparo técnico e segurança no trânsito.

Etapas mais objetivas, formação mais curta

Com as novas normas, a mudança de categoria passou a ter um fluxo mais direto, com etapas formalmente descritas: realização de exames obrigatórios, curso prático especializado, prova prática de direção e emissão da nova CNH.

Exigências como o exame toxicológico foram mantidas, com as mesmas regras já aplicadas anteriormente. A principal mudança, no entanto, está na redução da carga horária mínima de formação prática, especialmente sensível quando se trata de veículos de grande porte.

Redução da carga horária levanta alerta

Pelas regras anteriores, definidas pela Resolução nº 789/20 do Contran, o candidato à mudança de categoria precisava cumprir no mínimo 20 horas-aula de direção veicular. Com a nova regulamentação, esse número foi reduzido para 10 horas-aula.

Embora a medida torne o processo mais rápido e menos oneroso, especialistas em trânsito e educação viária alertam que a redução do tempo de formação pode ser insuficiente para desenvolver competências essenciais exigidas nas categorias C, D e E.

Esses veículos demandam domínio técnico avançado, leitura apurada de risco, tomada de decisão sob pressão e experiência supervisionada em situações reais de tráfego.

Prova prática mais permissiva

Outro ponto que gera preocupação é a mudança no critério de avaliação do exame prático. Assim como ocorreu na categoria B, os candidatos às categorias C, D e E passam a ser avaliados pelo sistema de pontuação previsto no Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular.

Nesse modelo, o candidato inicia a prova com zero ponto e, a cada erro cometido, soma pontos conforme a gravidade da infração. Para ser aprovado, é permitido atingir até 10 pontos.

Na prática, isso significa que o candidato pode cometer uma infração gravíssima e outra grave, ou até duas infrações médias, e ainda assim ser considerado apto. Entre as situações possíveis dentro desse limite estão, por exemplo:

  • Avançar sinal vermelho ou desrespeitar placa de parada obrigatória (infração gravíssima – 6 pontos no exame);
  • Transitar até 20% acima da velocidade máxima permitida (infração média – 2 pontos no exame);
  • Utilizar calçado inadequado ou fones de ouvido ao dirigir (infração média – 2 pontos no exame);
  • Subir no meio-fio (infração gravíssima – 6 pontos no exame) e realizar conversão em local proibido (infração grave – 4 pontos no exame).
Debate sobre segurança e formação adequada

A flexibilização das exigências ocorre em um contexto no qual o Brasil ainda enfrenta índices elevados de sinistros de trânsito. Ou seja, especialmente envolvendo veículos de carga e transporte coletivo. Para críticos do novo modelo, permitir aprovação mesmo diante de falhas graves pode fragilizar o processo de avaliação. Além disso, reduzir a capacidade do exame prático de identificar condutores efetivamente preparados.

O debate não é apenas sobre custo ou agilidade, mas sobre qual é o nível mínimo aceitável de preparo para quem assume a condução de veículos que transportam cargas pesadas ou passageiros, com impacto direto na segurança de todos que circulam pelas vias.

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Segurança da viagem começa pelos pneus: cuidados essenciais antes de pegar a estrada

ter, 10/02/2026 - 13:30
A falta de revisão dos pneus antes de viajar aumenta significativamente os riscos nas estradas. Foto: Divulgação

Antes de fechar a casa e iniciar a viagem com a família para aproveitar as férias de verão ou o feriado de Carnaval, um cuidado simples pode fazer toda a diferença na estrada: a revisão dos pneus. Muitas vezes negligenciados, eles são um dos componentes mais importantes do veículo — afinal, são o único ponto de contato entre o carro e o asfalto.

De acordo com Samer Nasser, diretor de Relações Institucionais da XBRI Pneus, manter os pneus em boas condições contribui diretamente para a segurança da viagem, além de favorecer uma condução mais econômica e eficiente.

“É, sem dúvida, um dos itens mais importantes dos carros. É o único ponto de contato entre o veículo e o asfalto. Por isso, uma revisão completa antes de pegar a estrada pode ser a diferença entre uma viagem tranquila e um problema evitável”, alerta.

Calibragem correta faz diferença

Entre as primeiras verificações que todo motorista deve realizar está a calibragem dos pneus. Um erro comum é considerar a pressão indicada na lateral do pneu, quando, na verdade, esse número representa apenas o limite máximo suportado. A pressão correta é definida pelo fabricante do veículo e costuma estar indicada no manual ou em uma etiqueta localizada no batente da porta do motorista.

Rodar com pneus mal calibrados — seja com pressão acima ou abaixo do recomendado — pode provocar desgaste irregular, reduzir a aderência ao solo, aumentar o consumo de combustível e elevar o risco de aquecimento excessivo e falhas, especialmente em velocidades mais altas.

Atenção aos sulcos e ao desgaste

Outro ponto essencial é a profundidade dos sulcos da banda de rodagem. A legislação brasileira estabelece como limite mínimo 1,6 milímetro. Abaixo disso, o pneu é considerado inseguro e passível de autuação. No entanto, especialistas em segurança viária recomendam que a troca seja feita antes de atingir esse patamar.

Isso porque, à medida que o desgaste avança, a capacidade de escoar a água e manter a aderência diminui progressivamente. Em geral, uma profundidade próxima de três milímetros já é vista como um sinal de alerta para substituição, principalmente quando a viagem inclui rodovias molhadas, longos percursos ou trechos sinuosos.

Inspeção visual evita surpresas

Além da calibragem e da verificação dos sulcos, é fundamental examinar toda a superfície do pneu. Cortes profundos, bolhas nas laterais, rachaduras ou objetos cravados podem comprometer a estrutura interna e provocar falhas repentinas durante o trajeto.

O desgaste irregular também merece atenção, pois pode indicar problemas de alinhamento ou balanceamento. Nesses casos, o ideal é procurar um serviço especializado para corrigir o problema antes de viajar.

