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Tarifa zero no transporte pode atuar como “novo Bolsa Família”, aponta estudo
A possibilidade de implantar tarifa zero no transporte público brasileiro pode ir além da mobilidade urbana e se tornar uma política de impacto social semelhante ao Bolsa Família. É o que aponta um estudo recente divulgado pela Agência Brasil, com base em pesquisa acadêmica sobre o tema.
Conforme o levantamento, a gratuidade no transporte coletivo teria potencial para liberar renda no orçamento das famílias, funcionando como uma espécie de “salário indireto”.
Impacto econômico pode chegar a bilhõesDe acordo com o estudo, a implementação da tarifa zero nas capitais brasileiras poderia gerar uma movimentação expressiva na economia.
A estimativa aponta para um impacto total de cerca de R$ 60 bilhões por ano, considerando o dinheiro que deixaria de ser gasto com passagens e passaria a circular no consumo de bens e serviços.
Desse total, aproximadamente R$ 14,7 bilhões já circulam atualmente devido a gratuidades existentes — como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência. Isso significa que a injeção adicional seria de cerca de R$ 45,6 bilhões em novos recursos na economia.
Transporte gratuito como política socialA lógica por trás da proposta é simples: ao eliminar o custo do deslocamento diário, o trabalhador passa a ter mais renda disponível para outras necessidades.
Na prática, isso amplia o acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e emprego, além de reduzir desigualdades sociais e territoriais.
Pesquisadores destacam que o efeito distributivo da medida pode ser comparável ao de programas de transferência direta de renda, especialmente por atingir milhões de pessoas de forma ampla e contínua.
Debate envolve mobilidade e sustentabilidade do sistemaApesar do potencial impacto positivo, a adoção da tarifa zero ainda levanta desafios, principalmente relacionados ao financiamento do sistema de transporte.
Atualmente, o modelo brasileiro depende da cobrança de tarifas pagas pelos usuários, complementadas, em alguns casos, por subsídios públicos. A mudança exigiria novas fontes de custeio e reorganização da política de mobilidade urbana.
A discussão também envolve estados e municípios, responsáveis pela gestão do transporte público local.
Experiências já existem no BrasilA gratuidade no transporte público não é uma ideia inédita. O modelo já é adotado integralmente em dezenas de municípios brasileiros, principalmente de pequeno e médio porte, além de iniciativas parciais em grandes cidades, como gratuidade em dias específicos.
Essas experiências ajudam a embasar o debate nacional e indicam caminhos possíveis para ampliação da política.
Relação com segurança viária e mobilidadeEmbora o foco principal da proposta seja econômico e social, a tarifa zero também pode ter reflexos indiretos na segurança viária.
Com maior acesso ao transporte coletivo, há potencial de redução do uso de veículos individuais, o que pode impactar o volume de tráfego e, consequentemente, o risco de sinistros nas vias urbanas.
Debate deve avançar nos próximos anosA discussão sobre tarifa zero vem ganhando espaço no país, impulsionada pela necessidade de repensar o modelo atual de financiamento do transporte público.
Ao associar mobilidade urbana à distribuição de renda, o estudo reforça que políticas de transporte podem ter papel estratégico não apenas na circulação de pessoas, mas também na redução das desigualdades e no desenvolvimento econômico.
A partir dessas evidências, o tema tende a avançar no debate público, exigindo análises mais aprofundadas sobre viabilidade, custos e benefícios para a sociedade.
As informações são da Agência Brasil
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Pequenos hábitos no trânsito que podem evitar grandes prejuízos no fim do mês
Você sabe como economizar no trânsito sem mudar sua rotina? Muita gente associa a economia no trânsito apenas ao preço do combustível. Mas, na prática, os maiores gastos com o carro normalmente aparecem em detalhes que passam despercebidos no dia a dia.
A forma de dirigir, a frequência das revisões, o cuidado com pneus e até pequenos hábitos na rotina acabam influenciando diretamente despesas com manutenção, consumo, multas e desvalorização do veículo.
E o mais curioso é que boa parte desses prejuízos poderia ser evitada com mudanças relativamente simples de comportamento.
O jeito de dirigir influencia diretamente quem quer economizar no trânsitoEconomizar no trânsito começa com pequenas atitudes diárias ao volante.
Na correria da rotina, é comum acelerar além do necessário, frear bruscamente ou dirigir no automático sem prestar tanta atenção na forma como o carro está respondendo.
O problema é que esse tipo de condução desgasta componentes importantes do veículo de maneira muito mais rápida.
Freios, pneus, suspensão e até o consumo de combustível acabam sendo afetados quando o motorista mantém um padrão de direção mais agressivo.
E isso fica ainda mais evidente em cidades grandes, onde o trânsito intenso já exige bastante do automóvel naturalmente.
Mas muita gente só percebe o impacto quando começam a surgir gastos acumulados em sequência. Primeiro, aparece um pneu desgastado antes do esperado. Depois, uma manutenção corretiva mais cara. Em seguida, o aumento no consumo.
Ao somar tudo isso, o custo mensal do carro acaba ficando muito maior do que deveria.
Pequenas manutenções evitam problemas muito maioresExiste um hábito bastante comum entre motoristas: deixar a revisão para depois porque “o carro ainda está funcionando normalmente”. Só que o veículo quase sempre dá sinais antes de apresentar um problema sério.
Um ruído diferente, uma vibração incomum ou até mudanças sutis na direção podem indicar desgastes que, se ignorados, acabam se transformando em reparos muito mais caros.
Itens simples como alinhamento, troca de óleo, revisão dos freios e calibragem dos pneus fazem diferença não apenas na segurança, mas também no orçamento. Portanto, são grandes aliados para te ajudar a economizar no trânsito.
Afinal, manutenção preventiva costuma custar muito menos do que manutenção corretiva.
E isso pesa ainda mais para quem depende do carro diariamente, seja para trabalhar, viajar ou enfrentar longos deslocamentos urbanos.
Inclusive, muitas pessoas hoje em dia utilizam o veículo como ferramenta direta de renda. Aplicativos de entrega, vendas externas e pequenos negócios fizeram crescer bastante o interesse por alternativas que dependem da mobilidade.
Não por acaso, muita gente passou a procurar opções de produtos para revender direto da fábrica justamente para usar o carro em entregas locais e operações menores. Dessa forma, é possível reduzir custos logísticos no começo da atividade.
Nesse cenário, manter o veículo funcionando bem deixou de ser apenas uma conveniência. Virou parte importante da estabilidade financeira.
O motorista brasileiro está mais atento à proteção do veículoOutra mudança que aconteceu nos últimos anos foi a forma como as pessoas enxergam segurança automotiva. Durante muito tempo, muita gente via seguro como um gasto que poderia ser adiado.
Só que os custos envolvendo colisões, furtos e até pequenos reparos mudaram bastante essa percepção.
Hoje, o motorista costuma pesquisar mais antes de contratar qualquer serviço. Ele compara preços, entende melhor as coberturas e tenta encontrar algo que realmente faça sentido para sua rotina.
A digitalização ajudou bastante nisso, pois plataformas que permitem contratar seguro auto online facilitam comparações de valores, assistências e condições de cobertura sem toda aquela burocracia tradicional que afastava muitos consumidores antigamente.
Além da praticidade, esse modelo também deu mais autonomia para o motorista entender exatamente o que está contratando e avaliar o custo-benefício com mais calma.
Alguns detalhes “invisíveis” aumentam os gastos sem perceberExistem hábitos pequenos que parecem inofensivos, mas acabam gerando impacto constante no bolso.
Rodar com pneus descalibrados, por exemplo, aumenta o consumo de combustível e acelera o desgaste da borracha.
Excesso de peso no veículo também influencia diretamente o desempenho do carro e até trajetos mal planejados podem gerar consumo desnecessário, assim como mais desgaste mecânico ao longo do tempo.
O problema é que esses custos não aparecem de uma vez só. Eles vão surgindo aos poucos, quase de forma silenciosa e justamente por isso muita gente demora para perceber.
Hoje, aplicativos de trânsito, mapas inteligentes e ferramentas de monitoramento ajudam bastante a reduzir esse tipo de desperdício e economizar no trânsito.
Além disso, pequenas mudanças de hábito conseguem gerar uma diferença muito maior do que parece quando se olha apenas para gastos isolados.
Economizar no trânsito vai muito além de gastar menos combustívelQuando se fala em economia automotiva, muita gente pensa apenas no valor gasto para abastecer. Mas o custo real de um veículo envolve muito mais do que isso.
Manutenção, documentação, desvalorização, seguro, multas e reparos inesperados acabam fazendo parte da conta. E justamente por isso os hábitos do motorista têm tanto peso no orçamento ao longo do tempo.
No fim das contas, economizar no trânsito não significa apenas gastar menos dinheiro, mas evitar problemas, reduzir imprevistos e conseguir manter uma relação mais equilibrada com o próprio carro no dia a dia.
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Maio Amarelo 2026 amplia debate sobre segurança no transporte corporativo e excesso de tempo ao volante
O Maio Amarelo 2026, que neste ano traz como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, amplia o debate sobre segurança viária ao colocar em pauta um problema crescente nas cidades e estradas brasileiras: o excesso de tempo ao volante. Em meio ao avanço da mobilidade corporativa e ao aumento do deslocamento diário de trabalhadores, empresas passaram a discutir não apenas eficiência logística, mas também formas de garantir segurança no transporte de colaboradores.
Nesse contexto, modelos de economia compartilhada no transporte corporativo e plataformas de mobilidade empresarial ganham espaço como alternativa para reduzir exposição a jornadas exaustivas, ampliar rastreabilidade e melhorar a gestão operacional dos deslocamentos.
Direção defensivaÉ nesse cenário que a Autonomoz, empresa brasileira de mobilidade corporativa com sede em Curitiba, vem ampliando o debate sobre segurança no transporte de funcionários e direção defensiva durante o Maio Amarelo. A companhia atua conectando motoristas parceiros a empresas que precisam de transporte programado de colaboradores em áreas urbanas e intermunicipais.
Com operação em 175 cidades e uma rede de aproximadamente 900 motoristas parceiros, a empresa aposta em tecnologia, monitoramento em tempo real e planejamento prévio das viagens para minimizar riscos associados à fadiga, ao estresse e à sobrecarga ao volante.
“Quando discutimos mobilidade corporativa, não estamos falando apenas de deslocamento. Estamos falando de segurança, previsibilidade, qualidade de vida e responsabilidade compartilhada entre empresas, motoristas parceiros e passageiros”, afirma Gisele Santos, especialista em Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA) da Autonomoz.
O que muda com as plataformas de mobilidade corporativaA expansão das plataformas digitais vem mudando a forma como funciona o transporte corporativo para empresas sem frota própria. Diferentemente do modelo tradicional de fretado, a mobilidade corporativa compartilhada opera com rotas programadas, passageiros previamente identificados e monitoramento contínuo das viagens.
