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Principais empresas de desenvolvimento de IA para considerar em 2026
O desenvolvimento de IA entrou em uma fase em que demonstrações já não bastam. As empresas não estão procurando mais um protótipo engenhoso que funciona apenas em uma apresentação controlada. Elas precisam de sistemas de IA capazes de lidar com dados reais, apoiar as operações do dia a dia e continuar funcionando quando os usuários se comportam de maneiras inesperadas. É aqui que o desenvolvimento de IA adaptativa ganha relevância, já que as empresas precisam de sistemas que evoluam com o tempo em vez de permanecerem estáticos após o lançamento. Por isso, a escolha de um parceiro de desenvolvimento é muito mais séria do que pode parecer à primeira vista.
A empresa certa pode transformar uma ideia complexa em um produto que as pessoas realmente usam. A errada pode deixar você com prazos atrasados, resultados de modelo pouco claros e um software difícil de manter depois do lançamento. As empresas abaixo têm pontos fortes diferentes no desenvolvimento de IA. Antes de comparar nomes, porém, vale entender o que diferencia um parceiro confiável de um fornecedor que só parece convincente em uma reunião de vendas.
Principais empresas de desenvolvimento de IA para 2026 DataMind AIA DataMind AI é uma ótima opção para empresas que precisam de um trabalho técnico aprofundado em produtos de dados. A empresa se concentra em sistemas de machine learning, modelos preditivos e infraestrutura de IA pronta para produção. Isso a torna uma boa escolha para negócios que já entendem o problema que querem resolver e precisam de uma equipe para transformar informações brutas em um sistema funcional.
Seu ponto forte é a ciência de dados aplicada. A DataMind AI não se posiciona como uma agência digital generalista. Ela é mais indicada para projetos em que o modelo, o pipeline de dados e o desempenho de longo prazo são centrais para o produto. Empresas que precisam de ferramentas de previsão, plataformas de analytics ou sistemas de IA conectados a dados de negócio em tempo real podem se beneficiar desse foco.
Principais competências:
• Sistemas de machine learning em produção: criação de modelos capazes de sair da fase de testes e operar em ambientes reais de negócio.
• Plataformas de análise preditiva: desenvolvimento de ferramentas que ajudam as equipes a prever demanda, riscos ou mudanças operacionais.
• MLOps e desenvolvimento de pipelines de dados: configuração do fluxo de dados e do monitoramento necessários para manter os modelos úteis após o lançamento.
PixelPlexA PixelPlex é uma escolha adequada para empresas que precisam de desenvolvimento de IA aliado a uma expertise tecnológica mais ampla. Sua experiência abrange IA, blockchain, IoT, software corporativo, análise de dados e visão computacional. Isso torna a empresa relevante para projetos em que a IA não é um recurso isolado, mas parte de um sistema digital maior.
A empresa pode ser útil para negócios que estão criando soluções de IA personalizadas que exigem pesquisa, escalabilidade e integração com as operações existentes. A PixelPlex tem experiência com plataformas de nível corporativo e produtos digitais complexos. Por isso, é uma opção sólida para empresas que querem mais do que um simples complemento de IA.
Principais competências:
• Desenvolvimento personalizado de IA e machine learning: criação de sistemas de IA voltados a tarefas específicas do negócio, em vez de conjuntos de ferramentas genéricos.
• Integração com software corporativo: conexão de recursos de IA a plataformas, bancos de dados e fluxos de trabalho internos já existentes.
• Soluções de IA integradas a blockchain e IoT: suporte a projetos em que a IA precisa funcionar com dispositivos conectados ou infraestrutura descentralizada.
Cognexa LabsA Cognexa Labs é uma boa opção para empresas que trabalham com dados visuais. A empresa se concentra em visão computacional, processamento de imagens, análise de vídeo e edge AI. Isso a torna relevante para projetos em que o software precisa interpretar imagens ou vídeos em tempo real.
Seus casos de uso mais fortes estão em manufatura, varejo, logística e saúde, onde a informação visual tem papel importante. Uma empresa pode precisar inspecionar produtos, monitorar equipamentos, ler sinais visuais ou detectar anomalias nas imagens de uma câmera. A Cognexa Labs está posicionada para esse tipo de IA aplicada.
Principais competências:
• Sistemas de visão computacional: criação de ferramentas capazes de interpretar imagens e apoiar tarefas de inspeção visual.
• Análise de vídeo e processamento de imagens: apoio às empresas na análise de imagens de câmeras, arquivos digitalizados ou registros visuais.
• Edge AI para dados visuais: processamento mais rápido e próximo do dispositivo, sem depender apenas de servidores remotos.
Innowise GroupO Innowise Group é mais indicado para empresas que precisam de grande capacidade de desenvolvimento de software aliada à expertise em IA. A empresa tem experiência com grandes projetos de software sob medida e entregas em nível corporativo. Isso pode ser útil quando a IA precisa ser incorporada a uma plataforma existente, em vez de lançada como ferramenta independente.
Seu valor vem da escala e da estrutura de entrega. Grandes empresas muitas vezes precisam que a IA funcione com sistemas legados, fluxos de dados internos e requisitos operacionais rigorosos. O Innowise Group é uma alternativa para negócios que buscam um parceiro capaz de cuidar tanto da camada de IA quanto do ambiente de software ao redor dela.
Principais competências:
• Integração de IA corporativa: incorporação de IA a sistemas que já sustentam as operações diárias do negócio.
• Desenvolvimento de software sob medida: construção do ambiente de produto mais amplo em torno do recurso de IA.
• Engenharia de aplicações em nuvem: criação de plataformas escaláveis capazes de suportar cargas de trabalho variáveis.
NeotericA Neoteric é uma ótima opção para empresas que querem recursos de IA em produtos escaláveis na nuvem. A empresa se concentra em plataformas web modernas, desenvolvimento de SaaS e arquitetura em nuvem. Isso a torna útil para negócios que precisam de IA em produtos digitais usados por clientes ou equipes internas.
A Neoteric pode ser especialmente relevante para empresas de médio porte que desejam adotar IA de forma prática, sem complexidade desnecessária. Sua experiência em plataformas em nuvem e desenvolvimento de aplicações pode ajudar as equipes a conectar recursos de IA a fluxos de trabalho reais e a manter o produto fácil de usar após o lançamento.
Principais competências:
• Plataformas SaaS com IA: adição de recursos inteligentes a produtos de software baseados em assinatura.
• Desenvolvimento de software cloud-native: criação de produtos que escalam com uma infraestrutura em nuvem flexível.
• Arquitetura de aplicações web escaláveis: projeto de sistemas que se mantêm estáveis à medida que o uso cresce.
ConclusãoEscolher uma empresa de desenvolvimento de IA em 2026 não significa encontrar o nome mais impressionante de uma lista. Significa encontrar a equipe capaz de entender o seu problema e construir algo que continue funcionando quando usuários reais começarem a usá-lo. Um bom parceiro de IA não se apressa em prometer resultados antes de analisar seus dados, seu fluxo de trabalho e as decisões que o sistema deve apoiar.
A melhor escolha é a empresa que deixa o projeto mais claro desde o início. Ela deve explicar os prós e contras de cada decisão sem se esconder atrás de linguagem técnica, planejar a segurança antes de começar o desenvolvimento e pensar além do primeiro lançamento. Quando essa parceria funciona, a IA deixa de ser um experimento arriscado. Ela se torna um sistema que, discretamente, ajuda o negócio a avançar mais rápido, tomar decisões melhores e evitar os erros de quem trabalha por suposição.
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Por que o GPS do carro não serve do mesmo jeito para um caminhão?
Digitar o endereço e seguir a rota mais rápida. Para quem dirige um carro de passeio, essa lógica costuma funcionar. Para quem está ao volante de uma carreta, o caminho indicado pelo celular pode terminar em uma rua onde caminhões não podem circular, em uma restrição de horário ou em um trecho incompatível com o veículo.
A diferença está nas variáveis que precisam entrar no cálculo. Dimensões e peso do conjunto, número de eixos, restrições à circulação de veículos pesados, horários permitidos e possibilidade de manobra podem mudar completamente o trajeto. O próprio Waze informa em sua central de ajuda que não oferece suporte à navegação para caminhões.
São Paulo é um exemplo dessa complexidade. A capital mantém áreas e vias com regras específicas para veículos de carga, como a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), onde há horários em que os caminhões não podem circular, além das exceções previstas na regulamentação.
“Quando você está de carro, errar uma entrada normalmente significa recalcular a rota e perder alguns minutos. Com uma carreta, pode significar chegar a um lugar onde não há espaço para avançar ou fazer uma manobra, além de rodar quilômetros a mais para corrigir o caminho. Para o caminhoneiro, saber se pode passar é tão importante quanto saber como chegar”, afirma Leonardo Busin, sócio do Parada Top.
Acertar a rota é só uma parte da viagemMesmo quando o caminho está definido, outras decisões continuam pela frente. Quem passa dias na estrada precisa saber onde abastecer, estacionar, cumprir o período de descanso e encontrar uma oficina, borracharia, auto elétrica e guincho capaz de atender um veículo pesado.
A infraestrutura formal ajuda a mostrar o tamanho desse desafio. Conforme dados do Ministério dos Transportes reunidos pelo Parada Top, o Brasil possui cerca de 190 locais reconhecidos como Pontos de Parada e Descanso, distribuídos por mais de 40 rodovias federais e aproximadamente 145 municípios em 23 estados.
Fora desses pontos, há uma extensa rede privada de postos, estacionamentos, restaurantes, oficinas e outros estabelecimentos que fazem parte da rotina dos profissionais. Encontrá-los, especialmente em uma região desconhecida, ainda depende muito da experiência e da troca de informações entre motoristas.
É justamente nessa outra camada da viagem que começam a ganhar espaço ferramentas voltadas à rotina profissional de quem vive na estrada. O Parada Top, por exemplo, reúne motoristas, transportadoras, postos, paradas e prestadores de serviços em um mesmo ambiente digital. Dessa forma, permitindo localizar estabelecimentos e serviços relacionados ao transporte, além de acessar oportunidades de frete e trabalho.
“Quem está há muitos anos na estrada constrói seu próprio mapa mental. Sabe onde parar, onde encontra estrutura e a quem recorrer quando surge um problema. A tecnologia pode ajudar a organizar essas informações e fazer com que esse conhecimento não dependa apenas de anos de experiência ou do boca a boca”, diz Leonardo Busin.
No fim, um carro e uma carreta podem ter exatamente o mesmo destino. O caminho e as informações necessárias para chegar até ele é que são diferentes.
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De 41 acidentes para 8: o que aconteceu após a instalação de radares em rodovia do Paraná
A instalação de radares costuma provocar discussões entre motoristas sobre multas e fiscalização. Dados recentes de rodovias do Paraná, porém, mostram uma mudança importante nos locais onde os equipamentos passaram a operar: o número de atendimentos a sinistros caiu até 80% após a implantação da fiscalização eletrônica.
O registro do resultado mais expressivo ocorreu na PR-151. Considerando sete radares em operação na rodovia, os atendimentos passaram de 41 para oito no período analisado, redução de 80%. No km 259, em Piraí do Sul, não houve registro de ocorrência desde a instalação do equipamento. Os dados são da concessionária EPR Litoral Pioneiro e foram divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A redução também apareceu em outros trechos. Na PR-407, os registros passaram de 20 para seis, queda de 70%. Na BR-153, foram de 15 para cinco, redução de 67%. Já no trecho da BR-277 na Serra do Mar, a diminuição informada foi de 59%.
Os números chamam a atenção para uma função da fiscalização eletrônica que vai além da aplicação de multas: a gestão da velocidade.
Por que controlar a velocidade pode reduzir a gravidade dos acidentes?Quanto maior a velocidade, menor é o tempo disponível para perceber um perigo e reagir a ele. Além disso, aumenta a energia envolvida em uma colisão e, consequentemente, a possibilidade de consequências graves.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada aumento de 1% na velocidade média está associado a crescimento de 4% no risco de sinistro fatal e de 3% no risco de sinistro grave.
Para os pedestres, a diferença é ainda mais significativa: o risco de morte em um atropelamento aumenta 4,5 vezes quando a velocidade de impacto passa de 50 km/h para 65 km/h.
Para Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix, empresa especializada em tecnologias de monitoramento e fiscalização de trânsito, esse é um dos pontos fundamentais para compreender a finalidade dos equipamentos.
“Quando se fala em radar, é comum que a primeira associação seja com a multa, mas a fiscalização eletrônica tem uma função muito mais ampla dentro da segurança viária. O objetivo é fazer com que o limite estabelecido para aquele trecho seja efetivamente respeitado. Quando o motorista reduz a velocidade, ele ganha mais tempo para perceber uma situação de risco e reagir, e a própria gravidade de uma eventual colisão tende a ser menor”, explica.
Redução começou antes da aplicação das multasUm aspecto dos dados paranaenses merece atenção. Conforme a concessionária, já começou a se observar a redução das ocorrências ainda durante o período de testes dos equipamentos, antes do início da aplicação das penalidades nas rodovias estaduais.
A implantação dos 28 radares começou em agosto de 2025. Nas rodovias estaduais, a fiscalização efetiva teve início em outubro daquele ano. Além dos equipamentos, houve reforço da sinalização horizontal e vertical.
Esse detalhe é importante porque impede uma conclusão simplista de que somente os radares provocaram toda a redução observada.
Ao mesmo tempo, o registro de mudança antes das autuações é compatível com a função preventiva que se espera da fiscalização: induzir o motorista a respeitar o limite de velocidade. “O equipamento não precisa registrar uma infração para cumprir seu papel. Quando o motorista identifica que existe fiscalização e adequa a velocidade antes de chegar ao ponto monitorado, já existe uma mudança de comportamento. Do ponto de vista da segurança viária, o cenário desejável é justamente aquele em que o radar está operando, mas ninguém precisa ser autuado porque todos estão respeitando o limite”, afirma Krzyzanovski.
Radar não deve ser instalado aleatoriamenteOutro ponto importante é a definição dos locais de fiscalização. No caso dos trechos sob concessão da EPR Litoral Pioneiro, os equipamentos integram uma operação que abrange rodovias federais e estaduais no Paraná. A concessão reúne trechos das BR-153, BR-277 e BR-369 e das PR-092, PR-151, PR-239, PR-407, PR-408, PR-411, PR-508, PR-804 e PR-855.
A escolha de locais de fiscalização deve considerar critérios técnicos e características da circulação, justamente porque o objetivo da gestão de velocidade é atuar onde ela representa um fator relevante para a segurança.
De acordo com a concessionária, a ampliação da fiscalização com novos equipamentos, foi definidda em conjunto com órgãos responsáveis pela operação e fiscalização das rodovias.
Tecnologia pode fornecer outras informações sobre o trânsitoEmbora o radar seja conhecido principalmente pela medição da velocidade, sistemas modernos de monitoramento podem exercer outras funções.
Equipamentos associados a processamento de imagens e visão computacional podem, conforme sua configuração, fornecer informações sobre fluxo, identificação e classificação de veículos e padrões de circulação.
Esses dados podem ser utilizados pelos gestores para acompanhar mudanças no tráfego e identificar situações que exigem intervenções. “Hoje, a tecnologia permite olhar para a fiscalização como parte de um sistema maior de monitoramento. Além de verificar uma situação específica, é possível gerar dados sobre o comportamento do tráfego e entender padrões ao longo do tempo. Quanto mais informação de qualidade o gestor possui sobre a via, maior é a capacidade de identificar pontos que exigem atenção e planejar intervenções de segurança”, explica Krzyzanovski.
Radar sozinho não resolve o problemaApesar das reduções expressivas observadas no Paraná, não é possível concluir a partir desses dados que os radares, isoladamente, sejam responsáveis por toda a diminuição dos sinistros.