Idade do pneu também importa

Um aspecto frequentemente esquecido pelos motoristas é a idade do pneu. Mesmo que os sulcos ainda pareçam adequados, a borracha se deteriora ao longo do tempo devido à exposição ao calor, ao sol e às variações climáticas, perdendo flexibilidade e capacidade de aderência.

Por isso, além da inspeção visual, vale conferir o código de fabricação gravado na lateral do pneu. Produtos com muitos anos desde a data de fabricação podem estar mais suscetíveis a falhas, mesmo que tenham rodado pouco.

Procedência e escolha correta

Na hora de comprar pneus novos, a atenção deve ser redobrada. É indispensável verificar se as medidas são compatíveis com as especificações do fabricante do veículo, bem como os índices de carga e velocidade adequados ao uso pretendido. Também é recomendável optar por produtos de procedência confiável, com certificação de qualidade, adquiridos em lojas com boa reputação e assistência técnica.

Pneus de origem duvidosa ou sem informações claras sobre fabricação podem parecer vantajosos no preço. No entanto, costumam apresentar menor durabilidade e maior risco de defeitos — um custo que pode sair caro em termos de segurança.

Para Samer Nasser, esses cuidados vão muito além de uma formalidade.

“Rodar despreparado é um risco desnecessário. Pneus bem cuidados garantem melhor desempenho, mais economia de combustível e, acima de tudo, segurança nas estradas. Antes de viajar, reserve um tempo para conferir seus pneus. Isso pode ser o melhor investimento que você faz pela sua família e por todos os outros motoristas na pista”, conclui.

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O falso dilema: CNH acessível x CNH segura

ter, 10/02/2026 - 08:15
Não se trata de escolher entre CNH acessível ou CNH segura. Trata-se de construir um modelo que seja acessível porque é eficiente, e seguro porque forma de verdade. Foto: Renato Beiruth/Detran-AC

Nos últimos meses, o debate sobre o novo modelo de formação de condutores passou a ser resumido a uma escolha aparentemente simples: ou a CNH é acessível, ou é segura. No discurso oficial e em parte da repercussão pública, ampliar o acesso à habilitação passou a significar, quase automaticamente, reduzir exigências, flexibilizar etapas e simplificar a formação.

Esse enquadramento, no entanto, parte de um falso dilema. Acessibilidade e segurança não são conceitos opostos. O problema não está em facilitar o acesso à CNH, mas na forma como essa facilitação vem sendo conduzida: por meio do empobrecimento do processo formativo.

Onde o debate foi mal colocado

O erro central do debate está em confundir custo com valor. Ao reduzir horas práticas, esvaziar o ensino teórico e apostar em modelos excessivamente automatizados, criou-se a narrativa de que o processo ficaria mais barato. Na prática, porém, o que se observa é outra realidade: o processo não foi barateado; ele foi desmontado e passou a entregar menos formação pelo mesmo preço.

A simplificação administrativa foi vendida como política de inclusão, quando, na verdade, retirou do candidato justamente aquilo que mais contribui para uma condução segura: acompanhamento pedagógico, mediação do instrutor e formação progressiva.

Além disso, o debate foi deslocado para o plano ideológico — “menos Estado” versus “mais exigência” — quando deveria estar centrado em uma pergunta técnica e objetiva: qual formação o trânsito brasileiro precisa para reduzir mortes e sinistros?

A falsa economia da formação empobrecida

Outro ponto pouco discutido é que a chamada “CNH acessível” pode sair mais cara no médio prazo. Candidatos que enfrentam dificuldades no aprendizado teórico autônomo, por exemplo, acabam reprovando mais vezes, refazendo exames e buscando cursos complementares por conta própria.

Matérias recentes do Portal do Trânsito mostraram que o estudo solitário, sem mediação pedagógica, não funciona para uma parcela significativa dos candidatos, especialmente aqueles com menor escolaridade ou dificuldade de aprendizagem. Ou seja, o modelo “mais barato” transfere o custo para o próprio candidato, sem oferecer suporte adequado.

Alternativas reais existem — e já estão em uso

Superar esse falso dilema exige reconhecer que tecnologia não é inimiga da boa formação, desde que usada com método e responsabilidade pedagógica. Plataformas digitais podem ampliar o acesso, reduzir deslocamentos e flexibilizar horários, sem eliminar o papel do instrutor.

Experiências que mantêm a aula teórica com instrutor, mesmo em formato remoto, mostram que é possível combinar acessibilidade com qualidade. Nesse modelo, a tecnologia funciona como meio, não como substituta do processo educativo.

Da mesma forma, cursos teóricos complementares, estruturados e alinhados às exigências do processo de habilitação, surgem como alternativa para candidatos que enfrentam dificuldades no modelo exclusivamente autônomo do CNH do Brasil. Essas soluções não empobrecem a formação — ao contrário, preenchem lacunas criadas pelo próprio sistema.

Formação não é obstáculo, é política pública

Conforme o especialista em trânsito Celso Mariano, o grande risco do modelo atual é tratar a formação como entrave.

“Quando o debate se limita a facilitar ou não o acesso, perde-se de vista que a formação é uma política de segurança pública. Não se trata de burocracia, mas de proteção à vida”, alerta.

Segundo ele, países que conseguiram reduzir mortes no trânsito não o fizeram cortando etapas, mas investindo em formação consistente, contínua e supervisionada.

O papel do Estado: garantir acesso com qualidade

Cabe ao Estado liderar esse equilíbrio. Ampliar o acesso à CNH é legítimo e necessário, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais. Mas isso não pode ser feito às custas da qualidade da formação.

O papel do poder público não é apenas emitir documentos, mas assegurar que o processo de habilitação forme condutores capazes de circular com segurança em um trânsito cada vez mais complexo. Isso inclui definir parâmetros mínimos robustos, fiscalizar modelos pedagógicos e incentivar soluções que ampliem o acesso sem empobrecer o aprendizado.

Proposta: sair do falso dilema

Não se trata de escolher entre CNH acessível ou CNH segura. Trata-se de construir um modelo que seja acessível porque é eficiente, e seguro porque forma de verdade.