Na prática, isso permite maior previsibilidade operacional, rastreabilidade e controle das jornadas, além de gerar redução de custos para as empresas. O modelo também ajuda a responder dúvidas frequentes do mercado, como quanto custa terceirizar transporte de funcionários e quais são as vantagens de terceirizar transporte de colaboradores em vez de manter estruturas próprias.
Segundo a Autonomoz, a organização prévia das viagens também contribui para reduzir deslocamentos excessivos e distribuir melhor as demandas entre os motoristas parceiros. A plataforma conta ainda com Centro de Controle Operacional (CCO) 24 horas, recursos de rastreamento e protocolos internos voltados à segurança no transporte de colaboradores.
Transporte corporativo sustentável entra na pauta ESG das empresasA discussão sobre transporte corporativo sustentável também ganhou relevância dentro das agendas de ESG. Empresas passaram a olhar o deslocamento de colaboradores não apenas como custo operacional, mas como parte das estratégias de segurança, sustentabilidade e bem-estar. Nesse cenário, modelos compartilhados ajudam a otimizar rotas, reduzir veículos em circulação e ampliar a eficiência logística.
Além do uso de tecnologia, a Autonomoz mantém iniciativas permanentes de conscientização voltadas à direção segura, combate à fadiga e prevenção de acidentes. Entre elas está o programa “Regras de Ouro”, que reúne orientações relacionadas à direção defensiva, pausas adequadas, saúde física e mental e manutenção preventiva dos veículos.
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Transporte escolar pode ter monitoramento em tempo real e acesso para pais
Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados pretende modernizar a fiscalização do transporte escolar no Brasil e ampliar a segurança de crianças e adolescentes durante o trajeto até a escola.
O PL 1240/2026, apresentado pelo deputado Marcos Tavares (PDT/RJ), estabelece a obrigatoriedade de GPS ou tecnologia equivalente em veículos usados no transporte escolar, com monitoramento em tempo real e acesso às informações por pais, responsáveis e poder público.
Se aprovado, o projeto poderá impactar vans escolares, micro-ônibus e demais veículos autorizados para esse serviço em todo o país.
Quer fazer o curso de motorista de Transporte Escolar? Clique aqui e saiba mais O que muda na práticaPelo texto, todos os veículos de transporte escolar deverão contar com sistema que permita, no mínimo:
- localização em tempo real durante o trajeto;
- histórico de rotas por pelo menos 90 dias;
- acesso por aplicativo ou plataforma digital;
- emissão de relatórios para fiscalização;
- funcionamento contínuo, inclusive com bateria auxiliar ou redundância.
A instalação e o pleno funcionamento do sistema passariam a ser requisito para:
- concessão da autorização do serviço;
- renovação anual da licença;
- cadastro junto aos órgãos competentes.
Um dos principais pontos do projeto é permitir que pais ou responsáveis acompanhem a localização do veículo durante o transporte contratado.
Na prática, isso poderia ajudar em situações como:
- atraso inesperado;
- mudança de rota;
- pane mecânica;
- dificuldade de comunicação com o motorista;
- maior previsibilidade no embarque e desembarque.
A proposta também prevê que escolas possam acessar essas informações, conforme a relação contratual existente.
Segurança e fiscalizaçãoNa justificativa, o autor afirma que milhões de estudantes utilizam transporte escolar diariamente e que a legislação atual ainda carece de ferramentas tecnológicas obrigatórias para monitoramento efetivo.
Hoje, o transporte escolar já exige autorização específica e inspeções periódicas, mas nem sempre há acompanhamento digital das rotas realizadas.
Conforme o deputado, o objetivo é ampliar segurança, transparência e capacidade de fiscalização.
Ponto positivo: resposta rápida em emergênciasO uso de rastreamento pode trazer ganhos relevantes em ocorrências como:
- acidentes;
- falhas mecânicas;
- desaparecimento temporário do veículo;
- atrasos prolongados;
- necessidade de apoio rápido.
Em tese, localizar o veículo em tempo real pode facilitar respostas de autoridades, escolas e famílias.
Mas há desafios práticosApesar do apelo da proposta, especialistas costumam apontar obstáculos importantes em medidas desse tipo:
- custo de instalação e mensalidade do sistema;
- impacto para pequenos transportadores autônomos;
- cobertura de sinal em áreas rurais;
- manutenção dos equipamentos;
- proteção de dados e uso correto das informações.
O próprio projeto prevê que o poder público poderá criar linhas de financiamento para modernização tecnológica, especialmente para microempreendedores e pequenas empresas.
Prazo para adaptaçãoSe a proposta virar lei, os veículos já em operação teriam 180 dias para se adequar às novas exigências.
Também caberia ao Poder Executivo regulamentar padrões técnicos e procedimentos de fiscalização.
Próximos passosO PL 1240/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de eventual votação.
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Volvo aposta em inteligência artificial para ajudar motoristas a entender o trânsito
A inteligência artificial está cada vez mais próxima de assumir funções que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente da atenção humana ao volante. A nova aposta da montadora sueca Volvo Cars em parceria com a Google quer justamente transformar o carro em um sistema capaz de “enxergar” o trânsito e interpretar informações do ambiente ao redor do veículo.
A novidade foi apresentada durante o evento Google I/O 2026 e utiliza o sistema Gemini integrado às câmeras externas do automóvel para compreender placas, sinalizações horizontais e até regras de estacionamento em tempo real.
Na prática, o motorista poderá perguntar ao carro, por exemplo, se é permitido estacionar naquele local. A inteligência artificial então analisa as placas da via, interpreta restrições de horário, necessidade de autorização, cobrança ou limite de permanência e responde de forma simplificada.
O recurso estreia no futuro Volvo EX60, modelo elétrico que deve servir como plataforma de testes para novas experiências embarcadas com IA.
O carro passa a “ler” o ambienteA proposta representa uma mudança importante no conceito de assistentes automotivos. Até então, sistemas embarcados respondiam basicamente a comandos de voz previamente programados. Agora, a ideia é que o veículo compreenda o contexto do trânsito ao redor.
Conforme as demonstrações apresentadas no Google I/O, o Gemini poderá:
- interpretar placas complexas;
- reconhecer faixas e sinalizações viárias;
- identificar pontos de referência;
- auxiliar na navegação com instruções mais naturais;
- responder perguntas contextualizadas durante a condução.
Outra novidade anunciada é a chamada “Navegação Imersiva” do Google Maps, que abandona parcialmente comandos tradicionais baseados em distância e passa a utilizar referências visuais reais.
Em vez de “vire em 300 metros”, o sistema poderá dizer algo como “entre à esquerda após o semáforo” ou “depois da biblioteca”.
Tecnologia pode reduzir distrações — mas não substitui atenção humanaEmbora o avanço tecnológico chame atenção, especialistas alertam que sistemas desse tipo não eliminam a responsabilidade do condutor.
Para o especialista em trânsito Celso Mariano, a tecnologia pode ajudar principalmente em situações urbanas complexas, mas existe um risco quando o motorista transfere totalmente sua tomada de decisão ao veículo.
“A inteligência artificial pode auxiliar na interpretação das informações do trânsito, mas ela não substitui o julgamento humano. O condutor continua sendo responsável pelas decisões”, afirma.
De acordo com ele, há um desafio importante relacionado à confiança excessiva em sistemas automatizados. “Quando a pessoa acredita que o carro vai resolver tudo, ela tende a reduzir o nível de atenção. Isso pode gerar um comportamento perigoso no trânsito”, analisa Celso Mariano.
O alerta faz sentido especialmente porque placas de estacionamento, sinalizações provisórias e regras locais frequentemente apresentam ambiguidades até para agentes humanos. Inclusive, veículos equipados com sistemas de leitura automática já enfrentam dificuldades em cenários urbanos mais caóticos.
O avanço da IA dentro dos veículosA parceria entre Volvo e Google não começou agora. As empresas já trabalham juntas desde 2017 em sistemas embarcados baseados no Android Automotive. No Brasil, modelos da marca com integração Google começaram a chegar em 2021.
Nos últimos meses, a Volvo já vinha ampliando o uso do Gemini em comandos de voz mais naturais, permitindo planejamento de rotas, leitura e resposta de mensagens, busca contextual, controle multimídia e informações sobre estacionamento.
Agora, porém, o salto é maior: o carro deixa de apenas ouvir o motorista para também “observar” o ambiente.
Além disso, a montadora sueca passou a atuar como plataforma de desenvolvimento prioritária do Android Automotive, o que permitirá receber atualizações antes de outras fabricantes.
O que isso pode mudar no trânsito?A chegada de veículos capazes de interpretar o ambiente em tempo real levanta discussões importantes sobre segurança viária, comportamento humano e até formação de condutores.
Por um lado, tecnologias que reduzem distrações podem contribuir para decisões mais rápidas e menor carga cognitiva ao dirigir. Por outro, cresce a preocupação com motoristas excessivamente dependentes da automação.
Para Celso Mariano, esse tipo de avanço reforça a necessidade de educação para o uso correto da tecnologia embarcada.
“A tecnologia deve funcionar como apoio à direção segura, nunca como substituição da percepção e da responsabilidade do motorista”, ressalta.
Ele lembra ainda que erros de interpretação podem continuar acontecendo — tanto por parte do condutor quanto da inteligência artificial. “Nem toda placa é simples de interpretar. O trânsito real é dinâmico, tem exceções, obras, alterações temporárias. Isso exige cautela.”
Outro ponto relevante é a privacidade. O funcionamento do sistema depende da autorização do usuário para utilização das câmeras externas do veículo.
Enquanto isso, a tendência é que recursos baseados em inteligência artificial se tornem cada vez mais comuns na indústria automotiva, especialmente em veículos conectados e elétricos.
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MP reduz exigências para motofrete e mototáxi; entenda os impactos na segurança viária
O governo federal publicou a Medida Provisória 1360/2026 promovendo mudanças importantes nas regras para atuação de mototaxistas, motofretistas e entregadores no Brasil. A proposta reduz exigências que antes eram obrigatórias para o exercício profissional da atividade e tem provocado debates sobre os possíveis impactos na segurança viária.
Apresentada como uma medida de desburocratização e incentivo ao trabalho, a MP flexibiliza regras que haviam sido criadas justamente para aumentar a proteção de uma das categorias mais vulneráveis do trânsito brasileiro. O debate ganha ainda mais relevância diante do crescimento das mortes e lesões envolvendo motociclistas nos últimos anos.
Entre as principais mudanças estão o fim da exigência de idade mínima de 21 anos, da necessidade de dois anos de habilitação na categoria A, do curso especializado obrigatório e da inspeção semestral dos veículos utilizados na atividade profissional.