A própria experiência analisada inclui outras intervenções, como reforço da sinalização. Além disso, fatores como volume de tráfego, características da infraestrutura, comportamento dos usuários e outras ações de engenharia e fiscalização podem influenciar os resultados.
Essa visão integrada está de acordo com a abordagem de Sistema Seguro adotada pela OMS. O conceito considera que a prevenção de mortes e lesões graves depende de diferentes elementos funcionando conjuntamente, entre eles velocidades seguras, vias e margens seguras, veículos seguros e usuários seguros.
“A fiscalização eletrônica não deve ser entendida como uma solução isolada. Ela faz parte de uma estratégia que envolve engenharia, sinalização, educação e comportamento. O radar acrescenta a capacidade de monitorar continuamente um fator que sabemos estar diretamente relacionado ao risco e à gravidade dos acidentes: a velocidade. Quando esses elementos trabalham em conjunto, a tecnologia deixa de ser vista apenas pelo número de multas e passa a ser compreendida pelo papel que desempenha na segurança da via”, conclui Krzyzanovski.
Os resultados paranaenses, portanto, não encerram a discussão sobre fiscalização eletrônica, mas oferecem um dado concreto para ela: nos trechos analisados, a implantação dos equipamentos ocorreu junto a uma redução expressiva dos atendimentos a sinistros. Para avaliar o efeito específico dos radares, seria necessário controlar também outros fatores que mudaram no período.
Para a segurança viária, porém, a relação entre velocidade e risco está bem estabelecida: quanto maior a velocidade, maiores tendem a ser tanto o risco quanto a gravidade das consequências de um sinistro.
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Acidente com micro-ônibus deixa mortos em SP: o que passageiros devem conferir antes de viajar
Um grave acidente com um micro-ônibus deixou três pessoas mortas e outras 14 feridas ou sob avaliação médica na madrugada desta terça-feira (13), na Rodovia Professor Francisco da Silva Pontes (SP-127), em Itapetininga, no interior de São Paulo.
O veículo havia saído de Capão Bonito e seguia para Jaú quando saiu da pista e capotou na altura do quilômetro 179. Segundo as informações divulgadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), seis ocupantes tiveram ferimentos leves, quatro sofreram lesões moderadas e outros quatro ainda passavam por avaliação.
As circunstâncias do acidente ainda precisam ser esclarecidas. Algumas informações preliminares mencionaram que o micro-ônibus teria sido fechado por um caminhão, enquanto outros registros oficiais apenas indicam que o motorista perdeu o controle do veículo. Também não havia, até a publicação desta matéria, informação sobre o uso do cinto de segurança pelos ocupantes ou sobre eventuais problemas mecânicos.
Sem antecipar as conclusões da investigação, o caso chama atenção para cuidados que os passageiros podem adotar antes e durante viagens em vans, micro-ônibus e ônibus.
Cinto é obrigatório em micro-ônibusO artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro determina o uso obrigatório do cinto de segurança pelo condutor e pelos passageiros em todas as vias do território nacional, ressalvadas as situações regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito.
A regra também se aplica aos passageiros transportados em micro-ônibus, vans e ônibus rodoviários que possuam assentos equipados com o dispositivo. A exceção mais conhecida envolve veículos destinados ao transporte coletivo urbano ou semiurbano nos quais seja permitido viajar em pé.
Em uma viagem rodoviária, o passageiro deve utilizar o cinto durante todo o deslocamento, e não apenas na saída, nos postos de fiscalização ou em trechos considerados perigosos.
Deixar de usar o equipamento é infração grave, conforme o artigo 167 do CTB. A penalidade é multa e a medida administrativa é a retenção do veículo até que o cinto seja colocado.
Por que o cinto é importante em um capotamentoDurante um tombamento ou capotamento, os ocupantes podem ser projetados contra o teto, as janelas, os bancos e outras pessoas. Há ainda o risco de serem arremessados para fora do veículo.
O cinto ajuda a manter o passageiro no assento e reduz os deslocamentos dentro do compartimento. Para cumprir essa função, deve estar afivelado e ajustado ao corpo, sem folgas excessivas, torções ou passagem por baixo do braço.
O passageiro não deve retirar o equipamento enquanto o veículo estiver em movimento, mesmo para dormir, buscar objetos ou mudar de lugar.
Não há informação de que a falta do cinto tenha contribuído para as mortes ou os ferimentos no acidente ocorrido em Itapetininga. Essa relação somente poderá ser estabelecida após a perícia e a investigação do caso.
Verifique o equipamento antes da saídaAntes de o veículo iniciar a viagem, o passageiro pode observar se o assento possui cinto e se o equipamento está em condições de uso.
É importante conferir se:
- a faixa está inteira e sem cortes aparentes;
- o fecho trava corretamente;
- o cinto pode ser ajustado ao corpo;
- o equipamento não está escondido ou preso atrás do banco;
- não há mais passageiros do que assentos disponíveis;
- corredores, portas e saídas de emergência permanecem desobstruídos.
Se o assento não tiver cinto ou se o dispositivo estiver danificado, o passageiro deve comunicar o problema ao motorista ou à empresa. Em uma viagem rodoviária, não é seguro aceitar permanecer sem o equipamento de retenção adequado.
Também não se deve compartilhar o mesmo cinto com outra pessoa, transportar crianças no colo ou ocupar assentos improvisados.
Transporte interestadual e intermunicipal têm fiscalizações diferentesDeve-se verificar a regularidade da viagem no órgão responsável pela modalidade do transporte.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres regula o transporte rodoviário coletivo interestadual e internacional de passageiros. No caso do fretamento interestadual, a viagem exige contrato prévio com uma transportadora autorizada, licença específica para o deslocamento e relação de passageiros.
De acordo com a ANTT, o fretamento ocorre em circuito fechado: o mesmo grupo deve realizar a viagem de ida e de volta. Não pode haver venda de passagens individuais como se o veículo operasse uma linha regular. A agência oferece consultas sobre empresas, veículos e licenças de viagem.
Já o transporte realizado entre municípios de um mesmo estado é fiscalizado pelo órgão estadual competente. Dependendo da unidade da Federação, essa atribuição pode ser de uma agência reguladora, departamento de estradas, secretaria ou outro órgão estadual.
O fato de uma empresa ou veículo aparecer em uma rede social, grupo de mensagens ou plataforma de venda não comprova que o serviço esteja autorizado.
Como verificar a regularidade da viagemAntes de contratar o transporte, procure identificar:
- nome e CNPJ da empresa;
- placa e identificação do veículo;
- origem e destino da viagem;
- modalidade do serviço;
- órgão responsável pela autorização;
- contrato, bilhete ou comprovante da contratação;
- canal oficial de atendimento da transportadora.
Em viagens interestaduais, a consulta deve ser feita nos serviços destinados a passageiros disponibilizados pela ANTT. Nos deslocamentos intermunicipais, o usuário precisa procurar o órgão regulador do estado.
No Paraná, por exemplo, o Departamento de Estradas de Rodagem disponibiliza consultas de empresas, linhas, horários e veículos registrados para o transporte intermunicipal regular ou por fretamento. Outros estados mantêm sistemas próprios.
Deve-se tratar como sinais de alerta: preço muito abaixo do que se pratica no mercado, ausência de contrato ou bilhete, embarque em locais improvisados e resistência em informar os dados da empresa ou do veículo.
Observe as condições aparentes do veículoO passageiro não tem condições de realizar uma inspeção mecânica, mas pode perceber problemas evidentes antes da saída.
Pneus aparentemente desgastados, para-brisa com danos que prejudiquem a visão, luzes inoperantes, excesso de passageiros, bancos soltos, porta com dificuldade de fechamento e cintos danificados justificam questionar o responsável pela viagem.
Também é importante identificar as saídas de emergência, os mecanismos de abertura das janelas e a localização dos equipamentos destinados à evacuação. Bagagens não devem bloquear corredores, portas nem acessos de emergência.
Objetos pesados precisam permanecer nos compartimentos adequados. Em freadas bruscas, colisões ou capotamentos, malas e outros volumes soltos podem atingir os ocupantes.
Madrugada exige atenção ao cansaçoO acidente em Itapetininga ocorreu durante a madrugada, mas ainda não há elementos que relacionem o caso à fadiga do motorista. O horário, por si só, não comprova cansaço ou qualquer falha humana.
Ainda assim, viagens noturnas exigem atenção especial porque coincidem com o período em que o organismo está naturalmente preparado para dormir.
Bocejos frequentes, dificuldade para manter o veículo na faixa, mudanças bruscas de velocidade, demora nas respostas e correções repentinas de direção podem indicar sonolência. Caso perceba esses sinais, o passageiro deve comunicar o motorista ou outro responsável pelo veículo e solicitar uma parada em local seguro.
Café, energéticos, música alta e vento no rosto não substituem o descanso. Em viagens mais longas, a empresa deve organizar a operação de forma compatível com as regras de jornada e repouso aplicáveis aos motoristas profissionais.
Passageiro não precisa permanecer em silêncioDeve-se comunicar o excesso de velocidade, uso do celular, ultrapassagens perigosas e outras condutas arriscadas de maneira clara, sem iniciar uma discussão que possa aumentar o perigo.
Quando possível, o passageiro pode solicitar uma parada em posto de combustíveis, terminal, praça de pedágio ou outro ponto seguro. Também pode registrar a ocorrência na empresa e no órgão responsável pela fiscalização.
Em situações de risco imediato ou emergência em rodovia federal, é possível acionar a Polícia Rodoviária Federal pelo telefone 191. Em rodovias estaduais, o passageiro deve procurar a polícia rodoviária do estado, a concessionária responsável pelo trecho ou o serviço de emergência indicado na via.
Segurança começa antes do embarqueO passageiro não controla todos os fatores envolvidos em uma viagem, mas pode recusar condições evidentemente inseguras.
Verificar a regularidade do serviço, conferir o cinto, respeitar a capacidade do veículo, observar as saídas de emergência e comunicar comportamentos perigosos são medidas que aumentam a proteção de todos.
O acidente ocorrido na SP-127 ainda está sob apuração e somente a investigação poderá esclarecer sua dinâmica e os fatores que contribuíram para o resultado. Independentemente das conclusões, o episódio reforça que a segurança no transporte de passageiros depende da atuação conjunta de empresas, motoristas, órgãos fiscalizadores e usuários.
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Gás de cozinha pode ser utilizado como combustível veicular?
Roger de Amorim Bastos*
Diante do preço dos combustíveis, alternativas para reduzir os gastos com abastecimento sempre despertam a atenção dos motoristas. Entre elas, uma adaptação chama a atenção tanto pela aparência improvisada quanto pelas consequências jurídicas: utilizar Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o popular gás de cozinha, para alimentar o motor de um veículo.
Do ponto de vista técnico o GLP pode ser empregado como combustível em motores automotivos, tanto que sua utilização automotiva é regulamentada em diferentes países. No Brasil, entretanto, a situação é diferente: a instalação e o uso do GLP como combustível em veículos automotores são expressamente proibidos.
GLP e GNV não são a mesma coisaA primeira diferença importante está entre o GLP e o conhecido Gás Natural Veicular (GNV).
Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o GLP, popularmente chamado de gás de cozinha ou gás de botijão, é composto essencialmente por propano e butano, podendo conter pequenas proporções de outros hidrocarbonetos.
O GNV, por sua vez, é um combustível destinado ao uso veicular e tem o metano como seu principal componente. A regulamentação brasileira permite sua utilização em veículos, observadas as exigências técnicas e de segurança correspondentes. A própria Resolução CONTRAN nº 916/2022 autoriza o uso do GNV para fins automotivos, ressalvadas algumas categorias de veículos.
Portanto, embora ambos sejam combustíveis gasosos, GLP e GNV são produtos diferentes e recebem tratamentos distintos pela legislação brasileira.
A regulamentação do CONTRANA regra aparece de forma direta na Resolução CONTRAN nº 916/2022, que disciplina modificações realizadas em veículos.
O art. 10, IX, da norma proíbe a instalação e a utilização do GLP como combustível nos veículos automotores. A exceção prevista é para máquinas utilizadas no carregamento e descarregamento de mercadorias, como as empilhadeiras.
Isso significa que instalar um sistema destinado a alimentar com GLP o motor de um automóvel, caminhonete, motocicleta ou outro veículo abrangido pela proibição não é uma modificação autorizada pela legislação de trânsito.
E se o veículo for flagrado?Na fiscalização de trânsito, a irregularidade possui enquadramento específico.
O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) orienta a aplicação do art. 230, XII, do Código de Trânsito Brasileiro, que trata da condução de veículo com equipamento ou acessório proibido.
A própria ficha de fiscalização do manual apresenta entre os exemplos a serem registrados no Auto de Infração de Trânsito justamente a situação de veículo utilizando GLP, o gás de cozinha, como combustível.
A infração é de natureza grave, com aplicação de multa, cinco pontos e retenção do veículo para regularização, observadas as regras aplicáveis à medida administrativa. O responsável pela infração administrativa, segundo o MBFT, é o proprietário do veículo.
Mas o problema pode não terminar na esfera de trânsito.
Usar GLP como combustível também pode ter consequência criminalA legislação penal brasileira possui uma previsão específica para essa conduta.
A Lei nº 8.176/1991, que trata dos crimes contra a ordem econômica, estabelece em seu art. 1º, II, como crime o uso de gás liquefeito de petróleo para fins automotivos em desacordo com as normas estabelecidas na forma da lei.
A pena prevista é de detenção de um a cinco anos. A redação atualmente em vigor foi dada pela Lei nº 15.348/2026, que alterou o dispositivo e passou a direcioná-lo especificamente ao uso automotivo do GLP.
Assim, quando ficar constatado que determinada adaptação realmente está sendo utilizada para alimentar o motor do veículo com GLP, a situação pode ultrapassar a infração administrativa e também ser objeto de apuração criminal.
Mas em outros países o GLP é permitidoUm aspecto interessante é que a proibição brasileira não significa que o GLP seja um combustível tecnicamente incapaz de movimentar veículos.
Em diversos países ele é utilizado para essa finalidade sob as denominações LPG ou Autogas, por meio de equipamentos projetados especificamente para o combustível.
No Reino Unido, por exemplo, o governo reconhece a existência de veículos movidos a LPG e estabelece requisitos para que possam circular em vias públicas. Nos veículos novos de passageiros, os sistemas de combustível devem atender aos padrões internacionais de segurança aplicáveis.
Existe, inclusive, uma regulamentação internacional específica. O Regulamento nº 67 da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) trata de veículos e componentes destinados à utilização de LPG.
A diferença está justamente na forma como cada país regulamenta o assunto. Enquanto determinadas nações admitem o GLP automotivo desde que o veículo utilize equipamentos adequados e cumpra requisitos de segurança, a regulamentação brasileira atualmente proíbe sua utilização como combustível em veículos automotores.
Combustível gasoso não significa apenas GNVTambém é importante lembrar que falar em combustível gasoso para veículos não significa necessariamente falar apenas em GNV.
A regulamentação brasileira já contempla outras possibilidades. A ANP, por exemplo, estabelece especificações para o biometano destinado ao uso veicular e também regulamenta o Gás Natural Liquefeito Veicular (GNLV).
Cada combustível possui características próprias e está sujeito à regulamentação correspondente.
O fato de existirem outras alternativas gasosas legalmente utilizadas, portanto, não autoriza a substituição por qualquer tipo de gás disponível no mercado.
Fontes oficiais consultadas:- Resolução CONTRAN nº 916/2022;
- Resolução CONTRAN nº 985/22 – Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito
- Lei 90503/97 – Código de Trânsito Brasileiro
- Lei nº 8.176/1991 – Define crimes contra a ordem econômica e cria o Sistema de Estoques de Combustíveis
- Regulamento nº 67 da UNECE.