Tecnologia com instrutor, ensino remoto com mediação, cursos complementares bem estruturados e políticas públicas focadas em valor — não apenas em preço — apontam um caminho possível.

O desafio está posto. O que o trânsito brasileiro não pode aceitar é a ideia de que facilitar significa formar menos. Porque, no fim, a conta do empobrecimento da formação não aparece no boleto da CNH, mas nas estatísticas de sinistros e nas vidas perdidas nas vias.

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Bike feita com plástico reciclado dos oceanos chega ao Brasil

seg, 09/02/2026 - 13:30
A igus:bike chega ao Brasil para um tour no Sul e Sudeste. Foto: igus GmbH

É a vez do Brasil. A igus traz ao país a partir desta segunda (9) o tour mundial da igus:bike, uma bicicleta construída com plástico reciclado e com componentes livres de lubrificação. A “magrela” passará inicialmente por São Paulo, depois seguirá para Santos e algumas cidades do interior paulista. De lá, o item passa pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A iniciativa integra a turnê global, que prevê percorrer mais de 6 mil quilômetros em cerca de 20 países, passando por cidades, rios, praias e instalações de clientes. O objetivo é promover a mobilidade sustentável e a economia circular.

Material reciclável 

A igus:bike nasceu como parte de um esforço da empresa para valorizar o uso de plásticos de alto desempenho de forma ecológica, reaproveitando resíduos. A bicicleta utiliza materiais provenientes de iniciativas de limpeza de rios e oceanos – fabrica-se cerca de 50% da sua estrutura com plástico reciclado. Todo o conjunto foi testado em várias versões até alcançar sua forma final. Hoje, a bicicleta é 100% reciclável e é possível vender seus componentes separadamente.

A ideia da igus:bike remonta a 2005. Na época, Frank Blase, diretor executivo da empresa, passava férias na Flórida e se perguntou por que tantas bicicletas enferrujavam expostas ao tempo. Como sua empresa trabalhava com plásticos de alta performance, pensou que poderia criar um modelo resistente à corrosão e à oxidação, que fosse capaz de suportar exposição ao clima e exigências de uso urbano. A ideia, somada à tradição sustentável da igus ao longo dos anos, resultou na igus:bike. 

Desde seu lançamento, a bike já percorreu trechos da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos.

A etapa brasileira representa a entrada da turnê na América do Sul. Durante a passagem pelo país, a companhia planeja organizar eventos públicos: demonstrações nas ruas, visitas a pontos turísticos do país e visitas em empresas parceiras. 

“A chegada da igus:bike ao Brasil marca um passo importante na nossa missão de mostrar que o plástico pode – e deve – ter um ciclo de vida muito mais responsável. Ao transformar resíduos em uma solução de mobilidade durável, sem corrosão e totalmente reciclável, reforçamos que inovação e sustentabilidade podem avançar lado a lado. Queremos inspirar empresas, cidades e pessoas a enxergarem o potencial de um material que, quando bem aplicado, contribui para um futuro mais limpo e eficiente”, afirma Rebeca Moreno Tarragô, gerente de Marketing da igus do Brasil.

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Exame da CNH mudou, trânsito não: deixou de ser obrigatório, mas deixou de ser importante?

seg, 09/02/2026 - 08:15
As mudanças no processo de habilitação redesenharam o caminho, mas não alteraram a realidade do trânsito brasileiro. Foto: Divulgação DetranRS

Nos últimos meses, o processo de habilitação para novos condutores no Brasil passou por mudanças relevantes. Com a retirada da obrigatoriedade de algumas etapas formais da formação — como a mediação integral do Centro de Formação de Condutores (CFC) e a padronização de determinadas manobras no exame prático —, ganhou força a interpretação de que a CNH teria se tornado “mais fácil”. Mas a pergunta central permanece: o que deixou de ser obrigatório também deixou de ser importante?

A resposta exige cautela. Embora o caminho até a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) esteja mais flexível, a responsabilidade de dirigir com segurança segue exatamente a mesma. As regras de circulação, as penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro e as consequências de uma condução inadequada não mudaram.

O que mudou no processo de habilitação

Com as novas diretrizes, o candidato passou a ter mais autonomia sobre como se preparar. O curso teórico presencial, nos moldes tradicionais, deixou de ser obrigatório, e o exame prático passou por ajustes, priorizando a condução em contexto mais amplo. Em alguns estados, manobras específicas deixaram de ser exigidas da forma clássica.

Isso não significa, porém, o fim da avaliação. As provas teórica e prática continuam existindo e seguem sendo eliminatórias. O que mudou foi o percurso até o exame — não o fato de que o candidato precisa demonstrar conhecimento, habilidade e comportamento compatíveis com a condução segura.

O que continua sendo exigido

Mesmo com menos imposições formais, o condutor permanece submetido às mesmas normas. Multas, pontos, suspensão e cassação da CNH continuam valendo. Na prática, o Estado flexibilizou o acesso, mas não reduziu o peso da responsabilidade individual.

É nesse ponto que surge uma leitura equivocada: a ideia de que, se algo deixou de ser obrigatório, tornou-se dispensável. No trânsito, essa lógica não se sustenta. Dirigir exige competências técnicas, cognitivas e comportamentais que não surgem espontaneamente — e que não se resumem a “passar na prova”.

Formação não é sinônimo de exame

A aprovação no exame prático não garante, por si só, preparo para enfrentar o trânsito real. Tomada de decisão sob pressão, leitura de risco, convivência com motociclistas, ciclistas e pedestres e respeito à coletividade são habilidades que demandam orientação e prática estruturada.

Para o especialista em trânsito Celso Mariano, a formação sempre teve papel central na segurança viária. “O trânsito é um ambiente social complexo. Quando se reduz a formação a um treinamento para o exame, perde-se a oportunidade de preparar o condutor para situações reais do dia a dia”, avalia. Segundo ele, dirigir vai além do domínio do veículo: envolve percepção, responsabilidade e comportamento.