O que muda com a MPAté então, a legislação exigia uma série de requisitos mínimos para quem desejasse trabalhar profissionalmente com motocicletas no transporte de passageiros ou entregas. Além da idade mínima e do tempo de habilitação, os condutores precisavam realizar curso especializado, manter documentação específica e cumprir exigências técnicas relacionadas aos veículos utilizados na atividade.
Com a nova medida, boa parte dessas obrigações deixa de existir. Na prática, um motociclista recém-habilitado poderá começar imediatamente a atuar profissionalmente, inclusive em grandes centros urbanos, onde o trânsito costuma ser mais intenso e complexo.
A mudança é vista por especialistas como uma alteração significativa no modelo de controle e qualificação da atividade profissional sobre duas rodas.
Por que especialistas demonstram preocupaçãoA principal preocupação está relacionada ao nível de exposição ao risco enfrentado pelos motociclistas. Diferentemente dos ocupantes de automóveis, eles possuem menor proteção física e sofrem consequências muito mais graves em colisões e quedas.
Além disso, profissionais do setor convivem diariamente com pressão por produtividade, jornadas extensas, necessidade de cumprir prazos e deslocamentos constantes em áreas urbanas congestionadas. Esse conjunto de fatores já torna a atividade naturalmente mais vulnerável.
Nesse contexto, especialistas em segurança viária defendem que experiência e formação fazem diferença.
A avaliação é de que pilotar profissionalmente exige muito mais do que dominar os comandos básicos da motocicleta. Situações de risco no trânsito demandam capacidade de antecipação, leitura do comportamento dos demais usuários da via, frenagens de emergência e tomada rápida de decisão — habilidades normalmente desenvolvidas com tempo, prática e treinamento adequado.
Por isso, a retirada de exigências ligadas à formação e à experiência mínima passou a gerar preocupação entre profissionais da área.
Formação ainda é essencialOutro ponto sensível da MP é o fim da obrigatoriedade do curso especializado.
Embora esses cursos também recebam críticas e necessitem de atualização constante, eles funcionavam como uma etapa mínima de preparação para o exercício profissional da atividade. Os conteúdos abordavam temas ligados à direção defensiva, gestão de risco, transporte seguro e comportamento preventivo no trânsito.
De acordo com Celso Alves Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, eliminar essa exigência transmite uma mensagem preocupante de que a qualificação pode ser dispensável em uma atividade de alto risco.
Ainda conforme o especialista, não é possível analisar a medida isoladamente, já que faz parte de um movimento mais amplo de flexibilização na formação de condutores no Brasil.
“Nos últimos tempos, estamos vendo uma redução gradual de exigências em diferentes etapas do processo de habilitação. O problema é que essas mudanças foram apresentadas como simplificação, quando na prática podem representar empobrecimento da formação e aumento da exposição ao risco no trânsito”, avalia.
Crescimento das motos amplia debateA discussão ocorre em um momento em que o país registra aumento expressivo da circulação de motocicletas, especialmente impulsionado pelos serviços de entrega e transporte individual.
Com mais motos nas ruas, aumentam também os desafios relacionados à segurança desses profissionais. Dados de órgãos de trânsito e saúde pública mostram que motociclistas seguem entre as principais vítimas de sinistros graves no Brasil.
Especialistas defendem que políticas públicas voltadas ao setor precisam equilibrar geração de renda e preservação da vida. Para isso, argumentam que o país deveria investir simultaneamente em formação qualificada, fiscalização eficiente, educação para o trânsito e melhores condições de trabalho para os profissionais que utilizam motocicletas diariamente.
Segundo essa visão, ampliar o acesso ao mercado sem fortalecer medidas de proteção pode aumentar ainda mais a exposição ao risco nas vias brasileiras.
MP ainda será analisada pelo CongressoA Medida Provisória ainda precisará passar pelo Congresso Nacional e poderá sofrer alterações durante a tramitação.
O tema deve mobilizar representantes do setor de entregas, especialistas em mobilidade, entidades de segurança viária e profissionais ligados à formação de condutores.
O principal debate gira em torno da necessidade de encontrar equilíbrio entre facilitar o acesso ao trabalho e manter mecanismos mínimos de proteção à vida no trânsito.
Na avaliação de Celso Mariano, o principal desafio será encontrar equilíbrio entre facilitar o acesso ao trabalho e preservar a segurança viária.
“O Brasil precisa tomar cuidado para que a simplificação de regras não aumente ainda mais a vulnerabilidade justamente de quem já faz parte do grupo mais exposto do trânsito brasileiro. Quando falamos de motociclistas profissionais, estamos falando diretamente de vidas em risco todos os dias”, conclui.
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O que a empatia tem a ver com acidentes de trânsito? Mais do que você imagina
A ideia de que “ser mais gentil no trânsito” ajuda a reduzir acidentes pode parecer simplista à primeira vista. Mas especialistas em segurança viária são diretos: empatia não é apenas uma questão de educação — é um fator real de proteção.
Em um sistema onde decisões são tomadas em segundos e qualquer erro pode ter consequências graves, a capacidade de reconhecer o outro, antecipar comportamentos e agir com responsabilidade coletiva faz diferença concreta no risco de sinistros.
O que é empatia no trânsito — na práticaEmpatia, no contexto da mobilidade, não significa apenas ser cordial. Trata-se de considerar a perspectiva do outro antes de agir.
Isso se traduz em atitudes como:
- reduzir a velocidade ao perceber um pedestre indeciso na travessia;
- manter distância segura de ciclistas;
- evitar disputas de espaço com motociclistas;
- não reagir com agressividade a erros de terceiros;
- compreender limitações de idosos e pessoas com deficiência;
- dirigir com paciência em situações de congestionamento.
Na prática, empatia está diretamente ligada à prevenção de conflitos — e conflito é um dos gatilhos mais comuns para comportamentos de risco.
Comportamento humano é fator central dos sinistrosDiversos estudos e levantamentos mostram que a maioria dos sinistros de trânsito está associada a falhas humanas: excesso de velocidade, distração, desrespeito à sinalização, consumo de álcool e decisões impulsivas.
Nesse cenário, a empatia atua como um “freio comportamental”. Um motorista que considera o impacto de suas ações tende a:
- reduzir velocidade em áreas críticas;
- evitar manobras arriscadas;
- respeitar preferências legais;
- manter atenção constante;
- dirigir de forma mais previsível.
Ou seja, a empatia influencia diretamente a forma como o condutor se comporta diante do risco.
Menos agressividade, menos sinistrosA agressividade no trânsito — fechadas, perseguições, ultrapassagens perigosas e uso da buzina como intimidação — está frequentemente associada a colisões.
Quando o condutor adota postura empática, reduz a chance de escalada de conflitos. Em vez de responder a um erro com outro erro, ele opta por evitar a situação.
Esse tipo de comportamento diminui não apenas o risco individual, mas também o risco coletivo, já que o trânsito funciona como um sistema interdependente.
Empatia muda decisões ao volanteDe acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o impacto da empatia vai além da teoria e se reflete diretamente nas escolhas do dia a dia.
“A maioria dos sinistros não acontece porque alguém não sabe dirigir tecnicamente, mas porque toma decisões ruins. A empatia ajuda justamente nisso: pensar antes de agir”, explica.
Conforme ele, o trânsito exige uma mudança de mentalidade. “Quando o condutor entende que suas atitudes podem afetar a vida de outras pessoas, ele naturalmente reduz comportamentos de risco. Isso tem impacto direto na segurança.”
Empatia também melhora a previsibilidadeUm dos princípios da direção segura é a previsibilidade. Quanto mais previsível o comportamento dos usuários, menor o risco de colisões.
A empatia contribui para isso porque incentiva ações mais conscientes e menos impulsivas. Um motorista que respeita o tempo do outro, sinaliza corretamente e mantém distância adequada facilita a leitura do ambiente por todos.
O papel das cidades e da educaçãoEmbora o comportamento individual seja fundamental, especialistas alertam que empatia não surge apenas de campanhas. Ela precisa ser estimulada por políticas públicas e educação contínua.
Isso inclui:
- formação de condutores com foco em comportamento, não apenas técnica;
- campanhas educativas consistentes;
- fiscalização que coíba agressividade e imprudência;
- infraestrutura que reduza conflitos entre modais;
- incentivo à cultura de respeito no trânsito.
O Maio Amarelo 2026 traz a empatia como um dos pilares ao propor que motoristas “enxerguem o outro” no trânsito. Embora seja uma campanha pontual, o tema evidencia uma necessidade permanente: transformar comportamento.
Empatia não é detalhe — é estratégia de segurançaNo trânsito, pequenas decisões têm grandes consequências. Frear antes, esperar alguns segundos, dar passagem ou evitar uma reação impulsiva podem ser suficientes para impedir um sinistro.
Por isso, Mariano é categórico: empatia não é um valor abstrato — é uma ferramenta prática de prevenção.
“Em um ambiente onde erros custam caro, enxergar o outro pode ser a diferença entre chegar ao destino ou provocar uma tragédia”, reflete o especialista.
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Brasil terá centro nacional para investigar sinistros graves e prevenir mortes no trânsito
O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes anunciou a criação do Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito (Cnest), uma estrutura voltada à análise técnica de ocorrências graves nas vias brasileiras com foco na prevenção de mortes e lesões.
A iniciativa foi oficializada nesta semana e será coordenada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A proposta é ampliar a capacidade do país de entender as causas dos sinistros de trânsito e transformar essas informações em medidas concretas de segurança viária.
O novo centro terá atuação técnico-científica e preventiva. Ou seja, o objetivo não será apontar culpados ou responsabilidades pelos sinistros, mas sim identificar fatores contribuintes, padrões de risco e circunstâncias que possam orientar políticas públicas e ações de prevenção.
Como funcionará o novo centroDe acordo com o Ministério dos Transportes, o Cnest será responsável por estudar sinistros de relevância nacional, especialmente aqueles com grande impacto social ou elevado número de vítimas. A ideia é utilizar metodologia semelhante à empregada na aviação civil, em estruturas como o Cenipa, que investiga acidentes aeronáuticos para prevenir novas ocorrências.
Os estudos deverão produzir diagnósticos, relatórios técnicos e recomendações voltadas à redução de mortes e lesões no trânsito brasileiro. O centro também poderá reunir especialistas, representantes de órgãos públicos e entidades da sociedade civil para contribuir com análises e pesquisas.
A criação do Cnest ocorre em um momento em que o país ainda enfrenta números elevados de violência no trânsito. Segundo os dados divulgados pelo governo federal, além das 37 mil mortes registradas em 2024, os sinistros geram impactos econômicos e sociais bilionários. Estimativas do Banco Mundial apontam que os custos relacionados às ocorrências chegam a R$ 310 bilhões por ano, o equivalente a cerca de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Impacto na saúde públicaOs efeitos da violência viária também pressionam o sistema de saúde. Informações do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam crescimento de 49% nas internações relacionadas a sinistros de trânsito entre 2012 e 2024.