*Roger de Amorim Bastos é Policial Militar de São Paulo, bacharel em Direito e especialista em Direito de Trânsito
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Medicamentos podem comprometer a direção; falsificações ampliam os riscos para motoristas
Tomar um medicamento e assumir a direção pode parecer uma atitude inofensiva, especialmente quando o produto faz parte de um tratamento habitual. Entretanto, determinadas substâncias podem provocar sonolência, tontura, alterações na percepção e redução dos reflexos, comprometendo a capacidade de conduzir um veículo com segurança. Quando o medicamento é falsificado ou adulterado, o risco se torna ainda mais imprevisível, já que o consumidor pode sequer saber o que está ingerindo.
O alerta ganha relevância diante da circulação de medicamentos falsificados no Brasil. A Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) chama a atenção para os perigos desses produtos, que podem apresentar composição diferente da original, substâncias tóxicas ou ausência do princípio ativo necessário ao tratamento.
Conforme informações reunidas na cartilha Falsificação de Medicamentos – Cartilha de Conscientização aos Consumidores, lançada em 2025 com apoio da Interfarma, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), o problema representa uma ameaça à saúde pública.
O documento apresenta uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) segundo a qual um em cada dez medicamentos comercializados em países de baixa e média renda é falsificado ou de baixa qualidade. O indicador é internacional e não representa especificamente o mercado brasileiro.
Medicamentos falsificados: um risco que pode chegar ao trânsitoPara quem dirige, um dos aspectos preocupantes é a imprevisibilidade dos efeitos de um medicamento adulterado. Dependendo de sua composição, o produto pode provocar reações adversas, deixar de controlar uma condição de saúde ou expor o consumidor a substâncias não declaradas.
“Produtos ilegais imitam embalagens originais, mas não oferecem qualquer garantia de qualidade. Podem estar vencidos, adulterados ou conter substâncias tóxicas, e não produzem o efeito terapêutico esperado”, explica Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma.
A entidade também alerta para medicamentos legítimos desviados para canais irregulares de comercialização. Mesmo quando autênticos, esses produtos podem perder suas garantias de qualidade caso sejam armazenados inadequadamente, comercializados fora das condições exigidas ou estejam vencidos.
No contexto da segurança viária, a preocupação não significa que todo medicamento falsificado provoque alterações na direção. O problema é justamente a impossibilidade de prever seus efeitos, especialmente quando não há garantia sobre a composição e a procedência do produto.
Mesmo medicamentos legítimos exigem atenção de quem dirigeO cuidado não deve se limitar aos produtos falsificados. Medicamentos regularmente comercializados também podem interferir na capacidade de condução, dependendo do princípio ativo, da dose utilizada, das características individuais e da interação com outras substâncias.
Alguns antialérgicos, tranquilizantes, medicamentos para dormir e determinados analgésicos, por exemplo, podem provocar sonolência ou reduzir o estado de alerta.
Por isso, antes de dirigir, é importante verificar as advertências presentes na bula e esclarecer com o médico ou farmacêutico se o tratamento pode comprometer a condução.
O cuidado deve ser redobrado no início de um tratamento, após mudanças de dosagem ou quando diferentes medicamentos são utilizados simultaneamente.
Também não é recomendável interromper um tratamento por conta própria para continuar dirigindo. Quando houver efeitos incompatíveis com a condução segura, o ideal é procurar orientação profissional para avaliar as alternativas.
Como identificar um medicamento suspeito?A cartilha da Interfarma reúne orientações para ajudar os consumidores a reconhecer possíveis irregularidades nas embalagens e na comercialização dos medicamentos.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Erros de ortografia ou impressão nas embalagens.
- Lacres rompidos ou selos de segurança violados.
- Preços muito abaixo dos praticados no mercado.
- Números de lote ilegíveis ou divergentes entre a caixa e a embalagem interna.
- Comercialização por redes sociais ou estabelecimentos não autorizados.
A Anvisa recomenda adquirir medicamentos exclusivamente em estabelecimentos regularizados, exigir nota fiscal e verificar as informações presentes na embalagem. O consumidor também pode consultar a situação do produto no Sistema de Consulta de Medicamentos da Anvisa
Em caso de suspeita de falsificação, a orientação é não utilizar o medicamento, procurar o fabricante para verificar sua autenticidade e comunicar o caso à vigilância sanitária.
Renato Porto reforça a importância da conscientização da população:
“Educar a população é essencial, mas também precisamos fortalecer as políticas públicas de controle e fiscalização. A falsificação de medicamentos não pode ser tratada como um crime menor; ela ameaça vidas todos os dias.”
O que diz a legislação de trânsito?O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em seu artigo 165, considera infração gravíssima dirigir sob influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência.
A penalidade prevista é multa multiplicada por dez e suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além das medidas administrativas cabíveis.
Isso não significa que o simples uso de um medicamento configure automaticamente uma infração. É necessário observar as características da substância, seus efeitos e as condições previstas na legislação.
Para os motoristas, especialmente aqueles que passam muitas horas ao volante, o cuidado começa antes de iniciar a viagem. Conhecer os efeitos do tratamento, utilizar medicamentos de procedência confiável e respeitar as orientações dos profissionais de saúde são medidas que também contribuem para a segurança no trânsito.
Fonte complementar: Cartilha Falsificação de Medicamentos – Interfarma
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Free Flow: ANTT discute portal para reunir passagens e opções de pagamento
Passar por diferentes pedágios eletrônicos durante uma viagem exige que o motorista acompanhe os registros e encontre os canais para pagar cada tarifa. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) discute uma proposta de portal que integraria concessionárias, sistemas de pagamento e usuários, permitindo consultar passagens e acessar opções de quitação. O projeto foi apresentado em audiência pública em 8 de outubro e ainda está em consulta. ANTT
A questão faz parte da adaptação ao Free Flow, sistema em que câmeras e sensores identificam o veículo sem a parada em uma praça de pedágio. Para quem não utiliza TAG, o pagamento depende do acompanhamento da passagem e do acesso aos canais disponibilizados pela concessionária.
A proposta apresentada pela ANTT prevê um Portal de Interoperabilidade para receber e organizar informações sobre as passagens, incluindo a identificação do veículo e a tarifa correspondente.
O usuário poderia consultar os registros e acessar opções de pagamento. A arquitetura contempla pagamento diretamente à concessionária, por empresa autorizada ou por um sistema interoperável das concessionárias. Os valores seriam destinados às empresas responsáveis pelos respectivos trechos, de forma descentralizada.
A audiência trata de um edital para selecionar participantes e uma solução tecnológica para um ambiente experimental supervisionado, chamado de sandbox regulatório.
O objetivo é avaliar a viabilidade do sistema antes de uma eventual implantação definitiva. A proposta inclui princípios de segurança da informação, proteção de dados, transparência e rastreabilidade. É possível enviar as contribuições até 23 de outubro, pelo ParticipaANTT.
Como acompanhar as cobranças hojeEnquanto se discute a proposta, o motorista deve consultar os canais oficiais de cada concessionária. Nas rodovias integradas ao aplicativo CNH do Brasil, também é possível acompanhar as passagens em “Veículos”, na opção “Pedágio Eletrônico”.
Quando a tarifa está disponível, a opção “Como pagar” direciona o usuário ao canal indicado pela concessionária. O pagamento não acontece dentro do aplicativo CNH do Brasil.
Se houver dificuldade para localizar uma cobrança, a orientação prática é procurar a empresa responsável pelo trecho e guardar os protocolos de atendimento. A discussão sobre o novo portal busca aperfeiçoar justamente a conexão entre os registros e os meios de pagamento.
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O trânsito visto pelos olhos de uma criança: perigos que os adultos não percebem
Imagine caminhar por uma rua em que os carros estacionados são mais altos que você. Ao chegar à esquina, é difícil enxergar os veículos que se aproximam. Do outro lado, um motorista também pode não perceber sua presença. Essa é uma situação comum para muitas crianças, que vivenciam o trânsito de uma perspectiva bastante diferente da dos adultos. Neste Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, o Portal do Trânsito propõe uma reflexão sobre os riscos que nem sempre são percebidos por quem dirige ou acompanha os pequenos. Afinal, a segurança infantil não depende apenas de ensinar regras de circulação, mas também de compreender como as crianças enxergam, interpretam e reagem ao ambiente viário.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as características físicas, cognitivas e sociais das crianças aumentam sua vulnerabilidade no trânsito. A baixa estatura dificulta tanto a visualização dos veículos quanto a percepção da própria criança pelos motoristas. Além disso, os pequenos podem ter dificuldades para interpretar a velocidade, a distância e a direção dos veículos em movimento.
Essas particularidades ajudam a explicar por que uma travessia considerada simples por um adulto pode representar um desafio para uma criança.
Um carro estacionado pode esconder muito mais do que pareceUm dos exemplos mais comuns está nas ruas com veículos estacionados. Para um adulto, olhar por cima do capô de um automóvel pode ser suficiente para identificar parte do tráfego. Já uma criança pequena pode ter a visão completamente bloqueada pelo mesmo veículo.
O problema também ocorre no sentido contrário: dependendo da posição da criança, do modelo do automóvel e das condições de visibilidade, o motorista que se aproxima pode não conseguir identificá-la a tempo.
A situação é especialmente preocupante quando a criança tenta atravessar entre dois carros estacionados. Ao avançar para enxergar a rua, ela pode acabar entrando na trajetória de um veículo em movimento.
A OMS destaca que obstáculos visuais e locais com pouca visibilidade são particularmente difíceis de avaliar pelas crianças menores, que nem sempre reconhecem essas situações como perigosas.
Por isso, responsáveis devem priorizar locais de travessia com boa visibilidade, evitando que a criança precise avançar sobre a pista para verificar se há veículos se aproximando.
Para quem dirige, a orientação é reduzir a velocidade e aumentar a atenção em áreas residenciais, próximas a escolas, parques e outros locais frequentados por crianças.
Enxergar um veículo não significa compreender o perigoOutro aspecto importante está na capacidade de avaliar o movimento dos automóveis. Ao observar um carro se aproximando, um adulto geralmente consegue estimar, ainda que de maneira aproximada, sua velocidade e o tempo disponível para atravessar. Essa habilidade, porém, não está plenamente desenvolvida nas crianças menores.
Conforme a OMS, elas podem ter dificuldades para interpretar informações visuais e sonoras e avaliar a proximidade, a velocidade e a direção dos veículos.
Isso significa que uma criança pode perceber a presença de um automóvel, mas não compreender adequadamente quanto tempo ele levará para chegar ao ponto em que ela pretende atravessar.
O problema se torna ainda mais complexo em vias com múltiplas faixas, cruzamentos movimentados ou situações em que os veículos se aproximam de diferentes direções.
De acordo com Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, compreender os riscos exige reconhecer que o trânsito é um ambiente coletivo, no qual as decisões de uma pessoa podem afetar diretamente a segurança das demais.
“O trânsito não é uma competição. Ele só funciona quando cada um entende que suas decisões afetam diretamente a segurança do outro”, afirma Mariano.
No caso das crianças, essa responsabilidade é ainda maior, já que elas estão desenvolvendo habilidades essenciais para reconhecer e interpretar situações perigosas.
É importante considerar, ainda, que o desenvolvimento dessas habilidades varia entre indivíduos. Não existe uma idade única a partir da qual todas as crianças passam a avaliar o trânsito com a mesma capacidade de um adulto.
Assim, ensinar a olhar para os dois lados é fundamental, mas não garante, por si só, que a criança consiga identificar todos os riscos de uma travessia.
Uma bola, um amigo ou uma brincadeira podem mudar tudoA atenção infantil também funciona de maneira diferente. Uma criança que está brincando na calçada pode se concentrar intensamente em uma bola, em um brinquedo ou em outra pessoa. Se algo chamar sua atenção do outro lado da rua, ela pode reagir antes de avaliar adequadamente o movimento dos veículos.
A OMS explica que crianças menores podem apresentar comportamentos impulsivos e períodos de atenção mais curtos, o que dificulta lidar simultaneamente com diferentes estímulos e desafios do trânsito.
Isso não significa que toda criança terá o mesmo comportamento ou que os adultos devam esperar movimentos imprevisíveis em qualquer circunstância. Significa, porém, que o ambiente viário precisa considerar as características próprias da infância.
Para o motorista, perceber uma criança próxima à pista deve ser motivo para ampliar a atenção, especialmente quando há brincadeiras, movimentação de grupos ou objetos que possam alcançar a rua. Também é necessário evitar distrações ao volante e manter uma velocidade compatível com as condições do local, de modo a preservar tempo e espaço para reagir.
Garagens e estacionamentos também exigem atençãoNem todos os riscos estão nas ruas movimentadas. Garagens residenciais, estacionamentos de supermercados, condomínios e áreas de embarque e desembarque também exigem cuidados específicos.
Nesses ambientes, a presença de veículos realizando manobras pode criar situações de perigo para crianças pequenas.
A depender das características do automóvel, uma criança posicionada muito próxima à dianteira, à traseira ou às laterais pode ficar fora do campo de visão direto do motorista.
Câmeras e sensores de estacionamento podem auxiliar na identificação de obstáculos, mas não substituem a observação do entorno nem garantem a detecção de todas as pessoas e objetos.
Antes de movimentar o veículo, o condutor deve verificar se há crianças próximas e assegurar que elas estejam em um local protegido, sob supervisão adequada.
A atenção deve ser redobrada nas saídas de garagens que cruzam calçadas, onde pedestres podem passar enquanto o motorista realiza a manobra.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também inclui as entradas e saídas de garagens entre os pontos que exigem atenção especial na circulação de crianças.
O caminho até a escola revela outros perigosO trajeto entre casa e escola é outro exemplo de como o trânsito pode apresentar dificuldades que passam despercebidas pelos adultos.
Calçadas estreitas, veículos estacionados próximos às esquinas, travessias mal posicionadas e obstáculos à visibilidade podem dificultar a circulação das crianças.
Mesmo quando existe uma faixa de pedestres, é necessário avaliar as condições do entorno.
Um veículo parado para permitir a travessia, por exemplo, pode bloquear a visão de outro motorista que se aproxima por uma faixa adjacente. A criança, por sua vez, pode interpretar a parada do primeiro automóvel como sinal de que toda a travessia está segura.
Nesse contexto, a infraestrutura tem papel fundamental.
O Guia de Áreas Escolares, disponibilizado pelo Ministério dos Transportes, destaca a importância de eliminar interferências visuais, como vegetação, postes e veículos estacionados, para garantir a visibilidade nos locais de travessia.
A velocidade dos veículos é outro elemento decisivo. Celso Mariano ressalta que o perigo não está associado apenas a velocidades muito elevadas, mas também àquelas incompatíveis com as características da via e com a presença de pessoas.
“40 km/h pode ser velocidade inadequada. E pode ser fatal. Um atropelamento na frente de uma escola, por exemplo.”
A observação, feita pelo especialista ao abordar a importância de desacelerar no trânsito, reforça que o respeito aos limites estabelecidos não dispensa o motorista de adequar a velocidade às condições reais de circulação.
Medidas de moderação de tráfego, sinalização adequada e espaços que favoreçam a circulação de pedestres também contribuem para reduzir os riscos.
A segurança das crianças, portanto, não deve depender exclusivamente da atenção dos responsáveis ou da capacidade dos pequenos de identificar situações perigosas.
Como os adultos podem tornar o trânsito mais seguro para as crianças?Embora o desenvolvimento infantil imponha limitações naturais à percepção de risco, existem atitudes que ajudam a tornar os deslocamentos mais seguros.
Entre as principais orientações estão:
- Acompanhar de perto as crianças menores nas travessias, mantendo supervisão compatível com sua idade e desenvolvimento.