Onde entra a tecnologia nesse novo modelo

A flexibilização também reacendeu o debate sobre o uso da tecnologia na formação. Plataformas digitais, ensino remoto e conteúdos on-line passaram a ser vistos como alternativas rápidas para a preparação aos exames. O alerta de especialistas, porém, é claro: tecnologia, sozinha, não forma condutores.

“Ferramentas tecnológicas podem ser grandes aliadas, desde que façam parte de um método pedagógico consistente, com acompanhamento e orientação qualificada”, explica Celso Mariano. Sem isso, o risco é transformar a formação em um processo fragmentado, focado apenas na memorização de regras.

Aprender a dirigir envolve interpretar cenários, antecipar riscos e construir atitudes seguras — competências que exigem feedback, mediação humana e prática contextualizada.

O que não é exigido na prova, mas é essencial no dia a dia

Aqui vale um alerta importante: o fato de não se exigir mais uma habilidade no exame prático não significa que ela deixou de ser necessária. Pelo contrário.

Manobras como a baliza seguem sendo essenciais no cotidiano. Entrar e sair de vagas de estacionamento pode gerar danos materiais, conflitos com outros veículos e até risco a pedestres quando feito de forma inadequada. O mesmo vale para situações que nunca foram cobradas diretamente no exame prático, como realizar ultrapassagens seguras em rodovias — uma manobra que exige leitura correta da via, cálculo de tempo e distância e respeito às regras de segurança.

No caso das motocicletas, uma mudança que chama atenção é a retirada da tradicional arrancada em rampa do exame prático. Ainda que não se cobre mais essa manobra, ela continua sendo uma habilidade fundamental para o dia a dia do motociclista. Controlar a moto em aclives, especialmente em vias urbanas, é decisivo para evitar quedas, colisões e perdas de equilíbrio. Não será exigido na prova, mas precisa ser aprendido — sobretudo por uma questão de segurança.

Esses exemplos deixam claro que o exame avalia apenas parte das competências necessárias para conduzir um veículo. A realidade do trânsito exige preparo muito mais amplo, que não pode ser limitado ao que é cobrado formalmente.

O risco da “CNH sem formação”

Outro aspecto pouco discutido é o impacto dessas mudanças no médio e longo prazo. Um sistema que facilita o acesso, mas não estimula a formação adequada, tende a transferir o custo para o trânsito como um todo. Condutores mal preparados aumentam conflitos entre modais, comprometem a fluidez e contribuem para estatísticas de sinistros que o país ainda tenta reduzir.

Como reforça Celso Mariano, “dirigir não é um direito absoluto, mas uma concessão condicionada à capacidade de conviver em um espaço compartilhado”. Nesse contexto, a formação deixa de ser um requisito burocrático e passa a ser entendida como investimento em segurança coletiva.

As mudanças no processo de habilitação redesenharam o caminho, mas não alteraram a realidade do trânsito brasileiro. A retirada de obrigatoriedades formais não elimina a necessidade de preparo — apenas desloca a responsabilidade da imposição legal para a escolha consciente do candidato. Em um sistema mais flexível, a formação não perde importância; ela se torna ainda mais decisiva. Afinal, o trânsito não flexibiliza consequências. E a segurança viária continua dependendo, essencialmente, de quem está atrás do volante.

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Por que viajar de ônibus voltou ao radar de quem quer economizar

dom, 08/02/2026 - 13:30
Esse movimento ocorre em um contexto no qual fatores econômicos e comportamentais influenciam as escolhas de deslocamento, principalmente para trajetos dentro do território nacional. Foto: Cesar Okada / iStock

O transporte rodoviário de passageiros voltou a ganhar relevância no planejamento de deslocamentos dentro do Brasil. Isso pode ter ocorrido principalmente entre pessoas que buscam opções acessíveis com passagens de ônibus baratas. 

Segundo os dados de um balanço da plataforma de vendas de passagens rodoviárias online ClickBus, 2025 encerrou com as viagens de ônibus em um crescimento de 46% em comparação com 2024, podendo refletir o aquecimento do turismo doméstico e a migração dos passageiros para canais digitais de compra.

Esse movimento ocorre em um contexto no qual fatores econômicos e comportamentais influenciam as escolhas de deslocamento, principalmente para trajetos dentro do território nacional. 

O papel do transporte rodoviário no turismo doméstico

De acordo com reportagem do Correio Braziliense, com pesquisa realizada pela FlixBus em março de 2025, 60% das intenções de viagem registradas no levantamento tinham como principal motivação a visita a amigos e familiares. Esse fator supera férias, viagens de fim de semana e deslocamentos a trabalho. 

Além disso, esse comportamento indica que, além de uma questão econômica, a escolha pelo ônibus está relacionada a fatores culturais e sociais, como a manutenção de vínculos familiares e afetivos em contextos de viagem.

Aspectos econômicos e comparação de custos

A relação entre custo e benefício é um dos principais motivos pelos quais os viajantes retomaram os deslocamentos por estrada. Em trajetos comuns no país, optar por ônibus pode representar economia significativa em comparação ao custo associado a um veículo particular ou até mesmo a outros modais.

Segundo reportagem publicada no portal Mercado e Eventos, em simulações de trechos como São Paulo–Rio de Janeiro, os gastos com combustível e pedágios para um veículo particular podem ser substancialmente maiores do que o valor de uma passagem rodoviária.

De acordo com um comparativo de custos divulgado em 2022 pela plataforma Wemobi e repercutido pelo portal Mercado e Eventos, em simulações de rotas como São Paulo – Rio de Janeiro e São Paulo – Curitiba, a diferença entre viajar de carro e optar pelo ônibus chegou a se aproximar de 90%. Esse valor considera gastos com combustível e pedágio versus o valor das passagens rodoviárias naquele período. 

O levantamento foi baseado em preços praticados à época e representa estimativas pontuais de trajetos específicos, não um retrato estatístico amplo do setor em anos posteriores.

Essa diferença é mais evidente em trajetos populares e com forte competição entre horários e rotas, onde a oferta de bilhetes com preços mais baixos tende a ser maior.