Nesse contexto, a criação de um centro especializado em estudos de sinistros pode representar um avanço na produção de dados qualificados e na identificação de falhas estruturais, comportamentais e operacionais que contribuem para as ocorrências nas vias brasileiras.
Além disso, o projeto está alinhado às diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que prevê reduzir em pelo menos 50% o índice nacional de mortes no trânsito até 2030.
Segurança viária baseada em dadosA proposta reforça uma tendência cada vez mais discutida na segurança viária: a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências e análise técnica aprofundada dos sinistros.
Na prática, isso significa olhar além da infração isolada ou da responsabilização individual e compreender o conjunto de fatores envolvidos em uma ocorrência grave, como infraestrutura viária, sinalização, condições do veículo, comportamento humano e falhas sistêmicas.
O modelo também segue princípios internacionais como Visão Zero e Sistemas Seguros, estratégias que defendem que nenhuma morte no trânsito deve ser considerada aceitável.
Para especialistas da área, iniciativas desse tipo ajudam a transformar dados em ações concretas de prevenção, permitindo intervenções mais eficientes e direcionadas para reduzir a violência no trânsito brasileiro.
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Motoristas poderão ser multados por fechar ciclistas após ultrapassagem, prevê projeto aprovado
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que altera diversos pontos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para regulamentar a convivência entre veículos e bicicletas nas vias brasileiras. A proposta cria novas infrações de trânsito, estabelece regras para motoristas e ciclistas e ainda prevê a implantação de ciclovias ou ciclofaixas em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida.
O texto segue agora para análise do Senado Federal, caso não haja recurso para votação no Plenário da Câmara.
Entre as mudanças previstas está a proibição de motoristas ultrapassarem ciclistas próximos a esquinas ou cruzamentos, especialmente em situações que possam bloquear a passagem da bicicleta. A proposta também impede que o condutor vire à direita ou pare imediatamente após concluir uma ultrapassagem de ciclista.
Nova infração para motoristasO projeto cria uma nova infração de natureza grave para motoristas que realizarem esse tipo de manobra logo após ultrapassar bicicletas. A penalidade prevista é de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Além disso, o texto prevê punição para condutores que deixarem de parar o veículo quando forem interceptados por um conjunto de bicicletas.
Outro ponto incluído na proposta é a punição para quem trafegar com faróis desregulados ou utilizando luz alta de forma que prejudique não apenas outros motoristas, mas também pedestres e ciclistas.
O projeto também dobra as multas aplicadas em trechos de obras sinalizados, tanto em vias urbanas quanto em rodovias, e estabelece velocidade máxima de 20 km/h em estacionamentos.
Regras para ciclistas também mudamAs alterações previstas no projeto não atingem apenas os motoristas. O texto cria obrigações específicas para ciclistas em cruzamentos e mudanças de direção.
Pela proposta, o ciclista deverá sinalizar com dispositivo luminoso ou com gestos feitos com a mão esquerda se continuará seguindo em linha reta ou se fará conversão.
A regra deverá ser observada sempre que o ciclista se aproximar de esquinas ou cruzamentos.
O texto também proíbe o uso de luzes intermitentes ou pisca-pisca nas bicicletas.
Quando não houver ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, os ciclistas deverão circular no canto da pista e no mesmo sentido dos demais veículos.
Bicicletas elétricas terão limite de velocidadeOutro trecho do projeto estabelece limite máximo de 50 km/h para bicicletas elétricas. Além disso, a proposta retira a obrigatoriedade de espelho retrovisor nas bicicletas e amplia aos ciclistas a prioridade de travessia já garantida aos pedestres nas faixas delimitadas.
O texto também trata da circulação de equipamentos de micromobilidade, como skates, patinetes — motorizados ou não — e diciclos elétricos.
Nesses casos, a circulação em calçadas deverá ocorrer em velocidade compatível com a segurança dos pedestres.
Ciclovias poderão ser obrigatórias no Minha Casa, Minha VidaO substitutivo aprovado pela CCJ mantém um dos pontos previstos no projeto original: a inclusão de ciclofaixas ou ciclovias entre os requisitos de infraestrutura básica dos empreendimentos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida.
A exigência, no entanto, poderá ser dispensada em locais onde a topografia não favoreça o uso de bicicletas.
O texto também inclui calçadas, passeios e passagens de pedestres no rol da infraestrutura de mobilidade urbana, ao lado de vias e ciclovias.
Mobilidade e acessibilidadeA proposta aprovada pela CCJ reforça ainda diretrizes ligadas à acessibilidade e à segurança viária.
Segundo o texto, passam a ter prioridade na Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) os deslocamentos de pedestres e a acessibilidade das pessoas com deficiência.
O projeto estabelece ainda a locomoção segura como garantia tanto para pedestres quanto para ciclistas.
Outro ponto previsto é a ampliação da participação da sociedade civil em órgãos ligados ao trânsito, por meio de consultas públicas e assentos em órgãos especializados, como o Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Além disso, órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão manter canais simplificados de comunicação para esclarecimentos, sugestões e reclamações da população.
O texto aprovado na CCJ é um substitutivo do deputado Paulo Abi-Ackel ao Projeto de Lei 6207/13, de autoria do ex-deputado Walter Feldman.
Com informações da Agência Câmara
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Fone de ouvido ao volante dá multa? Entenda o que diz a lei e por que o risco vai além da penalidade
Usar fones de ouvido para ouvir música, atender ligações ou até se concentrar durante a condução parece inofensivo para muitos brasileiros. Mas essa prática, além de proibida, pode resultar em multa e representar um risco real à segurança no trânsito.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) trata o tema de forma direta: dirigir com fones de ouvido conectados a aparelhos sonoros ou celulares é infração. E não é apenas uma questão de regra — é uma medida voltada à prevenção de sinistros de trânsito.
O que diz a lei sobre usar fones ao dirigirDe acordo com o artigo 252 do CTB, conduzir veículo utilizando fones de ouvido é uma infração de natureza média. Isso significa multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A norma não faz distinção sobre o tipo de fone, volume ou tempo de uso. Ou seja, mesmo que o condutor utilize apenas um lado ou esteja parado no trânsito, a infração pode ser caracterizada.
Mais do que punir, a regra está diretamente ligada ao princípio básico da condução segura: manter total controle do veículo e atenção ao ambiente ao redor.
Por que o uso de fones aumenta o riscoNo trânsito, ouvir é tão importante quanto enxergar. Sirenes, buzinas, aproximação de veículos e até mudanças no funcionamento do próprio carro são percebidas, muitas vezes, primeiro pela audição. Ao utilizar fones, o condutor reduz ou elimina essa percepção sonora — o que pode atrasar reações e aumentar a gravidade de um possível sinistro.
Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, reforça esse ponto.
“O trânsito é um ambiente dinâmico e exige atenção integral. Quando o condutor se isola dos sons ao redor, ele perde uma camada importante de percepção de risco. Isso reduz a capacidade de antecipar situações perigosas.”
Além disso, o uso de fones pode estar associado a outros tipos de distração, como conversas telefônicas ou foco excessivo no conteúdo reproduzido, ampliando o problema.
Não é só uma questão de multaEmbora a penalidade prevista seja relativamente leve em comparação a outras infrações, o impacto pode ser muito maior. Em situações de sinistro de trânsito, por exemplo, o uso de fones pode ser considerado um fator que contribuiu para o ocorrido.
Isso significa que o condutor pode ter sua responsabilidade agravada em análises jurídicas ou até em disputas por indenização.
Celso Mariano chama atenção para esse aspecto.
“Não é apenas sobre evitar a multa. É sobre evitar decisões que comprometam a segurança. Pequenos hábitos, como usar fones ao dirigir, podem ter consequências desproporcionais em situações críticas.”
E para motociclistas, muda alguma coisa?A regra vale igualmente para motociclistas. Os fones tradicionais, inseridos no ouvido, continuam sendo proibidos.
Um comportamento comum, mas perigosoO crescimento do consumo de conteúdo em áudio — como músicas, podcasts e chamadas — tem levado muitos condutores a adotarem o uso de fones sem refletir sobre os riscos. Mas no trânsito, qualquer redução de atenção pode ser decisiva. E isso inclui não apenas o que se vê, mas também o que se deixa de ouvir.
Segurança começa nas escolhas simplesEm um cenário em que distrações ao volante já são um dos principais fatores de risco no trânsito, atitudes aparentemente pequenas podem fazer grande diferença.
Evitar o uso de fones ao dirigir não é apenas cumprir a lei — é preservar a própria segurança e a de todos ao redor.
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Bombeiros alertam para erros simples no trânsito que aumentam risco de mortes e lesões
No trânsito, são comuns as campanhas que reforçam a importância do cinto de segurança, da cadeirinha infantil e do capacete. Mas, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), pequenos erros no uso desses equipamentos ainda aparecem com frequência nas ocorrências atendidas diariamente pelas equipes de resgate — e podem transformar colisões em situações muito mais graves.
Durante o Maio Amarelo, movimento de conscientização sobre segurança viária, os bombeiros decidiram chamar atenção justamente para essas atitudes aparentemente simples que fazem diferença nos segundos mais críticos de um sinistro de trânsito.
O cinto pode proteger — ou causar lesões gravesUm dos alertas feitos pelo CBMPR envolve o uso incorreto do cinto de segurança.
Muitos motoristas e passageiros utilizam o equipamento de forma inadequada, deixando a faixa apoiada sobre o abdômen. Em caso de colisão, isso pode provocar lesões internas graves.
Segundo a capitã Luisiana Guimarães Cavalca, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná:
“O cinto de segurança precisa estar apoiado na região do quadril, na crista ilíaca. Quando ele fica sobre o abdômen, pode causar lesões internas graves em caso de colisão. Ele foi projetado para proteger, mas, se usado de forma incorreta, pode gerar outros tipos de lesões”.
O alerta reforça que segurança no trânsito não depende apenas de usar os equipamentos, mas também da forma correta de utilização.
Criança no colo continua sendo um dos erros mais perigososOutro comportamento apontado pelos bombeiros é o transporte de crianças sem os dispositivos adequados de retenção.
Mesmo em trajetos curtos, levar crianças no colo representa risco elevado em caso de freada brusca ou colisão.
Conforme a Capitã, bebê-conforto, cadeirinhas e assentos de elevação são indispensáveis e devem ser utilizados de acordo com a idade e o tamanho da criança.
“A ocorrência pode acontecer perto de casa, e o risco é muito alto. Os dispositivos de retenção são fundamentais para proteger os pequenos”, explica.
O CBMPR também lembra que a responsabilidade pela segurança de todos os ocupantes é do condutor do veículo.