- Priorizar locais sinalizados e com boa visibilidade, sem presumir que a existência de uma faixa elimina todos os riscos.
- Evitar atravessar entre veículos estacionados ou em pontos onde a visão da pista esteja bloqueada.
- Ensinar a criança a observar o movimento dos veículos e confirmar que eles realmente pararam antes de atravessar.
- Redobrar a atenção em garagens, estacionamentos e áreas de embarque e desembarque.
- Ao dirigir, reduzir a velocidade e manter atenção especial em locais frequentados por crianças.
Essas medidas estão alinhadas às recomendações de segurança infantil da OMS e às orientações do DNIT para a circulação de crianças no trânsito.
É importante, contudo, que o aprendizado aconteça de maneira progressiva, respeitando o desenvolvimento de cada criança. A familiaridade com determinado percurso não significa, necessariamente, que ela esteja preparada para realizá-lo sem acompanhamento.
Um trânsito seguro precisa considerar a infânciaA proteção das crianças no trânsito vai além das orientações individuais. Ela também depende de ruas planejadas para permitir que pessoas de diferentes idades e condições físicas circulem com segurança.
A OMS aponta o controle da velocidade, a melhoria da infraestrutura, a ampliação da visibilidade e a adaptação dos veículos entre as estratégias capazes de prevenir lesões e mortes de crianças no trânsito.
Nesse sentido, reduzir a velocidade em áreas com circulação infantil, garantir calçadas adequadas e oferecer travessias seguras são medidas que beneficiam não apenas as crianças, mas todos os pedestres.
Celso Mariano também chama a atenção para a necessidade de compreender que as mortes de crianças no trânsito não devem ser tratadas como acontecimentos inevitáveis.
“Quando uma criança morre no trânsito, normalmente houve uma sequência de falhas: falha de proteção, falha de fiscalização, falha de infraestrutura ou falha de comportamento. Não é obra do acaso.”
A reflexão reforça que proteger as crianças exige uma combinação de comportamentos responsáveis, infraestrutura adequada e medidas efetivas de segurança viária.
Neste Dia das Crianças, vale olhar para o trânsito sob uma perspectiva diferente. Uma rua que parece simples para um adulto pode representar um ambiente complexo para quem ainda está aprendendo a reconhecer seus perigos.
Proteger a infância no trânsito também significa reconhecer que as crianças não enxergam o mundo como os adultos — e que cabe aos adultos construir um ambiente em que essa diferença não coloque suas vidas em risco.
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Viatura também é local de trabalho: ergonomia a serviço da operação
Os ambientes de trabalho não se resumem a prédios, escritórios e salas. Para muitos profissionais, o próprio veículo faz parte da rotina e pode ser o espaço onde boa parte da jornada é cumprida. É o caso dos policiais, que permanecem vinculados à viatura durante os turnos de serviço, que podem chegar a 12 ou 24 horas, conforme a escala de cada corporação. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 aponta 404.871 policiais militares e 95.908 policiais civis na ativa, somando mais de 500 mil profissionais nessas duas forças. E a indústria de transformação automotiva acompanha esse cenário e tem incorporado conceitos de ergonomia e funcionalidade ao desenvolvimento desses veículos.
Conforme Jonatas Matos, presidente do Grupo Raytec, referência nacional em transformação automotiva, o principal objetivo da ergonomia é otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral do sistema.
“O policial permanece embarcado por longos períodos, utiliza diversos equipamentos simultaneamente e precisa responder rapidamente a situações de emergência. Pensar a ergonomia da viatura significa aumentar a eficiência operacional, reduzir o desgaste físico e contribuir para uma atuação mais segura”, avalia.
A preocupação com a ergonomia das viaturas também encontra respaldo nas normas de saúde e segurança do trabalho.A Norma Regulamentadora No. 17 (NR-17), que trata da ergonomia, estabelece que as condições de trabalho devem ser adaptadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores, considerando aspectos como equipamentos, mobiliário, condições ambientais e organização do trabalho. No caso das viaturas, esse conceito pode ser aplicado à própria relação entre o profissional e o veículo.
Por isso, a engenharia automotiva precisa considerar a interface entre motorista e veículo (Driver-Vehicle Interface – DVI), avaliando fatores como a posição dos comandos, a visibilidade, a postura ao volante e a facilidade de acesso aos equipamentos utilizados durante a operação. A proposta é reduzir interferências e facilitar a execução das tarefas, especialmente em situações que exigem rapidez e precisão. No Grupo Raytec, as soluções para viaturas unem engenharia aplicada, resistência e funcionalidade para atender diferentes aplicações em segurança pública e serviços especializados. A empresa incorpora tecnologias que buscam aumentar a eficiência operacional sem perder de vista as necessidades de quem utiliza esses veículos diariamente.
“A evolução da transformação automotiva passa por compreender que homem, missão e máquina precisam funcionar de forma integrada. Durante muito tempo, esse trabalho foi visto apenas como uma adaptação técnica do veículo. Hoje, ele precisa considerar também quem está por trás do volante. Uma viatura eficiente é aquela que permite ao policial atuar com mais segurança, conforto e agilidade. Quando conseguimos unir engenharia, tecnologia e ergonomia, entregamos um veículo que não apenas atende às especificações da corporação, mas também contribui para o desempenho e o bem-estar de quem está em operação todos os dias”, conclui o presidente da Raytec.
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Motorista que matar pedestre ou ciclista pode ter pena de até 6 anos e 8 meses
Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende aumentar as penas para motoristas que causarem a morte ou lesões graves em pedestres e ciclistas em determinadas circunstâncias, como dirigir sob efeito de álcool ou drogas, participar de racha ou trafegar muito acima do limite de velocidade.
O Projeto de Lei 3.081/2026 propõe mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e prevê que, nos casos abrangidos pela proposta, a pena máxima do homicídio culposo na direção de veículo automotor possa chegar a 6 anos e 8 meses.
É importante destacar que nada muda por enquanto para os motoristas. O texto ainda está em tramitação e precisa avançar na Câmara e no Senado para eventualmente se transformar em lei.
Atualmente, o PL aguarda a designação de relator na Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara.
Em quais situações a pena poderá aumentar?Pela proposta, a pena prevista para o homicídio culposo no trânsito, atualmente de dois a quatro anos de detenção, terá aumento de metade a dois terços quando a vítima for pedestre ou ciclista e o condutor estiver em pelo menos uma das circunstâncias estabelecidas pelo projeto.
São elas:
- dirigir sob efeito de álcool ou drogas;
- trafegar em velocidade superior em 50% ao limite permitido para a via;
- participar de rachas ou competições não autorizadas;
- realizar manobras proibidas que tenham causado o sinistro;
- fugir do local ou deixar de prestar socorro à vítima.
Se duas ou mais dessas situações ocorrerem simultaneamente, o texto determina a aplicação da fração máxima de aumento, de dois terços. Nesse cenário, considerando a pena atual de até quatro anos, o limite chegaria a 6 anos e 8 meses.
O projeto estabelece ainda outro agravamento quando houver mais de uma vítima fatal. Nesse caso, a pena poderá sofrer novo aumento de até metade, cumulativamente ao anterior.
Proposta é voltada à proteção de pedestres e ciclistasO PL 3.081/2026 foi apresentado pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) em junho deste ano. Na justificativa para a mudança, o parlamentar aponta a vulnerabilidade de pedestres e ciclistas no trânsito.
Ao defender a proposta, o deputado citou um caso ocorrido em Três Coroas (RS), em junho de 2026, quando dois ciclistas morreram após serem atropelados por um motorista embriagado.
“Não se trata de mera ampliação punitiva, mas do reconhecimento de que determinadas condutas ultrapassam os limites da imprudência comum e alcançam patamar de gravidade que reclama resposta mais firme e proporcional por parte do ordenamento jurídico”, afirmou Pompeo de Mattos.
Lesão corporal também teria punição maiorAs mudanças propostas não se limitam aos casos em que ocorre morte.
O projeto também pretende aumentar em até metade a pena para lesão corporal no trânsito quando a vítima for pedestre ou ciclista e sofrer consequências como incapacidade permanente, perda de membro ou deformidade gravíssima.
Segundo a Agência Câmara, a pena atualmente considerada nesses casos é de seis meses a dois anos de detenção. Com a alteração proposta, haveria a possibilidade de aumento de até metade.
Fuga do local do sinistro também teria pena maiorOutro ponto do projeto altera a punição para o motorista que se afasta do local do sinistro com o objetivo de fugir da responsabilidade.
A proposta eleva a pena indicada pela Agência Câmara como sendo atualmente de seis meses a um ano de detenção para um a quatro anos de reclusão. A nova pena poderá ainda ser aumentada pela metade quando houver morte ou lesão grave.
Essa mudança não se restringe, portanto, ao aumento da pena pelo homicídio ou pela lesão corporal contra pedestres e ciclistas. O texto também endurece especificamente a resposta penal prevista para a fuga do local.
Projeto ainda pode sofrer alteraçõesO PL 3.081/2026 está no início de sua tramitação. A proposta foi apresentada em 12 de junho e encaminhada às comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Na CVT, aguarda atualmente a designação de um relator.
A ficha oficial da Câmara informa que a proposição está sujeita à apreciação do Plenário e tramita em regime ordinário. Portanto, o texto ainda pode receber alterações durante sua análise no Congresso.
Somente depois da aprovação no Legislativo e da conclusão das demais etapas do processo legislativo uma eventual mudança poderá entrar em vigor.
Acompanhe a tramitação oficial do PL 3.081/2026 na CâmaraCom informações da Agência Câmara
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Como o petróleo se transforma em gasolina? Entenda o processo da extração ao tanque do veículo
Ao abastecer um veículo, o motorista vê apenas a etapa final de um processo que começa a milhares de metros de profundidade. Antes de chegar ao tanque, a gasolina passa pela extração do petróleo, pelo refino e pela distribuição. No Brasil, parte desse percurso começa em campos de petróleo localizados em alto-mar, onde o óleo é retirado das reservas e levado para as etapas seguintes.
Em alusão ao Dia do Petróleo Brasileiro, comemorado no início do mês, vale entender como o petróleo percorre esse caminho até se transformar em combustível.
“O consumidor vê a gasolina apenas no momento do abastecimento, mas existe todo um controle por trás desse produto. O combustível precisa chegar ao posto dentro dos padrões estabelecidos, e isso envolve cuidados em diferentes momentos da cadeia”, explica Antônio José Costa, assessor de assuntos econômicos do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos-CE).
Cadeia começa pela extraçãoO petróleo é encontrado em formações rochosas e retirado por meio de poços perfurados até as reservas. Nos campos marítimos, plataformas e equipamentos específicos fazem a extração e levam o óleo até a superfície.
Depois de retirado, o petróleo passa por uma separação inicial ainda na área de produção. Em seguida, é levado aos terminais instalados no litoral brasileiro. O transporte pode ser feito por navios ou oleodutos, dependendo do trecho percorrido. Dos terminais, o óleo segue para as refinarias.
É nas refinarias que o petróleo é transformado em diferentes derivados. O processo é dividido em três etapas: separação, conversão e tratamento.
Refinaria transforma o petróleo em derivadosNa primeira delas, o petróleo é aquecido a altas temperaturas e levado para uma torre de destilação. Ali, os diferentes componentes se separam de acordo com suas características e formam frações em diferentes níveis da estrutura.
É dessa etapa que saem derivados como gasolina, diesel e querosene. Os componentes mais leves ficam nas partes superiores da torre, enquanto os mais pesados se concentram nas regiões inferiores.
Parte dessas frações ainda passa pela etapa de conversão. Nesse processo, as moléculas maiores são quebradas em partes menores, que podem ser aproveitadas na produção de outros derivados. A técnica também permite aumentar o aproveitamento do petróleo durante o refino.
Tratamento prepara a gasolinaAntes de deixar a refinaria, a gasolina passa por processos de tratamento. Um deles é a redução do teor de enxofre, necessária para que o combustível atenda às especificações estabelecidas para sua comercialização.
Depois, a gasolina segue para as distribuidoras, onde recebe a adição de etanol anidro prevista nas exigências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O componente contribui para elevar a octanagem do combustível, relacionada à resistência à pressão no motor, e também está associado à redução de determinadas emissões.
No caso da gasolina aditivada, ela passa ainda pela inclusão de detergentes e dispersantes. Esses componentes têm a função de auxiliar na limpeza do sistema de alimentação do motor. Depois disso, o combustível é levado aos postos, onde finalmente chega à bomba e, depois, ao tanque dos veículos.
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IA, robôs e veículos conectados: desafio oferece € 40 mil por solução para aumentar segurança nas rodovias
Trabalhar em uma rodovia significa, muitas vezes, realizar atividades a poucos metros de veículos circulando em alta velocidade. Equipes de manutenção, conservação e atendimento operacional precisam atuar em ambientes nos quais um erro de um motorista ou uma situação inesperada pode representar risco para quem está trabalhando na pista.
Um desafio internacional de inovação quer utilizar inteligência artificial, robótica, veículos conectados e outras tecnologias justamente para diminuir essa exposição.
Arteris e Abertis abriram inscrições para a terceira edição do Safe Road Operations Challenge, iniciativa destinada a startups e pequenas e médias empresas (PMEs) de tecnologia. O objetivo é encontrar soluções que ajudem a antecipar situações de risco e aumentar a proteção dos profissionais que atuam nas rodovias.
O projeto vencedor receberá € 40 mil para implementação de um projeto-piloto nas concessões do grupo, com possibilidade de expansão para outros países. As inscrições são gratuitas e seguem até 16 de novembro de 2026.
Tecnologia pode evitar que trabalhador precise entrar em área de riscoUm dos aspectos mais interessantes do desafio é que a tecnologia não precisa apenas alertar o trabalhador sobre um perigo.
As propostas também podem buscar maneiras de retirar a pessoa daquela situação de risco, substituindo determinadas atividades presenciais por operações automatizadas, remotas ou tecnologicamente assistidas.
O desafio está dividido em três frentes: identificação e prevenção de situações perigosas antes da exposição dos profissionais; redução ou eliminação da presença de equipes em locais de alto risco; e prevenção de acessos não autorizados ou de comportamentos inseguros de usuários próximos às áreas de trabalho.
Entre as tecnologias que podem ser utilizadas estão inteligência artificial (IA), visão computacional, robótica, veículos conectados, Internet das Coisas (IoT), dispositivos vestíveis — os chamados wearables — e análise preditiva.
Na prática, são recursos que podem abrir diferentes possibilidades para a operação rodoviária, desde que as soluções apresentadas consigam demonstrar aplicação concreta e integração com a rotina das concessões.
IA e análise preditiva podem ajudar a antecipar o perigoUma das mudanças proporcionadas pela digitalização das rodovias é justamente a possibilidade de agir antes que uma situação resulte em ocorrência.
Sistemas de visão computacional, por exemplo, podem ser desenvolvidos para reconhecer determinadas condições ou comportamentos. Sensores conectados podem fornecer informações sobre o ambiente, enquanto ferramentas de análise de dados podem ajudar a identificar padrões.
O desafio procura propostas capazes de utilizar tecnologias desse tipo para antecipar riscos relacionados às operações nas rodovias.
Isso pode ser especialmente relevante em intervenções que exigem a presença de equipes próximas ao fluxo de veículos.
A proposta, porém, não é simplesmente adicionar tecnologia à operação. Os projetos serão avaliados também pela viabilidade técnica, capacidade de integração às atividades existentes, potencial de impacto e possibilidade de expansão.
Robôs e operações remotas estão entre as possibilidadesOutra frente do desafio procura soluções capazes de reduzir a necessidade de exposição humana.