Comparação com outros modais

O modal rodoviário também pode apresentar vantagem de custo frente ao transporte aéreo em muitos trechos.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), tarifas rodoviárias de curtas e médias distâncias podem ser até cerca de 90% mais baixas do que tarifas aéreas em trajetos de até 12 horas. Um cenário comum para deslocamentos interestaduais no Brasil. 

Por exemplo, no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro, a viagem de ônibus pode representar uma economia de cerca de 92% em comparação ao custo médio de uma passagem aérea. Entre Rio de Janeiro e Vitória a diferença chega a 89%. 

Já em trechos nordestinos como Natal–Fortaleza, a economia é da ordem de 86% na comparação de valores dos bilhetes rodoviários e aéreos.

Conectividade, capilaridade e comportamento do viajante

Outro fator que pode contribuir para o aumento da preferência pelo transporte por ônibus é a capilaridade da malha rodoviária brasileira. O país possui uma extensa rede de estradas que interligam cidades de diferentes portes, alcançando destinos que muitas vezes não contam com oferta aérea regular.

Ainda, a preferência dos viajantes por ônibus também se reflete no perfil de uso: muitos consumidores valorizam a oferta de horários variados e a posição central das rodoviárias nas cidades, o que reduz a necessidade de deslocamentos adicionais e custos extras de transporte local.

Nesse contexto, a procura por passagem de ônibus barata surge como um indicativo claro de que muitos brasileiros estão atentos às opções de deslocamento mais acessíveis disponíveis no mercado. 

A influência da digitalização

A migração para canais digitais de compra tem facilitado a comparação de preços e a organização de itinerários, o que também contribui para a escolha pelo ônibus como meio de deslocamento. A ampla oferta de rotas online, aliada à facilidade de compra antecipada, permite que o passageiro encontre oportunidades de bilhetes com melhor custo-benefício.

Além disso, esse processo de digitalização pode ser um dos fatores que reforçam a competitividade do modal, ampliando o acesso a informações e possibilitando decisões mais informadas por parte dos viajantes.

Diante desse cenário, o transporte rodoviário volta a ocupar um lugar de destaque entre os brasileiros que buscam alternativas mais acessíveis para se deslocar pelo país. A combinação entre baixos custos, fortalecimento do turismo e avanço da digitalização na venda de passagens tem posicionado o ônibus como uma opção competitiva.

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PRF divulga calendário de restrição de tráfego para veículos pesados em 2026

dom, 08/02/2026 - 08:15
As restrições, estratégicas para a segurança viária, ocorrem em datas como Carnaval, Semana Santa e festas de fim de ano. Foto: Divulgação PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) publicou o calendário oficial de restrições de tráfego para o ano de 2026. A medida atinge veículos e combinações de veículos que excedam os limites regulamentares de peso ou dimensões, visando reduzir o risco de sinistros de trânsito graves em períodos de maior fluxo de veículos leves nas rodovias de pista simples.

As restrições, estratégicas para a segurança viária, ocorrem em datas como Carnaval, Semana Santa e festas de fim de ano. O descumprimento constitui infração média, sujeita a multa e retenção do veículo até o término do horário restritivo.

Quem precisa ficar atento?

A proibição de circulação aplica-se aos veículos que possuam alguma das seguintes características:

  • Largura superior a: 2,60 metros;
  • Altura superior a: 4,40 metros;
  • Comprimento total superior a: 19,80 metros;
  • Peso Bruto Total Combinado (PBTC) superior a: 58,5 toneladas.
Principais períodos de restrição em 2026

Confira as datas das primeiras operações do ano:

OperaçãoDataHorárioCarnaval13/02 (Sex) e 17/02 (Ter)16:00 às 22:00 14/02 (Sáb) e 18/02 (Qua)06:00 às 12:00Semana Santa02/04 (Qui) e 05/04 (Dom)16:00 às 22:00 03/04 (Sex)06:00 às 12:00

Nota importante: Em alguns estados da região Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará e Roraima), não haverá restrição de circulação, conforme as diretrizes da portaria vigente.

Por que a restrição é necessária?

A presença de veículos de grande porte em rodovias de pista simples, especialmente durante feriados prolongados, dificulta ultrapassagens e aumenta o tempo de viagem para os demais usuários. Ao restringir esses veículos em horários de pico, a PRF busca padronizar o fluxo e prevenir colisões frontais, saídas de pista e outros sinistros de trânsito.

Clique aqui e confira a tabela completa com todos os feriados de 2026 e os trechos específicos.

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Transporte Escolar: Detran orienta pais sobre contratação segura na volta às aulas

sab, 07/02/2026 - 13:30
O Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES) orienta o que observar no ato da contratação. Foto: Detran/ES

Com a volta às aulas, cresce a demanda pelo serviço de transporte escolar em todo o Espírito Santo. Para garantir a segurança de crianças e adolescentes, o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES) reforça a importância de que pais e responsáveis contratem apenas serviços devidamente regularizados, que atendam às exigências legais e de segurança previstas na legislação de trânsito.

De acordo com o Detran|ES, antes de fechar contrato, o cidadão deve verificar se o veículo e o transportador estão credenciados junto ao órgão. A consulta pode ser feita diretamente no site oficial do Detran|ES, na área específica de Consulta de Transporte Escolar, disponível em destaque na página inicial.

Para verificar a regularidade do veículo, basta informar a placa da van escolar. Já para confirmar se o transportador está autorizado, é necessário inserir o nome ou o CPF do prestador do serviço. O sistema apresenta apenas os veículos e condutores que estão aptos a exercer a atividade, além da data de validade do credenciamento. Caso não exista registro, o serviço é considerado irregular, indicando veículo clandestino ou transportador sem autorização.

O diretor-geral do Detran|ES, Givaldo Vieira, destaca que o principal critério na contratação deve ser a segurança dos estudantes.