Motociclistas exigem atenção redobradaOs bombeiros também destacam os riscos enfrentados diariamente pelos motociclistas, um dos grupos mais vulneráveis no trânsito brasileiro.
Entre as orientações estão:
- uso de capacete certificado pelo Inmetro;
- capacete corretamente afivelado;
- viseira abaixada durante a condução;
- atenção em cruzamentos;
- respeito aos limites de velocidade.
Outro ponto citado pelas equipes de resgate é o hábito de circular entre veículos em movimento, prática que aumenta o risco de colisões laterais e quedas.
Mesmo quando o motociclista está na preferencial, a recomendação é reduzir a velocidade e manter atenção ao entorno.
De acordo com Cavalca, mesmo quando o condutor está na preferencial, é fundamental reduzir a velocidade e verificar o entorno.
“Nem todos percebem a sinalização, e a prudência pode evitar um acidente”, orienta.
Pedestres também fazem parte da segurança viáriaO alerta dos bombeiros não se limita a quem dirige. Segundo o CBMPR, distrações causadas por celular e fones de ouvido em volume elevado têm aumentado situações de risco envolvendo pedestres.
A recomendação é atravessar sempre na faixa e buscar contato visual com o motorista antes de iniciar a travessia.
Conforme a oficial, olhar nos olhos do condutor e ter certeza de que ele percebeu sua presença faz toda a diferença. “Mesmo que o pedestre esteja com a razão, as consequências de um atropelamento são muito mais graves para quem está a pé”, finaliza.
Segurança no trânsito depende de comportamento coletivoAlém das orientações individuais, o Corpo de Bombeiros reforça que a redução de mortes e lesões no trânsito depende de uma postura coletiva.
Respeitar a sinalização, evitar álcool ao volante, reduzir distrações e dirigir de forma defensiva continuam entre as medidas mais importantes para evitar tragédias.
Segundo a corporação, muitas das ocorrências graves atendidas diariamente poderiam ter consequências menos severas — ou até ser evitadas — com atitudes simples adotadas antes mesmo de ligar o veículo.
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TDAH e CNH: por que dar mais tempo na prova teórica não é privilégio — e pode salvar vidas
Para muitas pessoas, a prova teórica da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é apenas uma etapa burocrática. Para outras, porém, ela pode representar uma barreira silenciosa entre a capacidade de dirigir e a dificuldade de provar isso dentro de um tempo limitado.
É o caso de candidatos com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição neurobiológica marcada por sintomas como desatenção, impulsividade e dificuldade de organização cognitiva. Em um ambiente de pressão, leitura extensa e limite rígido de tempo, o exame teórico pode deixar de medir apenas conhecimento sobre trânsito — e passar a medir velocidade de processamento mental.
Nos últimos anos, a discussão sobre acessibilidade no processo de habilitação ganhou força no Brasil. Mas junto com ela surgiu um debate delicado: garantir condições adequadas para candidatos neurodivergentes significa facilitar a obtenção da CNH?
Especialistas em trânsito, medicina e aprendizagem afirmam que não.
A questão, segundo eles, não é reduzir critérios de avaliação, mas assegurar que a prova realmente consiga medir o que o candidato sabe — e não apenas a rapidez com que consegue lidar com estímulos, ansiedade e pressão temporal.
O que mudou com a Resolução Contran nº 1.020/2025A discussão sobre inclusão no processo de habilitação ganhou um marco importante com a publicação da Resolução Contran nº 1.020/2025.
Entre as mudanças trazidas pela norma, uma delas impacta diretamente candidatos neurodivergentes: a regulamentação expressa do tempo adicional nos exames teóricos.
O texto determina que a duração da prova teórica será de, no mínimo, uma hora, devendo ser obrigatoriamente dobrada para candidatos com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Na prática, isso significa que esses candidatos passam a ter direito a duas horas para realização do exame teórico de habilitação, desde que atendidos os critérios e comprovações exigidos pelo processo.
A previsão representa um avanço importante porque traz segurança jurídica e padronização para uma questão que, muitas vezes, dependia de interpretações administrativas diferentes entre estados ou unidades do Detran.
Mais do que uma adaptação operacional, a medida reconhece oficialmente que determinados transtornos podem impactar:- processamento de informações;
- manutenção da atenção;
- velocidade de leitura;
- organização cognitiva;
- e gerenciamento simultâneo de estímulos.
E isso interfere diretamente no desempenho em provas cronometradas.
A mudança, porém, também ajuda a esclarecer um ponto frequentemente distorcido no debate público: o tempo adicional não altera o conteúdo da avaliação nem reduz a exigência técnica do exame.
O candidato continua precisando demonstrar conhecimento sobre os conteúdos específicos sobre o trânsito, o que muda é a condição oferecida para que ele consiga demonstrar esse conhecimento de maneira mais compatível com suas características cognitivas.
Especialistas em aprendizagem e trânsito defendem que esse tipo de adaptação não deve ser interpretado como privilégio, mas como um mecanismo de acessibilidade previsto justamente para evitar que a limitação temporal se transforme em uma barreira maior do que a própria avaliação do conteúdo.
Tempo maior não significa “vantagem”Em reportagem já publicada pelo Portal do Trânsito, especialistas explicaram que candidatos com TDAH podem ter direito a tempo adicional na prova teórica do Detran mediante avaliação e documentação adequada.
A medida costuma gerar reações divididas nas redes sociais. Há quem enxergue o recurso como privilégio. Outros defendem que se trata de uma adaptação mínima diante de uma condição reconhecida clinicamente.
O ponto central, no entanto, está em compreender o que o TDAH realmente afeta.
O transtorno não está necessariamente ligado à inteligência ou à incapacidade de aprender. Muitas vezes, o principal desafio está no gerenciamento da atenção, no processamento simultâneo de informações e na manutenção do foco em atividades prolongadas.
Em provas teóricas, isso pode significar:
- dificuldade de concentração contínua;
- perda de foco em textos extensos;
- impulsividade na leitura;
- erros por distração;
- e maior desgaste mental sob pressão de tempo.
Na prática, o candidato pode conhecer o conteúdo, mas não conseguir demonstrá-lo adequadamente dentro das mesmas condições cognitivas exigidas de alguém sem o transtorno.
O trânsito exige atenção constante — e o TDAH entra nessa discussãoO tema ganha ainda mais relevância porque dirigir é uma das atividades cotidianas mais complexas do ponto de vista cognitivo.
A condução veicular exige:
- atenção dividida;
- controle de impulsos;
- tomada rápida de decisões;
- leitura constante do ambiente;
- antecipação de riscos;
- e capacidade de lidar simultaneamente com múltiplos estímulos.
Pesquisas internacionais sobre atenção ao volante mostram que falhas de concentração estão entre os principais fatores associados a sinistros de trânsito.
Além disso, estudos sobre impulsividade indicam relação direta entre comportamentos impulsivos, infrações e maior envolvimento em ocorrências viárias.
No caso específico do TDAH, a literatura científica vem apontando um aumento relevante no risco de envolvimento em sinistros.
Conforme reportagem do Portal do Trânsito, baseada em dados da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), estudos epidemiológicos indicam que pessoas com TDAH apresentam risco significativamente maior de se envolver em ocorrências automobilísticas.
Conforme a Abramet, pesquisas observacionais identificaram risco quase duas vezes maior de envolvimento em sinistros, além de maior frequência de infrações de trânsito.
Inclusão responsável não é flexibilização indiscriminadaÉ justamente aí que o debate ganha profundidade. Garantir tempo adicional na prova não significa ignorar os desafios relacionados ao TDAH na condução veicular. Pelo contrário: significa reconhecer que a formação precisa ser mais precisa, mais individualizada e mais responsável.
Especialistas defendem que adaptação não deve ser confundida com aprovação automática.
O candidato continua precisando:
- demonstrar conhecimento;
- atingir os critérios mínimos;
- compreender normas de circulação;
- interpretar situações de risco;
- e provar aptidão para dirigir.
A diferença está no caminho utilizado para medir essa competência. Em outras palavras: inclusão responsável não reduz a exigência de segurança viária. Ela tenta tornar a avaliação mais justa e tecnicamente adequada.
A aprendizagem pode mudar completamente o resultadoOutro aspecto importante envolve o próprio processo de aprendizagem.
Estudos sobre TDAH mostram que estratégias pedagógicas adequadas podem melhorar significativamente desempenho, organização cognitiva e retenção de conteúdo.
Na área da direção veicular, isso ganha peso ainda maior porque o ensino não depende apenas de memorização. Ele envolve:
- construção de percepção de risco;
- automatização de comportamentos seguros;
- tomada de decisão;
- controle emocional;
- e desenvolvimento de atenção situacional.
Por isso, especialistas alertam que um modelo excessivamente acelerado ou superficial de formação pode gerar impactos diferentes em candidatos neurodivergentes.
E isso ocorre justamente em um momento em que o Brasil discute flexibilização do processo de habilitação.
O risco da interpretação simplistaUma das preocupações mais recorrentes entre especialistas é a forma simplista como o debate costuma aparecer nas redes sociais.
De um lado, há discursos que tratam qualquer adaptação como “facilidade”. De outro, existe o risco de romantizar o transtorno e minimizar impactos reais sobre a direção.
Nenhum dos extremos ajuda.
O próprio material técnico da Abramet destaca que o TDAH exige atenção especial quando relacionado à condução veicular, principalmente em situações envolvendo distrações, impulsividade e multitarefa.
Ao mesmo tempo, os especialistas reforçam que o transtorno, isoladamente, não impede uma pessoa de dirigir.
O que faz diferença é:
- diagnóstico adequado;
- acompanhamento;
- conscientização;
- adaptação responsável;
- e formação consistente.
- O trânsito ainda sabe pouco sobre neurodivergência
Apesar do crescimento do debate público sobre saúde mental e neurodivergência, o trânsito brasileiro ainda discute pouco como diferentes perfis cognitivos interagem com o processo de formação de condutores.
Em muitos casos, candidatos convivem não apenas com dificuldades de aprendizagem, mas também com estigma.
Para algumas pessoas com TDAH, a reprovação repetida em provas teóricas pode gerar sensação de incapacidade, ansiedade e abandono do processo de habilitação — mesmo quando possuem condições reais de desenvolver condução segura.
Isso ajuda a explicar por que o tema deixou de ser apenas uma pauta médica e passou a integrar outras discussões como acessibilidade, cidadania e mobilidade.
Segurança viária também passa por avaliações mais inteligentesDurante décadas, o debate sobre segurança no trânsito esteve concentrado principalmente em fiscalização, infraestrutura e punição.
Hoje, cresce a percepção de que formação de condutores também é uma questão central.
E uma formação eficiente depende de avaliações que consigam identificar competência real — não apenas desempenho sob pressão. A resposta talvez esteja justamente no equilíbrio.