Robótica, equipamentos controlados remotamente e outros sistemas automatizados podem permitir que determinadas tarefas sejam executadas mantendo o profissional distante de áreas consideradas de maior risco.
A iniciativa não estabelece uma única tecnologia como resposta. Pelo contrário: startups e PMEs poderão propor diferentes formas de enfrentar os problemas apresentados.
A terceira frente trata da interação entre os próprios usuários da rodovia e as áreas onde há trabalhadores.
Nesse caso, a tecnologia deve ajudar a evitar acessos não autorizados e comportamentos inseguros nas proximidades das zonas de trabalho.
“A preservação da vida é um valor inegociável para a Arteris. Este desafio representa uma oportunidade de reunir talentos, tecnologia e inovação em torno de um objetivo comum: tornar as operações rodoviárias cada vez mais seguras. Mais do que estimular novas soluções, queremos contribuir para a evolução da infraestrutura viária e para a construção de um ambiente mais seguro para trabalhadores e usuários das rodovias”, afirma Flávia Tâmega, diretora-executiva de Jurídico, Compliance e ESG da Arteris.
Vencedor terá € 40 mil para testar a soluçãoAs propostas serão avaliadas por um comitê internacional composto por especialistas de países onde o Grupo Abertis atua.
Conforme os organizadores, os critérios incluem potencial de impacto, viabilidade técnica, integração às operações e escalabilidade.
Os três projetos finalistas serão anunciados em 22 de dezembro e receberão € 6 mil cada. Em janeiro de 2027, os selecionados participarão de um programa intensivo de desenvolvimento das propostas.
De acordo com o cronograma divulgado, o pitch final está previsto para 3 de fevereiro de 2027, enquanto o anúncio da solução vencedora ocorrerá em 23 de fevereiro.
O vencedor receberá € 40 mil para colocar um projeto-piloto em prática nas concessões do grupo.
Segurança de quem trabalha na via também faz parte da segurança viáriaA iniciativa chama atenção para uma dimensão que nem sempre ganha a mesma visibilidade quando se discute segurança no trânsito: a exposição dos profissionais que precisam trabalhar dentro ou nas proximidades da pista.
Obras, inspeções, manutenção e atendimentos operacionais não eliminam o fluxo de veículos ao redor das equipes. Por isso, sinalização, procedimentos operacionais e comportamento dos motoristas continuam fundamentais, independentemente da tecnologia utilizada.
Nesse contexto, recursos capazes de antecipar riscos ou permitir que uma atividade seja realizada a distância podem funcionar como uma camada adicional de proteção — e não como substitutos das demais medidas de segurança.
Como participarAs inscrições para o Safe Road Operations Challenge são gratuitas e ficam abertas até 16 de novembro de 2026.
Página de inscrição do Safe Road Operations Challenge
A iniciativa é promovida pela Fundação Abertis por meio do Beyond Roads, hub de inovação do grupo. Os três finalistas serão divulgados em 22 de dezembro; o desenvolvimento dos projetos ocorre em janeiro de 2027; o pitch final está previsto para 3 de fevereiro; e o vencedor será anunciado em 23 de fevereiro.
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Rodas maiores, pneus largos e carro rebaixado: quando o tuning começa a afetar a segurança?
Rodas maiores, pneus mais largos, suspensão rebaixada e alterações nos freios estão entre as modificações procuradas por quem deseja personalizar um veículo. O chamado tuning faz parte da cultura automotiva, mas mudanças aparentemente simples podem interferir em características importantes para a segurança.
Isso acontece porque pneus, rodas, suspensão e freios não trabalham de maneira independente. Esses componentes são dimensionados e testados pelo fabricante para atuar de forma integrada, garantindo características como estabilidade, aderência e capacidade de frenagem.
Alterar um deles sem considerar os efeitos sobre os demais pode modificar o comportamento do veículo justamente em situações críticas, como uma frenagem de emergência, uma curva ou a condução sobre pista molhada.
“A originalidade do conjunto rodas, pneus, suspensão e freios não é um detalhe técnico: é a base da segurança do veículo. Cada componente é desenvolvido e testado para funcionar de forma integrada aos demais, e qualquer alteração fora dessas especificações pode comprometer justamente o momento em que o motorista mais precisa de resposta segura do carro, como uma frenagem de emergência”, explica Roberto Falkenstein, consultor de tecnologias inovativas da Pirelli para a América Latina.
Trocar a medida dos pneus exige atençãoO pneu merece atenção especial porque é o componente responsável pelo contato do veículo com o pavimento.
De acordo com a Pirelli, modificar as medidas originais sem observar critérios técnicos pode interferir inclusive nas informações utilizadas por diferentes sistemas do automóvel.
Uma alteração no diâmetro externo do conjunto, por exemplo, pode distorcer as informações do velocímetro e do odômetro e afetar sistemas que utilizam esses dados para determinar a velocidade do veículo, como ABS e controle eletrônico de estabilidade.
Também é necessário considerar a compatibilidade entre a largura do pneu e a roda. Uma combinação inadequada pode provocar desgaste irregular e prejudicar a aderência.
Outro ponto levantado pelo especialista é a aquaplanagem. Pneus mais largos apresentam tendência de aquaplanar com maior facilidade, o que exige atenção de quem pretende alterar as medidas originais.
Índice de carga e código de velocidade também precisam ser considerados. Utilizar um pneu que não respeite as especificações necessárias pode comprometer a capacidade de carga ou a velocidade máxima segura para aquele componente.
Sistemas eletrônicos também podem ser afetadosOs automóveis atuais dependem cada vez mais de sistemas eletrônicos para auxiliar o motorista e controlar o comportamento do veículo.
Por isso, uma alteração física aparentemente restrita às rodas ou aos pneus pode repercutir em outras partes do automóvel.
A Pirelli cita sistemas como ABS, ESP e TPMS, que são desenvolvidos e calibrados considerando as características originais do veículo.
Essa integração ajuda a explicar por que a personalização precisa considerar mais do que apenas a aparência final do automóvel.
“E ainda temos o ponto de não ser permitido que o pneu fique posicionado fora do espaço do paralama. Ou seja: se o usuário colocar espaçadores de rodas ou trocar os pneus por modelos mais largos, ele pode estar descumprindo uma lei e estar sujeito a multas”, alerta Falkenstein.
Rebaixar a suspensão muda o comportamento do carroOutra modificação comum entre os adeptos do tuning é o rebaixamento da suspensão.
Do ponto de vista técnico, a mudança vai além da redução da altura do veículo.
Conforme as informações apresentadas pela Pirelli, o rebaixamento altera a geometria da direção e o curso útil dos amortecedores. Como consequência, pode haver redução da capacidade de absorver impactos e de manter a aderência durante determinadas manobras.
É justamente em situações mais exigentes — como desvios bruscos, curvas ou irregularidades no pavimento — que eventuais desequilíbrios provocados pelas modificações podem se tornar mais perceptíveis.
Por isso, analisar apenas o resultado estético da mudança não é suficiente.
Freios maiores nem sempre significam frenagem mais seguraOutra ideia que exige cautela é a de que simplesmente instalar componentes maiores no sistema de freios necessariamente melhora a segurança.
A troca de discos e pinças por componentes de maior diâmetro precisa ser compatível com o restante do conjunto, inclusive com as dimensões das rodas.
Uma modificação inadequada pode provocar diferenças na frenagem entre os eixos e prejudicar a estabilidade do veículo.
O princípio é o mesmo aplicado aos demais componentes: rodas, pneus, suspensão e freios formam um conjunto e precisam funcionar de maneira equilibrada.
Personalizar o veículo exige mais do que pensar na aparênciaA personalização de um automóvel, portanto, não deve ser tratada apenas como uma questão estética.
Antes de alterar pneus, rodas, suspensão ou sistema de freios, é necessário considerar a compatibilidade técnica entre os componentes e os possíveis efeitos sobre o comportamento do veículo.
De acordo com a Pirelli, os pneus desenvolvidos pela fabricante passam por diferentes etapas de avaliação antes de chegar ao mercado. O processo começa com simulações em ambiente virtual e inclui testes em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento em Campinas (SP).
A empresa informa realizar mais de 40 tipos diferentes de testes. Os produtos também são avaliados no Circuito Panamericano, em Elias Fausto (SP), complexo utilizado pela fabricante para testes de pneus em diferentes condições.
Para quem pretende modificar o veículo, a principal mensagem é que estética e desempenho não podem ser analisados separadamente da segurança. Uma alteração em um único componente pode modificar o funcionamento de todo o conjunto, com efeitos que nem sempre são perceptíveis na condução cotidiana, mas podem aparecer justamente quando o motorista precisa de uma resposta rápida e segura do veículo.
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Projeto propõe piso salarial de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância
Motoristas profissionais empregados no transporte rodoviário de cargas e que passam mais de 24 horas longe de casa durante as viagens poderão ter um piso salarial nacional de R$ 5 mil. É o que propõe o Projeto de Lei 4.789/2026, apresentado pelo deputado federal Ilacir Bicalho (Republicanos-MG) na Câmara dos Deputados.
A proposta não abrange indistintamente todos os motoristas de caminhão. O texto estabelece critérios específicos: o profissional precisa ser contratado sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), atuar no transporte rodoviário de cargas e realizar operações consideradas de longa distância.
Além de estabelecer o valor mínimo, o projeto determina que os R$ 5 mil correspondam ao salário-base mensal. Isso significa que horas extras, adicional noturno, diárias e outras parcelas não poderiam ser utilizadas pelo empregador para completar o piso.
Na justificativa, Bicalho argumenta que a medida pretende assegurar uma remuneração fixa compatível com as responsabilidades e as condições enfrentadas por esses trabalhadores.
Quem teria direito ao piso salarial de R$ 5 mil?O PL define como operação de longa distância aquela em que o motorista profissional empregado permanece fora da base da empresa — matriz ou filial — e também de sua residência por período superior a 24 horas.
Portanto, o critério previsto na proposta não é simplesmente a distância percorrida em quilômetros. O enquadramento está relacionado ao tempo em que o profissional permanece afastado da empresa e de casa durante a operação.
Outro ponto importante é que o piso proposto se destina aos motoristas profissionais empregados, contratados pela CLT e enquadrados na atividade de transporte rodoviário de cargas.
Para contratos regularmente constituídos em regime de tempo parcial, o valor poderá ser aplicado proporcionalmente. O projeto, entretanto, proíbe o uso desse tipo de contratação com a finalidade de descaracterizar a jornada efetivamente cumprida pelo motorista.
R$ 5 mil seriam apenas o salário-baseUma das principais mudanças previstas no PL 4.789/2026 está na composição da remuneração.
Pela proposta, o piso de R$ 5 mil corresponderia exclusivamente ao salário-base. Dessa forma, outras verbas recebidas pelo motorista não poderiam ser utilizadas para atingir esse valor mínimo.
O texto cita, entre as parcelas que não podem integrar o piso, horas extraordinárias, adicional noturno, adicionais legais ou estabelecidos em instrumentos coletivos, diárias e valores destinados ao ressarcimento de despesas de viagem, além de parcelas indenizatórias ou variáveis.
Na justificativa, o autor afirma que a remuneração desses profissionais é muitas vezes formada por um salário-base menor complementado por diferentes parcelas.
Segundo Bicalho, essa estrutura “gera instabilidade financeira e pode estimular jornadas excessivas, em prejuízo da saúde do trabalhador e da segurança do trânsito”.
Por isso, conforme a justificativa, a intenção é garantir uma remuneração fixa mínima relacionada à “extensão, à responsabilidade e à complexidade da atividade exercida”.
Acordos coletivos poderiam prever salários maioresO projeto não impede que negociações entre trabalhadores e empregadores estabeleçam valores superiores.
Acordos e convenções coletivas poderão definir um piso maior que os R$ 5 mil e também condições consideradas mais favoráveis aos profissionais. O que o PL proíbe é a utilização desses instrumentos para reduzir o piso nacional estabelecido pela futura lei.
O empregador também deverá detalhar no comprovante de pagamento quanto corresponde ao salário-base e quanto se refere às demais parcelas remuneratórias ou indenizatórias.
Caso seja pago um salário-base inferior ao piso, o trabalhador terá direito, segundo o projeto, às diferenças salariais e aos respectivos reflexos legais, sem prejuízo de outras sanções previstas na legislação trabalhista.
Piso seria reajustado todos os anosSe a proposta for aprovada nos termos apresentados, o valor do piso salarial terá atualização anual.
O reajuste deverá ocorrer em janeiro, considerando a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado e divulgado pelo IBGE.
O primeiro reajuste, porém, somente poderá acontecer depois de transcorridos pelo menos 12 meses da entrada em vigor da lei.
O projeto estabelece ainda um intervalo antes da aplicação das novas regras. Caso se transforme em lei, o texto entrará em vigor 180 dias após sua publicação oficial.
Autor relaciona remuneração às condições enfrentadas nas estradasNa justificativa, Bicalho sustenta que os motoristas de longa distância exercem uma atividade essencial ao funcionamento da economia e ao abastecimento das cidades, transportando produtos como alimentos, medicamentos, combustíveis e insumos industriais.
O deputado também aponta particularidades da profissão para defender a criação de um piso nacional. Entre elas estão a permanência prolongada fora de casa, a exposição a acidentes e roubos de carga, a responsabilidade pela condução e conservação de veículos de grande porte, o cumprimento de prazos, as condições das rodovias e o afastamento frequente da família.
Na avaliação apresentada pelo parlamentar, estabelecer um salário-base mínimo poderia contribuir para a valorização da categoria e para melhores condições de trabalho.
A justificativa também associa a proposta à intenção de reduzir a rotatividade de trabalhadores, estimular a formalização dos vínculos empregatícios e fortalecer a segurança nas rodovias.
Proposta semelhante chegou a passar pela CâmaraA justificativa do PL também explica por que o tema voltou ao Congresso por meio de um projeto específico.
De acordo com o documento, a discussão do piso de R$ 5 mil para motoristas de longa distância foi ocorreu durante a análise da Medida Provisória 1.343/2026. A medida chegou a ser aprovada pela Comissão Mista e pelo Plenário da Câmara dos Deputados, mas o dispositivo acabou retirado durante a votação no Senado Federal por ter sido considerado matéria estranha ao objeto original da MP.
Agora, com a apresentação de um projeto de lei autônomo, o autor pretende permitir que a criação do piso salarial tramite como matéria própria.
Conforme a justificativa, isso possibilita que se analise o assunto nas comissões competentes da Câmara e do Senado, com a participação de trabalhadores, transportadoras, entidades sindicais e outros setores envolvidos.
Texto apresenta divergência na indicação do valorEmbora o projeto estabeleça numericamente o piso em R$ 5.000,00 e toda a justificativa faça referência ao valor de R$ 5 mil, há uma inconsistência na redação do artigo 2º do texto apresentado.
O dispositivo registra “R$ 5.000,00 (quatro mil reais) mensais”. A indicação por extenso, portanto, não corresponde ao valor numérico apresentado.
A justificativa do próprio projeto, no entanto, menciona repetidamente a proposta de criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para os motoristas profissionais empregados no transporte rodoviário de cargas que atuam em operações de longa distância.
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Da internet ao caminho da escola: proteger crianças também passa pela segurança no trânsito
Proteger crianças e adolescentes tornou-se uma tarefa que atravessa diferentes espaços da vida cotidiana. Dentro de casa, famílias precisam lidar com os riscos da internet e das redes sociais. Fora dela, à medida que os filhos conquistam autonomia, surgem outros desafios: atravessar ruas, caminhar até a escola, andar de bicicleta, utilizar o transporte coletivo e, mais tarde, realizar deslocamentos sem a companhia de um adulto.