“A principal preocupação deve ser com a segurança dos alunos. Muitas vezes, o cidadão é atraído por um preço menor, mas isso não pode ser determinante. Um valor mais baixo pode significar transporte clandestino. É fundamental ter a garantia de que o veículo passou por inspeções semestrais, atende às exigências de segurança e que o condutor está devidamente capacitado para exercer a função”, alerta.

Veículo e condutor precisam estar regulares

Para estar regularizado no Detran|ES, o veículo de transporte escolar passa por vistorias semestrais em Instituições Técnicas Licenciadas (ITL), vinculadas ao Inmetro. Nessas inspeções, verificam-se itens obrigatórios de segurança, como sistema de freios, estado dos pneus, cintos de segurança, parte elétrica, registrador instantâneo de velocidade e tempo, entre outros equipamentos essenciais para a segurança dos passageiros.

Além do veículo, o órgão também avalia o profissional responsável pela condução. O motorista deve ter mais de 21 anos, ter habilitação na categoria “D”, realizar curso específico para Condutor de Transporte Escolar em empresa credenciada ao Detran|ES e apresentar Certidão Negativa Criminal para crimes incompatíveis com a atividade. Anualmente, analisa-se o histórico da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) desses condutores. Conforme o artigo 138 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), motoristas reincidentes em infração gravíssima ficam impedidos de exercer a atividade por um período de um ano.

Monitor escolar é obrigatório em alguns casos

Nos casos em que o transporte atende estudantes com até nove anos de idade, é obrigatória a presença do monitor escolar. Esse profissional deve ter mais de 18 anos, portar credencial de identificação emitida pelo Detran|ES e apresentar Certidão Negativa Criminal para crimes incompatíveis com a função. Durante todo o trajeto, o monitor deve permanecer no banco traseiro do veículo, auxiliando as crianças no embarque, desembarque e no deslocamento entre casa e escola.

Como identificar se o transporte escolar é regular

Alguns sinais ajudam pais e responsáveis a identificar se o transporte escolar está legalizado. O primeiro deles é a faixa amarela na lateral do veículo com a inscrição “Escolar”. No vidro dianteiro, deve haver o selo de conformidade, que pode ser conferido por meio da leitura do QR Code.

Deve-se observar outros itens também:

  • Credencial de identificação do condutor, dentro da validade;
  • Credencial do monitor escolar, quando exigido;
  • Termo de Autorização do veículo disponível no interior;
  • Cintos de segurança para todos os passageiros, respeitando a lotação máxima;
  • Equipamento registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo;
  • Placa vermelha ou, no padrão Mercosul, com caracteres vermelhos.
Orientações aos municípios e canais de denúncia

Com foco na segurança do transporte escolar oferecido pelos municípios, o Detran|ES também disponibiliza uma cartilha com orientações gerais para as administrações municipais sobre a contratação do serviço. A elaboração do material ocorreu a partir de reuniões com o Ministério Público do Espírito Santo e a Associação de Municípios do Estado do Espírito Santo (Amunes). Nos casos de transporte escolar gratuito oferecido pelas prefeituras, a gestão e a fiscalização são de responsabilidade da própria administração municipal.

É possível denunciar irregularidades no transporte escolar pelo telefone 0800 022 11 17, pelo e-mail ouvidoria@es.gov.br ou pelo Disque-Denúncia 181. Para agilizar a fiscalização, é importante informar o local da ocorrência, como o nome da escola, além das características do veículo, especialmente a placa.

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Celular ao volante: projeto tenta ajustar regra à realidade dos motoristas de aplicativo

sab, 07/02/2026 - 08:15
O projeto delimita claramente o alcance da exceção: ela vale exclusivamente para profissionais do transporte remunerado em efetivo exercício da atividade. Foto: Amaviael para Depositphotos

A Câmara dos Deputados analisa o PL 6548/2025, de autoria do deputado André Fernandes (PL/CE), que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para tratar de forma específica o uso de telefone celular por motoristas de aplicativo, mototaxistas, motoentregadores e outros profissionais do transporte remunerado.

A proposta cria o artigo 252-A no CTB para excepcionar, em situações restritas, a proibição prevista no inciso VI do artigo 252, que hoje enquadra como infração o manuseio de celular ao volante. Pelo texto, não configuraria infração o toque rápido em dispositivo móvel fixado em suporte adequado, desde que seja destinado a ajustes pontuais ligados ao uso da plataforma, sem interação manual contínua e sem desviar a atenção do condutor de forma prolongada.

Uso funcional do celular como instrumento de trabalho

O projeto delimita claramente o alcance da exceção. Ela vale exclusivamente para profissionais do transporte remunerado em efetivo exercício da atividade, com CNH compatível com a função desempenhada. A proposta não se estende a condutores particulares.

Na justificativa, o autor sustenta que a redação atual do CTB não diferencia o uso perigoso do uso funcional do celular.

Para André Fernandes, o telefone é, para esses trabalhadores, um instrumento essencial de trabalho, utilizado para “receber chamadas de serviço, acompanhar rotas de navegação, confirmar entregas e manter comunicação operacional com os aplicativos”, não se tratando de uso recreativo ou alheio à condução segura.

Insegurança jurídica e autuações consideradas desproporcionais

Outro ponto central do PL é a crítica às autuações automáticas aplicadas por sistemas de videomonitoramento. Conforme o deputado, a falta de previsão legal clara tem permitido punições mesmo quando o profissional realiza apenas toques rápidos em aparelhos fixados, com finalidade operacional.

Na justificativa, Fernandes argumenta que essas condutas “não se equiparam a comportamentos imprudentes ou geradores de risco concreto à segurança viária”, sobretudo quando não há digitação prolongada nem retirada constante das mãos do volante.

Ele também chama atenção para o impacto econômico das penalidades. De acordo com o texto, o valor das multas frequentemente equivale a vários dias de trabalho. Dessa forma, comprometendo a renda familiar de quem depende diretamente da atividade para subsistência.