Nem permissividade irrestrita. Nem exclusão silenciosa.
Mas um modelo capaz de compreender que inclusão responsável não reduz critérios. Ela tenta garantir que o processo seja mais justo, mais técnico e mais eficiente para todos.
Porque, no trânsito, compreender como as pessoas aprendem também pode ser uma forma de proteger vidas.
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Motorista que causar morte no trânsito pode perder CNH por 10 anos
A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 276/26, que endurece as punições para motoristas envolvidos em homicídio culposo no trânsito — quando não há intenção de matar. A proposta aumenta o tempo de prisão previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e o condutor poderá perder por dez anos a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ou seja, amplia o prazo de suspensão do direito de dirigir.
O texto aprovado altera uma das penalidades mais relevantes previstas na legislação de trânsito brasileira e reacende o debate sobre responsabilização de condutores envolvidos em mortes nas vias.
Atualmente, o CTB prevê pena de detenção de dois a quatro anos para homicídio culposo na direção de veículo automotor. Com a proposta, a punição passaria a ser de reclusão de quatro a oito anos.
Além da mudança no tempo de prisão, o projeto estabelece que o motorista condenado ficará proibido de dirigir ou obter habilitação pelo prazo de dez anos, endurecendo significativamente a regra atual.
Proposta busca ampliar rigor em casos com morteA autora do projeto, deputada Delegada Ione (PL-MG), defende que a mudança é necessária diante da gravidade das consequências provocadas por condutas imprudentes no trânsito.
Conforme ela, a prática de homicídio culposo ao volante representa uma grave falha no dever de cuidado exigido dos condutores. A parlamentar argumenta que a medida tem caráter preventivo e reforça a proteção à vida no trânsito.
“A conduta culposa que resulta em morte demonstra ‘falha severa no dever objetivo de cuidado, legitimando, assim, que o Estado adote resposta penal mais rigorosa, com nítido caráter preventivo-especial, bem como a reafirmação do valor da vida no sistema penal de trânsito’”, afirmou.
O relator da proposta na comissão, deputado Bebeto (PP-RJ), também defendeu o endurecimento das punições e destacou que muitas mortes no trânsito estão relacionadas a comportamentos que violam regras básicas de segurança viária. “A elevação da pena representa medida proporcional à gravidade do resultado produzido, pois muitas mortes decorrem de violações graves do dever de cuidado”, disse.
O que muda na práticaSe o projeto virar lei, motoristas condenados por homicídio culposo no trânsito poderão enfrentar consequências mais severas tanto na esfera criminal quanto administrativa.
Na prática, além do aumento do tempo de prisão, a proposta amplia o período de afastamento da direção, impedindo que o condenado volte a dirigir ou consiga nova habilitação durante dez anos.
A discussão ocorre em um cenário de preocupação permanente com os altos índices de mortes no trânsito brasileiro e com a necessidade de fortalecimento de medidas voltadas à segurança viária.
O homicídio culposo no trânsito normalmente está associado a situações em que o condutor não teve intenção de provocar a morte, mas agiu com imprudência, negligência ou imperícia.
Próximos passos do projetoApesar da aprovação na Comissão de Viação e Transportes, o texto ainda precisa passar por novas etapas antes de se tornar lei.
O projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, posteriormente, seguirá para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.
Depois disso, a proposta ainda passará pelo Senado Federal.
Somente após a conclusão de todo o processo legislativo e eventual sanção presidencial as novas regras poderão entrar em vigor.
De acordo com a Câmara dos Deputados, o projeto busca reforçar o caráter preventivo das punições relacionadas às mortes no trânsito e ampliar a responsabilização de condutores envolvidos em ocorrências fatais.
As informações são da Agência Câmara de Notícias
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Motociclistas estão envolvidos em 6 de cada 10 acidentes com vítimas em Curitiba
Motociclistas representam 64% dos acidentes com vítimas registrados em Curitiba entre janeiro de 2025 e 20 de abril de 2026, segundo levantamento do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran). No período, a capital contabilizou 4.464 ocorrências com vítimas, e os motociclistas correspondem a mais da metade dos feridos (51,9%) e a quase metade das mortes (46,4%).
A gravidade desse cenário também se reflete na rotina hospitalar. Referência em atendimentos de trauma em Curitiba e região, o Hospital Universitário Cajuru, com assistência 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), recebeu 3.560 vítimas de acidentes de trânsito entre janeiro de 2025 e 20 de abril de 2026. Do total de motociclistas acidentados registrados pelo BPTran no período, 82% foram atendidos pelo hospital. Considerando todos os acidentes de trânsito na cidade, o Hospital Universitário Cajuru foi responsável pelo atendimento de 80% das vítimas.
Diante desse cenário crítico, o movimento internacional Maio Amarelo ganha ainda mais relevância.No Brasil, a 13ª edição da campanha, lançada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), tem como tema oficial: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. Nesse contexto, a direção defensiva segue como o caminho mais eficaz para reduzir acidentes.
A médica emergencista do Hospital Universitário Cajuru, Danieli Dadan, lembra que os acidentes com motociclistas costumam resultar em quadros graves. “Mesmo em velocidades moderadas, vemos fraturas expostas, lesões na cabeça, nos membros e até amputações. São situações que muitas vezes exigem múltiplas cirurgias, longos períodos de internação e reabilitação”, explica.
No total, o BPTran registrou 7.313 ocorrências no período, sendo que 48% envolveram motocicletas. Na comparação entre março de 2026 e o mesmo mês de 2025, houve aumento de 8% no total de acidentes e crescimento de 3,4% nos casos com vítimas. Entre os principais fatores associados estão o consumo de álcool e a condução sem habilitação.
Maio registrou o menor volume mensal de atendimentos em 2025. Foram 174 casos no hospital, redução de cerca de 47% em comparação com maio de 2024. Para Danieli, a queda pode estar relacionada ao impacto das campanhas de conscientização no período. Além disso, à chegada do clima mais frio, que reduz a circulação de pessoas em relação aos meses de verão.
“O Maio Amarelo traz mais visibilidade para os riscos no trânsito, e isso tende a aumentar a atenção dos condutores. Quando há mais atenção e prudência, conseguimos observar reflexos também na redução dos atendimentos por acidentes”, afirma.
Impacto direto na saúde públicaAlém dos números, os acidentes com motocicletas geram impacto direto no sistema de saúde e em toda a sociedade. Segundo o Ministério da Saúde, apenas entre janeiro e outubro de 2025, o SUS investiu R$ 141,4 milhões em mais de 92 mil procedimentos hospitalares relacionados a esse tipo de ocorrência no Brasil.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que motociclistas respondem por cerca de 60% das internações por acidentes de trânsito. Em muitos casos, as vítimas são jovens entre 20 e 29 anos — faixa economicamente ativa da população —, o que amplia os impactos socioeconômicos.
De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), para cada pessoa hospitalizada, ao menos quatro outras são diretamente impactadas, seja pelo suporte durante a internação, pelos custos com tratamento ou pela reorganização da rotina familiar diante de possíveis sequelas. Os reflexos também chegam à Previdência Social, com afastamentos do trabalho, concessão de auxílios-doença, aposentadorias por invalidez e pensões por morte.
A médica destaca que a vulnerabilidade do motociclista exige a atenção de todos no trânsito.
“Diferentemente dos ocupantes de outros veículos, o motociclista está mais exposto, o que torna as consequências muito mais graves. É uma responsabilidade compartilhada, que envolve tanto quem pilota quanto os demais condutores. Em muitos casos, o impacto é para toda a vida”, completa.
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A importância da educação no trânsito para a segurança viária
Nos últimos anos, o trânsito nas grandes cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais caótico. O crescente número de veículos nas ruas, aliado à falta de infraestrutura adequada, tem aumentado significativamente os índices de acidentes de trânsito. A educação no trânsito surge como uma ferramenta essencial para a promoção de um ambiente mais seguro e harmonioso nas vias públicas.
A educação no trânsito visa conscientizar motoristas, ciclistas e pedestres sobre a importância de respeitar as leis e normas de circulação. Além disso, busca promover atitudes responsáveis e solidárias, fundamentais para a convivência pacífica entre todos os usuários das vias. Nesse contexto, é importante destacar como as atividades de lazer podem complementar essa conscientização. Muitas pessoas, após um dia agitado no trânsito, buscam formas de relaxar em casa, e plataformas como Betao oferecem opções de entretenimento online, proporcionando momentos de descontração e diversão.
O papel das escolas na formação de cidadãos conscientesAs escolas desempenham um papel crucial na formação de cidadãos conscientes e responsáveis no trânsito. Desde a infância, é importante que as crianças aprendam sobre as regras básicas de circulação e a importância do respeito ao próximo. Programas educativos, palestras e atividades lúdicas podem ser incorporados ao currículo escolar, promovendo uma cultura de segurança viária desde cedo.
Além disso, a inclusão de disciplinas específicas sobre trânsito nas grades curriculares do ensino fundamental e médio pode ser uma estratégia eficaz para reforçar a importância da educação no trânsito. Ao formar jovens mais conscientes, espera-se que no futuro tenhamos motoristas mais responsáveis e preparados para enfrentar os desafios das vias urbanas.
A tecnologia como aliada na educação no trânsitoA tecnologia tem se mostrado uma grande aliada na promoção da educação no trânsito. Aplicativos de navegação, por exemplo, oferecem informações em tempo real sobre o tráfego, permitindo que motoristas escolham rotas mais seguras e eficientes. Além disso, simuladores de direção e jogos educativos são ferramentas que podem ser utilizadas para ensinar boas práticas de condução de forma interativa e envolvente.
As campanhas de conscientização nas redes sociais também têm um impacto significativo na educação para o trânsito. Com o alcance massivo dessas plataformas, é possível disseminar mensagens educativas e alertas sobre segurança viária para um grande número de pessoas em pouco tempo.
A importância da fiscalização e das campanhas de conscientizaçãoA fiscalização eficiente é fundamental para garantir o cumprimento das leis de trânsito e coibir comportamentos imprudentes. No entanto, ela deve ser acompanhada de campanhas de conscientização que sensibilizem a população sobre os riscos e consequências de atitudes irresponsáveis no trânsito.
Campanhas educativas promovidas por órgãos governamentais e organizações não governamentais podem abordar temas como a importância do uso do cinto de segurança, os perigos do uso de celular ao volante e os efeitos do consumo de álcool na condução. Essas iniciativas devem ser contínuas e abrangentes, alcançando diferentes públicos e faixas etárias.
ConclusãoA educação no trânsito é uma peça-chave para a construção de um ambiente viário mais seguro e harmonioso. Ao investir na formação de cidadãos conscientes e responsáveis, estaremos contribuindo para a redução dos índices de acidentes e para a melhoria da qualidade de vida nas cidades. A integração de esforços entre escolas, tecnologia, fiscalização e campanhas de conscientização é essencial para alcançar esse objetivo. Além disso, ao promover momentos de lazer e relaxamento, plataformas de entretenimento online podem complementar essa jornada, proporcionando equilíbrio e bem-estar para todos.