Uma pesquisa realizada pelo Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável em parceria com a Quaest mostra o tamanho da preocupação dos brasileiros com a segurança das novas gerações. Para 89% dos entrevistados, crianças e adolescentes estão muito vulneráveis a crimes e violências na internet.
O levantamento não investigou especificamente a segurança no trânsito. Ainda assim, seus resultados ajudam a levantar uma discussão importante: se proteger crianças exige acompanhamento no ambiente digital, a construção de autonomia para circular pelas cidades também precisa ser acompanhada de orientação, aprendizado e exemplo.
Isso porque a educação para um deslocamento seguro não começa apenas quando o adolescente se aproxima da idade de dirigir. Ela se desenvolve muito antes, nas experiências cotidianas como pedestre, passageiro e ciclista.
Preocupação com a segurança começa cada vez mais cedoA pesquisa ouviu presencialmente 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Além dos 89% que consideram crianças e adolescentes muito vulneráveis às violências na internet, 96% dos entrevistados acreditam que pais ou responsáveis deveriam supervisionar o conteúdo acessado por esse público.
Na prática, o acompanhamento diminui conforme a idade avança. Entre crianças de zero a cinco anos que utilizam a internet, 94% têm o uso acompanhado. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o percentual cai para 68%.
O resultado trata especificamente do ambiente digital, mas coincide com uma fase da vida em que muitos adolescentes também passam a realizar mais atividades e deslocamentos sem acompanhamento direto.
Isso torna relevante pensar a segurança de maneira mais ampla: a supervisão pode diminuir à medida que a autonomia cresce, mas a preparação para reconhecer situações de risco continua necessária.
Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, destaca que os resultados mostram a preocupação da população com essa preparação no universo digital.
“A pesquisa traz à luz a grande preocupação que os brasileiros têm em relação ao uso da internet por crianças e adolescentes, e aponta quais caminhos a população acredita que podem reduzir a vulnerabilidade dos jovens, como bloqueio de conteúdos perigosos e maior orientação para o uso seguro”, afirma.
No trânsito, a lógica da orientação também é fundamental: progressivamente, crianças e adolescentes precisam aprender a tomar decisões seguras sem depender permanentemente de um adulto ao lado.
Segurança da criança não termina no portão da escolaOutro resultado chama a atenção. Segundo o levantamento, 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, enquanto 26% as consideram seguras.
É preciso fazer uma ressalva importante: o dado não se refere à segurança no trânsito nem ao entorno das escolas.
Entre os entrevistados que consideram as instituições pouco ou nada seguras, 70% apontam como motivo a violência entre os próprios alunos, 8% mencionam a violência praticada por professores ou outros profissionais e 18% citam as duas situações.
A pesquisa, portanto, não permite concluir que o trânsito seja responsável pela percepção de insegurança escolar.
A discussão sobre proteção, entretanto, pode ser ampliada para além dos limites físicos da instituição. A rotina escolar envolve diariamente deslocamentos a pé, de bicicleta, motocicleta, carro, van, ônibus e outros meios.
Nesse contexto, a segurança também passa pela maneira como crianças embarcam e desembarcam, atravessam ruas e aprendem a interpretar o ambiente viário.
Crianças aprendem trânsito observando os adultosHá ainda um elemento fundamental quando se fala em educação para o trânsito: o comportamento observado dentro da própria família.
Antes mesmo de compreender as regras formais, a criança acompanha a maneira como os adultos se comportam.
Quando o responsável utiliza o cinto de segurança, transporta a criança no dispositivo adequado, aguarda uma condição segura para atravessar ou evita utilizar o celular enquanto dirige, essas práticas passam a fazer parte das referências cotidianas daquele passageiro ou pedestre em formação.
O contrário também ocorre. Atravessar de maneira arriscada, parar em local inadequado no entorno da escola ou utilizar o telefone enquanto conduz são comportamentos que podem ser observados e posteriormente reproduzidos.
Por isso, a educação para o trânsito não precisa esperar a adolescência ou o início do processo de habilitação. Ela começa nas primeiras experiências da criança com a rua e com os diferentes meios de transporte.
Autonomia exige preparação gradualConforme crianças e adolescentes crescem, é natural que aumente também a autonomia nos deslocamentos.
O trajeto que inicialmente é feito de mãos dadas com um adulto pode, em determinado momento, passar a ser realizado sozinho. O adolescente pode começar a utilizar ônibus sem acompanhamento, caminhar até atividades próximas ou pedalar por distâncias maiores.
A preparação para essa autonomia envolve ensinar a observar o ambiente, reconhecer locais apropriados para atravessar e compreender que diferentes situações exigem níveis diferentes de atenção.
Também significa evitar transmitir a ideia de que conhecer um caminho é suficiente para torná-lo automaticamente seguro. Condições de circulação podem mudar, assim como o fluxo de veículos e de pessoas.
A orientação precisa ser compatível com a idade e com a maturidade da criança ou adolescente, considerando as características concretas de cada deslocamento.
Celular conecta os dois universosO smartphone é um ponto de encontro entre a preocupação retratada pela pesquisa e a segurança durante os deslocamentos.
O estudo mostra que 33% dos entrevistados conhecem alguma criança ou adolescente que já foi humilhado, xingado ou sofreu bullying ou constrangimento social na internet. Outros 25% conhecem alguém que recebeu mensagens de conteúdo sexual, enquanto 20% relatam conhecer crianças ou adolescentes que receberam convites para encontros presenciais com desconhecidos.
São dados relacionados aos riscos digitais, não ao trânsito.
Durante os deslocamentos, entretanto, o uso do aparelho acrescenta uma questão diferente: a necessidade de manter atenção ao ambiente. Para pedestres e ciclistas, perceber veículos, movimentos e mudanças ao redor é parte importante de uma circulação segura.
Assim, ensinar a usar a tecnologia com responsabilidade também pode incluir conversar sobre quando é necessário guardar o aparelho e concentrar a atenção no deslocamento.
Proteção envolve diferentes espaços da vidaPara Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, os resultados mostram a necessidade de uma atenção específica à infância e à adolescência diante das transformações provocadas pela exposição às telas.
“Os dados mostram que os riscos no ambiente digital são percebidos pela população e também aparecem em situações concretas vivenciadas por crianças e adolescentes. Nesse sentido, a sanção do ECA Digital representa um avanço importante diante dos desafios trazidos pela exposição cada vez mais precoce e intensa às telas e redes sociais. A infância e adolescência merece atenção especial, por ser um período de profundas transformações físicas, emocionais e identitárias e ainda pouco priorizado nas políticas públicas. Garantir um ambiente digital mais seguro nessa fase é fundamental não apenas para a saúde e o desenvolvimento das novas gerações, mas também para sua futura participação social e cidadania”, afirma.
A pesquisa mostra uma sociedade preocupada com os riscos que crianças e adolescentes encontram em diferentes ambientes. No trânsito, essa proteção ganha características próprias e acompanha uma transformação inevitável: quanto mais os filhos crescem, menos os responsáveis poderão tomar todas as decisões por eles.
Prepará-los para circular com segurança significa, portanto, mais do que ensinar regras. Envolve construir hábitos desde cedo, conversar sobre riscos, permitir autonomia de maneira gradual e, principalmente, lembrar que o comportamento dos adultos também ensina.
Da internet ao caminho da escola, a proteção muda de forma conforme crianças e adolescentes crescem. O objetivo, porém, permanece o mesmo: oferecer condições para que adquiram autonomia sem deixar a segurança em segundo plano.
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Vai viajar no feriado? O perigo pode estar solto dentro do carro
O feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na próxima segunda-feira (12), deve levar muitas famílias às estradas durante o fim de semana prolongado. Como a data também marca o Dia das Crianças, parte dos veículos viajará com mais passageiros, bagagens, brinquedos e, em alguns casos, animais de estimação. O risco, porém, não está apenas na rodovia: objetos soltos ou mal acomodados dentro do automóvel podem causar ferimentos em uma freada brusca ou colisão.
Uma garrafa, um celular, uma bolsa ou um brinquedo deixado sobre o banco continua em movimento quando o veículo para repentinamente. Por isso, mesmo itens aparentemente inofensivos podem ser projetados contra os ocupantes.
Antes da viagem, além de verificar as condições do automóvel, o motorista deve reservar alguns minutos para organizar o interior, distribuir corretamente a bagagem e garantir que cada passageiro tenha um assento equipado com cinto de segurança.
Bagagem deve ficar no porta-malasMalas, bolsas e outros objetos pesados devem ser transportados no porta-malas. Os volumes maiores e mais pesados devem ficar na parte inferior e, preferencialmente, mais próximos do encosto do banco traseiro.
Essa organização ajuda a evitar que a carga se desloque em curvas, acelerações e frenagens, além de distribuir melhor o peso. Objetos menores podem ocupar os espaços restantes, desde que não fiquem soltos.
Conforme o especialista e diretor do Portal do Trânsito, Celso Mariano, a organização das bagagens faz parte da segurança da viagem.
“Não basta fazer todas as malas caberem no carro. Os volumes precisam estar distribuídos de maneira equilibrada, respeitar a capacidade indicada pelo fabricante e permanecer abaixo da linha dos encostos, sem prejudicar a visão do motorista. Uma bagagem mal acomodada pode se deslocar e atingir os ocupantes justamente no momento em que eles mais precisam estar protegidos”, explica.
Se o carro não tiver uma separação rígida entre o porta-malas e o espaço dos passageiros, como ocorre em alguns veículos utilitários, a carga deve ser presa com redes, cintas ou outros dispositivos adequados.
Não empilhe objetos acima do encostoA tentativa de aproveitar todo o espaço disponível pode levar o motorista a empilhar malas até a altura do teto. Além de prejudicar a visão traseira, essa prática deixa os objetos mais expostos a deslocamentos.
Volumes colocados acima da linha do encosto podem ser arremessados para a frente em caso de impacto. A cobertura retrátil do porta-malas, quando existente, também não deve ser utilizada como prateleira para bolsas, alimentos ou objetos pesados.
Se a bagagem não couber de maneira segura, a solução não é ocupar os bancos nem bloquear os vidros. O motorista deve reduzir a quantidade de itens, utilizar um equipamento externo apropriado ou reconsiderar a distribuição entre os veículos da viagem.
Garrafas e celulares também oferecem riscoOs cuidados não devem se limitar às malas. Durante uma viagem em família, é comum que o interior do automóvel acumule:
- garrafas e copos;
- celulares e tablets;
- brinquedos;
- livros;
- bolsas;
- caixas de alimentos;
- carregadores portáteis;
- guarda-chuvas;
- objetos comprados durante o trajeto.
Esses itens devem permanecer em compartimentos fechados, porta-objetos ou bolsas devidamente guardadas. Garrafas deixadas no assoalho também podem rolar e alcançar a região dos pedais, interferindo na condução.
O painel do veículo não é um local seguro para armazenar objetos. Além da possibilidade de queda, eles podem atingir os ocupantes e interferir no funcionamento do airbag. “Em uma freada brusca, tudo o que não está preso continua em movimento. Uma garrafa, um celular ou um brinquedo rígido pode ser lançado contra uma criança ou outro passageiro. Por isso, organizar o interior do veículo não é apenas uma questão de conforto, mas uma medida de segurança”, alerta Celso Mariano.
Atenção aos brinquedos das criançasPara entreter as crianças durante o percurso, a preferência deve ser por objetos leves e macios, compatíveis com a idade. Brinquedos rígidos, pesados ou com pontas podem provocar ferimentos se forem projetados durante uma freada.
Quando não estiverem em uso, os brinquedos devem ser guardados. Também é importante evitar que objetos fiquem espalhados perto dos pés do motorista ou sejam entregues por um passageiro da frente enquanto o veículo está em movimento.
A criança deve permanecer corretamente acomodada no dispositivo de retenção adequado à idade, ao peso e à altura, conforme as regras do Conselho Nacional de Trânsito. Brinquedos, mantas ou bolsas não podem comprometer o ajuste do cinto ou do equipamento de retenção.
Bagagem no colo não substitui espaço adequadoViajar com uma mala, caixa ou animal no colo pode prejudicar o funcionamento do cinto de segurança. A faixa deve permanecer posicionada diretamente sobre o corpo, de acordo com a orientação do fabricante, sem objetos entre o ocupante e o equipamento.
Também não é seguro colocar bagagens sobre bancos que deveriam ser utilizados por passageiros. O artigo 100 do Código de Trânsito Brasileiro determina que o veículo não pode circular com lotação ou peso superiores aos limites estabelecidos pelo fabricante.
A capacidade de carga não considera apenas as malas: o peso dos ocupantes e dos demais itens transportados também deve ser levado em conta. Essa informação pode ser consultada no manual do proprietário e nos dados técnicos do veículo.
Carro carregado exige pressão correta nos pneusAlguns veículos possuem recomendações diferentes de pressão dos pneus para uso normal e para situações de carga máxima. A informação costuma estar no manual, na coluna da porta do motorista ou na tampa do compartimento de combustível.
O motorista deve seguir a indicação do fabricante para a quantidade de passageiros e bagagens transportadas. A calibragem deve ser feita, preferencialmente, com os pneus frios.
Não se deve utilizar um valor genérico nem aumentar a pressão por conta própria apenas porque o automóvel está cheio. Pressão inadequada pode alterar o comportamento do veículo, aumentar o desgaste dos pneus e comprometer a estabilidade.
Celso Mariano ressalta que um veículo carregado apresenta comportamento diferente daquele observado no uso cotidiano.
“O peso dos passageiros e das bagagens interfere nas acelerações, nas frenagens e nas curvas. O motorista deve consultar o manual, utilizar a pressão de pneus indicada pelo fabricante para aquela condição de carga e adotar uma condução mais suave, com maior distância do veículo à frente”, orienta.
Bagageiro de teto requer cuidado adicionalQuando o porta-malas não comporta todos os volumes, o bagageiro de teto pode ser uma alternativa, desde que seja compatível com o veículo e instalado corretamente.
É necessário respeitar os limites de peso definidos pelo fabricante do automóvel, do suporte e do próprio compartimento. A carga deve ficar bem presa, sem pontas ou partes soltas, e não pode comprometer a identificação, a iluminação ou a estabilidade do veículo.
A bagagem no teto aumenta a altura do automóvel e pode alterar sua resposta ao vento e nas curvas. Por isso, o motorista deve reduzir a velocidade, ampliar a distância de segurança e redobrar a atenção em acessos a garagens, estacionamentos e locais com limitação de altura.
Animal não deve viajar soltoO animal de estimação também precisa ser transportado com segurança. Deixá-lo solto no banco ou circulando pelo interior pode distrair o motorista e colocar o próprio animal e os demais ocupantes em risco.
Entre as opções estão a caixa transportadora fixada ao veículo, o cinto próprio acoplado a um peitoral ou o assento específico para animais, conforme o porte e as características do pet. O dispositivo deve ser adequado e permitir que o animal permaneça protegido sem interferir na condução.
O CTB proíbe transportar animais à esquerda do motorista, entre os braços ou as pernas, assim como nas partes externas do veículo.
Durante viagens longas, devem ser planejadas paradas para oferecer água e permitir que o animal se movimente em local seguro. Ele nunca deve ser deixado sozinho dentro do carro fechado.
Cada pessoa precisa de um assento e de um cintoO número de ocupantes não pode ultrapassar a capacidade indicada no documento do veículo. Crianças não devem viajar no colo, mesmo em percursos curtos, e nenhum passageiro pode dividir o mesmo cinto com outra pessoa.
O uso do cinto é obrigatório para todos, inclusive no banco traseiro. A infração por deixar de utilizá-lo é de natureza grave, conforme o artigo 167 do CTB.
Antes de sair, o motorista deve conferir se as bagagens não cobrem os fechos dos cintos, não impedem o uso dos dispositivos de retenção infantil e não reduzem o espaço necessário para os passageiros viajarem corretamente sentados.