Princípio da razoabilidade e limites da exceção

O parlamentar invoca o princípio da razoabilidade para defender a diferenciação entre condutas perigosas e aquelas inerentes à atividade laboral. Na justificativa, afirma que, sem essa distinção, o Estado acaba impondo “tratamento injusto e desproporcional a quem exerce trabalho lícito e essencial ao funcionamento da economia urbana”.

Ao mesmo tempo, o projeto busca evitar interpretações amplas. O texto é explícito ao limitar a exceção apenas aos profissionais do transporte remunerado. Assim, preservando integralmente a política de segurança viária para os demais condutores e afastando a possibilidade de uso indiscriminado do celular ao volante.

O que continua proibido

Mesmo com a alteração proposta, seguem proibidas práticas como:

  • digitação de mensagens;
  • acesso a redes sociais;
  • chamadas pessoais;
  • qualquer interação manual contínua com o aparelho;
  • uso do celular fora de suporte adequado.

A exceção se restringe a ajustes pontuais, diretamente ligados à operação do serviço, como navegação ou confirmação de corridas e entregas.

Próximos passos da proposta

O PL 6548/2025 ainda passará pelas comissões temáticas da Câmara antes de eventual votação em plenário. Caso aprovado, a mudança representaria uma alteração relevante no tratamento jurídico do uso do celular ao volante, ao reconhecer a especificidade do trabalho mediado por plataformas digitais.

Na justificativa, André Fernandes resume o objetivo da proposta como uma tentativa de “equilibrar a proteção à segurança viária com a realidade do trabalho contemporâneo”, promovendo segurança jurídica, adequação normativa e dignidade do trabalho, sem abrir margem para comportamentos de risco no trânsito.

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Detran alerta para cuidados no trânsito na volta às aulas

sex, 06/02/2026 - 13:30
Enfatizando sempre a importância da atenção redobrada no trânsito para o cuidado com as crianças – Foto: Félix Carneiro/Governo do Tocantins

Com o retorno do ano letivo, o aumento do fluxo de veículos nas proximidades das escolas exige atenção redobrada de condutores, pedestres e ciclistas. Diante desse cenário, o Detran/TO colocou em prática a Operação Volta às Aulas, uma ação educativa realizada em todo o estado com foco na segurança viária de crianças e adolescentes.

As atividades começaram em Palmas, na Escola Municipal Olga Benário, e devem se estender a outros municípios tocantinenses ao longo das próximas semanas. A iniciativa reúne educadores de trânsito e agentes do Detran/TO, que atuam diretamente em áreas escolares com orientações, abordagens educativas e distribuição de materiais informativos.

Objetivo

O objetivo da operação é conscientizar pais, responsáveis, alunos e a comunidade escolar sobre o cumprimento das normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), especialmente em locais com grande circulação de crianças. A proposta é estimular comportamentos mais prudentes e responsáveis, reduzindo o risco de sinistros justamente em um período marcado por mudanças na rotina e maior movimentação nas vias.

Conforme o órgão, durante as ações educativas são reforçados cuidados básicos, como o respeito aos limites de velocidade, a atenção à sinalização, o uso correto do cinto de segurança e dos dispositivos de retenção infantil, além da travessia segura na faixa de pedestres.

A orientação também alcança ciclistas e pedestres, que dividem espaço com veículos motorizados no entorno das escolas.

A gerente de educação para o trânsito do Detran/TO, Hélida Cristina Noronha, destaca que o foco da operação é a proteção dos estudantes. De acordo com ela, as abordagens buscam chamar a atenção para atitudes que fazem diferença no dia a dia, como reduzir a velocidade, respeitar a faixa de pedestres e evitar distrações ao volante, garantindo mais segurança no entorno escolar.

Na avaliação da direção da Escola Municipal Olga Benário, a presença das equipes do Detran/TO no início do ano letivo contribui para reforçar a cultura de prevenção. A orientação direta aos pais e alunos, logo na recepção das crianças, ajuda a consolidar hábitos seguros e a reduzir comportamentos de risco nas imediações da escola.

Atenção dos pais e responsáveis no trajeto escolar

Entre as principais recomendações do Detran/TO está o uso obrigatório do cinto de segurança por todos os ocupantes do veículo bem como a proibição do uso de celular ao dirigir, uma das principais causas de distração no trânsito. O órgão também orienta que mochilas e objetos volumosos sejam transportados no porta-malas, evitando que sejam arremessados em caso de frenagem brusca.

Planejar o trajeto com antecedência e sair de casa com tempo suficiente são atitudes simples que contribuem para um deslocamento mais seguro, reduzindo a pressa e o desrespeito às regras de circulação.

Travessia segura e respeito à faixa de pedestres

A faixa de pedestres é um ponto central das orientações. Pedestres devem utilizá-la sempre que disponível, sinalizar a intenção de atravessar e aguardar a parada completa dos veículos. Ciclistas, ao utilizar a faixa, devem descer da bicicleta durante a travessia.

Já os condutores precisam estar atentos: deixar de dar preferência ao pedestre ou a veículos não motorizados na faixa é infração gravíssima, conforme o CTB, e representa risco direto à vida, especialmente em áreas escolares.

Uso correto de cadeirinha, bebê conforto e assento de elevação

De acordo com o órgão, o transporte adequado de crianças também recebe atenção especial. O Detran/TO reforça que deve-se utilizar os equipamentos de retenção conforme idade, peso e altura, sempre no banco traseiro:

  • Até 1 ano ou até 13 kg: bebê conforto ou cadeirinha conversível
  • De 1 a 4 anos (9 a 18 kg): cadeirinha
  • De 4 a 7,5 anos (até 1,45 m e 15 a 36 kg): assento de elevação
  • De 7 a 10 anos (acima de 1,45 m): cinto de segurança no banco traseiro
Crianças em motocicletas e transporte escolar

O órgão alerta ainda que só se permite o transporte de crianças em motocicletas a partir dos 10 anos de idade. O descumprimento dessa regra configura infração gravíssima, com multa, suspensão do direito de dirigir e outras penalidades previstas no CTB.