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Mensagem sobre “novas multas valendo a partir de hoje” volta a circular e engana motoristas nas redes
Uma velha corrente sobre supostas “novas multas de trânsito” voltou a ganhar força nas redes sociais e aplicativos de mensagens nos últimos dias. O conteúdo afirma que teria entrado em vigor uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) com reajuste de multas, novas infrações e até cancelamento automático da CNH vencida. Mas tudo isso é falso.
A mensagem mistura informações verdadeiras, dados desatualizados e afirmações inventadas para parecer confiável. Entre os trechos mais compartilhados estão multas inexistentes por “insultos entre motoristas”, valores incorretos para infrações já previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e a alegação de que a Carteira Nacional de Habilitação seria cancelada automaticamente após 30 dias do vencimento.
O Ministério dos Transportes desmentiu oficialmente o conteúdo e afirmou que não existe qualquer resolução do Contran com esse teor.
Fake news no trânsito pode gerar medo e desinformaçãoA circulação desse tipo de mensagem não é novidade. Correntes semelhantes aparecem há anos nas redes sociais, normalmente acompanhadas de expressões como “repassem para todos” ou “muita gente não sabe”. O problema é que, além de espalhar desinformação, elas acabam confundindo os condutores sobre as regras reais de trânsito.
De acordo o especialista Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito, esse tipo de conteúdo explora justamente a insegurança dos motoristas em relação às constantes mudanças legislativas.
“As pessoas sabem que o trânsito passa por alterações frequentes e acabam acreditando em mensagens alarmistas sem verificar a origem. O problema é que isso gera medo, desinformação e até banaliza temas realmente importantes da segurança viária”, analisa.
Conforme ele, outro fator que favorece a disseminação dessas correntes é o desconhecimento sobre como funcionam as normas de trânsito no Brasil. “Nenhuma mudança relevante entra em vigor dessa forma repentina, por mensagem de WhatsApp. Alterações em multas, regras de habilitação ou exigências do CTB passam por publicação oficial e ampla divulgação”, explica Celso Mariano.
O que realmente acontece com a CNH vencida?Um dos pontos que mais chamou atenção na corrente falsa é a alegação de que a CNH seria automaticamente cancelada caso não fosse renovada em até 30 dias após o vencimento. Isso não existe.
O que prevê o Código de Trânsito Brasileiro é diferente: o condutor pode dirigir por até 30 dias após o vencimento da habilitação. Depois desse prazo, dirigir com a CNH vencida passa a ser infração gravíssima.
Atualmente, a penalidade para quem dirige com a habilitação vencida há mais de 30 dias é multa de R$ 293,47 e retenção do veículo até a apresentação de um condutor habilitado.
Ou seja, não se cancela a CNH automaticamente e o motorista não precisa refazer todo o processo de habilitação apenas porque demorou para renovar o documento.
Valores das multas também foram inventadosOutro ponto da fake news é a divulgação de valores completamente fora da realidade. A mensagem fala, por exemplo, em multas acima de R$ 700 para avanço de sinal vermelho e quase R$ 2 mil para ultrapassagem proibida.
Na prática, os valores seguem os definidos pelo CTB:- infração leve: R$ 88,38;
- infração média: R$ 130,16;
- infração grave: R$ 195,23;
- infração gravíssima: R$ 293,47.
Em alguns casos específicos, como ultrapassagens perigosas, existe fator multiplicador, o que aumenta o valor da multa. Ainda assim, os números divulgados na corrente não correspondem aos valores oficiais.
Algumas infrações existem, mas os detalhes estão erradosA mensagem falsa utiliza infrações reais para dar aparência de legitimidade ao conteúdo. Película irregular nos vidros, pneus em mau estado, uso de celular ao volante e avanço de sinal vermelho realmente são infrações previstas no CTB.
No entanto, os valores apresentados estão incorretos e, em alguns casos, a descrição da infração também está errada.
Um exemplo é o suposto “crime” de fumar ao volante. Não existe multa específica para fumar dirigindo. O enquadramento pode ocorrer apenas se a conduta comprometer o controle do veículo, como dirigir usando apenas uma das mãos.
Já a alegada multa por “insultos entre motoristas” também não existe de forma específica no CTB. Dependendo da situação, o comportamento pode gerar outros enquadramentos relacionados à direção sem atenção ou uso indevido da buzina.
Como evitar cair em fake news sobre trânsitoEspecialistas orientam que deve-se conferir qualquer mudança relacionada a multas, CNH ou regras de circulação em canais oficiais ou de notícias, como:
- Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran);
- Detrans estaduais;
- Diário Oficial da União;
- Portal do Trânsito.
Além disso, mensagens sem data, sem link oficial ou com tom alarmista devem despertar desconfiança imediata.
Celso Mariano alerta que a desinformação também pode prejudicar o próprio comportamento do motorista.
“Quando o cidadão não sabe mais distinguir o que é regra real e o que é boato, cria-se um ambiente perigoso de insegurança jurídica e desinformação no trânsito. Educação para o trânsito também passa por informação de qualidade”, conclui.
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Lubrificantes automotivos: inovação e sustentabilidade impulsionam o mercado no Paraná
O mercado de lubrificantes automotivos atravessa um ciclo de transformação no Brasil, impulsionado pela busca por eficiência energética, maior desempenho dos motores e soluções sustentáveis. Em 2024, o setor registrou crescimento de 2,3%, refletindo a demanda crescente por produtos de alta performance e modelos logísticos mais inteligentes.
Apesar dos avanços tecnológicos, o segmento ainda enfrenta um desafio cultural importante: a manutenção preventiva. Segundo Wilson José Simas, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos do Paraná, a falta de revisões periódicas nos veículos impacta diretamente na segurança e nos custos para os motoristas. “A cultura brasileira ainda não é assídua na manutenção preventiva. Estamos tentando mostrar que ela é vital para evitar acidentes e reduzir custos. Quando a preventiva não é feita, a corretiva acaba gerando danos maiores e despesas muito superior ao esperado no ticket médio anual”, alerta.
Uso corretoO especialista destaca que o uso do lubrificante correto é determinante, especialmente nos motores de nova geração. “Existem veículos com correias banhadas a óleo; se o lubrificante não possuir os aditivos específicos, a correia pode se degradar rapidamente, levando até à quebra total do motor”, explica. Além da proteção mecânica, a lubrificação adequada permite que o motor opere de forma mais limpa e eficiente, reduzindo o consumo de combustível.
No ambiente corporativo, a adoção de lubrificantes de alto desempenho tem sido uma das estratégias para reduzir impactos da volatilidade dos preços do petróleo e aumentar a eficiência operacional. Embora o investimento inicial seja maior, o custo total de propriedade (TCO) tende a ser reduzido devido à maior durabilidade dos componentes e aos intervalos ampliados de troca.
Para Luiz Alberto Gomes Jr. diretor comercial da Acipar, distribuidora de lubrificantes, o Paraná vive uma transição importante, liderada principalmente pelo agronegócio e pelo transporte pesado.
“O cliente consegue mensurar o retorno com dados concretos: menor consumo de combustível, aumento da vida útil dos equipamentos e redução do impacto ambiental”, afirma.
A inovação também avança nos modelos de consumo. Um dos destaques é a chamada “Troca Inteligente”, sistema que permite a comercialização de óleo lubrificante a granel, diminuindo a necessidade de embalagens plásticas descartáveis. Em uma operação realizada em Carambeí (PR), por exemplo, a iniciativa evitou o descarte de mais de 400 quilos de plástico. Além do benefício ambiental, o modelo melhora a eficiência logística, otimiza a gestão de estoque e reduz o tempo de atendimento nas operações de troca de óleo.
Para os representantes do setor, o movimento de modernização é irreversível.A combinação entre inovação tecnológica, produtos de alta performance e práticas sustentáveis deve consolidar um mercado mais competitivo e alinhado às novas exigências da indústria automotiva.
“A sustentabilidade se tornou um novo padrão de valor. As empresas que adotam soluções inteligentes saem na frente porque unem eficiência econômica, inovação e responsabilidade ambiental”, conclui Luiz Alberto.
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Micromobilidade expõe falhas na fiscalização e aumenta riscos em ciclovias e calçadas
O avanço da micromobilidade elétrica nas cidades brasileiras vem transformando a dinâmica urbana e levantando novos desafios para a segurança viária. O crescimento no uso de bicicletas elétricas, patinetes e ciclomotores autopropelidos intensificou a circulação desses veículos em ciclovias, calçadas e vias urbanas, mas também ampliou conflitos entre diferentes usuários do espaço público.
Com a expansão acelerada desse tipo de transporte, especialistas alertam para a falta de regulamentação mais clara e para a dificuldade de fiscalização nas cidades brasileiras.
Conforme levantamento da Aliança Bike, a frota de bicicletas elétricas no país chegou a 284 mil unidades em 2024. Paralelamente, o aumento da comercialização de veículos autopropelidos ampliou a presença desses modais em espaços originalmente projetados para pedestres e ciclistas convencionais.
O problema, porém, vai além do crescimento da frota. A convivência entre veículos com diferentes velocidades, pesos e níveis de potência vem expondo limitações tanto na legislação quanto na infraestrutura urbana disponível.
Acidentes envolvendo micromobilidade aumentamOs reflexos dessa expansão já aparecem nos números relacionados aos sinistros de trânsito.
No Rio de Janeiro, os acidentes envolvendo veículos de micromobilidade registraram aumento de 702% ao longo de 2024, segundo dados citados no levantamento.
Já no Espírito Santo, ocorrências envolvendo apenas bicicletas elétricas saltaram de 45 registros em 2024 para 304 em 2025.
Os dados reforçam que a micromobilidade deixou de ser uma tendência pontual e passou a representar um desafio nacional para o planejamento urbano e para a segurança viária.
Em muitas cidades, a ausência de separação adequada entre os diferentes modais faz com que pedestres, ciclistas e condutores de veículos elétricos disputem o mesmo espaço diariamente.
Especialista aponta “vácuo regulatório”Para a professora de Direito da UniCesumar, Gisele Bolonhez, o crescimento acelerado da micromobilidade ocorreu sem acompanhamento adequado do poder público.
“Criou-se um vácuo regulatório que dificulta a fiscalização, o registro de veículos e a responsabilização em casos de acidentes e infrações. A indefinição normativa coloca todos os usuários do espaço urbano em um cenário de risco ampliado, porque não há parâmetros objetivos sobre onde cada veículo pode circular ou a que velocidade”, explica a especialista.