Faça uma última conferência antes de partirDepois de fechar o porta-malas, vale observar o interior do veículo e fazer algumas perguntas:
- todos os passageiros possuem assento e cinto?
- as crianças estão nos dispositivos adequados?
- há algum objeto solto sobre os bancos ou o painel?
- as garrafas estão longe dos pedais?
- a bagagem está abaixo da linha dos encostos?
- a visão pelos vidros e espelhos está preservada?
- o animal está protegido por um dispositivo apropriado?
- a calibragem dos pneus corresponde à carga transportada?
Organizar o carro pode exigir retirar itens ou mudar a distribuição das malas, mas essa decisão faz parte da segurança da viagem. No feriado, o objetivo não deve ser apenas fazer tudo caber: passageiros, animais e bagagens precisam chegar protegidos ao destino.
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Romeiro é atropelado na Via Dutra: como peregrinos e motoristas podem reduzir os riscos
Um adolescente de 15 anos que seguia em romaria para Aparecida foi atropelado por um caminhão na tarde de quinta-feira (8), na Rodovia Presidente Dutra, em Taubaté (SP). O caso ocorreu justamente no início do período de maior movimentação de peregrinos às margens das rodovias e reforça a necessidade de atenção tanto de quem realiza o percurso a pé quanto dos motoristas.
Conforme informações da Polícia Rodoviária Federal divulgadas pela imprensa, o trânsito estava lento no quilômetro 103,7, no sentido Rio de Janeiro. O motorista do caminhão teria se deslocado para o acostamento para evitar uma colisão traseira e atingido o adolescente que caminhava pelo local. O jovem foi socorrido consciente e encaminhado em estado grave ao Pronto-Socorro de Pindamonhangaba. Não havia, até a publicação desta matéria, uma atualização oficial sobre seu estado de saúde.
A proximidade de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, amplia a presença de pedestres, ciclistas, veículos de apoio e motoristas em diferentes rodovias brasileiras. Além da peregrinação até o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o período também reúne grandes manifestações religiosas em outras regiões do país, como o Círio de Nazaré, no Pará.
A Polícia Rodoviária Federal iniciou uma operação especial diante do aumento da circulação de pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos. Na Via Dutra, haverá reforço de viaturas, motocicletas e equipes de orientação em pontos estratégicos.
Acostamento não elimina o risco de atropelamentoEmbora seja utilizado por muitos peregrinos, o acostamento faz parte da estrutura da rodovia e pode ser invadido por veículos em situações de emergência, falhas mecânicas, perda de controle ou manobras inesperadas.
O próprio caso ocorrido em Taubaté demonstra essa vulnerabilidade: segundo as informações iniciais, o caminhão entrou no acostamento ao tentar evitar uma colisão com veículos que estavam à frente.
Por isso, caminhar às margens de uma rodovia exige atenção permanente. Sempre que existir uma rota alternativa, separada do tráfego, ela deve ser priorizada. Também é importante seguir os trajetos indicados pelas autoridades, concessionárias e equipes responsáveis pela operação.
No percurso até Aparecida, uma das alternativas é a Rota da Luz, que começa em Mogi das Cruzes e passa por estradas secundárias e rurais. Mesmo nesse trajeto, entretanto, o peregrino precisa observar as condições do caminho, planejar os horários e evitar deslocamentos noturnos em locais isolados ou com pouca visibilidade.
Caminhe de frente para os veículosQuando não houver uma estrutura exclusiva para pedestres e for necessário caminhar nas proximidades da rodovia, a orientação da PRF é seguir no sentido contrário ao fluxo. Dessa maneira, o peregrino consegue visualizar os veículos que se aproximam e reagir com maior antecedência diante de uma situação de perigo.
Os participantes devem caminhar em fila, evitando ocupar a pista ou formar grupos muito largos. Também não é seguro parar sobre o acostamento para descansar, reorganizar o grupo ou aguardar outros integrantes.
As pausas precisam ocorrer em postos de combustíveis, pontos de apoio, estabelecimentos comerciais ou áreas afastadas da circulação de veículos.
Ser visto é tão importante quanto verRoupas claras, coletes e faixas refletivas aumentam a possibilidade de o pedestre ser percebido pelo motorista. Lanternas também podem ser utilizadas, desde que não sejam direcionadas para os olhos dos condutores.
O uso de materiais refletivos é ainda mais importante ao amanhecer, no fim da tarde, à noite, sob chuva ou neblina. Nessas condições, a visibilidade fica reduzida e o motorista pode perceber a presença do peregrino tarde demais.
A recomendação, entretanto, é evitar a caminhada durante a noite ou em condições meteorológicas desfavoráveis. A roupa refletiva ajuda, mas não elimina o risco provocado pela baixa visibilidade.
O peregrino também deve evitar fones de ouvido e o uso do celular durante o deslocamento. Sons, mensagens e vídeos podem impedir que ele perceba a aproximação de veículos, buzinas, alertas das equipes de apoio ou mudanças repentinas no trânsito.
Travessias devem ocorrer em locais segurosPassarelas, viadutos e pontos de travessia indicados devem ser utilizados mesmo quando aumentarem a distância do percurso. Tentar atravessar diretamente a pista expõe o pedestre a veículos que circulam em velocidades elevadas e podem estar parcialmente encobertos por caminhões, ônibus ou curvas.
Também é necessário respeitar bloqueios, cones, placas temporárias e orientações das equipes presentes na rodovia. Um caminho aparentemente mais curto pode levar a um trecho sem acostamento, com obras ou visibilidade limitada.
Na Via Dutra, a concessionária disponibilizou o mapa “Caminho Consciente 2026”, que indica o trajeto recomendado para pedestres e os pontos de orientação disponíveis durante a romaria. A recomendação aos participantes é consultar o percurso antes de iniciar a caminhada.
Veículos de apoio não devem parar no acostamentoCarros, vans e outros veículos utilizados para transportar água, alimentos, roupas ou participantes precisam permanecer em locais afastados da pista.
Parar no acostamento pode obrigar os peregrinos a se aproximarem da faixa de rolamento, além de reduzir o espaço disponível para emergências. A concentração de pessoas em torno desses veículos também aumenta o risco de atropelamento.
Os pontos de encontro e de descanso devem ser definidos previamente, preferencialmente em postos de combustíveis, estacionamentos e propriedades autorizadas. O embarque e o desembarque dos participantes também precisam ocorrer fora da rodovia.
Motoristas devem reduzir a velocidadeAo perceber peregrinos ou ciclistas próximos à pista, o motorista deve diminuir a velocidade, ampliar a distância em relação ao veículo da frente e evitar movimentos bruscos.
A atenção precisa ser ainda maior nas proximidades de acessos urbanos, postos de combustíveis, pontos de apoio e locais onde grupos podem realizar travessias. Ultrapassagens devem ser feitas apenas onde houver permissão, visibilidade e espaço suficientes.
O acostamento nunca deve ser utilizado para ultrapassar filas, contornar congestionamentos ou ganhar tempo. Além de ser uma conduta perigosa, o local pode estar sendo ocupado por pedestres, ciclistas, veículos imobilizados e equipes de atendimento.
Também é importante não usar o celular e outras distrações. Em uma rodovia, poucos segundos de desatenção podem fazer com que o motorista deixe de perceber um grupo de pessoas à margem da pista.
Caminhões precisam de mais espaço para pararO peso e as dimensões dos veículos de carga fazem com que eles necessitem de uma distância maior para reduzir a velocidade ou parar completamente. Essa distância pode aumentar conforme a velocidade, o peso transportado e as condições dos pneus, dos freios e do pavimento.
Peregrinos não devem presumir que um caminhoneiro conseguirá parar imediatamente ao perceber alguém próximo à pista. Também precisam evitar permanecer nos pontos cegos, especialmente próximos à parte dianteira, às laterais e à traseira do veículo.
Para os caminhoneiros, a presença de grupos nas margens exige antecipação. Manter distância segura do veículo da frente reduz a necessidade de frenagens ou desvios repentinos em direção ao acostamento.
Operação terá pontos de apoio durante 24 horasA Operação Romaria Segura 2026 reúne mais de 400 profissionais e voluntários. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, foram instaladas 29 tendas: 23 na Via Dutra e seis na Rota da Luz.
As estruturas funcionarão durante 24 horas entre os dias 9 e 11 de outubro, período de maior movimento. No dia 12, o atendimento está previsto das 6h às 19h.
Também serão distribuídos 30 mil coletes, 120 mil fitas refletivas e 3 mil lanternas para ciclistas. Os pontos oferecem orientação e itens destinados a melhorar a visibilidade dos participantes.
O que fazer em uma emergênciaAo presenciar um atropelamento ou outra ocorrência, a primeira providência é acionar o atendimento especializado. Em rodovias federais, a PRF pode ser chamada gratuitamente pelo telefone 191.
Na Via Dutra, o atendimento da concessionária também está disponível pelo número 0800 017 3536.
Ao pedir ajuda, informe:
- o nome ou o número da rodovia;
- o quilômetro aproximado;
- o sentido da pista;
- um ponto de referência;
- a quantidade e o estado aparente das vítimas;
- se há veículos ou pessoas sobre a pista.
Não se deve movimentar uma pessoa ferida, exceto quando houver risco imediato, como incêndio. Também é perigoso permanecer sobre a faixa de rolamento ou tentar sinalizar a ocorrência expondo-se ao fluxo de veículos.
A peregrinação é uma manifestação de fé, mas o compartilhamento do espaço com veículos em alta velocidade cria riscos que não podem ser ignorados. Planejamento, visibilidade, respeito à sinalização e redução de velocidade são medidas fundamentais para que romeiros, ciclistas e motoristas concluam o percurso com segurança.
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Trânsito nas grandes cidades do interior acende alerta: entenda o que está acontecendo
O trânsito das grandes cidades do interior brasileiro está mudando. Municípios que cresceram, tornaram-se polos econômicos e passaram a atrair diariamente moradores de toda uma região enfrentam hoje uma circulação mais intensa e diversificada — com automóveis, motocicletas, caminhões, bicicletas e novos equipamentos de mobilidade dividindo o mesmo espaço.
Os reflexos dessa transformação aparecem nos indicadores de segurança viária de diferentes municípios. Em alguns deles, números recentes de sinistros e mortes chamam a atenção; em outros, houve redução. Essa diferença mostra que não existe uma única realidade no interior do país, mas revela um ponto em comum: cidades que antes tinham uma dinâmica predominantemente local passaram a enfrentar desafios de mobilidade cada vez mais complexos.
Crescimento da frota e dos deslocamentos, presença expressiva de motocicletas, circulação regional, transporte de cargas, novos meios de mobilidade e infraestrutura que precisa acompanhar essas mudanças estão entre os fatores que ajudam a explicar o cenário.
A preocupação não é recente. Uma pesquisa publicada na Revista de Saúde Pública, que analisou a mortalidade no trânsito entre 2000 e 2016, identificou diferenças importantes entre as capitais e os demais municípios brasileiros.
Durante o período, foram registradas 601.760 mortes por lesões de trânsito no Brasil, das quais aproximadamente 19% correspondiam a residentes nas capitais. O estudo também identificou tendência de crescimento da mortalidade nos municípios não capitais de 14 estados, enquanto 14 capitais apresentaram tendência de redução.
Embora os resultados sejam históricos e não permitam afirmar que o mesmo comportamento permanece em 2026, eles reforçam uma questão que ganhou ainda mais importância com as transformações recentes da mobilidade: a segurança no trânsito brasileiro precisa ser discutida também para além das capitais.
Cascavel exemplifica os desafios enfrentados pelos polos regionaisLocalizada no oeste do Paraná, Cascavel é um exemplo de município que reúne características importantes para essa discussão. Além da circulação urbana, a cidade está conectada a corredores rodoviários relevantes, como a BR-277 e a BR-163, e exerce influência econômica sobre outros municípios da região.
Dados divulgados pela imprensa local, com informações atribuídas à Transitar, apontam que Cascavel registrou 5.829 sinistros de trânsito em 2025, o maior número dos últimos dez anos.
Outro levantamento jornalístico contabilizou 38 mortes no trânsito entre janeiro e agosto de 2026, considerando ocorrências em áreas urbanas e rodoviárias. Desse total, 13 vítimas estavam em motocicletas.
Os números não devem ser comparados diretamente com indicadores restritos às vias municipais, mas ajudam a dimensionar a relevância da segurança viária na região.
Um fenômeno adicional chama a atenção: o crescimento das ocorrências envolvendo equipamentos autopropelidos. Entre janeiro e maio de 2026, Cascavel contabilizou 84 sinistros dessa natureza, contra 40 no mesmo intervalo de 2025. O número de feridos passou de 44 para 100.
A situação ilustra como novas modalidades de deslocamento acrescentam desafios a estruturas urbanas tradicionalmente planejadas para automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas e pedestres.
O interior não apresenta uma realidade únicaApesar dos indicadores preocupantes observados em determinados municípios, não é possível afirmar que os acidentes estejam aumentando de maneira generalizada nas cidades do interior brasileiro.
Os dados de outras localidades mostram comportamentos distintos.
Em Ribeirão Preto, no interior paulista, levantamento baseado no Infosiga-SP apontou redução das mortes no trânsito de 108, em 2024, para 87, em 2025. Entretanto, entre janeiro e julho de 2026, o município contabilizou 56 mortes, contra 54 no mesmo período do ano anterior.
Já Londrina, no norte do Paraná, apresentou redução dos sinistros de trânsito, de acordo com dados divulgados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Foram 3.256 ocorrências em 2024 e 3.233 em 2025.
No mesmo intervalo, o número de mortes no recorte viário considerado pelo órgão passou de 49 para 38, uma redução de aproximadamente 22,4%.
As diferenças reforçam a necessidade de analisar cada município considerando suas características, a evolução da frota, a população, a infraestrutura disponível e as políticas de segurança viária.
Também é fundamental diferenciar o aumento absoluto das ocorrências de uma eventual elevação proporcional do risco. Uma cidade que registra crescimento populacional e da circulação de veículos, por exemplo, precisa ter seus indicadores avaliados dentro desse contexto.
O que ajuda a explicar esse cenário?Uma das questões centrais para compreender a segurança viária fora das capitais é a transformação dos municípios que exercem influência sobre regiões inteiras.
O crescimento das atividades econômicas e a expansão urbana podem modificar significativamente os padrões de deslocamento, especialmente quando acompanhados pela ampliação da frota e pelo aumento da circulação de pessoas vindas de municípios vizinhos.
Conforme Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, essa transformação exige uma revisão constante das estratégias de prevenção.
“Existe uma transformação importante acontecendo fora das capitais. Muitas cidades do interior deixaram de ter uma dinâmica de trânsito essencialmente local e passaram a funcionar como grandes centros regionais. O problema é que o crescimento da circulação nem sempre vem acompanhado, na mesma velocidade, de investimentos em infraestrutura, fiscalização e planejamento. O resultado é um ambiente viário cada vez mais complexo, no qual os riscos também precisam ser reavaliados”, analisa.
Outro fator é a relação entre o trânsito urbano e o transporte de cargas. Muitos polos do interior estão próximos ou são atravessados por importantes corredores rodoviários, criando pontos de contato entre deslocamentos locais e veículos que percorrem longas distâncias.
Nessas localidades, a segurança viária depende não apenas das condições das ruas e avenidas, mas também da organização dos acessos urbanos, das travessias e da integração entre diferentes sistemas de transporte.
Motocicletas ampliam o desafioOutro aspecto que merece atenção é a presença das motocicletas no cotidiano das cidades, seja para deslocamentos individuais, seja como instrumento de trabalho.