Para quem utiliza transporte escolar, o Detran/TO orienta que pais e responsáveis verifiquem se o veículo possui o Termo de Autorização de Transporte Escolar, afixado no para-brisa. O documento, válido por seis meses, comprova que o veículo passou por vistoria assim como atende às exigências legais. Realiza-se a fiscalização semestralmente em todos os municípios do estado.

Com a Operação Volta às Aulas, o Detran/TO reforça que a segurança no trânsito é uma responsabilidade compartilhada e que atitudes simples podem fazer a diferença na proteção de quem mais precisa: crianças e adolescentes.

As informações são de Gabriel Moraes/Sophia Santana/Governo do Tocantins

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Bicicleta na calçada: quando a proteção vira risco no trânsito urbano

sex, 06/02/2026 - 08:15
Bicicleta na calçada só com o ciclista desmontado. Foto: skasiansin para Depositphotos

Em meio ao trânsito cada vez mais congestionado das cidades brasileiras, a bicicleta aparece como alternativa de mobilidade sustentável, econômica e saudável. No entanto, a convivência entre ciclistas, pedestres e veículos ainda é marcada por conflitos — e poucos temas geram tanta dúvida quanto o uso da bicicleta na calçada.

Para muitos ciclistas, a calçada representa refúgio diante do medo de disputar espaço com carros, ônibus e motos. Para pedestres, especialmente idosos, crianças e pessoas com deficiência, a presença de bicicletas nesse espaço pode significar insegurança constante. Entre esses dois lados, está a legislação de trânsito, que estabelece regras claras — embora nem sempre conhecidas — sobre onde e como a bicicleta pode circular.

Bicicleta é veículo — e isso muda tudo

Um ponto essencial para entender o debate é reconhecer que, juridicamente, a bicicleta é considerada um veículo. Essa definição está expressa no Código de Trânsito Brasileiro e tem implicações diretas: como regra geral, veículos devem circular na via, não na calçada.

A calçada, por sua vez, é um espaço prioritariamente destinado à circulação de pedestres. Essa hierarquia não é casual. Ela reflete o princípio da proteção ao mais vulnerável, base da segurança viária moderna. Em outras palavras: quem se desloca a pé deve ser sempre o primeiro a ser protegido.

Isso não significa, porém, que a bicicleta esteja proibida de forma absoluta de circular fora da pista. O próprio ordenamento jurídico admite exceções — mas elas dependem de critérios objetivos, definidos pelo poder público.

Quando a bicicleta pode circular na calçada?

A possibilidade de circulação de bicicletas na calçada não depende da percepção individual de risco, mas de autorização expressa do órgão de trânsito local. Em termos práticos, isso significa que só é permitido pedalar na calçada quando há regulamentação específica do município, acompanhada de sinalização adequada.

Essa autorização costuma aparecer em locais onde não há infraestrutura cicloviária suficiente ou em áreas de uso compartilhado, como parques urbanos, orlas, trechos turísticos ou calçadas excepcionalmente largas. Ainda assim, a permissão não é irrestrita: ela vem acompanhada de deveres adicionais para o ciclista.

Na ausência de sinalização ou norma municipal clara, a circulação na calçada deixa de ser uma escolha pessoal e passa a ser uma infração administrativa, sujeita à abordagem dos agentes de trânsito.

Convivência urbana exige mais do que lei

Mesmo quando autorizada, a circulação de bicicletas na calçada impõe uma lógica diferente da aplicada às vias. Trata-se de um espaço de convivência, não de deslocamento rápido. Isso exige do ciclista uma postura ativa de cuidado.

A prioridade é sempre do pedestre. Velocidade incompatível, manobras bruscas, uso agressivo da campainha ou tentativa de “abrir caminho” configuram comportamento de risco e podem gerar conflitos graves. Em situações de fluxo intenso ou calçadas estreitas, a conduta mais segura — e correta — é simples: descer da bicicleta e empurrá-la.

Ao fazer isso, o ciclista passa a ser tratado legalmente como pedestre, reduz riscos e demonstra respeito ao espaço coletivo.

Responsabilidade em caso de acidentes

Outro aspecto frequentemente ignorado é a responsabilidade civil. Em caso de colisão ou atropelamento envolvendo pedestre e ciclista na calçada, a análise jurídica tende a ser rigorosa, sobretudo se não houver autorização para o uso daquele espaço.

Mesmo sem intenção, o ciclista pode ser responsabilizado por danos materiais e morais, especialmente se ficar caracterizado excesso de velocidade ou imprudência. A ideia de que a bicicleta “não machuca” é um mito: impactos a baixas velocidades já são suficientes para causar fraturas, quedas graves e traumas, principalmente em pessoas vulneráveis.

Falta de infraestrutura alimenta o problema

É impossível discutir bicicleta na calçada sem mencionar a ausência de políticas públicas consistentes de mobilidade cicloviária. Em muitas cidades, por exemplo, ciclovias são inexistentes, descontínuas ou mal conectadas, empurrando o ciclista para escolhas difíceis entre a rua hostil e a calçada inadequada.

Esse cenário revela uma falha estrutural: quando o espaço urbano não é planejado para todos, os conflitos se intensificam. Pedestres e ciclistas acabam disputando um território que deveria ser protegido, enquanto o veículo motorizado segue dominante.

Especialistas em trânsito defendem que a solução não está em flexibilizar indiscriminadamente o uso da calçada, mas em investir em infraestrutura segura, educação para o trânsito e fiscalização equilibrada, capaz de orientar antes de punir.

Informação também salva vidas

Conhecer as regras é um passo fundamental para reduzir conflitos. Consultar normas municipais, observar a sinalização assim como planejar trajetos com antecedência são atitudes simples que fazem diferença no dia a dia.

Mais do que cumprir a lei, respeitar o pedestre é um gesto de cidadania. A bicicleta é símbolo de mobilidade sustentável, mas só cumpre esse papel quando integrada de forma segura e responsável ao espaço urbano.

No trânsito, a escolha mais correta nem sempre é a mais rápida — muitas vezes, é a que preserva vidas.

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