O debate sobre a regulamentação desses veículos ganhou força especialmente após o aumento dos acidentes e dos conflitos em áreas urbanas movimentadas.
Entre os principais pontos discutidos estão a necessidade — ou não — de exigência de habilitação, emplacamento e definição clara sobre os locais permitidos para circulação.
Resolução do Contran ainda enfrenta desafios práticosO Conselho Nacional de Trânsito publicou a Resolução nº 996/2023 com o objetivo de estabelecer critérios para circulação e classificação desses equipamentos.
Apesar disso, especialistas avaliam que a aplicação prática das regras ainda enfrenta dificuldades, principalmente devido à ausência de fiscalização local e à rápida evolução dos veículos disponíveis no mercado.
Segundo Bolonhez, o conceito amplo de micromobilidade dificulta a adoção de uma única regra para todos os equipamentos. “O conceito amplo de micromobilidade engloba equipamentos muito distintos em potência e risco, o que torna juridicamente insustentável submetê-los a um conjunto único de regras. É fundamental a categorização precisa para garantir segurança jurídica e previsibilidade. A abordagem unificada criaria distorções: veículos muito distintos seriam submetidos a regras inadequadas”, afirma.
Responsabilidade em acidentes também entra no debateOutro ponto destacado pela especialista envolve a responsabilização civil em casos de acidentes.
Segundo ela, a falta de regulamentação clara pode dificultar a atuação do Estado, mas isso não impede eventual responsabilização de empresas fabricantes ou aplicativos de compartilhamento.
“O mercado já pode ser responsabilizado por outras vias judiciais. Quando empresas fabricantes ou aplicativos de compartilhamento ingressam na cadeia de fornecimento, passam a assumir deveres de informação e prevenção. É possível responsabilizá-los com base no Direito do Consumidor caso negligenciem instruções claras sobre limites de velocidade, áreas proibidas ou entreguem veículos mal conservados e sem alertas de segurança”, diz a docente.
Experiências internacionais entram na discussãoO debate brasileiro também observa modelos adotados em países europeus.
De acordo com o levantamento, nações como França, Alemanha e Espanha criaram parâmetros específicos para diferentes tipos de veículos de micromobilidade, estabelecendo limites de velocidade, potência e restrições de circulação.
O desafio brasileiro, segundo especialistas, é encontrar um equilíbrio entre incentivo ao transporte sustentável e garantia de segurança no trânsito.
A preocupação é que a ausência de regras claras e infraestrutura adequada continue ampliando os conflitos urbanos e o número de acidentes envolvendo veículos elétricos leves.
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Simulação de colisão com trem em Curitiba reforça cuidados em cruzamentos ferroviários
Uma simulação de grave colisão envolvendo trem, ônibus, caminhão com produtos químicos e automóvel chamou a atenção em Curitiba na semana passada. A ação teve como foco testar a integração entre equipes de emergência e reforçar a conscientização sobre os riscos em cruzamentos ferroviários.
A atividade foi promovida pela empresa Rumo Logística em parceria com a Defesa Civil de Curitiba, a Regional Matriz e outras instituições.
O cenário simulou um dos acidentes mais complexos possíveis envolvendo uma composição ferroviária. Na encenação, o trem colidiu inicialmente com um automóvel parado sobre a linha férrea. Em seguida, atingiu um caminhão que transportava produtos químicos e, posteriormente, um ônibus com 37 passageiros.
Voluntários participaram da ação representando vítimas feridas que precisavam de socorro médico imediato.
Treinamento simulou incêndio, vazamento químico e múltiplas vítimasDurante a operação, as equipes realizaram o isolamento da área, controle de incêndio no caminhão e atendimento às vítimas simuladas.
Parte dos “feridos” foi encaminhada ao Hospital Universitário Cajuru e ao Hospital São Marcelino Champagnat como parte da capacitação prática das equipes de resgate. O treinamento também contou com transporte de vítimas em ambulâncias e helicóptero.
De acordo com uma medição preliminar, toda a ação de atendimento e resgate durou cerca de uma hora e vinte minutos — tempo inferior às duas horas inicialmente previstas pelos organizadores.
Após o exercício, cada órgão envolvido deverá produzir relatórios técnicos para avaliação dos procedimentos adotados, identificando pontos positivos e aspectos que ainda podem ser aprimorados.
Integração entre equipes foi um dos focos da açãoA Defesa Civil de Curitiba coordenou as atividades a partir de um Posto de Comando, centralizando as ações das diferentes forças envolvidas na ocorrência simulada.
O chefe de Monitoramento da Defesa Civil, Paulo de Souza, destacou que a integração entre equipes é um dos principais objetivos desse tipo de treinamento.
“Devemos coordenar nossos esforços para que possamos agir com eficácia em uma situação real, salvando vidas, o que é o mais importante”, afirmou o agente.
Everton dos Santos José, técnico de segurança do trabalho da empresa Rumo, também ressaltou a importância da atividade para medir o tempo de resposta das equipes e conscientizar a população sobre os riscos no trânsito.
“Esta ação visa também medir o tempo de resposta dos órgãos competentes e gerar conscientização na comunidade sobre como agir no trânsito para evitar tragédias”, disse o técnico.
Maio Amarelo reforça alerta sobre segurança perto da linha férreaAlém do treinamento operacional, a ação também teve caráter educativo e foi integrada às atividades do movimento Maio Amarelo.
A diretora da Escola Pública de Trânsito de Curitiba, Melissa Puertas Sampaio, lembrou que motoristas e pedestres precisam redobrar a atenção ao atravessar cruzamentos ferroviários.
“A Escola Pública de Trânsito, faz questão de participar do evento, pois nosso foco é zelar pelo cuidado no trânsito. O cidadão tem que se conscientizar que o trem não freia rápido como um carro e deve ter seu espaço respeitado. Pare, Olhe e Escute”, ensinou a diretora.
O enfermeiro Marcos Teixeira, do Núcleo de Educação em Urgência (NEU) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Curitiba (SAMU Curitiba), afirmou que exercícios realistas ajudam as equipes a atuar de forma mais eficiente em situações críticas.
“Este tipo de treinamento capacita as equipes para estarem preparadas para atuar com excelência em uma situação real, oferecendo o melhor atendimento ao cidadão”, declarou.
Diversos órgãos participaram da operaçãoA simulação reuniu equipes de diferentes áreas ligadas à segurança pública, trânsito, saúde e atendimento emergencial.
Participaram da operação a Defesa Civil de Curitiba, Urbs, Setran, Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Científica, Samu Curitiba, Instituto Água e Terra (IAT), Detran-PR, além de equipes da Rumo Logística e empresas parceiras.
O treinamento reforçou a importância da atuação integrada em ocorrências complexas e também serviu como alerta sobre os riscos de desrespeitar a sinalização e as regras de segurança em cruzamentos ferroviários.
A ação ocorreu em meio às atividades do Maio Amarelo e destacou a necessidade de atenção redobrada em áreas de circulação de trens, especialmente em centros urbanos como Curitiba.
As informações são da Prefeitura de Curitiba
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Governo anuncia 41 novos pontos de parada para caminhoneiros nas rodovias brasileiras
A criação de 41 novos pontos de parada para caminhoneiros passou a integrar a agenda do governo federal voltada ao transporte rodoviário brasileiro. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento do programa Move Brasil 2.
A iniciativa amplia o alcance do pacote, que já previa R$ 21,2 bilhões em financiamentos para renovação de caminhões, e passa a incorporar investimentos em infraestrutura de apoio aos motoristas profissionais.
A proposta busca melhorar as condições de descanso, segurança e suporte aos caminhoneiros que circulam diariamente pelas rodovias do país.
Estrutura de apoio entra no centro do debateAlém da renovação da frota, o governo sinaliza agora uma preocupação maior com as condições operacionais da atividade. A criação das áreas de descanso surge em um cenário de discussões frequentes sobre:
- jornadas extensas;
- fadiga ao volante;
- dificuldade de acesso a locais adequados para parada;
- segurança nas rodovias;
- saúde dos motoristas profissionais.
Na cerimônia de lançamento, Lula afirmou que os novos espaços devem garantir melhores condições de assistência e descanso aos profissionais do transporte rodoviário de cargas.
Setor vê avanço na valorização dos caminhoneirosO Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que reúne mais de 5 mil trabalhadores especializados no transporte de veículos zero quilômetro, avaliou a iniciativa como um avanço importante para a categoria.
Segundo José Ronaldo Marques da Silva, presidente do Sinaceg, a medida representa reconhecimento ao papel estratégico dos caminhoneiros na logística nacional.
“Quando o governo olha para infraestrutura de apoio, ele também olha para segurança, saúde e qualidade de vida do caminhoneiro. Ter locais adequados para parada melhora a rotina de quem vive na estrada e traz mais tranquilidade para o transporte de cargas em todo o país”, afirma.
Descanso também impacta segurança viáriaA ampliação de áreas de parada nas rodovias é apontada como medida relevante também para a segurança no trânsito.
A disponibilidade de locais adequados para descanso pode contribuir para o cumprimento das pausas previstas na legislação e ajudar a reduzir riscos relacionados à fadiga, um dos fatores associados a sinistros envolvendo veículos pesados.
Além disso, a estrutura de apoio tende a oferecer melhores condições de higiene, alimentação e recuperação física durante viagens longas.
Crédito e infraestrutura passam a caminhar juntosPara representantes do setor, o anúncio indica uma tentativa de tratar o transporte rodoviário de forma mais ampla.
Conforme Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, o desenvolvimento do setor depende não apenas de crédito para renovação de caminhões, mas também de melhoria da estrutura disponível nas estradas.
“É importante ver o transporte sendo tratado de forma mais completa. O caminhoneiro precisa de financiamento, mas também de estrutura, segurança e suporte nas estradas. Esse tipo de medida ajuda a modernizar o setor e valoriza quem mantém a logística do país funcionando todos os dias”, diz.
Move Brasil 2 amplia foco do programaA apresentação do Move Brasil 2 pelo governo federal ocorre como estratégia de modernização do transporte rodoviário nacional.
O programa pretende ampliar o acesso a financiamentos, especialmente para caminhoneiros autônomos, dentro de um cenário de renovação de frota e fortalecimento da logística brasileira.
Com a inclusão dos novos pontos de parada, o projeto passa a incorporar também questões ligadas à infraestrutura operacional das rodovias.
Divulgação das próximas etapasA expectativa do setor agora é pela divulgação do cronograma de implantação e da localização das 41 áreas de descanso previstas.
Os pontos de parada devem ser distribuídos em rodovias estratégicas para o transporte de cargas, embora os detalhes ainda não tenham sido apresentados oficialmente pelo governo federal.
A criação desses espaços vem sendo discutida há anos por entidades do setor, que apontam a falta de estrutura adequada como um dos desafios enfrentados diariamente pelos caminhoneiros brasileiros.
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