Por apresentarem menor proteção física aos ocupantes, esses veículos exigem atenção especial nas estratégias de prevenção, principalmente nos cruzamentos, nas conversões e nas situações de conflito com veículos de maior porte. “A motocicleta ganhou um protagonismo enorme na mobilidade urbana, especialmente como instrumento de trabalho. Mas precisamos lembrar que o motociclista está muito mais exposto às consequências de uma colisão. Não basta cobrar prudência desse condutor. É necessário pensar em cruzamentos mais seguros, velocidades compatíveis com o ambiente urbano e, principalmente, na convivência entre veículos de diferentes portes”, destaca Mariano.
Além das motocicletas, bicicletas elétricas, scooters e outros equipamentos de mobilidade individual passaram a disputar espaço em estruturas viárias que, muitas vezes, foram concebidas quando esses meios de transporte praticamente não existiam.
O desafio, portanto, não é apenas regulamentar a utilização desses equipamentos, mas preparar o ambiente urbano para que diferentes usuários consigam compartilhar as vias com segurança.
A infraestrutura está acompanhando as mudanças na mobilidade?O crescimento urbano exige uma revisão permanente das condições de circulação.
Cruzamentos que antes recebiam um volume reduzido de veículos podem passar a concentrar movimentos intensos em determinados horários. Novos empreendimentos alteram trajetos, bairros se expandem e diferentes modalidades de transporte começam a compartilhar os mesmos espaços.
Em Cascavel, por exemplo, a Transitar anunciou, em maio de 2026, a instalação de placas educativas nos dez cruzamentos semaforizados com maior concentração de sinistros identificados entre janeiro e abril daquele ano.
A iniciativa chama a atenção para a importância de identificar pontos críticos e utilizar os registros de ocorrências no planejamento de intervenções.
Entretanto, a prevenção não depende exclusivamente da sinalização ou de campanhas educativas.
Medidas de engenharia de tráfego, adequação dos limites de velocidade, travessias seguras, fiscalização, manutenção viária e proteção dos usuários mais vulneráveis precisam integrar uma estratégia permanente. “Uma cidade não pode esperar que os acidentes se acumulem para começar a discutir segurança viária. Os dados precisam orientar decisões permanentes. Se determinado cruzamento apresenta ocorrências frequentes, é necessário investigar o que está acontecendo ali: visibilidade, velocidade, geometria da via, sinalização ou comportamento dos usuários. Muitas vezes, a solução não está apenas em instalar uma placa, mas em repensar aquele espaço para que o erro humano não resulte em uma tragédia”, explica Celso Mariano.
Também é necessário considerar que uma mesma solução não atende, necessariamente, municípios com características diferentes.
Cidades com forte circulação de caminhões, por exemplo, podem apresentar necessidades distintas daquelas com predominância de deslocamentos urbanos curtos ou elevada participação de motocicletas.
Reduzir mortes exige planejamento contínuo, e não apenas ações pontuaisA discussão sobre a segurança viária nos municípios do interior também envolve a capacidade das administrações públicas de acompanhar os indicadores e transformar essas informações em políticas de prevenção.
O Brasil conta com o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que estabelece como objetivo reduzir, até 2030, pelo menos pela metade o índice de mortes no trânsito por grupo de habitantes, tomando como referência os dados de 2020.
Para que esse compromisso produza resultados, é necessário que as ações alcancem municípios de diferentes portes e realidades econômicas.
Isso significa conhecer os locais com maior concentração de ocorrências, identificar os grupos mais vulneráveis, monitorar os resultados das intervenções e manter programas contínuos de educação, engenharia e fiscalização.
A análise dos dados também precisa considerar os limites de cada fonte. Registros municipais, informações das polícias rodoviárias e estatísticas de mortalidade do sistema de saúde podem utilizar metodologias e abrangências diferentes.
Por isso, a comparação entre cidades exige critérios padronizados, evitando conclusões baseadas exclusivamente no número absoluto de acidentes.
Mais do que identificar onde ocorrem mais sinistros, o desafio é compreender por que eles acontecem e quais medidas podem evitar que continuem produzindo vítimas.
Para Celso Mariano, ampliar o debate sobre segurança viária para além das capitais é fundamental para que o crescimento dos municípios brasileiros não seja acompanhado pelo aumento das vítimas no trânsito.
“Não podemos naturalizar as mortes no trânsito como uma consequência inevitável do crescimento das cidades. Se um município está se desenvolvendo, atraindo empresas, moradores e novos investimentos, a segurança viária precisa fazer parte desse planejamento desde o início. Uma cidade verdadeiramente desenvolvida não é apenas aquela onde circulam mais veículos, mas aquela onde as pessoas conseguem se deslocar com segurança”, conclui.
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Dor de cabeça súbita ao volante não deve ser ignorada; conheça os sinais de alerta
Dor de cabeça durante um deslocamento, visão embaçada ou algum desconforto visual podem parecer sintomas passageiros. Na maioria das vezes, essas manifestações não significam a presença de uma doença neurológica grave. No entanto, quando surgem de forma súbita, com grande intensidade ou acompanhadas de outros sinais neurológicos, exigem atenção — inclusive quando a pessoa está dirigindo.
Entre as condições que precisam ser descartadas está o aneurisma cerebral, principalmente quando ocorre uma mudança importante no padrão habitual da dor ou aparecem sintomas como visão dupla ou turva, confusão, convulsões e perda de consciência.
“Ter dor de cabeça ou visão embaçada não significa que a pessoa tenha um aneurisma. São sintomas muito frequentes e que podem estar relacionados a inúmeras condições. O que merece atenção é principalmente uma mudança no padrão habitual, o início abrupto e a associação com outros sinais neurológicos”, explica a neurocirurgiã Dra. Vanessa Milanese, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).
Para quem está ao volante, sintomas relacionados à visão, à consciência e às funções neurológicas ganham uma dimensão adicional, já que dirigir exige condições para perceber o ambiente e responder às situações encontradas durante o trajeto.
Aneurisma cerebral geralmente não apresenta sintomasEstimativas internacionais apontam que aproximadamente 3% da população adulta pode apresentar um aneurisma intracraniano não roto. Grande parte dessas alterações permanece silenciosa e pode nunca provocar sintomas.
O aneurisma cerebral acontece quando há uma dilatação em uma região enfraquecida da parede de uma artéria do cérebro. O principal risco ocorre com a ruptura, que pode provocar uma hemorragia subaracnóidea, situação que exige atendimento médico imediato.
Quando não há ruptura, especialmente nos aneurismas pequenos, geralmente não existem manifestações.
Em alguns casos, entretanto, aneurismas maiores podem comprimir nervos e estruturas próximas. Nessa situação, podem aparecer dor acima ou atrás de um dos olhos, alteração do tamanho da pupila, visão dupla ou outras mudanças visuais.
Dor muito intensa e repentina é sinal de alertaO cenário muda quando acontece a ruptura de um aneurisma. A manifestação considerada clássica é uma dor de cabeça extremamente intensa e de início súbito, frequentemente descrita pelos pacientes como diferente de qualquer outra dor já experimentada.
Outros sintomas também podem aparecer, como náuseas, vômitos, rigidez no pescoço, visão turva ou dupla, sensibilidade à luz, confusão, convulsões e perda de consciência. “Uma dor que começa subitamente e atinge uma intensidade muito forte em segundos ou poucos minutos não deve ser tratada em casa como uma cefaleia habitual, especialmente quando vem acompanhada de alteração visual, vômitos, desmaio, confusão ou algum déficit neurológico. Nesses casos, a orientação é procurar um serviço de emergência imediatamente”, alerta a especialista.
A orientação ganha especial importância quando esses sinais aparecem durante um deslocamento, já que algumas das manifestações descritas podem afetar funções essenciais para a condução.
Nem toda dor de cabeça significa aneurismaApesar dos sinais de alerta, a especialista ressalta que ter dor de cabeça ou alterações na visão não significa automaticamente ter um aneurisma cerebral. Essas são queixas frequentes e podem estar relacionadas a diferentes condições.
Por isso, um dos aspectos que merece atenção é a mudança em relação ao padrão habitual da pessoa: uma dor que surge de maneira diferente, especialmente quando é abrupta e associada a outros sintomas neurológicos.
O Ministério da Saúde aponta dor de cabeça súbita e intensa e alterações na visão entre os sinais de alerta para eventos cerebrovasculares.
Entre os fatores associados à formação e à ruptura de aneurismas estão principalmente tabagismo e hipertensão arterial não controlada. Histórico familiar e algumas condições genéticas, como doença renal policística e doenças que afetam o tecido conjuntivo, também podem aumentar o risco.
Exames não são indicados indiscriminadamenteA presença de uma dor de cabeça, por si só, também não significa que seja necessário realizar exames de imagem para investigar um aneurisma.
“O histórico do paciente, as características da dor, a presença de fatores de risco e o exame clínico ajudam o médico a definir quando existe necessidade de investigação. O mais importante é conhecer os sinais de alerta e não banalizar uma dor ou uma alteração visual que aparece de forma muito diferente do habitual”, afirma Dra. Vanessa.
Quando existe suspeita, exames de imagem permitem avaliar os vasos cerebrais e verificar a presença de aneurismas.
Mesmo quando um aneurisma é identificado antes da ruptura, isso não significa necessariamente que o paciente será submetido imediatamente a uma cirurgia. “Nem todo aneurisma diagnosticado precisa ser operado imediatamente. Existem situações em que o acompanhamento é a melhor conduta e outras em que o tratamento é recomendado. Essa decisão deve ser individualizada. O diagnóstico permite justamente avaliar o risco e definir a estratégia mais segura para cada paciente”, finaliza a neurocirurgiã.
Para quem dirige, a principal mensagem é não banalizar uma dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando acompanhada de alterações visuais, confusão, desmaio ou outros sinais neurológicos. Nessas circunstâncias, a orientação médica apresentada é procurar atendimento de emergência imediatamente.
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França endurece punição por celular ao volante; entenda o que acontece no Brasil
Uma medida adotada na França volta a colocar em discussão um comportamento cada vez mais incorporado à rotina de muitos motoristas: pegar o celular enquanto dirige. O governo francês decidiu generalizar para todo o país a possibilidade de suspensão administrativa da carteira de habilitação de condutores flagrados usando o telefone ao volante.
A iniciativa chama a atenção também no Brasil, onde segurar ou manusear o celular durante a condução é infração gravíssima. Apesar da severidade da classificação, a legislação brasileira não estabelece a suspensão direta da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) como penalidade específica para essa conduta.
A comparação entre os dois países mostra diferentes estratégias para enfrentar um problema de segurança viária que vai muito além de responder uma mensagem.
Ao desviar os olhos, ocupar uma das mãos e dividir a atenção com o telefone, o motorista reduz sua capacidade de perceber e reagir ao que acontece no trânsito.
O que a França decidiu mudarA medida francesa não significa que o uso do celular ao volante tenha se tornado proibido somente agora.
A legislação do país já proíbe o motorista de utilizar telefone segurado na mão durante a condução. O Código de Trânsito francês também prevê multa, perda de pontos e a possibilidade de suspensão da habilitação.
A novidade anunciada no início de outubro está na ampliação territorial da resposta administrativa. Até então, cerca de 20 departamentos franceses já adotavam a suspensão temporária da carteira para motoristas flagrados usando o telefone. Agora, a orientação será generalizada para todo o território francês.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa francesa, uma instrução foi encaminhada aos prefeitos para uniformizar a aplicação da medida.
A ministra delegada responsável pela Cidadania, Marie-Pierre Vedrenne, afirmou que a intenção é tratar o uso do telefone como um comportamento perigoso por si só, sem depender da ocorrência simultânea de outra infração.
A legislação francesa estabelece ainda que o uso do telefone segurado na mão resulta na retirada de três pontos da habilitação.
E no Brasil, usar celular pode suspender a CNH?Não diretamente.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) trata de diferentes situações envolvendo celular e outros dispositivos durante a condução.
O artigo 252 estabelece que dirigir utilizando fones nos ouvidos conectados a aparelho sonoro ou telefone celular é infração média. Já quando o condutor está segurando ou manuseando o telefone celular enquanto dirige, a conduta passa a ser considerada infração gravíssima.
Nesse último caso, a penalidade é multa de R$ 293,47 e o registro de sete pontos na CNH.
A infração por segurar ou manusear o celular, entretanto, não está entre aquelas para as quais o CTB determina a suspensão do direito de dirigir como penalidade específica.
Isso não significa que os pontos sejam irrelevantes. Uma infração gravíssima entra no histórico do condutor e pode contribuir para que ele alcance o limite que leva à abertura de processo de suspensão da CNH.
Pelas regras atuais, para condutores em geral, o limite em um período de 12 meses varia conforme a quantidade de infrações gravíssimas: são 40 pontos quando não há nenhuma infração gravíssima, 30 pontos quando há uma e 20 pontos quando existem duas ou mais.
Para quem exerce atividade remunerada ao veículo, aplicam-se regras específicas previstas no CTB.
Portanto, uma autuação isolada por manusear o celular não significa perder imediatamente o direito de dirigir no Brasil, diferentemente da resposta administrativa que a França pretende aplicar de maneira uniforme.
Por que o celular representa tanto risco?O problema não se resume ao fato de dirigir com apenas uma das mãos. A distração provocada pelo telefone pode ocorrer simultaneamente em diferentes níveis. O motorista pode tirar os olhos da via para ler uma mensagem, retirar uma das mãos do volante para manipular o aparelho e deslocar sua atenção mental da tarefa de dirigir para uma conversa, aplicativo ou notificação.
É essa combinação que torna uma ação aparentemente rápida especialmente perigosa.
A própria Segurança Viária francesa informa que o uso do telefone ao volante multiplica por três o risco de sinistro. A leitura de uma mensagem de texto ou e-mail pode elevar esse risco de maneira ainda mais significativa.
No Brasil, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também alerta que teclar enquanto dirige reduz a atenção e os reflexos do motorista.
O risco aumenta porque o trânsito pode mudar em frações de segundo. Um veículo à frente pode frear, um pedestre pode iniciar uma travessia, um motociclista pode surgir no campo de visão ou um semáforo pode mudar enquanto o condutor olha para a tela.
Quanto maior a velocidade, maior também será a distância percorrida durante esses segundos de desatenção.
Parado no semáforo pode mexer no celular?Esse é outro ponto que merece atenção. O fato de o veículo estar momentaneamente parado por causa das condições de circulação, como em um semáforo vermelho, não deve ser interpretado automaticamente como autorização para usar o telefone.
Para evitar a distração e qualquer dúvida sobre o enquadramento da conduta, a orientação mais segura é utilizar o aparelho somente depois de estacionar o veículo em local permitido e seguro.
Programar a rota no aplicativo de navegação, escolher uma música ou responder mensagens são ações que devem ser feitas antes de iniciar o deslocamento ou depois de uma parada segura.
Tecnologia avança, mas atenção continua sendo responsabilidade do motoristaA discussão francesa também chama atenção para um desafio que não se resolve apenas com multas mais altas ou novas formas de fiscalização.
O celular passou a concentrar navegação, comunicação, entretenimento, trabalho e serviços utilizados diariamente. No trânsito, porém, essa conveniência cria uma disputa constante pela atenção do condutor.
É justamente nesse ponto que entra a segurança viária. Conduzir exige observar continuamente a via, os demais veículos, pedestres, ciclistas, motociclistas, sinalização e situações inesperadas.
A experiência francesa mostra uma tentativa de aumentar o peso da consequência administrativa para desestimular a distração. No Brasil, a legislação já classifica o ato de segurar ou manusear o telefone como uma das infrações de trânsito mais graves.
Independentemente da diferença entre as punições dos dois países, a prevenção depende de uma decisão simples antes mesmo de o veículo começar a se movimentar: enquanto estiver dirigindo, a prioridade precisa ser o trânsito.
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